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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Bíblia de Lisboa





A "Bíblia de Lisboa" é o mais completo códice datado, ou seja, (um manuscrito em forma de livro, em vez de um rolo) da famosa escola medieval portuguesa de iluminura hebraica. Esta Torah  terá sido concluída no ano de 1482, e é normalmente designada como a "Bíblia de Lisboa". Estamos perante um testemunho importante e único sobre a riqueza da vida cultural dos judeus portugueses antes da expulsão e das conversões forçadas pelo édito de D. Manuel, decretado em finais do século XV.




                                                                                              Lisboa Bíblia, Lisboa, Portugal, 1482 

Ou BL. MS 2626, vol. 1, f. 23V 

Copyright © O Conselho de Biblioteca Britânica 




Autor desta obra prima ?

Samuel ben Samuel Ibn Musa, conhecido como Samuel, o escrivão, copiou o texto bíblico num roteiro elegante e muito bem elaborado para o seu patrono Yosef ben Yehudah al-Hakim. As decorações são uma mistura de influências italiana, espanhola e flamenga, decorações, gentilmente elaboradas por mãos experientes e qualificadas para este tipo de trabalho.






Samuel escreveu o texto em duas colunas de 26 linhas com uma pena de junco no estilo característico sefardita, acrescentando as vogais sob as letras hebraicas. 
Um segundo escriba, anónimo, escreveu comentários e notas sobre o texto principal nas margens superior e inferior da página e entre as colunas. Em vez de copiar o texto em linhas rectas, o escriba anónimo criou desenhos circulares de linhas de texto, uma técnica conhecida como micrografia.

Sabe-se que produziu o livro do colofão (o "painel de créditos", no final do livro). Nela, Samuel Musa se identifica como o escrivão, e diz-nos que ele terminou o trabalho numa noite de sexta-feira no mês judaico de Kislev e no ano 5243, o que corresponde a Novembro / Dezembro do ano de 1482.






Porque é importante?

A designada "Bíblia de Lisboa", é uma das mais belas e precisas no que respeita aos manuscritos bíblicos hebraicos, e, como tal, tem sido utilizado em diversas e modernas edições críticas, considerado até como um texto modelo. É também o manuscrito mais bem realizado e datado da escola medieval portuguesa de iluminura hebraica.

O British Museum Library (agora na Biblioteca Britânica) comprou o manuscrito em 1882. A actual encadernação é de 1954.




sábado, 25 de junho de 2011

Erasmo e a Bíblia




" Eu desejava que as mulheres simples lessem o Evangelho e as epístolas de Paulo. Que sejam traduzidos em todas as línguas ! Que o lavrador cante extractos ao empurrar a charrua, que o tecelão os cantarole a meia-voz quando estiver ao tear, que o viajante abrevie a estrada com essas conversações "



( Erasmo de Roterdão )

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Apocalipse, Patmos e o Apóstolo João

O livro bíblico de Apocalipse foi escrito muito provavelmente por volta dos anos 94-96 d.C., durante o reinado do Imperador Domiciano (Domitianus) sob o qual a igreja sofreu uma acirrada perseguição, como se pode perceber em algumas passagens da Revelação, e de que o apóstolo dá conta, nomeadamente em relação a si próprio, e aos restantes irmãos, nos versículos 9 e 10 do Cap. 1. Esta perseguição foi motivada, em grande parte, pela instituição do “culto ao imperador” por Roma.
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João estava na ilha de Patmos quando recebeu a revelação. E estava na ilha de Patmos porquê ? Como ele próprio diz, “por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo”(Ap. 1:9.). A Ilha de Patmos era, muito provavelmente, utilizada pelos Romanos como prisão, por ser uma ilha rochosa, sem praticamente qualquer vegetação; não muito grande (cerca de 7x13 Km) e distanciada mais ou menos 55 km do litoral da actualmente designada Turquia ou, se preferirmos, da então chamada província romana da Ásia Menor. Esta situação geográfica permitia um perfeito isolamento e controlo prisional. Seria uma prisão comparável à que os Estados Unidos da América mantiveram na baía de S. Francisco, em Alcatraz, e para onde eram encaminhados os presos mais perigosos. Para o Império Romano, o apóstolo João era um “prisioneiro político perigoso” e, para estes, o tratamento era diferenciado pela negativa. João não estava a “passar férias numa ilha paradisíaca do mar Egeu”. E também não estava apenas exilado. Estava preso e desterrado! Foi essa a sua condenação por pregar o Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, por provavelmente não obedecer à ordem de adorar o Imperador e, quase de certeza, exortar os seus irmãos em Cristo a não o fazerem também. Aos presos políticos que desobedeciam à obrigação de render culto ao imperador, era destinado, previamente à ida para o desterro de Patmos, um açoitamento. Para além disso, em Patmos, esta categoria de presos, não circulava livremente pela ilha, o seu vestuário era escasso e tinham que dormir ao relento ou numa cela fria, húmida e sem luz. A comida reduzida ao mínimo, a sujeição a trabalhos forçados, debaixo do chicote dos guardas e algemas que nunca eram retiradas em caso algum, completavam provavelmente o quadro prisional do apóstolo. Julgamos que, apesar disso, o apóstolo teve algum tempo disponível para redigir as suas notas sobre a revelação recebida, dado que, diz ele, foi “arrebatado em espírito no dia do Senhor” (Cap.1:10). Pode isto pressupor ( ou não ) que ele disporia, pelo menos no 1º dia da semana, se atendermos à tradição cristã de guardar o domingo para o Senhor ( ou eventualmente o sábado se atendermos à tradição Judaica ), de algum tempo de paz de espírito, facto que o ajudaria também a redigir as notas que dariam origem posteriormente ao livro de Apocalipse.
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Jacinto Lourenço