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segunda-feira, 23 de março de 2009

Belmonte, Portugal, Terra de Cabral.

Belmonte, Portugal, 22 de Março de 2009

Calcorreamos calçadas de Belmonte como quem perpassa história que toca o divino.

Percebemos o particular, mas confunde-nos o geral.

Belmonte, terra de Cabral, descobridor do Brasil, é um nome bonito para uma vila beirã, plena de história e de estórias, por certo, neste meus país, onde a geografia nos parece confusa, já que algumas vezes subverte a meteorologia, fazendo-se banhar com a solar estrela e remetendo para o litoral sul uma neblina mais própria das fraldas da serra que bordejámos.

Belmonte encanta-nos e prende-nos com o seu percurso de tolerância humanista e religiosa, que notamos a cada esquina , visivel nas muitas capelas católicas, alguns painéis de azulejos nas frontarias das casas, ou até nos cemitérios em que paredes comuns separam a fé dos que ali tiveram derradeira morada terrena. Catolicismo e Judaísmos partilhando em Belmonte ventos e paisagem, de serena grandeza, estes, lavando-nos, por momentos breves, o físico e a alma.

Insinua-se a sinagoga judaica, pequena, é verdade, quando comparada com os restantes templos, mas incrustada na alma da explendidamente bem conservada, e habitada, judiaria, que assiste, viva, aos ritos mosaicos, em cada desenrolar da velha Tora, pelo rabino de serviço a cada sábado, desafiando o tempo mas também as réplicas duma religião que nos transmite imagens duma outra fé letárgica...que teima em ferir a visão triunfante do Cristo Ressurecto. Percebemos ambos os ritos e suspeitamos dos dois e da sua missão de reconciliação do homem com Deus. Se ao menos reconciliassem a consciência humana, de uns e de outros, uns com os outros... Mas nem isso!!

Belmonte possui uma pequena mas desenvolta comunidade judaica que espera o seu messias, sem atender à história, aos relatos bíblicos ou às vozes que maioritariamente a rodeiam ( um caso de manifesta cegueira espiritual ), às quais, por outro lado, pelos vistos, o Messias “não resolveu” a questão da Salvação individual, quando expirou na cruz e ressuscitou ao 3º dia; a fazer fé, pelo menos, na velha, que, qual corvo devorador de cabalas, nos aborda, desafiando-nos a visitar a "sua senhora" ( quiçá temendo a forte procura das referências judaicas de Belmonte pelos turistas passantes ), recuando abruptamente, maldizendo-nos, quando lhe falámos do Cristo que morrera e ressuscitara, também por ela, também para ela, tal como por todos e para todos os judeus, incluindo os que integram a pequena comunidade de Belmonte.

Choca-nos a realidade histórica de Belmonte. Parecendo de tolerância, manifesta ela própria, nos memoriais existentes, as evidências do que também por ali sofreram cripto-judeus a quem não bastou o batismo/conversão cristã forçados para escapar das garras do santo ofício.

Os corvos sempre existirão à espera de um qualquer “banquete” de intolerância, mesmo que , em geral , tudo à nossa volta nos queira indicar que reinam beleza natural e convivência pacífica de ícones religiosos .

Belmonte é bonita, sim, mais as suas vertentes de verde embutido nos sopés dos montes fronteiros . E nós toleramos até os “corvos” que, pese embora, ainda por lá se sastifariam nos restos de um qualquer auto de fé, assim ele tivesse lugar.

Que Belmonte continue a ser, neste Portugal de brandos costumes, um lugar cimeiro de diálogo inter-religioso, e um referencial de tolerância numa velha europa mal resolvida nas questões da dimensão ética das fés que a enformam. Deus não se impõe, apenas propõe!

Corvos, sempre os teremos a sobrevoar a Paz provida de Tolerância, na expectativa de ocasional festim, mesmo se lhe for dada designação cristã.

sábado, 21 de março de 2009

Futuros Pregadores...

Olá! Tudo bem? Acho que vocês já me conhecem.

Chamo-me Riquinho e adorei e$te Evangelho da Prosperidade. Os Meus plano$ são: fazer parte de uma igreja evangélica, entrar na E$cola Dominical e e$tudar com a Bíblia Batalha Espiritual e Vitória Financeira. Po$teriormente pretendo fazer um curso num $eminário e tornar me um grande pa$tor, pregador e televangelista. Na minha igreja não entrarão “la$cados”, mas só gente da "Alta".

Com as vo$$a$ contribuiçõe$, além de um programa , penso até, também, em adquirir uma estação de Televisão. Os “la$cados” poderão contribuir para que nó$, o$ vocacionado$ (ou prede$tinados para ser rico$), po$$amo$, com dignidade, manter o no$$o padrão de vida.

A minha igreja $e chamar-se-á A$$EMBLÉIA DO$ FINANCEIRAMENTE VITORIO$O$. $e de$ejar contribuir, ou melhor, inve$tir no meu futuro mini$tério, é $ó fazer um depó$ito na conta abaixo:

Banco: CITY GO$PEL BANK

Agência: 666

Por Altair Germano

Via Púlpito Cristão

sexta-feira, 20 de março de 2009

Pregar a "Briba"...

Porque à Sexta convém descomprimir um pouco.... De tão engraçado, até perde a graça....

quarta-feira, 18 de março de 2009

Um Umbigo Grande de Mais... Sr. Cardeal...

Lemos, não podemos ignorar, mas nem sequer nos admiramos.

A propósito de Angola, o Público de hoje junta em título as seitas e as igrejas evangélicas, como se fossem uma mesma coisa.

O texto começa por referir a “grande preocupação” da hierarquia católica em Angola e do núncio apostólico em Luanda, pelo crescimento explosivo das seitas e igrejas evangélicas. Não se compreende. Que o catolicismo angolano se preocupe com as seitas ainda se entende, mas não com o crescimento dos evangélicos.

Como é? Então em Portugal enche-se a boca com ecumenismo, e mantêm-se um diálogo permanente, através de encontros periódicos entre a Conferência Episcopal, e as igrejas protestantes (COPIC) e evangélicas (Aliança Evangélica) e em Angola isso já é motivo de preocupação porquê? Teriam a caridade de explicar?

Depois designam-se os cristãos evangélicos por “evangelistas”, nomeação abstrusa e canhestra, na qual não se revêem de todo. Quanto muito “evangelicalistas” (do inglês “evangelicals”). A esmagadora maioria das igrejas evangélicas em Portugal está associada na Aliança Evangélica Portuguesa, não “Evangelista”.

Citando a Reuters, o jornal menciona a opinião do cardeal angolano Alexandre do Nascimento: “(…) os que estão sedentos têm de procurar a fonte certa, aquela onde não há água estragada”. Mais uma vez se junta a água com o vinho. Estará o líder religioso angolano a falar de quem? Das seitas? Das igrejas cristãs não-católicas? Era bom que o próprio, dadas as responsabilidades que tem, esclarecesse o alcance das suas palavras, de modo a não restarem dúvidas.

O Público também não esclarece, prestando assim mais um contributo à desinformação geral em matéria religiosa, sempre que esta transborda as margens do catolicismo, à semelhança da generalidade dos órgãos de informação portugueses. É o país que temos.

In Publico de 17 de Março de 2009

Via A Ovelha Perdida

segunda-feira, 16 de março de 2009

NO CENTENÁRIO DE D. HÉLDER CÂMARA

Se fosse vivo, D. Hélder Câmara, um dos profetas maiores do século XX, teria feito 100 anos no passado dia 7 de Fevereiro. Nasceu em 1909, em Fortaleza. Foi bispo auxiliar do Rio de Janeiro e arcebispo de Recife e Olinda. Morreu no dia 27 de Agosto de 1999.

Conhecido no Brasil e em todo o mundo pela sua militância a favor dos direitos humanos, foi perseguido por causa da denúncia destemida da tortura e da miséria, chegando a ser acusado de comunista. Costumava dizer: "Se dou comida a um pobre, chamam-me santo; mas, se pergunto porque é pobre, chamam-me comunista." Esteve na base da fundação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da criação do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), bem como da Teologia da Libertação. Percorreu o mundo com conferências que contagiavam multidões. Queria uma Igreja pobre, ao serviço dos pobres. Ele próprio deu o exemplo: no Recife, viveu 21 anos numa casa pequena e modesta, aberta a todos.

Conheci-o pessoalmente em Roma, em Outubro de 1974, por ocasião do III Sínodo dos Bispos. Foi uma conversa longa, publicada num caderno (esgotado) com o título "Evangelho e Libertação Humana", donde retiro algumas declarações.

A Igreja precisa de renovação constante. "Tudo o que for sobrecarga, laço, prisão, criados pelos homens, tudo o que for tabu, tudo isso pode e deve ser raspado, como quem raspa o fundo de um barco. Quando penso na Igreja, eu me lembro da barca, não apenas de Pedro, porque a barca é do Cristo. Precisamos de raspar periodicamente o limo que se vai juntando no fundo do barco e inclusive substituir de vez em quando alguma tábua que apodrece."

Essa renovação embate com enormes dificuldades. "Eu cheguei como arcebispo a Recife, uma cidade do Nordeste brasileiro, uma das áreas subdesenvolvidas do país. Mesmo assim, eu recebi como casa uma casa já velha, mas enorme, com o nome de palácio. E dentro dele havia duas salas de trono: uma, mais solene, para as grandes recepções, e outra para o diário. Para receber todas as pessoas era um trono!... Pois bem! Eu levei seis meses para poder livrar-me da primeira sala e ano e meio para livrar-me da segunda!... Então, que cada um olhe em volta de si e veja como ainda está preso, por exemplo, pela sociedade de consumo. Como nós somos escravos da sociedade de consumo! Como é difícil arrancar-nos das estruturas!"

Para a transformação do mundo, acreditava em minorias conscientes e críticas que, a partir da subversão e conversão interior, lutassem, mediante a não violência activa, por um mundo justo e fraterno. "Estas minorias já existem. Precisamos de unir estas minorias que desejam um mundo mais respirável, mais humano, uni-las dentro de uma mesma cidade, de uma região, de um país, de país a país, porque hoje, sobretudo com as multinacionais, com todo o complexo de poder económico, utilizando técnicas, meios de comunicação social, se infiltrando nos Governos, utilizando não raro militares, diante dessa força imensa, é impossível a um país sozinho construir uma sociedade mais humana."

Estávamos longe da queda do muro de Berlim. Mas, animado pela utopia da libertação, pensava que "um socialismo humano", cujo caminho "estamos tentando descobrir", era a via para a justiça. "Eu sei que há tentativas aqui e acolá, mas ainda se não chegou a um socialismo verdadeiramente humano que, longe de esmagar a pessoa, pelo contrário, de facto nos arranque das estruturas capitalistas, da engrenagem capitalista, mas não para meter-nos em novas engrenagens".

Foi um dos principais animadores do "Pacto das Catacumbas" -- assinado por 40 Padres Conciliares, pouco antes do encerramento do Concílio Vaticano II, nas catacumbas de Roma. Nele, sublinha-se a pobreza evangélica da Igreja, sem títulos honoríficos nem ostentações mundanas. Como Povo de Deus, o seu governo assenta na colegialidade e co-responsabilidade. Insiste-se na abertura ao mundo, na transformação social e no acolhimento fraterno.

De certeza não teria excomungado, como fez há dias um sucessor, os responsáveis por aborto em menina de 9 anos, abusada pelo padrasto.

Por Anselmo Borges

In Diário de Notícias de 14 de Março de 2009

quarta-feira, 11 de março de 2009

Religião Sem Redenção = Doença Grave !

Se tem uma coisa que detesto é quando as pessoas transformam em credo sua impotência ou sua alienação.

Muriel Barbery em A elegância do ouriço - Cia das Letras, p.88

In Blogue de Ricardo Gondim

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Barack Obama fala claro sobre Religião e Secularismo

Quando faltam algumas horas apenas para que Barack Obama tome posse como 44º Presidente dos Estados Unidos da América e, com o olhar do mundo ( mergulhado este numa da piores crises económicas das últimas décadas ) repousado sobre si e dependente do que o presidente irá fazer, mas essencialmente, como irá fazer, é interessante ouvir e perceber a sua visão e o que ele pensa sobre Cristianismo, pluralidade religiosa e as intersecções da fé com o quotidiano dos cidadãos Norte-Americanos. Nesta, como noutras matérias ( como comprova a história recente), para o bem e para o mal, na presente hora, somos todos mais "americanos" do que possamos imaginar, com a " pequeníssima" diferença de não termos direito a voto.

* O VÍDEO ABAIXO ESTÁ LEGENDADO EM PORTUGUÊS *