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segunda-feira, 23 de julho de 2012

A Destruição do Templo de Jerusalém

                                                                                 
 ( Destruição do Templo de Jerusalém, 1867, Francesco Hayez )

O Primeiro Templo, construído no reinado de Salomão, era o local mais importante do antigo judaísmo. Foi destruído em 586 a. e. c., quando os babilónios comandados pelo rei Nabucodonosor II saquearam e incendiaram Jerusalém. O Segundo Templo foi construído no mesmo sítio do Primeiro Templo e completado em 516 a. e. c. Infelizmente, o Segundo Templo também foi destruído, desta vez durante o cerco romano a Jerusalém, em 70 da e. c. A destruição de ambos os Templos teve lugar na mesma data – o nono dia do mês hebraico de Av – com 656 anos de intervalo. Estes dois acontecimentos tiveram um impacto de tal forma trágico na vida do povo judeu, que os antigos rabinos declararam a destruição dos Templos um Dia de Luto. Esta é a origem de Tisha B’Av – o Nono de Av -, que este ano coincide com o dia 29 de Julho do calendário comum.[...]

Ler Texto integral AQUI no Blogue Eterna Sefarad

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Como a "Santa Inquisição" "Purificava" as Almas dos homens...

Cordões de tropa impediam que o povo invadisse, na praça, o recinto reservado ao auto.
Havia ali, para um lado, afastadas, as pilhas de madeira, rectangulares, com o poste erguido ao centro e um banco e no meio da praça um espaço reservado com o estrado e as tribunas.
Na da esquerda estava o rei, D. João III, piedosamente satisfeito na sua fé, com o espírito duro, mas sincero e forte; estavam a rainha e a corte  e, ao lado do monarca, o condestável com o estoque desembainhado.
Na outra, da direita, levantavam-se o trono e dossel do cardeal D. Henrique, depois rei, e agora infante inquisidor-mor, ladeado pelos membros do tribunal sagrado, nos seus bancos.
A meio do tablado ficava o altar, com frontal preto, banqueta de seda amarela, e um crucifixo ao centro. Em frente, num plinto, erguia-se o estandarte da Inquisição. (...)
E os padecentes, em linhas, ficavam de pé, voltados para o altar, para o púlpito, para o tribunal.

Disse-se missa. O inquisidor-mor, de capa e mitra, apresentou ao rei os Evangelhos, para sobre eles jurar e defender a fé. D. João III e todos, de pé e descobertos, juraram com solenidade sincera. Depois houve sermão e finalmente a leitura das sentenças, começando pelos crimes menores.
A adoração das imagens, questão debatida nos concílios, dava lugar a muitas faltas.
Outros iam ali por terem recusado beijar os santos dos mealheiros, com que os irmãos andavam pelas ruas pedindo esmola.
Outros por irreverências, outros por falta de cumprimento dos preceitos canónicos; muitos por coisa nenhuma; a máxima parte, vítimas de delações pérfidas ou interessadas.
Os relatores iam lendo as sentenças, os condenados gemendo, uns, e outros chorando; outros exultando por se verem soltos do cárcere, livres da tortura, prometendo de si para consigo serem de futuro meticulosamente hipócritas. [...]

Oliveira Martins

quinta-feira, 1 de março de 2012

Fariseus de Hoje


O Novo Testamento mostra que os fariseus eram monotemáticos, tarados, obcecados em relação a um único tema: a possibilidade da transgressão do shabat. Acho que é por aí que identificamos os fariseus modernos. Eles só tem um tema e a partir dele julgam o mundo, os outros e a si mesmo. Adoram brigar e provar que estão certos. São extremamente zelosos, mas não possuem compaixão. No entanto, a maior tragédia do fariseu moderno é que ele tenta nos convencer que é um seguidor de Jesus.

Via Soli Deo Glória

sábado, 28 de maio de 2011

Uma Igreja sem Salvação...



...Não tem salvação uma Igreja voltada para o passado. Mas sobreviverá uma Igreja que "bebe na fonte cristã e se concentra nas tarefas do presente", aberta ao futuro.

Não tem salvação uma Igreja fixada patriarcalmente em imagens estereotipadas da mulher, linguagem exclusivamente masculina, papéis sexuais pré-definidos. Mas sobreviverá uma Igreja de companheirismo, que vincula instituição e carisma e "aceita mulheres em todos os cargos eclesiais".

Não tem salvação uma Igreja vencida pela arrogância institucional, exclusivismo confessional, negação da comunidade. Mas sobreviverá uma Igreja que seja "uma Igreja ecuménica aberta".

Não tem salvação uma Igreja eurocêntrica e que reclama que só ela tem a verdade, no quadro de um imperialismo romano. Mas sobreviverá uma Igreja "universal e tolerante, que respeita uma verdade sempre maior, que, portanto, procura aprender também com as outras religiões e deixa uma adequada autonomia às Igrejas nacionais, regionais e locais. E que, por isso, também é respeitada pelos homens e mulheres, cristãos e não cristãos". "Não abandonei a esperança de que a Igreja sobreviverá" [...] 


Padre Anselmo Borges in Diário de Notícias de 28 de Maio de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Judeus na Extremadura Espanhola



Mérida parece haber sido la principal aljama o barrio judío de esta región, en donde hubo gran número de habitantes hebreos desde tiempo inmemorial. Efectivamente, en la actual capital de Extremadura, la antigua Augusta Emérita, se ha encontrado una inscripción latina del siglo II en la que se lee el nombre de Iustinus de la Flavia Neapolis, la Siquem de la Biblia, que ha sido fundamentalmente catalogado como judío. Otra lápida hallada en esa misma ciudad revela la existencia de judíos en el siglo VI o VII, y luego hay evidencia de que había judíos en esa ciudad y, posiblemente, en muchos otros lugares de la región. Pero después que se destruyeron los muros de la ciudad, el grueso de la población y, entre ellos, los judíos, se trasladaron a la vecina Badajoz.
Consta que hubo judíos en la actual capital extremeña hasta la expulsión de 1492. En el siglo XIII Extremadura cayó en manos de los cristianos, y en los Fueros de Coria (hacia 1210) y de Cáceres (1229), ambos firmados por Alfonso IX de León, se prestaba especial atención a los judíos.
Se sabe que los judíos extremeños se concentraron en las ciudades, y que estaban al amparo de los grandes señores y de las órdenes militares de Santiago y Alcántara, que se crearon para defender del dominio moro esos territorios reconquistados.
En un registro de Sancho IV de 1283 se habla de las juderías de Cáceres, Coria, Alcántara,Valencia deAlcántara, Badajoz, Mérida y Jerez de Badajoz, hoy llamada Jerez de los Caballeros. En el padrón de Huete de 1290 se agregan las localidades de Plasencia, Trujillo y Medellín.[...]



Fonte: Yad be Yad  Via  Por Terras de Sefarad. Ler texto integral em Castelhano  AQUI

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Desaparecimento da Religião

[ Título original do artigo : Desapareceu a Religião ? ]
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De acordo com o que se previa décadas atrás, a religião já deveria estar extinta. Por mais de um século, grandes pensadores profetizaram o despertar de uma nova aurora, onde a ignorância de um período negro, dominado pelo primitivo pensamento religioso, sucumbiria diante de uma nova ordem social totalmente secular e profana. O antropólogo de Cambridge James Frazer (1854-1941) foi um desses "sonhadores" que apostaram no triunfo da ciência. Em sua grande obra de 1890 "O ramo de ouro", o apóstolo do secularismo, previu a humanidade transpondo o estágio mítico-religioso para o científico. Para espanto e desespero de muitos, isso não aconteceu. Nenhum movimento, por mais poderoso e influente que fosse jamais conseguiu erradicar da essência humana o sentimento pelos deuses ou sua intrínseca busca pelo transcendente. Mas há que se reconhecer: hoje a religião já não diz muita coisa. Aos poucos ela foi lançada para fora das discussões públicas, confinou-se numa metafisica ultrapassada, satisfazendo-se solitariamente em sua torre de marfim, sobrecarregada de intermináveis especulações e apregoando uma transcendência absolutamente desconectada (para não dizer inimiga) da imanência. [...]
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Por Daniel Grubba ***Continuar a ler no Blogue Soli Deo Glória

domingo, 6 de junho de 2010

"Ao Mesmo Tempo Religioso e Ateu?"

Como aqui me refiro por vezes a quem se considera ao mesmo tempo religioso e ateu, gostaria de tentar explicar. Podemos apresentar exemplos. É sabido que Einstein tinha profunda veneração pela natureza - uma veneração de tipo religioso -, mas não aceitava Deus como pessoal e criador. Ernst Bloch afirmava que onde há esperança há religião. Segundo a sua concepção da matéria, força divina geradora de tudo, pode esperar-se uma salto "sobrenaturante" da natureza, de tal modo que se dê a reconciliação entre a natureza e o homem, que, no limite, se poderia tornar imortal. Mas afirmava-se ateu, porque não aceitava o Deus bíblico, transcendente, pessoal e criador. Nesta ligação à natureza, força geradora divina impessoal, há traços de religiosidade quase mística, mas, ao mesmo tempo, porque se não acredita no Deus transcendente, pessoal, criador, com quem se tem uma relação pessoal, não se presta culto, não se reza, e, sobretudo, não se espera dele a salvação. Aí está uma religiosidade ateia. Actualmente, um exemplo desta vivência como ateu e religioso é o filósofo A. Comte-Sponville, que se define como "ateu fiel": "ateu, porque não acredito em nenhum Deus nem em nenhum poder sobrenatural; mas fiel, pois me reconheço numa certa história, numa certa tradição, numa certa comunidade, e especialmente nos valores judeo-cristãos (ou greco-judeo-cristãos) que são os nossos", e que, neste sentido, escreveu a obra L'Esprit de l'athéisme. Quando se pergunta: "Acredita em Deus?", deve-se perguntar previamente o que é que se entende por Deus. Assim, Comte-Sponville propõe a seguinte definição: "Entendo por 'Deus' um ser eterno, espiritual e transcendente (ao mesmo tempo exterior e superior à natureza), que teria consciente e voluntariamente criado o universo. Supõe-se que é perfeito e plenamente feliz, omnisciente e omnipotente. É o Ser supremo, criador e incriado (é causa de si), infinitamente bom e justo, de quem tudo depende e que não depende de nada. É o absoluto em acto e em pessoa." É precisamente em relação a este Deus pessoal que A. Comte- -Sponville se confessa ateu. Não podemos saber se Deus existe ou não. Deus não é objecto de saber, se entendermos saber como "o resultado comunicável e controlável de uma demonstração ou de uma experiência". Assim, há quem acredite que há Deus e quem acredite que não há. Comte-Sponville é ateu, não crê, mas sublinhando que não pretende saber que Deus não existe: "Creio que não existe." Se alguém disser que sabe que Deus não existe, "não é em primeiro lugar um ateu, mas um imbecil", do mesmo modo que, se alguém disser que sabe que Deus existe, "é um imbecil que toma a sua fé por um saber". Há razões para crer e razões para não crer. A. Comte-Sponville faz o elenco das razões que o levam a não crer em Deus, sendo uma das principais a existência do mal no mundo. Mas afirma-se espiritual - prefere a expressão espiritualidade a religiosidade, porque a religião está vinculada em princípio a religiões institucionalizadas -, no quadro de um certo tipo de experiência mística, feito de plenitude, silêncio, experiência oceânica, simplicidade, eternidade... Quando falta Deus, há "a plenitude do que é, que não é um Deus, nem um sujeito". Há o Todo, pouco importando os nomes: o ilimitado (Anaximandro), o devir (Heraclito), o ser (Parménides), o Tao (Lao-tsé), a natureza (Lucrécio, Espinosa), o mundo ("o conjunto de tudo o que acontece": Wittgenstein), o real "sem sujeito nem fim" (Althusser), o presente ou o silêncio (Krishnamurti) - "o absoluto em acto e sem pessoa". Quando não há Deus que nos salva, que é a espiritualidade? "É a nossa relação finita com o infinito ou a imensidade, a nossa experiência temporal da eternidade, o nosso acesso relativo ao absoluto." O que faz viver não é a esperança, mas o amor; o que liberta não é a fé, mas a verdade. "Já estamos no Reino: a eternidade é agora." Aqui, a pergunta radical é: um Deus não invocável pelo homem salvaria alguém enquanto pessoa? O núcleo da questão é a pessoa.
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Prof. Anselmo Borges***In Diário de Notícias Online

sábado, 8 de maio de 2010

Ratzinger Sabe Que eu Sei, que ele Sabe...

A minha esposa desafiara-me, no dia anterior, para uma vespertina caminhada no apetecível passeio fluvial de Alhandra, encostadinho ao tejo. Não era uma novidade para mim, já a fizera em muitas ocasiões anteriores movido pelas mesmas razões: "desenferrujar" o físico e "limpar" a cabeça.
No regresso do percurso cruzamo-nos com um grupo de várias dezenas de pessoas que, pelo aspecto, se dirigiam a pé para Fátima. Chamam-lhe "peregrinos" !
Não quero deter-me sobre a semântica da palavra "peregrino", prefiro ocupar-me sobre o que vão estes magotes de gente fazer a Fátima.
O fenómeno de Fátima, como bem sabemos, resulta da fabricada suposição de que 3 crianças assistiram à aparição da virgem Maria. Do ponto de vista bíblico e do relacionamento de Deus com os homens, isto é um facto não só insustentável como aberrante. Nenhuma investigação do foro teológico e exegético pode colocar a Palavra de Deus a dar cobertura a semelhante acontecimento. E não é porque Maria não tenha tido um papel significante e significativo no plano de Deus e seja , enquanto mãe de Jesus e nossa irmã na fé, credora do mais profundo respeito, como sucede com outras personagens bíblicas, mas sem que isso implique a nossa adoração, que não é aliás exigida, pedida, ou sequer sugerida, em qualquer passagem das Escrituras. A adoração de Maria, ou da sua imagem esculpida em madeira ou noutro material, pelos católicos romanos, só pode ser configurada, à luz da Bíblia, no plano da idolatria pura e simples. E esta é referida e condenada em variadíssimas passagens bíblicas. O Papa Ratzinger, na qualidade de grande teólogo, como o apelidam os vaticanistas, saberá certamente daquilo que falo. Ele sabe, que eu sei, que ele sabe que Fátima é mais do que uma mentira: é um logro, um embuste religioso e sociológico !
Sabendo isto, Ratzinger devia naturalmente recusar-se ( se fora um cristão ) a vir a Fátima para alimentar a crendice popular. Ratzinger deveria imediatamente denunciar esta mariolatria doentia e pecaminosa. Acabar com este espectáculo e folclore degradantes. Pugnar pela pureza do evangelho de verdade e por anunciar que só existe um advogado para com Deus: Jesus Cristo!
Mas Ratzinger não só não o irá fazer como se prepara para contribuir, com a sua presença, para alimentar e sustentar o embuste. É bom que saiba que Deus não se deixa escarnecer.
Ocorre-me, entretanto, que os evangelhos, quando relatam o encontro de Pedro ( de quem o Papa se diz herdeiro ) com Cornélio, nos informam sobre a atitude do Apóstolo para com o centurião quando este se lhe arrojou aos pés para o adorar: mandou Pedro , de imediato, que ele se levantasse e informou-o de que também era homem, um homem como qualquer outro, como eu e como Ratzinger. Mas sendo conhecedor desta passagem bíblica, Ratzinger, mesmo assim, aceita tornar-se objecto de culto, disputado seguramente a Maria, por parte de milhares de pessoas que se afirmam peregrinos só porque caminham centenas de quilómetros a pé. Qualquer teólogo de 3ª categoria seria capaz de elucidar o Papa, que vem a Portugal, e os "peregrinos" , que já cá estão, sobre estas verdades.
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Jacinto Lourenço

domingo, 21 de fevereiro de 2010

OS PÉS NA POÇA DO ANTI-SEMITISMO

(Esboço para um ensaio)

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Esta expressão, [ Os pés na poça do anti-semitismo ] usa-a Bernard-Henry Levy no seu livro essencial O Século de Sartre. Quis dizer-nos que a França foi essa poça, durante e após o Holocausto e Auschwitz, em relação aos seus judeus, e que o filósofo Jean-Paul Sartre meteu os pés nessa «poça» para a denunciar.

Ainda hoje é preciso confrontarmos a nossa consciência cristã perante o que se designa por anti-semitismo. É que a história não nos põe de lado no que concerne a essa interpelação. Não foi só depois de Auschwitz que a poesia se tornou impossível, no dizer de Adorno, a nossa posição de cristãos evangélicos também, diante do que se designou e continua a chamar-se, com menos estrondo, é certo, «o problema judaico».

Mas há uma «questão judaica»? No século XXI? Sartre definiu-a em 1944, ainda se silenciava os nomes dos Campos de Extermínio nazi, e depois perante a hipocrisia dos franceses e até de alguns autores católicos, existencialistas cristãos, como Gabriel Marcel.

A questão judaica, que integra o que desde remotas épocas se chamou anti-semitismo, está a julgamento na história entre dois lexemas: aquele anti- e o racismo.

Racismo é, parafraseando Freud, «o ódio ao outro»; mas é um ódio à diferença visível: é negro, é branco, é cigano, é pobre, etc. O anti-semitismo não deixa de ser neste sentido um ódio à diferença, o ódio pelo outro por causa da diferença invisível, imperceptível.

Os judeus eram essa diferença, tinham a marca no rosto invisível, dizia-se que podiam corromper o mundo, secretamente. E se alguma literatura reflectiu isso com frases como «Weiss era mesmo alguém que trazia o destino estampado no rosto»( in A Pena Suspensa), a religião sobretudo acrescentou o maior contributo.

O facto conceptual continuou pelos séculos fora, tal qual o escritor francês, falecido em 1980, o escreveu no diálogo entre dois personagens judeus, no romance citado: «Mas o que é um judeu? É um homem que os outros homens consideram judeu.»

Antes e depois de Lutero.

A verdade é que Martinho Lutero não está isento de culpas quanto a essa consideração, por razões conceptuais baseadas na religião, designadamente num catolicismo medieval, que combatia alegadamente a cabala judaica com outra cabala, considerando os judeus como uma raça oriunda do Averno.

A historiografia do anti-semitismo não favorece o Grande Reformador protestante. Infelizmente. As suas próprias declarações sobre o que entendia ser o judeu, o comprometeram para o futuro.

No Julgamento de Nuremberga, Julius Streicher, o director do perverso Der Sturmer, jornal nazi e anti-semita, afirmou «que se tinha que ser levado a tribunal para responder pelo seu contributo para o assassínio em massa dos judeus, então Lutero – o pai da tradição anti-semita luterana, cuja anti-semitismo derivava da tradição católica- deveria estar a seu lado.»

Cartazes anti-semitas da juventude hitleriana, já em 1936 expunham publicamente como o alemão via o judeu, visão estruturada numa imagem religiosa: «Nós jovens, avançamos alegremente virados para o Sol…Com a nossa fé expulsamos o Diabo da Terra…» O Diabo, em maiúsculas, era o Judeu.

Justificações ilógicas apontavam num só sentido: os judeus crucificaram Jesus Cristo. O ódio religioso, do domínio da historiografia religiosa, que se transformou depois em ódio científico e sistemático, nas estruturas nazis da Solução Final, dirigido contra os judeus, era a resposta ao ódio «assassino» dos mesmos contra Jesus.

Perante a História não podemos deixar de pensar, no século XXI, que houve ( ainda há?)um anti-semitismo cristão, e que o Cristianismo, no que respeita ao aniquilamento europeu dos judeus na década de 40, ignorou teológica, social e humanitariamente, a raiz do Amor divino, demonstrado nas próprias palavras sofredoras de Cristo, na cruz: «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.»

Se Adorno afirmou que depois de Auschwitz não podia escrever-se mais Poesia, para um Luteranismo puro tem que haver uma revisão aos comentários da História do anti-semitismo, com um pedido de perdão do Cristianismo, e também dos Evangélicos porque não basta aos mesmos fazerem apenas excursões a Israel, para visitar os lugares santos. O lugar santo deve começar no nosso interior, expurgando a nossa maneira de ver o outro, o Judeu.

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João Tomaz Parreira

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- Colaborador -