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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Deus, o Universo, Kepler e Ptolomeu...



O contributo de Johannes Kepler, astrólogo - assim eram designados na antiguidade os actuais astrónomos ou astrofísicos - alemão nascido em 1571, protestante e estudante de teologia no início da sua vida académica, foi, segundo diz Carl Sagan em Cosmos, de grande audácia e de importância fundamental para a compreensão das leis físicas que regem  o universo, à semelhança da importância que teve também Galileu para essa mesma compreensão.  Diz ainda Sagan que Kepler, sendo o último astrólogo científico, foi o primeiro astrofísico da história.  Tal como aconteceu com Galileu, condenado pela igreja católica romana pela defesa e insistência na teoria heliocêntrica, não seria fácil para Kepler fazer aceitar a  tese de que, para além do sol se encontrar estático - como já era conhecido - os planetas circundavam-no  em rotas elípticas  não em círculos perfeitos, como  defendido pelos tradicionalistas convictos de que um Deus perfeito nunca iria colocar os planetas a realizar órbitas em círculos imperfeitos ( Carl Sagan - Cosmos) e que isso derivava precisamente da atracção que a nossa estrela exerce sobre os planetas  que a rodeiam quando efectuam os movimentos de translacção.
  
Para além de se ter dedicado ao estudo de diversas ciências que lhe permitiram  olhar os  planetas numa outra perspectiva, Kepler era um cristão convicto que achava que Deus exercia influência permanente no universo e que isso  era muito mais do que apenas «uma brincadeira  no  intervalo do recreio de todas as outras actividades  divinas». 

Quando em 1543, antes portanto de Kepler e Galileu, um clérigo católico polaco de nome Nicolau Copérnico entregou ao mundo as suas convicções acerca do movimento heliocêntrico dos planetas,  que punha desde logo em causa todo o conhecimento trazido à luz  por Cláudio Ptolomeu e   que durou cerca de mil anos, o mundo religioso e científico de então foi completamente abalado.  Não esqueçamos que Ptolomeu bebera muito em Aristóteles e na ideia dos quatro elementos, água, fogo, ar e terra, que dominavam, segundo a escola Aristotélica, os comportamentos dos seres , pelo que algumas bizarrias que Ptolomeu sustentava vinham na esteira desse posicionamento.                                                             

Ptolomeu acreditava que, não só os comportamentos eram influenciados pelos planetas e estrelas, mas também que as questões de estatura, tez, nacionalidade e até deformações físicas congénitas eram determinadas pelas estrelas - Carl Sagan - Cosmos


Jacinto Lourenço

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Copérnico, Kepler, Galileu, Newton e outros que tais...

Entre 1616 e 1835 a obra de Nicolau Copérnico esteve encerrada numa gaveta da igreja católica até que fosse expurgada dos “seus erros” pelo lápis azul dos censores eclesiásticos. E não se pense que foram só os católicos retrógrados que proibiram Copérnico de divulgar os seus ensinamentos, preferindo dar razão a Ptolomeu. Martinho Lutero, o pai da reforma protestante, também zurziu nas ideias Copernianas.
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A confrontação destas duas concepções do cosmos – uma centrada na terra e outra centrada no sol – atingiu o seu clímax nos séculos XVl e XVll, na pessoa de um homem que, tal como Ptolomeu, era astrólogo e astrónomo. Viveu numa época em que o espírito humano estava agrilhoado e a mente acorrentada; em que as opiniões eclesiásticas sobre os assuntos científicos, velhas de dois milénios, eram consideradas de maior confiança do que as descobertas contemporâneas realizadas com técnicas de que os antigos não dispunham; em que o desvio sobre os assuntos teológicos mais misteriosos, relativamente às preferências doxológicas dominantes, católicas ou protestantes, era punido com a humilhação, impostos, tortura, exílio ou morte.(…) A ciência estava ainda desprovida da ideia de que subjacentes aos fenómenos da natureza, podiam estar as leis da física. Foi a luta corajosa de Johannes Kepler que desencadeou a revolução científica moderna” ( Carl Sagan – “Cosmos”).
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Para Kepler, o poder criador do universo estava em Deus, e a única forma de explicar os seus mistérios era “ler” o pensamento de Deus. Ptolomeu (embora com erros desculpáveis face ao desenvolvimento científico do seu tempo), Copérnico, Galileu, Kepler e Newton, e mesmo Galeno na área médica séculos atrás, entre outros, abriram os olhos da humanidade para esta realidade que a Bíblia já revelara há milhares de anos : a natureza é afinal regida por leis matemáticas e físicas simples e à prova de qualquer observação, mesmo a da ciência da chamada “pós-modernidade”, e em cujos meandros se pode constatar e sentir a operação de Deus acima de qualquer lei criada, no campo terrestre ou celeste. Pessoalmente acredito que tem sido esta operação divina que tem salvaguardado a terra e os seus habitantes de serem largados por completo ao destino por eles escolhido e à rigidez das leis físicas por eles reclamada. Este é o domínio da misericórdia do meu Deus. E essa misericórdia, diz a Bíblia, é “a causa de não sermos consumidos”. Temos hoje uma visão amplificada do universo, da vida e da civilização devido aos “terrenos” que as personalidades citadas revolveram nos seus campos de actuação, a que se juntaram outros cientistas sérios e honestos, de todos os tempos, trazendo ao de cima uma organização que espanta pela sua simplicidade, mas cuja diversidade lhe empresta uma tremenda complexidade que exibem, aos nossos olhos, a criação de Deus, como um projecto que nos arrepia pela sua beleza misteriosa e grandiosidade. E Deus, o Senhor das nossas vidas, não pára de nos surpreender todos os dias na relação individual e particular que estabelece connosco, seres minúsculos no meio de tão grandioso projecto.
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Jacinto Lourenço

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Génesis, Stº. Agostinho e Darwin

"...Para Agostinho, o Senhor criou um universo deliberadamente designado para se desenvolver e evoluir. E o plano para essa evolução não é arbitrário, mas programado na estrutura de tudo quanto foi criado. Os primeiros escritores cristãos tomaram nota de como o primeiro relato do Gênesis falava sobre a terra e a água dando origem à vida. Eles diziam que isso mostra como Deus dotou a ordem natural com a capacidade de gerar criaturas. Agostinho foi ainda mais longe: ele sustentava que Deus criou o mundo com uma série de poderes adormecidos, que são consumados em um certo momento, de acordo com a divina providência. Uma das evidências disso seria o texto de Génesis 1.12, que sugere que a terra recebeu o poder de produzir vida por si mesma. A imagem da semente, ali mencionada, sugere que a Criação original contém em si mesma o potencial de fazer emergir todos os subsequentes tipos de vida. Isso não significa que Deus criou o mundo incompleto e imperfeito, como pretendia Darwin ao enfatizar a necessidade da evolução; esse processo de desenvolvimento, Agostinho declara, é governado por leis fundamentais, que revelam a vontade do Criador: “Deus estabeleceu leis fixas que governam a produção das espécies de seres, e os tira do esconderijo para serem vistos completamente”, diz em seu comentário.[...]
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Alister McGrath*
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Ler texto integral AQUI na revista Cristianismo Hoje
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*O ex-ateu Alister McGrath é professor de teologia histórica da Universidade de Oxford e pesquisador sênior do Harris Manchester College, no Reino Unido. Possui doutorados em biofísica molecular e em teologia pela Universidade de Oxford.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Laboratório de Deus

Temos de admitir que o conhecimento do Cosmos e da vida não seria hoje o mesmo sem a “passadeira vemelha” que Ptolomeu lançou à ciência e sem algumas ideias naturalistas que Darwin deixou ( quanto mais não seja, pela discussão que permitiram e pela possibilidade que trouxeram aos cristãos de, também aqui, no campo da ciência, afirmarem a sua fé ). Mas admitiremos igualmente que as ideias, a quase roçar o determinismo, de um e de outro, deram origem a um misticismo e falsa ciência que se prolongaram até ao século XXI. A centelha determinista, reconhece-se aliás, ainda que numa outra dimensão, na teoria do determinismo de Marquis de Laplace (1740-1827) que não deixava escolha à verdadeira ciência ao dizer que a química e a física fixavam determinantemente o resultado de todos os actos causativos.
+ O determinismo punha de parte qualquer intervenção divina na sua criação. Era como se o criador estivesse proibido de mexer no que criara. “Ainda hoje, são poucos os cientistas que aceitam o conceito de um Deus que intervém na nossa vida diária “violando” as próprias leis da natureza que Ele criou”, diz Gerald Schroeder. Pois é: ficaríamos “entregues” ao determinismo se não tivessem sido encontrados alguns princípios físicos e mecânicos que permitem constatar que “causas idênticas não produzem sempre efeitos idênticos” (G.Schroeder – “Deus e a Ciência”) Ou seja : a mecânica quântica permite observar que, dentro dos limites da natureza criada por Deus, existe uma confirmada tendência que abre espaço para que algum efeito sujeito a uma causa rígida possa ter um rumo diferente.
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Voltando a Schroeder, ele afirma que “ a mecânica quântica alterou o nosso conhecimento da natureza. […] Os “milagres” de um Deus pessoal tornam-se […] observáveis do ponto de vista científico nos laboratórios de física”. A isto, os cientistas (alguns) incapazes de reconhecer a soberania de Deus sobre a sua criação, preferem responder mistificadamente que ”a mecânica quântica revelou que apenas há acontecimentos sem causas suficientes". Isto é: ” acontecimentos que podem ser observados mas não explicados por condições precedentes” ( G. Schroeder – “Deus e a Ciência” )… Como em tudo na vida, a boa ciência é a que procura explicar-se até a si própria e tem a capacidade de deixar sempre uma porta aberta para a compreensão daquilo que ainda pertence aos desígnios de Deus. O Salmista dizia : “…Tu me cercaste e puseste sobre mim a tua mão. Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. Para onde irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua dextra me susterá. Se disser: decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à minha volta. Nem ainda as trevas me escondem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa. Pois possuis-te o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe” (Salmos 139:5-13).
+ + Jacinto Lourenço

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nós, Cristãos, versus a Pseudo-Ciência

De entre as tentativas esboçadas por várias personalidades, de todos os tempos, para a explicação da criação, tal como ela se nos apresenta, salientam-se algumas que rejeito liminarmente por não revestirem quaisquer hipóteses de ciência honesta, mesmo aos olhos de pessoas que, não sendo cientistas, como eu, nem tendo nesse campo qualquer espécie de pretensiosismo, procuram, isso sim, conhecer as diferentes abordagens científicas ( ou que se pretendem apresentar como tal ). Certos esboços de pseudo-ciência enfunam no espavento da arrogância intelectual ou num forçado hermetismo tantas vezes mistificador da falta de profundidade, rigor e alcance da irrefutável prova, onde cabe também, em minha opinião, o evolucionismo de Darwin. Não o rejeito apenas com a explicação “porque não”, ou apenas porque sou cristão ( e podia fazê-lo nesta condição, por ser integralmente criacionista ). Não o aceito porque não faz sentido nenhum admitir que um ser vivo é obra do acaso circunstancial. ( Lembram-se dos defensores da “geração espontânea” posta em causa pelo Holandês Huygens – pioneiro do Microscópio - e completamente desmistificada, mais tarde, entre outros, por Luis Pasteur !?). Mas o que deixo dito não me impede de admitir que qualquer ser vivo, homem incluído, é influenciado pelo ambiente que o cerca e que com ele interage. Gerald Schroeder, em “Deus e a ciência” (Europa América 1999), afirma «que o Universo está sintonizado com a vida desde o início. No Génesis, a vida aparece ao terceiro dia pela primeira vez. Mas a palavra criação não é mencionada. É-nos dito : “a terra trouxe vida”. A terra já tinha em si mesma as propriedades necessárias para a vida florescer ». Ainda que a comparação possa não ser a mais indicada, mesmo assim não resisto a fazê-la : era como se a terra já estivesse povoada de “células estaminais vegetais” com capacidade para poderem fazer aparecer uma vida que não poderia existir sem que estivessem observadas determinadas condições, nomeadamente as verificadas no segundo dia da criação com a separação das águas e o mais que provável aparecimento das primeiras chuvas sobre a terra que fariam “explodir”, para a sua superfície, toda a vida vegetal, e nada disto invalida ou põe em causa a infinita sabedoria de Deus no acto criativo, antes pelo contrário.
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Jacinto Lourenço

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Johannes Kepler - Cristão e Cientista Corajoso

As contribuições de Johannes Kepler ( “astrólogo” – assim eram designados na antiguidade os actuais astrónomos ou astrofísicos ), alemão nascido em 1571, protestante e estudante de teologia no início da sua vida académica, foram, segundo diz Carl Sagan em “Cosmos” “…de grande audácia e de importância fundamental…” para a compreensão das leis físicas que regem todo o universo, à semelhança, aliás, da importância que teve também Galileu para essa mesma compreensão. Diz ainda Sagan que Kepler, sendo o último astrólogo científico, foi o primeiro astrofísico da história. Tal como aconteceu com Galileu, condenado pela igreja católica pela insistência na defesa da teoria heliocêntrica, não seria fácil para Kepler fazer aceitar a sua tese de que, para além do sol se encontrar estático, os planetas circundavam-no em rotas elípticas e não em círculos perfeitos, como era defendido pelos tradicionalistas, (“convictos de que um Deus perfeito nunca iria colocar os planetas a realizar órbitas em círculos imperfeitos”…- Carl Sagan in Cosmos” ) sendo que isso derivava precisamente da atracção que a nossa estrela exerce sobre os corpos que o rodeiam nos seus movimentos de translacção. Para além de se ter dedicado ao estudo de diversas ciências que lhe permitiram olhar os planetas numa outra perspectiva, Kepler era um cristão convicto que achava que Deus exercia uma influência no universo que ia muito para além de simplesmente se ocupar a aplicar a ira divina e a exigir sacrifícios. O Deus que Kepler conhecia, era e é o mesmo que nós conhecemos: o Criador de todo o universo. Quando em 1543, antes portanto de Kepler e Galileu, um clérigo católico Polaco, de nome Nicolau Copérnico, entregou ao mundo as suas convicções acerca do movimento heliocêntrico dos planetas, que punha desde logo em causa todo o conhecimento trazido à luz por Cláudio Ptolomeu e que durou cerca de mil anos, o mundo religioso e científico de então abanou. Não esqueçamos que Ptolomeu bebera muito em Aristóteles e na ideia dos quatro elementos, água, fogo, ar e terra, que dominavam, segundo a escola Aristotélica, os comportamentos dos seres , pelo que algumas bizarrias que Ptolomeu sustentava vinham na sua peugada. “Ptolomeu acreditava que não só os comportamentos eram influenciados pelos planetas e estrelas mas também que as questões de estatura, tez, nacionalidade e até deformações físicas congénitas eram determinadas pelas estrelas” ( Carl Sagan – “Cosmos” ). A ser assim, Darwin podia ir para casa descansar e colocar a sua teoria da evolução no triturador da história. Em conformidade com as ideias Ptolomaicas, não existiria espaço para nenhuma alteração incutida, pelo meio, aos seres vivos. Coisas simples, como por exemplo, o tipo de alimentação, que tem influência nas alterações morfológicas das gerações ou o clima, que exerce uma tremenda pressão sobre as condições em que nos movemos alterando o modo de vida e desafiando os limites de adaptabilidade dos seres vivos ao mesmo, fazem surgir, em diferentes latitudes geográficas, fortes clivagens morfológicas e fisionómicas, entre outras. Mas estas observações informam-nos que, embora o meio exerça este tipo de constrangimentos, ele nunca contrariará os princípios básicos que presidiram à criação de Deus.
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Jacinto Lourenço

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Bíblia e a Ciência

O filósofo medieval Moisés Maimónides afirmou que "os conflitos entre a ciência e a bíblia surgem de uma falta de conhecimento científico ou de um conhecimento defeituoso da bíblia". É um problema permanente. Os peritos em ciência podem supor que, embora a pesquisa científica exija um esforço intelectual cuidadoso, a sabedoria bíblica obtêm-se apenas através de uma simples leitura da bíblia. Pelo contrário, os teólogos, que dedicaram décadas a escavar as profundesas da sabedoria bíblica , frequentemente satisfazem a sua curiosidade científica através de artigos de imprensa, supondo então que podem avaliar a validade das descobertas científicas. A "oposição" é sempre vista com um nível de conhecimento muito baixo. Não admira que o "outro lado" pareça superficial, mesmo ingénuo. Para relacionar estes dois campos de forma séria é necessário um conhecimento profundo de ambos.
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Do Livro Deus e a Ciência. Autor Gerald L. Schroeder. Publicações Europa América. pág. 19

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Deus Revela-se em Tudo

Carlos Mesters, o mais popular biblista do Brasil, sublinha que há no Antigo Testamento dois decálogos, o da Aliança e o da Criação. O da Aliança surgiu primeiro, embora o outro já existisse. Ocorre que o povo de Deus, por não levar a sério o da Aliança, não tinha olhos para perceber o Decálogo da Criação. Ao longo dos 400 anos da monarquia (de 1000 a 600 a.C.), Javé, o Deus libertador do Êxodo, foi reduzido a um ídolo manipulado pelos poderes civil e religioso para legitimar a corrupção e a ganância dos reis. E ninguém dava ouvidos às denúncias dos profetas. Até que Nabucodonosor, rei da Babilónia, invadiu a Palestina em 587 a.C. e destruiu Jerusalém. O choque da dominação e do exílio abriu os olhos do povo de Deus para o Decálogo da Criação: "O ritmo da natureza, do sol, da lua, das estações, das chuvas, das estrelas, das plantas, revela o poder criador de Deus" - afirma Mesters. "É a expressão do bem-querer do Deus Criador, da pura gratuidade! É uma certeza que não falha. É a prova de que Deus não rejeitou o seu povo. A nossa fraqueza pode levar-nos a romper com Deus (como de facto aconteceu), mas Deus não rompe conosco, pois cada manhã, através da sequência dos dias e das noites, ele nos fala ao coração". A nossa visão do mundo interfere na nossa visão de Deus, assim como o modo de concebermos Deus influi na visão que temos da vida e do mundo. Ao longo de 1.000 anos predominou, no Ocidente, a cosmovisão de Ptolomeu, que considerava a Terra o centro do Universo. Isso favoreceu a hegemonia espiritual, cultural e económica da Igreja, encarada pela fé como imagem da Jerusalém Celeste. Com o advento da Idade Moderna, graças à nova cosmovisão de Copérnico, logo completada por Galileu e Newton, constatou-se que a Terra é apenas um pequeno planeta que, qual mulata de escola de samba, dança em torno da própria cintura (24 horas, dia e noite) e do mestre-sala, o sol (365 dias, um ano). O paradigma da fé deu lugar à razão, a religião à ciência, Deus ao ser humano. Passou-se da visão geocêntrica à heliocêntrica, da teocêntrica à antropocêntrica. Agora, a modernidade cede lugar à pós-modernidade. Mais uma vez, a nossa visão do Universo sofre radicais mudanças. Newton cede lugar a Einstein, e o advento da astrofísica e da física quântica obrigam-nos a encarar o Universo de modo diferente e, portanto, também a ideia de Deus. Se na Idade Média Deus habitava "lá em cima" e, na Idade Moderna, "aqui em baixo", dentro do coração humano, agora conhecemos melhor o que o apóstolo Paulo quis dizer ao afirmar: "Ele não está longe de cada um de nós, pois nEle vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dentre os vossos poetas disseram: "Somos da raça do próprio Deus" (Actos dos Apóstolos 17, 27-28). A física quântica, que penetra a intimidade do átomo e descreve a dança das partículas subatómicas, ensina-nos que toda a matéria, em todo o Universo, não passa de energia condensada. No interior do átomo, a nossa lógica cartesiana não funciona, pois ali predomina o princípio da indeterminação, ou seja, não se pode prever com exatidão o movimento das partículas subatómicas. Essa imprevisibilidade só predomina em duas instâncias do Universo: no interior do átomo e na liberdade humana. Em que é que a física quântica modifica a nossa visão do Universo? Ela livra-nos dos conceitos de Newton, de que o Universo é um grande relógio montado pelo divino Relojoeiro e cujo funcionamento pode ser bem conhecido estudando cada uma das suas peças. A física quântica ensina que não há o sujeito observador (o ser humano) frente ao objecto observado (o Universo). Tudo está intimamente interligado. O bater de asas de uma borboleta no Japão desencadeia uma tempestade na América do Sul... O nosso modo de examinar as partículas que se movem no interior do átomo interfere no percurso delas... Tudo o que existe coexiste, subsiste, pré-existe, e há uma inseparável interação entre o ser humano e a natureza. O que fazemos à Terra provoca uma reação da parte dela. Não estamos acima dela, somos parte e resultado dela; ela é "Pacha Mama" ou, como diziam os antigos gregos, "Gaia", um ser vivo. Deveríamos manter com ela uma relação inteligente de sustentabilidade. Esse novo paradigma científico nos permite contemplar o Universo com novos olhos. Nem tudo é Deus, mas Deus revela-se em tudo. A nossa visão religiosa é agora pananteísta. Não confundir com panteísta. O panteísmo diz que todas as coisas são Deus. O pananteísmo, que Deus está em todas as coisas. "Nele vivemos, nos movemos e existimos", como disse Paulo. E Jesus nos ensina que Deus é amor, essa energia que atrai todas as coisas, desde as moléculas que estruturam uma pedra às pessoas que comungam um projecto de vida.Como dizia Teilhard de Chardin, no amor tudo converge, de átomos, moléculas e células que formam os tecidos e órgãos do nosso corpo às galáxias que se aglomeram múltiplas nesta nossa Casa Comum que chamamos, não de Pluriverso, mas de Universo.
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Por: Frei Beto*
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(* autor de 51 livros, editados no Brasil e no exterior. Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Frade dominicano )
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Fonte Genizah

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

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Minha memória já quase se foi, mas eu recordo duas coisas: Eu sou um grande pecador, Cristo é o meu grande salvador.
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( John Newton )
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cientistas Confirmam Condições Físicas para Ocorrência de Relato Bíblico

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Cientistas Norte-Americanos confirmam a possibilidade de se verificarem condições físicas para que um vento nocturno de Este abrisse caminho pelo Mar Vermelho para que os Hebreus escapassem aos seus perseguidores egípcios a caminho da terra prometida. ***
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Ler artigo AQUI, em Castelhano, no jornal El Mundo

sábado, 18 de setembro de 2010

"Religião e Ciência são Perfeitamente Compatíveis"

"...O outro ponto da reflexão diz respeito à ciência. É claro que a ciência metodicamente não precisa de Deus. Por outro lado, não tem capacidade nem para afirmar nem para negar a sua existência.
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Quando um cientista quer, a partir da ciência, afirmar que não há Deus, contradiz-se e entra em paralogismos, pois ultrapassa as suas competências enquanto cientista. De facto, a ciência não pode fazer afirmações sobre a realidade na sua ultimidade. Por exemplo, há Deus ou não?, o homem é livre?, com a morte acaba tudo ou a vida continua? A razão dessa impossibilidade está em que estas questões não são enquadráveis no método empírico-matemático, não são objecto de experimentação.
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Religião e ciência são perfeitamente compatíveis, desde que respeitem os seus domínios de competência. A religião não tem respostas para questões científicas. A ciência não responde à problemática dos valores e a questões como: porque há algo e não nada?, qual é o sentido último da existência?
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Assim se compreende que haja cientistas agnósticos, ateus e crentes. Também os crentes não habitam todos no asilo da ignorância e da superstição."
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*** Prof. Anselmo Borges In Diário de Notícias Online de 18/10/2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"A Bíblia, a Verdade e a Existência de Deus"

Perguntou Pilatos: - O que é a verdade?
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Interessante como muitos de nós lemos a Bíblia como um livro de comprovações da existência de Deus. Neste critério de leitura, quando se quer provar tal coisa, apresentam-se os textos passíveis de confirmação pelo saber humano, tais como o peso do ar no livro de Jó ou a redondeza da Terra em Isaías, além de outros. Por outro lado, nada se fala sobre os outros inúmeros textos que além de não se poder comprová-los, ainda nos fazem corar de vergonha, pois chegam a ser contraditórios ao saber humano. Nesta situação é comum tentar desqualificar a ciência, quando não os cientistas, enfatizando suas contradições. Mas algumas vezes, se esboça a tentativa de um mínimo diálogo entre ciência e religião torcendo o texto bíblico. A partir de uma falácia de que os erros são “aparentes contradições”, se dá ao texto impossível de comprovação o crédito de linguagem simbólica, ou o status de mistério. Quer dizer, em função dos poucos comprovados, exige-se acreditar que os não comprovados também sejam factuais. Os que assim defendem a Bíblia, não permitem que a ciência faça uso desta mesma regra. [...]
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Continuar a ler AQUI no Blog Partículas da Graça

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Descoberta casa dos tempos de Cristo"

( Foto D.N. )

Peritos estão convencidos que Jesus conhecia a casa em questão. Esta tem dois quartos, um pátio interno e uma cisterna para guardar a água.

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Não é a casa onde Jesus Cristo viveu, mas podia ser. Pela primeira vez, arqueólogos encontraram uma residência da época romana em Nazaré, a cidade onde, segundo os Evangelhos, vivia a Virgem Maria. Modesta e pequena, a casa tem dois quartos, um pátio interior e uma cisterna onde guardavam a água da chuva. No local das escavações, foram ainda encontrados pedaços de cerâmica que datam do séc. I. “Encontrámos fragmentos de giz típicos das casas judaicas”, sublinhou a arqueóloga israelita Yardenna Alexandre. Bem junto à casa, a equipa envolvida nas buscas encontrou ainda um poço cuja entrada tinha sido dissimulada. Os arqueólogos estão convencidos que o poço foi aberto pelos judeus durante os preparativos para a Grande Revolta contra os Romanos, no ano de 67. Esta terminou com uma derrota e com a destruição do Templo de Jerusalém. Segundo os especialistas, esta descoberta vem lançar alguma luz sobre a forma como as pessoas viviam há mais de dois mil anos. Um porta-voz da Autoridade das Antiguidades de Israel foi mesmo mais longe e afirmou à BBC ser provável que Jesus e os amigos conhecessem a casa agora encontrada. No século I, Nazaré não passaria de uma pequena aldeia, apesar de hoje a "capital árabe de Israel" com 65 mil habitantes. A casa foi descoberta quando os funcionários de uma empresa de construção civil estavam a escavar as fundações para um novo edifício. Este, um centro cristão, devia situar-se no local de um antigo convento. As escavações vão agora ser integradas num novo centro do grupo católico francês Chemin Neuf.

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In Diário de Notícias Online

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Fé e Ciência: irmãs gémeas ou inimigas ?!

O divórcio entre a fé e a ciência, ou entre a física e a metafísica, marcou o fim da Idade Medieval e o início do Iluminismo. Não me entenda mal. Creio que este divórcio trouxe inestimáveis benefícios para ambos os lados, mas não sem um alto preço. Assim como os divórcios são caracterizados por brigas, mal-entendidos, rotulações preconceituosas ou até hostilizações de ambos os lados, a ciência e a teologia também sofrem de grande dificuldade de comunicação. Além disso, com o amadurecimento da ciência, cresce a convicção popular de que a ela pertence ao campo dos factos enquanto à religião pertence o campo dos valores. Curiosamente, ao campo dos factos aplica-se a regra de singularidade e dogma. Isto é, a respeito de determinado fenómeno, cientificamente falando, os fatcos são únicos e, uma vez estabelecidos, tornam-se dogmas. O inverso ocorre na percepção do papel da religião para quem é relegado ao campo dos valores. Estes valores, não como factos, são múltiplos e, por isso, culturalmente, não devem ser entendidos como dogmas universais, apenas ao gosto do freguês.[...]
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Ler texto integral AQUI no Blogue de Hermes Fernandes

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"A Iluminação de Galileu e dos Magos"

Hoje, 7 de Janeiro, celebra-se o 400º centenário do salto científico dado por Galileu no registo dos satélites de Júpiter, iniciando-se assim uma nova abordagem cientifíca, que se emancipou. Também nesta data, o mundo cristão ortodoxo celebra o Natal, com a chegada dos magos para adorar o Rei Messias, nascido em Belém, Jesus.
A Igreja Ortodoxa, fá-lo, seguindo o calendário Juliano, o que, é interessante, pois apesar da diferença dos dois calendários, não colocam assim tão distante o nascimento do Salvador. Ambos os casos - galileu e a visita dos magos - são claramente actos de iluminação que, trouxeram progressos inegáveis à humanidade. Uns, no campo científico, outros no campo do "Ser", do homem perdido, desgarrado, sem conhecer o seu Salvador. Registo a coincidência das datas, apesar de distanciadas por séculos, ambas trouxeram clarividência a quem soube observar e tirar conclusões objectivas sobre o que via. Hoje precisamos, tal como nas efemérides, saber distinguir o supérfluo do essencial. Saber fazer a distinção entre o que é importante e o que não merece sequer consideração ou desperdício de tempo e energias.
Esta "dissecação" fará a diferença entre; viver no tempo e para o tempo, em vez de desajustados inadaptados - como tal inoperantes - acumulando frustrações não processadas que resultam em desajuste total. Os mágicos, seguiram uma estrela (alinhamento de planetas) que os levou a sair do seu conforto e partir para o desconhecido. Não eram 3, muito menos Reis, nem sequer vinham de lugares diferentes; mas conseguiram na astrologia, tal como Galileu, encontrar a iluminação que os levou a buscar algo que desconheciam, mas criam ser possível encontrar. O Espírito Santo, prometido por Jesus como nosso guia em toda a verdade, continua a desafiar-nos a sair do lugar de conforto e apático, para a dependência constante da sua direcção e vontade, expressas na revelação bíblica, sem tabus nem preconceitos, para uma dimensão de vida iluminada que nos faz atenticos e relevantes nos dias actuais. A marca de Galileu para a emancipação da ciência moderna, assim como os magos - talvez de onde menos se esperava, não teólogos, nem religiosos, mas astrólogos - abriram novos horizontes de conhecimento a serem considerados, para o progresso e desenvolvimento da humanidade. [...]
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Via Hermes Fernandes. Ler todo o artigo AQUI

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Crucificação de Cristo observada do Ponto de Vista Médico

Lendo o livro de Jim Bishop “O Dia Que Cristo Morreu”, percebi que, durante vários anos, eu tinha tornado a crucificação de Jesus mais ou menos sem valor, que haviam crescido calos em meu coração sobre este horror, por tratar seus detalhes de forma tão familiar – e pela amizade distante que eu tinha com o Senhor. Finalmente havia percebido que, mesmo como médico, eu não entendia a verdadeira causa da morte de Jesus. Os escritores do evangelho não nos ajudam muito com este ponto, porque a crucificação era tão comum naquele tempo que, aparentemente, acharam que uma descrição detalhada seria desnecessária. Por isso só temos as palavras concisas dos evangelistas “Então, Pilatos, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.”

Eu não tenho nenhuma competência para discutir o infinito sofrimento psíquico e espiritual do Deus Encarnado que paga pelos pecados do homem caído. Mas parecia-me que como médico eu poderia procurar de forma mais detalhada os aspectos fisiológicos e anatómicos da paixão de nosso Senhor. O que foi que o corpo de Jesus de Nazaré de facto suportou durante essas horas de tortura? [...]
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Ler artigo AQUI no Solomon

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Cristianismo versus Evolução

[ Titulo original do autor : Religião e Evolução podem viver lado a lado ]
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Na [...] terça-feira (24/11) foi o aniversário de 150 anos da publicação de “A origem das espécies”, de Charles Darwin, ocorrida em 24 de novembro de 1859. Todas as 1250 cópias da primeira impressão foram procuradas, por leitores ávidos por ver se o naturalista inglês estava sendo desonesto com sua teoria radical de evolução, “por meio da seleção natural, ou a preservação das raças mais favorecidas na luta pela vida” no título completo do livro.

Quão importante é esse livro? Thomas Huxley (“o buldogue de Darwin”), proclamou que “A origem das espécies” é “o instrumento mais potente para estender o domínio do conhecimento que chegou às mãos dos homens desde “Principia” de Newton”, e lamentou consigo mesmo: “Como fui idiota em não ter pensado nisso.”

O biólogo de Harvard Ernst Mayr, indiscutivelmente o maior teórico da evolução desde Darwin, afirmou: ” Seria difícil refutar a afirmação de que a evolução proposta por Darwin foi a maior revolução intelectual na história da humanidade.” O paleontólogo e historiador da ciência, de Harvard, Stephen Jay Gould chamou a teoria da evolução de uma das doze idéias mais importantes em toda a história do conhecimento ocidental.

Por que, então, tantos norte-americanos não aceitam a teoria da evolução? Uma pesquisa feita pelo Gallup em 2001 encontrou que 45% dos norte-americanos concordam com a afirmação “Deus criou os seres humanos em sua forma atual ao mesmo tempo, aproximadamente 10 mil anos atrás”, enquanto 37% preferiu uma crença mista que “O ser humano se desenvolveu durante milhões de anos a partir de formas de vida menos avançadas, mas Deus guiou o processo”, e apenas 12% aceita a teoria científica padrão que “Os seres humanos se desenvolveram durante milhões de anos a partir de formas de vida menos avançadas e Deus não teve participação no processo.”

Estas porcentagens mudaram muito pouco nos anos subsequentes, apesar da maioria dos cientistas preferirem que as perguntas fossem feitas sem referência a Deus, já que a ciência da biologia evolucionária permanece tenha Deus governado o processo ou não, ou mesmo que haja ou não haja Deus.

Há pelo menos seis razões que levam as pessoas a resistirem em aceitar a teoria da evolução. [...]

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Por: Michael Shermer

Tradução: Andrea Fernandes

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

" Deus Ama-me, Logo Existo"

[ Titulo original do autor : A Busca de Decartes ]
Dedicar-me apenas à busca da verdade" (Discurso do Método, parte 4). Esta é a tarefa mais sublime do universo. Que há de maior, mais be-lo e necessário que a busca da verdade? O caminho do grande Descartes é duro, mas claro: "Rejeitar como totalmente falso tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida (...). Porque os nossos sentidos nos enganam às vezes, quis supor que não existia nada que fosse tal como eles nos fazem imaginar. E, por haver homens que se desviam ao raciocinar, mesmo nas mais simples noções de geometria, e cometem paralogismos, rejeitei como falsas todas as razões que tomara antes por demonstrações. E, enfim, considerando que quaisquer pensamentos que nos ocorrem quando estamos acordados nos podem também ocorrer enquanto dormimos, sem que nesse caso exista algum que seja verdadeiro, decidi fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais verdadeiras do que as ilusões de meus sonhos" (ibidem). Esta é a célebre dúvida metódica. A conclusão ficou famosa: "Mas logo depois percebi que, enquanto queria assim pensar que tudo era falso, era necessário que eu, que assim pensava, fosse alguma coisa. E, ao notar que esta verdade: penso, logo existo, era tão sólida e tão segura que as mais extravagantes suposições dos cépticos não seriam capazes de lhe causar abalo, julguei poder tomá-la, sem escrúpulo, como primeiro princípio da filosofia que procurava" (ib.). A busca é boa mas não o resultado. Se Descartes recusou todos os pensamentos, porque aceitou este último? Se duvida de todas as coisas, também duvidaria de si, do raciocínio e até das palavras em que o exprimia. O esforço de negar de tudo ou é impossível ou conduz ao vazio. Embora o método do discurso seja deficiente, o fim é meritório. Só começo a viver depois de encontrar o sentido da vida, a verdade primordial, "a afirmação tão sólida e tão segura que a tome sem escrúpulo como primeiro princípio". Em que verdade baseio a minha vida? Qual o princípio do que sou? Esta é a única busca que vale a pena. Uma resposta pareceu-me tão evidente como ao filósofo: "Deus ama-me, logo existo." Esta é muito mais realista que a meditação do francês. Afinal, desde que me conheço me sei dependente. Dependi dos pais para nascer e dos próximos para crescer. Dependo do sol para a comida e energia e da sociedade para mas trazerem. Quando mais avanço, mais claro é que dependo a cada instante de um Amor maior que eu. A única coisa de que não dependo é do que eu penso. Pensar que só existo porque penso é arrogância ingénua. O inverso é verdade: existo, logo penso. E só existo porque Alguém me amou e me ama. Esta é a única verdade que me torna livre. Se a minha existência depende do meu pensamento, fico preso no labirinto da subjectividade. Como o mundo perdido de hoje. Se a minha vida brota do Amor sublime e omnipotente, "tudo concorre para o bem dos que amam a Deus" (Rm 8, 28). Alguns dizem que este axioma é rejeitado pela existência do mal. Como pode Deus amar--me se há tanta dor e injustiça na minha vida? Quem pergunta isso não entende a lógica de um axioma. Um facto real não nega um postulado, porque tal facto só ganha sentido a partir dele. Também Descartes não duvidou do seu princípio só porque nem sempre conseguia pensar. A pergunta que faz sentido é: dado que Deus me ama, o que significa este sofrimento? É o amor de Deus que dá sentido a tudo. Até ao mal. Como explicou S. Agostinho, "o Deus sumamente bom, de nenhum modo permitiria existir algum mal nas suas obras, se não fosse tão omnipotente e bom para até do mal tirar o bem" (Enchiridion xi). Só esta verdade me torna livre até do mal, dor e pecado. Se a minha existência depende do Amor supremo, vivo mergulhado na mais pura misericórdia. Ninguém compreende melhor o sofrimento da minha dor e a fraqueza do meu mal que o Amor que me trouxe à vida. Assim, a minha existência ganha sentido e até a cruz se torna salvadora. A minha história é: Deus existe, eu sou pecador, mas Cristo ressuscitou.
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João Cesar das Neves
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"O UNIVERSO DE EINSTEIN"

Estive ontem na inauguração do Ciclo de Conferências, "Nas Fronteiras do Universo", promovido pela Fundação Caloustre Gulbenkian, em colaboração com outras entidades ligadas à ciência. Não era a primeira vez que me deslocava ao auditório 2 da Fundação para assistir a conferências. Fui "nas calmas" , com o tempo suficiente para chegar dentro do horário, o que aconteceu. Mas as "minhas calmas" não foram suficientes para me dar acesso ao auditório, que estava repleto, tendo que ficar "confortavelmente" instalado na escadaria de acesso ao hall dos auditórios, onde as seis ou sete dezenas de cadeiras ali provisoriamente colocadas já estavam esgotadas, tendo as pessoas que continuavam a chegar depois de mim que se espalhar pelo largo espaço que frente ao retroprojector disponível que transmitia para o exterior o que se passava dentro do auditório.
Uma surpresa, para mim, quando a porta do auditório 2 se abriu, após terminar a Conferência de ontem, e centenas de adolescentes e jovens sairam de supetão. Sei que "esqueceram" a sessão de interpelações ao conferencista que, para mim, é quase tão interessante, por vezes, quanto as Conferências em si. Mas pronto, não se pode pedir tudo, e já é um princípio, e um bom princípio, ver tanta gente no início da vida interessada em ciência e particularmente em astronomia, cosmologia, ou astrofísica, como queiramos.
Perguntarão porque é que eu gosto tanto de astronomia e, de uma forma geral, de ciência ? É simples a resposta: Foi por aí que eu vim a Jesus ! Foi pela contemplação do Universo nas noites estreladas do alentejo, em criança, e pelas explicações do meu avô José sobre o mesmo, um homem formado apenas na "Academia da Vida", muitas vezes bastante "criativas", que eu achei que queria conhecer mais sobre quem tinha criado algo tão profundo, perfeito e misterioso. Depois, foi só seguir Copérnico, Galileu, Newton, Kepler, Herschel e até Kant e somar um mais um que dá sempre dois. O resultado de um Universo tão matematicamente perfeito não pode ser obra do acaso. Só uma "mente" perfeita o podia ter criado e desenvolvido.
É por isso que ontem não me importei de ficar hora e meia sentado numa escada do hall dos auditórios da Gulbenkian, sabendo que três quartos do 2 estavam preenchidos por jovens e adolescentes ávidos de ouvir sobre o Universo que aprendi a "vasculhar" e entender desde os meus dias de menino, mesmo sem ser na actualidade um especialista ou cientista na matéria, bem longe disso, aliás.
Depois, para além do mais, sabe-me bem ouvir um homem da ciência, como o Prof. Alfredo Barbosa Henriques, dizer, humildemente, que na abordagem para a compreensão do Universo "temos ainda mais problemas do que soluções" ! É isto que admiro e gosto na ciência e nos verdadeiros homens da ciência: a não presunção de que sabem tudo ou que dominam o conhecimento total sobre tudo.
É sempre bom recordar Sócrates ( não o nosso primeiro-ministro, é claro ): "Só sei que nada sei !" . Ou mesmo Immanuel Kant : “Duas coisas satisfazem a mente com crescente admiração e receio: O céu estrelado por cima de mim e a lei moral dentro de mim”.

Tamanha simplicidade é desarmante e cativante e leva-me a gostar, cada vez mais, de ciência honesta e cientistas não preconceituosos. A ciência honesta, ao contrário do que uma larga corrente da igreja cristã estatuiu, não é inimiga de Deus nem da igreja, bem pelo contrário. E bom seria que, neste domínio, o da ausência de algumas certezas e ideias feitas, a igreja tomasse o exemplo da ciência séria. Talvez isso, e a Graça de Deus, impedissem a produção de fariseísmos e legalismos inconsequentes e o Espírito Santo tivesse assim espaço para actuar mais profundamente no coração dos homens e mulheres que povoam as casas de oração de hoje.

Jacinto Lourenço

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Breve apresentação da Conferência de ontem na Gulbenkian, e do Conferencista.
Neste seminário falaremos do impacto das ideias de Einstein, em particular na Teoria da Relatividade Geral e suas aplicações na cosmologia. A cosmologia estuda o universo na sua mais larga escala, como um todo, e este estudo tem na relatividade geral o seu mais perfeito instrumento matemático. É claro que um projecto tão ambicioso só pode ser levado avante, aceitando à partida um certo número de hipóteses simplificadoras, baseadas na experiência e na observação. São estas hipóteses que definem o modelo do Big-Bang, o modelo cosmológico com maior aceitação na comunidade científica. Começaremos a palestra com uma exposição, que se pretende simples, dos conceitos básicos que definem a relatividade geral, chamando a atenção para as diferenças importantes que separam esta teoria da mecânica newtoniana. Feito isto, entraremos, então, na descrição do modelo do Big-Bang. Veremos o papel crucial que a relatividade geral tem no estudo da cosmologia, em particular na compreensão desse fenómeno espantoso que é a expansão do universo, expansão que não é uma expansão através do espaço, mas sim uma expansão do próprio espaço. Deste fenómeno da expansão poderemos tirar importantes conclusões sobre o passado do universo, sobre a história da sua evolução e sobre os fenómenos físicos que foram relevantes nesta evolução. Como não podia deixar de ser, importantes dificuldades foram e estão a ser encontradas, à medida que as nossas observações se foram tornando mais precisas e sofisticadas, exigindo a introdução de novas componentes de energia e matéria do universo, cuja interpretação é, ainda, altamente problemática. Uma das maiores dificuldades, do ponto de vista teórico, resulta da aparente incompatibilidade entre a teoria da relatividade geral e a mecânica quântica que rege todos os fenómenos físicos conhecidos, com excepção das forças gravitacionais. É aqui que nos aparece a teoria das supercordas, como tentativa de ultrapassar aquelas dificuldades, através de uma unificação de todos os tipos de forças conhecidas, baseando-se numa nova representação dos fenómenos mais elementares, mas que está, ainda, longe de nos dar resultados definitivos. O mesmo se passa com outras teorias em desenvolvimento, como seja a teoria da gravitação quântica em “loop”, de que, também, falaremos muito genericamente. Será que, da resolução deste problema, relatividade geral vs. mecânica quântica, surgirá a solução das nossas dificuldades?
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Prof. Alfredo Barbosa Henriques
Alfredo Barbosa Henriques licenciou-se em Engenharia Electrotécnica na Faculdade de Engenharia do Porto, e doutorou-se em Física pela Universidade de Glasgow, em 1976, com uma tese intitulada “Relativistic Equations for Meson Structure”. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Desenvolve a sua actividade docente no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico, onde é professor catedrático, desde 1992. É investigador do Centro Multidisciplinar de Astrofísica, CENTRA/IST, de que foi um dos fundadores e primeiro presidente, até 2000. Baseado na sua actividade docente e nas suas aulas, publicou, em colaboração com o Professor Jorge Crispim Romão, o livro “Electromagnetismo”, IST Press, 2006. Recentemente, e tendo, também, como ponto de partida as suas aulas sobre relatividade e cosmologia, publicou o livro “Relatividade Geral – uma introdução”, IST Press, 2009. A sua actividade científica pode ser dividida em dois períodos, mais ou menos distintos, um que vai de 1976 a 1985/1986, e outro que vai desde 1986 até ao presente. O primeiro período foi dedicado à exploração e desenvolvimento de modelos relativistas de quarks e suas aplicações ao estudo da estrutura e espectro dos mesões e bariões. Foram publicados vários artigos sobre estes assuntos. A partir de 1986 começou a interessar-se pelos limites de baixas energias das teorias de supergravidade e supercordas, e suas consequências na cosmologia (modelos inflacionários, incluindo modelos com dimensões extra) e na astrofísica (estrelas de neutrões e estrelas de bosões-fermiões, cujo conceito introduziu). Além destes, publicou artigos científicos sobre perturbações em cosmologia. Durante uma parte deste período teve uma colaboração activa com R. G. Moorhouse (Glasgow) e Andrew R. Liddle (Sussex). Mais recentemente, em colaboração com Paulo Sá (Algarve) e Robertus Potting (Algarve), tem focado a sua investigação nas ondas gravitacionais de origem cosmológica e no cálculo do respectivo espectro. Particular atenção tem sido dedicada ao regime das muito altas frequências (MHz e GHz), pois este regime pode dar-nos, em princípio, importantes informações sobre a época inflacionária, podendo mesmo vir a fornecer-nos um teste importante dos modelos inflacionários. Tem, também, trabalho publicado na área da cosmologia quântica em “loop”. Sobre estes diversos temas tem publicado, regularmente, artigos científicos nas principais revistas internacionais de física, Physical Review, Nuclear Physics, Physics Letters, Zeit. f. Physik, Classical and Quantum Gravity, entre outras.

domingo, 11 de outubro de 2009

Neurociências e Liberdade

...Tudo o que é essencial, quando pensamos na humanidade, "vinculamo-lo ao pensamento da subjectividade e não à nossa representação do cérebro. São sempre pessoas, sujeitos, que consideramos como criadores de literatura, cultura ou religião". Afinal, "temos cérebros e somos eus". Daí poder formular-se o imperativo categórico de Kant nestes termos: "Nunca trates os seres humanos como coisas, mas sempre como sujeitos e pessoas." Se o mundo consistisse só em objectos, não haveria ninguém a quem dirigir o preceito: "Porta-te decentemente com os outros sujeitos." [...]
Prof. Anselmo Borges
Ler texto integral AQUI no Diário de Notícias de 10 de Outubro de 2009