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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A RELIGIÃO DO SÓCIO-ECONÓMICO





Por muito que procurem evidenciar o contrário na estrutura religiosa e popular do seu discurso, existem hoje «igrejas» que ao designarem-se como centros de ajuda espiritual, querem governar Deus. -«Vamos buscar esse Deus- proclamam-, preparem o copo de água».

Nos seus conceitos ditos cristãos, nem Deus, nem Jesus Cristo estão no centro da Revelação, a importância revelacional vai toda para o que é socioeconómico, para não falar de ícones periféricos ( isto é, copos de água, fogueiras santas, monte de Sinai, cruz de fogo, etc.), como transferências do profano para o sagrado ou a necessidade de uma presença «sagrada» visível e palpável, no dizer de Roger Caillois.



O que se tenta fazer, numa homilética manipuladora de massas normalmente carentes, umas, e outras ambiciosas, é a compatibilização do incompatível, teologia e ciência económica, cristianismo e mercado, espírito e matéria, Deus e Mamom.



Alguns desses líderes da ajuda espiritual contribuem, irreflectida e inconscientemente, para o pensamento do século XIX, de Ludwig Feuerbach, segundo o qual todos os conceitos de Deus são invenções humanas, sejam eles cristãos ou não, e se projectam das esperanças ou dos temores humanos.[...]



João Tomaz Parreira 

Ler texto integral AQUi no FB de J.T.P.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ateus pela Religião...



...Tenho aqui sublinhado a necessidade que os crentes têm de ouvir os ateus, pois, pelo facto de se encontrarem fora, estão mais capacitados para se aperceberem da desumanidade, intolerância e superstição que se apoderam tantas vezes das religiões. Mas, agora, é um ateu que reconhece as vantagens e benefícios das religiões, a ponto de, ao contrário do que faz R. Dawkins, não pretender converter as pessoas religiosas ao ateísmo. Parece-lhe cruel e uma loucura "convencer alguém a deixar de acreditar em Deus", confessou também ao Público.[...]


Anselmo Borges in Diário de Notícias Online


Ler texto completo AQUI

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Abade detido por Envolvimento em Escândalo de Corrupção. Também tu, Brutus...


As autoridades gregas prenderam hoje o abade de um mosteiro ortodoxo grego com mais de mil anos de história, acusando-o de ter tido um papel fundamental num alegado escândalo imobiliário que envolvia negócios com o estado grego.
Ler artigo AQUI no Diário de Notícias Online

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

De que Natal Falamos...?


 Não me parece que a principal motivação que leva as pessoas, hoje, a festejar o Natal, seja o nascimento do Salvador, tal como também não tenho já nenhum tipo de ilusão sobre o que representará o Natal para quem a ele se agarra e lhe cola o novo epíteto de "festa de família".  O conceito cristão de família, o conceito que Cristo revelou de família, é mais alargado, mais amplo, mais universal e está claríssimo no evangelho de Mateus 12:46-50:  E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.  E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te.  Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?  E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;  Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe. Mercantilismo, e não mais do que isso! "Alegria" vivida pontualmente, comprada e vendida em tão grande  sofreguidão que chega a intimidar-me.

Mas esta designada "festa de família" mercantil esquece, na voragem dos  dias a degradação e miséria humana que nos cerca, ou  lembra-a, igualmente, só por uns míseros dias, poucos, qual panaceia mitigadora de fracas consciências. Para Jesus, a família somos todos, todos os dias. Que sensatez, que nobreza ou consciência colectiva ou individual, alimenta, como escreveu Faranaz Keshavjee, esta bondade e generosidade que faz ostentação de abundância por um dia e "condena à miséria e solidão nos restantes 364 dias do ano ?" Em nome de que deus se pode agir assim? Que família é a nossa ? É por tudo isto que tenho cada vez mais dificuldade em me reconciliar com este "natal pequenino" de que todos falam por um dia ou dois e esquecem pelos restantes 364.

É por tudo isto  que tenho saudades do Natal da minha infância e pré-adolescência. Não recebia brinquedos caros. Mesmo não sendo a "mesa" o centro das atenções, como hoje acontece, também nos deleitávamos, por vezes mais com as "fragrâncias gastronómicas" provenientes da preparação natalícia, do que a quantidade que lhes estava na origem. A oferta até podia não ser muita e a escolha poderia ser ainda menor, contudo havia o estritamente necessário sobre a mesa e, aquilo que temos por necessário, retirando à palavra "necessário" qualquer jogo mental, criatividade "verbal" ou adjectivação subliminar que lhe queiram associar, e em que o espírito humano é normalmente pródigo, não contamina o corpo nem a alma de nenhum cristão, mesmo se ele não consegue chegar com mais do que isso junto da família alargada de Deus. Concordo, minha cara Faranaz Keshavjee, que "é porque Jesus nasceu que todos os dias são dias de fazer Natal, de nos excedermos em boas-obras", mesmo sem que, para concluir isso, seja necessário eu ser muçulmano, ou eventualmente você ser cristã. "Rei morto Rei posto!" Espera-nos agora, dentro de cinco dias, a festa onde todos "faremos de conta" , num ritual de entorpecimento individual e colectivo prolongado à saciedade, mesmo se à nossa volta a família de Deus agoniza.

Jacinto Lourenço 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A cada Cinco minutos é Assassinado um Cristão


Cento e cinco mil cristãos são assassinados anualmente devido às convicções religiosas, o que indica que em cada cinco minutos morre um cristão por causa da fé, alerta o perito em temas de liberdade religiosa Massimo Introvigne.


Ler notícia Aqui no Diário de Notícias Online

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Subsídios para a Compreensão do Conflito na Palestina.


A pretensão dos palestinianos que visa  erigir unilateralmente o seu próprio estado, com Jerusalém Oriental como capital, sem a indispensável negociação com Israel, necessita, para assumir um carácter épico, que previamente seja inventada uma história que os ligue à milenar Terra Santa [...] 


Ler texto integral, em Castelhano,   AQUI no blogue Yad be Yad 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os Norte-Americanos já nos Habituaram a Tudo...



Empresários ateus propõem cuidar de animais de cristãos









Um grupo de empresários norte-americanos ateus propôs-se tomar conta dos animais domésticos dos cristãos fundamentalistas que crêem que o fim do mundo está iminente, mediante um devido pagamento, noticia AFP.






A empresa Eternal Earth-Bound Pets [Lugar Eterno para os Animais] já tem 259 clientes, que pagaram cada um 135 dólares (95 euros) por um animal e 20 dólares suplementar pelos seguintes, para garantirem que o seu animal doméstico fica em boas mãos depois da sua partida para o além.

Para alguns cristãos, Jesus Cristo regressará à Terra no dia 21 de Junho, um sábado, para decidir a sorte dos pecadores.

Os contratos assinados com a empresa salvadora de animais têm um prazo de 10 anos e podem cobrir o anunciado fim do universo, em Dezembro de 2012, como preveem as profecias maias.

Um dos co-fundadores da Eternal Earth-Bound Pets, Bart Centre, explicou que "se o dia do julgamento ocorrer realmente, chamar-se-ão todos os salvadores para se dirigirem a casa dos que assinaram um contrato para que tomem posse dos animais e os adoptem, de forma a que vivam dias felizes e em boa saúde".

Mas, irónico, prevê: "Não esperamos entrar em acção [nesse] sábado".




* * *

Ora só para descansar os nossos amigos Norte-Americanos, convém esclarecer o que a Bíblia diz sobre a 2ª vinda do Senhor Jesus em Glória, no evangelho de Marcos no capítulo 13.

32-Quanto, porém, ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu nem o Filho, senão o Pai.

33-Olhai! vigiai! porque não sabeis quando chegará o tempo.
34-É como se um homem, devendo viajar, ao deixar a sua casa, desse autoridade aos seus servos, a cada um o seu trabalho, e ordenasse também ao porteiro que vigiasse.
35-Vigiai, pois; porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã;
36-para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo.
37-O que vos digo a vós, a todos o digo: Vigiai.


Dito e esclarecidos os amigos cristãos do outro lado do atlântico ( que deviam ler mais a Bíblia...), convém, já agora, informar os ateus que não vai existir nenhum céu para cães, gatos ou outros animais. Não há problema nenhum, e até se aconselha vivamente que todos, cristãos, ou praticantes de qualquer outra religião, bem como ateus, tratem muito bem os  animais mesmo daqueles que são abandonados por donos irresponsáveis. Por outro lado, cumpre também  informar os ateus que, após a 2ª vinda de Cristo, há uma impossibilidade formal e material de eles, enquanto ateus, continuarem aqui na terra, tal como a conhecemos hoje, a tomar conta do tareco ou do bobi  e a lucrar com isso. Querem saber porquê ? Está tudo na Bíblia ! Têm uma oportunidade fantástica de ir ler e ficarem esclarecidos. Quem sabe até pudessem tomar um conhecimento mais concreto daquilo que negam. É que ser ateu sem conhecer o Livro Sagrado, pode não passar de mera retórica.

Boas leituras Bíblicas para todos os ateus e cristãos nos U.S.A ou em qualquer outra parte do mundo.


Jacinto Lourenço







terça-feira, 15 de março de 2011

Barbárie Inqualificável

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Udi Fogel, (37 anos), Ruth Fogel (36 anos), e os seus filhos Yoav (10 anos), Elad (4 anos) e Hadas (3 meses), foram assassinados sexta-feira à noite, enquanto dormiam. O crime foi cometido por um terrorista palestiniano das “Brigadas de Al-Aqsa” (ver Al Aqsa Brigades claims responsibility for West Bank killing). A brutalidade deste massacre deixa-me perplexo. Um leitor desatento poderá interrogar-se como será possível que alguém possa alguma vez considerar sequer a possibilidade de degolar uma pessoa, quanto mais uma família inteira; quanto mais uma criança de dez anos, e outra de quatro e ainda uma bebé de três meses. Mas um observador atento lê a descrição do massacre num site palestiniano ( “traduzido” para português via Google ) e compreende que a linguagem efusiva e as felicitações ao autor do crime apenas são possíveis numa sociedade que desumaniza “o outro”, que justifica e incita qualquer acto de terror contra qualquer israelita (bebés de três meses incluídos). Quem lê este blogue sabe onde me situo e saberá, por certo, que sempre defendi e defenderei a necessidade da paz. Mas, honestamente, como se pode falar de paz com alguém que olha uma bebé de três meses nos olhos para depois a degolar? Alguns virão lembrar que a Autoridade Palestiniana condenou o massacre. E que o Hamas negou qualquer envolvimento. Mas é a passividade (para não dizer pior) dos primeiros e o acicate constante dos últimos que mantém em lume brando o ódio extremo e a cultura de morte que permitem que uma família de cinco pessoas seja degolada enquanto dorme. E não me venham dizer que ser colono ou deixar de ser colono pode constituir uma justificação qualquer que atenue a gravidade do crime. Porque quem assim pensar estará muito próximo do nível de quem o perpetrou. + +
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Será Culpa dos Árabes ?

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Amin Malouf é Libanês. Nasceu no Líbano em 1949 mas vive em Paris, França, desde 1976. Jornalista e repórter, já esteve em trabalho em dezenas de países. É autor de diversos livros, entre eles, o que tenho em mãos e que estou a ler, "Um mundo sem Regras", e outros onde ressaltam as temáticas relacionadas com a realidade do Islão como "As Cruzadas vistas pelos Árabes". É por tudo isto que Amin Malouf sabe do que fala quando fala destes temas e da sua correlação com o Mundo Ocidental.
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Na Europa tendemos a diabolizar tudo o que se passa para lá do mediterrâneo, mesmo se não compreendemos muito bem o que se passa e porquê se passa. Consumimos assim toda a informação sem possibilidade de efectuar qualquer triagem que a possa coar e descodificar. É por isso que, depois, ficamos muito admirados com os recentes acontecimentos no mundo árabe. As ditaduras, os tiranos e os escroques que se instalaram no poder nos países do Islão e utilizam a exploração vil e a repressão criminosa como modo de domínio, não explicam tudo o que observamos. Talvez devamos, se não compreendemos tudo, pedir que nos expliquem, e de preferência a quem não fale de cátedra ou com a ligeireza do "directo" em cima do acontecimento, ao nível do chão, mas a quem tenha uma visão detalhada e um conhecimento, de facto, do que está a suceder nos países árabes na actualidade e que tem mais a ver connosco do que imaginamos.
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O livro de Amin Malouf, que estou a ler, foi editado em Português, em 2009, pela Difel, logo com uma distância de mais ou menos dois anos das actuais revoltas populares em diversos países do médio oriente, e é por isso que se torna mais interessante olhar o que já mesmo antes de 2009 tinha dito o escritor na edição em inglês.
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"O passado, e muitas vezes também a religião. O Islão é um santuário para a identidade como para a dignidade. A convicção de possuir a verdadeira fé, de estar prometido a um mundo melhor, enquanto os ocidentais estariam no desvario, atenua a vergonha e a dor de ser um pária na terra, um perdedor, um eterno vencido. Hoje, este é precisamente um dos raros domínios, talvez o único, onde a população ainda guarda o sentimento de ser abençoada entre todas as nações, de ser "eleita" pelo Criador, e não maldita e rejeitada.
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À medida que a situação dos árabes se deteriora no terreno, à medida que os seus exércitos se deixam derrotar, que os seus territórios se deixam ocupar, que as suas populações se deixam perseguir e humilhar, que os seu adversários se mostram todo-poderosos e arrogantes, a religião que deram ao mundo torna-se o último território onde a sua auto-estima sobrevive. Abandoná-la é renunciar à sua principal contribuição para a História universal, de certa forma é renunciar à sua razão de ser. Por isso, a questão que se coloca às sociedades muçulmanas nesta idade da dor não é tanto a da relação entre religião e política, mas da relação entre religião e história, entre religião e identidade, entre religião e dignidade. O modo como a religião é vivida nos países do Islão reflecte o impasse histórico em que os povos se encontram; se sairem dele poderão encontrar os versículos que convêm à democracia, à modernidade, ao laicismo, à coexistência; ao primado do saber, à glorificação da vida; a sua relação com a letra dos textos tornar-se-á menos exigente, menos fria, menos rígida. Mas seria ilusório esperar uma mudança apenas pela virtude de uma releitura. Perdoem-me se o repito mais uma vez: o problema não reside nos textos sagrados e a solução também não.
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Não há qualquer dúvida de que este impasse histórico do mundo muçulmano é um dos sintomas mais manifestos desta regressão para a qual toda a humanidade se dirige de olhos vendados. Será culpa dos árabes, dos muçulmanos, e da maneira como eles vivem a religião ? Em parte, sim. Não será também culpa dos ocidentais e da maneira como eles geriram ao longo dos séculos as suas relações com os outros povos ? Sim, em parte.[...] Será já demasiado tarde para se estabelecer um compromisso histórico que tenha em conta simultaneamente a tragédia do povo judeu, a tragédia do povo palestino, a tragédia do mundo muçulmano, a tragédia dos cristãos do Oriente e também o impasse para onde o Ocidente se esgueirou ? [...]
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Como vimos, Malouf, põe o dedo na ferida e anticipa muito daquilo que hoje nos chega. Infelizmente, creio que, de um lado e de outro do mediterrâneo, os povos irão continuar de costas voltadas enquanto o ódio cresce; e a planta do ódio, como vimos, alimenta-se da sua própria semente. Cristãos perseguidos e mortos no Oriente, muçulmanos marginalizados e hostilizados no Ocidente. Democracias formais de um lado e ditaduras de outro mostram-se incapazes de construir pontes credíveis que se espraiem para além do petróleo e do armamento.
+ Enquanto isso, a figueira continua a brotar... + + + + + + + + + + + + + + + + Jacinto Lourenço

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Que Não Mostra o Egipto

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Uns podem dizer que é o poder da comunicação; o Facebook, o Messenger, o Myspace, o Youtube, etc. Outros que não, que isso tem pouco a ver, que o problema é a democracia, ou a falta dela. Outros dirão que é a ausência de liberdade; a repressão, a ditadura, enfim; cada um terá a sua visão. Mas, na minha perspectiva, a questão fundamental da revolta de cariz popular, aparentemente sem liderança conhecida, que está em marcha no Egipto, resulta de tudo isso, da facilidade de comunicação, do anseio popular por democracia e liberdade e, acima de tudo, resulta de algo muito mais prosaico e básico: fome, carência das coisas mais elementares a que nós, na europa, já não damos muito valor a não ser quando uma qualquer pequena crise, como a do açúcar recentemente, nos faz olhar para a falta que nos fazem as coisas que não valorizamos face à facilidade com que nos chegam.
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Mesmo que o quisesse não conseguiria deixar de olhar para o Egipto sem simpatia e carinho. Não, já não falo do Egipto de Ramsés II, dos territórios de Gosen, da escravatura do povo Hebreu, das pragas. Não falo desse Egipto, falo do Egipto de sempre, de ontem, de hoje, de uma civilização multisecular que me prendeu quando tive que a estudar.
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Depois de Israel, o Egipto é, naquela região do mundo, a nação que mais estudei e que mais prendeu a minha atenção desde sempre. Por razões óbvias primeiro, e pelo facto de ser cristão, mas por necessidade e gosto pessoal depois. É por isso que olho para aquela gente que está todos os dias na praça Tahrir, no Cairo, a clamar contra um governante que quer longe dali, com compreensão e simpatia. Vejo crianças, homens, mulheres, jovens, velhos, pessoas de todas as idades a gritar por liberdade e justiça social. Compreendo a sua revolta: eles clamam por tudo, mas fundamentalmente por pão e direitos que lhes foram retirados por um país dirigido por cleptocratas. E estão ali, todos os dias, como se fora uma festa, a festa da liberdade de poderem gritar que têm fome mas também sede de justiça. Ver muçulmanos e cristãos juntos a manifestarem-se pacificamente, dá-me a noção da justeza do seu grito. Não vejo queimarem bandeiras de Israel ou americanas, na praça Tahrir. Mas isso acontece nos grupos de apoiantes do actual presidente egípcio que culpam até os jornalistas por tudo o que está a acontecer.
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Dizem-me os meios de comunicação que Mubarak possui uma fortuna pessoal avaliada em 70.000 milhões de dólares. Pergunto-me como é que foi possível a um militar de carreira acumular tamanha fortuna ocupando apenas o lugar de presidente e mesmo assim insistir que é a solução para a crise ? E o seu povo a passar necessidades debaixo da sobranceria do seu olhar e a sobreviver com uma média de um dólar diário .
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Compreendo a luta dos povos árabes, mas não posso deixar de temer o radicalismo de algumas correntes islâmicas que procurarão aproveitar a onda de revolta social. Não sei se os povos alcançarão apenas aquilo porque clamam ou se terão que sofrer, outra vez, porventura com configuração diferente, aquilo de que se querem agora libertar.
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No meio de toda a agitação, particularmente no Egipto, e marginalmente a ela, emerge sempre o nome de Israel. Atento, seguramente. Esta revolta pode caber-lhe por tabela conforme aquilo que sair do Egipto quando assentar o pó da revolta popular.
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Enquanto isso, a figueira continua a brotar...
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+ + Jacinto Lourenço

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Muçulmanos Oram a Alá em Templos Evangélicos nos USA

Na retrospectiva de 2010, os repórteres que escrevem sobre religião nos EUA falaram do debate sobre a construção de um centro islâmico e uma mesquita perto do local onde antes ficavam as torres gêmeas em Nova York. Mencionaram também o pastor que ameaçou queimar o Alcorão como alguns dos eventos religiosos mais importantes do ano passado. Em várias outras cidades americanas há debates acirrados sobre os direitos dos muçulmanos de expressarem livremente sua fé e manterem seus princípios.
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Enquanto isso, algumas igrejas evangélicas têm um modelo mais acolhedor de abordagem. Na Igreja Metodista Unida Heartsong, da cidade de Cordova, Tennessee, o pastor Steve Stone e sua congregação colocaram na entrada uma placa dando as boas vindas ao Centro Islâmico de Memphis que seria construído em seu bairro. Pouco tempo depois, a Heartsong permitiu que seus vizinhos muçulmanos usassem o seu santuário como uma mesquita improvisada durante o Ramadã, enquanto o Centro Islâmico estava em obras. O pastor Stone e sua congregação receberam uma vasta cobertura positiva da mídia, elogiando sua postura.
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Para Stone, permitir que muçulmanos adorem Alá no espaço físico de sua igreja cristã era uma questão de praticar o pensamento “O que faria Jesus?”. Ou seja, a congregação deveria exemplificar o amor de Jesus aos estrangeiros, da mesma maneira como Jesus os acolheu em seu tempo.
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Outro pastor de uma igreja metodista, a cerca de 500 km de distância dali, chegou a uma conclusão semelhante, quando uma congregação islâmica vizinha pediu para usar o templo cristão durante cinco meses para as orações de sexta-feira.
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Jason Micheli, pastor dessa igreja metodista de Aldersgate, em Arlington, Virginia, defende sua decisão de maneira semelhante, apelando para Jesus e amor cristão: “Quando dizemos que Jesus é o único caminho para o Pai, não significa apenas que cremos em Jesus como o único caminho para Deus. Também significa que o estilo de vida de Jesus é a única maneira de manifestarmos o amor do Pai. Acolher estrangeiros muçulmanos em nosso espaço sagrado, sem pedir nada em troca, não é diminuir o que cremos sobre Jesus, nem uma traição. Penso que essa é a expressão mais completa possível do que cremos a respeito de Jesus”.
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A decisão desses dois pastores, permitindo um culto muçulmano em sua propriedade, apela para o amor exigido dos cristãos como um guia para tomar suas decisões.
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Mas não é uma evidência de que os cristãos sejam obrigados a oferecer seus templos para o que consideram uma falsa adoração. As questões teológicas em jogo no mandamento de Jesus para amar incondicionalmente também exigem que certas práticas sejam evitadas. Como Wesley dizia, “o mandamento para fazer boas obras também inclui evitar ou causar danos aos outros”, compartilhem eles ou não da mesma fé. Essa facilitação ou a falsa adoração violam o mandamento de amar?
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Ler mais AQUI no Pavablog

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um Pai Natal à medida da Coca Cola...

Parece que o Pai Natal tem uma origem bastante antiga. Baseia-se na figura de São Nicolau, um santo muito popular na Rússia que tinha o hábito de dar presentes às crianças pobres. Com o tempo adquiriu a fama de milagreiro e, durante a Idade Média, o seu culto estendeu-se a toda a Europa.
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A Reforma Protestante praticamente extinguiu o culto deste santo. Na Holanda, todavia, a sua figura permaneceu. No século XVII os holandeses levaram para as colónias norte-americanas a figura de Sinterklaas (adaptação do nome de "São Nicolau") para New Amsterdam, nomeadamente – que se viria a tornar nada mais nada menos do que na cidade de Nova Iorque. A corrupção natural do termo e a sua adaptação à língua inglesa resultou em... Santa Claus.
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Mas a imagem do Pai Natal tal como a conhecemos hoje – barrigudo, de barbas brancas, vestido de vermelho e sempre a rir-se oh! oh! oh! – foi criada em 1931 para uma campanha da Coca-Cola! A empresa começava então a dirigir-se a um público infantil (Walt Disney já tinha demonstrado as vantagens de converter as crianças em consumidores...). O Pai Natal tinha tudo para ser o Coca-Cola-Man perfeito: alegre, bonacheirão e metido em situações engraçadas; a cor da sua roupa era, claro, a mesma da conhecida marca. O homem trabalhava duramente ao longo de toda a noite para entregar os brinquedos. Nada melhor, portanto, do que uma garrafa do refrigerante castanho escuro para o recompensar!
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Feliz Coca Cola para todos...
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sábado, 4 de dezembro de 2010

Antigo Espólio Hebraico descoberto em Sinagoga nos Açores

( Foto D.N. )
Historiador descobre património sobre comunidade judaica que se estabeleceu no País. Entre o material encontrado há documentos impressos e manuscritos
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O historiador José de Almeida Mello descobriu um conjunto de objectos e documentos hebraicos na Sinagoga de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Açores, que podem estabelecer o património judaico deste templo como um dos mais antigos e ricos de Portugal. Ao despejar o conteúdo de uma velha arca guardada naquela sinagoga, José Mello encontrou uma vasta panóplia de objectos. Entre os achados estão documentos impressos e manuscritos, pergaminhos cuidadosamente enrolados, pequenos livros de bolso, uma mão em madeira, saquetas tendo no seu interior fitas de cabedal e tábuas da lei, pequenos documentos colocados no interior de tubos de vidro selados e ainda tecidos utilizados no culto religioso. "Estaremos perante um legado com peças que podem ser anteriores ao século XIX e que remontam aos primeiros tempos dos judeus nos Açores", explicou, informando que o verdadeiro significado do achado será estudado por técnicos oriundos da comunidade israelita de Lisboa. O que encontrou foi como entrar na "máquina do tempo e recuar" alguns séculos, conta o historiador guardião da Sinagoga de Ponta Delgada, fundada em 1836. A primeira comunidade judaica em Ponta Delgada surgiu após o regresso a Portugal dos judeus, expulsos pelo rei D. Manuel em 1497 - os que não saíram do País foram convertidos à força ao catolicismo. Os que regressaram trouxeram consigo textos sagrados e documentos manuscritos que terão ficado como legado dos judeus entretanto radicados em São Miguel, de 1819 por diante. [...]
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Ler texto integral AQUI no Diário de Notícias Online de 29 de Novembro de 2010

sábado, 27 de novembro de 2010

A Falta de Cultura Ética na Nossa Civilização

Creio que o exagero da atitude puramente intelectual, orientando, muitas vezes, a nossa educação, em ordem exclusiva ao real e à prática, contribuiu para pôr em perigo os valores éticos. Não penso propriamente nos perigos que o progresso técnico trouxe directamente aos homens, mas antes no excesso e confusão de considerações humanas recíprocas, assentes num pensamento essencialmente orientado pelos interesses práticos que vem embotando as relações humanas. O aperfeiçoamento moral e estético é um objectivo a que a arte, mais do que a ciência, deve dedicar os seus esforços. É certo que a compreensão do próximo é de grande importância. Essa compreensão, porém, só pode ser fecunda quando acompanhada do sentimento de que é preciso saber compartilhar a alegria e a dor. Cultivar estes importantes motores de acção é o que compete à religião, depois de libertada da superstição. Nesse sentido, a religião toma um papel importante na educação, papel este que só em casos raros e pouco sistematicamente se tem tomado em consideração. O terrível problema magno da situação política mundial é devido em grande parte àquela falta da nossa civilização. Sem «cultura ética» , não há salvação para os homens.
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Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo' *** Via Citador

sábado, 9 de outubro de 2010

"Religiões e Liberdade"

Realizou-se no sábado passado, na Biblioteca Municipal, o X Simpósio de Santa Maria da Feira. O tema foi Identidade, Liberdade e Violência, tratado por duas figuras mundialmente conhecidas pela sua luta pela liberdade: a iraniana Shirin Ebadi, Prémio Nobel da Paz em 2003, e o dinamarquês Kurt Westergaard, célebre por causa do cartoon com Maomé com uma bomba no turbante. Era notória a segurança policial por todo o lado. A primeira a falar foi Shirin Ebadi. E disse que, sem a liberdade de expressão, de que faz parte a liberdade religiosa, a democracia não existe. O problema das teocracias é que os cidadãos e concretamente as minorias não podem exprimir-se. Ora, as pessoas devem poder exprimir-se sem medo. O direito à liberdade religiosa implica também a possibilidade de converter-se a outra religião, e isto é particularmente importante em países islâmicos como o Irão e a Arábia Saudita, onde a conversão é castigada de modo muito pesado. Deve haver barreiras para a liberdade de expressão? Não é aceitável a propaganda a favor da guerra, da violência, da discriminação. Mas não se pode considerar que o cartoon com a bomba no turbante seja contra os direitos humanos. "Claro que eu não aceito a reacção dos fundamentalistas". A censura não é admissível. Aqui, Shirin Ebadi citou o seu país, onde a censura é cada vez mais rígida e se pode estender à tradução de obras famosas estrangeiras. E denunciou o Ocidente, que colabora com a censura, por exemplo, vendendo tecnologia com essa finalidade. Afinal, "somos todos passageiros no mesmo barco". A liberdade é para todos. Os outros participam no mesmo destino. A árvore do conhecimento deveria dar mais frutos. Devemos irar-nos contra os preconceitos. Antes de dar a palavra ao cartoonista, Carlos Magno lembrou o recente atentado na sua casa e que houve protestos, porque Merkel o recebeu. Até se quis censurar o Papa por causa do discurso de Ratisbona. Mas a liberdade de expressão não pode estar em causa em lado nenhum. E Kurt Westergaard falou. A sua herança é cristã, mas confessou-se ateu, respeitador de todas as religiões. Agradeceu ao seu país a segurança policial permanente. Com 75 anos, já passou pelo fascismo, pelo nazismo, o comunismo, agora, o islamismo. Qual é o problema dos "ismos"? Rejeitam a dúvida, esse sentimento humano provocador e que obriga a procurar. Nas religiões, o perigo é a subordinação cega das pessoas às autoridades religiosas. [...]
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Prof. Anselmo Borges *** In Diário de Notícias de 09 de Outubro de 2010
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Texto Integral AQUI

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

De volta à Idade Média

Podia ser um Ímã, um Ayatollah, um Padre, um Bispo, ou até um Leigo de uma qualquer religião. Mas não. É um senhor que se denomina pastor evangélico de uma igreja cristã evangélica, ao que se percebe, sem grande relevância nos Estados Unidos. Decidiu, este indivíduo que se afirma pastor, que iria fazer uma queimada de livros do corão para, presume-se, lembrar o acto criminoso de outros extremistas, de outra religião, tão criminosos como ele. Sim porque qualquer pessoa que ameace ou atente contra a vida de outras pessoas em qualquer parte do mundo, só pode ser isso mesmo: criminoso ! Não sei qual o Instituto Bíblico onde este homem de bigode arrevesado fez o curso que o habilita a dizer-se pastor mas, quanto a mim, esse instituto devia ser investigado por passar diplomas a gente desta. Um pastor não é isto que os orgãos de comunicação têm mostrado. Um pastor está nos antípodas do que este norte-americano configura para o exterior e, pelos vistos, para o interior da sua igreja. Um pastor tem que ter no seu espírito e alma, inscritas, permanentemente, as palavras Concórdia, Perdão, Amor, Consagração, Reconciliação, só para citar algumas que são pontos cardeais pelos quais o seu ministério pastoral se orienta e baliza. Não cumpridos estes critérios mínimos, não pode estar-se na presença de um pastor, quando muito, e à vista dos actos que pretende perpetrar e das palavras odiosas que tem transmitido, estaremos na presença de um louco, e o problema é que a globalização oferece tempo de antena q.b. a loucos e criminosos. Mais do que provavelmente, se este dito pastor o fosse efectivamente e tivesse a presunção de sair para a rua, e se postasse em frente à sua casa de oração a pregar o evangelho de Cristo e a apelar à reconciliação dos homens com Deus e entre eles próprios, a atenção que os media lhe dariam seria igual a zero; não era notícia nem na América nem na Europa nem em qualquer lugar do mundo. As pessoas passariam e continuariam o seu caminho como se nada de novo ou interessante estivesse a acontecer. Mas mais do que provavelmente também, a este dito pastor, também não sobram tempo nem disponibilidade espiritual para pregar o Evangelho de Cristo nem a mensagem do Amor de Deus. A sociedade que integramos é isto mesmo. A loucura, o crime, a guerra, a anormalidade, são sempre notícia. O bem, o belo, o bom, o Amor, passam despercebidos. E pelos vistos qualquer transtornado de ocasião é capaz de concitar a atenção de chefes de estado e movimentos de multidões em todo o mundo. Ou seja, qualquer homem, por mais ignaro que seja, é um rastilho capaz de fazer explodir esta enorme bomba global da instabilidade política, social e religiosa e levar o mundo para o caos, e o pior é que as democracias, que querem afirmar-se tão respeitadoras da liberdade individual o permitem e até, indirectamente, defendem e protegem tal como protegeram Hitler e suportaram, ao limite da estupidez, as suas atitudes belicistas que culminaram no despoletar da 2ª guerra mundial em 1939. Do meu ponto de vista, quem não respeita os direitos dos seus concidadãos ou os ofende continuada e recorrentemente, não pode andar à solta. Este senhor, que se diz pastor, devia estar na prisão com a pena acessória de ter que escrever repetidamente num quadro, milhares de vezes, para o resto da sua vida, e até perceber o seu significado ou até que se arrependesse do mal que está a provocar, a palavra Amor.
Quantas mais "Noites dos Facas Longas", ou sucedâneas, teremos ainda que suportar sem dizer nem fazer nada para as evitar ? Afinal, Saramago, em certa medida, sobre a religião, exclusivamente em si mesma, era capaz de não estar errado de todo : “as religiões, todas elas, sem excepção, nunca serviram para aproximar e unir os homens. pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da história humana”.
*** Jacinto Lourenço

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Religião e Cidadania

"...A igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.
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A igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.
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O papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.
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Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça. [...].
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Excerto do texto de René Kivitz, Religião e Cidadania, publicado no Blogue Práxis Cristã

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Crucifixos nas Escolas no País dos Equívocos

A questão dos crucifixos nas escolas não se pode resumir a uma luta entre católicos e ateus, ou entre religiosidade e laicismo. Há mais vida para lá dessas opções. A sociedade portuguesa é tendencialmente heterogénea, em termos religiosos. Temos o peso histórico do catolicismo-romano, algum ateísmo militante, um agnosticismo que dá sempre jeito, em especial a políticos de centro-esquerda, mas também temos protestantes, judeus, evangélicos, islâmicos, ortodoxos, grupos religiosos brasileiros mais recentes, de tipo neopentecostal, cultos afro, mórmons, hindus, budistas e outros. Cada vez mais se verá uma dispersão e pulverização na sociedade portuguesa, em matéria de fé, a qual decorre, em grande parte, da globalização e dos fluxos migratórios, em particular africanos, brasileiros e do leste da Europa. Apesar de tudo, as igrejas protestantes começaram a implantar-se por cá ainda no século dezanove, impossibilitadas de o fazer, durante os três séculos anteriores, devido à prática da Inquisição. Recentemente os jornais deram conta duma petição que estará a ser preparada «A favor da presença de crucifixos nas salas de aula das escolas públicas», com vista à sua discussão no Parlamento. O Estado recusa-se a cumprir a lei e a Constituição, pois muitas escolas ainda exibem crucifixos nas paredes das salas de aulas, ignorando a lei que diz que não o podem fazer. Segundo parece, a política do Ministério da Educação é só mandar retirar se houver um pedido dos professores, alunos ou pais. Ou seja, cumpra-se a lei… mas só quando alguém se queixar, o que é indigno e ridículo, além de antidemocrático. A ideia dos subscritores é que Portugal se aproxime do conjunto de dez países tradicionalmente católicos como Malta e São Marino, ou ortodoxos como a Grécia e a Rússia, que se uniram ao governo de Berlusconi para protestar contra a lei que proíbe os crucifixos nas salas de aula das escolas públicas italianas, anteriormente aprovada. Mas isto não é inocente, porque a decisão definitiva na Itália, sendo favorável, poderá influenciar nesse sentido a revisão da jurisprudência de países membros do Conselho da Europa sobre o uso de símbolos religiosos nas escolas. Apesar de se dizer que a ideia é permitir que os símbolos religiosos de outras confissões possam também estar lado a lado com o crucifixo (que confusão!), sabemos bem que resultado daria tal coisa. Em especial num país onde nem sequer há a tradição de manter capelas mortuárias interconfessionais, espaços públicos onde pessoas de todas as confissões religiosas se sintam em casa para proceder às exéquias dos seus fiéis. As escolas públicas não podem (segundo a Constituição) nem devem (de acordo com a tolerância e o respeito pelo Outro) exibir quaisquer símbolos religiosos nas salas de aula nem nos espaços comuns. Mas o mesmo se poderia dizer dos hospitais públicos, muito embora aqui faça todo o sentido a existência de uma capela interconfessional, onde ministros de culto de qualquer religião reconhecida possam realizar serviços religiosos para os doentes internados, sempre que isso se justificar. É preciso esclarecer quem não sabe que só os católicos se identificam com o crucifixo. Nem os ortodoxos, os protestantes ou os evangélicos (constituindo estes últimos o número mais significativo em Portugal, depois dos católicos), para não falar de religiões não cristãs, se identificam com tal símbolo. Estamos, portanto, muito longe da prática de uma efectiva liberdade religiosa em Portugal, continuando a assistir a uma luta surda entre católicos e ateus, como se nada mais existisse. É mais um sinal do nosso subdesenvolvimento.
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Fonte: Brissos Lino, Setúbal na Rede, 20/7/10***Via A Ovelha Perdida

sexta-feira, 14 de maio de 2010

14 Maio 1948 - Criação do Actual Estado de Israel - Discurso de Ben Gurion

Celebra-se hoje o 62º Aniversário da Independência do moderno estado de Israel. Um acontecimento que se enquadra num plano vasto, sob várias perspectivas, e a que os cristãos não podem ficar indiferentes.

segunda-feira, 29 de março de 2010

"A Pedofilia na Igreja Católica"

Na semana passada, fui abordado por vários jornalistas sobre a calamidade dos padres pedófilos. Que achava? A resposta saía espontânea: "Uma vergonha." Aliás, no sábado, apareceu, finalmente, a Carta do Papa, na qual manifestava isso mesmo: "vergonha", "remorso", partilha no "pavor e sensação de traição".

O pior, no meio deste imenso escândalo, foi a muralha de silêncio, erguida por quem tinha a obrigação primeira de defender as vítimas. Afinal, apenas deslocavam os abusadores, que, noutros lugares, continuavam a tragédia.

Há na Igreja uma pecha: o importante é que se não saiba, para evitar o escândalo. Ela tem, aliás, raízes estruturais: o sistema eclesiástico, clerical e hierárquico, acabou por criar a imagem de que os hierarcas teriam maior proximidade de Deus e do sagrado, de tal modo que ficavam acima de toda a suspeita. Mas, deste modo, aconteceu o pior: esqueceu-se as vítimas - no caso, crianças e adolescentes, remetidos para o silêncio e sem defesa.

Neste sentido, o Papa dirige-se criticamente aos bispos: "Foram cometidos sérios erros no tratamento das acusações", que minaram "seriamente a vossa credibilidade e eficiência". Por isso, "só uma acção decidida levada em frente com honestidade e transparência poderá restabelecer o respeito em relação à Igreja". Mas, aqui, há quem pergunte se não foram ignoradas as responsabilidades do Vaticano nestes erros e silêncios.

É sabido que infelizmente a Igreja Católica não tem o monopólio da pedofilia, que passa por muitas outras instituições: religiosas, civis e militares - há dados que mostram que a maior parte dos casos acontece nos ambientes familiares -, e é decisivo que todos assumam as suas responsabilidades, pois não é bom bater a culpa própria no peito dos outros. Mas é natural que o que se passou no seio da Igreja seja mais chocante, já que se confiava mais nela.

Até há pouco tempo, a Igreja pensou que era a guardiã da moral e queria impor os seus preceitos a todos, servindo-se inclusivamente do braço secular, ao mesmo tempo que se julgava imune à crítica. Recentemente, a opinião pública começou a pronunciar-se também sobre o que se passa na Igreja, pois todos têm o direito de debater o que pertence à humanidade comum. Há quem diga que, no caso, se trata de revanchismo. A Igreja tem dificuldade em lidar com a nova situação, mas, de qualquer modo, tendo sido tão moralista no domínio sexual, tem agora de confrontar-se com este tsunami, que exige uma verdadeira conversão e até refundação, no sentido de voltar ao fundamento, que é o Evangelho.

As vítimas precisam de apoio e de reparação, na medida do possível. Esse apoio não pode ser só financeiro. Note-se que já se gastaram em indemnizações milhares de milhões de euros, sendo certo que os fiéis não pensariam que todo esse dinheiro havia de ter, infelizmente, este destino. Assim, até por isso, a Igreja precisa de reparar os males feitos e de uma nova atenção para que esta situação desgraçada nunca mais se repita, o que implica, por exemplo, uma atenção renovada no recrutamento de novos padres.

Os abusadores precisam igualmente de apoio, também psicológico, e de compreensão. Deve, no entanto, vedar-se-lhes o exercício do ministério e, uma vez que se está ao mesmo tempo em presença de um pecado e de um crime, deverão pedir perdão, reconciliar-se com Deus e colaborar com a Justiça dos Estados.

Não se pode estabelecer uma relação inequívoca de causalidade entre celibato e pedofilia, até porque há também muitos casados, até pais, que abusam sexualmente de menores. Mas também não se poderá desvincular totalmente celibato obrigatório e pedofilia, sobretudo quando, para chegar a padre, se foi educado desde criança ou adolescente num internato, aumentando o risco de uma sexualidade imatura.

Em todo o caso, será necessário pensar na rápida revogação da lei do celibato. Aliás, a Igreja não pode impor como lei o que Jesus entregou à liberdade. Enquanto se mantiver o celibato como lei, a Igreja continuará debaixo do fogo da suspeita.

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Fonte: Prof. Anselmo Borges in Diário de Notícias de 27 de Março de 2010