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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os Judeus Sefarditas






Sefarditas (em hebraico ספרדים, sefardi; no plural, sefardim) é o termo usado para referir aos descendentes de Judeus originários de Portugal e Espanha. A palavra tem origem na denominação hebraica para designar a Península Ibérica (Sefarad ספרד ). Utilizam a língua sefardi, também chamada "judeu-espanhol" e "ladino", como língua litúrgica.

Os sefarditas provavelmente estabeleceram-se na Península Ibérica durante a era das navegações fenícias, embora a sua presenças só possa ser atestada a partir do Império Romano. Sobreviveram à cristianização, invasão visigótica e moura, mas começaram a sucumbir na fase final da Reconquista.
Os judeus fugiram das perseguições que lhes foram movidas na Península Ibérica sob a inquisição [...], onde eram perseguidos pela Igreja Católica, dirigindo-se a vários outros territórios. Uma grande parte fugiu para o norte de África, onde viveram durante séculos. Milhares  refugiaram-se  no Novo Mundo, principalmente Brasil e México, onde nos dias actuais  se concentram milhares de descendentes dos fugitivos. Os sefarditas são divididos hoje em Ocidentais e Orientais. Os Ocidentais são os chamados judeus da nação portuguesa, enquanto os orientais são os sefardim que viveram no Império Otomano.
Com o advento do sionismo e particularmente após a crise israelo-árabe de 1967, quando as minorias judaicas dos países árabes foram alvo de ataques, muitos dos judeus que viviam em países árabes foram para  Israel, onde formam hoje um importante segmento da população, com uma tradição cultural diferente dos outros judeus asquenazi.

Por isso, o termo sefardita é frequentemente usado em Israel hoje para referir os Judeus
oriundos do norte de África. No entanto é um erro referir-se genericamente  os judeus norte-africanos e dos países árabes como sefardim. Os judeus mais antigos destes países são chamados Mizrachim (de Mizrach, o Oriente), ou seja, orientais.
Houve importantes comunidades sefarditas nos países árabes, quase sempre em conflito com as comunidades autóctones, sobretudo no Egipto, Tunísia e Síria. Os  judeus hispânicos  opõem-se sistematicamente à Qabbala sefardita e mantêm um serviço religioso bastante  disciplinado e de melodias suaves. O rito ocidental é conhecido como Espanhol-Português.
Os Sefarditas foram responsáveis por boa parte do desenvolvimento da Cabala medieval e muitos rabinos sefarditas escreveram importantes tratados judaicos que são usados até hoje em tratados e em estudos importantes.

Via Eterna Sefarad

sábado, 17 de março de 2012

Os Livros de Jobe

Um Conto do Poeta  João Tomaz Parreira



Jobe - porque os pais reconheciam no nome bíblico a história da paciência -, Jobe com «e» no final, como o pronunciavam, assim se chamava o único filho do casal Paes.
A criança fora gerada e desenvolvida no ventre materno com muitos sacrifícios por parte da mãe e com resignação tranquila, em que a Fé e a ciência médica andaram juntas, nascera sob cuidados extremos e criada num lar que, a partir dessa altura, começou a ser alegre, gargalhadas à mais pequena alusão a uma coisa ou a uma palavra divertidas. A casa da família pretendia ser também um lugar de cultura, jornais, livros, conhecimento. Na sua infância, o tempo foi passando como na maior parte dos casos de filhos únicos, entre as paredes da solidão. A monotonia dos dias era suprida pela escola e pela nova conversa que o pai trazia para casa, um patamar vencido no mundo do comércio-era comercial de uma empresa de equipamentos de escritório-, uma benção que custou a sair do universo da fé, mas que acabara por acontecer. Deus era mais um dos membros da família.
Jobe vivia a formular a vida que iria ter no futuro. Iria viver da espiritualidade,
que a educação familiar lhe transmitiu, dosearia esta porém com algum razoável pragmatismo? - costumava perguntar a si mesmo, já adolescente. De uma coisa estava certo, jamais iria pôr de parte o cordão umbelical.
Na esfera sombria do seu pensamento racional tinha, porém, algumas dúvidas. Não se sentia atraído pelo que vulgarmente se chama mundo, mundivivência.
Como jovem vivia, aos olhos dos outros, uma austeridade pouco normal, sem desvios ao ensino bíblico. A sua atracção era outra, o pessimismo ao qual misturava espiritualidade.
- Tudo me acontece- afirmava- cada tribulação reforça a minha paciência.
Achava-se, por causa do nome que carregava, alguém cheio de resignação.
Jobe, na cama, costumava olhar os riscos da luz sombreada que se instalavam no tecto, mal ligava o candeeiro. Recostado a uma almofada, pegava na Bíblia e reli-a a história do patriarca. Jó era a sua referência que se temia ser obsessiva.
O menor problema ou revés, via-o sempre na óptica de uma necessidade suprida, não por se solucionar, mas porque tinha o ensejo de o acrescentar ao rol das atribulações. Jobe via nestas os seus particulares cilícios.
- Ainda me falta suportar muito, depois disto- disse, certa noite, pretendendo assim minimizar a última dificuldade contraída e testemunhar, com a frase, aos seus interpeladores.
Um dia fez uma coisa estranhíssima. Preferiu mesmo inopidamente desempregar-se, para suportar esse estigma social e financeiro.
-Uma qualidade destas de desapego às coisas materiais não se obtém facilmente hoje em dia - dissera-lhe um colega, que desejava no fundo compreender.
-Um espinho na carne- afirmara nessa conversa ocorrida no ano passado. - Às vezes é necessário mantê-lo activo- concluiu de modo veemente.
Esta solidariedade para com o relato agónico do apóstolo Paulo, cuja leitura da vida de igual modo o entusiasmava, era, de certa maneira, inconsciente. Recusava-se a admitir que pode haver uma idolatria da tribulação e que ele próprio a cultivasse.
-Não, nem tão-pouco por sentimento de vaidade- contestou, certo dia, a uma jovem amiga, com quem conversava frequentemente no fim das reuniões da igreja.
Recusava-se a encaixar, pelo menos no seu caso, que haveria o orgulho ou a vaidade espiritual.
Na religião tradicional que não seguia, a que chamava «a da grande Babilónia», frase que lera de Lutero, havia os exemplos dos religiosos que se infligiam sacrifícios voluntários, se chicoteavam ou se cingiam sobre a pele com cordões ou cintos ásperos com puas para mortificar a carne e penitenciar de todos os pecados.
Por razões evangélicas abominava tais atitudes, porque se orientavam para supostamente se adquirir a salvação. A sua teologia era outra, conhecia o valor do Sacrifício de Jesus Cristo, que Este era o único mediador entre Deus e os homens.
O seu desejo de tribulações não ia por esse caminho, as mesmas serviriam para enriquecimento da sua paciência. Mas não sabia por vezes onde estava, nem a que distância disto ficava a sua fé. Nesses dias, uma dor moral assenhoreava-se do seu rosto com uma fácies piedosa.
Depois de fechar um livro, Quando a corda se rompe, no capítulo sobre as más notícias acerca de um mundo decaído, mas que a seguir viriam notícias ainda piores, pôs-se a olhar para a atmosfera onde visualizava uma corda. O síndroma da corda partida, o enfrentar todo o tipo de problemas, bateram-lhe na couraça de paciência.
-Gosto das cordas que se rompem, e de enfrentar as coisas mais difíceis do mundo- ripostou Jobe com a cabeça erguida e um gesto de punhos a expressar valentia, numa aula do instituto.
-O homem, depois de Adão, é originado de um conflito. É o nosso destino e significado como seres humanos, estarmos sempre preparados para uma corda que se parte e nos lança no chão da dificuldade- reflectiu, certa noite, num retiro juvenil religioso.
Parecia estar descoberta uma nova ontologia.
Falar com Jobe dava-nos sempre a impressão de estarmos perante um rochedo sobre o mar, indefeso face às intempéries, quando o mar se levanta, conseguia manter o veludo verde, brilhante, da sua vegetação. Parecia sentir prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias.
Houve outro livro que ocupou, durante algum tempo, as interpretações sobre o que se poderia abater em forma de tentação sobre o crente.
A Tentação do téologo Bonhoeffer alimentava as preocupações e interrogações de Jobe. Particularmente a passagem «há duas grandes interrogações na vida do homem: uma indaga a respeito de Deus e a outra trata de pão; e as duas perguntas têm ciúmes uma da outra».
-Uma verdade, em todo o caso, na qual se consubstancia toda a vida do homem.- disse para si próprio, audivelmente.
«A luta pelo pão» - e acrescentou esta frase aos apontamentos que tomava sobre o assunto- «é que traz toda a espécie de mortificações e de angústias».
Ninguém, do seu círculo de amizades, via a coisa tão tragicamente como Jobe. Amigos e condiscípulos, com o pensamento menos labiríntico, conseguiam aplicar às suas vidas uma observação do salmista «nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão», e não punham nisso nenhum dramatismo.
-Mas para mim é um problema- dizia Jobe constrangido.
Embora poucos concordassem com a sua opinião sobre, por exemplo, uma das atitudes frequentes de Jobe, que consistia em orar por tribulações a fim de provar a sua fé, a verdade é que ele insistia em fazê-lo. – O irmão não quer provar a sua fé, quer antes enaltecer a sua paciência, e tal coisa é incorrecta- disse-lhe, no final de uma manhã de domingo, um dos pastores da igreja, enquanto caminhavam– Nem sequer pedir paciência, porquanto o Jobe está a pedir implicitamente tribulação.
- Não devemos nem podemos declarar a fé em Deus, rogando atribulações, dificuldades ou angústias para a nossa vida.- acabou por dizer-lhe, já na porta da sua residência, o irmão Luís Couto.
Em casa, no quarto de Jobe havia uma mesa redonda, sobre ela encontravam-se sempre alguns livros, e, aguentando a passagem de um dia para o outro, rosas como uma extensão vegetal da pequena jarra de vidro.
Jobe dizia que a mistura da suavidade das pétalas com a rudeza dos espinhos, personificava a sua vida.


sábado, 9 de julho de 2011

Uma Comunidade Científica Judaica no Alto Alentejo



No Alto Alentejo, pelo menos desde fins do séc. XIV, estavam em crescimento alguns núcleos populacionais de origem judaica, das quais as chamadas Ruas Novas contribuíam para um novo traçado, como são exemplos, a então Vila de Elvas ou as vilas próximas desta, como eram os casos particulares das vilas de Estremoz e Vila Viçosa. Na centúria seguinte, Castelo de Vide, Campo Maior, Sousel e Fronteira tornavam-se outros núcleos de população judaica em função das constantes fugas de inúmeras famílias que face à violência da inquisição Espanhola, mais cruel que a Portuguesa, determinava a procura dos espaços da raia de portuguesa como locais de refúgio por excelência. Nesse contexto, Campo Maior e Elvas tornaram-se importantes “centros de recepção” dessas populações em fuga: em Elvas o número de fugitivos aproximou-se dos 10.000, que apesar de tudo estava longe do número de fugitivos do número atingido em locais mais a Norte do País, como Miranda que atingiu o triplo do número de refugiados daquela ainda vila raiana da região do Caia. [...]


Por Arlindo Sena


Ler texto integral no blogue Por Terras de Sefarad

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Curiosidade Judaica




Todas as letras do Alef-Beit (alfabeto hebraico) se encontram no Maguen David, a Estrela de David




Fonte: Por Terras de Sefarad

quinta-feira, 3 de março de 2011

"Carnem Levare"...

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Está tudo preparado, ou quase. É sempre assim todos os anos por esta altura. Faça sol, chuva, frio ou calor, em muitas cidades do mundo há gente que se prepara para viver os chamados dias de folia. E há sempre uma razão para viver o Carnaval e se não encontram uma, os defensores do Carnaval inventam-na. Recupero o texto a seguir porque me parece perfeito para a compreensão do que é o Carnaval e quais são as suas origens e o que se celebra nesta data e, bem assim, o que significam estes dias para os cristãos.
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Origem Histórica
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Segundo uma definição genérica, o carnaval é uma festa popular colectiva, que foi transmitida oralmente através dos séculos, como herança das festas pagãs realizadas a 17 de Dezembro (Saturnais - em honra ao deus Saturno na mitologia grega.) e 15 de Fevereiro (Lupercais - em honra ao Deus Pã, na Roma Antiga.). Na verdade, não se sabe ao certo qual a origem do carnaval, assim como a origem do nome, que continua envolta em polémica.
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Alguns estudiosos afirmam que a comemoração do carnaval tem as suas raízes nalguma festa primitiva, de carácter orgíaco, realizada em honra do ressurgimento da primavera. De facto, em certos rituais agrícolas na Antiguidade, 10 mil anos A.C., homens e mulheres pintavam os seus rostos e corpos, deixando-se levar depois pela dança, pela festa e embriaguez.
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Originariamente os católicos começavam as comemorações do carnaval em 25 de Dezembro, englobando os festejos do Natal, do Ano Novo e dos Reis, numa festa contínua onde predominavam jogos e disfarces. Na Gália, tantos foram os excessos, que Roma o proibiu por muito tempo. O papa Paulo II, no século XV, foi um dos mais tolerantes, permitindo que se realizassem comemorações na Via Lata, rua próxima ao seu palácio. No carnaval romano, realizavam-se corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos, brigas de confetes, corridas de corcundas, lançamentos de ovos e outros divertimentos.
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O baile de máscaras ganhou força nos séculos XV e XVI, por influência da Commedia dell'Arte. Eram um sucesso na Corte de Carlos VI. Ironicamente, este rei foi assassinado numa destas festas fantasiado de urso. As máscaras também eram confeccionadas para as festas religiosas como a Epifania (Dia de Reis). Em Veneza e Florença, no século XVIII, as damas elegantes da nobreza utilizavam-na como instrumento de sedução.
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Há a registar, entretanto, que as tradições momescas ainda se mantêm vivas em algumas cidades europeias, como Nice, Veneza e Munique, por exemplo.
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[ Na verdade esta prática está alargada a muitas mais cidades, um pouco por toda a Europa nos nossos dias ]+
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Etimologia da Palavra
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Assim como a origem do carnaval, as raízes do termo também se têm constituído em objecto de discussão. Para uns, o vocábulo advém da expressão latina "carrum novalis" (carro naval), uma espécie de carro alegórico em forma de barco, com o qual os romanos inauguravam as suas comemorações. Apesar de ser foneticamente aceitável, a expressão é refutada por diversos pesquisadores, sob a alegação de que não possui fundamento histórico.
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Para outros, a palavra seria derivada da expressão latina "carnem levare", modificada depois para "carne, vale !" (adeus, carne!), palavra originada entre os séculos XI e XII, que designava a quarta-feira de cinzas e anunciava a supressão da ingestão de carne devido à proximidade da Quaresma. Provavelmente vem também daí a denominação "Dias Gordos", onde a ordem é transgredida e os abusos tolerados, em contraposição ao jejum e à abstenção total do período vindouro (“Dias Magros” da Quaresma).
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Posição Cristã
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+ Como vimos, o carnaval tem sua origem em rituais pagãos de adoração a falsos deuses. Trata-se, por isso, de uma manifestação popular eivada de “obras da carne”, reprovadas biblicamente.
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Qual deve ser a posição do cristão face ao carnaval ?
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No carnaval de hoje, são poucas as diferenças em relação às festas que estiveram na sua origem. Continuamos a assistir a imoralidade, promiscuidade sexual e bebedeira.
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Como cristãos não podemos concordar e muito menos participar em tais comemorações que vão contra os princípios claros da Palavra de Deus (Romanos 8.5-8; I Co. 6.20) (…).
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Fonte: Arsenal do Crente

sábado, 11 de dezembro de 2010

"O Grito da Semente" - Novo livro do Poeta e escritor Brissos Lino lançado Hoje às 16h em Lisboa

Hoje, pelas 16h-00, o poeta e escritor cristão, Brissos Lino, vai lançar mais um livro que junta assim ao seu portfólio. Trata-se do título " O Grito da Semente".
Brissos Lino, para além de poeta e homem de cultura é pastor da igreja Jubileu, em Setúbal, e reitor da UNISETI, Universidade Sénior de Setúbal . Possuidor de uma personalidade multifacetada e de uma reconhecida "inquietação" intelectual que o leva a assumir-se como um homem eminentemente "inconformado" com tudo o que possa empalidecer a dignidade humana nas suas mais variadas vertentes, intervém recorrentemente em diversos foruns académicos, sociais e cristãos, emprestando-lhes, com o seu saber e olhar largo, um valor de matriz sublinhadamente cristã, que representa, afinal, a sua causa de vida desde sempre.
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JL
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+ "O Grito da Semente"
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" Prefácio de Fabiano Fernandes +
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Hotel Real Palácio, Rua Tomás Ribeiro, 115, Lisboa +
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11 de Dezembro, 16h00
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Com a presença de João Tomás Parreira e João Pedro Martins
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Edium Editores
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Manuscritos do Mar Morto disponíveis Online

(Foto: Cristianismo Criativo - Trecho do Livro de Salmos)

A Google de Israel e a Israel Antiquities Authority criaram uma versão online dos Manuscritos do Mar Morto. Os utilizadores poderão fazer o download das imagens digitalizadas com dados adicionais, permitindo permitindo-lhes pesquisarem uma ampla gama de áreas em vários idiomas e formatos. O projecto usa imagens de alta resolução para a colecção de 900 manuscritos que compreendem cerca de 30 mil fragmentos. Os textos incluem transcrições, traduções e bibliografia. Está será a primeira vez que os pergaminhos serão fotografados integralmente desde os anos 50. Os Manuscritos são considerados uma das maiores descobertas arqueológicas da História. Foram encontrados entre 1947 e 1956 nas cavernas de Qumram, uma fortaleza a leste do Mar Morto localizada no que foi historicamente parte da Judéia. Foram escritos em grego, hebraico e aramaico, entre o século III a.C. e o ano 70 d.C., quando foi destruído o segundo Templo de Jerusalém. Os textos confirmam o Velho Testamento e foram escritos, na sua maioria, pelos essénios, uma seita judaica. Até à descoberta dos Manuscritos, os únicos textos em hebraico do Velho Testamento eram do século X.
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Mais informações clicando aqui.
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quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Fé e a Razão

É triste, mas a maioria dos cristãos ainda mantém o péssimo hábito de colocar uma separação entre a devoção piedosa a Deus e a ortodoxia do pensamento. Costumam dizer-nos que a fé e a razão são antagónicas e não podem dividir o mesmo espaço. Mas houve um tempo em que não era assim. A história do cristianismo está cheia de exemplos de cristãos fervorosos que eram intelectuais de primeira grandeza, ao mesmo tempo que nutriam grande devoção a Deus. Podemos citar Agostinho, Lutero, Calvino, Jonathan Edwards, e muitos outros. Penso que se desejamos ser luz do mundo e sal da terra em nosso tempo, então uma coisa não pode existir sem a outra. Uma fé de grande devoção e afectos apaixonados que não busca profundidade de pensamento pode tornar-se uma fé “água com açúcar”. Assim como um pensamento de amplitude exponencial, sem a chama do Espírito, é semelhante ao vapor que logo se desvanece. O emocionalismo e o intelectualismo são dois extremos que devemos evitar caso tenhamos em nossos corações o desejo de sermos adoradores que adoram em espírito e em verdade. O pastor e teólogo John Piper resume bem o que quero dizer. Ele diz: "A adoração precisa ter coração e cabeça. Ela tem de envolver as emoções e o pensamento. Verdade sem emoção produz ortodoxia morta e uma igreja cheia de admiradores artificiais. Por outro lado, emoção sem verdade produz agitação vazia e cultiva pessoas superficiais que rejeitam a disciplina do raciocínio exacto. A adoração verdadeira, porém, vem de pessoas com emoções profundas, grande amor e doutrina sadia. Afeições fortes por Deus, arraigadas na verdade, são ossos e medula da adoração bíblica".
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"Aquele que orou bem, estudou bem"
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- Lutero-
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Daniel Grubba *** Via Soli Deo Glória

"Notas para uma Leitura de Paulo"

Se Jesus nos ensinou a sermos homens para nos tornarmos filhos de Deus, Paulo nos ensinou a fazer uma ampla releitura da cultura e da história de modo a salientar a abrangência, a singularidade e a relevância do evento messiânico. Do mesmo modo que Paulo achou necessário empreender uma reinterpretação radical do judaísmo a fim de destacar (sem esgotá-los) os significados da obra de Jesus, devemos com o mesmo propósito sujeitar a uma reinterpretação radical o cristianismo e portanto nossa própria cultura. Nesse sentido são inteiramente válidas as críticas “pós-modernas” à história do cristianismo e a uma leitura tradicional ou condicionada do texto bíblico, mesmo quando o alvo dessas críticas é o caráter historicamente condicionado do próprio Paulo.[...]
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Continuar a LER AQUI no Blogue Bacia das Almas

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

UM PRÓDIGO EPIDIANO

"Pequenina, mas insistente, como uma mosca –parafraseando o início de um conto de Albert Camus-, voando num espaço fechado, mantinha-se ainda a imagem do pai na mente do Pródigo.

Um rosto onde a alegria do sol resvalava nas rugas, fatigado e triste, um corpo curvado, avançando a custo, debilmente com a luz da manhã, parecendo querer alcançar o filho que partia. Quando acordou, no dia seguinte, o Pródigo pensou nisso, mas o sol da nova cidade a detalhar a sua sombra na rua desconhecida, mas fervente de uma vida livre, cosmopolita, há muito desejada, fê-lo esquecer o pai e pensar no que haveria de fazer com o dinheiro da herança. Era assim que começaria um conto sobre o Filho Pródigo, não fosse o caso de pretender tão-só pensar no peso que os bens da herança exerceram sobre o jovem e o influenciaram a deixar a casa paterna.

Do ponto de vista social, neste caso parece que o filho mais novo recebeu apenas dinheiro ou bens móveis. Era o que poderia reclamar o filho por lei, ao atingir a maturidade, quer entre os antigos romanos e os sírio-fenícios, como um costume, seguido também pelos judeus.

À parte a teologia evangélica da parábola do Pródigo, para a altura em que Jesus Cristo a contou, e depois a exegese sob o prisma da sotereologia (a doutrina da Salvação), seria uma parábola com um cunho de incontornável modernidade.

Jamais nas relações patriarcais semitas, um filho deveria ter tomado uma decisão tal de afrontamento ao pai, ao patriarca da família, exceptuando aqui, por exemplo, a história de Absalão e David.

Neste aspecto é uma história de ideias. Um filho que tomou uma atitude, por assim dizer, que ficaria entre o Édipo, que lhe era muito anterior, e Freud que viria quase vinte séculos depois.

As rupturas com o progenitor -sobretudo na segunda infância- são do foro do Édipo. Do mal-entendido que Sófocles criou, partindo da lenda, e não da figura mitológica que decifra o enigma lançado pela Esfinge. Como sabemos, na psicanalise é hoje um complexo, o complexo de Édipo. O sentimento que temos perante a atitude do Pródigo é do completo desejo da ausência do pai, embora não da punção criminosa contra o progenitor, como é óbvio.

Não foi esse o objectivo da parábola, nada se nos revela antes do subconsciente, menos ainda do inconsciente do filho pródigo, quanto às razões contra o velho e bondoso Pai. Jesus quer colocar ali a situação universal do homem-criatura de Deus que se revolta contra o Criador. Mas, na verdade, o jovem pródigo «rebela-se» contra o pai, porque este representa os limites, a educação patriarcal, a obediência, as regras e os valores do Lar. O jovem tem uma errada ideia de liberdade. «E, poucos dias depois, o filho mais novo,ajuntando tudo, partiu» (Lc,15,13)

E a ausência do pai proporciona-lhe a realização dessa ideia de ser livre. Em casa, o desfructe da herança, digamos do dinheiro, estava marcado ainda pela presença do pai, na sua consciência representava limitações. Podia usar os bens herdados, mas não o livre arbítrio, a liberdade plena para os gastar. Os olhos do pai estavam em todo o lado, na percepção do filho. Por essa razão partiu.

Era preciso criar um abismo, e o filho pródigo fê-lo, moral e fisicamente. Não vejamos nisso nenhum desespêro sentimental, a comandar esse sentimento de fuga, havia o aspecto utilitário - o como poder gastar o dinheiro, sem embaraços morais. Havia também aqui o que a filosofia designaria por necessidade, isto é, o que deveria ser diferente para a rotina do Pródigo. «Partiu... para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente» (Lc, 15, idem ). Ao invés do irmão mais velho, que sempre serviu o pai, «sem nunca transgredir» (Lc,15,29).

Roland Barthes, filósofo da linguagem francês, escreve sobre as crianças des-socializadas pela pobreza; assim, apreciado a esta luz moderna, o filho pródigo desfamiliarizou-se, todavia ao contrário, pela riqueza, como tantos jovens do nosso tempo, submetidos ao relativismo moral, hedonismo e materialismo."

Por João Tomaz Parreira In Blogue "Papéis na Gaveta"