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segunda-feira, 4 de junho de 2012

A Música da Bíblia



 As canções da Bíblia, bem como outros textos bíblicos, foram escritos visando uma interpretação lírica da voz humana. Mas durante séculos não foi possível cantá-los na forma original, pensando-se que a sua música se tinha perdido.
  Em 1976 a musicóloga francesa Suzanne Haïk-Vantoura (1912-2000) publicou um livro e um LP – La Musique de la Bible révelée -, demonstrando a sua tese de decifração do significado das várias componentes do texto massorético1.

Haïk-Vantoura, profunda conhecedora da língua hebraica, do texto bíblico e, naturalmente, com uma formação musical exigentíssima, determinou, após um trabalho de investigação que durou quase cinco anos, que os acentos (te’amim) do texto massorético são, simultaneamente, musicais e exegéticos.


 Os acentos (te’amim) definem a melodia da Escritura a ser cantada na leitura pública; definem, igualmente, a acentuação silábica da leitura (estes dois aspetos, melodia e rimo, são musicais). Mas também mostram a forma como as palavras se devem ligar entre si, conforme se encontrem no final dos versos ou das frases, ou no interior das mesmas (este aspecto é exegético). Com efeito, a acentuação mais não é do que uma inflexão natural da voz, seguindo regras de pontuação e fraseamento - «E falou Moisés, na presença de toda a congregação de Israel, as palavras deste cântico (canção-falada, cantilena ou cantilação) até se acabarem» (Deut. 31:30); David escreveu: «Teus estatutos têm sido a inspiração de meus cânticos (zemirot, canções acompanhadas por harpa ou lira) por onde quer que eu peregrine» (Salmo 119:54).

Ler texto integral AQUI  no Blogue Eterna Sefarad

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Entender o Apocalipse

Ao iniciar a leitura do primeiro capítulo de Apocalipse, verificamos de imediato tratar-se de literatura bíblica em parte apocalíptica, em parte profética e em parte epistolar.
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O livro começa com a frase : “Revelação de Jesus Cristo”. A palavra “Revelação” deriva do grego “Apokalupsis”. Na versão portuguesa, o termo grego foi transliterado (a nível do título do livro), tendo resultado daí a palavra “Apocalipse”. A literatura de género apocalíptico revela-se sempre rica em simbologia e tipos alegóricos e metafóricos estranhos à linguagem normal, até mesmo para outros géneros que fazem destes recursos linguísticos uso recorrente, como a poesia. É um género literário com forte impacto verbal, que transmite imagens bastante fortes também, emprestando assim grande dramatismo aos acontecimentos narrados que extravasam os conceitos percepcionais do ser humano que acaba por os enquadrar e associar a uma aura de mistério . Contudo, para os leitores a quem se destina a revelação, esta linguagem nada traduz de anormal, bem pelo contrário. Estamos habituados a ela em diversos livros do Velho Testamento, como estavam também os leitores do tempo de João, especialmente os de origem Judaica. Não faria sentido que o livro fosse um “MISTÉRIO”, tendo como título “REVELAÇÃO”.
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Descrever a intervenção divina na vida dos homens, que está muito para além da nossa capacidade de a racionalizar, comunicar a visão de Deus e os seus grandiosos projectos numa linguagem perceptível aos redimidos, é essa a base da literatura Apocalíptica de forte conotação simbólica. Julgo que Deus manteve uma preocupação na visão que deu a João em Patmos, sendo esta igualmente a opinião de muitos comentadores bíblicos : Revelar a mensagem aos que entendiam a linguagem dos símbolos, e ocultá-la, por detrás dos símbolos, aos que a pretendam distorcer ou subverter com outro sentido que não aquele que lhe seja aplicável. Como diz na 1ª Coríntios 2:14 : “ Ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.
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Hoje, “Apocalipse” é normalmente conotado com julgamento e destruição grandiosa, espectacular e misteriosa muito ao gosto "hollywoodesco". Contudo, o termo grego Apokalupsis tem um significado precisamente oposto e remete para “desvendamento e revelação do que está oculto”. Como vemos, está nos antípodas … +
Por outro lado, o livro é também profético, dado que na sua revelação Deus introduz essa condição : “ Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam ( guardar significa preservar algo para que possa ser usado ou aplicado mais tarde ) as coisas que nela estão escritas…” A título de exemplo, temos os profetas que eram, como sabemos, homens inspirados e escolhidos por Deus, para proclamarem a sua palavra, os seus mandamentos, as suas instruções, para o futuro próximo ou distante, debaixo do poder do Espírito Santo, etc.
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Apocalipse revela uma intenção da parte de Deus e que é “desocultar” o que estava oculto aos nossos olhos e permitir que a igreja receba as bençãos que a Revelação promete aos que “ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas” ( v.1:3 ). Deus diz que esses são “bem-aventurados” .
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Finalmente, a característica epistolar de Apocalipse identifica-se logo no início do livro, no verso 4, com a típica saudação apostólica que João faz às sete igrejas: “João ás sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e o que há de vir, e da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono; e da parte de Jesus Cristo …” Neste caso, a saudação não é da parte de João mas de Deus, directamente para todos os salvos em Cristo. João foi apenas o “vaso”, o escriba usado pelo Senhor para fazer chegar até nós a sua Palavra.
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Jacinto Lourenço

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Decifrar os Mistérios da Bíblia

[ Titulo original do autor: "Decifrando os mistérios da Bíblia" ]

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“Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então veremos face a face. Agora conheço em parte então conhecerei como também sou conhecido” (1 Coríntios 13:12).
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Naquela época, os espelhos não eram tão polidos quanto hoje. A imagem refletida no metal era distorcida pela sua superfície irregular. Por isso, era necessário que se buscasse uma posição de onde se pudesse ver com mais precisão.
As Escrituras Sagradas nos servem como espelho através do qual podemos ter um vislumbre de Deus.
O que podemos ver num espelho? Qualquer coisa para o qual ele esteja voltado. Assim é com as Escrituras. Ao lê-las, podemos enxergar através delas nossas próprias deformidades. Suas páginas revelam a ambigüidade da natureza humana, capaz de proezas e crueldades, virtudes e vícios.[...] *** *** Continuar a ler artigo AQUI no Blogue de Hermes Fernandes

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"A Semiótica Narrativa dos Objectos de Gideão"

O episódio bíblico-histórico de Gideão já Originou um importante movimento evangélico à escala mundial. O paradigma foi sem dúvida, uma vista em Selecção TENDO UMA TAREFA Determinada. Os Gideões Internacionais, como são conhecidos, seleccionados entre as diversas igrejas, Desenvolvem, assim, um ministério nobre de espalhar o Livro de Deus em hotéis, escolas, hospitais, etc Mas a proposta fundacional daquela personagem do Velho Testamento aprofunda e desencadeia outros pensamentos e outras hermenêuticas. Porventura uma das mais aliciantes abordagens, será no Âmbito da semiologia, digamos assim, dos objectos usados por Gideão. [...] ***
João Tomaz Parreira ***
Ler todo o artigo no blogue Papéis na Gaveta

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Leitura Pós-Moderna do Texto Bíblico

Uma das principais características do pós-modernismo é a relativização da verdade. De acordo com os profetas da pós-modernidade, não existe uma verdade absoluta, tudo é relativo. É por isso que é muito comum ouvirmos por aí alguns mantras como: "isto é verdade para você, mas não é verdade para mim", "a verdade é apenas uma questão de perspectiva", e assim por diante.[...]
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Daniel Grubba
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Continuar a LER AQUI no Blogue Soli Deo Gloria

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Portugal Vende 100 mil Bíblias por Ano

Biblistas de todo o mundo iniciam hoje em Vilamoura uma reunião de três dias para debater estratégias para uma "mais ampla, eficaz e relevante distribuição da Bíblia e ajudar as pessoas a interagir com a Palavra de Deus". A reunião da Direcção Global das Sociedades Bíblicas Unidas (SBU), a maior organização mundial dedicada exclusivamente à divulgação do livro sagrado para cristãos e judeus (para estes apenas o Antigo Testamento), é a última antes da Assembleia Mundial, prevista para Setembro do próximo ano, em Seul. "É uma reunião em que, entre vários assuntos, se vão discutir novos modos de acção e eventualmente uma nova estrutura, além da afectação de verbas do orçamento comum para ajudar as Sociedades Bíblicas mais necessitadas", disse à Lusa Timóteo Cavaco, secretário-geral da Sociedade Bíblica de Portugal.Na reunião do Algarve participam 25 elementos da direcção, entre os quais quatro representantes de cada uma das quatro áreas das SBU (Europa/MédioOriente, África, Américas e Ásia-Pacífico). As Sociedades Bíblicas Unidas, que englobam 145 sociedades nacionais, estão presentes em perto de 200 países e territórios do mundo há mais de200 anos e são responsáveis pela distribuição anual de 500 milhões de exemplares impressos da Bíblia. A organização é interconfessional, unindo especialistas católicos, protestantes e ortodoxos no objectivo de "tornar a Bíblia mais conhecida e relevante para os mais de seis mil milhões de habitantes do planeta". Cada Sociedade Bíblica nacional é uma entidade independente na sua actividade, gerando receitas próprias, surgindo as Sociedades Bíblicas Unidas como umafraternidade, apoiando as entidades nacionais com mais carências, explicou Timóteo Cavaco. "As Sociedades Bíblicas Unidas têm um orçamento de 50 milhões de dólares (33,5 milhões de euros) para ajudar as sociedades mais necessitadas, tipicamente as de África e da Europa de Leste. A afectação de verbas desse orçamento é uma das questões a debater nesta reunião de Vilamoura", acrescentou. Trata-se da primeira vez que a Direcção Global das Sociedades Bíblicas Unidas se reúne em Portugal, 200 anos depois da primeira iniciativa da Sociedade Bíblica Portuguesa. Em Portugal vendem-se anualmente cerca de cem mil exemplares impressos da Bíblia.
Fonte: Lusa

domingo, 25 de outubro de 2009

A Bíblia e Deus...

...A Bíblia relata, ao longo de mais de mil anos, a relação dos encontros e desencontros dos homens com Deus e de Deus com os homens, sendo natural que se vá dando uma compreensão cada vez mais purificada de Deus. Assim, termina em Jesus Cristo, que mandou amar os próprios inimigos. E a única tentativa de "definir" Deus aparece em São João, e diz: "Deus é amor." Mas, mesmo no Antigo Testamento, também há, por exemplo, o Cântico dos Cânticos e os Profetas, arautos da revolução moral segundo a justiça. Foi neste contexto que, interpelado pelos media, chamei à colação um dos grandes filósofos do século XX, Ernst Bloch, também ele ateu e marxista, mas conhecedor da Bíblia. Professor na Universidade de Leipzig, na então República Democrática Alemã, teve problemas com o regime comunista, vindo assim para Tubinga, precisamente porque chamava a atenção para a importância da Bíblia. Sem a Bíblia, "o livro mais significativo da literatura mundial", não podemos compreender as catedrais, a Idade Média, Dante, Rembrandt, Händel, Bach. Sim, que se entende então verdadeiramente? Sem ela, não se entende a cultura alemã, a Missa solemnis de Beethoven, nenhum Requiem, nada".[...]
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Prof. Anselmo Borges
In jornal Diário de Notícias de 24 de Outubro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

BÍBLIA, BÍBLIA, BÍBLIA...

A Bíblia tem sido , nos últimos dias em Portugal, tema para notícia em Rádios, Televisões e Jornais de referência. Não me lembro, nem da minha vida, nem da história remota ou recente, de tamanho interesse, generalizado a toda a comunicação social, pela Palavra de Deus. E isso nem sequer é obra de Saramago, ao contrário daquilo que se possa eventualmente querer pensar. Esse repentino foco na Bíblia Sagrada e nos valores que ela comporta, traduz e revela, tem por detrás uma entidade: Chama-se Sociedade Bíblica, no caso concreto, de Portugal. À nossa vista, apenas o trabalho concreto que está a ser feito pelos seus responsáveis. Mas ninguém duvida, de certeza, de todo o trabalho de base que teve que ser previamente realizado, em termos de planeamento e organização, para chegar a este resultado. E enquanto o Bios estiver a copiar o Novo testamento em Lisboa, temos a certeza que o tema "Bíblia" irá ser recorrente na comunicação social.
Um bom exemplo de estratégia e dinamismo para a divulgação das Sagradas Escrituras em Portugal, trazido por uma entidade cuja atenção não se desvia daquilo que é ( deixe passar este "chavão" ) o seu "Core Business" em prol do Reino. Grande S.B.P. Assim saibam os cristãos evangélicos portugueses aproveitar toda esta dinâmica e envolvimento criado pela S.B.
O jornal Público, na matéria que publicava ontem na página 10 da sua edição em papel, fechava com o seguinte: "O robô escrevia o versículo 14 do Capítulo 6 do Evangelho de Mateus: Se perdoarem aos outros as suas ofensas, o vosso Pai celestial também vos perdoará". Bateram bem fundo em mim, estas palavras. Significativo; se atendermos a todas as pedras que já atirámos...
Oremos sempre por este trabalho.
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Jacinto Lourenço

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Saramago Instado a Renunciar à Cidadania Portuguesa

O eurodeputado social-democrata Mário David exortou hoje o escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa por se sentir “envergonhado” com as recentes declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia.
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No sítio pessoal na Internet, o vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE), eleito pelo PSD, escreveu: “Há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?”, questiona o eurodeputado. No sábado, José Saramago lançou o novo livro, “Caim”, e considerou a Bíblia “um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”.Na sequência destas afirmações, reagiram vários representantes da Igreja Católica e da comunidade judaica em Portugal, criticando Saramago e acusando-o de estar a fazer um golpe publicitário para promover o livro.“Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter”, escreve ainda Mário David na Internet. Contactado pela agência Lusa, o eurodeputado disse que as afirmações “são pessoais e não representam o partido” porque foi eleito. “Não estou interessado em entrar em polémica”, afiançou, acrescentando que também não quer “contribuir para dar publicidade ao livro”. Questionado se já leu “Caim”, ironizou: “Não li, nem vou ler. Ou é obrigatório?”. “Esta posição é pessoal e vincula-me só a mim. Nem sequer sou católico praticante, mas tenho o direito à indignação”, justificou, acrescentando que se sentiu “violentado” pelas declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia, que, na sua opinião, são “atentatórias da consciência e sentimentos dos outros”.
in jornal Público de 20 de Outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

Robô Copista, Copia Novo Testamento em Lisboa - Ouvir Notícia na TSF

( Clique na Imagem para ouvir )
Depois de Gutenberg, um robot da era digital prepara-se para escrever, durante nove semanas, com tinta e aparo os textos dos Evangelhos. Este robot vai marcar presença no Museu das Comunicações, em Lisboa, que inicia no próximo dia 21 de Outubro uma exposição multimédia sobre a Biblia.
In Site TSF

Robô Copista Escreve Novo Testamento em Lisboa

Durante nove semanas, um robô copista vai estar a escrever o Novo Testamento em Lisboa
Nove semanas, letra a letra. Um robô copista, vindo da Alemanha, estará a partir de terça-feira, até 21 de Dezembro, no Museu das Comunicações, em Lisboa, a copiar todo o Novo Testamento (a parte da Bíblia que se refere a Jesus Cristo). A iniciativa é da Sociedade Bíblica Portuguesa (SBP) e pretende assinalar os 200 anos da primeira distribuição da Bíblia em Portugal feita por esta editora. O robô - na realidade, uma instalação artística do grupo Robot-Lab - utilizará o tipo de letra gótica, o mesmo que Gutenberg usou no primeiro livro impresso: a Bíblia, precisamente. Esta instalação integra-se ainda numa exposição onde se poderá ver também, pela primeira vez, a Bíblia Manuscrita realizada há cinco anos, o outro pretexto para a exposição A Bíblia Para Todos - A Palavra, as Pessoas e as Tecnologias. Em Outubro e Novembro de 2004, cerca de 100 mil portugueses copiaram à mão três bíblias completas - uma delas será também exposta no mesmo local e estará disponível outra cópia em CD-ROM. Os outros dois exemplares da Bíblia Manuscrita já têm destino: a Biblioteca Nacional receberá um deles, enquanto o terceiro seguirá para a Biblioteca de Alexandria (Egipto). Hoje, os responsáveis da Sociedade Bíblica irão anunciar como e quando serão entregues essas duas cópias da Bíblia Manuscrita - com dez volumes encadernados cada uma. Na mesma ocasião, serão apresentados os resultados de uma sondagem inédita sobre a leitura da Bíblia em Portugal. De acordo com alguns dados a que o PÚBLICO teve acesso, quase toda a população (mais de 97 por cento) conhece a Bíblia. No que toca à leitura, quase dez por cento já leram o texto integral, enquanto 90 por cento dizem ter lido passagens soltas. As categorias que menos lêem a Bíblia são os católicos não-praticantes e os ateus. Dez por cento dos que responderam ao inquérito consideram-se ateus e agnósticos. Entre estes, nove por cento de ateus e seis por cento de agnósticos não conhecem a Bíblia e manifestam resistência à ideia de conhecer o texto. Os que mais lêem estão entre os protestantes/evangélicos e as testemunhas de Jeová - em conjunto, são 2,3 por cento da população, mas todos leram a Bíblia e quase todos têm um exemplar. A Sociedade Bíblica irá anunciar ainda a nova tradução da Bíblia, outro inédito em Portugal: pela primeira vez, estará disponível uma edição literária, isto é, sem indicação de capítulos, versículos ou subtítulos. Esta edição, preparada por uma equipa de tradutores católicos e protestantes, será apresentada na terça-feira pelo escritor Francisco José Viegas. A sua comercialização será feita pelo Círculo de Leitores e Temas e Debates. A exposição do Museu das Comunicações integra ainda uma réplica exacta da prensa que fez a Bíblia de Gutenberg, uma apresentação multimédia sobre os diferentes suportes da mensagem da Bíblia, desde a tradição oral aos digitais. E, num scriptoriummoderno, os visitantes da exposição poderão acrescentar a sua caligrafia à Bíblia Manuscrita.
In Jornal Público de 16 de Outubro de 2009

sábado, 17 de outubro de 2009

"A Bíblia para todos"

( Imagem jornal "I" )

A tradução interconfessional em que "A Bíblia para todos" se baseia começou a ser feita em 1972 por uma equipa de peritos católicos e protestantes, trabalho que se prolongou por 30 anos.
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A primeira edição literária da Bíblia, com texto em português "simples, acessível e sem aditivos", é lançada terça-feira em Lisboa no que é considerado pelos responsáveis como uma "novidade absoluta no mercado editorial em língua portuguesa". A novidade deve-se ao facto de se tratar da primeira edição literária em língua portuguesa, apesar de anualmente se editarem dezenas de milhões de exemplares só no Brasil, e de ter sido preparada com base num estudo de mercado, explicou. Editada pela Temas e Debates e pelo Círculo de Leitores e preparada pela Sociedade Bíblica de Portugal, esta nova edição pretende ser uma resposta à "crescente secularização das pessoas", que não lêem a Bíblia "por ser difícil de entender" ou por possuírem edições antigas. "Por isso criámos esta nova edição, sem aquele tipo de elementos que habitualmente acompanham a Bíblia, que é a divisão por capítulos, secções, versículos e notas. Retirámos isso tudo e criámos um texto simples, limpo, acessível com uma linguagem visual atraente para poder chegar à maioria das que não frequenta nenhuma igreja, não pratica nenhum culto, mas tem interesse e curiosidade neste texto", explicou Alfredo Abreu. Outra novidade nas edições portuguesas da Bíblia reside na ordenação dos livros do Antigo Testamento, tendo sido seguida a ordem original, que é a hebraica. "A Bíblia para todos", assim chamada por ser um texto interconfessional preparado por especialistas católicos e protestantes e que pretende chegar ao maior número de pessoas, vai ter uma primeira edição de 10 mil exemplares, mas está já a ser pensada uma segunda tiragem, disse à Lusa Alfredo Abreu, da Sociedade Bíblica Portuguesa. A tradução interconfessional em que "A Bíblia para todos" se baseia começou a ser feita em 1972 por uma equipa de peritos católicos e protestantes, trabalho que se prolongou por 30 anos. A edição pretende também responder a um estudo de mercado desenvolvido o ano passado com o objectivo de saber qual a relação dos portugueses com a Bíblia, nomeadamente se a lêem, onde e que dificuldades encontram. "Com base neste estudo de mercado quisemos criar uma edição da Bíblia que correspondesse às expectativas, aos interesses e à linguagem própria do público que não vai à igreja, do público que compra livros nos hipermercados e nas livrarias comuns. Toda esta edição foi desenhada com base neste estudo e na experiência de 200 anos da Sociedade Bíblica em Portugal", referiu Alfredo Abreu. Quem comprar esta edição vai poder aceder a um site (www.abibliaparatodos.pt) com conteúdos exclusivos, regularmente actualizados, e que permite a leitura online do texto, na versão literária e anotada, a consulta de notas e explicações e a escuta em áudio de parte dos textos. Além disso, vão estar disponíveis mapas sobre zonas relacionadas com os textos, bem como infografias, sendo possível assinar um serviço gratuito de envio diário de textos bíblicos por sms ou email. De acordo com Alfredo Abreu, anualmente vendem-se em Portugal cerca de 100 mil exemplares das várias edições e só as Sociedades Bíblicas Unidas (de que a Sociedade Bíblica de Portugal faz parte) vendem em todo o mundo entre 400 e 500 milhões de bíblias em papel. Um dos sites mais conhecidos relacionados com a Bíblia, o www.biblegateway.com, tem oito milhões de visitas mensais, o que, a par das vendas anuais de centenas de milhões de exemplares em papel, prova que o "interesse na Bíblia é uma coisa sem paralelo na história da Humanidade", disse ainda.
In Jornal "I" de 16 de Outubro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Hebreus, uma Epístola Historiográfica

A Exposição aos Hebreus tem pouquíssimas marcas do seu tempo, contextualizações e referências contemporâneas(quase todas nos últimos sete versículos) e no entanto tem um capítulo que é uma espécie de sumário do Velho Testamento, uma historiografia da Fé.Não mostra nome de autor, por evidências internas no texto (5,12-13; 13,23) a garantia de ter sido escrita pelo apóstolo Paulo não é definitiva, nem tão pouco por Pedro (11,7; 13,20), não obstante o que poderia parecer evidente. Também não por Apolo, embora Lutero lançasse por muito tempo hipóteses. Apenas para citar termos empregues que estão na linha de pensamento e expressão, ou referências históricas pessoais daqueles dois apóstolos e autores bíblicos, atentos à estrutura estilística de algumas frases.Tão-pouco se dirige a alguma igreja territorialmente implantada. Quando se refere a uma, no sentido de assembleia, fá-lo de uma forma universal e, digamos assim, cósmica e espiritual: a universal assembleia dos santos, a paneguris ekklésia.No entanto, é uma epístola que pode ser designada como historiográfica porque também trata de História, a história do povo hebreu, na perspectiva mosaica, e a referência dos factos da fé dos patriarcas antes da história. [...]
João Tomaz Parreira
Continuar a Ler Aqui no Blogue Papéis na Gaveta

terça-feira, 7 de julho de 2009

Manuscrito «Aleph»

Uma antiga Bíblia cristã, conhecida como Manuscrito «Aleph», foi disponibilizada agora à comunidade online. «Abriu uma nova janela para o desenvolvimento precoce do cristianismo», afirmou um dos conservadores da Biblioteca Britânica, Scot McKendrick. As novas tecnologias permitiram a publicação de cerca de 800 páginas do Código Sinático, que data do século IV e foi encontrado no sopé do Monte Sinai, sendo considerado um dos maiores tesouros escritos e o único Novo Testamento completo. O pergaminho, escrito em grego e encadernado com pele de vitelo, foi conservado na Biblioteca Nacional Russa até 1933 e comprado por 100 mil libras esterlinas pela Biblioteca Britânica. O documento foi trabalhado por instituições do Reino Unido, Alemanha, Egipto e Rússia. O lançamento online é assinalado com uma exposição na Biblioteca Britânica, que inclui uma colecção de itens históricos e artefactos ligados ao Código Sinaico.
In Diário Digital, de 6 de Julho de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A Bíblia «protestante» entra em Espanha via Lisboa

«La Bíblia en España. Los Viages, Aventuras y Prisiones de un inglés en su intento de Difundir las Escrituras por la Península Ibérica», tradução do original inglês e, salvo erro, não editado em Portugal, é mais do que um clássico da literatura de viagens com um século e meio de existência. Não obstante esta distância cronológica ainda une Portugal e Espanha no mesmo estigma de países que foram, num passado recente, reaccionários, contra-reformistas, perseguidores de homens e mulheres que professavam a confissão protestante e viajavam pelo país vendendo a Bíblia.

O escritor, livreiro, ateu convertido a Cristo, pescador de almas, George Borrow, que escreveu no prefácio da sua obra « não sou turista nem autor de novelas ou de livros de viagens», descreve todavia essas viagens de finalidade religiosa com uma linguagem empolgante e original. O livro é assim um imenso quadro de itinerários percorridos e uma autobiografia considerada como tal na História da Literatura Inglesa. É a narrativa de uma via dolorosa de tribulações, presídios, testemunhos morais, sobretudo um encontro do autor com a sociedade espanhola da época, tendo por missão levar a Bíblia dita protestante a todo o povo, ciganos, toureiros, foragidos da justiça, contrabandistas, flibusteiros, policias, camponêses. […]

In Papéis na Gaveta

Versão integral do texto, Ler Aqui

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Cristianismo e Paulo: Cultura de Rotura

O património da Europa ao fundar-se em valores do respeito pela dignidade humana, da liberdade, da democracia, funda-se fundamentalmente sobre valores religiosos e estes valores são matéria do Cristianismo.

A fundação da Cultura do Cristianismo pelo apóstolo Paulo não está, porém, cativa de um passado remoto. Na segunda metade do Primeiro Século – a partir do ano 50 a.D - já essa Cultura, essa Nova Luz, a Idade do Ouro que até Virgílio, o poeta latino, vaticinou (Bucólica Quarta), se preparava para ser coluna no futuro.

Tolerada ou sentida com temor pelas instâncias do poder romano(Actos 24,25) e «reconhecida» nos seus fundamentos pela curiosidade do espírito cultural grego (Actos 17 ), ajudaria a conduzir da Patrística à Reforma o Pensamento dos cristãos, e a despeito de muita dialética materialista no século XX, um autor como Harold Bloom teria que colocar Paulo como um autor bíblico fundacional a par de Dante e Shakespeare. Para o autor do Cânone Ocidental, Paulo esteve também na base da ontologia do Ser.

Obviamente sabemos de que novo ser humano Paulo falava, o apóstolo escreveu aos Coríntios sobre aqueles que, se estão em Cristo, são novas criaturas. É a experiência da redenção, que torna o crente nova criatura em Cristo, que também é a base da Cultura do Cristianismo. Esta ergueu-se bastante, em relação aos outros apóstolos de Jesus, sobretudo globalmente, em torno da obra e da vida do apóstolo Paulo.

Este começou por estruturar essa Cultura dentro das balizas da cultura do judaismo. Na referência biográfica que faz de si próprio nas epístolas aos Coríntios e aos Filipenses, não enjeita suas origens, as quais eram motivo de orgulho no tempo anterior ao Caminho de Damasco. Na perspectiva estritamente hebreia, Paul perdeu o seu presente, enquanto descendente da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus, fariseu, etc., mas ganhou o futuro, pela influência que exerceu na amplíssima comunidade cristã do seu tempo, e a eternidade do ponto de vista do Cânone Sagrado e da Teologia.

Assim, imensamente por causa do trabalho missionário de Paulo, que abarcou o Oriente e o Ocidente, a remota Ásia Menor e a Europa, a Cultura do Cristianismo foi uma cultura de rotura. Tal cultura, porém, não agiu autonomamente, só numa divulgação do pensamento cristão desligado de um organismo, por exemplo como acontecia com o gnosticismo, essa cultura estava intimamente ligada à Igreja Primitiva, às igrejas que Paulo foi fundando de Roma a Antioquia.

A cultura de rotura com os valores, com a amoralidade e a imoralidade, do secularismo, começou a ser veiculada pelas Comunidades dos cristãos, pela Igreja. E sem excepção, as Epístolas de Paulo, não excluindo como é óbvio as cartas dos demais apóstolos, contribuiram para tal cultura de rompimento. Paulo confirmou doutrinariamente toda a historicidade do relato de Lucas nos Actos, Paulo tornaria o Cristianismo num Facto histórico, resgatando-o da ideia da época de ser uma seita do judaismo. Desde um ponto de vista histórico o cristianismo supõe o principal aportamento do povo hebreu e uma das mais importantes influências semíticas junto com o alfabeto – no âmbito geo-cultural ocidental. Já se escreveu que «a religião cristã foi um factor primordial na hora de formar o sentido da identidade europeia.» Esta identidade europeia, que é laica obviamente, mas estruturada nos valores judaico-cristãos, assenta de resto numa vasta e fundacional Literatura, predominando o Novo Testamento.

Evangelhos canónicos e apócrifos, as Cartas de Paulo e os Actos dos Apóstolos, de Lucas. Tais obras foram escritas –na sua maioria- entre finais do século I e os começos do século II d.C. Actualmente, textos como o Papiro Egerton (S. II d. C.) e outros seus contemporâneos como P1 e o P2, o Manuscrito de Nag Hammadi (S. IV d.C.),o Manuscrito Sinaítico (S. IV d.C.), o Códice Vaticano (S. IV d.C.), o Códice Benzae Cantabrigensis (S. V d.C.), o Códice Alexandrino (S. V d.C.), o Códice Washingtoniano (S. V d.C.), o Códice Ephraemi Rescriptus ( S. V d.C.), são os testemunhos directos mais antigos que se conservam como referência a Jesus Cristo e ao Cristianismo. A Igreja bíblica está fundada sobre a Doutrina dos Apóstolos, a Europa subtraída às hostes da barbárie tem nas suas fundações os veios auríficos dos valores imbatíveis dessa Doutrina.

Assim o Cristianismo não pode ser visto apenas como a Religião, é também a Identidade.

J.T.Parreira

Via Papéis na Gaveta