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sexta-feira, 12 de abril de 2013
Gaspar, o Psicopata Social
Carlos Vargas, ex-assessor do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, acusa o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, de ser "um psicopata social e não um ministros das Finanças". Na sua conta no twitter, o ex-assessor do Governo afirma que "cada dia que passa mostra que Vítor Gaspar é o ministro das Finanças mais arrogante e mais incompetente desde o reinado de D.Maria II".[...]
in Diário de Notícias online
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Macacos sem Fé e sem Sonhos...
...Passos Coelho prossegue na tarefa de demolição a que se propôs. Ignora que não se altera um Estado e as suas estruturas sociais, culturais e morais com contas de subtrair. Galbraith, hoje esquecido, provou-o com os exemplos do nazismo e do fascismo. É impressionante a desfaçatez com que este homem nos mente, falando como quem se dirige a mentecaptos. 17 por cento de desempregados não o comovem nem demovem. Ameaça que a praga não vai parar. Estamos a morrer como pátria, como nação e como povo mas coisa alguma emociona estes macacos sem fé e sem sonhos. Ri, alarvemente, com o Vítor Gaspar ("um génio" na expressão dessoutro "génio", António Borges), e chega a ser comovente o preguiçoso desdém com que Paulo Portas é tratado pela parelha.
Chegados a este ponto, é lícito perguntar: até onde a democracia pode admitir e sustentar estas indignidades?[...]
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Na Encruzilhada...
O regresso forçado a uma moeda própria é o que teremos
de mais certo, se este Governo, dopado pela austeridade,
continuar a confundir sonambulismo com determinação.
Viriato Soromenho Marques in Diário de Notícias
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
O Relvas é uma Erva Daninha...
MANIFESTO ANTI-RELVAS
Basta! PUM!
Basta de Relvas! PIN!
Um povo que consente deixar-se governar por um Relvas
não é um povo!
É um povinho!
Um povinho ignorante e cego!
Abaixo a ignorância e a cegueira! PAM!
Abaixo o Relvas! PUM!
Um povo com um Relvas no governo é um povo condenado!
Um governo com um Relvas no pacote não é um governo,
é um laboratório de vírus!
Um povo com um governo infestado de vírus não sobrevive!
Desinfeste-se o governo!
Mate-se o vírus! PUM!
Demita-se o Relvas! PIN!
O Relvas não presta!
O Relvas é um manhoso!
O Relvas é um ambicioso sem escrúpulos!
O Relvas é um peso morto!
O Relvas é uma erva daninha!
Pise-se o Relvas!
Cuidado com o que se pisa ao pisar o Relvas!
AGHRRR!
[...]
Fonte: De Rerum Natura
Ler texto integral AQUI
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Carta do Professor Eugénio Lisboa ao Primeiro Ministro de Portugal
Exmo. Senhor Primeiro Ministro
Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.
Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.
A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se contempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.
Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,
terça-feira, 11 de setembro de 2012
A Doutrina de Choque
...O PM fala do "sofrimento" e da angústia" das famílias, mas os reformados e pensionistas continuam privados de dois meses de vencimento, como destacou André Macedo. E, pasme--se, os trabalhadores com salário mínimo perderão 34 euros mensalmente na "revolução fiscal" que transformará a contribuição dos assalariados para a Segurança Social num verdadeiro imposto (como sublinhou Bagão Félix). Mas o pico da indigência moral deste discurso é a passagem em que o PM, referindo-se aos funcionários públicos, afirma que: "O subsídio reposto será distribuído pelos doze meses de salário para acudir mais rapidamente às necessidades de gestão do orçamento familiar." Que subsídio reposto? Se o corte do segundo subsídio é mantido, e o corte do primeiro é substituído pelo novo imposto para a Segurança Social (aliás, por excesso, pois os 7% são aplicados à massa bruta do salário, como destaca Pedro S. Guerreiro), o PM, sem corar de vergonha, redistribui mensalmente pelas famílias referidas, uma grandeza negativa! Em 2007, Naomi Klein lançou o seu profético ensaio "A Doutrina de Choque", onde mostra como nos últimos trinta anos se tem construído no mundo inteiro, à custa de situações de emergência, um verdadeiro "capitalismo de desastre", onde os abismos de classe aumentam exponencialmente. Portugal, com a emergência da troika, juntou-se ao clube dos países onde o Governo se transformou na principal fonte de subversão política e de instabilidade social.
Viriato Soromenho Marques in Diário de Notícias Online
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Este Será o Último Verão da Zona Euro...
A natureza das instituições avalia-se pela sua resiliência às crises. O carácter dos amigos mede-se pela sua capacidade de ficarem ao nosso lado, contra tudo e contra todos, nas horas de perigo e desgraça. O que está a suceder a Espanha, a mergulhar numa espiral de destruição, revela que a União Económica e Monetária, como está, se tornou uma sala de tortura, condenada a perecer, e que os Estados membros da União Europeia são governados por uma gente pequenina que não percebe que é preciso ajudar os nossos aliados para nos ajudarmos a nós próprios. O índice IBEX, das maiores empresas espanholas, tem hoje menos valor bolsista do que dívida conjunta dessas empresas. A dívida pública espanhola (e italiana) está a subir em todos os prazos, apesar do incrível pacote de terror económico imposto por Berlim e Bruxelas a Madrid, para a aprovação do empréstimo de cem mil milhões de euros para o sector bancário. As autonomias, com Valência à cabeça, estão arruinadas. O cínico Weidmann, o torquemada monetarista à frente do Bundesbank, aconselhou Espanha a pedir um "resgate completo". Suprema crueldade! O FEEF está reduzido a trocos e o MEE está na mesa do Tribunal Constitucional Alemão, sob observação, pelo menos até 12 de setembro... O BCE nunca mais fez compras no mercado secundário. Prometer o que não se tem é o máximo insulto a quem precisa... Reina o silêncio dos cobardes na maioria das capitais europeias. O de Lisboa é inqualificável. Só Monti, que sabe ser a Itália o próximo alvo, expressa a sua inquietação em voz alta. Por este caminho, este será o último verão da Zona Euro. O último verão antes de uma nova, perigosa e incerta geografia política europeia, cujas dores de parto não pouparão ninguém.
Viriato Soromenho Marques in Diário de Notícias Online
segunda-feira, 25 de junho de 2012
A Metáfora do Futebol...
Se a política fosse como o futebol esta semana teríamos certamente, de uma maneira ou de outra, uma parte da crise europeia resolvida.
A Alemanha vai reunir-se com os "PIGS" e, domingo próximo, veremos quem sairá vencedor.
Se tudo fosse tão simples na economia e na política como no jogo jogado do futebol, era só convocar um europeu, meter os jogadores e treinadores em campo e esperar que tudo se resolvesse no fim. O problema é que na política raramente emerge um vencedor sózinho mesmo que os que perdem sejam mais do que os que ganham.
Só faltará à cimeira das meias-finais europeias a Grécia; foi despachada pela Alemanha por ter demonstrado muito fraca capacidade para estar presente no momento em que tudo se resolva aos pontapés à bola. A vida dos gregos já se vinha habituando, nos últimos tempos, a ser tratada ao pontapé pelos alemães e seus amigos tradicionais e mesmo que tenha marcado alguns golos de sopetão e inopinados isso não chegou para mudar a tendência do jogo...
A Espanha acha que tudo se resolve cansando os adversários com fintas e jogo escondido e retirando-lhes aquilo que é fundamental para jogar claro e linear. Mas se eles próprios não controlarem o seu jogo, que até já não está a ser tão bonito, ser-lhes-á difícil terem sucesso, e aí estará o gozo dos adversários: não darem a Espanha a felicidade de continuar um joguinho "cínico"; se o conseguirem, Espanha não terá como se resgatar. Portugal, como habitualmente, está sempre à espera de um homem providencial que resolva todos os problemas que fecham o caminho para a vitória. A verdade é que os homens providenciais raramente conseguem resolver o jogo sózinhos. O jogo ( o da política também ) é um trabalho colectivo e só assim conseguiremos ambicionar uma boa posição na final. Itália, la bela Itália, chegou ao leste arrostando a auréola recorrente da corrupção no cálcio. Deixa algum perfume em campo, não sei é se a Alemanha acredita no jogo italiano o suficiente para se render ao seu perfume, não porque não gostem dele, mas porque preferem o cheiro a suor...
Nesta cimeira da Alemanha contra os "PIGS", tudo se terá resolvido no fim do dia do próximo domingo, quando os dois finalistas entrarem em campo. Aí saberemos quem ganhou e quem perdeu. Claro que eu já sei muito bem por quem vou torcer, mas suspeito que os "PIGS" não tem eficácia suficiente para derrubar a Alemanha e a teimosia das suas convicções postas em campo. Veremos se Merkel vai continuar aos saltos na bancada rejubilando com a derrota do futebol perfumado dos "PIGS", agora que a França já não está do seu lado.
Há que reconhecer a eficácia dos alemães quando se trata de concretizar; raramente alguém os bate. Claro que isto é mais verdadeiro na economia que no futebol embora nos dois campos de jogo seja cada vez mais verdade a máxima de que no futebol são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha. Mas a Alemanha foi sempre assim, gosta de esmagar os adversários, e normalmente só uma parede sólida e coesa a pode parar. Na política e no futebol eu espero que isso aconteça rapidamente, que a Alemanha seja barrada antes de chegar a um final apoteótico com a europa debaixo dos seus pés. O perfume, às vezes, também pode ser eficaz...
Jacinto Lourenço
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Política - A Grande Porca...
Estamos habituados a que, para concorrer a uma boa parte dos empregos públicos em Portugal seja norma, entre outros procedimentos, a obrigatoriedade da entrega de um certificado de registo criminal. Não se discute o rigor, o que se estranha é que isso seja exigido ao comum cidadão que concorre a um lugar, por exemplo, de administrativo e não seja exigido, com mais cabimento até, aos titulares de cargos políticos ou àqueles que são nomeados por estes para exercerem funções não políticas.
Parece que, afinal, a regra só se aplica aos cidadãos que trabalham para o estado e que tiverem de se sujeitar a um concurso público para o fazerem. Para os titulares de cargos políticos ou para as pessoas por eles recrutadas e nomeadas, a norma é diferente. Isto é: ao comum cidadão, exige-se que nunca tenha tido problemas com a justiça e menos ainda que tenha sido condenado pela mesma, já os nomeados por titulares de cargos políticos são sempre considerados fulanos, ou fulanas, de boa estirpe e com pedigree certificado...
Ora, a fazer fé nos meios de comunicação, o que se constata pelo que aconteceu com a senhora Ana Moura ( não a fadista ), que é vogal da comissão política do PSD de Setúbal e vice-presidente do PSD da secção de Almada, é que esta senhora foi nomeada pela secretária de estado do tesouro, Maria Luis Albuquerque, como sua secretária. Até aqui tudo normal, se passarmos de lado os habituais esquemas de clientelismo partidário que funcionam nos partidos políticos especialmente quando estes ocupam o poder. O problema é que a dita senhora, Ana Moura, quando foi nomeada secretária pessoal da secretária de estado do tesouro, já estava referenciada como uma grande devedora ao fisco ( o que por si só a impediria do exercício de funções públicas ) e, para além disso, corria contra o PSD de Almada uma acção judicial por falta de pagamento das rendas devidas pelo prédio ocupado pela sede da referida secção partidária. Mas então o que é que a falta de pagamento das rendas tem a ver com a dita Ana Moura ? Rigorosamente nada, não fora o caso de ela ser a responsável por esse pagamento à senhoria e de, durante muito tempo, não o ter feito, agravado pelo facto de falsificar os recibos, supostamente passados pela proprietária do local da sede do PSD de Almada, e de depositar na sua conta pessoal o dinheiro que era destinado para o efeito.
Nada disto é extraordinário, numa primeira abordagem passaria até por um simples caso de polícia que tivesse chegado à justiça. A questão fundamental que este caso levanta, e que serve apenas de exemplo para o que queremos dizer, prende-se essencialmente com o escrutínio que o estado faz a à vida de qualquer pessoa que se candidata a um lugar de motorista ou contínuo e de como prescinde desse mesmo escrutínio para quem é nomeado pelos titulares de cargos políticos e escapa ao olhar perscrutador sobre as suas competências e condições para o efeito. Pelos vistos, o estado entende que um vulgar cidadão, que concorre ao exercício de funções públicas, nem que sejam as mais humildes ( e eu não contesto o processo ), tem que provar que não é criminoso, mas um outro cidadão, que está filiado no partido político , seja ele qual for, que ocupa o poder, nomeado por um titular de cargo político, é sempre considerado "boa gente" e está dispensado de fazer prova do seu passado, ainda que possa ter um currículo pouco recomendável; claro que isso não interessa nada para o caso, desde que o colega do partido "o conheça desde pequenino"... Pelos vistos, é prova suficiente da sua aptidão para o exercício de funções públicas ter a carteira de contactos partidários em dia, o resto arranja-se...
Mais difícil é acreditar num país dirigido por gente desta. Qualquer dia as tetas já não chegam...
Jacinto Lourenço
terça-feira, 19 de junho de 2012
A Velha e a Nêspera
...Uma nêspera estava na cama, deitada, muito calada, a ver o que acontecia. Chegou a Velha e disse: olha uma nêspera e zás comeu-a! É o que acontece às nêsperas que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece![...]
A posição dos portugueses e do seu governo é coincidente: a da nêspera. Passos espera que, perante a sua obediência, os outros reconheçam a nossa insignificância e, na hora do naufrágio, nos arranjem um lugar no barco salva-vidas. Os portugueses esperam que, não fazendo ondas e garantindo esta paz podre, alguém nos venha salvar desta agonia. Só que a estabilidade política que vive da apatia dos cidadãos e da bovina obediência das Nações nada pode trazer de bom a um povo. As nêsperas nascem e vivem para ser comidas. Se insistirmos em ficar quietos, à espera de Merkel ou de Hollande, dependendo da convicção ideológica de cada um, é esse o destino que nos espera. Chega a velha e zás!
A posição dos portugueses e do seu governo é coincidente: a da nêspera. Passos espera que, perante a sua obediência, os outros reconheçam a nossa insignificância e, na hora do naufrágio, nos arranjem um lugar no barco salva-vidas. Os portugueses esperam que, não fazendo ondas e garantindo esta paz podre, alguém nos venha salvar desta agonia. Só que a estabilidade política que vive da apatia dos cidadãos e da bovina obediência das Nações nada pode trazer de bom a um povo. As nêsperas nascem e vivem para ser comidas. Se insistirmos em ficar quietos, à espera de Merkel ou de Hollande, dependendo da convicção ideológica de cada um, é esse o destino que nos espera. Chega a velha e zás!
Daniel Oliveira in jornal Expresso
Ler texto integral AQUI
quinta-feira, 14 de junho de 2012
A Fénix Europeia...
... O verão de 2012, na sequência dos estios de 1914 e de 1939,
poderá ficar na história como o terceiro suicídio da Europa
em menos de cem anos. Só a Alemanha poderá evitar o pior.
Se nada fizer, arcará com as consequências na altura em que
a Fénix europeia se reerguer das cinzas.
Viriato Soromenho Marques
Ler texto integral AQUI no Diário de Notícias online
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Os Tentáculos do Neoliberalismo
...O neoliberalismo nada tem contra haver Estado suficiente para parcerias público-privadas desastrosas para o erário público; para tráficos de influências e garantias de proveitosas carreiras; para salvamentos de bancos nacionais impostos por um sistema financeiro internacional que confisca a democracia; para sistemas educativos que formem elites ou para sistemas de saúde que se ocupem dos doentes que não são rentáveis para a medicina privada. O neoliberalismo nada tem contra haver na sociedade autonomia suficiente canalizada para o assistencialismo ou a caridade, desde que essa acção não questione intelectualmente, nem abale através de práticas, o imobilismo trágico das desigualdades socioeconómicas e a irracionalidade de um modelo económico iníquo.[...]
Sandra Monteiro in Le Monde Diplomatic edição portuguesa
terça-feira, 22 de maio de 2012
A Culpa da Grécia e a Culpa da Alemanha
Quando, em maio de 1945, a Alemanha perdeu a II Guerra Mundial, tinham morrido, ninguém sabe ao certo, uns 40 milhões de pessoas. O país estava literalmente destruído e contava, por sua vez, cerca de sete milhões de mortos. As potências vencedoras decidiram viabilizar economicamente a nova Alemanha, apesar de a terem separado da Áustria e de a terem dividido: a RFA sob a tutela da Grã-Bretanha, França e Estados Unidos; a RDA sob a tutela da União Soviética. Mas esta solução foi bem melhor do que a que Churchil, o primeiro-ministro inglês da guerra, chegou a planear: transformar o país num enorme campo agrícola, sem indústrias, sem serviços, sem nada.
De 1947 até 1952 a Alemanha Ocidental recebeu, do Plano Marshal, 3,3 mil milhões de dólares. Esta dívida foi paga ao longo de 25 anos, até 1978: mil milhões pelo Governo, os restantes 2,3 mil milhões por um Fundo que emprestou esse dinheiro a juros baixos e a prazos longos, principalmente a pequenas e médias empresas.
A partir de março de 1960 - 15 anos depois do fim da guerra - a Alemanha Ocidental - graças a um dos maiores crescimentos económicos de sempre, de que o povo da RFA tem todo o mérito mas que só foi possível realizar por não ter faltado dinheiro para investir - começou finalmente a pagar indemnizações devidas a 11 Estados : a Grécia recebeu 115 milhões de marcos alemães, a França 400 milhões, a Polónia cem milhões, a Rússia sete milhões e meio, a então Jugoslávia oito milhões. Foram pagos três mil milhões de marcos a Israel e 450 milhões a organizações judaicas.[...]
Ler texto integral AQUI no Diário de Notícias Online
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Ainda a Fúria no Pingo Doce...
Agora, que a espuma das notícias já se diluiu na comunicação social, que explorou à exaustão o "filão" Pingo Doce, julgo que posso reflectir um pouco sobre a campanha dos 50% desta cadeia de supermercados, especialmente porque não fico indiferente ao que se passa neste país sui géneris chamado Portugal.
Ao contrário do que uma parte da imprensa tentou fazer passar, a marcação da tal promoção para o dia 1 de Maio não foi inocente e nem se tratou de mera coincidência. A prová-lo, o facto dos patrões do Pingo Doce terem pago o dia a 500%, isso mesmo, 500%, aos trabalhadores que se apresentaram ao trabalho furando a greve convocada pelos sindicatos respectivos. Podiam ter feito a promoção, ( e não temos nada contra as promoções no comércio ) num sábado, num domingo ou num outro qualquer dia da semana, mas não, o que lhes deu mesmo jeito, com tantos dias disponíveis para isso, foi o dia 1 de Maio... Houve portanto, parece-me, a intenção clara da entidade patronal desferir um "golpe" no movimento sindical e, simultaneamente, no simbolismo do 1 de Maio que é, desde há muitos anos, como sabemos, um dia historicamente associado à luta dos trabalhadores pela dignidade do trabalho. Claro que o primeiro dia do mês de Maio, feriado nacional em boa parte dos países do mundo, não é uma "vaca sagrada" intocável, mas também é verdade que deveria merecer mais respeito seja por parte dos trabalhadores, dos patrões ou dos governos. Afinal, as efemérides valem por aquilo que representam e, de facto, para patrões e para a generalidade dos trabalhadores portugueses, valem muito pouco, hoje, a observar pela importância que uns e outros lhe dão. Hoje troca-se dignidade por meia dúzia de bolotas...
As imagens que vi na televisão, e que mostravam o interior dos supermercados e a sofreguidão das pessoas por produtos, mesmo que não lhes fizessem falta nenhuma, mostraram que os piores sentimentos existentes no ser humano podem ser despertados e vir ao de cima a qualquer momento nas situações mais inopinadas.
Não é verdade que esta campanha do Pingo Doce tenha sido ditada por sentimentos de compaixão dos donos da cadeia face à crise que atinge os mais pobres. Aliás, poucos pobres, em Portugal, podem dispor, assim do pé para a mão, sem estarem a contar, e em função de marcação aleatória de uma campanha, de cem, duzentos, trezentos euros ou mais para irem a correr fazer compras no supermercado. Quem aproveitou a campanha, tinha dinheiro para gastar, e dinheiro que não lhe iria fazer falta no imediato pois caso contrário não o teriam gasto...
A campanha dos 50% mostrou os estados de alma que norteiam muitos portugueses consumidores e alguma distribuição, e desses estados de alma emerge a face mais negra do consumismo e da ganância e ainda da falta de ética e de valores que levam alguns ditos empresários a pretenderem arrasar com a produção nacional e com tudo o que cheire a dignidade e ética empresarial no meio em que operam. Soares dos Santos deixou cair, agora completamente, a máscara de "campeão" da ética e da responsabilidade social. É quase impossível alguém voltar a acreditar nas palavras deste homem quando ele for às televisões dar "lições" de moral aos portugueses.
Finalmente uma palavra para os sindicatos e alguns partidos políticos que vieram reclamar nos media do "dumping" praticado pela Jerónimo Martins face à concorrência. Confrangedor, ver partidos e sindicatos que, à falta de outros argumentos ( e tinham-nos com fartura ), utilizavam os que seria normal serem utilizados pela concorrência do Pingo Doce. Desde quando é que o "dumping" é assunto que deva estar em primeiro plano no léxico dos sindicatos e de alguns partidos que se reclamam, principalmente, da defesa dos direitos dos trabalhadores ? Talvez fosse melhor ocuparem o seu tempo com um debate interno à volta da razão que leva milhões de trabalhadores a afastarem-se das festividades do dia do trabalhador em lugar de se preocuparem com os assuntos que a 1 de Maio deviam ser do domínio da concorrência na distribuição e das autoridades reguladoras competentes. Apenas deprimente.
Depois de 2012, o dia 1 de Maio, em Portugal, não voltará a ser olhado da mesma maneira, para mal dos trabalhadores, dos sindicatos e de alguns empresários com "e" pequeno. O consumismo irresponsável e a ganância, esses continuam a dar cartas e a ter via aberta para um futuro sem ética nem padrões de espécie nenhuma na vida de muita gente.
Jacinto Lourenço
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Que Europa para Celebrar ?!
( Assinatura do tratado de Roma -1957 )
«A União Europeia celebra hoje, em Bruxelas e um pouco por todas as capitais dos 27 Estados-membros, o "Dia da Europa", que assinala este ano o 62.º aniversário da chamada "Declaração Schuman" (1950), considerada o início do projeto europeu.»
Diário de Notícias, 2012,05,09
Shuman, Adenauer e Monnet, talvez soubessem que projecto tinham para a europa. Hoje é difícil que alguém na europa saiba o que é isso de projecto europeu. Uma europa dominada por ambições e particularismos sociais e económicos de um ou dois países não pode ser, nunca, um projecto credível que leve os cidadãos europeus a acreditarem e a nele investirem. A europa que temos hoje pode ser tudo o que se pretender mas não pode já ser celebrada em nome de um sonhado projecto que talvez fosse, quiçá, demasiado visionário e não tivesse levado em conta a incapacidade de os países europeus gerarem líderes políticos capazes de olharem além dos seus próprios umbigos. Faz pouco ou nenhum sentido celebrar hoje o "Dia da Europa", especialmente porque já ninguém sabe o que é ou virá a ser a europa, mais ainda quando quem manda são os alemães. Por muito que isso possa pesar sobre a memória dos "pais" da UE, celebrar um pretenso projecto europeu à distância de 62 anos vale hoje pouco menos do que mera retórica.
Jacinto Lourenço
quarta-feira, 11 de abril de 2012
O Melhor de Portugal é o Seu Povo...
O melhor que Portugal tem é o seu povo. O pior que o Portugal de hoje tem é a apatia e o amorfismo quando confrontado com a realidade e a necessidade de mudança e reacção face ao que o atinge.
Há coisas significativas na análise básica do perfil das gerações que numa determinada baliza temporal enforma a identidade de um povo e a sua idiossincrasia. O povo que somos hoje, não tem a mesma marca identitária do povo que fomos ontem. As gerações cruzam-se, sucedem-se, interligam-se nos antípodas das suas vivências. São influenciadas por factores diversos, endógenos ou exógenos e, mais do que as semelhanças, sublinham-lhe as diferenças. Olhar para as gerações que conviveram há cem anos atrás neste pedaço geográfico do extremo ocidental da europa, a que chamamos Portugal, e pretender compará-las com as gerações actuais só poderá redundar em erro grosseiro se não se salvaguardarem todos os consequentes distanciamentos.
Olhando para a história de Portugal, é fácil confirmar que as gerações contemporâneas se tornaram acomodadas e indolentes face ao seu presente e mais ainda face ao seu futuro, que é também o de Portugal.
Somos herdeiros recentes de uma ditadura fascista que durou quase 50 anos e que marcou significativamente a nossa memória colectiva desde 1926. O Estado Novo decidia o que as pessoas podiam ou não fazer, onde podiam ou não estar e que futuro podia ser o de cada um certo e seguro de que isso seria sempre diferente e determinante em função do local de nascimento e das condições sócio-económicas em que cada família se movesse. Isto é: se alguém nascia em Trás-os-montes ou no alentejo profundo, o mais provável é que vivesse agarrado à terra e à agricultura pelo resto dos seus dias, e mesmo que se pretendesse mudar de vida, melhorar, sair do círculo vicioso da pobreza e sub-desenvolvimento sócio-económico, o estado tudo fazia para impedir que isso acontecesse implementando políticas migratórias restritivas querendo com isso mostrar e sublinhar o lugar que estava destinado a cada ser nascido português. Nas cidades, a dificuldade de acesso das classes pobres à educação não permitia facilmente a saída da trama social que o estado e as classes ricas iam tecendo no sentido de dificultar a mobilidade ascensional dos mais desfavorecidos. Para as classes pobres, fazer a 4ª classe da instrução primária já era uma conquista, fosse na cidade ou no campo, e isso só mudou um pouco com o tímido desenvolvimento industrial das décadas de 1950/60 e com o aparecimento das escolas industriais e comercias para onde eram canalizados os filhos das classes operárias e rurais que podiam suportar o sacrifício de manter um filho a estudar até mais tarde. Universidade era coisa para gente rica e privilegiada ou que gravitava as esferas do poder nas suas diversas vertentes.
E foi assim até à madrugada de 25 de Abril de 1974. A revolução não foi feita pelo povo, pese embora este tivesse todas as razões para a fazer, mas pelos militares que estavam cansados de uma guerra colonial sem solução possível que não fosse a da auto-determinação dos territórios africanos ocupados. O povo apoiou e saiu à rua a festejar o fim da ditadura. Desde então muita coisa mudou, mas não a vontade manifesta de um povo, acomodado, em dizer basta à situação em que tem vindo a ser colocado pelas políticas partidárias e por um conjunto de políticos profissionais que nada mais fazem do que aplicar as medidas que o capitalismo parasitário lhe pede. E estas, como é bom de ver, recaem basicamente sobre as classes médias inferiores e os trabalhadores em geral. O que verificamos é que o povo vota e elege e, quando vota e elege, estabelece como que um pacto com os partidos políticos no sentido de estes aplicarem as medidas que prometeram ou, inversamente, de não aplicarem medidas lesivas dos interesses da nação. Facto é que assim que se instalam no poder, as políticas e os políticos vão em sentido oposto ao do pacto celebrado com o povo que neles votou. Ou seja, passam a governar em nome de outros interesses que não os de Portugal e dos portugueses. O que vimos é que o governo actual está apenas apostado em agradar aos banqueiros alemães e aos fundos disto e daquilo; os portugueses deixaram de contar e pouco importa se lhes agrada ou não o que a governação faz. Gaspar, Relvas e Passos, só têm olhos para os mercados... O povo português é apenas um acessório aborrecido no meio deste processo de submissão ao capitalismo selvagem. O governo rasgou o pacto eleitoral, o tribunal constitucional "perdeu" o original da constituição e já não verifica nem se preocupa em salvaguardar os direitos e deveres nela consagrados. Perante esta ilegalidade governativa e constitucional não tem o povo o direito de dizer basta, de se indignar, de fazer uma revolução ética e moral, de chamar à responsabilidade efectiva quem já perdeu o direito legal e moral de o governar !!?
A história de Portugal tem poucos registos que assinalem momentos em que o povo tenha decidido conduzir o seu próprio destino. Normalmente entregou essa responsabilidade a supostos "representantes" que na primeira oportunidade traem todas as expectativas que criaram de uma governação virada para os verdadeiros interesses da nação. Andamos à trinta e tal anos neste círculo vicioso de, literalmente, "entregar o ouro ao bandido", esperando sempre que alguém venha, providencialmente, qual D. Sebastião, resolver os nossos problemas. Depois, bem, depois lá estaremos para bater palmas ao cortejo da nobreza... Somos portugueses dum tempo geracional incapaz de enfrentar os seus próprios medos e desafios. E há sempre alguém, algum partido político, algum carreirista da política disposto a aproveitar essa fragilidade inscrita nos nossos genes, essa incapacidade de não sermos capazes de estar à altura da história ancestral de Portugal.
A história de Portugal tem poucos registos que assinalem momentos em que o povo tenha decidido conduzir o seu próprio destino. Normalmente entregou essa responsabilidade a supostos "representantes" que na primeira oportunidade traem todas as expectativas que criaram de uma governação virada para os verdadeiros interesses da nação. Andamos à trinta e tal anos neste círculo vicioso de, literalmente, "entregar o ouro ao bandido", esperando sempre que alguém venha, providencialmente, qual D. Sebastião, resolver os nossos problemas. Depois, bem, depois lá estaremos para bater palmas ao cortejo da nobreza... Somos portugueses dum tempo geracional incapaz de enfrentar os seus próprios medos e desafios. E há sempre alguém, algum partido político, algum carreirista da política disposto a aproveitar essa fragilidade inscrita nos nossos genes, essa incapacidade de não sermos capazes de estar à altura da história ancestral de Portugal.
Todos os dias o governo em Portugal elege como alvo preferencial das suas medidas, ditas de "ajustamento", o povo trabalhador e a classe média. Todos os dias há uma novidade que nos tira mais qualquer coisa, que nos faz regredir social e economicamente. Todos os dias sentimos que a injustiça é gritante por vermos a destruição de um estado que vimos construir e que construimos mais justo ao longo dos anos depois de 25 de Abril de 1974. Educação, saúde e direitos no trabalho são apenas três dos mais relevantes sectores onde Portugal se tinha tornado muito mais equitativo e até, em muitos casos, exemplar na europa, e contra os quais o governo em Portugal mais investe em destruição. A mando da Troica e por vontade própria, este governo ultra liberal acelera a sua sanha destruidora e procura fazer-nos regredir ao tempo do Estado Novo através de um veloz empobrecimento das classes trabalhadoras e dos mais desfavorecidos bem como da delapidação do que resta do aparelho produtivo do país. As forças policiais voltaram a bater indiscriminada e despudoradamente e os ministros a apoiar a sua acção. Para a economia existem ideias "inovadoras e de fundo" como sejam a exportação de pastéis de nata ou a implementação de franchising do frango no churrasco... A governação, de democrática, já nem o formalismo possui. O governo engana, mente, destrói, governa às escondidas e toma decisões nas costas do povo, comporta-se como autêntico "sniper" a quem é difícil fugir; quando damos conta, estamos abatidos... O presidente da república, aprova, hipócrita e cinicamente este estilo de governação de vão de escada; ficará para a história, de certeza, como um dos piores presidentes da república portuguesa em democracia formal.
Na década de 60 do século passado, os trabalhadores do alentejo, jornaleiros e assalariados explorados e agredidos, física e psicologicamente, pelos grandes latifundiários, com a cobertura, não necessariamente tácita, do governo de então e das designadas "forças da ordem", levantaram-se em luta pelo fim da cruel jornada laboral de sol a sol e pela fixação das oito horas de trabalho diário. Foram barbaramente perseguidos, espancados, torturados e alguns mortos pelas forças policiais ao serviço de um governo que nunca teve legitimidade para o ser. Resistiram estoicamente, sózinhos, de forma razoavelmente pacífica, mas não passiva. Alcançaram os seus objectivos. Pela primeira vez, na história dos últimos 50 anos, um governo em Portugal faz tábua rasa de uma conquista que resultou da força e do querer, da luta e do sacrifício de um povo pelo direito e pela justiça. Significativo e elucidativo ! Um exemplo para todos os portugueses, de todas as gerações, que deixa a convicção de que a apatia e o amorfismo jamais mudará seja o que for, tal como não impedirá que continuem a rir-se de quem tem lutado para fazer de Portugal um país mais justo e democrático, não apenas do ponto de vista formal.
Jacinto Lourenço
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Que Gente é esta, que governa Portugal....?!
Quando estava em campanha Pedro Passos Coelho criticou os sacrifícios exigidos aos portugueses. E disse, curiosamente no dia 1 de Abril de 2011: "eu já ouvi o primeiro-ministro dizer infelizmente que nós queríamos acabar com muitas coisas e também com o 13º mês mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate".
A 17 de Outubro de 2011, depois de ter feito o que era "um disparate" antes dos portugueses irem a votos, o ministro das Finanças disse: "o corte no subsídio de férias e de natal é temporário e vigorará durante o período de vigência do programa de ajustamento económico e financeiro e o período de vigência desse programa acaba em 2013".
A 4 de Abril de 2012 o primeiro-ministro disse: "A partir de 2015 haverá reposição desses subsídios. Com que ritmo e velocidade não sabemos". Antes de assumir esta alteração de prazos vários membros do governo ainda tentaram convencer os portugueses que nunca se tinham comprometido com a reposição dos subsídios em 2014.
Foi agora anunciado que essa reposição será feita às pinguinhas. Ou seja, o corte que era um disparate antes das eleições foi feito depois das eleições. Com o compromisso de voltarem a ser pagos em 2014. Nem serão pagos, na realidade, em 2015.
O governo falhou duas vezes o compromisso com os portugueses. Antes de ter o voto, prometeu que não faria o que fez. Antes da aprovação do orçamento, comprometeu-se com uma data que não vai cumprir. Em nenhum dos casos assumiu as suas mentiras.
"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?" A pergunta foi feita por Passos Coelho referindo-se a José Sócrates. Era justa na altura. É justa agora.
Daniel Oliveira in Expresso
quarta-feira, 28 de março de 2012
A Política e a Tourada...
Temos cada vez mais dificuldade em perceber para onde a actual classe política europeia pretende levar a europa. Aliás, julgo mesmo haver sérias razões para desconfiar da sua capacidade em levar a europa para algum lado, salvo para aquele que desemboca no precipício. Hoje só uma certeza sobressái da nebulosa União Europeia: a Alemanha é a grande, senão única beneficiária líquida deste complexo mundo novo e desconhecido que emergiu em 2008 e se prolonga agonicamente sabe-se lá por quanto tempo mais.
Entretanto os povos europeus, em particular os do sul, vão sofrendo as consequências de um mundo controlado por contabilistas e economistas.
Resumir a europa e a vida de milhões de pessoas e famílias a uma simples folha de cálculo, com duas colunas, uma de "deve" e outra de "haver", era um risco demasiado perigoso no jogo dos casinos dos mercados. Resultou no que se vê. Longe vai o tempo em que a União Europeia era um projectado espaço onde se procurava a integração de povos e culturas e a solidariedade entre as nações. Tal desiderato não passa hoje de um projecto romântico alimentado por alguns saudosistas ou humanistas mais crédulos quanto à bondade das decisões que saem das diversas cabeças desta hidra maquiavélica que nos governa a partir de Bruxelas.
Esqueçam a União Europeia enquanto projecto de encontro de raças e culturas caldeado pelo humanismo europeu e pelo desejo de paz, herança de séculos com que um dia sonhámos. Essa ideia já foi morta e enterrada por Merkel, Sarkozi e sus Muchachos. Por muita subserviência que alguns governantes de países do sul queiram mostrar em relação à ditadura alemã na europa, a Alemanha não abdicará do seu papel de bomba centrífuga sugando tudo à sua volta.
Dizem-nos que precisamos de empobrecer porque andámos a gastar de mais durante muitos anos. Não me reconheço individualmente nessa matriz tantas vezes apregoada nos últimos tempos, mas sou capaz de acreditar que sim, que os países do sul foram além do que podiam ou deviam. Não sou economista, nem contabilista e é por isso que posso às vezes fazer perguntas que serão tidas como ingénuas por economistas ou contabilistas. Uma dessas perguntas, que me ocorre com frequência, é o que levou os países do sul a gastarem dinheiro que não tinham ? Se não o tinham, onde foram eles buscá-lo ? Quem estava interessado em que o endividamento acontecesse ? Quem promoveu ou facilitou esse endividamento externamente ?
Claro que todos sabemos hoje que se não fosse a bolha do sub-prime ter estoirado nos Estados Unidos da América e ter rapidamente atingido a europa, a esta hora ainda andariam os mercados financeiros ( que o mesmo é dizer bancos alemães, franceses, e outros que tais.) a injectar dinheiro nas economias europeias na convicção de que o lucro era bom e o retorno garantido e seguro. A coisa correu-lhes mal e correu igualmente mal aos governos que acreditavam ser a União Europeia uma entidade capaz de agir solidariamente em defesa das economias mais fragilizadas. Descobriram afinal que a União europeia, e o euro, só servem na perfeição a um ou dois países, com a Alemanha à cabeça, e que todas as políticas económicas traçadas têm como principal objectivo a defesa dos interesses alemães e franceses e mais um ou dois parceiros do seu grupo de interesses.
E nós, como é que ficamos ? Já percebemos cá pelo burgo quem é que vai arcar com os custos da loucura económica de governos e mercados e da desregulação que permitiu essa loucura. Já percebemos, em Portugal, que o destino da incipiente classe média que se vinha a afirmar no pós 25 de Abril, é o caixote de lixo da história. Poucas vezes Portugal saiu deste paradigma, de ser o país da União Europeia com a maior desigualdade de rendimentos entre ricos e pobres. E o pior é que nenhum governo fomentou até hoje políticas de justiça social que invertessem essa tendência, bem pelo contrário.
Estamos certos de que a democracia seria capaz de resolver este problema. Só que em Portugal a democracia está há muitos anos refém das oligarquias partidárias que se alaparam ao aparelho do estado e o utilizam para perpetuarem a distribuição de mais valias pelas suas clientelas. Só isso explica que a democracia seja, em Portugal, meramente formal, e que a política seja, em Portugal, assim como que um género de tourada à espanhola: o toureiro ( os políticos ) agita um trapo vermelho que serve de engano para o touro ( o povo - salvo seja... ); este deixa-se levar pelo engano pensando que ao investir vai conseguir atingir algum objectivo, mas o toureiro engana-o uma e outra vez levando-o ao culminar da lide, que é a sua morte na arena, não sem antes ter sido espicaçado e bandarilhado repetidamente por forma a perder força e dar assim uma lide mais tranquila e lustrosa ao toureiro, com o risco da colhida minimizado. Ou seja: o touro só pensa em livrar-se dos obstáculos que tem pela frente, investindo com todas as suas forças, mas isso só serve os interesses do toureiro, que quer brilhar, nada mais. No final, para gáudio de quem assiste, uma estocada acaba com a vida do principal actor da tourada sem que este alguma vez suspeitasse que o era.
Jacinto Lourenço
sexta-feira, 23 de março de 2012
A Pedagogia da Porrada...
( Foto D.N. )
Independentemente da justeza ou oportunidade da greve geral convocada pela CGTP no dia de ontem ( assunto que não vem neste curto texto à discussão ), há uma coisa que me parece resultar mais ou menos óbvia para qualquer observador que, como eu, assiste a todos os desenvolvimentos sociais desde o pós 25 de Abril de 1974: quando a direita chega ao poder, a polícia fica com a mão mais leve para o cassetete e a brutalidade desnecessária das suas intervenções é uma imagem de marca da PSP e dos seus grupos de intervenção especializados em pancadaria. E isso é calculado e senão incentivado pelo menos tolerado pelas chefias, caso contrário não aconteceria, estou certo, até porque, tirando um ou outro arruaceiro de serviço, que se isolará facilmente, as manifestações em Portugal costumam ser razoavelmente pacíficas. Então porque é que a PSP bate sem razão aparente ? Dir-me-ão que é para controlar a ordem pública... Esta hipótese não colhe, até porque, não vi que ontem estivesse posta em causa. Então resta a hipótese de PSP estar a bater por ter instruções para isso e porque, pensarão os seus responsáveis, e sabe-se lá mais quem, há que fazer a pedagogia da porrada para desmotivar as pessoas de se manifestarem. Claro que se aceitarão outras hipóteses... Mas tal não invalida que eu deixe de pensar que estou certo, a avaliar pelo que vejo, e pelo que sei da nossa história, especialmente desde o Estado Novo até agora !
Jacinto Lourenço
Jacinto Lourenço
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