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domingo, 5 de fevereiro de 2012

O Homem não é simples Besta de Carga...

Não esperava voltar aos feriados. Se volto, é por causa da troika e do debate que se gerou. Não creio que o atraso nacional se deva propriamente aos feriados ou que seja a sua supressão que nos vai fazer dar um salto em frente. As razões do atraso - a ordem é arbitrária - são mais fundas: sem negar manchas felizes de excelência, uma educação coxa; falta de produtividade; não temos uma cultura do trabalho - a religião também influenciou; uma industrialização atrasada; o velho encosto ao Estado protector, que engordou desmesuradamente; incompetência na governação; assimetrias sociais gritantes; a corrupção e a aldrabice atávicas - não apareceram agora, por causa do fisco, mais de cem mil filhos inexistentes, e, nos centros de saúde, dois milhões de utentes-fantasmas?; excesso de administradores nas empresas públicas, com privilégios e prémios imerecidos; justiça lenta e sentida como desigual; desemprego galopante; uma multidão ondulante pendurada da política e dos partidos; cumplicidades entre a política e interesses privados... Quando se lê o estudo recente "A Qualidade da Democracia em Portugal: a Perspectiva dos Cidadãos", há razões sérias para preocupação.
Mas compreendo até certo ponto o projecto em curso, sobretudo porque há a tendência para as "pontes" e todo o problema dos gastos por causa da produção em cadeia.
Claro que o homem precisa de trabalhar. Essa é mesmo uma das suas características: é transformando o mundo que se humaniza. E esta relação com o mundo é mais do que uma relação de trabalho para a produção de bens para a subsistência, porque o trabalho é também realização própria, social e histórica, já que é construindo o mundo que a humanidade ergue a sua história de fazer-se. Cá está: o desemprego não é então dramático apenas por colocar em risco a subsistência, mas também a realização de si e o reconhecimento devido ao facto de contribuição na obra comum. Portugal precisa de responsabilidade no trabalho, de boa gestão, de educação e formação excelentes, de iniciativa e empreendimento, justiça social, estímulos salariais.
Mas o ser humano não se define apenas pelo trabalho. A sua relação com o mundo e com os outros é também de gáudio, de gratidão, de criação, de contemplação da beleza. O seu ser não se esgota na produção: destrói-se a si próprio, quando vive para sobreviver. Pelo contrário, sobrevive para viver, e viver tem em si a sua finalidade, e, nesse viver, estão presentes e gozosos a festividade, o "luxo", o gratuito, a alegria genuína e expansiva de ser, o inútil do ponto de vista da produção - "o fascinante esplendor do inútil", escreveu George Steiner.
Feriado quer dizer, atendendo ao étimo, precisamente dia festivo. Vale em si mesmo e por si mesmo. Tem a sua finalidade em si próprio e não é meio para outra coisa, concretamente para que os trabalhadores recuperem forças para poderem trabalhar outra vez e mais. É da natureza do feriado ser um acontecimento não programado: é um "luxo", uma "graça" inesperada. Para haver tempo para a família e o homem lembrar-se de que é criador festivo e não simples besta de carga.
Dimensão essencial do feriado é também a comemoração de um acontecimento importante, constituinte da identidade de um povo. Lá está a memória, a história e a simbólica.[...]


Anselmo Borges in Diário de Notícias Online

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tempo é Tempo. Dinheiro é Dinheiro


Tempo é tempo; dinheiro é dinheiroFaz sentido guardar dinheiro para um futuro mais tranquilo, mas guardar tempo é impossível. Repense como você utiliza seu tempo.

Tempo é dinheiro. Quantas vezes já ouvimos isso? E quantas vezes acreditamos em tal afirmação? Ultimamente, estou em uma fase do tipo “sem tempo para nada”: a caixa de entrada de e-mails virou uma avalanche de ansiedade, não consigo falar com todos que quero e nem dar retorno como gostaria. Há ainda os telefonemas, as chamadas pelo Facebook, as mensagens por Twitter...

Tamanho excesso de atividades me fez pensar um pouco mais sobre o tempo. Em primeiro lugar, deixemos claro: acreditar que tempo é dinheiro é uma baboseira que só serve para manter a insanidade da relação humana com o passar do dito cujo. Aceitar que tempo é dinheiro implica reconhecer no tempo as mesmas características do dinheiro e trazer para sua utilização as mesmas culpas judaico-cristãs no trato com o chamado vil metal. A sociedade moderna considera que o gasto do dinheiro tem de ser excessivamente ponderado – então, seu desperdício deve ser sumariamente condenado. Se tempo é dinheiro, o mesmo seria verdade com o gasto do tempo. No entanto, existe uma grande diferença entre os dois.

O dinheiro pode ser armazenado, e podemos controlar seu fluxo. Já o tempo é um fluir contínuo e incontrolável – ele será gasto, quer queiramos ou não. Se aceitarmos que tempo é dinheiro, a simples decisão equivocada de optar por uma rota com mais trânsito nos traria uma ansiedade insuportável, pois então estaríamos perdendo uns trocados enquanto parados no engarrafamento. A escolha de um projeto, curso ou atividade que não dê grandes retornos, então, seria o mesmo que torrar uma pequena fortuna. Mas temos de nos lembrar que o tempo não teria parado de acordo com nossas escolhas mais acertadas: ele teria passado de qualquer jeito e, de uma forma ou outra, teríamos de usá-lo para alguma coisa. Além disso, aprendemos com as nossas experiências. Utilizar o tempo em algo que não dê o resultado que esperamos é bem diferente que empregar dinheiro em algo errado ou inútil.

Outro ponto a se considerar é que, se tempo é dinheiro, faz todo o sentido guardarmos tempo para o futuro. Ou seja, deveríamos fazer uma previdência privada de tempo, deixando de utilizá-lo agora para dispor dele no futuro. Só que , como tempo não é dinheiro e nem pode ser armazenado, essa poupança é inteiramente inútil . Mesmo assim, quantas pessoas deixam as férias sempre para depois? E aquela viagem dos sonhos? “Ah! Quando eu me aposentar”, respondem alguns. E por que não reduzir o ritmo absurdo de trabalho? “Ah, porque temos de aproveitar o momento”, diriam outros.

Nada mais néscio, para usar uma linguagem bíblica. Em primeiro lugar, há o risco de morrermos sem termos conseguido nos aposentar. Porém, mesmo que alcancemos a velhice, talvez já não tenhamos condições físicas para executar os projetos tantas vezes postergados. Mais uma vez, temos de lembrar que o tempo flui como um rio; não há como armazená-lo para uso posterior. Então, por que não empreender agora mesmo a viagem sonhada ou começar imediatamente aquele curso que tanto queremos fazer? Faz sentido guardar dinheiro para um futuro mais tranquilo, mas guardar tempo é impossível.

Finalmente, vale lembrar que tempo e dinheiro são tão diferentes que as pessoas com mais tempo são justamente aquelas mais pobres, e os mais ricos são os que menos têm tempo. Se tempo fosse dinheiro e vice-versa, mendigos e desempregados não hesitariam em trocar tempo por dinheiro, enquanto altos executivos, milionários e líderes mundiais não pensariam duas vezes para comprar tempo.

Sim, o tempo é uma riqueza, dada por Deus em quantidades individuais a cada um de nós. Mas ele não pode ser vendido ou comprado. Portanto, repense como você utiliza seu tempo e deixe de acreditar que ele é dinheiro. E não se sinta culpado pelos momentos em que você não faz nada. Você não está jogando dinheiro fora; apenas usando o seu tempo de uma forma que lhe agrada e lhe dá prazer. E mesmo aquele tempo aparentemente perdido no trânsito, na internet lenta ou atendendo a operadora de telemarketing não é dinheiro jogado fora. É tempo que poderia ser usado para outras coisas, é verdade; mas procure usar este tempo para refletir e pensar em vez de apenas ficar irritado com a fictícia perda financeira porque tempo seria dinheiro. Como disse um dos maiores poetas brasileiros, “o tempo não para”. E tomarmos consciência disto é uma grande libertação.

 
Fonte: Carlos Carrenho in Cristianismo Hoje

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Estarão os Dez Mandamentos Ultrapassados ?



... A revista alemã Stern publicou um dossier subordinado à pergunta: "Os dez mandamentos estão ultrapassados ?" . Significativamente, políticos como o actual ministro federal das finanças, Wofgang Schäuble, realizadores como Wim Wenders, filósofos como Peter Sloterdijk, declararam que eles continuam vivos e actuais. De facto, quem negará a actualidade e preceitos como  "Não farás imagens de Deus" [...], "Não matarás", "Não cometerás adultério", "Amarás os filhos e respeitarás os pais", "Não roubarás", "Não viverás à custa dos outros",  "Serás justo com todos", [...].

Referindo-se-lhes como um compêndio da sabedoria humana, acumulada ao longo de séculos, o grande escritor Thomas Mann disse que eles são "manifestação fundamental e rocha da decência humana", "o ABC da conduta humana".


Anselmo Borges in  "Deus e o sentido da existência", pág. 65, Gradiva, 2011

sábado, 14 de janeiro de 2012

Secularização e Destino da Europa



...Václav Havel, um dos europeus mais lúcidos do século XX, preveniu: "Pela primeira vez na História, assistimos ao desenvolvimento de uma civilização deliberadamente ateia. Deve alarmar-nos". "A transcendência é a única alternativa à extinção." E o agnóstico M. Gauchet disse: "O que ameaça a democracia, hoje, é o vazio, a futilidade, o esquecimento, a facilidade, o curto prazo, a superficialidade. As religiões, e o cristianismo em particular, têm o sentido do essencial, do trágico, do mistério da aventura humana, coisas que a democracia facilmente ignora. Elas podem ser decisivas para a democracia."[...]


Anselmo Borges in Diário de Notícias Online

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Suposta Carta de Abraham Lincoln ao Professor do seu Filho




Caro professor,

Ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que para cada vilão há um herói, que para cada egoísta há também um líder dedicado; ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo; ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada; ensine-o a perder, mas também a saber gozar a vitória; afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso; faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa; ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho; ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só, contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço; deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.


sábado, 7 de janeiro de 2012

Ninguém pode Servir a dois senhores...


...O problema reside, como explicou indirectamente J. M. Keynes, na sua Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, na segurança. Os seres humanos têm medo do futuro e precisam de assegurá-lo. Tradicionalmente, essa missão estava confiada à religião. Agora, a segurança vem do dinheiro. De facto, o dinheiro abre todas as portas e compra tudo. Dá prestígio e é aquele meio que dá acesso a todos os meios - no limite, asseguraria a própria imortalidade. Ele é omnipotente como um Deus.

Por isso, González Faus diz que a legenda das notas de dólar (in God we trust) significa na realidade: in "this" God we trust ("neste" Deus, o Dinheiro, confiamos). Mas, de facto, o que deveria trazer-nos segurança trouxe-nos, como se vê, no quadro de um neoliberalismo à solta, uma insegurança global, que pode levar ao desastre.

Anselmo Borges in Diário de Notícias Online

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"Nele Vivemos, e nos Movemos, e Existimos" - da Bíblia



O ar do tempo acha que é completamente independente do cristianismo. O ar do tempo está errado. Mesmo que não acredite no mistério pascal (como eu o percebo), mesmo que não seja um cristão de fé, o cidadão ali da rua é um cristão cultural, educado numa cultura de direitos que só cresceu na civilização judaico-cristã. Tal como defende Nicholas Wolterstorff, os tais "direitos inalienáveis" (a base ética e constitucional das nossas vidinhas) têm uma raiz bíblica . Por outras palavras, o Direito Natural precisa de uma base religiosa, precisa de uma comunicação com a transcendência divina. Porquê? A resposta não é simples, mas aqui vai: sem uma noção de transcendência, sem algo que nos liberte da prisão do aqui-e-agora, o poder político fica com as portas abertas para limitar os direitos inalienáveis dos indivíduos. Não por acaso, os regimes totalitários do século XX anularam por completo qualquer noção de transcendência, destruíram qualquer noção ética com origem em algo exterior à lei positiva determinada pelo chefão. O fascismo e o comunismo foram tiranias da imanência.

Muitos autores contemporâneos, como Alain Dershowitz, defendem um conceito de Direito Natural secular, sem qualquer apelo a Deus. Mas isso é o mesmo que ser do Benfica e gostar do Pinto da Costa ao mesmo tempo . Um Direito Natural completamente secularizado é uma contradição em termos, porque não tem uma gota de transcendência. Quando dizemos que cada indivíduo tem direitos inalienáveis que nenhum poder terreno pode pôr em causa, quando dizemos que cada pessoa tem direitos inalienáveis que nenhum direito positivo pode rasgar, estamos - na verdade - a dar um salto de fé em direcção a uma concepção de amor ao próximo, um concepção de amor que transcende a imanência da lei, da cultura e do nosso próprio corpo (i.e., Deus).

Portanto, convém perceber que a ideia de direitos inalienáveis não foi inventada de raiz pelo pensamento iluminista do século XVIII ou pelo optimismo científico e individualista do século XIX. Esta ideia já fazia parte do património bíblico. Neste sentido, a tese de Wolterstorff não é descabida: sem esta raiz cristã, a nossa cultura de direitos não teria sido desenvolvida. Os críticos desta tese poderão invocar Kant para a defesa de um Direito Natural absolutamente secular, mas ficarão sempre expostos a um ataque óbvio: Kant cresceu numa cultura cristã e não noutra qualquer; Kant não apareceu no paganismo indiano ou chinês. Não por acaso, Nietzsche dizia que Kant era um cristão manhoso, um cristão que inventou uma teoria secular de direitos apenas para fugir da questão de Deus e da fé.

Moral da história? Durante muito tempo, pensei que Kant chegava para as despesas do Direito Natural. Mas não chega.



Por Henrique Raposo in Expresso Online

sábado, 24 de dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mas afinal o que Fala esta gente com Alá quando Ora ?




Mais de 2500 polícias vão proteger as igrejas cristãs no Paquistão no fim de semana de Natal para impedir ataques de radicais islamitas.

Asia Bibi, acusada de blasfémia, é cristã e está presa apenas por ter ousado beber água do mesmo poço do que outras mulheres muçulmanas
As cerca de 430 igrejas cristãs existentes no Paquistão vão estar sujeitas a especiais medidas de seguranças no próximo fim de semana, que coincide com o período do Natal, para evitar ataques contra esta minoria, visada com regularidade pelos radicais fundamentalistas muçulmanos. 
"Vamos colocar cerca de 2500 polícias, entre os quais atiradores de elite, para os proteger no Natal", anunciou um porta-voz da polícia de Lahore, onde se concentra a maioria dos cristãos e dos seus lugares de culto. 
Estes representam apenas 3% da população paquistanesa.  
"Foram consideradas prioritárias 38 igrejas, das quais 20 onde os estrangeiros costumam assistir à missa de Natal". 
Quase cinco mil pessoas foram mortas em ataques de grupos fundamentalistas desde Julho de 2007, um quarto das vítimas são cristãos. 
Os cristãos são particularmente discriminados no Paquistão, como o prova o caso de Asia Bibi, uma mãe de família condenada à morte e actualmente na prisão por, alegadamente, ter insultado Maomé. 
O estado de Asia Bibi inspira, aliás, grande preocupação a ONG que defendem os direitos dos cristãos paquistaneses. Asia Bibi, de 46 anos, "está física e mentalmente muito debilitada", referiu um elemento que a visitou na prisão onde se encontra, no Penjabe.  
"Parecia muito nervosa, chorava e ria. Não conseguia fixar o olhar", disse um membro da Fundação Masihi. A cristã paquistanesa aguarda a decisão sobre um recurso no tribunal superior de Lahore. 
Um ministro cristão e uma outra figura política que falaram a favor de Asia Bibi foram assassinados no início de 2011. 
A jornalista francesa Anne Isabelle Tollet conta em co-autoria com Bibi a história da cristã paquistanesa no livro "Blasfémia", o qual esteve a promover recentemente em Portugal.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Os Objectivos da nossa Fé num Mundo em Crise



Vivemos tempos de desafio para toda a gente mas em particular para os cristãos. O momento, para estes, não é de continuar a proclamar apenas um "evangelho de púlpito" ou mesmo propagandístico no sentido do proselitismo. As igrejas, os cristãos, os responsáveis não podem continuar de costas voltadas para as comunidades que os cercam ao mesmo tempo que vão brincando à "caridadezinha". Estar centrado sobre o seu próprio umbigo, numa mera atitude narcísica, é quase um "crime" face às necessidades e problemas sociais que  começam a levantar-se com grande violência mercê da própria crise mas também das  medidas governativas que se focam essencialmente sobre os mais castigados e frágeis.                               

Bem sei que podemos pegar em alguns versículos bíblicos e descontextualizá-los no sentido de justificar a falta de visão cristã para com os que nos cercam e que precisam de ajuda. Mas não é possível continuar a ilusão;  inaugurar gabinetes ditos de apoio social,  e meter lá pessoas a ouvir os pobres,  até pode encher o ego de muitos dirigentes e igrejas mas não passa de auto-justicação para o absentismo continuado, durante décadas, na opção por acções e atitudes credíveis e honestas. Para além do mais, os gabinetes, se dão algum conforto, é a quem lá está instalado comodamente no ar condicionado ou aquecimento; não resolvem problema nenhum.
                                                                                                                         
Durante muitos e muitos anos, os cristãos evangélicos estiveram apenas centrados em si próprios e a tentar obter alguma atenção da  sociedade envolvente no sentido de fazerem  passar a mensagem de que também são uma força viva dessa sociedade, mas na verdade isso não teve quaisquer resultados práticos  para além de acariciar o amor-próprio de alguns responsáveis que sobem aos palanques. Mais do que agitar bandeiras, importa agir. É quando agimos em Cristo e por Cristo que mostramos a dimensão e relevância  da nossa fé que se traduz no alcance e sublimação do sofrimento do nosso próximo, é isso que dá lastro às nossas acções, à nossa vida, à nossa missão. O mérito da igreja e dos cristãos está no serviço, não no ganhar  medalhas ou diplomas de reconhecimento, numa parte significativa das vezes completamente imerecido.  Um dos mais importantes papéis da igreja,  hoje, está em alcançar os que sofrem, não apenas na sua dimensão espiritual mas também, cada vez mais, na sua dimensão humana. Significativo não é dizer a um esfomeado que Cristo salva se, naquele momento, ele apenas está focado no facto de não ter nada para comer ou sequer onde dormir na noite fria que se aproxima.

Os cristãos, e em particular os evangélicos, deverão reconfigurar as suas preocupações e prioridades. Talvez menos exercício de auto-contemplação pela beleza das suas posições doutrinárias e mais olhar para os que sofrem. É inacreditável e inaceitável que, por exemplo, existam igrejas ditas cristãs evangélicas, que até há poucos anos nem sequer eram conhecidas, literalmente,  nas comunidades envolventes, pese embora décadas de presença, e mesmo assim continuem agora apenas preocupadas com o impacto sociológico  da sua imagem institucional. Não fazem falta igrejas destas, não passam de associações ou agrupamentos de cidadãos, pouco esclarecidos, aliás,  sobre os objectivos da fé que, dizem, os inspira, e menos ainda sobre as responsabilidades que um cristão, um homem ou mulher de Deus, carrega sobre os seus ombros. Associações destas já há muitas e não é por serem apenas religiosas ou com logotipo de igreja que devem ser preservadas. Confesso que ainda hoje me interrogo sobre as motivações de quem as defende e frequenta, ou melhor,  que tipo de "cristianismo" as move. O Amor de Deus   não busca apenas o que  é propriamente seu ou, como dizia Paulo:  Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.


Jacinto Lourenço

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

5 de Dezembro de 1496



Neste dia, o rei D. Manuel assinou o decreto de expulsão dos judeus e mouros do território português, concedendo-lhes o prazo até 31 de Outubro de 1497, para deixar Portugal.

Sobretudo aos judeus, o rei permitiu duas escolhas, a conversão por meio do baptismo, ou o desterro.

Desde essa fatídica data, o nosso país nunca mais voltou a ser o mesmo.

 
 
Fonte: Por Terras de Sefarad

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Há Justiça nesta Greve ?


Quero desde já fazer aqui uma declaração de intenções ( parece que  agora  está na moda fazê-lo...): não me reconheço nem me interpreto especialmente em nenhuma linha político-partidária do actual espectro  português, mas isso não significa que seja apolítico ou mesmo  não seja capaz de analisar a situação que está criada em Portugal, em particular para a classe média e para as classes mais desfavorecidas da população.

Hoje dei uma volta pelo FB e,  ao fazê-lo,  encontrei  expostas algumas ideias "peregrinas" de  amigos virtuais que se pronunciaram contra a Greve Geral: uns porque é uma "greve política", outros porque é uma greve "anti-democrática", etc, etc. Talvez fosse bom lembrar que muita da legislação que está hoje inscrita no código de trabalho, traduzida em  direitos  inalienáveis dos trabalhadores,  só existe porque tais direitos foram conseguidos após muita luta e algumas greves dos trabalhadores em geral e, o mais interessante, é que aqueles que se pronunciam contra esta Greve Geral são usufrutários desses direitos conseguidos por trabalhadores que anteriormente se expuseram,  por vezes com risco até da própria vida ou mesmo perdendo-a sob as balas disparadas por regimes totalitários como o que vigorou em Portugal até ao 25 de Abril.. Só para lembrar os mais esquecidos que pouquíssimos  anos antes de Abril de 1974, ainda vigorava no país o regime horário de trabalho de sol a sol,  sendo   a luta dos trabalhadores, especialmente os rurais, que conseguiu impor a jornada de trabalho de oito horas diárias. Ouve repressão dura, ouve tortura, houve mortes até. Admito que   muitos dos que se afirmam hoje contra esta greve tenham a memória curta ou não conheçam nada da história recente do seu país ou então que tenham vivido à sombra do conforto de benesses vedadas à população em geral e às classes trabalhadoras em particular...

A greve de hoje colhe o apoio de duas centrais sindicais que reunem à sua volta muitos sindicatos controlados por diferentes tendências políticas e nomeadamente  das cores partidárias que estão no governo e que são maioria na Assembleia da República. Não colhe, por isso,  o argumento de que esta greve é política. 

Das muitas greves que já se fizeram em Portugal, talvez nenhuma como esta seja tão justa e óbvia, particularmente quando se constata que todas as medidas governamentais têm como único objectivo empobrecer mais aqueles que ou já eram pobres ou  já viviam com um orçamento demasiado apertado para fazer face à sua vida.  Declaradamente o programa do governo só tem um ponto: empobrecimento. Não se vislumbra nenhuma ideia que devolva aos portugueses, pelo menos, alguma esperança de que no final deste ciclo infernal o país possa encontrar uma linha de rumo que o leve para o crescimento e desenvolvimento mais sustentados.

Nunca  como até agora se ouviu um coro de vozes, provenientes de todas as áreas políticas e sociais, nomeadamente da área das cores do governo e mesmo da igreja católica, chamar a atenção  para o facto de que este não é o caminho, ou melhor, este é o caminho do abismo.

Os portugueses estão a ser esmagados por políticas altamente injustas que só apontam numa direcção: a classe média e os mais pobres. É por isso que esta greve se afigura aos olhos de quem tem um mínimo de capacidade de observação como justíssima.

Sou cristão e, como cristão, procuro observar a vida e o que a rodeia com olhos de quem sabe observar e destrinçar o que é e o que não é justo. Como cristão foi assim que aprendi e é assim que me tenho conduzido. E, por isso,  também não me posso limitar  a ser um observador apático das condições de vida dos meus irmãos e dos meus concidadãos que sofrem os desmandos deste capitalismo selvagem que nos devora e que escolhe os "seus" governantes ditando-lhes as ordens que estes cumprem  escrupulosamente ignorando o mais importante: o seu povo, a sua nação, o seu país.


Jacinto Lourenço

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Mundo em que Vivemos


Não passaram muitos anos ainda, mas já lá irão quase 40. Nessa altura lembro-me das discussões que nós, jovens cristãos, tínhamos sobre a forma como o mundo evoluia e quais os desfechos que o mesmo poderia ter à luz das ideias escatológicas e interpretações que então se faziam sobre o Livro de Apocalipse e as suas projecções futuristas. Lembro também que, nesses anos, a União Europeia ainda se chamava Mercado Comum e, à luz da Bíblia, imaginávamos então, este  erguer-se-ia como o novo império romano que iria dominar o mundo. As nossas certezas iam sendo desmontadas dia após dia, ano após ano, com a evolução mais ou menos célere dos acontecimentos à volta desta nova europa que surgia e só os nossos verdes anos e grande voluntarismo bíblico desculpavam a bondade das convicções muito avant-garde para a época. 

Os anos sucederam-se, as projecções político-escatológicas das nossas discussões juvenis esboroaram-se ao mesmo ritmo que se esborova a realidade de uma igreja que se negou sempre a acompanhar os tempos e adaptar-se a novas contingências sociais. O Mercado Comum cresceu, em termos de membros, mais do que alguma vez a nossa imaginação poderia supor. Transformou-se na União Europeia que conhecemos hoje. Não sabemos como vai continuar a evoluir, seja lá isso da evolução  o que for. Aquilo que nos parece é que esta ideia de Europa, acabou, e nada a poderá já redimir. O que virá a seguir ? Não sei. O que sei é que se o governo grego concretizar o anunciado referendo esta dita União Europeia vai desmantelar-se como se de um castelo de cartas se tratasse. E porquê ? Porque esta UE já não assenta na soberania dos povos; já não radica o seu poder na democracia mas antes em poderes ocultos que não querem nem podem ser escrutinados. E os governos europeus têm pavor do voto popular, especialmente se este não servir os seus interesses. É por isso que o anúncio do primeiro-ministro grego teve o efeito de uma tempestade espalhando o terror no mundo e particularmente na europa.  O que se seguirá ? Também não sei. Mas sei o que diz a Bíblia quando ao fim dos tempos e acredito que, cada vez mais, o mundo se reaproxima da matriz bíblica e do cumprimento do plano de Deus, mesmo que esse caminho esteja a ser feito  inconscientemente.

Apocalipse 5:1 Vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, bem selado com sete selos.
2 Vi também um anjo forte, clamando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de romper os seus selos?
3 E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.
4 E eu chorava muito, porque não fora achado ninguém digno de abrir o livro nem de olhar para ele.
5 E disse-me um dentre os anciãos: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e romper os sete selos.



Jacinto Lourenço

   

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Irão e a Idade das Trevas...



Youcef Nadarkhani, 34 anos, casado e pai de dois filhos, está preso há dois anos e é o primeiro cristão condenado à morte no Irão, nos últimos vinte anos, sendo possível que venha a ser executado.  Desde Washington até Berlim, passando por Londres e Paris, os governos ocidentais e as comunidades cristãs têm-se mobilizado para o salvar. [...]

Os problemas de Nadarkhani começaram em Outubro de 2009, quando o governo iraniano decretou que todos os alunos matriculados numa escola deveriam assistir a aulas de corão  independentemente da sua religião. Nadarkhani, que  trabalha desde 2001 como pastor evangélico na área de Gilan, a 250 quilómetros de Teerão, onde fundou uma pequena comunidade cristã designada "Igreja do Irão", não aceitou a decisão do governo tendo-se dirigido ao colégio de Rasht para retirar os seus dois filho, Daniel e Joel,  que ali  estavam matriculados. Alegou que a constituição Iraniana reconhece a liberdade de culto para as religiões do livro, entre as quais se conta o cristianismo, e que  os seus filhos não estavam por isso obrigados a aprender o corão.[...]

 
Ler todo o artigo aqui, em Castelhano, no jornal El País


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Perigoso Paradigma Monetarista


Vivemos num mundo em plena agitação motivada pelas incertezas económicas e sociais. Em Portugal,  nem mesmo a seguir ao 25 de Abril ( a Revolução dos Cravos, lembram-se...? ), senti tanta incerteza e dúvidas nas pessoas como no tempo presente. Pelo menos, nos momentos a seguir a Abril de 1974, as pessoas tinham consciência de que tinham chegado a um momento e a um desiderato pelo qual tinham aspirado durante décadas: Liberdade. Talvez por isso, sabiam o que queriam, para onde queriam ir e qual o seu objectivo: uma sociedade democrática  mais livre e justa, mesmo se só sabiam o que era isso através de exemplos que imaginavam ou conheciam de além-fronteiras.

Hoje sabemos que a liberdade é afinal um valor que só faz verdadeiramente sentido quando vem acompanhado de Paz, Justiça social e desenvolvimento cultural e humano.

No outro dia ouvia um político, que enquadrou os primeiros governos de direita, a seguir ao 25 de Abril, dizer na televisão que a única coisa que se aproveitou  dessa data e desse acontecimento de ruptura e de mudança de paradigma no país foi a Liberdade, como se ele não tivesse também ajudado à "festa"... Pensei que o melhor seria perguntar aos líderes políticos sucessivos o que fizeram afinal do resto que a Revolução dos Cravos prometera. A resposta, vinda deles, seria decididamente complexa e provavelmente perder-se-iam em explicações metafísicas ou filosóficas hegelianas antes de a encontrar. Mas nós, o povo, sabemos muito bem o que aconteceu com aquilo que Abril prometeu: Falhaço total da sociedade portuguesa em chegar aos objectivos enunciados. Culpa de quem ? De todos, mas principalmente daqueles que sucessivamente ocuparam o poder, da esquerda à direita. É que para atingir os objectivos, é preciso trabalhar, lutar e sofrer por eles, não basta enunciá-los ou gritá-los em campanha eleitoral e muito menos torpedeá-los quando se chega a governar. 

Não vou escalpelizar o semi-falhanço de Abril em Portugal quanto ao aproveitamento de uma ocasião única para mudar de vida. Tenho uma opinião sobre isso, mas não vou entrar agora por aí. O que gostaria de deixar feita era essa comparação: mesmo falhando, em Abril Portugal e os portugueses sabiam para onde queriam ir. Podiam pedir-lhes sacrifícios que eles seriam mais bem aceites e compreendidos, até com alguma naturalidade.  Mas hoje, quando nos pedem sacrifícios a compreensão para os mesmos é de difícil entendimento  já que ninguém sabe para o que servem nem onde nos conduzirão, nem mesmo aqueles que os pedem. Não há paradigma e, se há, é o do capital, o da submissão ao capitalismo e ao enriquecimento, ainda maior, de quem o representa. E a isto, governos ditos de esquerda e de direita, à vez, parecem submeter-se mesmo não sabendo onde essa submissão os leva. Será que ao menos se vai salvar a Liberdade ? Pessoalmente não tenho a certeza. Que liberdade pode haver quando há uma sumissão e uma escravização das pessoas em relação a quem as governa e que, no caso presente, é o dinheiro ?! Difícil é descobrir um caminho de justiça social num registo global em que o dinheiro e a economia monetarista comandam a vida dos homens. Talvez por isso, Paulo alertava Timóteo para os riscos implícitos no dinheiro e procurava que ele estivesse atento e alertasse o povo de que, acima do dinheiro, há outros valores de muito maior relevância na vida das pessoas: Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se trespassaram a si mesmos com muitas dores.


Jacinto Lourenço 

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Verdade que Liberta


Tenho-me mantido um pouco refractário relativamente à escrita, que é para mim assim como algo do género "fada madrinha", isto é: quando escrevo, melhor dizendo, quando tenho inspiração para escrever, o que nem sempre acontece, a escrita só me faz bem, como qualquer "fada madrinha", enche-me de contentamento e felicidade.

Hoje queria escrever algo que não fosse um lugar-comum, ou que estivesse longe de qualquer trivialidade ou banalidade, o que desde logo afasta os temas que dominam estes últimos dias: "crise", níveis de endividamento dos U.S.A, agências de rating, Grécia, Portugal, etc. Não quero igualmente escrever sobre o odioso acto de terrorismo na Noruega, não porque não tenha posição sobre tão hedionda matéria, bem pelo contrário, mas porque prefiro manter o meu silêncio respeitoso em memória das vítimas inocentes.

Talvez porque o mundo e os homens me oferecem apenas temas batidos, repetidos e banais,  pavorosos outros,  prefiro lembrar hoje, aqui, algo de que os jornais não falam habitualmente, as televisões não passam, as rádios não soltam no éter e as pessoas não partilham normalmente nas conversas entre si. Falo do amor de Deus, e da verdade que só nEle existe. É por isso que deixo um versículo bíblico, algo escrito na Palavra de Deus, a bíblia Sagrada: "e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." ( João 8:32 ).


Jacinto Lourenço 

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Mistério do Vazio



Perguntas martelam noite e dia: Infantis, por que ainda não deixamos de nadar no útero cósmico? O lago do mistério nunca tem margem? Não se conhece quem pode decifrar o enigma da angústia? A realidade dos sonhos, que expõe o universo do inconsciente, não seria ainda mais real que o mundo estreito da consciência?

Intuímos as respostas, sentados ou correndo. Sabemos que nunca nos acostumaremos com imensidões. A vida, imensurável, permanecerá complexa demais e nosso tempo por aqui, bem curtinho.

Temos medo do vazio. Entupimos os dias com barulhos. Divertimos a alma com lantejoulas falsas. Mas, talvez o imarcescível só caiba no vazio.

O Tao ensina:


Trinta raios unem um eixo,
A utilidade da roda vem do vazio.


Queima-se o barro para fazer o pote.
A utilidade do pote vem do vazio.


Rasgam-se janelas e portas para criar o quarto.
A utilidade do quarto vem do vazio.


Portanto,
Ter leva ao lucro,
Não ter leva ao uso.



Talvez a vida esteja na coragem de conviver com esse vazio, de nada ter senão a nós mesmos. A respostas que tanto procuramos podem não ser respostas, mas o desvencilhar-se de pesos. Viver talvez seja por-se no Caminho. Quem sabe, longe das demandas da competência, sem as vozes da cobrança, consigamos vencer os dragões que impedem de achar o verdadeiro self, essência de nós mesmos.

O Nazareno avisou: “quem quiser ganhar a vida vai perdê-la e quem ousar perder a sua vida vai ganhá-la”. O Espírito enche, mas precisa encontrar vasos vazios. Não seria esse, precisamente esse, o segredo de construir-se humano?



Soli Deo Gloria


Fonte: Ricardo Gondim

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Comunidades Judaicas Portuguesas na Idade Média


( Sinagoga de Belmonte - Portugal )


Desde o fim do Império romano que uma minoria judaica existia no território que depois veio a ser Portugal.

Aquando da fundação da nacionalidade, em 1143, esta minoria já se encontrava disseminada em algumas localidades importantes como Santarém que possuía a mais antiga sinagoga nacional.

A população judaica aumentava, favorecida com a necessidade que os primeiros reis (século XII) sentiam de povoar o território que ia sendo conquistado aos mouros.

Em todos os locais em que o número de judeus superava a dezena, era criada uma comuna ou aljama cujo centro organizacional era a sinagoga. O seu sino chamava os fiéis não só à oração como também para lhes fornecer qualquer informação vinda do rei ou qualquer decisão tomada pelo rabi-mor. A sinagoga era a sede do governo da comuna.

Já no século XIII, D. Afonso II legisla (Ordenações Afonsinas) as relações entre cristãos e judeus pois estas começavam a criar dificuldades à minoria. Quer isto dizer que: os judeus não podiam ter serviçais cristãos sob pena de perda de património; qualquer judeu converso ao cristianismo que retornasse à religião original podia ser condenado à morte; não podiam os judeus ocupar cargos oficiais de modo a que os cristãos não se sentissem prejudicados.

Na época do Rei D. Dinis cada comuna tinha uma ou mais judiarias. Neste tempo, o rabi-mor tinha delegado seus, chamados ouvidores, nos principais centros judaicos do pais: Porto (Região de Entre Douro e Minho); Torre de Moncorvo (Trás-os-Montes); Viseu (Beira); Covilhã (Beira/Serra da Estrela); Santarém (Estremadura); Évora (Alentejo) e Faro (Algarve). Estes ouvidores exerciam verdadeira jurisdição sobre todas as comunidades judaicas nacionais.

A sinagoga era um local tão importante do ponto de vista religioso (como era a igreja para os cristãos) quanto civil; era lugar de assembleia e reunião dos membros da comuna.



Fonte:  Rede de Judiarias de Portugal