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terça-feira, 12 de abril de 2011

Evangelho e Contextualização




1. A Palavra é supracultural e a-temporal, portanto viável e comunicável para todos os homens, em todas as culturas, em todas as gerações. Cremos, assim, que a Palavra define o homem e não o contrário.

2. Contextualizar o Evangelho não é reescrevê-lo ou moldá-lo à luz da Antropologia, mas sim traduzi-lo linguística e culturalmente para um cenário distinto afim de que todo o homem compreenda o Cristo histórico e bíblico.

3. Apresentar Cristo é a finalidade maior da contextualização. A Igreja deve evitar que Jesus Cristo seja apresentado apenas como uma resposta para as perguntas que os missionários fazem – uma solução apenas para um segmento, ou uma mensagem alienígena para o povo alvo.


Ronaldo Lidório via  Frases Protestantes

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

" Cristianismos "

Nunca poderemos falar do fracasso do cristianismo. É impossível que ele fracasse. O que fracassa é a falsificação esfarrapada da coisa verdadeira, que nos dispomos a suportar.
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( Geoffrey King )

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Via Frases Protestantes

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

De uma Cruz a outra cruz: a palavra do Perdão

A crucificação de Cristo apresenta-se aos olhos da história como um crime da religião, por isso pode ser integrada numa história universal da infâmia. A infâmia é, para a cultura filosófica e literária, uma relação entre o mal e os homens, desde o filósofo Michel Foucault ao poeta Jorge Luis Borges, que assim o asseveraram e escreveram sobre ela. Nesta perspectiva , podemos afirmar sob dado ponto de vista, que certos sectores religiosos judeus foram infames, mais do que os romanos, ao levarem Cristo a julgamento irregular, à condenação e à execução na Cruz, no Monte do Golgota. Contudo, a frase de Jesus Cristo crucificado, uma das chamadas 7 palavras da cruz, “Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”, parece redimir os judeus e os romanos da infâmia (a menos que o Senhor a estivesse a usar apenas para os romanos, que parece ser o caso histórica e hermeneuticamente), é que a inocência não pressupõe infâmia. O referido poeta JLB, numa entrevista sobre a sua História Universal da Infâmia, disse, citando a frase de Jesus: «Eu julgo que Jesus sentiu isso. Sentiu que os seus carrascos, aqueles que o pregavam na cruz, não eram forçosamente uns canalhas. Eram soldados que deviam obedecer às ordens que recebiam.»[...]
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Texto de João Tomaz Parreira. Ler AQUI no Papéis na Gaveta

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cristianismo Não é "Paninhos Quentes"

Não conheço nenhuma outra mudança de vida que seja tão radical quanto o Cristianismo. Cristianismo não é "paninhos quentes", não é um estilo de vida alternativo, não pretende fazer uma afirmação de "diferença". Cristianismo não é um esforço ou estímulo para a mudança de vida. "Cristianismo" sem Cristo perde-se na religião dos frequentadores de igrejas ou dos gestos de consumo visual e imediato. O Cristianismo de que falo, funda-se em Cristo e na Vitória da cruz de onde cada cristão trouxe as marcas para a vida. Cristianismo provoca; produz uma mudança completa, radical. Como dizia Paulo, deixamos de ser nós; passa a ser Cristo em nós. Tudo o que não é isto, ou sobra disto, é religião, e eu não tenho tempo, disponibilidade, vigor, apetência ou propensão para ser um religioso. Para além disto, o mundo, a "igreja", já têm religiosos a mais.
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Jacinto Lourenço

quarta-feira, 14 de julho de 2010

"No Começo, Simplesmente Pessoas"

Jesus não fundou uma organização, ele inspirou um movimento. Era inevitável que o movimento logo se tornasse organização, mas no começo havia simplesmente pessoas, indivíduos e grupos espalhados, que tinham sido inspirados por Jesus.” “Cada qual se lembrava de Jesus de seu jeito, ou tinha ficado impressionado por um determinado aspecto daquilo que tinha ouvido a respeito dele. No começo não havia doutrinas nem dogmas, e nem um modo universalmente aceito de seguir Jesus, ou de acreditar nele.” “Os primeiros cristãos foram aqueles que continuaram a vivenciar, ou começaram a vivenciar, de um modo ou de outro, o poder da presença de Jesus entre eles após a sua morte. Todos sentiam que, apesar de sua morte, Jesus ainda os estava dirigindo, guiando e inspirando.” “Acreditar em Jesus, hoje, é concordar com essa apreciação sobre ele. Não precisamos usar as mesmas palavras, os mesmos conceitos, ou os mesmos títulos. Na verdade, não precisamos usar nenhum título.”
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Albert Nolan *** In Jesus antes do Cristianismo
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Entrevista com Charles Swindoll

Quero pregar até que não tenha mais fôlego. Nada me incomoda mais do que a idéia de me ‘aposentar’.
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Charles Swindoll, 75 anos, está se aproximando de um momento no qual as pessoas costumam desfrutar suas vidas como aposentadas. Ele, todavia, não abre mão de continuar a pregar a palavra, e as gerações mais jovens ainda o têm como modelo. No passado, a Universidade Baylor e o jornal Leadership o consideraram um dos melhores pregadores da América. O Chanceler do Seminário Teológico de Dallas tem trabalhando no ministério pastoral há mais de quarenta anos, e já contribuiu, de diversas formas, com a publicação de mais de 70 livros. Suas pregações têm sido transmitidas por mais de 2000 rádios em todo o mundo. Swindoll, que também é o pastor sênior da Stonebriar Community Church, em Frisco, Texas, começou a trabalhar recentemente em uma série de 27 comentários bíblicos, dos quais o primeiro foi Insights em Romanos (Zondervan). J R Kerr, um dos pastores da Park Community Church, em Chicago, falou com Swindoll e pediu que ele desse alguns conselhos a pastores mais jovens. Tem havido uma renovação na pregação centrada no evangelho, na qual o foco está na expiação, e em se fazer de Jesus um herói. Como você responde aos críticos que dizem que uma pregação muito focada em questões históricas tira a atenção do cerne do evangelho? Ao apresentar o evangelho às pessoas, você as está apresentando algo no qual possam acreditar. Para isso, é necessária toda uma preparação. Você não chega, entrega a mensagem de maneira fria e se despede. É necessário despertar um desejo no povo. Por exemplo, quando Jesus falou sobre o semeador, ele não apresentou nenhuma fórmula. Ao invés disso, ele se utilizou de uma realidade conhecida das pessoas – o semeador saindo a semear – e talvez tenha até apontado para um semeador que fazia seu trabalho, enquanto contava a estória. Ao expor uma mensagem às pessoas, preciso fazer de tal forma que revele a elas as necessidades dos seu dia a dia; sua história. Algumas das coisas mais importantes a se pregar podem ser vestidas com roupagens históricas. É evidente que o objetivo é o de sempre pregar a Cristo, sua graça, amor, misericórdia, compaixão, discernimento e sabedoria. Acho que soa um pouco estranho criar uma estória só para encaixá-la na mensagem do evangelho. Nem todo texto carrega a mensagem do evangelho. Quais conselhos o senhor tem para jovens pregadores? Gostaria que eles dissessem, ‘quero levar a sério minha tarefa de pregar a Bíblia. Não vou ficar enrolando o povo, fazendo da entrega da mensagem uma mera oportunidade de entretenimento. Quero apresentar a elas a Palavra, fazer com que tenham interesse por sua mensagem. Quero caminhar pelos livros da Bíblia, apresentando o que é importante, e fazendo disso minha grande tarefa. Quero ser conhecido, em vinte anos, como um expositor. Quero ser capaz de pegar as Escrituras e mostrar às pessoas como elas são relevantes. Quero começar a expor Romanos 1.1, e quando chegar ao final do capítulo 16, quero que as pessoas pensem, ‘como eu pude passar metade da minha vida sem conhecer essa mensagem? Se eu, em algum momento, tivesse escrito um livro sobre pregação, ele conteria três palavras: pregue a Palavra. Livre-se de todas as coisas que lhe prendem e impedem de expor o evangelho com pureza; pregue a Palavra. 2 Timóteo 4.2 diz ‘pregue a Palavra a tempo e fora de tempo’. Um de meus mentores, Ray Stedmen, costumava dizer, ‘nunca tire o dedo do texto, a despeito de você estar expondo-o ou aplicando-o. Faça com que os olhos das pessoas estejam fixos nele, e fale acerca de Jesus’. É simples assim. Como o senhor pretende viver seus próximos anos? Quero pregar até que não tenha mais fôlego. Nada me incomoda mais do que a idéia de me ‘aposentar’. Coisas estranhas acontecem quando você se descompromete. Primeiro você fica muito mais negativo; depois você começa a contar para as pessoas sobre suas últimas cirurgias. Enfim você acaba perdendo os contatos com os outros. E eu não quero perder contatos.
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Por J. R. Kerr *** in revista Cristianismo Hoje

domingo, 30 de maio de 2010

"A simplicidade do Evangelho"

“Temos posto tantos apetrechos no Evangelho que a prática de nossa fé se torna pesada e confusa”
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Um único trecho da Bíblia, o capítulo 12 do evangelho segundo Mateus, traz pequenos relatos em que é exposta a simplicidade de Jesus expondo a arrogância dos mestres da lei e dos fariseus de seu tempo. As autoridades religiosas do contexto histórico em que o Filho de Deus viveu neste mundo censuravam-no constantemente. Incomodados porque seus seguidores colhiam e comiam espigas no dia considerado sagrado, os fariseus reclamaram: “Eis que os teus discípulos estão fazendo o que não é lícito no sábado” (Mateus 12.2). A estes, Jesus responde dizendo que a misericórdia era mais importante do que o sacrifício. Mais adiante, os doutores continuaram procurando ocasião para acusá-lo como infrator da lei. Diante da cura de um enfermo em plena sinagoga, saíram-se com esta: “É lícito curar no sábado?” (vs. 10). Quando Jesus libertou um opresso das amarras dos demônios que o atormentavam, os escribas e fariseus blasfemaram: “Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios” (vs. 24). Por último, pediram ao Mestre que fizesse algum sinal (vs. 38). De forma indireta, Cristo responde que o principal sinal seria a sua própria ressurreição – mas advertiu que, mesmo assim, eles continuariam incrédulos. Jesus foi muito perseguido pelos clérigos porque a sua mensagem os expunha. Os líderes judeus sobrecarregam o povo com obrigações inócuas, criando um sistema religioso que mantivesse seu poder e seus privilégios. O detalhe é que o Salvador não tinha dificuldades com a lei mosaica, pois foi o próprio Deus que a deu. O incômodo de Jesus era com os apetrechos e pesos que as autoridades religiosas vinham colocando sobre essa lei. Sua proposta era resgatar o real sentido das ordenanças divinas – e ele a expressou com uma proclamação antológica: “Vinde a mim vós que estás cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. A religiosidade sobrecarrega, enquanto que a mensagem de Jesus alivia. Dois mil anos se passaram, e quando analisamos o cristianismo que temos vivido, percebemos que também nós, à semelhança daqueles fariseus e doutores da lei, temos posto tantos apetrechos no Evangelho que a prática de nossa fé se torna pesada e confusa. A Igreja Evangélica vive de hoje vive às voltas com práticas doutrinárias e litúrgicas heterodoxas, colocando sobre os crentes um fardo de regras e obrigações difíceis de suportar. As organizações eclesiásticas do século 21 parecem envolvidas numa série de práticas que não a aproximam da verdadeira essência do Evangelho proposto pelo Salvador. É necessário pensar no que de fato é a experiência do Reino de Deus e no que é simples ornamento. Podem ser ornamentos belos, úteis, justificáveis, funcionais e bem intencionados; práticas inteligentes, sofisticadas e com alto poder de alcance – no entanto, não é isso a essência da vida cristã. As estruturas eclesiásticas não são a Igreja. As coisas que construímos para facilitar a divulgação da fé não podem ser confundidas com o próprio Evangelho. Pastores vivem tentados a impressionar os ouvintes com o poder das suas palavras. Quando nos damos conta de que o teor estético das mensagens sobrepuja a espiritualidade, já estamos viciados em técnicas de oratória. É um efeito perverso, que se volta contra o próprio pregador. E o pior é que nem sempre a palavra profética cabe nos invólucros eclesiásticos. Há a construção de uma dicotomia artificial nas nossas igrejas. Pensam alguns que espiritual é tudo que é apresentado numa roupagem exótica e excêntrica. Sob esta perspectiva, o que genuinamente vem de Deus é aquilo que é desconhecido e diferente. Em decorrência desse pensamento, práticas espirituais rotineiras como estudo da Bíblia, oração sistemática, serviço cristão e comunhão são vistos como traços da tradição que não provocam calor nem rubor. O templo, as organizações eclesiásticas, a liturgia, os programas e as atividades não são em si o Evangelho. É possível viver o Evangelho sem se envolver com essas estruturas eclesiásticas, assim como é possível estar totalmente envolvido com elas e não conhecer a Cristo. Sofremos da epidemia que reduz Deus a coisas temporais da igreja ou na igreja. Acontece que quem vive para fazer um mecanismo funcionar com a força do próprio braço tende inexoravelmente à exaustão. Esgota-se quem carrega os apetrechos da fé. Talvez a confissão de pecado que tenhamos que fazer como Igreja cristã acentuadamente dogmática e institucionalizada seja por ter tirado Deus do centro e posto em seu lugar as coisas referentes a ele. O Espírito Santo pode agir dentro das estruturas que criamos, mas age também a despeito delas. Por isso, não é aconselhável que se baseie a vida em nome de um brasão eclesiástico ou denominacional, mas é coerente que aqueles que têm crido entreguem-se por completo ao Senhor, a fim de que o Evangelho floresça.

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Por Valdemar Figueredo Filho *** In Revista Cristianismo Hoje

quinta-feira, 13 de maio de 2010

"Ser Cristão"

Ser cristão é dar o peixe, ensinar a pescar e lutar pela dignidade humana.
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Ser cristão é, quase sempre, muito mais do que os próprios cristãos pensam:
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Ser cristão não é apenas ir à igreja no domingo, mas encontrar a Deus todos os dias, em todos os lugares.
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Ser cristão não é apenas ter amigos cristãos, mas ser o único cristão em um grupo de amigos.
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Ser cristão é viver de acordo com a Palavra de Deus e não com a palavra dos homens, ainda que sejam os líderes da igreja.
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Ser cristão não é usar a igreja para nos servir, mas servir a comunidade por meio da igreja.[...]
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Ler todo o artigo AQUI na Revista Cristianismo Hoje

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Cruz, Escândalo para Judeus Loucura para Gregos

[ Título original do texto: A Cruz do Mundo ]
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...Com Constantino, a cruz tornou-se sinal de poder e vitória do Império. Utilizou-se a cruz de Cristo para humilhar e matar nas Cruzadas. Na época dos Descobrimentos, a cruz acompanhou a espada nas conquistas e destruição de civilizações inteiras. Lá estava presente nas condenações da Inquisição. O filósofo Hans Blumenberg sugeriu que o cristianismo morreu na Europa quando Giordano Bruno, em 1600, na iminência de ser queimado vivo, cuspiu na cruz que o frade lhe apresentou para beijar, mas também há quem observe - com mais razão, creio - que cuspiu para o frade, representante da Igreja inquisitorial, e não para a cruz. Durante séculos, bispos, cardeais, papas, escarneceram da cruz de Cristo, usando triunfalmente ao peito cruzes de ouro, com pérolas e diamantes. E o que é mais: pregou-se que Jesus foi crucificado, porque Deus precisava do seu sangue para aplacar a sua ira. Transformou-se assim o Deus-amor num Deus sanguinário, vingativo, cruel e sádico. Para manter a dignidade, perante esse Deus, só se pode ser ateu. Em face da cruz de Cristo, é-se confrontado com o calvário do mundo. Quem crê no destino fatal ou tem uma concepção dualista não se põe a questão com a acuidade dramática de quem acredita no Deus transcendente, criador e bom: porque é que Deus não impede o mal no seu horror? A História do mundo é verdadeiramente uma ecúmena de sofrimento: assassinatos, guerras, violência, fracassos no amor e na profissão, doenças, fome, humilhações, torturas, falta de sentido, traições..., no fim, a morte. Também a dor dos animais. Mas sobretudo o sofrimento das crianças e a condenação dos inocentes. Hegel referiu-se à História como um Schlachtbank: um açougue ou matadouro. A história da filosofia está atravessada por tentativas de teodiceia: na presença do mal, justificar Deus racionalmente. Mas Kant referiu-se ao fracasso de todas as tentativas de teodiceia. Onde estava Deus em Auschwitz, por exemplo, ou no Haiti, na Madeira...? O mal aparece como "rocha do ateísmo". Perante o mistério impenetrável de Deus e do mal, o crente cala. Como Job, na Bíblia, tem o direito de gritar, de protestar, de revoltar-se contra um Deus que lhe parece cruel: "Clamo por ti, e Tu não me respondes; insisto e não fazes caso. Tornas-te cruel comigo." Mas, depois, cala-se e entrega-se confiadamente. A última palavra ainda não foi dita e espera que pertença ao Deus da misericórdia. Aliás, na sua última obra, Was ich glaube (A Minha Fé), resultado de uma série de lições, aos 80 anos, na Universidade de Tubinga, a cada uma das quais assistiram mil pessoas, pergunta o teólogo Hans Küng: "O ateísmo explica melhor o mundo? A sua grandeza e a sua miséria? Como se também a razão descrente não encontrasse o seu limite no sofrimento inocente, incompreensível, sem sentido!" Também Jesus, no Gólgota, foi confrontado com o abandono dos homens e de Deus. E, naquele abismo, gritou aquela oração que atravessa os séculos: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" Aparentemente, foi o fim. Pouco depois, os discípulos reencontraram-se a partir de uma experiência avassaladora de fé: Jesus, o crucificado, não caiu no nada, mas vive em Deus para sempre. Sem esta fé, que testemunharam até ao martírio e que mudou a História, não haveria cristianismo.
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Fonte: Prof. Anselmo Borges *** Via Diário de Notícias Online

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"A murmuração dos helenistas contra os hebreus"

O evangelista Lucas dedica nos seus Actos dos Apóstolos apenas um parágrafo àquele que foi um grande problema, não tanto pelo seu significado e duração, mas porque foi fundacional para a instituição do diaconato na Comunidade cristã de Jerusalém. «Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos houve murmuração dos helenistas contra os hebreus»- 6, 1
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No plano social, as viúvas dos cristãos originários das cidades gregas não eram tratadas com simpatia devida pelos cristãos aborígenes da Palestina, de Jerusalém, da Judeia e da Galileia. Uns e outros eram Judeus. Uns da Dispersão, outros autóctones. Lucas enfatiza com um simples lexema («esquecer»), a causa da problemática questão: essas viúvas estavam a ser desprezadas e esquecidas nas refeições diárias.Este esquecimento está marcado no texto de Lucas com um termo grego (paratheoreo) que induz acção interior e exterior, a negligência dos sentimentos reflectida no descuido do olhar, do olhar por alto, do desprezo. Aparentemente, parece-nos ser um problema meramente social, com traços de xenofobia, sabendo nós como sabemos que os judeus sempre enraizaram em si uma tendência para a exclusividade, quer religiosa, teológica e, por fim, social. A verdade é que a questão suscitada na Igreja de Jerusalém vai para outro plano. É civilizacional e do âmbito da cultura. Como divergências de conteúdo transcultural, digamos assim, podem influenciar a Igreja de Deus, temos aqui a prova histórica no relato lucano. Mas tais divergências não foram obra do acaso, nada do que concerne aos Planos divinos na história do homem é por acaso. Contribuíram para o crescimento e expansão da Igreja, foram com a perseguição que a seguir eclodiu a pedra de toque da crise, em sentido teológico e neo-ortodoxo de mudança. [...]
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Por João Tomaz Parreira *** Continuar a ler AQUI no Papéis na Gaveta

terça-feira, 30 de março de 2010

"Jesus, Transgressor de Fronteiras "

Como hebreu e legítimo descendente de Abraão, Jesus não se deixava intimidar por fronteiras criadas pelos homens. Ele as transgredia. O texto sagrado diz que “indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia” (Lc.17:11). Aquela era uma região conflitosa. A Galiléia era habitada por judeus, e estes, por razões históricas, não aceitavam relacionar-se com samaritanos. Essa raça mista era o triste lembrete de uma época em que seus ancestrais haviam sido levados cativos para a Babilônia. O clima era sempre tenso naquela região. Havia animosidade em ambos os lados da divisa. A caminho de Jerusalém, Seu destino final antes de ser crucificado, Jesus atravessa a região conflitosa. Sua missão estava acima de qualquer zona fronteiriça. Fronteiras raciais, culturais, lingüísticas, religiosas, não se constituem qualquer empecilho aos Seus propósitos. O texto prossegue: “Entrando em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, os quais pararam de longe, e clamaram: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós” (vv.12-13). A origem de muitos preconceitos é a desinformação. Naquela época, os leprosos eram discriminados e tinham que viver excluídos da sociedade. A lei determinava que se um leproso ousasse aproximar-se menos de dez metros de uma pessoa sã, deveria ser apedrejado até a morte. Vilas eram construídas fora dos limites dos centros urbanos para abrigar os leprosos. Por perderem o convívio familiar, só lhes restava a companhia de outros leprosos. Por isso, andavam em grupo. Somos informados pelo texto sagrado, que desses dez leprosos, um era samaritano. Embora fosse de etnia diferente dos outros nove, algo os tornava semelhantes: a lepra. Todos haviam sido igualmente rejeitados por seus familiares e patrícios. Não fazia sentido nutrir qualquer tipo de preconceito. Só lhes restava a solidariedade. Talvez isso explique a razão pela qual Deus permite tragédias. Elas nos unem. [...]
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Continuar a ler AQUI no Blogue de Hermes Fernandes

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A Presença de Deus...

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Via Genizah
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"Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles."
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Da Bíblia Sagrada, em Mateus 18:20

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Que raio de cristianismo é este?

Depois dos tristes comentários de Pat Robertson, do Cônsul do Haiti e do blogueiro Julio Severo, todos fiéis servidores de Jeová Cerol, este “deus” vingativo que estabelece a sua justiça por meio de catástrofes naturais e fala através de pastores legalistas e blogueiros esquizofrénicos não pude deixar de me perguntar o porquê desta gente dizer que serve a Jesus... Já que a mim, me parecem mais sintonizados com um destes deuses pagãos, cultuados por gente igualmente maluca que se sente compelida a matar gente inocente em troca de um bacanal com 40 virgens num motel celestial qualquer... Esta entidade a quem estas pessoas servem não me parece Jesus, que de facto cumpriu toda a lei, mas que veio libertar-nos com o Seu Amor e o Seu sangue inocente vertido pelos nossos pecados. Que raio de cristianismo é este que esta gente prega? Um deus que mata a todos os que abomina? Desde quando Deus nos trata como merecemos? [...]
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Titulo original do artigo: "Cansei de jeová cero e desta turma que o cultua"
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Se quiser pode continuar a ler o texto AQUI no Genizah

sábado, 16 de janeiro de 2010

O FIM DA HISTÓRIA, O COMEÇO DOS INSTITUTOS BÍBLICOS

Desde 1989, fala-se muito do fim da história. Desde que Francis Fukuyama pegou, política e sociologicamente, nos pedaços de cimento e ferros do Muro de Berlim. Já se disse também que a história não merece confiança absoluta, porque quem a escreve são apenas homens.

É nesta perspectiva que me coloco, entre a história dos princípios das Assembleias de Deus, sobretudo no Brasil, o fim dessa mesma história com o surgimento das ditas igrejas neo-pentecostais, e, passe a redundância, a instituição dos Institutos Bíblicos, nem sempre bem aceites pelo pensamento de alguns intervenientes dessa mesma história.

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O fim da história

No plano bíblico, a história é uma relação de equilíbrio entre as acções dos homens e o senhorio de Deus sobre essa mesma história. Quando no prosseguimento das acções humanas a história trai os desejos de Bem de Deus no que respeita às Suas criaturas, dá-se a catástrofe. «Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.» (Jer 29,11)

No que concerne ao Novo Testamento, o fim da história é descrito na fórmula vitoriosa da asserção paulina, aos coríntios, com a aniquilação da morte como o último inimigo, o fim da mortalidade. Alguém abriu um número da revista Últimato e escreveu que o fim da história terá chegado quando todos os impérios cairem e a arrogância humana ruir para dar lugar ao Reino dos Céus.

Sobre todos, na superioridade absoluta da sua Autoridade, Jesus Cristo afirmou «os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar».

Mas a preservação dessas palavras como Palavra revelacional, a Palavra de Deus, ainda tem que continuar a ser ensinada. E para isso existem os Institutos Bíblicos.

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Institutos Bíblicos

O ensino das Escrituras não é uma orignalidade cristã. A formalidade do ensino persegue, no bom sentido, a Igreja desde a instituição da Sinagoga (do gre. synago, reunir-se), do período exílico dos judeus. Já se viu aqui a circunstância do início da instituição, em Ezequiel(14,1), o ensino pela via do confronto com as inquidades idolátricas e da exortação.

Mesmo no exílio, Deus garantiu que seria para Israel um santuário (Ez 11,16), por extensão teológica e linguística, uma sinagoga para o ensino na perda do Templo. Jesus Cristo ensinou em sinagogas (Mc 6,2), os apóstolos propagaram a Fé cristã a partir de sinagogas. Já foi referido, porventura através de lenda, que existiam mais de 400 sinagogas só em Jerusalém, quando esta foi destruída no ano 70 aD.

Na era moderna e contemporânea, a bela sinagoga da cidade velha de Praga (a Staronová) ainda exibe essa particularidade de o edifício ter sido lugar social e de ensino, para a preservação da Torah. Olhando-a, ainda hoje, vemos nela a porta e as janelas góticas do Céu contra o portão da morte em Auschwitz.

Mas transcorridos os séculos e para arredondar ideias, chegar-se-ia ao ano 1886, no que concerne ao espaço para ensinar as Escrituras Sagradas. O grande evangelista Moody lançaria os alicerces para as modernas escolas bíblicas. Era o Bible Work Institute of Chicago Evangelization Society, um nome comprido que viria a ficar célebre apenas como Moody Bible Institute. O tamanho telegráfico do nome era inversamente proporcional ao seu alcance universal. Moody achava que uma educação centrada na Bíblia produziria um exército de pessoas capazes para a obra da evangelização.

Em 1900 sabia-se e já se dizia que o pentecostalismo moderno tinha nascido dentro de uma escola bíblica, o Instituto Bíblico Betel, de Charles Fox Parham.

Essa escola pretendia aprofundar o estudo da Palavra de Deus sobre o Baptismo com o Espírito Santo.

Diante destes dados históricos, entendamo-nos acerca das reacções fundamentalistas da década de 20, que não eram favoráveis aos institutos bíblicos, aos seminários evangélicos.

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Reacções do Fundamentalismo

O problema aparente parecia ser a erudição. Há autores evangélicos que referem o compromisso deste ramo do cristianismo histórico com o afastamento da cultura. Embora já tenha sido escrito que o «legado fundamentalista não seja totalmente culpado da f alta de comprometimento com a actividade intelectual » dos evangélicos.

Outras causas houve e que não estão longe da análise sociológica e de uma incompreensível manutenção das comunidades abaixo do nível das classe trabalhadora, pequeno-burguesa e média. Numa frase que tudo tipificava: cultura é pecado.

Muitos líderes com responsabilidades devem ter ignorado as palavras do apóstolo Paulo, num pedido ingente a Timóteo: « traze a capa...e os livros, principalmente os pergaminhos.» (II Tim,4,13).

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(*) - Coronário Editora Gráfica, 1997, com o apoio da Secretaria de Cultura dao Distrito Ferderal

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João Tomaz Parreira

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"Tenho Vergonha"

Vou ser muito claro. Tenho vergonha de atitudes como a do tele-evangelista Pat Robertson, que acaba de imputar ao povo haitiano a culpa do sismo que sofreram, com a perda estimada de cerca de 100 mil vidas humanas. Um homem de Deus não fala assim.

Pode até ter sido feito um pacto com o diabo, como ele alega, mas o papel do ministro do Evangelho é o do exercício da misericórdia, não da condenação. Além de uma insensibilidade atroz, num momento destes, vir com esta argumentação, Robertson encarna o que há de mais desprezível na direita religiosa americana, na linha do desaparecido Jerry Falwell, que culpou os homossexuais e as mulheres que abortaram pelo atentado das Torres Gémeas no 11 de Setembro, em Nova Iorque.

A imagem que esta gente dá de Deus é a de um déspota, egoísta, maldoso, vingativo e mesquinho. Devem estar a ver-se ao espelho…

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Via A Ovelha Perdida

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Paulo e a Escravidão

[ Titulo original do autor: Porque Paulo não condenou a escravidão ? ]
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A carta de Paulo a Filemom é a mais curta e mais pessoal das cartas Paulinas. São apenas 335 palavras em grego, e também a única amostra de correspondência particular de Paulo que foi preservada. Tornou-se conhecida como “a carta da cortesia”, pois nela Paulo intervém com delicadeza e tato em favor do escravo Onésimo, que não somente fugiu, mas ainda furtou o seu patrão Filemom. Esta pequena carta, como documento sócio-histórico, traz à tona o polémico tema da escravidão. Portanto, nossa proposta é tentar responder à indagação sincera de muitos cristãos e não-cristãos: Por que é que Paulo não condenou a escravidão? Deve ficar claro de antemão, que é muito difícil, com base nos poucos textos de Paulo que falam da escravidão especificamente, formar uma declaração definitiva e sistemática das opiniões de Paulo sobre o assunto. Temos algumas indicações em I Coríntios 7.20-22 e Filemom. Especificamente no que tange a carta a Filemom, J. D. Crossan esclarece que “não se trata de um tratado teórico sobre a escravidão em geral, mas de respostas práticas no tocante a um escravo particular”. A escravidão, como instituição social, era muito comum no mundo greco-romano dos dias de Paulo. Alguns pesquisadores calculam que metade da população do Império Romano era constituída por escravos , outros, porém, estimam que nos séculos I e II d.C., de 85 a 90 por cento dos habitantes de Roma eram escravos ou de origem escrava. Devemos também considerar que os escravos do Império estavam longe de serem tratados como os escravos que eram trazidos nos navios negreiros (séc. XVIII). Devemos ter o cuidado para não generalizar. Pesquisadores apontam que no século I foram concedidos muitos direitos aos escravos, mudanças humanitárias foram incorporadas ao mundo romano e a vida dos escravos melhorou radicalmente. Por exemplo, eles podiam participar nos cultos religiosos como membros da família do dono, podiam casar-se, tinham permissão para juntar dinheiro e comprar a liberdade, e muitos exerciam funções dignas como, artesãos, artífices, arquitectos, médicos, administradores, filósofos, gramáticos, escritos e mestres. A questão levantada por vezes é que o NT nunca condena a escravidão explicitamente e assim é defeituoso num ponto fundamental. Os críticos da Bíblia perguntam se Paulo não estaria aprovando a instituição da escravidão, uma vez que o apóstolo parece estar fornecendo a escravatura humana ao enviar de volta ao seu proprietário. O secularista Isaac Asimov escreveu: "Contudo, enquanto Paulo intercede a favor do escravo Onésimo, que é agora irmão de Filemom segundo o cristianismo, não há nenhuma sugestão por parte de Paulo de que a escravidão fosse errada ou imoral como instituição. Na verdade, Paulo até aconselha os escravos a obedecerem aos seus mestres. Portanto, apesar de alguns princípios inovadores, o cristianismo de modo algum foi uma doutrina de revolução social". Russel Champlin responde à acusação de Isaac Asimov sobre a atitude de Paulo para com a escravatura: "É inútil a posição que o próprio se opunha a escravidão, mas guardou silêncio. Antes, ele nunca mostrou a intenção de derrubar o sistema, e é provável que não se sentisse compelido a fazê-lo. Provavelmente compartilhava da atitude de que deveria usar de maior humanidade com os escravos, de usaram filósofos como Aristóteles, Zeno, Epicuro e Séneca. Além disso, lebremo-nos da cultura dos hebreus, de que Paulo fazia parte, onde havia uma atitude mais humana para com os escravos". Champlin aborda um ponto interessante. A escravidão no mundo antigo, principalmente entre os hebreus, estava longe de ser como a escravidão desumanizante exercida sobre os índios e negros nos séculos passados. Podemos notar com muita clareza que o Antigo Testamento defendia os direitos civis do escravo, e o protegia contra as crueldades de seus senhores (Alguns exemplos: Ex 21.7-11; Ex 21.26-27; Dt 23.15; Lv 25.42,43). Porém esta análise da escravidão no AT não responde a pergunta: Por que Paulo não defendeu a alforria imediata de todo escravo? Hendriksen responde dizendo que “tal revolução repentina de toda economia romana teria resultado em miséria indescritível para muitos escravos que dependiam de seus senhores para viver, e teria colocado um obstáculo intransponível à propagação da fé cristã.” Além do mais, se a igreja tivesse iniciado uma revolução imediata contra as estruturas esclavagistas, o evangelho não se teria difundido como aconteceu na igreja primitiva. O tempo não estava maduro para a solução de questões tão difíceis. Devemos ter em mente que algo mais revolucionário estava acontecendo, do que simplesmente proclamar a alforria imediata dos escravos. Quando Paulo pede a Filemom que receba Onésimo como um irmão amado, algo absolutamente impensável e inacreditável acontece: Paulo passa a declarar em alto e bom som que no cristianismo “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”; isto é, todos são iguais perante o Criador. Está claro, nas cartas paulinas, que a conversão a Cristo derrubou todas as barreiras sociais, raciais e económicas. A igreja como um todo deve caracterizar-se por virtudes como o amor, perdão, igualdade e solidariedade. O apologista Norman Geisler nos ajuda a compreender o dilema que estamos tratanto: "Olhando com maior cuidado o texto de Filemom, vemos que Paulo não estava favorecendo a escravidão, mas na verdade a estava combatendo, pois instou Filemom [...] a tratá-lo como um “irmão caríssimo”. Assim ao enfatizar a inerente igualdade de todos os seres humanos, tanto por criação como por redenção, a Bíblia estabeleceu os reais princípios morais que foram usados para acabar com a escravidão e para restabelecer a dignidade e a liberdade de todas as pessoas, de toda a cor ou grupo étnico". Estamos diante de uma verdadeira revolução, porém, revolução não-armada; trata-se de uma revolução pacífica, uma revolução no coração das pessoas que compõe a comunidade cristã. Gosto da citação Hendriksen quando ele diz que: "O que Paulo ensina [...] é que o amor vindo de ambos os lados (senhores e escravos), é a única solução. Este amor é a resposta de Deus para com seus filhos, seja esse filho preto ou branco, escravo ou livre. É este amor de Deus que derrete a crueldade transformando-a em bondade e, assim, fazendo-o, transforma déspotas em patrões bondosos, escravos em servos serviçais, e a todos os que O aceitam, irmãos em Cristo". Vemos claramente na carta de Paulo a Filemom que o elo entre senhor e escravo foi quebrado por um breve tempo entre fuga e retorno. Mas o elo entre os dois, como irmãos em Cristo, nunca seria rompido, nem aqui nem no porvir. E este foi o grande desígnio de Deus, seu maravilhoso plano.
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Por Daniel Grubba *** Via Genizah