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sexta-feira, 29 de março de 2013

Tempo Pascal é Tempo de Vida e de Esperança


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Para onde quer que nos voltemos, vimos, ouvimos, lemos sempre sobre o tema genérico que domina os meios de comunicação. Já aprendemos que o que faz vender notícias não são as boas notícias, mas as más notícias. Temos esta tendência tétrica para nos concentrarmos nos factos e acontecimentos negros e trágicos, e quanto mais negros e trágicos melhor. Afundamo-nos nas letras garrafais dos jornais que empolam tudo o que lhes possa render tiragens ou nas imagens lúgubres que os telejornais nos fazem chegar à hora certa da família. Deixamo-nos enredar mais facilmente por um clima negativo do que pelas coisas positivas que estão todos os dias à nossa frente.
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Não acho que devamos abstrair-nos do que se passa à nossa volta, mas também não acho que nos devamos, pura e simplesmente, render aos ciclos menos bons como se a vida fosse apenas uma tela borrada de  negro.
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Os cristãos passam pelas mesmas dificuldades que todas as outras pessoas passam, mas há algo que deve estar permanentemente na sua cabeça e no seu coração: um cristão é alguém cuja visão é mais alta. Ser cristão significa estar pronto para encarar as situações com os olhos postos em Deus e nas certezas que Ele tem para nós. É ser um optimista no meio do pessimismo; afinal, aquilo que Jesus disse é que devíamos ser Luz no meio das trevas e Sal num mundo insosso. Neste período de Páscoa, onde a esperança renasce, onde novos horizontes estão à distância de um dedo; onde a morte é vencida pela vida. Onde Jesus já pagou todos os resgates, saibamos ser sorrisos e alegria contra todas as correntes de tristezas agónicas. E p isso significa  não nos  deixarmos levar nesta corrente geral de sentimentos negativos quanto ao presente e futuro. É isso que Jesus espera de nós, que no meio das crises saibamos reagir, saibamos pôr ao serviço dos homens aquilo que aprendemos de Jesus ressuscitado.                                                                     

Mostrar capacidade de reacção positiva no meio do sofrimento geral,  mesmo se também nós estivermos a ser atingidos, não é apenas estoicismo humano, é igualmente demonstração de plena fé nas capacidades eternas de Deus e na sua direcção divina para os homens e mulheres que mostram ser capazes de irem além de si próprios, sabendo que nunca estarão sózinhos nesse desígnio.
                                                      
Aquilo que Deus espera de nós, neste momento, é que a sociedade possa ver-nos como alguém que não perde a sua tranquilidade, a sua fé, o seu discernimento espiritual, a sua capacidade de um olhar com justiça e de manter uma opinião elevada sobre todos os contextos. É nestas ocasiões difíceis que se mostra a grandeza de espírito e a presença da fé que nos alimenta.                                                            

Aprendemos que nos ciclos negativos da vida a fé se prova de uma maneira muito mais extraordinária. A fornalha aquece, torna-se quase insuportável, mas Deus está no controlo e conhece os nossos limites. Saibamos, como filhos de Deus, nestes momentos de tormenta, obter de Jesus a paz que está a faltar a tantas vidas. Que cada filho de Deus seja um referencial de esperança, neste período pascal, de calma no meio da tempestade, de temperança e estabilidade emocional e que mostre isso no pequeno circulo em que se integra. Parece simples dito assim, não é ? Mas não vai ser nada fácil. Teremos que fazer uso daquele estoicismo que recebemos da nossa natureza espiritual. O apóstolo Paulo dizia quequando estava fraco então era forte, e vai ser assim connosco também. Mas isso só é possivel aos filhos de Deus, aos que têm uma fé viva, um compromisso com Cristo.
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Hoje li Deuteronómio 28:13 - «E o Senhor te porá por cabeça e não por cauda» - num devocional de Spurgeon que me acompanha há muitos anos; a determinado passo diz o autor: "Não tem o Senhor Jesus feito sacerdotes do seu povo? Certamente estão os d'Ele chamados para ensinar e não para aprender filosofias dos incrédulos[...]. Há-de a nossa fé arrastar-se como uma cauda ? Não deveria antes mostrar o caminho e ser a força predominante em nós mesmos e nos outros ? "
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Que esta filosofia dominante de derrota, que nos servem todos os dias a todas as horas, não nos atinja da mesma maneira que está a atingir as pessoas à nossa volta. É possível que fiquemos  sem alguns anéis, mas o importante é mantermos os dedos. O importante é a vida humana e aquilo que podemos construir com ela. É para isso que Deus olha. É essa a lição da Páscoa. É nisso que eu me quero fixar. Arregacemos pois as mangas e preparemo-nos para ser Luz , Sal, justiça  e direcção num mundo em aflição e sem nenhuma certeza no amanhã. E isto não é teoria, é prática; isto não se opera ao apenas ao domingo na igreja, é na vida diária em sociedade, onde partilhamos a existência, que devemos marcar a diferença com sensibilidade e atitudes. Aproveitemos pois este singular tempo de ressurreição e vida para o fazer efectivamente.
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.Jacinto Lourenço

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Fé que Combate dragões no Coração



Exercer a fé na plenitude de Cristo, ou seja, em Cristo, para o nosso suprimento é uma maneira valiosa de permanecer em Cristo, pois tanto o nosso enxerto como a nossa permanência acontecem pela fé (Rm 11.19-20). A sua alma deve, então, pela fé ser exercitada em pensamentos e compreensões como estes: “Sou pobre e fraco, instável como a água. Não posso melhorar. Esta corrupção é muito forte para mim e está prestes a arruinar minha alma. Não sei o que fazer. Minha alma está se tornando um solo ressecado e uma habitação de dragões. Tenho feito promessas, mas deixei de cumpri-las; votos e juramentos me têm sido como nada. Já tive muitas convicções de que eu obtivera a vitória e seria livrado, mas estava enganado. Vejo claramente que, sem socorro e ajuda eminente, estou perdido e serei induzido a um completo abandono de Deus. No entanto, ainda que este seja o meu estado e condição, restabeleçam-se as mãos descaídas e fortaleçam-se os joelhos trôpegos. Vejam, o Senhor Jesus Cristo, que possui toda a plenitude de graça em seu coração, toda a plenitude de poder em suas mãos, é capaz de aniquilar todos esses seus inimigos. Nele há provisão suficiente para meu livramento e necessidade. Ele pode tomar a minha alma prostrada e desfalecida e tornar-me mais do que vencedor... Pode transformar meu solo árido e ressecado em lagos e meu coração sedento e estéril, em fontes de água. Sim, Cristo pode fazer desta habitação de dragões, este coração, tão cheio de concupiscências abomináveis e tentações ferozes, um lugar de ervas e frutos para ele mesmo (Is 35.7)”.

Deus sustentou Paulo em suas tentações com a consideração da suficiência da graça divina: “A minha graça te basta” (2 Co 12.9)... Digo, então, pela fé considere bastante o suprimento e a plenitude de suprimento que há em Jesus Cristo e como ele pode dar-lhe, em qualquer momento, força e livramento...



segunda-feira, 28 de março de 2011

Tempo Pascal é Tempo de Vida e de Esperança

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Para onde quer que nos voltemos, vimos, ouvimos, lemos sempre sobre o tema genérico que domina os meios de comunicação. Já aprendemos que o que faz vender notícias não são as boas notícias, mas as más notícias. Temos esta tendência tétrica para nos concentrarmos nos factos e acontecimentos negros e trágicos, e quanto mais negros e trágicos melhor. Afundamo-nos nas letras garrafais dos jornais que empolam tudo o que lhes possa render tiragens ou nas imagens lúgubres que os telejornais nos fazem chegar à hora certa da família. Deixamo-nos enredar mais facilmente por um clima negativo do que pelas coisas positivas que estão todos os dias à nossa frente.
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Não acho que devamos abstrair-nos do que se passa à nossa volta, mas também não acho que nos devamos, pura e simplesmente, render aos ciclos menos bons como se a vida fosse apenas uma tela borrada de  negro.
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Os cristãos passam pelas mesmas dificuldades que todas as outras pessoas passam, mas há algo que deve estar permanentemente na sua cabeça e no seu coração: um cristão é alguém cuja visão é mais alta. Ser cristão significa estar pronto para encarar as situações com os olhos postos em Deus e nas certezas que Ele tem para nós. É ser um optimista no meio do pessimismo; afinal, aquilo que Jesus disse é que devíamos ser Luz no meio das trevas e Sal num mundo insosso. Neste período de Páscoa, onde a esperança renasce, onde novos horizontes estão à distância de um dedo; onde a morte é vencida pela vida. Onde Jesus já pagou todos os resgates, saibamos ser sorrisos e alegria contra todas as correntes de tristezas agónicas. E p isso significa  não nos  deixarmos levar nesta corrente geral de sentimentos negativos quanto ao presente e futuro. É isso que Jesus espera de nós, que no meio das crises saibamos reagir, saibamos pôr ao serviço dos homens aquilo que aprendemos de Jesus ressuscitado.                                                                     

Mostrar capacidade de reacção positiva no meio do sofrimento geral,  mesmo se também nós estivermos a ser atingidos, não é apenas estoicismo humano, é igualmente demonstração de plena fé nas capacidades eternas de Deus e na sua direcção divina para os homens e mulheres que mostram ser capazes de irem além de si próprios, sabendo que nunca estarão sózinhos nesse desígnio.                                                      

Aquilo que Deus espera de nós, neste momento, é que a sociedade possa ver-nos como alguém que não perde a sua tranquilidade, a sua fé, o seu discernimento espiritual, a sua capacidade de um olhar com justiça e de manter uma opinião elevada sobre todos os contextos. É nestas ocasiões difíceis que se mostra a grandeza de espírito e a presença da fé que nos alimenta.                                                            

Aprendemos que nos ciclos negativos da vida a fé se prova de uma maneira muito mais extraordinária. A fornalha aquece, torna-se quase insuportável, mas Deus está no controlo e conhece os nossos limites. Saibamos, como filhos de Deus, nestes momentos de tormenta, obter de Jesus a paz que está a faltar a tantas vidas. Que cada filho de Deus seja um referencial de esperança, neste período pascal, de calma no meio da tempestade, de temperança e estabilidade emocional e que mostre isso no pequeno circulo em que se integra. Parece simples dito assim, não é ? Mas não vai ser nada fácil. Teremos que fazer uso daquele estoicismo que recebemos da nossa natureza espiritual. O apóstolo Paulo dizia que quando estava fraco então era forte, e vai ser assim connosco também. Mas isso só é possivel aos filhos de Deus, aos que têm uma fé viva, um compromisso com Cristo.
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Hoje li Deuteronómio 28:13 - «E o Senhor te porá por cabeça e não por cauda» - num devocional de Spurgeon que me acompanha há muitos anos; a determinado passo diz o autor: "Não tem o Senhor Jesus feito sacerdotes do seu povo? Certamente estão os d'Ele chamados para ensinar e não para aprender filosofias dos incrédulos[...]. Há-de a nossa fé arrastar-se como uma cauda ? Não deveria antes mostrar o caminho e ser a força predominante em nós mesmos e nos outros ? "
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Que esta filosofia dominante de derrota, que nos servem todos os dias a todas as horas, não nos atinja da mesma maneira que está a atingir as pessoas à nossa volta. É possível que fiquemos  sem alguns anéis, mas o importante é mantermos os dedos. O importante é a vida humana e aquilo que podemos construir com ela. É para isso que Deus olha. É essa a lição da Páscoa. É nisso que eu me quero fixar. Arregacemos pois as mangas e preparemo-nos para ser Luz , Sal, justiça  e direcção num mundo em aflição e sem nenhuma certeza no amanhã. E isto não é teoria, é prática; isto não se opera ao apenas ao domingo na igreja, é na vida diária em sociedade, onde partilhamos a existência, que devemos marcar a diferença com sensibilidade e atitudes. Aproveitemos pois este singular tempo de ressurreição e vida para o fazer efectivamente.
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Jacinto Lourenço

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

" E então, onde está Deus? "

Os S.S. pareciam mais preocupados, mais inquietos do que de costume. Enforcar uma criança diante de milhares de espectadores não era uma coisa qualquer. O chefe do campo leu a sentença. Todos os olhos estavam pregados no menino. Ele estava lívido, quase calmo, mordendo os lábios. A sombra da forca se projetava sobre ele.
+++
Dessa vez, o lagerkapo negou-se a servir de carrasco. Três S.S. o substituíram.
***
Os três condenados subiram em suas cadeiras. Os três pescoços foram introduzidos nos nós corrediços ao mesmo tempo.
* - Viva a liberdade! – gritaram os dois adultos.
* O pequeno, calado.
* - Onde está o bom Deus, onde Ele está? – alguém perguntou atrás de mim.
* A um sinal do chefe do campo, as três cadeiras foram derrubadas.
* Silêncio absoluto em todo o campo. No horizonte, o sol estava se pondo.
* - Descubram a cabeça! – berrou o chefe do campo. Sua voz estava rouca. Quanto a nós,
estávamos chorando.
* - Cubram a cabeça!
* E começou o desfile. Os dois adultos não viviam mais. Suas línguas pendiam, grossas, azuladas. Mas a terceira corda não estava imóvel: tão leve, o menino ainda vivia…
* Por mais de meia hora ele ficou assim, lutando entre a vida e a morte, agonizando sob nossos olhos. E tínhamos de olhá-lo bem de frente. Ainda estava vivo quando eu passei diante dele. Sua língua ainda estava vermelha; seus olhos, ainda não apagados.
* Atrás de mim, ouvi o mesmo homem perguntar:
* - E então, onde está Deus?
* E senti em mim uma voz que lhe respondia:
* - Onde Ele está? Ei-Lo – está aqui, nesta forca.”
***
Fonte: Elie Wiesel em A Noite *** via Laion Monteiro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que é Igreja ?

"... A Igreja é a comunidade da fé! É a nossa casa! A Igreja é lugar de perdão e de reconciliação. O que é oferecido a todos nós, inclusive para os que agem como se não o precisassem, é a oportunidade de se arrepender. A fé cristã não prega a impecabilidade, prega o arrependimento! A fé cristã prega que o amor é demonstrado no perdão e no serviço!" [...] ***
Excerto do texto, "Estou Farto" , de Ariovaldo Ramos *** Via Pavablog

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Sorrir para a Vida

Estava a ver, na televisão, o divertidíssimo vídeo que reproduzo abaixo e que foi gravado na área de check-in do aeroporto de Lisboa, em 23 de Dezembro corrente , quando a minha atenção foi aprisionada por um breve instante, um flash das imagens que corriam. Os potenciais passageiros, os mais afoitos, lá se foram entrosando no momento musical e cénico, absolutamente inesperado, e algo sui generis, proporcionado pela TAP e pela ANA, num horário em que, inesperada, costuma ser apenas a interrupção do sono, em contra-natura, obrigada pela imperiosa necessidade de viajar e que faz com que as pessoas se dirijam ao espaço de pré-embarque de um aeroporto. Para além de ter gostado de ver , ainda que não ao vivo, acho que os portugueses, e as pessoas em geral, andam carentes de momentos assim, que os surpreendam pela positiva, que os reconciliem com a vida e com os valores da vida, com as coisas simples da vida, que são normalmente as mais saborosas. Um facto registo desde logo: se fosse eu que estivesse ali para embarcar, com o sentimento misto de apreensão e expectação que normalmente me invade sempre que antevejo a possiblidade incontornável de ter que me meter dentro de uma passarola sustentada pelo vento ( para simplificar muito as coisas ), se fosse eu, nunca mais iria esquecer na vida aquele momento passado num aeroporto às seis e picos da manhã. Talvez não saltasse para a improvisada pista de dança para onde alguns, mais ou menos ousados, foram convidados a ir, desde logo, e para além do mais, porque nunca soube dançar; mas que ia vibrar interiormente, lá isso ia. Viveria sem dúvida o momento. É destes pequenos momentos que também se faz a nossa vida, e que são, na maior parte das vezes, irrepetíveis. Mas houve um detalhe, um breve flash, como dizia acima, que sustentou o meu olhar durante o tempo que durou. O medley de canções trouxe um êxito dos Abba e, uma provável passageira, iniciava algum acompanhamento corporal da música quando, de repente, foi interropida por um gesto de reprovação de uma menina, que talvez andasse entre os oito e os dez anos, porventura sua filha. Caramba, pensei, afinal os "Velhos do Restelo" podem povoar até a cabeça de uma criança, de curta idade, e levá-la a repreender os próprios adultos quando estes adoptam atitudes menos formatadas ou mais espontâneas ou até pouco consentâneas com os padrões comportamentais que passam a vida a impor-lhes. E isto levou-me a outro pensamento relacionado com a minha fé em Cristo e com a minha vivência cristã. Durante anos e anos elas foram formatadas por uma determinada visão, distocida e não bíblica, é verdade, mas a que me fui ajustando, embora cada vez menos confortavelmente, é certo, em prol da salvaguarda de valores e padrões que eu achava, ainda assim, ter que preservar, por alguma razão pouco segura, até entender, num flash, num pequeno detalhe, que só vale a pena preservar valores e padrões, e travar as lutas, que dignifiquem a verdade e a pureza do evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e não o contrário, porque o contrário só cauteriza e destrói a nossa fé; só nos tranforma em pequenos ou grandes fariseus, portadores de uma fé fingida ou superficial, autênticos "sepúlcros caiados". Passamos a vida envolvidos em causas. O cristão é um homem ou mulher de causas. Mas não devemos olvidar que estamos sempre em trânsito para uma pátria melhor, e que as nossas causas não podem perder de vista esse objectivo caso contrário perdemos-lhe o propósito e, sem isso, não há causa que subsista ou valha a pena. Talves a analogia que vou estabelecer, não seja das mais felizes, mas mesmo assim não resisto a fazê-la: no local mais inesperado, no momento menos pensado, por entre as subtilezas da biologia humana, que nos quer manter adormecidos, devemos, enquanto cristãos, manter a atitude da ANA e da TAP, duas empresas que tiveram a capacidade de fazer sorrir para a vida, por breves instantes, uma pequena quantidade de passageiros, em trânsito não sabemos para que latitude ou vivência, sabendo que a sua viagem, naquele dia, foi encarada de outra maneira, mais optimista, mais alegre, a pensar noutros valores, como os da vida, sem formatos pré-concebidos, que vale a pena ser vivida Quebrar tabus, ferir susceptibilidades de "velhos do Restelo", mesmo que venham mascarados de "novos", rasgar horizontes, fazer sorrir para a vida, nem que seja por por breves instantes, pode não mudar o mundo, mas poderá vir a marcar e mudar positivamente quem, mesmo que em trânsito, e sabe-se lá para que pátria, assiste, observa e, quiçá, "fotografa" o instante que nós proporcionamos enquanto filhos de Deus, imbuidos de vida. O apóstolo Paulo disse a determinado momento aos Gálatas: "Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão" ( Gál. 5:1). Firmeza ( um padrão irrenunciável ) quanto à liberdade conquistada, é aquilo que se espera de cada cristão, e não nos devemos contentar com menos. Afinal, quando somos livres somos felizes e podemos fazer os outro felizes, olhamos a vida e as pessoas de outra maneira , mantemos a esperança na certeza dO que nos suporta. Eu duvido sempre de quem me transmite a ideia de que sou livre mas depois me quer fazer viver uma liberdade formatada por algo que não tenha a ver com o sangue de Cristo, que me libertou eficazmente, e com a Palavra da Vida que me faz sorrir, sendo que isso nada nem ninguém me poderá tirar. Normalmente somos pessimistas por natureza e optimistas por opção. Como cristãos fizémos essa opção junto à Cruz do Calvário. Não fomos chamados, individual ou colectivamente, como cristãos ou como comunidade de igreja local , para mudar o mundo todo mas para, pelo menos, não o deixarmos, à nossa volta, tão mal quanto o encontrámos. Esse terá que ser o nosso propósito e desafio, ser Sal e Luz, se é que Jesus fez algo em nós. É como imaginar um cirurgião que identifica e diagnostica claramente uma doença num paciente e sabendo que a pode resolver; ele terá que abrir para aceder ao cerne do problema e, seguramente, quando fechar, espera naturalmente ter deixado o seu paciente em muito melhores condições de saúde do que as que tinha anteriormente. Se não fosse assim, se ele não tivesse condições de resolver problemas de saúde através da cirurgia, perdia-se a expectativa e o objectivo principal do seu trabalho. Abrir, ver o problema e fechar sem o querer resolver, ou tentar resolver, não é o objectivo final de nenhum cirurgião. Claro que ,sózinho, um cirurgião não poderá aceder e operar todos os doentes do mundo, mas ele irá intervir nos que tiver ao alcance melhorando assim a sua qualidade de vida. Formatos para a mudança ? Amar o próximo, sem que isso implique pretender que ele seja exactamente igual a nós. A matriz é Jesus Cristo, não eu, não tu . Viver na Graça e na Liberdade do Senhor são os formatos em que Deus se empenha para a subversão dos valores e padrões alternativos e obsoletos, por desajustados e estranhos ao Evangelho, que nos querem impor e que nos agrilhoam a pesadas correntes e fortes amarras disfarçadas, na generalidade das ocasiões, de Liberdade, Graça e Amor de Deus. Se há coisa em que os religiosos são especialistas, é em mimetismo de recorte espiritualista; o apóstolo Pedro alerta-nos para isso nas suas epístolas, bem como Paulo.
Viver na Graça e no Amor de Deus, é sorrir para a vida, sem máscaras ou formatações miméticas. É viver na espontaneidade da constante presença de Jesus no nosso dia a dia. É esperar nEle como uma criança espera no pai.
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Jacinto Lourenço
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A Sobrevivência da Civilização

"... A mais perigosa ilusão da nossa civilização consiste em o Homem pretender libertar-se totalmente da tradição e de todo o sentido preexistente, para abrir a perspectiva de uma autocriação divina. Esta "confiança utópica" e esta "quimera moderna" de inventar-se a si mesmo numa perfeição ilimitada "poderiam ser o mais impressionante instrumento do suicídio criado pela cultura humana". É que, "quando a cultura perde o sentido do sagrado, perde todo o sentido".

A religião não deve entrar no lugar que pertence à ciência e à técnica. Ela surge de outra dimensão, que "nos capacita para conviver com o fracasso, o sofrimento e a morte". Ela é o caminho que nos leva a "aceitar a derrota inexorável". Para a Humanidade, não há a última vitória, já que, "no fim, morremos".[...]

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Prof. Anselmo Borges

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Ler AQUI no Diário de Notícias de 21 de Novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

Não Preciso Ver para Crer

Muitos tem buscado achar em meio as diversas igrejas da atualidade, um lugar onde possam enxergar alguma manifestação concreta e visível de Deus. Essas manifestações serviriam para "comprovar" que ali Deus está agindo.
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A exemplo de Tomé, muitos só crêem se puderem ver algo concreto: "se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei." (Jo 20.25) Os locais em que se apresentam algum tipo de "manifestação de Deus", vivem cheios de pessoas que querem ver para crer. Os líderes percebendo esta realidade, se especializaram em criar "manifestações" que atribuem a Deus, para usar como propaganda para atrair pessoas. Jesus repeendeu a Tomé por causa de sua necessidade de ver sinais: "Porque me viste, creste?" (Jo 20.29) Quanto as manifestações visíveis de Deus, elas existem, creio nelas, mas duvido da maioria das que se tem apresentado atualmente, por uma simples razão: A manifestação se tornou mais importante do que o próprio Deus. Deus foi tirado do centro e se colocou no lugar várias "manifestações"; Deus sendo [usado] para provocar admiração nas pessoas, e depois disso a fé. Não creio que essa seja a vontade de Deus. Eu não preciso de sinais para crer em Deus e nem ver manifestações poderosas, para saber que Ele existe e está presente. Não preciso de shows de poder e nem de líderes "poderosos", que, como dizem, tem a chave para liberar o "poder de Deus". Jesus completa sua repreensão a Tomé: "Bem-aventurados os que não viram e creram." (Jo 20.29)
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sobre os Sacrifícios

"Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça." Rom. 4:3
Muita gente imagina que Abraão creu tanto, tinha tanta confiança em Deus, que sabia que, no final da história, não precisaria entregar o filho que amava em sacrifício. Não é isso o que podemos ver na narrativa de Gênesis. O cara engoliu seco, imagino eu, que matou o filho vezes sem conta nos três dias em que se dirigiu a Moriá. A cada passo, o filme devia correr pela sua mente... e o sangue a gelar nas veias. Deu tempo para se assustar, apavorar, ser tentado a dar meia volta, discutir, argumentar com Deus, ...fazer cambalachos do tipo que fazemos quando Deus nos pede algo que nos é precioso: deixa por menos, Senhor! Eu faço outra coisa, duas, mil coisas...Mas abraão foi. Até ao fim. De um "Eis-me aqui Senhor!", quando recebeu a ordem, a um "Eis-me aqui, Senhor!" quando tinha o filho já imobilizado (não uma criança, mas um adolescente feito) sobre o altar. Como fazemos as vezes todas em que a direção de Deus não caminha no sentido das nossas conveniências, tenho sempre a tendência de me lembrar de Abraão depois da tragédia toda, quando Deus troca o filho querido por um animal para o holocausto.Mas a história não foi assim... Acho que o segredo todo, não está no facto de Deus nos livrar na hora "h", mas no conhecimento que se pode ter do Seu amor que, de um jeito ou de outro, há-de nos amparar no cumprimento da Sua vontade.Tenho repetido isso à minha alma nesses últimos dias todos!
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sábado, 31 de outubro de 2009

Ateucracia e Heterofobia

A humanidade conviveu e tem convivido com regimes não-democráticos: monarquias absolutas, teocracias, ditaduras, aristocracias, oligarquias, que privilegiam famílias, etnias, religiões, partidos ou classes. Com a substituição do poder personalizado pelo poder institucionalizado. Surgiram os Estados Nacionais, as constituições e a democracia, como “o povo politicamente organizado”. Na maioria das vezes, o formalismo democrático e a liturgia das eleições apenas legitimam grupos, que controlam os aparelhos do Estado. Ao povo cabe apenas escolher periodicamente, entre os escolhidos, os seus senhores. Presencia-se no Ocidente, sob a fachada da democracia, uma nova autocracia: a dos ateus e agnósticos e materialistas secularistas -- netos do Iluminismo -- contra a maioria religiosa dos cidadãos. Essa ideologia aparece mais nítida com o término da Guerra Fria, e pretende confundir Estado laico com Estado secularista. Por Estado laico entende-se aquele legalmente separado das igrejas, sem religião oficial, com a igualdade perante a lei, que se constitui um avanço para a civilização, e que foi uma das bandeiras do protestantismo histórico no Brasil. O Estado secularista expressa uma ideologia militante de rejeição da religião, da sua negação como facto social, cultural e histórico, ou considerando-a intrinsecamente negativa. No passado, tivemos a influência da filosofia positivista que, com sua “lei dos três estados”, advogava a marcha inexorável da história de uma etapa religiosa inferior para uma etapa superior, pretensamente científica ou positiva. Essa filosofia marcou grande parte das ideologias contemporâneas, inclusive o marxismo, cujos regimes, oficialmente ateus, procuravam “colaborar” com esse processo histórico perseguindo implacavelmente a religião e tornando compulsivo o ensino do ateísmo. O que essa elite iluminada tem dificuldade em aceitar é o facto de que, no século 21, a religião, em vez de diminuir, está a aumentar, no que Giles Kepel denomina “a revanche de Deus”, e que dá o título do novo “best-seller” de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, “Deus Está de Volta”. Há todo um malabarismo intelectual para “explicar” esta anomalia, e, por outro lado, procura-se promover um combate sistemático para a conter. O antireligiosismo teve como epicentro a Europa Ocidental, estendeu-se para a América do Norte, e espalha-se pela periferia do sistema mundial, chegando até nós. Há uma prioridade em se atacar as religiões monoteístas de revelação, porque julgam que o monoteísmo promove a intolerância e a revelação traz conceitos e preceitos autoritários retrógrados (o pecado, por exemplo) que se chocam com as visões tidas como superiores da autonomia das criaturas. Mais particularmente, esse ataque centra-se contra o cristianismo. A intolerância para com a religião implica impossibilitar a sua expressão nos espaços públicos ou que os seus seguidores ajam publicamente por motivações religiosas. A religião, para os seus adversários secularistas, deveria apenas ficar confinada às quatro paredes dos templos e dos lares, à subjectividade de cada um, condenada à irrelevância. Essa elite sente-se iluminada, superior, com o papel histórico de proteger as pessoas delas mesmas, de corrigir os seus “atrasos” e de “educar” a humanidade, seja pelo apropriação dos aparelhos ideológicos do Estado (educação, media), seja pelo uso do aparelho coercivo do Estado (leis, justiça, polícia). Na esteira desse movimento temos tido a chatice do “politicamente correto” (moralismo de esquerda), a luta por retirar símbolos religiosos dos espaços públicos, acabar com os dias santificados, proibir a saudação “Feliz Natal” (deve-se apenas desejar “Boas Festas”), e a defesa de bandeiras como a libertação sexual, o aborto (no lugar do direito à vida, o direito da mulher a dispor do “seu” corpo), a eutanásia e a licitude das “orientações sexuais” -- a chamada agenda GLSTB (gays, lésbicas, simpatizantes, transgéneros e bissexuais). Por sua mobilização política (e não por “descobertas científicas”) promoveu-se a retirada dessa anomalia do rol das enfermidades e dos ilícitos -- e se instituir o casamento homossexual -- e parte-se para proibir os que querem deixá-la, cassar o registo de psicoterapeutas, forçar a maioria a mudar os seus padrões morais e criminalizar os que não aderirem. Enquanto a Europa e a América do Norte já evidenciam um novo ciclo de perseguição religiosa, corre no Congresso Nacional [Brasil] um projecto de lei que faria com que o autor deste artigo fosse condenado a até cinco anos de prisão por escrevê-lo. Enquanto a minoria materialista tenta forçar uma ateucracia e a minoria homossexual tenta fomentar uma heterofobia -- ódio aos que insistem no seu direito de afirmar a normatividade da heterossexualidade, e de não aceitar a normalidade do homoerotismo -- eles recebem o apoio (cavalo de troia) de outra minoria: o liberalismo teológico. A nós, a maioria, cabe, democraticamente, o direito à resistência!
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Robinson Cavalcanti
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Via Revista Ultimato

UMA CONFISSÃO EM AUGSBURGO

Há dez anos, em 31 de Outubro de 1999, escrevíamos no extinto semanário aveirense Litoral, que a cidade alemã de Augsburgo assistiu a um acontecimento que poderia ter sido – na linha da definição de poética de Aristóteles contrária à história- outro muro derrubado na Alemanha. Uma alusão compreensível ao Muro de Berlim, derrubado em 1989, desta vez para falar de aproximações entre instituições católicas e protestantes. No dia preciso em que se comemorava mais um aniversário (31 de Outubro de 1517) da afixação histórica das 95 Teses de Lutero contra as indulgências, assistia-se a um acordo católico-luterano sobre a «Doutrina da Justificação por Graça e Fé». Discutida durante mais de três décadas, chegava ao ponto culminante essa declaração conjunta como um marco miliário – de acordo com a afimação do papa João Paulo II. «Na difícil estrada da recomposição da plena unidade entre cristãos». Aquela declaração, elaborada por comissões mistas internacionais luterano-católicas, firmava uma ideia comum sobre a Salvação, no que dizia -e diz- respeito às duas Igrejas cristãs. Não sei ainda na íntegra, passada uma década, os termos e o conteúdo desse acordo, tanto mais que o mesmo procurava superar questões não apenas de fé, mas jurídicas também de base confessional para as igrejas históricas luteranas, na Alemanha, que vêm desde o século XVI. Há precisamente dez anos, dizia-se que o evento «deixara a opinião pública indiferente.» E hoje, em 31 de Outubro de 2009? E no entanto, esse assunto foi considerado há quase quatrocentos e oitenta anos magno e de estado. Com efeito, a leitura da chamada Confissão de Augsburgo aconteceu a 25 de Junho de 1530, às 3 horas da tarde, e demorou cerca de duas horas. O artigo 4º da mesma, coisa crucial para os luteranos, protestantes ou evangélicos, agora também se diz evangelicals (de Evangelicalismo), versava a doutrina incontornável da Justificação. De Justificatione, o que, como todos os cristãos devem saber, se baseia na verdade doutrinária que S. Paulo escreveu aos Romanos, segundo a qual «somos justificados gratuitamente pela redenção que existe em Cristo Jesus.» Se houve sempre este ponto de fé e de discórdia educada e civilizada entre nós, evangélicos e católicos, o mesmo continua bem vivo no Céu e de posse do Redentor. Não faz parte exclusiva dos cânones da Terra, diríamos, é determinação divina, não só no discurso sobre Deus que é a teologia, mas de Deus mesmo, que «a justificação do pecador só se faz pela fé, não através de obras e sacrifícios», segundo se afirma, e bem, naquela referida Confissão.
. João Tomaz Parreira

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Incomparável Jesus

Jesus foi o homem mais gentil que já se conheceu. Era capaz de silenciar os detractores sem precisar erguer a voz. Nunca intimidou ninguém, nunca chamou atenção para ele mesmo, nem fingiu gostar do que lhe fazia mal à alma. Era autêntico até ao âmago do ser. E no âmago do ser existia um imenso amor. E como Ele amou. A humanidade só descobriu o que era verdadeiramente o amor por intermédio dEle. Mesmo os que o odiavam. Mas Ele não discriminava ninguém, pois esperava que, de algum modo, pudesse fazer os seus inimigos descobrirem que o amor é a essência, a realização máxima do ser humano. Ninguém foi tão honesto quanto ele. Mesmo quando as suas acções ou palavras expunham os aspectos mais sombrios das pessoas, estas não se sentiam envergonhadas. Ele dava-lhes total segurança, pois as suas palavras não indicavam o menor sinal de julgamento, eram simplesmente uma chamada de atenção para a superação e o crescimento. Qualquer um podia confiar-lhe os seus mais íntimos segredos. Se algum de vós tivesse que escolher uma pessoa em quem amparar-se no seu pior momento, iria gostar que fosse Ele. Jesus não desperdiçava tempo zombando dos outros, nem de suas preferências religiosas. Se tinha algo a dizer, Ele dizia e seguia o seu caminho, deixando em si a certeza de ter sido intensamente amado.
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( Wayne & Coleman em Por que você não quer mais ir à igreja? p. 14-15 )
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

O Que é Ter Fé ?

Alteraram o significado de fé, agoram chamam de "tomar posse". Junto com a nova roupagem semântica o conceito de fé também vem sendo alterado. Se na Bíblia fé é a certeza das coisas que não se vêm, hoje fé não passa da certeza das coisas que nós supomos que acontecerão. Enquanto a fé bíblica fala sobre confiança em Deus, o "tomar posse" exalta o egoísmo e põe a confiança na intensidade da petição. Enquanto os heróis da fé não pensam em nada mais além da vontade divina, os heróis da "promessa de Deus" olham para si mesmos e suas necessidades. Ter fé não é crer apesar das dúvidas, é questionar sinceramente apesar de crer.
Fonte: Rapensando

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Quem é o Nosso Próximo ?

Às vezes diversas “técnicas” de usar o concreto aparecem juntas nos ensinamentos de Jesus. Assim a parábola, a ocasião e o caso que contradizem a dominante suposição geral aparecem reunidos no exemplo do “bom samaritano” (Lc 10).

Jesus realmente carregou nos detalhes. E, no entanto, a história é muito verdadeira. É um desses casos em que, com aquilo que podia muito bem ser uma mera parábola, Jesus talvez estivesse contando uma história que realmente acontecera. É o tipo de coisa que todos os seus ouvintes sabiam que de facto acontece. É o tipo de coisa que acontece ainda hoje.

Quando Jesus afinal faz a pergunta decisiva — “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu na mão dos salteadores?” —, qualquer pessoa decente só tem uma resposta a dar. Tergiversar mais seria revelar um coração irrecuperavelmente iníquo. Assim o intérprete teológico responde: “O que usou de misericórdia para com ele”. Para ele seria demais dizer apenas: “o samaritano”.

Mas nós precisamos dizê-lo, e precisamos compreender o que isso significa. Significa que as suposições gerais dos ouvintes de Jesus sobre quem tem vida eterna precisam ser revistas à luz da condição dos corações das pessoas. O relato não ensina que podemos ter vida eterna apenas por amar o nosso próximo. Também não podemos nos safar com esse belo legalismo. A questão da nossa postura diante de Deus ainda precisa ser levada em conta. Mas na ordem de Deus nada pode substituir o amor pelas pessoas. E definimos quem é o nosso próximo pelo nosso amor. Fazemos de alguém o nosso próximo cuidando dele.

Não definimos primeiro uma classe de pessoas que serão os nossos próximos para depois elegê-los objectos exclusivos do nosso amor - deixando os outros estirados na estrada. Jesus habilmente rejeita a pergunta — “Quem é o meu próximo?” - e a substitui pela única pergunta realmente relevante aqui: “De quem serei eu o próximo?” E ele sabe que só podemos responder a essa pergunta caso a caso no nosso dia-a-dia. De manhã ainda não sabemos quem será o nosso próximo naquele dia. A condição do nosso coração irá determinar quem é que, ao longo do caminho, será o nosso próximo, e principalmente a nossa fé em Deus é que determinará se teremos força bastante para fazer desta ou daquela pessoa o nosso próximo.

Se Jesus estivesse aqui hoje, a história seria um pouco diferente. As palavras bom samaritano agora identificam na nossa sociedade uma pessoa de índole especialmente boa. Temos até leis para proteger os “bons samaritanos” quando eles fazem as suas “boas obras”.

Para tecer hoje o mesmo argumento, Jesus poderia colocar o “bom samaritano” no lugar do sacerdote ou do levita da narrativa original. Ou se ele vivesse no Israel de hoje, provavelmente contaria a parábola do “bom palestiniano”. Os palestinianos, por outro lado, ouviriam um relato sobre o “bom israelita”.

Nos Estados Unidos, logicamente, ele nos contaria a parábola do “bom iraquiano”, do “bom comunista”, “do bom muçulmano” e assim por diante. Para alguns segmentos sociais, teria de ser a parábola da boa feminista ou do bom homossexual. Para outros ainda, a do bom cristão ou do bom frequentador de igreja produziria o efeito desejado. De fato, diante de algumas actuais posturas seculares, falar do bom sacerdote ou do bom diácono talvez fosse o mais apropriado. Todos esses exemplos derrubam caras generalizações a respeito de quem, com certeza, tem ou não a vida eterna.

No relato do bom samaritano, Jesus não só nos ensina a ajudar os necessitados; num nível mais profundo, ele nos ensina que não podemos identificar quem “tem a vida eterna”, quem “está com Deus”, quem é “bem-aventurado” só por olhar as aparências. Pois essa é uma questão do coração. Só ali o reino dos céus e os reinos humanos, grandes e pequenos, estão entrelaçados. Estabeleça as fronteiras culturais ou sociais que quiser, e Deus dará um jeito de atravessá-las. “O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração” (ISm 16:7). E “Aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus” (Lc 16:15).

In Igreja do Jubileu

Superar o Impossível

É perceptível como mudamos ao longo dos anos. De crentes quebrantados, passamos rapidamente a herdeiros. De facto somos herdeiros de Deus (Rm 8:17), mas a nossa herança não parece ter o tom da esperança, mas da cobrança. De necessitados, socorridos em tempo oportuno (Hb 4:16), salvos da ira (Rm 5:9) e elevados à condição de filhos, passamos a seres ingratos com Aquele que fez tudo isso. Outros foram além e tornaram-se maldizentes. Aqui trazemos dois exemplos de pessoas que fizeram das dificuldades uma missão, agradecidos pelo que restou. Eles poderiam reclamar das circunstâncias, mas preferem ver nas adversidades a operação de um Deus cuja mente é insondável. Ao invés de investigar o porquê”, mudaram o foco em para quê”. De facto, não estamos aqui por acaso! Nick Vujicic tem 25 anos. Nasceu sem braços ou pernas sem nenhuma razão médica específica. Nos inúmeros desafios e obstáculos da vida, Deus deu a força para superar o que outros poderiam chamar impossível. Ele recebeu uma paixão de partilhar essa mesma esperança e amor verdadeiro com mais de dois milhões de pessoas em todo o globo, do qual já conheceu mais de 19 nações. Ele diz: A minha maior alegria nesta vida é a de anunciar Jesus para aqueles que eu encontro e informá-los de seu grande desejo de conhecê-los pessoalmente, permitindo que ele se torne seu Senhor e Salvador. Uma das passagens favoritas da Bíblia é o Salmo 139:17-18 que diz: E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles! Se as contasse, seriam em maior número do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.

Clênio Ventura tem 40 anos e mora em Brasília/DF. Tornou-se tetraplégico após sofrer um acidente, quando mergulhava nas águas rasas na Barragem de Santo António do Descoberto. A partir daí aprendeu a pintar com a boca. Em 2006 realizou uma apresentação de pintura durante 11 horas sem parar e pretende com isto entrar para o Guinness Book. Em Deus, que encontrou aos 20 anos, já paraplégico, apoiou sua fé para recuperar a auto-estima que havia desaparecido junto com os movimentos. Passei os dois primeiros anos enfiado dentro de casa, desesperado e agressivo, principalmente com as pessoas que mais me amavam, como minha mãe, disse Clênio, porém, lendo a Bíblia e conhecendo a palavra de Jesus Cristo, percebi que tinha de recuperar o tempo perdido e, sobretudo, agradecer pela vida que eu ganhei novamente. A maioria de nossos leitores não possuem as limitações de Clênio e Nick, mas alguns já reclamaram diante de coisas insignificantes, como não ter dinheiro para ir ao show de um cantor predilecto, ou porque não havia uma fatia maior de queijo no café da manhã. É próprio do ser humano reclamar das situações, o crítico é quando esta lamúria tem uma razão superficial e desnecessária. Quando não vemos a acção de Deus no que acontece connosco, até mesmo naquelas situações inusitadas, constrangedoras e, aparentemente, contraditórias, tornamo-nos pessoas amargas, reclamando de tudo e de todos. Busquemos ver as bênçãos que Deus nos tem dado. Se não temos uma casa própria, vejamos aqueles que não tem sequer onde morar. Se não temos um corpo estrelar, ao menos não temos defeito nele. Se não somos ricos, já comemos três vezes ao dia. Se não comemos três vezes, tem gente que ainda não comeu nem uma! Não se trata de gostar de sofrer, de se conformar e não correr atrás de objectivos, mas de ter um coração agradecido (Cl 3:15). Quantas vezes torcemos o nariz para a história de Israel, repudiando a atitude que o povo santo adoptou logo que chegou à Terra Prometida. Repudiamos igualmente alguém, que tendo recebido algum favor da nossa parte se torna ingrato. Mas, é exactamente assim que procedemos no dia-a-dia. Gosto sempre de dizer: esta não é uma mensagem para crentes assembleianos, presbiterianos, batistas, tradicionais ou pentecostais. É uma mensagem para os salvos, sem cor denominacional! Com a introdução do G12 e da Teologia da Prosperidade, Deus foi resumido a um empregado, um Pai Natal. Precisamos entender que se algo não acontece é porque isso estava no imenso plano de Deus, ou seria o Altíssimo surpreendido em algo? Uma das coisas que mais me assombra na biografia de José, é que ao receber seus irmãos, e tendo contra eles uma imensa carga de coisas negativas, não se deixou levar por tais sentimentos, mas disse: Eu sou José vosso irmão, a quem vendestes para o Egipto. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós (Gn 45:5,6). Se fosse um de nós talvez dissesse: Isso só pode ser o Diabo! É exactamente esta a tónica de IS Ts 5:18, quando Paulo diz: Em tudo dai graças. Dar graças pelo que é bom, e também pelo desgosto. Ouvi certa vez um pastor dizer que sempre nos lembramos, triunfantes, de Ef 4:13: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”, mas esquecemos que o versículo anterior diz: “Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”. O Diabo vive esperando o dia em que assistirá, de camarote, ao salvo murmurando diante da luta, ou procurando uma alternativa para resolver sua prova. Era isto que ele almejava quando agiu sobre a vida de Job. Ainda bem que o patriarca não duvidou da vontade de Deus, nem mesmo quando acossado pela terrível enfermidade que veio sobre o seu corpo. É claro que nem todos os dias Clênio e Nick estão felizes, mas se sofremos com Cristo já somos vitoriosos, porque não estamos sós. Que você se junte a eles, tendo um coração agradecido, mesmo na adversidade. E se você é uma pessoa abençoada, com uma vida mediana, como a maioria de nós, tem razões maiores ainda para agradecer.

In Reflexões Sobre Quase Tudo!

Via Confeitaria Cristã