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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sobre o amar e o ouvir

Amamos não a pessoa que fala bonito, mas a pessoa que escuta bonito… A arte de amar e a arte de ouvir estão intimamente ligadas. Não é possível amar uma pessoa que não sabe ouvir. Os falantes que julgam que por sua fala bonita serão amados são uns tolos. Estão condenados à solidão. Quem só fala e não sabe ouvir é um chato… O acto de falar é um acto masculino. Fala é falus: algo que sai, se alonga e procura um orifício onde entrar, o ouvido… Já o acto de ouvir é feminino: o ouvido é um vazio que se permite ser penetrado. Não me entenda mal. Não disse que fala é coisa de homem e ouvir é coisa de mulher. Todos nós somos masculinos e femininos ao mesmo tempo. Xerazade, quando contava as estórias das 1001 noites para o sultão, estava carinhosamente penetrando os vazios femininos do machão. E foi dessa escuta feminina do sultão que surgiu o amor. Não há amor que resista ao falatório.
Rubem Alves

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nobreza no Olhar

“Para um nobre coração os mais ricos presentes tornam-se pobres, quando aquele que oferece o presente já não mais demonstra afecto.”

William Shakespeare

Alguém, dentre todos, viu em mim alguma nobreza. Uma lisonja capaz de levar-me muito próximo ao desconforto. Percebo agora, é muito mais leve o peso da fama de um adorável trapalhão esculachado e rude em relação ao peso da fama de nobre. Há dor tremenda na oferta de um desprezador. O desprezo é o oposto do afecto. Não sei bem como, mas cheguei a esta etapa da vida e ela me deu novas directrizes. Meu actual script, paradoxalmente, é menos falante e mais observador. Meu papel actual inclui escutar e ler, em detrimento do falar. Até o escrever me angustia. Recebi a incumbência de ser mais conciliador e cordato. Duro é começar a ver mais, mesmo vendo menos, consequência da diminuição de palavras vertidas. Ao passar por uma rua pela primeira vez, não sabia o que eram aquelas portas e, tão pouco, conhecia o destino das transversais e vielas. Hoje, quando passo pelas mesmas ruas, surpreendo-me com a experiência, pois ela responde-me a essas perguntas, antes sem respostas. Sei agora quando escutar ou não e, sobretudo, quando lembrar ou não. Descobri o quão belo é esquecer um pecado ou uma afronta recebida, tempos atrás. Estou abraçando mais e melhor as pessoas. Meu aperto de mão se não tem o mesmo vigor, ganhou em sinceridade. Meus olhares são mais respeitosos e sensíveis. Ainda me irrito no retalho, mas estou bem mais longânimo no atacado. Talvez fique mais perto da perfeição quando galgar um grau acima. Por enquanto, não estou apto a receber o presente de quem não me tem nenhum afecto. Não que isso possa acontecer facilmente, se a vida me pregar uma peça dessas ou, de novo, vier uma traição qualquer, com a chegada de algo assim às minhas mãos, devolverei ao traidor ou desafecto. Então, olhando firme em meus olhos, pelo espelho, perguntarei a mim mesmo: Serei eu um nobre?
In Caverna do Lou

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Descobertas...

Descobri que tenho pés de barro. Há algum tempo, achava-me imbatível. Em minha suficiência, imaginei que sendo fiel a Deus, nenhum mal me alcançaria. Desafiei a vida. Realmente acreditei que as asas do Todo-Poderoso se abririam sobre mim e nada ou ninguém atravessaria aquela blindagem emplumada para me ferir. Em nome da fé, dei o melhor, certo que seria um sucesso. Frequentei todos os seminários para aprender “princípios universais para uma vida triunfante". Pensei que a existência se engrenava numa perfeita relação de causa e efeito. Descobri que não sou onipotente, apenas um peregrino inadequado e efêmero. Achei que conseguiria controlar as variáveis do dia-a-dia com eficiência. Considerei a pedagogia que aprendi no seminário a mais eficiente para educar filhos. Disciplinei com “vara” – me instruíram que a Bíblia mandava bater. Trabalhei de domingo a domingo; eu esperava receber o devido galardão dos meus esforços. Ensinei as pessoas a semearem; tratava os resultados dessa "lei" como líquidos e certos. Afirmei que a salvação da alma acontece quando se acredita em doutrinas aprovadas pelos legítimos cânones da tradição pietista-reformada-pentecostal. Descobri que não sei tudo. Tolamente, rebati “heresias” com argumentos incontestáveis. Promovi seminários para destruir raciocínios “apóstatas” (mal sabia que o bumerangue voltaria para me acertar o rosto). Quando me levantei para falar, estava tão convencido que era o dono da verdade que ensurdeci para as manifestações de bondade que me assediavam. Soberbo, gritei a pleno pulmão a minha certeza. De dedo em riste, fiz de minha interpretação a única verdade possível. Descobri que não sou cidadão do mundo. Respirei o ar asfixiado do bairrismo. Dourei o meu gueto. Restringi a leitura. Fui treinado a não gostar de quem não era “salvo” – só que muitas vezes os “salvos” que eu me forçava para gostar, não passavam de pessoas mesquinhas, traiçoeiras e banais. Por volta dos quarenta anos, conheci gente mais feliz, mais íntegra, mais honesta, que muitos “santos”. Passei a olhar a vida por prismas nunca considerados. Engatinhei na meia idade. Devido a tanta soberba, quebrei a cara, feri pessoas, paguei mico, chorei. Frustrei-me. Neurotizei amigos. Só agora reconheço que a vida não segue sobre trilhos. As lógicas religiosas não funcionam. Abaixei a crista. Entendo que não sou mais um adolescente. Mas não desespero. Há tempo, não sei quanto, mas pretendo eternizar o instante precioso. Quero sorver a vida sem as inclemências que amordaçaram meus sorrisos. Anseio por doçura. Tenho sede de bondade. Busco a grandeza de quem ainda sabe rir e chorar.
Soli Deo Gloria

O Dia em que Você Acorda

Um dia você acorda e sente que já não é mais o mesmo, que o cheiro da vida mudou, que as antigas motivações não lhe servem mais, como roupas antigas e apertadas, desbotadas pelo uso excessivo. Um dia você acorda e percebe que a luz está diferente, que os sons da vizinhança não lhe dizem mais respeito, que o som do seu coração está cansado das mesmas batidas na terra, seu coração está pedindo é para voar .Percebe que antigos sonhos estão voltando, mas não têm lugar naquele pouco espaço que lhes foi destinado, como uma revoada de passarinhos a fazer um barulho incrível no seu peito, batendo asas e soltando penas. Você acorda e se dá conta do que não fez, de onde não chegou, dos arranjos e das coisas e gentes que usou para seu gozo, e no entanto, não conseguiu ser íntegro consigo mesmo. Um dia acorda e percebe: decepcionado, quis crer em tantas crenças e doutrinas, se esforçou para agradar a gregos e troianos, disse "sim" quando queria dizer "não", e deixou de falar "não" tantas vezes que já não sabia mais qual era o seu querer, quais eram os seus sabores preferidos e a direção que escolheu caminhar. Da mesma forma, acorda e percebe que estava com saudade da sua música, seus livros, seus segredos e seu ócio. Acorda e olha para o teto, vê possibilidades acima do teto; sorri, simpatizando-se com a aranha tecendo teimosa a despeito das estocadas diárias da vassoura.Sem se render, ela recomeça toda noite, e agora você se dá conta que existe a coragem de recomeçar. Um dia você acorda e lembra que riu, comeu e sentou a mesa com gente que de fato nunca se importou, e você oferecendo seu melhor sorriso em troca de aceitação. Que bobagem. Lembra que não protestou diante de absurdos, recolhendo-se à boa educação de sempre.Lembra que deu o relógio para a pessoa errada, e deixou de abraçar por puro preconceito, e que não tentou mais uma vez. Um dia você acorda cansado de dizer que está cansado de viver, e decide que vai correr o risco de recapitular suas teologias e filosofias. Um dia. Um dia você acorda.
HBP - janeiro de 2000

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pessoa e a Vida

Tenho tanto sentimento Que é freqüente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar

Fernando Pessoa

Ildo Meyer / Bom Líder Via Solomon 1

Emoção e Sentimento

Emoção e sentimento não são sinónimos. Pelo contrário, são processos muito diferentes. O que sentiu ao ver o seu filho dar os primeiros passos? Qual foi a emoção? Talvez seja difícil exprimir em palavras. Emoção pode ser definida como um impulso nervoso que provoca um conjunto de reações psico-fisiológicas. Chorar, tremer, transpirar, vomitar, corar, fugir, sorrir, gritar, desmaiar, coração disparar… Independem da vontade, geralmente são de curta duração e muita intensidade, sendo difícil de esconder, pois apresentam manifestações externas e públicas. Podem jorrar a qualquer momento, sofrendo grande influência dos instintos e da não racionalidade.

Sentimento já é algo mais elaborado; envolve racionalização, livre-arbítrio, espiritualidade, bom senso. É a reação que não entendemos (emoção), sendo integrada no nosso ser. Uma emoção madura. Diferente das emoções, sentimentos são privados; os outros só ficam sabendo se existir o desejo de partilhá-los. Amor, paz, alegria, medo, tristeza, esperança, orgulho…

Imagine o corpo humano envolvido por uma membrana impermeável. Somente palavras e emoções poderiam penetrar em seu interior e ali sofreriam transformações.

A emoção/palavra que conseguir penetrar no interior do corpo e ser integrada, ou no mínimo percebida e interpretada, transforma-se em sentimento. A emoção que penetrar e não for sentida, será apenas uma emoção, e deixará como lembrança a dramatização ocorrida do lado de fora. A palavra que não for sentida pode ser intelectualizada sob a forma de pensamento ou também ficar diluída, pelo menos a nível consciente. Assim, teríamos no interior do corpo pensamentos e sentimentos, e do lado de fora, emoções e palavras.

Há um incontável número de coisas que acontecem e são confundidas ora com sentimento, ora com emoção e ora com palavras. Pessoas que não conseguem demonstrar emoções podem ser acusadas de ausência de sentimentos e pessoas muito emotivas podem ser interpretadas como sensíveis. Isto nem sempre é verdadeiro, pode causar constrangimentos afetivos, guerras e até mesmo separações.

O que realmente expressamos para nós mesmos e para o mundo? Emoções? Sentimentos? Palavras?

Comecemos pelas palavras. Por melhor que seja a intenção, dizer não é o mesmo que sentir. Ao dizer, altera-se o que se sente. Só o estar sofrendo diz o que é sofrer. Além disto, com palavras pode-se mentir, dissimular…

Emoções podem demonstrar sentimentos, mas como saber se aquelas lágrimas são a via de saída de um sentimento ou apenas o processo de entrada para o interior do corpo?

Nem sempre sentimos o que queríamos sentir ou o que os outros esperavam que sentíssemos. Agarramo-nos então a padrões sentimentais pré-estabelecidos (despedida-choro, falecimento-tristeza) que nos deixam confusos, isolados, sem palavras ou emoções, e às vezes, alienados da realidade.

Como as emoções, sentimentos também fogem de nosso controle, com a diferença de que não são fugazes, ficam no interior de nossos corpos remoendo, marcando, lembrando.

Amor é sentimento; paixão é emoção. Na paixão estamos presos, somos ruidosos, ansiosos, ciumentos, febris, egoístas, inseguros. O amor liberta, desprende, traz paz. Ao contrário do que muitos pensam, amor não mata; a paixão é que pode matar.

Alegria é um sentimento, euforia e gargalhadas são emoções. Medo é um sentimento, pânico e desespero são emoções. Raiva é um sentimento, ódio é uma emoção.

Emoções são instintivas. Palavras podem ser racionais demais. Sentimentos podem ser o ponto de equilíbrio.

Palavras não controlam desequilíbrio emocional, não funcionam na irracionalidade. Sentimentos têm esta força. Amparam, acodem e podem até transformar mágoa em alegria, pavor em coragem e ódio em amor.

No clamor das emoções e das palavras se fazem as guerras, no discernimento dos sentimentos é que se busca a paz.

Como encontrar e ter acesso aos sentimentos? Fácil! Estão no mesmo lugar desde que nascemos. Sentimentos são internos. Estão lá dentro de nossos corpos, esperando para crescer e amadurecer.

Ildo Meyer / Bom Líder Via Solomon 1

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Definir Felicidade

O Rabino Harold Kushner disse que a felicidade é como caçar uma borboleta, quanta mais você corre para pegá-la, mais ela se afasta, quando você se preocupar com outras coisas ela pode pousar em seus ombros. Assim é a felicidade, não precisamos persegui-la, precisamos viver com significado, então, a felicidade torna-se o resultado dessa maneira de viver e parece que esse significado habita os momentos mais simples da existência.

fonte: Confraria - viLLy fOmiN

Via Laion Monteiro

domingo, 19 de abril de 2009

Pessoas de Sucesso

O Drauzio Varella conta que quando trabalhava com pacientes terminais ninguém se lamentava, na hora da morte , por não ter comprado o apartamento dos seus sonhos ou por ter aplicado o dinheiro em acções, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida. E se, ao invés de grandes projectos, a felicidade for feita de coisas pequenas?

O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Para mim, as pessoas de sucesso são aquelas que trabalham para realizar seus projectos de vida e seus sonhos, não para impressionar os outros, mas para ficar bem consigo mesmas.

Por Timilique!

Via PavaBlog