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segunda-feira, 1 de abril de 2013

10 Passos para se Tornar um Leitor




1.º – Escolha uma data para começar a ler e respeite-a.

2.º – Evite começar por livros considerados literatura light, pois embora o nome seja encorajador não reflecte de todo a realidade e pode destruir a melhor das intenções.

3.º – Livre-se de todos os telemóveis, ipad,  playstation, dvd e afins que tenha por perto.

4.º – Depois de começar a ler não pode parar sem, pelo menos, chegar ao fim do primeiro capítulo; deixá-lo a meio aumenta consideravelmente o risco de desistir antes mesmo de ter começado.

5.º – Para se auto-motivar, pense, muitas vezes, em todos os benefícios da leitura.

6.º – Evite a proximidade de pessoas que estão a bocejar e deitadas no sofá a ver os programas de televisão que passam em horário nobre.

7.º – Peça ajuda a um profissional - pode ser um livreiro, um editor, um professor, etc. – ou participe em fóruns e blogues da especialidade. Estas comunidades de leitores ajudá-lo-ão a integrar-se mais facilmente na sua nova realidade.

8.º – Mude de hábitos, a fim de evitar locais onde possa conviver com pessoas completamente desinteressantes.

9.º – Não faça pausas muito grandes e complemente-as com a leitura de um jornal, revista, de banda desenhada ou de uma história infantil.

10.º – Parabéns. Se chegou até aqui é porque já é quase um leitor. No entanto, evite os entusiasmos exagerados, como, por exemplo, passar a considerar-se um intelectual.

Boas leituras


Fonte: Pó dos Livros

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Expansão Portuguesa no Séc. XV - O Conhecimento Técnico



Os Portugueses não podiam desenvolver a economia marítima sem resolver os problemas técnicos que implicavam as longas viagens pelo oceano. 
As dificuldades podiam verificar-se não apenas na navegação atlântica, mas mesmo na mediterrânica.

Quanto ao tipo de embarcações, sabemos que os Genoveses utilizavam, de ordinário, galés a remos, mas que não estavam adaptadas à grande ondulação no alto mar. Estes barcos, porém, já tinham sobre os navios mediterrânicos, a vantagem de possuírem leme e não apenas remos laterais para orientarem o rumo. Este melhoramento aparece no Atlântico, provavelmente, em barcos normandos, desde o século XII, e só depois é introduzido no Mediterrâneo. Simultaneamente instalam-se francos melhoramentos nos barcos à vela que, até ao fim do mesmo século, possuíam geralmente apenas um mastro com uma vela quadrada. Todavia, já existiam outros com vela mais pequena, inclinada para trás e situada perto da proa.

Foi provavelmente  no Mediterrâneo que se lhes acrescentou um terceiro mastro à popa permitindo, deste modo, aumentar a velocidade da embarcação. Contudo, neste domínio, a invenção resultou do facto de conseguir aproveitar-se o vento para navegar em qualquer direcção, mesmo aproximadamente, contra ele, e sem recurso aos remos. Esta técnica deveu-se à introdução de uma vela triangular para navegar “à bolina”. As origens da mesma são quase desconhecidas e pouco se sabe igualmente acerca da sua difusão, admitindo-se que se generalizou ao longo do século XV, tendo-se conjugado, depois dessa altura, com o  recurso ao uso da “toleta de marteloio”, isto é, com a utilização de uma tabela de quatro colunas para a resolução de triângulos rectângulos planos por métodos trigonométricos, ou por um processo gráfico que permitia não perder a direcção num rumo em ziguezague, ou seja navegar à bolina. A "toleta" seria, possivelmente, já conhecida pelo Maiorquino Raimundo Lull (1232-1316), – o Arabicus Christianus ou Doctor Inspiratus – que, no final do século XIII, descreve o seu uso em termos pouco claros e directos.

Contudo, apesar de a técnica de navegar à bolina ser bem conhecida dos Portugueses durante o século XV, não ficou provado que fosse praticada por estes antes de 1400. Repare-se que era uma técnica de grande importância na costa africana, onde a orientação do vento provocava frequentes perdas de rumo.

A bússula, de origem chinesa, trazida para Portugal pelos muçulmanos, foi difundida no nosso País. Permitia encontrar o rumo Norte (mais tarde corrigido pelo cálculo exacto da declinação magnética), mesmo com um céu nublado e, por conseguinte, sem recorrer à orientação pelos astros.
Além do Sol, outros astros tinham utilidade para os navegantes, principalmente de noite. Estes que serviam os homens do mar, em céu limpo, [...] seriam: a Estrela Polar dentro da constelação da Ursa Menor – a Buzina, como então se dizia - que indica o Norte, o Cruzeiro do Sul, estrela que aponta a direcção Sul, embora só descoberta entre 1450 e 1455.


“Já descoberto tínhamos diante,
Lá no novo Hemisperio, nova estrela,
Não vista de outra gente, que, ignorante,
Alguns tempos esteve incerta dela.
Vimos a parte menos rutilante
E, por falta de estrelas, menos bela,    
Do Pólo fixo, onde inda se não sabe
Que outra terra comece ou mar acabe”.

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto V, estr. 14
No que diz respeito às cartas de marear, também chamadas de Portulanos como já acima referimos, as primeiras desenhadas que se conhecem  datam da segunda metade do século XIII. Podemos ainda afirmar que, no século XIV, o seu uso pelos marinheiros do Mediterrâneo, tornou-se frequente.

As descrições dos portos e das condições de navegação também melhoraram, como se verifica, por exemplo, nas indicações precisas acerca das horas das marés de certos portos, que aparecem, por exemplo, na carta catalã de 1375.

Em relação a outros instrumentos de navegação, refira-se o chamado astrolábio, aparelho destinado a determinar, com algum rigor, a passagem das horas durante a noite, com a ajuda da observação das estrelas. Estes já conhecidos pelos gregos foram desenvolvidos pelos Árabes e Persas. O recurso ao astrolábio, porém, com vista à determinação da latitude, provavelmente desenvolvida pelos Portugueses, só está provado depois dos inícios de Quatrocentos.

O interesse demonstrado pelo conhecimento científico e técnicas náuticas mais evoluídas pode documentar-se por ter existido em certos sectores da nossa sociedade.
Um dos cientistas portugueses que se notabilizaram na área das Ciências, durante o século XIII, é o bem conhecido Pedro Hispano (Pedro Julião, o Papa João XXI (1276-1277), estudando em Paris ou em Montpellier, medicina e teologia, dedicando especial atenção a palestras de dialéctica, lógica e sobretudo a física e metafísica de Aristóteles, legando-nos obras célebres, como o Tratado Summulae Logicales que foi o manual de referência sobre lógica aristotélica, durante mais de trezentos anos, nas universidades europeias, com 260 edições em toda a Europa, traduzido para grego e hebraico. Outro terá sido o dominicano Frei Gil de Santarém [1184 ou 1190-1265], a quem ficou a dever-se uma tradução do tratado de Natura de Rasis (Crónica do Mouro Rasi). Frade dominicano, arabista, fora físico, taumaturgo, teólogo e pregador português dos séculos XII e XIII, tendo vindo a ser canonizado pelo papa Bento XIV a 9 de Maio de 1748.

Apesar da pouca informação consagrada ao estudo das Ciências naquela centúria, presume-se a sua existência no domínio da Astronomia, de obras de Afonso X (1221-1284), o Sábio ou o Astrólogo. Colaborou no El Libro del Saber de Astronomia, obra baseada no sistema ptolemaicoEsta teve a participação de vários cientistas que o rei congregara e aos quais proporcionava meios de estudo e investigação, tendo mesmo mandado instalar um Observatório Astronómico em Toledo. Compôs as chamadas Tabelas Afonsinas sobre as posições astronómicas dos planetas, baseadas nos cálculos de cientistas árabes. Como tributo à sua influência para o conhecimento da Astronomia, o seu nome foi atribuído à cratera lunar Alfonsus. Outras obras com o seu contributo são o "Lapidário", um tratado sobre as propriedades das pedras em relação com a Astronomia e o "Libro de los juegos", sobre temas lúdicos (xadrez, dados, e tabelas - uma família de jogos a que pertence o gamão), praticados pela nobreza da época.

Por esta altura, a astrologia era considerada uma verdadeira ciência que se baseava em observações objectivas e num verdadeiro conhecimento da natureza, embora a partir de esquemas mentais que foram sendo progressivamente abandonados.  A partir de meados do séc. XIII, os relatos acerca de viagens de europeus ao Oriente suscitados pela expansão do império Mongol, trazendo ao Ocidente relatos fantásticos, alimentaram a ideia de um Oriente fabuloso, o qual era concebido como um lugar onde se encontravam abundantes tesouros e riquezas, mas albergando monstros e prodígios.[...]


Fonte: João Silva de Sousa in O Portal da História

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Biblioteca Nacional vista por Pessoa em 1925



Fernando Pessoa tinha quase preparado para publicação um guia turístico bilíngue (português e inglês) intitulado "O que o turista deve ver - What the tourist should see" escrito provavelmente em 1925. Contudo nunca chegou a ver a luz da edição durante a sua vida e só em 1992 foi publicado pela editora Livros Horizonte. Actualmente vai na 11ª edição (2011).

Nesse guia turístico, que Pessoa pretende que seja um guia para conhecer a maravilhosa cidade de Lisboa por meio do automóvel, estão indicado todos os monumentos, edifícios e paisagens que o autor achava meritórios de serem vistos e apreciados pelos turistas. Nele consta a Biblioteca Nacional de Lisboa, descrita da seguinte maneira pelo poeta:
«A Biblioteca Nacional está no segundo andar [no edifício do antigo convento de S. Francisco em Lisboa]. Foi fundada em 1796 com o nome de Real Biblioteca Pública da Corte, tendo sido criada com os livros que formavam a biblioteca da Mesa dos Censores, quer dizer, com os livros que tinham pertencido aos Jesuítas, e à Academia Real da História. A biblioteca tem sido sucessivamente enriquecida através de aquisições e donativos. Tem 11 salas e 14 galerias, em dois andares, e contém 360 000 volumes. À entrada estão a estátua da Rainha D. Maria I, de Machado de Castro, e os bustos de Castilho (de José Simões de Almeida) e de D. António da Costa. Os azulejos policromos do século XVI merecem ser vistos; pertenciam antigamente à capela da Senhora da Vida, na igreja de Santo André, que agora já não existe.
No andar de baixo são as salas de leitura para investigação privada e leitura geral, a sala de ficheiros e a sala de periódicos. No andar superior estão a tipografia, os serviços, o gabinete de estampas e a importantíssima sala dos Livros Reservados, que contém as mais raras obras, verdadeiras relíquias bibliográficas, algumas delas exemplares únicos, espécimes com encadernações e ilustrações raras, manuscritos, moedas, e muitos documentos escritos de todos os géneros, formando todo este conjunto uma colecção bibliográfica merecedora do maior cuidado possível. E quase se pode dizer que esta secção da Biblioteca, como de resto todas as outras, é agora objecto de adequado cuidado e vigilância. A Biblioteca distingue-se agora pela limpeza e pelas boas instalações, considerando especialmente que o edifício não é o mais apropriado para este fim. Recentemente, e especialmente desde que foi nomeado seu director o Dr. Jaime Cortesão, escritor e poeta consagrado, a Biblioteca tem tido um marcante e bem necessário progresso.

O visitante pode também ver a secção especial de Bíblias (que possui uma das duas cópias ainda existentes da primeira edição da Bíblia da Mogúncia ou de Gutenberg), os Arquivos da Marinha e do Ultramar, que incluem mapas e cartas, o gabinete de catalogação, a Biblioteca do Convento do Varatojo, que conserva a sua disposição original, incluindo o oratório, a Sala Fialho de Almeida com o busto deste escritor (de Costa Mota Sobrinho), etc.

Há um vasto terraço no topo do edifício, com uma belíssima vista. A Biblioteca está aberta todos os dias úteis das 11 da manhã às 5 da tarde, e das 7.30 às 10 da noite.»


Fonte: Blogue de História e Estórias

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Herança Judaica de Évora




Cidade em que o centro histórico é Património Mundial da Unesco.

Desde a idade média que Évora era a segunda cidade portuguesa e devido também a essa importância muitas vezes aqui se reunia a Corte. A Judiaria era por isso uma das maiores do país. Já no séc. XIV foi solicitada a sua ampliação.
A herança judaica de Évora está hoje patente num vasto conjunto de portais ogivais góticos que se situam bem perto da Praça do Giraldo local de uma feira anual desde 1275 (Ruas do Reimondo, Moeda, Alconchel, Palmeira, entre outras), Mercadores (agora Rua da República, Tinhoso). Durante o séc. XV a judiaria chegou a ter duas sinagogas e todos os serviços inerentes a uma vasta comunidade; escola, hospital, estalagem, “ mikve” (local de banhos rituais) e mesmo aí teria existido uma gafaria (leprosaria).

A Biblioteca pública possui ainda hoje raridades tais como o famoso "Almanach Perpetuum"  de Abraham Zacuto (impresso em Leiria em 1496 e traduzido então por mestre José Vizinho) e o "Guia Náutico de Évora" (1516), obras que contribuíram para o avanço científico que Portugal registava então sobre a Europa. Em Évora sediou-se também uma das 7 ouvidorias jurídicas (tribunais judaicos portugueses).
A cidade foi igualmente sede de um dos tribunais da inquisição em Portugal, mais precisamente o que processou mais processos de acusação por judaísmo (cerca de 9.500). O Tribunal e o Palácio do Inquisidor de Évora encontram-se defronte ao museu de Évora e nas portas  ainda hoje se pode ver o brasão de armas do Santo Ofício.

Fonte: 

Via Eterna Sefarad

terça-feira, 3 de abril de 2012

Visite os Museus do Mundo


Visitar um museu em Atenas, Paris ou noutra qualquer cidade pode ser agora uma tarefa ao alcance de um simples teclar, sem ser sequer necessário sair de casa. O Google Art Project torna isso já possível para quem não pode deslocar-se para aceder a grandes colecções de arte espalhadas um pouco por vários museus do mundo, ou mesmo para quem já esteve em algum museu e que gostaria de revisitar. O site da Google garante um grau elevado de qualidade e resolução ao visionamento das obras expostas chegando mesmo a impressionar pela pormenorização que se consegue alcançar como se estivéssemos realmente a escassos centímetros da obra que estamos a observar. Um importante projecto para todos os que gostam de arte mas também para quem deseja fazer uma abordagem diferente e inovadora a colecções em distantes e diferentes  museus. Também os museus portugueses estão representados, no caso concreto o Museu Berardo em Lisboa ( ainda não disponível ). 
Boas visitas virtuais.


Jacinto Lourenço

terça-feira, 6 de março de 2012

Gabriel Garcia Marquez - 85 Anos para Contar




O mundo literário celebra hoje os 85 anos de Gabriel García Marquez, nascido a 6 de março de 1927 em Aracataca, Colômbia. O escritor, distinguido com o Nobel da Literatura em 1982, comemora também os 60 anos do seu primeiro conto, "A Terceira Resignação", os 45 anos do aclamado romance "Cem Anos de Solidão" e os dez anos de haver começado a publicar as suas memórias autobiográficas, "Viver Para Contar".
Um dos melhores presentes que García Marquez vai receber será a edição digital em espanhol de "Cem Anos de Solidão". O livro chegará também às livrarias virtuais. [...]
"Cem Anos de Solidão", uma das mais lidas e traduzidas obras em todo o mundo, foi considerada a segunda mais importante de toda a literatura hispânica, ficando apenas atrás de "Dom Quixote de la Mancha".  
Esta será a quarta obra de García Marquez em edição electrónica. "Relato de um náufrago", "Todos os Contos" e "Viver Para Contar" já têm edições digitais, dentro da coleção "Palabras Mayores".
Jornalista, escritor e argumentista colombiano, Gabriel García Marquez tinha 20 anos quando viu publicado o seu primeiro conto, "A Terceira Resignação", no diário colombiano "El Espectador", a 13 de setembro de 1947. A sua primeira reação foi "ter a certeza arrasadora de que não tinha os cinco centavos necessários para comprar o jornal".


Fonte: Expresso Online

quarta-feira, 6 de julho de 2011

100 Segredos do Vaticano


Cem valiosos documentos guardados no Vaticano e datados de entre os séculos VIII até ao século XX, serão expostos ao público pela primeira vez numa exposição designada "Lux in arcana". Parte dos arquivos secretos do Vaticano estarão à vista do público em geral nos Museus Capitolinos de Roma em Fevereiro de 2012.


"Lux in arcana" ( Luz sobre o mistério ) foi apresentada pelo cardeal secretário de estado, Tarcísio Bertone, pelo presidente da Câmara de Roma, Gianni Alemanno,  e pelo  prefeito do arquivo secreto, o bispo Sergio Pagano, por ocasião do 400º aniversário da fundação deste arquivo pelo papa Paulo V em 1612.


Entre os documentos que vão ser expostos destacam-se as actas do processo de Galileu Galilei (1612-1633 ) que contêm toda a documentação anexada pelo tribunal do Santo Ofício [...]



Ler texto integral, em castelhano, AQUI no jornal El Mundo  

segunda-feira, 4 de abril de 2011

"A Cultura Deve Ser Uma Descoberta Individual " - Marguerite Duras


Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não lêem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.

Por exemplo, em relação a Baudelaire, devemos ser os primeiros a descobrir o seu esplendor. E somos os primeiros. E, se não formos os primeiros, nunca seremos leitores de Baudelaire. Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crianças nos despejos públicos, e lidas às escondidas dos pais e dos mestres.

Por vezes, o facto de se ver alguém a ler um livro no metro, com grande atenção, pode provocar a compra desse livro. Mas não quanto aos romances populares. Aí, ninguém se engana quanto à natureza do livro. Os dois géneros nunca estão juntos nas mesmas mãos. Os romances populares são impressos em milhões de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princípio, há uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua função de identificação sentimental ou erótica. Depois de os terem lido, as pessoas abandonam-nos nos bancos públicos, no metro, e serão apanhados por outras pessoas e novamente lidos. Isso será ler? Sim, penso que sim, é ler como se toma um remédio, mas é ler, é ir buscar a leitura ao exterior de si próprio e ingeri-la e fazê-la sua e dormir e cair no sono para, no dia seguinte, ir trabalhar, juntar-se a milhões de outras pessoas, a solidão matricular, o esmagamento.



Fonte: Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "***via Citador 



sábado, 19 de março de 2011

"A Lenda de uma Judia de nome Ofa"

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Haverá por acaso lugarejo, vila ou cidade em Portugal, que não preze ter nas suas ancestrais memórias, lendas referentes a "mouras encantadas" ?
+ Será muito raro concerteza. Já sobre "judias encantadas" o caso muda de figura. Mas há factos na nossa história, e algumas lendas, de como estas últimas, reviraram completamente do avesso a alma e o coração de alguns venustos cavaleiros cristãos.
+ Conto-vos hoje a lenda da Serra da Marofa, serra esta, que se situa na Beira Interior, distrito da Guarda, município de Figueira de Castelo Rodrigo.
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+ "Amar Ofa"
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Com a expulsão dos judeus no país vizinho, muitas foram as famílias que atravessaram a nossa fronteira. Beneficiou desse enorme êxodo o nosso reino, e D. João II, que afortunadamente matou dois coelhos de uma só vez: os cofres encheram-se de moedas das portagens pagas por cabeça, e ficamos com mesteirais especializados em muitas artes necessárias à expansão em curso.
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Numa dessas famílias de judeus vindos de Espanha, havia uma linda moça de nome Ofa. Esta família terá decidido construir o seu novo lar numa das encostas da serra. Perante tal beleza, as notícias de alguém tão formoso, ecoaram rapidamente pela região, até chegarem aos ouvidos do filho de um fidalgo português, que ao conhecer Ofa, se apaixonou perdidamente pela donzela.
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Porém, novos e terríveis factos políticos alteraram para sempre o curso da história nacional. Em 1496, quatro anos depois da chegada destes milhares de refugiados, o novo rei D. Manuel I, decretava a conversão forçada, ou, a expulsão de Portugal de todos os judeus que não aceitassem a religião de Cristo.
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A família de Ofa decidiu ficar, convertendo-se à nova fé, e assim, tornaram-se cristãos-novos, algo que há muito o jovem fidalgo desejava ardentemente. Contente, D. Luís pediu a mão da sua amada à família desta, ao mesmo tempo, que sabia do desgosto que provocava na sua própria família. Indiferente a tudo e a todos, este cavaleiro tinha o hábito de cavalgar até à serra, (vai-se lá saber o porquê) e aí, dava azo à sua enorme felicidade, gritando bem alto. "Vou amar Ofa/Vou amar Ofa".
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Após muitas peripécias, os noivos acabaram por se casar no Mosteiro de Santa Maria de Aguiar.
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Ficou para sempre a lenda e a designação de "Serra da Marofa", uma justa homenagem ao amor entre uma judia e um cristão.
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quinta-feira, 10 de março de 2011

Historiador Confirma que Colombo era Português

Um historiador luso-americano apresentou novas provas de que Cristóvão Colombo era português. Manuel Rosa acaba de publicar um livro a demonstrar que o homem que descobriu a América não podia ser um humilde tecelão italiano. + + +
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Notícia RTP 26/12/2010

sábado, 5 de março de 2011

Histórias de Encantar

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Há cerca de 3700 anos, mais coisa menos coisa, em Entre-os-Rios (Mesopotâmia, em Grego), uns gajos mais aéreos repararam que algumas estrelas estavam mal presas ao céu (uma hemisfera) e mudavam de sítio: magia, claro. Vai daí, resolveram dedicar um dia a cada uma dessas 5 estrelas (planetas), entre os quais Marte e Vénus, acrescentaram mais um dia ao deus-sol (Baal) e outro à lua (Ishtar). Tá explicado quem inventou a divisão do tempo em semanas, e a razão para os nomes ainda usados hoje em muitas línguas: o Sunday e Mo(o)nday ingleses, ou a maioria dos dias da semana em italiano ou francês. + Histórias como esta, ou a explicação de expressões como vandalismo, medidas draconianas, educação espartana, vitória de Pirro (à custa de tantas baixas, o general terá dito “mais uma vitória destas e somos exterminados”), aparecem em Uma pequena história do Mundo, uma edição da Tinta da China que apetece manusear (e os cantos rombos das páginas são à prova de crianças). + Ernest H. Gombrich (Viena 1909-Londres 2001) escreveu o livro em 1935. Desempregado no final do doutoramento, aceitou dar uma vista de olhos num livro de História para crianças, que um editor amigo queria traduzir de inglês para alemão. Resposta, “acho que conseguia fazer melhor que isto”. Resultado, foi desafiado a apresentar um capítulo, correu bem, e depois proposto que entregasse o resto em 6 semanas. Sistematizou o livro e escreveu 1 capítulo por dia, com visita matinal à biblioteca pública (nada de google). Ernest tinha 2 princípios: é possível explicar quase tudo a uma criança inteligente, sem linguagem barroca, e devia escolher os acontecimentos que afectaram um maior número de pessoas e que estavam mais vivos na memória colectiva. + Este livro é para mais de 10 anos, o que é claramente o meu caso. Comprei-o para a petiza, mas estou a lê-lo com gozo. Com uma escrita muito descontraída, escorreita e coloquial, é um prazer revisitar a história e as histórias, recordando ou aprendendo. + Quem tiver filhos ou sobrinhos a fazer anos, são 12€ muito bem gastos. + +
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++ + Fonte: Blogue A Rês Pública

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Arquivo Pessoal do Imperador D. Pedro II, do Brasil, Candidato a Património Mundial da Humanidade

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... A notícia de tal projecto foi divulgada na versão on-line do jornal Globo, transcrita abaixo com algumas supressões.
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«A visão do mundo por meio de relatos de um célebre viajante, Dom Pedro II, compõe um conjunto com 871 documentos da Casa Imperial do Brasil, que recebeu no início do mês o Registro Nacional do Comitê do Programa Memória do Mundo, concedido pela Unesco. A nomeação é o primeiro passo para que uma obra possa se tornar Patrimônio Histórico da Humanidade. Para isso, pesquisadores trabalham no Museu Imperial, em Petrópolis, na análise de outros 50 mil documentos deixados pelo monarca, à procura de mais relatos referentes às suas jornadas.
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— Para se tornar Patrimônio Histórico da Humanidade, a obra deve ter um tema que seja relevante para diferentes partes do mundo. Dom Pedro viajou pelos quatro continentes, em dezenas de países. De cada lugar ele fez um relato minucioso. Por isso, esperamos ser contemplados em 2012 com o título — diz a historiadora Neibe Machado da Costa, responsável pelo arquivo da Casa Imperial do Brasil. [...]. Depois de concluída a leitura do restante dos documentos, a Casa Imperial do Brasil planeja lançar publicações digitais e convencionais e catálogos educativos. Também está prevista uma grande exposição para 2014. [...].
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Um dos muitos diários do Imperador D. Pedro II (1825-1891)
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Viajar era, sem dúvida, uma paixão para Dom Pedro II. Num de seus diários, ele afirma que preferia não ter sido imperador para poder se dedicar mais ao turismo. O trecho diz: “Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, ocupar posição política, preferiria a de presente da República ou ministro à de imperador. Se ao menos meu pai imperasse ainda estaria eu há 11 anos com assento no Senado e teria viajado pelo mundo.”
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Por meio dos 871 documentos já analisados pelas pesquisadoras da Casa Imperial do Brasil, sabe-se que ele passou por países de culturas completamente distintas, como o Canadá, a Rússia, a Turquia, a Alemanha e a Itália.
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— Temos documentos de pessoas que influenciaram Dom Pedro a conhecer determinado país. Ele tinha grandes amigos nos EUA, por exemplo. O que queremos é demonstrar as interligações pessoais e diplomáticas do imperador — explica a historiadora Neibe Machado da Costa, responsável pelo arquivo da casa.
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Uma de suas viagens mais marcantes ocorreu em 1876, justamente para os EUA, para onde ele foi como convidado de honra para a Exposição Universal, na Filadélfia, Pensilvânia. Foi lá que o imperador conheceu o telefone e se encantou, trazendo-o para o Brasil, que foi o segundo país a ter a invenção. Como presente aos anfitriões, ele levou um hino feito pelo maestro Carlos Gomes especialmente para os americanos. Em outra correspondência, com Guilherme Capanema, o Barão de Capanema, o imperador pede que ele compre três casas em Viena, na Áustria, onde pretendia montar o Museu da Cultura Brasileira. O projeto acabou não se concretizando.
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O Brasil não ficou de fora do roteiro de Dom Pedro II. Ele passou por diversas cidades do país e fez relatos detalhados de como era a vida nesses lugares. Um costume que tinha era o de, em cada município, visitar a Câmara, a cadeia e a escola. Em uma de suas viagens ao Espírito Santo, ele teve contato com os índios puris. Na ocasião, fez um pequeno glossário traduzindo termos do seu dialeto para o português. [...].
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— Os documentos são referentes a 50 anos da vida do imperador. Ainda estamos começando, mas a expectativa é que até 2012 o trabalho esteja concluído para que possamos divulgar essas passagens da vida dessa personalidade da História brasileira — conclui a pesquisadora.[...]»
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

No Oceano Todo, por Todo o Mundo...

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Poucas vezes se lê que os gregos nem latinos navegassem fora do seu mar mediterrâneo, de que somente eram capazes os seus navios: os nossos agora são capazes também do oceano todo por todo o mundo, ou a maior parte dele. O qual os nossos marinheiros em nossos dias descobriram, e os seus nunca conheceram. Maior louvor se deve nisto aos nossos, que aos gregos e aos latinos: porque mais têm feito pelas navegações em oitenta anos, do que eles fizeram em dois mil que reinaram. E mais perfeições têm acrescentado a esta arte, do que nunca eles fizeram.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Flávio Josefo : Colaboracionista de Roma ou Patriota Judeu ?

...Observando a vida de Josefo, podemos perceber facilmente o seu comprometimento, não apenas com a cultura greco-romana que enquadrava o Mediterrâneo Oriental no séc. I da era cristã, mas também com o próprio establishment político, tanto em Roma como na Judeia. A sua acção limitada, apesar de consequente, durante a grande revolta dos Judeus, iniciada em 66 d.C., mostra-nos isso mesmo, como veremos adiante. Com efeito, a acção e o trabalho historiográfico de Josefo desenrola-se em duas frentes. Se, por um lado, procura comunicar com o mundo greco-romano e helenístico oriental em que se integrou, e que dominava a civilização do Mediterrâneo Oriental no seu tempo, por outro lado, contudo, não deixava de procurar também preservar a sua ligação com o mundo judaico que o viu nascer. Como diz G. Mader: «...the historian “between Jerusalem and Rome” engages his Greco-Roman readers in their own terms, gives plausibility to an interpretation designed to deflect animus and criticism from the Jews as nation, while at the same time explaining the Romans to the Jews» (Mader, 2000: 147).
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Dois anos antes do eclodir da insurreição judaica do ano 66, Josefo fizera parte de uma embaixada enviada a Roma com o intuito de libertar alguns sacerdotes judeus cativos na urbs. Auxiliado por um actor aí residente, chamado Alituro e, ao que consta, pela própria esposa de Nero, Popeia Sabina, consegue levar a cabo a sua missão com bastante sucesso, tendo mesmo recebido presentes de Popeia como sinal de reconhecimento (Vida, 3.16). A sua ligação a Roma inicia-se, com toda a probabilidade, a partir dessa altura, revelando-se ainda mais estreita no decurso da rebelião que se avizinhava. Chegou-se até mesmo a afirmar, se de facto não se iniciou aí, na viagem que fez a Roma, uma ligação política que influenciaria o comportamento de Josefo durante a rebelião [...]. Existindo ou não, a partir desse momento, uma militância de Josefo em colaborar numa integração pacata da Judeia no mundo romano, a verdade é que a sua observação da realidade política e social de Roma tenha talvez favorecido a sua ligação, não apenas cultural, mas também política, com o Império; ou, pelo menos, a boa vontade que demonstrou em integrar-se no mundo romano e helenístico.
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O colaboracionismo velado de Josefo e a sua duplicidade, antes e durante a guerra é, de resto, assumido pelo próprio na sua autobiografia; ainda antes do eclodir do conflito, face à turbulência dos mais radicais, afirma que, reunido com a elite sacerdotal e os Fariseus, decidiu-se simular o apoio aos insurrectos, de forma a preservar no imediato as suas posições internas: «dado o claro e actual perigo para nós próprios, dissemos que concordávamos com as suas opiniões» (Vida, 5.22). Tratar-se-ia claramente de uma manobra em que as elites moderadas acediam à pressão dos insurrectos para os melhor poder controlar. Uma elite que, atemorizada com os levantamentos de forte base popular, procurava sustentar a sua própria posição, fazendo um jogo duplo enquanto esperava pela salvação vinda de Roma, possuidora da força militar necessária para estabilizar a situação: «Fizemos estas coisas antes de Cestius8 chegar com uma grande força para acabar com a rebelião» (Vida, 5.23).
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Com efeito, Josefo acabou por ser designado para liderar a defesa da Galileia, assim que as coisas tomaram irremediavelmente o rumo da violência. O cerco movido pelos Romanos a Jotápata, lugar em que se entrincheirara com as tropas a si consignadas, teve o desfecho que se esperava no ano de 67: a cidade é tomada e os seus defensores renderam-se aos Romanos. O que surpreende neste episódio é a argumentação utilizada por Josefo, que lhe permitiu não apenas salvar a vida, mas também sair beneficiado da aventura. Perante Vespasiano, que assumia ainda a posição de general ao comando dos sitiantes, Josefo afirmou que Deus lhe teria confidenciado em sonhos que a Fortuna estava ao lado de Roma e que esta traria a vitória às legiões. Mas ainda vai mais longe: afirma mesmo que o conquistador de Jotápata se tornaria, um dia, imperador: «Pensas que Nero e aqueles que lhe sucederem, antes da tua acessão, irão continuar? Tu serás César, Vespasiano, tu e o teu filho aqui presente» (GJ, III, 401). [...]
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Ler Texto integral AQUI
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Fonte: Marcel Paiva Montes, Revista Sapiens, Os Essénios na Obra de Flávio Josefo - Algumas Considerações, sob a perspectiva da Utopia

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Akhenaton - o Faraó Herege

A figura de Akhenaton abriu um verdadeiro conflito de opiniões entre os egiptólogos. Alguns historiadores consideram-no como um homem submergido por uma espiritualidade desconhecida até então na antiguidade. Mostrou-se incapaz de resolver os complicados assuntos do estado, mas foi criador de um culto monoteista completamente inovador. Outros são de opinião que Akhenaton foi uma personagem dominada por uma ambição pessoal que quase arrastou o Egipto para o abismo. Este texto faz uma aproximação à figura do "Faraó herege" através da bibliografia existente tendo em conta o conjunto de todas as opiniões. [...]
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Continuar a ler AQUI, em Castelhano.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aprender com os Descobrimentos Marítimos Portugueses

+ + Sábio conselho de D. Francisco de Almeida, primeiro vice-rei da Índia, a El Rei D. Manuel I sobre qual devia ser a orientação da política régia no respeitante ao comércio com o Índico. +
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Se D. Francisco fosse vivo, acredito, daria, adaptado aos dias de hoje, o mesmo conselho.
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Portugal precisa de homens desta dimensão, sabedoria e visão global.
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" Quanto mais fortalezas tiverdes mais falho será o vosso poder; toda a nossa força seja no mar, porque se nele não formos poderosos tudo logo será contra nós... Enquanto no mar fordes poderoso tereis a Índia por vossa e se isto não tiverdes no mar pouco vos prestará fortaleza na terra "
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( Fonte: O Império Português no Oriente - Jaime Cortesão )

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Camus e a Felicidade - Uma Monografia Fotográfica publicada pela filha do Pensador

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No seu ensaio filosófico, "O mito de Sísifo", Albert Camus descreveu o sentimento do absurdo, o reconhecimento profundo do vazio e da intranscendência do homem face aos cosmos, ao seu destino, e à história de que só se sente resgatado quando age como se pudesse mudar o universo. +
Depois de um parágrafo como esse, é difícil não imaginar o filósofo como uma personalidade alheia à alegria de viver e enredado na espiral sem fundo do existencialismo. Nada mais ilusório.[...]
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Continuar a ler AQUI, em castelhano, no jornal El Mundo

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A História da História

De Heródoto, o "pai da História", ao século XX, diversas foram as formas encontradas de pensar e escrever a História. O curto texto que se segue, pretende dar a conhecer os passos fundamentais desse percurso.
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De uma forma geral costuma dividir-se a evolução do "Processus" histórico em 3 fases distintas: a fase Pré-científica que engloba as historiografias Grega, Romana, Cristã-medieval e Renascentista, a fase de transição, em que se destacam a historiografia Racionalista ou Iluminista e a historiografia Liberal e Romântica e, finalmente, a fase científica em que temos o Positivismo, o Historicismo, o Materialismo Histórico, no século XIX, e a escola dos "ANNALES" e a História Nova, em pleno século XX.Como já vimos considera-se que o "Processus" histórico se inicia com os Gregos e de facto é com Heródoto de Halicarnasso que em pleno século V A.C. , se faz pela primeira vez uma tentativa de investigação do passado, eliminando tanto quanto possível, o aspecto mitológico. A história começa a abandonar o estudo das "coisas divinas" e começa a preocupar-se com as "coisas humanas". Heródoto procurou além disso estabelecer uma causalidade entre os factos históricos e os motivos que os determinam, factor de extrema importância se considerarmos que esta forma de actuação, esta perspectiva, não é inata ao pensamento grego. Como afirma Barraclough, esta é uma invenção de Heródoto. Além de Heródoto, a historiografia grega contou com outros personagens importantes de que se destacam Tucídides e Políbio. Se Tucídides é importante pelo rigor que coloca na selecção dos testemunhos e pela imparcialidade que pretende introduzir na narrativa, com Políbio faz-se a transição da tradição historiográfica para os Romanos, destacando-se especialmente de entre estes, Tito Lívio e Tácito. No entanto faltou brilho à historiografia romana e em termos concretos pouco se evoluiu relativamente aos helénicos. Se com Tito Lívio e a sua história de Roma ainda se vislumbra a introdução de algum método na investigação dos factos, com Tácito e a sua perspectiva pedagógica, encontramos um relato eivado de parcialidade e preconceitos. Numa análise geral, podemos afirmar que a historiografia Greco-Romana se caracteriza por um sentido pragmático, didáctico e principalmente com os Romanos, pelo surgimento de um espírito de exaltação nacional. A História que com Heródoto e Tucídides apresentava um cariz regionalista, passa com os seus seguidores a assumir uma perspectiva universal.Com o advento da Idade Média a historiografia sofre um retrocesso e passa a apresentar relações teológicas que lhe imprimem um carácter providencialista, apocalíptico e pessimista. Deus passa a estar no centro das preocupações humanas. É o Teocentrismo. A preocupação do historiador passa a ser a justificação da vinda do filho de Deus ao Mundo, e depois desse evento, analisar as suas repercussões.[...]
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Autor: Pedro Silva *** Ler texto integral AQUI no História Aberta

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Minha Vida dava um Filme...

Vi, pela "enésima" vez, o filme "Cinema Paraíso" . A minha esposa perguntou-me sobre o que é que tratava; respondi-lhe que da nossa infância, da nossa adolescência, do nosso passado. Então mas a acção não se centra no sul de Itália ? Sim, claro. Mas quem nasceu e vive em qualquer outro país do sul da europa, identifica nas cenas, diálogos e comportamentos das personagens exibidos em "Cinema Paraíso" um registo único, uma idiossincrasia que é comum, um género de marca de água que resiste à escrita por cima, que é observável e identificável nos traços mais essenciais.
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Cinema Paraíso perpassa vivências de décadas em poucos minutos. Quando observamos a sua projecção, sentimo-nos a fazer parte do filme, num misto de alegria e nostalgia. É a nossa vida que está na tela a ser exibida sem nenhum pudor. Maneiras de sentir, de ver, de viver, de sonhar. Anseios, desvarios, pequenas tragédias, conquistas ou realizações, intrigas, trabalho, relacionamentos, diversão, desilusão, paixões; e tudo isto à escala de uma pequena vila do interior isolado onde as vidas de toda a gente se cruzam numa interdependência difícil de contornar e onde os acontecimentos mais importantes são a chegada diária da camioneta da carreira e a sessão semanal de cinema.
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O ritmo marca o tempo e as intermitências da vida dos habitantes que escorre, sempre lenta, qual areia em ampulheta, para novos e velhos, como uma pena que se cumpre e em que a libertação só é conseguida pela aventura da evasão.
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É isto, Cinema Paraíso; a nossa vida na tela, ali, onde todo o pulsar colectivo se esbate derrotado pela chegada e voragem do novo.
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O funeral de Alfredo, que cegou no incêndio da cabine de projecção, passa em frente do Cinema Paraíso. O séquito faz uma paragem no largo principal frente ao edifício em ruínas, num último tributo ao velho projeccionista. Lá está Tótó, ou melhor, Salvator de Vita, homem adulto, citadino que não renuncia as origens, mas que se fez realizador famoso em Roma no cumprimento de uma "professia" de Alfredo, seu grande amigo, mestre e conselheiro. Mais do que o funeral de Alfredo, é um modo de vida e uma cultura que morrem com ele e o seu cinema.
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Cinema Paraíso mostra a vida difícil no interior das pequenas povoações do sul da Europa, entre os anos cinquenta a setenta, marcada pela pobreza dos seus habitantes, pelas doutrinas da igreja católica, pela presença amedrontadora das "forças da ordem" e pelo domínio dos caciques políticos e administrativos locais. Mas mostra também a vivência simples e despreocupada pautada pela proximidade entre as pessoas ainda não permeada pelos problemas das cidades grandes.
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Salvaguardando eventuais pequenos excessos e cáusticos momentos, próprios da produção de qualquer filme, quando regresso a Cinema Paraíso, regresso a casa e à pacatez da minha vida de rapaz provinciano. Regresso à vida de um país, a uma região que me viu crescer e me marcou a infância e adolescência, que me alimentou, como a Salvator, de sonhos com mil aventuras.
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A demolição do Cinema Paraíso, num estertor envolvido por pedras e pó, lembra-nos o fim de um ciclo em que a felicidade se fazia de pequenos nadas, pequenos gestos e grandes sonhos.
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Cinema Paraíso diz-nos, como Gedeão, que o sonho comanda a vida. E era só isso que nós tinhamos, no sul de Portugal, como no sul de Itália, em Giancaldo nos anos 50 a 70 do século XX.
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Cinema Paraíso é um filme que nos transmite uma mensagem subliminar e intemporal. Assim a saibamos entender. Mas é também uma película que mostra como se faz grande cinema com um elenco sem estrelas numa história simples, comovente e belíssima, embalada numa música de Morricone.
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Jacinto Lourenço

Cinema Paraíso