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domingo, 14 de março de 2010

O Amor Faz a Diferença !

A carta que João, por revelação de Jesus Cristo, escreve à igreja situada na cidade de Éfeso, cidade da qual, na actualidade, restam apenas ruínas que, apesar de tudo, nos dão conta das suas fervilhantes actividades sociais e económicas, é a que abre uma sequência de sete cartas que seriam escritas ás igrejas situadas na Ásia Menor. Esta primeira carta, contida no livro de Apocalipse da Bíblia Sagrada, é um convite. Um convite à reavaliação. Esta igreja precisava reavaliar-se rapidamente ou perderia a sua posição privilegiada no coração do Senhor. A realidade a que Jesus chama a igreja, para que se reavalie, é a da perda do primeiro amor. A verdade é que, quando abandonamos, ou esquecemos o amor cristão, isso significa que outras coisas já tomaram o seu lugar na igreja e no coração dos cristãos, e são precisamente “essas outras coisas” que a podem levar a perder a sua missão no mundo que a cerca, bem como a visão da pátria celestial .

“Lembra-te pois de onde caíste, e arrepende-te e pratica as primeiras obras, quando não brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o castiçal, se não te arrependeres” .

Mesmo sendo isso perfeitamente óbvio, para qualquer igreja bem fundada nos “rudimentos da fé cristã”, como era a de Éfeso, ela estava contudo a cair no erro de fazer todas as coisas que uma igreja de Deus deve fazer mas sem estar embebida no Amor do Senhor. E isso retira a Luz à igreja; fica sem capacidade de ver claramente. O problema, em Éfeso, não era falta de actividade, negligência ou até mesmo a preguiça. O Senhor Jesus disse : “Conheço as tuas obras”, numa alusão evidente ao muito serviço em que os cristãos de Éfeso estavam envolvidos. A questão é que esse serviço já não se encontrava em sintonia com o amor, que entretanto desaparecera dos seus corações. O volume de serviço em Éfeso mostrava-se mais em linha com filantropia pura e, filantropia, como bem sabemos, pode ser exercida por qualquer instituição mesmo que não cristã. Na igreja e entre o povo de Deus o que faz a diferença não é a atitude de filantropia mas o Amor nos nossos corações, e esse só Deus pode oferecer a cada um que se abre à Sua oferta.

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Jacinto Lourenço

sexta-feira, 12 de março de 2010

" Do Perdão à Alegria "

Muitos dissociam a vida cristã da alegria. Eu mesmo, de minha parte, quantas vezes não confundi tais assuntos. Como cristãos distantes da comunhão, tendemos a pensar que não há alegria em Deus. Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente. ( Sl 16: 11 ) Mas o facto é que as Escrituras nos dizem que, em Deus, encontramos todo o prazer que nossa alma e corpo necessitam. Deus é puro prazer de eternidade a eternidade. Alegria faz parte do que se encontra na sua presença. Deus é um Deus que traz muita satisfação. Muitos, nesta sociedade hedonista pós-moderna, buscam prazer e satisfação em fontes contaminadas, poluídas. Quantos não têm no chocolate a sua fonte de prazer. Outros no futebol a sua alegria. Outros tantos em pensamentos sexuais sua delícia particular. Contudo, tudo isso não é nada comparado com o prazer que já sentiram aqueles que estiveram na presença de Deus, rodeados pela sua glória, despertados pelo seu amor. Caros irmãos, sem alegria em Deus, buscaremos alegria em qualquer coisa. Você sempre buscará alegria em alguma coisa. Mas a única fonte que pode satisfazer a sua mente, corpo e alma, é o próprio Deus. Davi, após arrepender-se do adultério com Bate-Seba, escreveu o Salmo 51, onde clamou a misericórdia e o perdão de Deus. E é neste salmo que aprendemos mais uma grande lição: Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. ( Sl 51.12 ) Entenda: enquanto você não desfrutar da alegria que vem junto com a salvação, alegria em Deus, prazer em Deus, delícia e satisfação na pessoa de Deus, você sempre optará pelo pecado para satisfazer tal necessidade. Que Deus tenha misericórdia de nós. Reflicta nisto, e aja com sabedoria diante de Deus. [...]
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Por Wilson Porte Jr. *** Via Bereianos

quinta-feira, 11 de março de 2010

" O Cristão é uma Pessoa Estranha"

“Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos. Ele sente um amor supremo por alguém que ele nunca viu; conversa familiarmente todos os dias com alguém que não pode ver; espera ir para o céu pelos méritos de outro; esvazia-se para que possa estar cheio; admite estar errado para que possa ser declarado certo; desce para que possa ir para o alto; é mais forte quando ele é mais fraco; é mais rico quando é mais pobre; mais feliz quando se sente o pior. Ele morre para que possa viver; renuncia para que possa ter; doa para que possa manter; vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento.”
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A. W. Tozer

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Via Laion Monteiro

quarta-feira, 10 de março de 2010

A Verdadeira Espiritualidade

Esta é uma geração de cristãos que tem buscado novas formas de espiritualidade, novos modelos de culto e se preocupado em descobrir novas maneiras de adorar ao Eterno. Nessa busca, surgiu há alguns anos um movimento que ficou conhecido como “adoração extravagante”, uma tendência que abandona os padrões formais, e busca maior liberdade e espontaneidade. Confesso que nunca experimentei nada novo em matéria de adoração, nunca me esparramei pelo chão, não tive arrebatamentos que me levassem ao terceiro céu, e não consigo repetir dezenas de vezes o mesmo refrão de um cântico. Mas eu sei que para Deus, adoração, antes de tudo, é vida, e dela não pode estar separada. Numa recente entrevista, o pastor e escritor na área de vida cristã, Eugene Peterson, disse que as pessoas que mais o incomodam são aquelas que chegam e perguntam o que elas precisam fazer para ser “mais espirituais”. E ele lhes responde: - “Esqueça esse negócio de ser espiritual. Que tal amar seu marido? Isso é um bom começo”. Porém, ele conclui desalentado: “Mas ninguém quer ouvir isso. Ninguém quer pensar em aprender a amar os filhos e aceitá-los do jeito que são”. Espiritualidade no sentido bíblico nada tem a ver com uma forma diferente de orar, nem em ser batizado com a água de um determinado rio, nem ouvir o sonido do “shofar”, buscar êxtases, ou ser um asceta no mundo. Desejas realmente agradar ao Único Senhor em tudo, e partilhar de Sua verdade aos homens? Buscas de fato uma “espiritualidade” que agrade profundamente ao Rei de toda a Terra? Anseias por alcançar aquilo que é chamado por muitos, de intimidade com Deus? Eis aqui alguns apontamentos que podem ser úteis nesse propósito: Em primeiro lugar, ama extravagantemente. Ama sem esperar reciprocidade. Ainda que tenhas dons extraordinários, nunca te esqueças que é pelo amor e através do amor que o mundo olhará para ti como um autêntico discípulo de Jesus. Perdoa sem reservas. Lembra-te que um dia fostes um devedor que não tinha como saldar uma dívida impagável, mas Jesus foi e a rasgou na cruz. E ainda o recebeu com teus defeitos e pecados. Confessa-te pecador! Reconheça que em ti não reside bem algum, e se porventura enxergarem algo bom em sua vida, declare sem pestanejar que isso é integralmente obra do Espírito Santo. Delicia-te com o fato de, mesmo pobre e desprezível aos olhos do mundo, ser possuidor da maior honraria que uma pessoa pode receber: ser chamada de filho de Deus. Apazigua o teu coração na maravilhosa Graça divina, pois através dela não há nada que você possa fazer para ser mais amado pelo Eterno, e mesmo diante dos teus erros Ele continua a amá-lo de igual modo. Lambuza-te com a Palavra, coma-a prazerosamente e sem prevenção. Digira em tuas entranhas esse santo maná e deixa-a manifestar-se nos teus membros na forma de uma vida em tudo agradável a Deus. Conspira tenazmente contra toda forma de injustiça. Não te submetas aos dominadores, e não te cales diante dos poderosos. Oferta generosamente! Não porque temas que “gafanhotos” saltarão das páginas do Antigo Testamento para assombrar tua vida, mas porque possuis em ti o espírito do Evangelho que considera tudo pertencente ao Pai. Por isso, ofereça a Deus, despojadamente, tudo o que és. Rejeita qualquer forma de discriminação. Pratica o amor inclusivo de Jesus e seja como o servo que sai pelas ruas e becos da cidade trazendo os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos” (Lc 14.21) para que a Casa do Pai fique cheia. E Ele se alegrará em ti. Confronta destemidamente os pregadores da prosperidade, os enganadores dos simples, e os que pensam ser alguma coisa, e nada são. Desmascara-os publicamente e não temas se disserem: “não toqueis o ungido do Senhor”. Lembra-te: és tu que verdadeiramente tem a unção do Alto, não eles. Depois de tudo isso, (e somente depois), já não importará mais a forma da tua adoração, não importará se ajoelhas, se levanta as mãos, se entoa canções audíveis ou apenas balbucia trechos bíblicos quase inaudíveis, se balanças suavemente o teu corpo ao ritmo da música, ou se permaneces imóvel como que vendo o Invisível... sim, vá em paz, o Eterno já aceitou a adoração da tua vida, antes mesmo que adentrasses o templo do Senhor.
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Via Genizah

quarta-feira, 3 de março de 2010

Humildade

Há pouco, um amigo brincou na hora do almoço: “ainda hei de escrever um livro sobre como alcancei a verdadeira humildade”. Dei uma boa gargalhada, mas depois pensei: “disfarçamos arrogância com piadinhas desse tipo". O demônio da vaidade, que veste pele de cordeiro, se esconde nessas brincadeiras. Lidamos mal com a humildade porque o oposto também acontece: menosprezamos a nós próprios para revelar como conquistamos a virtude dos simples.

Algumas vezes me sinto forçado a assumir uma humildade que não é minha. Faço isso porque imagino conseguir calar a boca de meus inimigos se me ajoelhar em profunda consternação. Penso que deixarei as pessoas sem reação caso me auto-deprecie. “Com certeza”, sussurro em solilóquio, “aqueles olhares mordazes se contentarão ao me verem diminuído”.

Quero demonstrar o quanto estou acordado para a minha bestialidade; quero que meu pouco brilho seja suficiente para compensar possíveis suspeitas sobre minha arrogância. Rastejo procurando mostrar para probos conservadores que estou consciente de que não passaria em seus testes de qualidade. Torno-me desprezível imaginando que vou suavizar observações sobre meu nariz empinado. Mas os cenhos não relaxam. Parece que a minha humilhação é, e permancerá, insuficiente para refazer preconceitos.

Sendo assim, resolvo assumir uma pitada de altivez – Calma, tomarei todo o cuidado para que ela não degringole em soberba! – “A soberba precede a queda!”. Nutrirei apenas um santo orgulho; orgulho de ver-me sem depender do juízo de quem me odeia. Não quero mais condescender com o apetite voraz dos que não gostariam de mim nem que nascessem asas angelicais nas minhas costas. Jamais vou conseguir agradar quem já decidiu que sou intolerável.

Nesse santo orgulho, ressaltarei a Graça; Graça eficaz, que conseguiu transformar-me no que sou. Quando o alfinete dos bruxos estiver perto de envenenar-me com autodepreciação, gritarei o versículo paulino: “Sou o que sou pela Graça”.

Não me basto. Preciso de amigos, careço de interlocutores. Não me auto-referencio em nada. Não me avalio a partir dos palcos da vanglória. Mas, adianto-me em dizer: reconheço o meu valor. Sou único e especial. Minha existência é peculiar. Minha vida custou caro, caríssimo.

Recuso confundir humildade com auto-desprezo. Aprendi a ser misericordioso comigo mesmo. Rio de meus erros. Não me iludo, vez por outra tento encapar-me com pieguice. Mas se devo enfrentar o cotidiano áspero, vou encontrar coragem de seguir adiante; adquiro coragem amando a Deus e a mim mesmo.

Reconheço as minhas limitações, mas não escondo os meus talentos. Não, não sou um gênio. Jamais serei indicado para qualquer Academia Tupiniquim de Letras. Contudo, evito o outro extremo; não sou um zero à esquerda.

Estou satisfeito em lutar com as armas que disponho. Os meus parcos conteúdos são o que tenho.

André Comte-Sponville afirmou que “humildade é o ateísmo na primeira pessoa: o homem humilde é ateu de si, assim como o não-crente o é de Deus”. Desalojado de castelos inexpugnáveis, desnudado de falsas onipotências, aliviado de roteiros extenuantes, sigo celebrando a vida sem megalomanias; só posso oferecer o que tenho. Se não agrado a todos, se constranjo e se incomodo, lamento. O pouco que conheço de mim não dá para alardear grandeza, mas também não tenho o direito de ser inclemente comigo mesmo.

Recuso-me a posar de bom moço, essa humildade não passaria de empáfia.

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Soli Deo Gloria
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Via Ricardo Gondim

terça-feira, 2 de março de 2010

" Não é Fácil Passar por Samaria "

E era necessário passar por Samaria”. (Jo. 4:4)
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A ideia de reino dos povos antigos era de que quanto maior fosse o reino, mais sangue havia corrido. Para que os reinos se expandissem era necessária a guerra, o conflito, a devastação do reino a ser tomado. Os relatos históricos das guerras eram terríveis. Devastação total das casas, templos, lavouras. Humilhação de todos os tipos, desde moral à sexual. Porém, Jesus quebra essa regra do mal, oferecendo uma visão revolucionária de reino. No reino de Cristo, ninguém tira sangue, apenas compartilha o seu. É um reino que supera conflitos.
Samaritanos, judeus, romanos, bárbaros, vidas conflitantes. Ainda hoje, em muitos lugares, a vida é feita da mistura explosiva do ódio e do preconceito. O reino macabro ainda subsiste. É necessário quebrar essa regra. O caminho da superação dos conflitos não é feito de uma hipócrita negociação de paz. Também não é feito de uma pseudo diplomacia impessoal. É feito do contato, do “ir até lá”, do passar por Samaria. E nunca é fácil passar por Samaria...
Conflitos deixam marcas. Produzem rachaduras no edifício dos relacionamentos. Essas rachaduras são sinais de que a unidade foi comprometida. Quando nossos relacionamentos estão quebrados ficamos com uma imensa sensação de vazio. Passar por Samaria não é fácil, exige o senso de renúncia, o dolorido controle do ego, do abrir­-se ao outro, do perdão. Exige a coragem para abraçar quem nos feriu, e só a graça de Deus pode destruir o impacto terrível da maldade contida nessa não manifestação da Graça.
Pense: Como está sua Samaria? Há conflitos em sua história? Sua família é lugar de refúgio ou uma terra da revolta onde o caos se instalou? Aprenda com o mestre do consolo. Cristo sabia que o passar por Samaria não seria fácil, mas ele foi lá. E, porque ele foi lá, nós podemos enfrentar a Samaria que habita os nossos sonhos, que coexiste com nossas famílias. O que Jesus vê em Samaria não é o conflito travado, mas a fantástica bandeira do amor hasteada em cada porta e em cada alma.
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Por Alan Brizotti *** Via Genizah

segunda-feira, 1 de março de 2010

"A Vida Acontece Fora das Paredes da Religião"

O ÚNICO ODRE PARA O VINHO NOVO É O NOVO CORAÇÃO!

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Jesus nunca tentou mudar nada, mas apenas pessoas. Não o vemos tentando cristianizar o Império Romano, nem tão pouco se alinhando com os revolucionários judeus dos seus dias a fim de derrubar os tiranos. Também não o vemos expressar qualquer palavra sobre qualquer que fosse o valor do Sinédrio de Israel, e nem se ocupar de tentar converter as sinagogas. Nelas Ele fala. Mas logo deixa de falar, pois, não demorou muito para que as sinagogas vissem que o que Ele dizia não cabia nelas. Então perseguiram-NO. Mas Ele não se alterou. Seguiu pelas estradas, acampou-se ao ar livre, visitou pequenas aldeias, saiu do país duas ou três vezes, e fez amigos entre o povo e, para além disso, entre os chamados “pecadores”. No Templo de Jesrusalém, Ele causou perplexidade. Quando menino de 12 anos, embasbacou os sábios. Com o seu falar que mostrava intimidade com o Pai. Estava na “casa do Pai”. Quando adulto, todas as vezes que lá esteve, gerou conflitos e polémicas. E quando foi levado perante as autoridades religiosas — na casa de Caifás, o Sumo-sacerdote; e no Sinédrio, sendo julgado —, praticamente nada disse. De facto, fez silêncio. E, quando falou, praticamente o fez sempre na base do “tu o dizes”. Sim, Jesus nada aspirou em relação a conversão das potestades da religião. E, conquanto Seu julgamento tenha acontecido dentro das “portas da cidade santa”—lugar próprio para juízos—sua morte, todavia, aconteceu “fora dos muros”. A Cruz se levanta fora da geografia da Religião! E a Ressurreição desabrocha também fora das portas de Jerusalém. A Vida acontece fora das paredes da Religião! Assim, o escritor de Hebreus (cap.13) diz que o “altar” do qual “agora temos parte”, está instalado fora dos “portões”; fora do “arraial” da Religião. E afirma que o lugar-existencial do encontro com Cristo é fora de tais paredes. Então, conclui: “Saiamos, pois, a Ele, fora do arraial, levando o Seu vitupério!” O interessante é que o mesmo escritor de Hebreus, a seguir, fala de líderes dessa comunidade chamada a ser hebréia; ou seja, andante e do caminho —, e os designa como “Guias”. Ora, coerentemente com o espírito da epístola — que é uma chamada a que se não retornasse ao obsoletismo da Religião —, os líderes de algo que é caminho, e caminho do lado de fora dos limites da religião, têm que necessariamente ser “guias”; ou seja: gente experiente nas andanças com Jesus fora do portão, nas amplas geografias da existência. Assim, em Jesus, não há dispêndio de energias com o que é obsoleto e já está morto. Por isso Ele manda que mortos sepultem mortos. Também, pela mesma razão, Ele diz que não se deve desperdiçar o Novo do Evangelho com os odres da Religião. Era como botar vinho novo em odres velhos. Ou era como colocar remendo de pano novo em vestes velhas. É verdade que “Jesus” foi feito líder e fundador de religiões. Mas em nenhum delas Ele está. Afinal, a religião é cercada de muros; enquanto Jesus anda do lado de fora, morre do lado de fora, ressuscita do lado de fora, e nos chama a que o encontremos “fora dos portões”. E, obviamente, isto não é algo de natureza físico-geográfica, mas, sobretudo, existencial. Afinal, foi Jesus quem disse que o lugar da adoração não é em nenhum “lugar” (nem mesmo em Jerusalém), mas acontece, sim, num ambiente chamado “espírito”; o qual é santuário maior que os céus e a terra. Nele, Caio
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Todos Somos Pecadores

[ Título original do texto : A Teologia faz Pecadores ]
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“Porque estando vestidos, não seremos achados nus” (II Co. 5:3)
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Lutero disse: “A matemática faz tristes; a medicina, doentes; a teologia, pecadores”. A ironia da frase nos atinge com violência. Giordano Bruno dizia que: “Todas as coisas são feitas de contrários; razão pela qual, não podemos experimentar prazer algum que não seja mesclado de amargura”. O prazer do pensar teológico vem junto com a amargura das descobertas desconcertantes. O próprio Lutero dizia: “Não tenho outro nome senão pecador. Pecador é meu nome, pecador é meu sobrenome”. A verdade fundamental é uma só: Todos somos pecadores! Todos temos as nossas fraquezas. Deslizes são íntimos companheiros nessa viagem alucinante da existência. A incrível capacidade de totalidade do pecado atinge-nos implacavelmente, porém a multiforme Graça de Deus, também tem o poder da totalidade, também trabalha com o princípio do todo e da verdade. De Adão a Noé; de Abraão a Jacó; de Jacó a Davi; a história é o relato de homens em luta contra o domínio cruel do pecado. Mas a vida de Cristo, seu amor e sua esperança nos garantem a beleza do acreditar, de semear na graça, de existir em plena capacidade de, apesar do pecado, amar a Deus. Nosso grande salto, nosso maior triunfo está justamente no amar a Deus. Essa é a grande certeza que podemos ter: pela mediação de Cristo, no poder do Espírito Santo, somos capazes de amar a Deus! Quando isso acontece, a história ganha novas cores, nova dimensão, novo cheiro de graça. Aí podemos aprender as lições dos “pecadores da teologia”, homens como Abraão, que apesar de suas mentiras, amava a Deus, e isso o ajudou a trabalhar essas arestas do caráter e amar a verdade. Podemos aprender com Davi, o sanguinário, que amava a Deus, e isso o ajudou a desenvolver uma incrível capacidade de arrependimento. Quando amamos a Deus, nossa ética começa a ser trabalhada pelos frutos desse amor, aí, todo o intrigante domínio do pecado se torna uma área que procuramos vencer todos os dias com o “carregar a cruz”. Pecadores, porém amados. Essa deve ser nossa esperança, nossa graça, nossa âncora nesse tempestuoso oceano da história. Quando entendemos que somos amados por Deus, passamos a buscar corresponder a esse amor, e esse é o milagre maior do relacionamento entre Deus e o homem: O milagre do amor mais profundo e puro nascendo em corações tatuados pelo pecado. Quem não faz parte do incrível grupo dos “pecadores da teologia?” ***

O Nome nas Veias

Por llevar tu Nombre en las venas, espero llorar con los que lloran y reír con los que se ríen, porque deesto esta hecho la vida.
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Por llevar tu Nombre en las venas, espero perdonar a los que me han ofendido y pedir perdón por aquellos errores que he cometido.
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Por llevar tu Nombre en las venas, espero pasar hambre y compartir la pobreza con los necesitados de la sociedad.
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Por llevar tu Nombre en las venas, espero ser amigo de los que pecan y hacen el mal, porque merecen una oportunidad, igual que yo.
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Por llevar tu Nombre en las venas, espero compartir algún día con los que son mis enemigos, aunque sea un calvario.
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Por llevar tu Nombre en las venas, espero ser rechazado por la sociedad al seguir tu camino tan extraño y difícil.
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Por llevar tu Nombre en las venas, espero aceptar las diferencias de todo tipo, aunque la Iglesia me condene eternamente.
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Por llevar tu Nombre en las venas, espero escuchar y aconsejar a los que sufren en silencio, que no son pocos.
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Por llevar tu Nombre en las venas, espero vivir la paradoja de la vida abundante, para disfrutarla con más ganas.
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Por llevar el Nombre de Jesús en las venas…
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¿Podremos, o habrá que revisar que tipo de sangre tenemos?
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Fonte: Andrés Contreras, estudante de teologia no Chile *** Via PavaBlog

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Tempos de Instabilidade

"Pois assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando, sereis salvos; no sossego e na confiança estará a vossa força" (Isaias 30:15)
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Vivemos em tempos de instabilidade. Para onde quer que olhemos, não há nada permanente na fixidez do seu lugar. O mundo, a nossa morada, nunca foi tão inóspito para os seus moradores. As relações humanas, nosso porto seguro, nunca foram tão liquidas e instáveis. As instituições, nossa base social, nunca estiveram tão fragilizadas. Vivemos desconfiados em relação a tudo e a todos. Somos obrigados a conviver com o terror de uma crise económica mundial, com ameaças de pandemia, com cataclismos naturais que abalam os fundamentos da terra, com desigualdades sociais obscenas, e ameaças de conflitos mundiais. No meio a tudo isto, lá está o homem, correndo atrás de interesses particulares, impedindo a confiança mútua e a fraternidade. Mundo, relação e instituição, em abalo, por vendavais de instabilidade. “Cada individuo é sempre filho da sua época” dizia Hegel, portanto, se vivemos um tempo de instabilidade, não é surpresa encontrar no homem desta época uma natureza instável. Tal natureza é geradora de uma séria de conflitos internos; veja-se o grande número de pessoas atormentadas por distúrbios psicológicos. No meio desses conflitos alguns procuram refugiar-se na aparente quietude do “eu interior”, outros depositam confiança no dinheiro, outros na falsa transcendência das drogas e outros no ópio das religiões. A despeito de todas as tentativas, a desconfiança permanece. Esta está fora e dentro de nós. É aqui que somos chamados a confiar em Deus, nossa Rocha de Refugio. Somos desafiados a descansar na sombra do Altíssimo ainda que a figueira não dê mais frutos. Isaías no trecho que abre este texto, exorta Israel para que confie em Deus no meio das instabilidades. O império Assírio havia destruído e dispersado o povo do norte e agora ameaçava o povo do sul. A tragédia de Israel foi refugiar-se à sombra de Faraó quando a instabilidade se tornou insuportável ao invés de confiar em Deus. O problema é que o Egitpo era frágil demais para abrigar em segurança o povo de Israel. Somos chamamos a desenvolver, no meio das instabilidade da vida, uma confiança cega em Deus. Devemos confiar que o Senhor é o Senhor da história e da nossa vida. Somente assim poderemos olhar para a realidade que nos cerca, e ao invés de ver um barco afundando, ver um Redentor redimindo toda a criação. Deus está trabalhando para redimir o mundo e não para destruí-lo. Esta é minha utopia cristã, esta é a agenda do Reino.
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Por Daniel Grubba *** Via Soli Deo Glória

Observar...

Gosto de observar a ordem em que os acontecimentos são relatados nos Evangelhos. Creio que desperdiçamos muitas mensagens quando nos atemos apenas aos acontecimentos em si, e não enxergamos suas entrelinhas. Deus Se revela nos flagrantes contrastes dessas passagens !

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Lucas nos descortina um episódio em que Jesus Se dirige à Jericó (Lc.18:35-43). Antes de entrar na cidade, Ele Se depara com um cego“assentado à beira do caminho, mendigando”,cujo nome é Bartimeu, de acordo com relato de outro Evangelista, Marcos. Depois de clamar insistentemente pela misericórdia do Filho de Davi, Jesus manda chamá-lo e restitui sua visão. Bartimeu, um marginal excluído da sociedade de Jericó , é a primeira pessoa a quem Jesus direciona Sua atenção.

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Mas ao atravessar os muros da cidade, Jesus Se depara com outro homem, pertencente à elite de Jericó. Enquanto Bartimeu vivia do lado de fora da cidade, Zaqueu, o chefe dos coletores de imposto, vivia luxuosamente na parte mais requintada de Jericó. Ambos eram cegos. Bartimeu sofria de cegueira física, enquanto Zaqueu de cegueira espiritual. Ambos deviam sua condição social à ganância. Um era vítima, o outro o algoz. Talvez jamais houvessem prestado atenção um ao outro, e sequer sabiam de sua existência. Porém ambos queriam muito ver Jesus. Lucas diz que Zaqueu “procurava ver quem era Jesus, mas não podia” (Lc.19:3). Não por causa de alguma deficiência visual, mas porque era nanico. A fim de avistá-lO no meio da multidão, Zaqueu tratou de escalar uma árvore, meter-se entre sua folhagem, e ali, discretamente, sem almejar qualquer atenção, esperou até que Jesus passasse. Veja a diferença gritante entre Bartimeu e Zaqueu. Não apenas diferença social, ou cultural, mas também comportamental. Bartimeu queria a atenção de Cristo, e por isso não poupou sua voz. Esguelou-se ao ponto dos discípulos rogarem que se calasse. Já Zaqueu preferia a discrição, a camuflagem de uma árvore, a preservação de sua imagem pública. De lá, ele podia ver sem ser notado, espiar sem se expor, numa espécie de vouyerismo desprovido de culpa. Afinal, um homem importante como ele não podia correr este risco. Jesus não hesita em mirar por entre as folhas da árvore e dizer: Desce depressa, Zaqueu! Hoje vou me hospedar em sua casa. [...]

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Por Hermes Fernandes *** Continuar a ler AQUI no Genizah

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Escatologia na História

[Título original do texto: Chega de escatologia de Jornal ]

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O reino de Deus é a chave para a compreensão da história do mundo. Por mais caótica que pareça, a história faz sentido. Todos os factos e eventos históricos são como peças de um quebra-cabeças, e convergem para a plenificação do Reino. Nesse sentido, não há qualquer contexto histórico que não seja radicalmente escatológico. Não acreditamos numa escatologia improvisada, mas numa Escatologia de Propósito. Afinal, Ele não é Deus de improviso, e sim, de provisão. Antes mesmo do início da saga humana, Ele já sabia de todas as coisas, inclusive da maneira como o homem se rebelaria contra o seu Criador. Por isso, Ele preparou de antemão um plano, cuja execução está em andamento. E não se trata de algum tipo de plano tapa buraco. Um dos princípios básicos da hermenêutica bíblica é que a Bíblia interpreta a Bíblia. Passagens obscuras do texto sagrado devem ser entendidas à luz de passagens mais claras. No dizer de Paulo, devemos comparar as coisas espirituais com as espirituais (1 Co.2: 13). Recusamo-nos acreditar em uma espécie de “Escatologia de jornal”. Uma Escatologia que busca nas manchetes dos jornais a confirmação das suas especulações está longe de ser bíblica. Não importa o que dizem as notícias de última hora, pois “andamos por fé, e não por vista” (2 Co.5:7). Ademais, segundo o salmista, o justo “não se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme, confiante no Senhor” (Sl.112:7). [...]
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Por Hermes Fernandes *** Continuar a ler AQUI no Genizah

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

“Ficamos insensíveis”

Autor de "Cristãos ricos em tempo de fome e de O escândalo do comportamento evangélico", Ronald Sider faz suas críticas com amor

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Ronald Sider não é um cristão comum. Não por ser PhD em história da Reforma por Yale, uma das mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos, ou por ter escrito um livro que é considerado referência cristã no século 20, Cristãos ricos em tempo de fome, que já vendeu mais de 400 mil cópias. É que, aos setenta anos de idade, ele é testemunha de uma mudança de comportamento da Igreja Evangélica, que, no seu entender, fez dela uma instituição mais insensível em relação ao mundo que a cerca. “Ficamos maiores, mais ricos e mais famosos”, sintetiza. Tal conclusão é a base do inquietante trabalho de Sider. Teólogo, professor, palestrante, fundador e presidente do ESA (Evangelicals for Social Action – “Evangélicos por Ação Social”), ele é um ativista da igualdade. E o faz pelo viés do convencimento dos cristãos acerca da justiça social.

Nascido numa área rural de Ontário, no Canadá, Sider é filho de pastor, e hoje vive com a mulher numa casa de um bairro majoritariamente negro na Filadélfia. Membro de uma comunidade menonita, é um homem de sorriso aberto e voz suave, características que, no entanto, não amenizam seu duro discurso contra o materialismo que, na sua ótica, tomou conta de grande parte da Igreja Evangélica contemporânea, como diz em outra obra, O escândalo do comportamento evangélico (Editora Ultimato). Contudo, não é simplesmente um franco atirador e tempera suas críticas com palavras de misericórdia e esperança na Igreja e no futuro. [...]

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Continuar a Ler AQUI na Revista Cristianismo Hoje

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"A Parábola do bom Samaritano Contextualizada"

Este texto é baseado num caso real.
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Certa família humilde passava por graves privações. E a comunidade cristã tradicional, próxima, não se apercebeu.
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Então, um senhor espírita se aproximou; esforçou-se e arranjou um emprego para o pai daquela família. Com o passar do tempo as privações se foram, os filhos se graduaram tornaram-se prósperos e, naturalmente, espíritas.
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Quando o Senhor Jesus mostrou para o doutor da Lei quem era o "próximo" do homem ferido pelos ladrões, na parábola, referiu-se a um samaritano. Um homem de um povo estranho transportado de longe por Nabucodonosor, para as terras de Israel. Cristo confrontava uma religiosidade desprovida de compaixão. E compaixão significa estar atento às necessidades do próximo. Nossas mãos a serviço dos olhos do SENHOR.
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Eu fico meditando: O que estamos vendo no meio evangélico é bem parecido com o relato da parabóla. Muitas palavras e poucas atitudes. Muitos críticos e poucos "samaritanos". Muito individualismo e pouca solidariedade. Muitas palestras, escolas de liderança e poucos mestres em SERVIR.
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E diante de tudo isso, como falar do amor de Deus para quem só conheceu a generosidade de "Samaritanos"? É, você e eu temos mesmo muito a melhorar!
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Por João Cruzué
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domingo, 21 de fevereiro de 2010

" Seduzidos pelo Futuro "

Somos resultado de tudo o que vivemos até hoje. Pelo menos, é nisso que muitos têm crido. Até a psicologia endossa tal teoria. Freud, o pai da psicanálise acreditava que o passado seria o factor determinante na formação da personalidade. Somos todos produtos dos nossos traumas e afectos. Alguns movimentos religiosos também subscrevem tal teoria. Alguns chegam a atribuir influência determinante às vidas passadas. Segundo esta doutrina, há um karma que nos acompanharia até o final de nossa caminhada existencial. Estaríamos fadados a pagar eventuais dívidas contraídas em vivências anteriores. Nem mesmo igrejas cristãs escapam desta visão. Algumas até promovem cultos no afã de quebrar eventuais maldições hereditárias, outras promovem cultos de cura interior, com direito a sessões de regressão. Teria o passado tanto peso assim? Será que Paulo errou ao declarar que aquele que está em Cristo é uma nova criatura, e que as coisas velhas se passaram, fazendo-se tudo novo? Ouso discordar com veemência de todos os que atribuem tal poder ao nosso passado, a ponto de interferir determinantemente em nosso presente. É claro que o passado exerce alguma influência, porém, não é determinante. Há algo que exerce influência muito maior, atraindo-nos para a frente.
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Projectados para o futuro
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Há algo lá na frente que nos atrai como um ímã. Se retrocedermos ao princípio de tudo, encontraremos Cristo, o Alfa, exercendo poder impulsionador, empurrando todas as coisas para frente. Se fôssemos remetidos para o futuro, lá encontraríamos Cristo, o Omega, exercendo Seu poder atractor. É por isso que o fluxo temporal segue a direção passado-futuro. Não se pode nadar contra a corrente. O ponto Alfa, início de tudo, impele, empurra para a frente. Enquanto o ponto Omega, que é o fim objectivo de tudo, atrai, puxa para a frente. [...]
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Por Hermes Fernandes *** Continuar a ler AQUI

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"As Quatro Propostas de Faraó"

Quando Deus apareceu a Moisés no Monte Horebe deu-lhe uma missão quase impossível: Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o Meu povo, os filhos de Israel, do Egito. E tendo (de má vontade) aceitado aquela missão, enfrentou a astúcia do soberano do Egito que não tinha nenhuma vontade de deixar o povo ir. Por quatro vezes Faraó tentou enganar Moisés sem lograr êxito.
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A primeira proposta
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Então chamou Faraó a Moisés e a Arão e disse: Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra. Moisés não aceitou, e por duas razões: ele temia que, sacrificando no Egito, os egípcios considerariam o sacrifício uma afronta a seus deuses e poderiam perseguir Israel. Mas o pior não era isso. Deus não aceitaria um sacrifício na terra da escravidão. O Egito simboliza o mundo, lugar do pecado; tem que sair do mundo para consagrar a vida ao Senhor. Deus requer uma mudança. Sacrifício no Egito significa um falso ensino e uma falsa conversão. A mensagem de Deus é: Arrependei-vos e convertei-vos dos maus caminhos. O "Egito" é um mau caminho - é caminho do mundo. O pecador para receber o perdão de Deus o pecador tem que abandonar o mundo, sair do Egito, e tornar-se para Deus. O Faraó com aquela proposta queria que Moisés e o povo de Israel pensassem que estariam agradando a Deus, mas seu real propósito era que eles continuassem escravos. O Egito é a terra da escravidão e o Faraó simboliza satanás, e Moisés, o libertador, uma figura do Cristo. Moisés recusou a proposta de Faraó e não houve acordo. [...]
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Continuar a ler AQUI no Olhar Cristão

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"Vocação para a Liberdade"

Ser cristão é ser livre da necessidade de ser alguma coisa.”

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( Ed René Kivitz em Outra Espiritualidade )

In Laion Monteiro

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Oração

A oração é um instrumento poderoso não para fazer com que a vontade do homem seja feita no céu, mas para fazer com que a vontade de Deus seja feita na terra.
( Robert Law ) ***

" A Respeito da Segunda Vinda de Cristo "

Contam que, certa vez, perguntaram a Karl Barth se ele acreditava na segunda vinda de Jesus Cristo. Sua resposta foi no mínimo intrigante. Barth teria dito que acreditava em todas as vindas de Jesus, e não apenas na segunda. Na verdade, disse o célebre teólogo alemão, Jesus Cristo veio pela primeira vez na encarnação e, depois, pela segunda vez na ressurreição, e veio outra vez no Pentecoste, uma quarta vez na Igreja, que é o seu corpo, e, além dessas, Jesus Cristo vem toda vez que um pecador se arrepende e se reconcilia pessoalmente com Ele. Ao final, Barth teria dito que acreditava, sim, que Jesus Cristo viria consumar o reino de Deus no "fim da história", mas essa seria a quinta ou sexta vinda de Jesus. De facto, dá que pensar, pois estamos acostumados às afirmações simplistas do tipo "Jesus veio quando nasceu (primeira vinda), foi embora após a sua ressurreição, e virá em triunfo no fim dos tempos (segunda vinda)". Mas há algumas pontas soltas na construção das doutrinas escatológicas (relativas às últimas coisas) e nas interpretações das afirmações do Novo Testamento a respeito da parousia (vinda) de Jesus Cristo. Por exemplo, como explicar a afirmação "Eis que estou convosco até a consumação dos séculos" (Mateus 28.20)? Cristo está conosco ou devemos esperar por ele no futuro escatológico? Ou ainda, o que Jesus quis dizer quando prometeu àquele que obedece sua palavra: "Eu e meu Pai viremos a ele e faremos nele morada" (João 14.23)? Como podemos conciliar a afirmação de Jesus quanto ao fato de que o fim ocorrerá apenas quando o evangelho do reino de Deus tiver sido anunciado em todas as nações (Mateus 24.14), com sua promessa de que o Filho do Homem viria antes de os discípulos percorrerem todas as cidades de Israel (Mateus 10.23)? Mais ainda, como entender a declaração de Lucas ao afirmar que o livro de Atos registra as coisas que Jesus continuou a fazer após sua ressurreição e ascensão? Também há necessidade de esclarecer porque o livro do Apocalipse não descreve em detalhes a "segunda vinda de Jesus" e, aliás, em vez de dizer que vamos para o céu, diz que o céu vem a nós (Apocalipse 21.1-4). Estas poucas questões indicam que não podemos nos ater ao literalismo das passagens bíblicas, isoladas umas das outras, mas devemos buscar compreender o sentido amplo de suas narrativas, que possibilitam enxergar os mesmos fatos e fenômenos em múltiplas dimensões e implicações. Em termos da "doutrina das últimas coisas", a melhor interpretação sugere a "escatologia inaugurada", que estabelece a tensão entre o "já" e o "ainda não" da salvação: ao mesmo tempo em que o dia da salvação é agora – já (2 Coríntios 6.2), também "em esperança somos salvos" – ainda não (Romanos 8.24). Não é incorreto, portanto, afirmar que assim como o reino de Deus já veio e ainda está por vir: o reino de Deus chegou (Lucas 11.20) e "venha o teu reino" (Mateus 6.10), também Jesus Cristo já veio e ainda está por vir, pois se o esperamos no fim escatológico – a parousia, também é certo que Ele está conosco até a consumação dos séculos, pois ao afirmarmos a igreja como corpo de Cristo, declaramos que Jesus age na história por meio de homens e mulheres que invocam o seu nome. Como afirma Ariovaldo Ramos, "quando falamos da segunda vinda, dizemos de sua vinda, novamente, visível, mas é razoável a perspectiva de várias vindas e de uma derradeira, definitiva e visível, como o foi na sua ascensão, pois se esta derradeira vinda não for plausível, teremos de rever o rapto da igreja, a transformação dos que estiverem vivos e a ressurreição dos mortos". Aguardar a vinda de Jesus no fim dos tempos pode se tornar uma distração que nos impede a relação com Ele aqui e agora; negligenciar a vinda de Jesus no fim da história equivale a esvaziar a fé cristã de sua utopia do reino eterno de Deus e negar a promessa futura do novo céu e nova terra. Ambos os equívocos são perigosos e perniciosos à militância e esperança cristãs.
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Ed René Kivitz *** Via Genizah

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"Quando a Máscara Cai"

Estamos a poucos dias do Carnaval, a festa da carne. Geralmente, acredita-se que é durante esta festa pagã que as pessoas se encondem atrás de máscaras e fantasias. Porém, acredito que o contrário é que se sucede. Durante os dias de folia, as pessoas tiram as máscaras usadas durante todo o ano, liberando seus desejos ocultos, e revelando suas mais arrojadas fantasias. Por alguns dias, o chefe de família remove a máscara de autoridade, e cai na gandaia. A dona de casa reclusa e tímida se desfaz do papel que representa e se solta na avenida. Como dizia o Tim Maia, vale tudo! Tudo em nome do prazer, da alegria, ainda que ao término da festa só sobrem cinzas. O problema não é o Carnaval em si, enquanto festa popular (mesmo que sua origem remonte os bacanais e saturnais romanos). O problema é a natureza humana corrompida. O que o Carnaval oferece é o ambiente propício para que esta natureza se revele sem qualquer pudor. Sinceramente, o que mais me incomoda não são as serpentinas, lantejolas, pouca ou nenhuma roupa dos foliões. O que mais me incomoda são as máscaras usadas ao longo do ano. Há pessoas que conseguem viver mascaradas por anos, sem que ninguém perceba sua hipocrisia. Porém um dia, por descuido, a máscara cai. São Paulo diz que para que sejamos transformados pelo Espírito de Deus, temos remover o véu que cobre nossa face, e nos expor tal qual somos. A religião é uma fábrica de máscaras. Pior do que os bate-bolas das ruas, são os bate-bolas dos púlpitos. Aqueles que cativam as pessoas pelo medo, pelo terror. Deus, porém, conhece a pessoa por trás da fantasia. Ele não se impressiona com nossa atuação, quando fazemos do púlpito nosso tablado. Ele sabe exatamente as intenções por trás daquela voz grave, do emocionalismo barato, do sensacionalismo canibal. Nenhum cristão está autorizado por Deus a julgar foliões. Em vez de dedos a riste, estendamos as mãos, e apresentemos a eles uma alegria que nunca termina, e que jamais resultará em cinzas.
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