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terça-feira, 12 de abril de 2011

Hipocrisia e Cristianismo...



A marca registada de um hipócrita é ser cristão em todo o lugar, menos em casa.




( Robert Murray M'Cheyne )
 
 
 

sábado, 29 de janeiro de 2011

A dificuldade de Ser Cristão no Oriente

Na noite de 31 de Dezembro passado, a explosão de uma bomba diante de uma igreja cristã copta, em Alexandria, à saída da celebração do Ano Novo, causou 23 mortos e 79 feridos. Um grupo ligado à Al-Qaeda no Iraque, responsável pelo ataque sangrento da catedral de Bagdad em Outubro, já tinha apontado os coptas como alvo. Independentemente de quaisquer considerações ideológicas, políticas ou religiosas, é legítimo perguntar-se pelas consequências do incêndio que alastraria pelo mundo inteiro, se algo de semelhante acontecesse, diante de uma mesquita, no Ocidente.
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Quem não anda completamente distraído já notou que há muito se observa um plano para acabar com os cristãos no Médio Oriente. Quem mais tem denunciado a situação são intelectuais ateus ou agnósticos, como Bernard-Henri Lévy ou Régis Debray. O último número de Philosophie Magazine faz notar que o novo objectivo da Al-Qaeda parece ser o de pôr as comunidades religiosas umas contra as outras, "passando por cima dos Estados". Começou no Iraque e estende-se ao Egipto e à Nigéria. Nesta estratégia, os cristãos do Oriente - "ângulo morto da nossa visão do mundo", segundo R. Debray - representam "um alvo ideal". Pela sua própria existência - "árabes não muçulmanos" -, "desmentem" a ideia de um choque entre civilizações fundadas na religião. Os cristãos "desempenham um papel insubstituível de traço de união e de mediador entre o exterior e o interior, o Ocidente e o Oriente", afirma Debray. Mas, por este andar, por quanto tempo?
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A maior perseguição religiosa no mundo, hoje, é aos cristãos. Lembrando o atentado de Alexandria e a perseguição de diferentes comunidades cristãs, Nicolas Sarkozy, num discurso de Ano Novo perante as autoridades religiosas de França, declarou: "Não podemos tolerar o que cada vez mais parece ser um plano particularmente perverso de depuração religiosa no Médio Oriente."
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Esquece-se frequentemente que esses cristãos nada têm a ver com as cruzadas ou outros tipos de perseguição ocidental, pois são originários desses países, aí presentes desde os tempos do cristianismo primitivo. Foi o que o Presidente francês também lembrou: "no Iraque como no Egipto, os cristãos do Oriente estão na sua casa e a maioria deles há 2000 anos", acrescentando: "não se pode aceitar que essa diversidade humana, cultural e religiosa, que é a norma na França, na Europa e na maior parte dos países ocidentais, desapareça dessa parte do mundo." "Os direitos que estão garantidos na nossa casa a todas as religiões devem ser reciprocamente garantidos noutros países."
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Preocupado com sondagens que mostram que mais de um terço dos franceses e dos alemães consideram os muçulmanos como uma ameaça, Sarcozy pediu que se combata esse sentimento "irracional" com "o conhecimento mútuo e a compreensão do outro". "O islão nada tem a ver com o rosto repugnante desses loucos de deus que tanto matam cristãos como judeus, sunitas e xiitas. O terrorismo fundamentalista também mata muçulmanos."
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Prof. Anselmo Borges in Diário de Notícias de 29 de Janeiro de 2011

sábado, 20 de novembro de 2010

O Preconceito Fere, contamina e Destrói

“ …Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus : Tu dizes isso de ti mesmo ou disseram-to outros de mim? ”
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O texto bíblico dá conta de uma pergunta de Pilatos a Jesus, e da resposta que lhe deu o Mestre. A pergunta trazia já em si própria um preconceito do governador acerca de Jesus Cristo. Pilatos, mais do que provavelmente, nunca tinha estado frente a frente com o Mestre. Para ele , Jesus não passava de mais um Judeu que os sacerdotes lhe entregavam para ser julgado e que queriam executado; mas a pena de morte excedia os limites da autoridade sacerdotal e só poderia ser aplicada pelos Romanos. Porém, na recepção ao Senhor, já estava formulada na cabeça de Poncio Pilatos uma linha de preconceito que o deixava previamente influenciado e dividido quanto à avaliação de quem tinha pela frente. De acordo com Lucas 23:6,7, quando Jesus lhe foi enviado pelos principais dos sacerdotes, Pilatos descobrindo que Ele era Galileu e, pertencendo por essa via à Tetrarquia de Herodes Antipas, de pronto o enviou para este que, por essa altura, se encontrava em Jerusalém afim de celebrar a Páscoa. Achava o governador que lavava as suas mãos, sem as molhar, de um assunto que queria confinado à estrita esfera judaica. Por outro lado, no conceito dos responsáveis Judeus, que encaminharam Cristo até Pilatos, a sua consciência ficaria “limpinha”. Descartavam-se do Cristo antes de celebrarem a Páscoa, a cuja celebração não pretendiam comparecer “contaminados”, e “desresponsabilizavam-se” da autoria material da morte do Senhor que recairia dessa forma sobre César. Este Messias não servia os seus interesses nem os seus preconceitos religiosos.
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Apetece-me citar o texto “A Prisão Judaica”, noutro contexto, é certo, que o meu amigo João Tomaz Parreira publicou já há algum tempo numa revista cristã ( “Novas de Alegria” ) , e que a determinado passo diz: “Politicamente verificamos que muitos Judeus, na Palestina, querem o território bíblico, mas rejeitam o Deus que lhes deu ancestralmente a sua terra. Escavam nas raízes, julgam-se para todas as coisas o único testemunho da humanidade e o exclusivo instrumento da divindade, mas colocam Jeová fora dos seus planos”. Foram assim sempre, ao longo da sua história, os Judeus. Alimentando o preconceito de que “um escolhido” tem sempre a razão e a verdade do seu lado independentemente da forma como julga e avalia, e como vive. Citando de Novo J.T.Parreira, no mesmo texto, e que por sua vez cita outros pensadores, e aplicando agora aos cristãos nossos contemporâneos que possam viver, um pouco à imagem do judaísmo, um cristianismo impregnado de preconceitos, faço minhas as suas palavras: “o que vale não é tanto um credo cristão, mas muito mais os actos concretos dos cristãos”.
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Razão teria João Batista ( porque conhecia bem a intimidade do coração e do pensamento dos judeus), quando atirou aos Saduceus e Fariseus a frase: “raça de víboras (…) produzi frutos dignos de arrependimento e não presumais de vós mesmos, dizendo: temos por pai a Abraão[...]”. Por essa e outras razões, que tinham a ver com uma fé liberta e à margem da “linha do preconceito”, foi João Batista martirizado. O preconceito fere, contamina, destrói e, como vimos pela Palavra de Deus, pode matar!
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Preconceito: Ideia, conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério. Obrigação de obediência inflexível a certas normas de procedimento convencional ou tradicionalmente estabelecidas. Estado de superstição de cegueira moral. Abusão, erro, prejuízo, que muitas vezes obriga a certos actos ou impede que eles se pratiquem”. É o que diz o Grande Dicionário da Língua Portuguesa – edição Círculo de Leitores.
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Jacinto Lourenço

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Jesus e o Império

O cristianismo tem uma relação muito peculiar com o Império Romano. Qualquer leitor atento do Novo Testamento perceberá a presença marcante de Roma e sua influência, seja para o bem ou para o mal, na vida dos cristãos e nas primeiras comunidades de fé. Na verdade, um pouco antes de Jesus nascer, no ano de 63 a.C. o general Pompeu subjugou a Palestina e estendeu ao Médio Oriente os territórios do império fundado no século VIII a.C. Os judeus, mais uma vez, estavam nas mãos de conquistadores estrangeiros e foi nesse cenário que o Filho do Homem veio ao mundo, sob governo do imperador Augusto. +
Os primeiros momentos da vida de Jesus foram marcados pela perseguição implacável de um governador investido de poder romano. De acordo com Mateus 2.16-18, foi um governante romano da Palestina, Herodes, o Grande, quem ordenou a matança dos infantes de Belém na expectativa de impedir o aparecimento do messias dos judeus conforme anunciavam os profetas e os magos do Oriente. Os pais de Jesus tiveram que fugir rapidamente para o Egipto sob ordem angelical - "Herodes há-de procurar o menino para matá-lo" (Mateus 2:13-14). +
Não obstante, a vida adulta de Jesus também foi marcada pela presença do Império. Lemos constantemente nas narrativas evangélicas alguns encontros épicos entre o poderoso sistema e o aparentemente fraco mestre da Galiléia. Jesus não se revoltou contra César e nunca intentou subverter politicamente as estruturas de poder dos romanos. Ele inclusive tinha muitos amigos judeus que trabalhavam para Roma, os chamados publicanos, considerados como traidores pelos seus pares; aliás, um dos seus discípulos mais importantes, de nome Levi, fora um deles. Consta nos relatos sobre Jesus uma cura impressionante envolvendo um militar romano (centurião) e seu servo que estava a beira da morte. Noutra ocasião, afirmou a validade da autoridade do Império Romano quando disse "dêem a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus" (Mateus 22.21). Fica claro, portanto, que nos Evangelhos a luta de Jesus era pelo controlo dos corações dos homens. Sua saga envolvia destronar o governo do mal alojado na interioridade da alma humana, algo muito mais divino do que simplesmente estabelecer uma nova ordem política. Como ele mesmo respondeu ao prefeito romano da Judéia, Pôncio Pilatos, quando interpelado sobre as suas intenções políticas "o meu reino não é deste mundo" (João 18.36). Obviamente, como veremos adiante, o movimento iniciado por Jesus, apesar de natureza pacífica, acabou se tornando uma pedra no sapato de Roma. +
Analisando o terrível fim da vida terrena de Jesus, executado brutalmente por Roma ao lado de dois criminosos, fica difícil imaginar como seus covardes e temerosos discípulos prosseguiriam com a agenda proclamatória do Reino de Deus iniciada por seu mestre. Estamos falando de um pequeno grupo de simples judeus iletrados, guiados por um jovem rabino da Galiléia que fora crucificado como um bandido sob autoridade romana, quando tinha apenas três anos de actividade peripatética. Historicamente falando, todas as circunstâncias apontavam para um fim precoce e desastroso do novo movimento iniciado por Jesus. Como um grupo tão frágil permaneceria diante de uma potência mundial como Roma afirmando a existência de um Reino superior ao de César? Um evento supostamente ocorrido numa manhã de domingo, após a crucificação, mudou a história para sempre. +
Deste evento em diante, os seguidores do Crucificado passaram a chamá-lo de Kyrios (gr. Senhor) afirmando que ele estava vivo e que voltaria para julgar as acções dos homens, inclusive dos poderosos de Roma. O mundo nunca mais foi o mesmo e nem mesmo as mais trágicas perseguições imperiais foram capazes de extinguir o crescimento numérico dos cristãos. Na opinião de J.L. Hurlbut "ao findar o período das perseguições, a Igreja era suficientemente numerosa para constituir a instituição mais poderosa do império". Em pouco tempo (visto da perspectiva histórica) os cristãos se alastraram por todo território do império romano e sob as maiores adversidades possíveis declaravam que debaixo do senhorio do Rei dos Reis "não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3.28).
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Igreja e a Liberdade de Cristo: um Manifesto.

Nasci e cresci, como cristão e como homem, no seio de uma comunidade cristã-evangélica de matriz pentecostal. Não renego as minhas origens cristãs, a minha matriz pentecostal e boa parte do que recebi nessa comunidade e que, afinal, marcou indelevelmente o que sou hoje. Discordei sempre de muita coisa mas fi-lo sempre frontal e lealmente. Nunca disse pelas costas aquilo que tinha que dizer face a face. Assumi sempre as minhas responsabilidades na Obra de Deus e no serviço do Reino em consonância com os talentos recebidos. Nunca exacerbei o meu posicionamento espiritual no seio da minha comunidade e jamais me coloquei em "bicos de pés" apenas para ser visto. O exercício da minha fé foi sempre na direcção da utilidade e do serviço ao meu Senhor e à igreja que me reconheceu isso e me comissionou unanimemente para o ministério da Palavra. Nunca tive a pretensão de estar certo em tudo, mas também nunca abdiquei das minhas convicções cristãs, desde que bem consolidadas na Palavra de Deus mesmo que isso representasse a manutenção de olhares menos tolerantes na minha direcção. Nunca fui intelectualmente ou moralmente subserviente para poder sustentar qualquer "stato quo" que me fosse eventualmente favorável. Nunca olhei a igreja e o Evangelho através de colunas de "deve" e "haver". O "Negócio de Deus" tem a ver com almas salvas, sementeira da Sua Palavra e servir sempre, a todos os homens, independente de credos, na medida das nossas forças, tempo e visão de Deus. Mercantilismo é-me portanto um conceito estranho no que à igreja diz respeito.
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Bati-me, e combati sempre com a verdade, a dissimulação, ostentação, irresponsabilidade, mentira, falsidade e outros pecados e malefícios que fui identificando, sabendo que eu próprio não sou perfeito e olhando sempre para Aquele que É a minha medida de perfeição. Nunca me detive face a aberrações éticas, espirituais e mesmo culturais que se prolongaram, diria quase "criminosamente", durante décadas, no interior da minha comunidade cristã de origem e que destruiram, espiritualmente, anos a fio, famílias inteiras. Não me calei e não me calo mesmo que isso possa representar também a tentativa do meu "linchamento" espiritual com hora marcada em qualquer Sinédrio de turno por classes sacerdotais e farisaicas de serviço a coberto de um manto de silêncio colectivo comprometido e envergonhado que prefere assobiar para o lado e passar à frente a ter uma atitude de defesa intransigente da verdade, da fé e da comunhão entre irmãos em Cristo; mas "linchamentos espirituais" até nem são uma solução original...
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Não, esta não é forçosamente uma igreja cristã. Talvez um sucedâneo barato, uma máscara de igreja. No limite, uma igreja travestida, uma religião "cristã" que convoca à prática do entorpecimento espiritual assente em rudimentos de um qualquer neo-catecismo evangélico. Uma igreja assim, com esse nome, de "igreja", não existe e, se existe, é uma farsa contada por fascículos pendurados nos cordéis da literatura popular barata. Uma igreja que ontem tudo proibia aos crentes, tivesse ou não vínculo e respaldo bíblico para tal, e que hoje destapa, de um golpe, a irracionalidade de anos de ensino e defesa de princípios controvertidos com os quais se destruiu por dentro, não pode ser "uma igreja", não pode ser a minha igreja. Nunca poderei rever-me numa igreja assim, que "resolve problemas" por atacado como se as vidas destruidas e as famílias desprezadas e marginalizadas em nome de valores e critérios irracionais e anti-bíblicos não contassem para coisa nenhuma e pudessem ser varridas para baixo do tapete, consideradas "baixas de guerra" em nome de fundamentalismos discricionários de ocasião ao gosto e sabor de quem acha que tem poderes ilimitados sobre a vida das ovelhas de Jesus. Contam e muito. Têm peso. A inscrição ou não dos seus nomes no Livro da Vida é responsabilidade de quem guiou ou consentiu na condução das ovelhas do Senhor a pastos pouco verdejantes durante anos consecutivos em nome de um farisaísmo que Jesus combateu largamente ao longo do seu ministério.
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Independente do julgamento de Cristo, a história e o tempo coam também as atitudes e os empreendimentos do povo de Deus e dos que o guiam. E houve um tempo em que a afirmação dos evangélicos se fez, quiçá por necessidade de contraponto com a religião estabelecida, pela simplicidade do discurso e pela afirmação da humildade da fé e dos princípios. Nada a dizer. Foi assim que o Evangelho cresceu e se implantou em Portugal. A descoberta e o fervor pentecostal cobriam equívocos bíblicos aos quais ninguém prestava atenção, embora estivessem lá. Todos achavam, e aceitavam, líderes e povo, que seria assim, que a direcção era essa, a da diferença marcada e sublinhada socialmente, do estreitamento das margens, da separação rígida, da negação do contacto exterior, mesmo que à custa do esmagamento cultural, da renúncia expontânea da "novidade" de fora pelo perigo da "lepra" contagiosa. O conjunto de regras éticas e comportamentais definia, às vezes, mais do que ser ou não salvo, aquilo que era um "crente". À distância, eram reconhecidos, já não pela sua humildade espiritual e afirmação viva de uma fé explosiva, constante e penetrante, que foram a matriz original onde se sedimentou o seu crescimento popular e fulgurante, mas antes por um estereótipo sociológico.
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Os "avisos" foram caindo como bombas incendiárias. O padrão ético e comportamental que nos visitava do estrangeiro era diferente, não impunha "cabrestos" estranhos nem "palas" para tapar a visibilidade do que à volta se passava, mas não deixava por isso de continuar a afirmar uma fé empolgante. O ridículo cubria-nos quando homens e mulheres, cristãos oriundos de ambientes culturais apenas separados por poucos quilómetros, entravam em território da igreja nacional. As exigências e imposições comportamentais, de acordo com o padrão local, diziam muito da transferência que estava já a ser feita, da humildade inicial da fé para o monumento comportamental erguido em seu lugar. Os anos 80 do século passado colocaram a nú a hipocrisia que se substituiu à fé e estilhaçaram uma comunidade alargada, e até então unida, em muitas outras mais pequenas comunidades que, despidas do preconceito e farisaismo souberam fazer o seu próprio percurso contextualizando a sua fé e afirmação cristã em tempos diferentes. Queiramos ou não, não há "cabresto" que possa impedir para sempre que se ouça o silvo do vento que sopra. E ele sopra onde e para onde quer . O Vento do Espírito não pode ser domado por homem algum em nome seja do que for. Mas parece que o dealbar do século vinte e os alvores do século XXI trouxeram a uma certa igreja novos ventos. Mas esta igreja corre o risco de se escancarar a tudo aquilo a que anormalmente, e anti-biblicamente, não se expôs em devido tempo e pagar por isso um elevado preço. Soa a falso, a opção avulsa. É forçada e vem a reboque de circunstâncias pouco dignificantes. É da cabeça e não do coração. Muita gente foi esmagada apenas por acreditar que a forma como se vestia ou alguns lugares inócuos que frequentava, ( só pequenos exemplos ) não tinha nada a ver com a sua afirmação de fé. Que por não se isolar, escondido na protecção da comunidade, podia mostrar, mais claramente, o que Cristo fazia na vida daqueles em quem tocava do que recolhido no seu casulo pregando para si próprio, clamando para crentes que se arrastavam para cultos sem vida duma "religião cristã" hibernada, sem chama nem fulgor, incapaz de promover a conversão de pecadores pois os sinais que transmitiu durante tempos e tempos ficaram coados numa história a que não se deveria ter deixado amarrar, por muito significante e empolgante que tivesse sido, como foi efectivamente.Isso deixa um rasto visível e perigoso. Hoje, pela Graça de Deus, muitos homens e mulheres que compreenderam relativamente cedo a mudança do vento da história da igreja, são exemplos a olhar com respeito e consideração pelo bom trabalho espiritual feito dentro e fora de portas da igreja local, sem imposição de palas ou cabrestos, até porque disso Cristo nos Libertou totalmente. Infelizmente o libelo acusatório dos velhos e gastos Sinédrios paira ainda sobre esse conjunto de corajosos cristãos, bons leitores do vento e do tempo. As sentenças, lavradas em velhos pergaminhos, continuam afixadas nas portas da memória das suas comunidades de origem, para cujos líderes as palavras Amor, Perdão e Reconciliação, são apenas letra morta, mesmo se trazidas à Bíblia Sagrada com a força da Nova Aliança selada pelo sangue de Jesus Cristo.
Este é o meu manifesto, em síntese, na defesa da Igreja e da Fé Cristã, sem fantasmas nem papões de serviço. Diz a Bíblia que "se Cristo nos Libertar, seremos verdadeiramente Livres". É nisto que creio.
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Jacinto Lourenço

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mudar, Imperativo da Vida

Os sistemas estáticos são mortos; as ideias engessadas são dogmas intolerantes; as instituições inflexíveis são tiranias. A vida acontece na transformação. Tudo flui. O tempo sangra como hemorragia porque vaza a existência por um ralo cruel. Mas não há como estancar o escoamento das horas.
*** Mudar é aceitar a inexorabilidade do tempo; é reconhecer a impossibilidade de lançar ganchos, estacionar, e recusar o imperativo divino: “Manda que o povo marche”.
*** Machiavel afirmou:
*** “Não há empresa (tarefa) mais difícil de conduzir, mais incerta quanto ao êxito e mais perigosa, do que a de introduzir novas instituições. Aquele que nisso se empenha tem por inimigos todos quantos lucravam com as instituições antigas, e só encontra tíbios defensores naqueles aos quais as novas se aproveitam”.
*** Vem de José Comblin a expressão”teologia cínica”. Teologia cínica é a que sistematiza verdades sem criticá-las ou que repete conceitos cristalizados pelo senso comum. Para Comblin, o sentido de “cínico” está conectado ao foco do pensar: quando a defesa do argumento ou do conceito é priorizada sem sensibilidade aos indivíduos. Falar em tese, pensar a partir de absolutos, reduz a linguagem religiosa ao teorismo da torre de marfim. Acontece que a experiência de Deus na história é de inquietação e não de apatia. A verdade, se pretende ser verdade, deve ligar-se à vida e não ao argumento que satisfaz uma lógica interna.
*** Hannah Arendt acertou ao afirmar que milagre é a interrupção de qualquer processo automatizado. Mudar é alterar o que outrora se considerava inamovível; é reverter o irreversível. Profetas não encalacram futuro dentro de suas previsões, mas o libertam para infinitas possibilidades. O futuro se bifurca em trilhões de esquinas a partir das decisões livres de homens e mulheres. Os profetas apenas alinhavam o porvir para depois ensinar os pontos que firmariam as costuras.
*** Mudanças comportamentais são estimuladas entre religiosos, mas mudanças conceptuais são vistas como anátemas. Jesus, logo depois de ter dito aos discípulos que era a Verdade (Jo 14.6), prometeu que o outro Consolador, o Espírito Santo, os conduziria a mais Verdade. Jesus tinha muitas coisas para ensinar, mas os seus seguidores mais próximos ainda não estavam prontos para suportar: “Ele vos guiará a toda Verdade” (Jo 16.13). Eles deveriam manter o coração ensinável, a mente flexível e o coração sensível porque o caminho para a Verdade não se exaurira e nem se esgotaria tão cedo.
*** Mudar, portanto, significa se abrir para verdades que outrora não encontravam porto na interioridade. Mudar é admitir que nunca estamos totalmente prontos para entender tudo. Mudar é aprender a deixar para trás o que outrora nos encantava para absorver o que os olhos nunca viram, os ouvidos nunca ouviram e nunca o coração humano intuiu. Mudar é abrir mão do que antigamente fazia sentido para que resplandeçam novos lampejos de sabedoria, lucidez e esclarecimento.
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Soli Deo Gloria
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Uma Questão Simples...

A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós, cristãos, somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que no minuto em que compreendemos estaremos obrigados a agir em conformidade. Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. ‘Meu Deus’, dirá você, ’se eu fizer isso minha vida estará arruinada. Como vou progredir na vida?’. Aqui jaz o verdadeiro lugar da erudição cristã. A erudição cristã é a prodigiosa invenção da igreja para defender-se da Bíblia; para assegurar que continuemos sendo bons cristãos sem que a Bíblia chegue perto demais. Ah, erudição sem preço! O que seria de nós sem você? Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo, De fato, já é coisa terrível estar sozinho com o Novo Testamento.”

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Soren Kierkegaard

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Fonte: Canto do Jo *** Via A Ovelha Perdida

domingo, 4 de abril de 2010

Eu Sou a Ressurreição e a Vida !

[ Título original do texto : "Ela é tenaz" ]
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'Ela' é a morte. Se já não se pensa nela, não é por já não ser problema. É o contrário: de tal modo é o único problema... Ela é o abismo sem fim e sem fundo. Diante dela, todas as palavras se apagam e o silêncio é todo. Houve um tempo em que ela conviveu naturalmente com os homens e estes com ela: era quase familiar. Agora, tornou-se tabu. Até alguns amigos meus me dizem que não fale nem escreva sobre ela, porque as pessoas não gostam. É preferível ignorá-la. Cada um fará com ela, só, como puder. De qualquer forma, é dela que também nasce a filosofia, como disseram os grandes. Sem ela, talvez também não houvesse religião nem religiões. Se hoje o pensamento é débil e a religião navega em vago consolo sentimental, a razão é que ela foi afastada da meditação dos homens. De facto, em luta com ela, é-se obrigado a ir sempre mais fundo e mais longe. Porque ela é o impensável que obriga a pensar, impossibilitando a vulgaridade falaz e oca da sofreguidão da imediatidade do aqui e agora. Ela é a morte. Se já não se pensa nela, não é por já não ser problema. É o contrário: de tal modo é problema, o único problema para o qual uma sociedade que se julga omnipotente não tem solução que a única solução é não falar dela e fazer dela tabu. O filósofo Max Scheler já tinha chamado a atenção para isso, no início do século XX. Se cada vez menos o Homem europeu acredita na sobrevivência, é porque "já não vive face a face com a morte", mas do seu recalcamento. Este Homem já não frui de Deus e a natureza também já não é a terra natal acolhedora, provocando admiração e espanto, mas apenas o espaço do seu domínio. Para o Homem moderno, pensar é calcular e dominar e, assim, como vive como se não tivesse de morrer, isto é, como já não sabe que tem de morrer a sua própria morte, quando ela aparece, só lhe pode aparecer como catástrofe. Para o Homem tradicional, a morte constituía um poder formador e director, que dava configuração e sentido à vida. Agora, vive-se no dia-a-dia, até que de repente, estranhamente, "já não há mais um novo dia". No quadro de um mundo matematizado e calculável, as qualidades, as formas e os valores de ordem moral, porque não calculáveis, são remetidos para o domínio do subjectivo, do arbitrário e até da irrealidade. Diante da morte não há cálculo possível. Fica-se atenazado: impossível pensar que tudo acaba ali, impossível pensar um depois e um além. Mas, sem eternidade, o que vale ainda, o que tem realmente valor? Se tudo desembocar no nada, ainda há, pensando até ao fundo e ao fim, diferença real e última entre bem e mal, verdade e mentira, justiça e injustiça? Mesmo assim, nestes dias, no mundo cristão, é-se convidado a lembrar um crucificado. Jesus morreu na cruz como blasfemo religioso - pôs em causa a religião dos interesses - e subversivo social - ameaçou a ordem estabelecida da injustiça. Testemunhou até ao fim a verdade, a justiça e o amor. Com a sua morte, aparentemente foi o fim. Mas, aos poucos, os discípulos voltaram a reunir-se e testemunharam que ele, o crucificado, está vivo em Deus. E foi essa fé, testemunhada até ao martírio, que mudou o mundo. Como disse em 1964, num diálogo com Theodor Adorno, o filósofo ateu religioso Ernst Bloch - esse que esperava que a última música a ouvir não fossem as pazadas de terra na sepultura -, "o cristianismo, na concorrência com outros profetas da imortalidade e da sobrevivência, venceu em grande parte graças à proclamação de Cristo: 'Eu sou a Ressurreição e a Vida'. Não propriamente através do Sermão da Montanha. No século primeiro depois do acontecimento do Gólgota, a ressurreição foi referida ao Gólgota de uma forma inteiramente pessoal, de tal modo que pelo baptismo na morte de Cristo se experiência a ressurreição com ele. Imperava então um desespero apaixonado, que hoje nos parece incompreensível e representa um acentuado contraste com a nossa indiferença. Mas nada impede que dentro de cinquenta ou cem anos (porque não dentro de cinco?) volte essa neurose ou psicose de angústia da morte, de tipo metafísico, com a pergunta radical: para quê o esforço da nossa existência, se morremos completamente, vamos para a cova e, em última instância, não nos resta nada?
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Fonte: prof. Anselmo Borges in Diário de Notícias Online

segunda-feira, 29 de março de 2010

Tristeza Feita Mármore

No passado sábado, fui com a minha esposa ao cemitério. Ela queria visitar a campa onde repousam os restos mortais dos seus pai e irmão. Admito não ser frequentador de cemitérios, por várias razões, para além de que lhes não reconheço grande sacralidade, contrariando aquilo que recebi como herança cultural judaico-cristã que nos enformou a todos neste domínio. Enquanto a minha esposa cuidava de algumas coisas junto da campa dos nossos queridos, afastei-me um pouco e deambulei pelos corredores abertos entre as outras muitas campas que enchem o cemitério novo de Alverca. Fiquei admirado com a quantidade de gente jovem cujos restos mortais ali se encontram, muito jovem mesmo. Vidas ceifadas numa juventude breve.
Objectos esculpidos em mármore ou granito adornam as pedras frias e remetem para actividades que aqueles jovens desempenharam enquanto viveram: desporto e música, maioritariamente. Não sei explicar a razão ( embora intimamente possa avançar algumas tentativas de explicação ), mas a verdade é que eram mais os jovens do sexo masculino do que do sexo feminino que ali estavam assinalados em derradeiros memoriais familiares. Interroguei-me, sim, e de novo, sobre a efemeridade e fragilidade da vida que vivemos num mundo entre perigos, percalços e ciladas postas por um conjunto de situações em que voluntariamente nos envolvemos ou que nos envolvem a nós sem que contribuamos com alguma coisa para isso. Cemitérios são lugares de tristeza porque de separação, e não apenas para os que partem. Para as famílias fica a dor e o sofrimento provocado pela ausência dos seus queridos, mas muitas vezes também a incerteza sobre o que sobra do desenlace físico; o futuro, a eternidade e se a garantimos ou não, junto de Deus, a nossa presença junto do Senhor da nossa vida, uma vida não apenas terrena. Como cristão, confesso que, assaltado por estes pensamentos, me vieram as lágrimas aos olhos, enquanto desfiava as memórias inscritas nas lápides geladas de tristeza por aqueles que partiram. Senti-me responsável; não conhecia sequer um nome ou um rosto dos que ali foram enterrados. Todos eram jovens duma comunidade alargada de concidadãos meus, que habitavam na minha cidade ou nas freguesias a ela pertencentes. Sim sou responsável pela sua partida sem que eventualmente tenham ouvido sequer nomear o nome do Salvador e Redentor das suas vidas.
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Jacinto Lourenço

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Nuvem por Juno

Íxion, diz-se, foi um ancestral rei dos lápitas, um povo conhecedor da arte equestre. Paixão não era, por outro lado, uma virtude sentimental das mulheres da Lápita e, por isso, Íxion apaixonou-se pela deusa Juno ( Hera ) , mulher de Júpiter ( Zeus ) . Ora Júpiter decidiu, por tal razão, aplicar um castigo exemplar a Íxion e fez com que uma nuvem assumisse o aspecto da deusa Juno e aceitasse dormir com Íxion. Desta relação terão nascido os Centauros, meio homens, meio cavalos. É uma das versões mitológicas que desemboca depois na explicação para a brutalidade e "desumanidade" dos Centauros retratada no cinema e na literatura. «Os filhos de Íxion simbolizavam a força bruta, insensata e cega. Viviam originalmente nas montanhas da Tessália e alimentavam-se de carne crua».
Assumidamente, tenho cada vez mais dificuldade em interagir, genericamente, com o mundo em que vivo, e não estou só a falar de Portugal, já que, como diz a canção, " para esse peditório o pessoal já deu" . Faz-se viva para mim, todos os dias, a Palavra de Deus em João : " Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o compreendeu " .
Há temas que me assustam porque reveladores do lado mais obscuro, brutal, degradante e diabólico do ser humano, como seja a pedofilia. Cada vez se torna mais complicado distinguir a componente humana que subsiste na acentuada tendência para a "bestialização" do homem resultado dos seus casamentos forçados pela miséria do pecado.
Se só por si é suficientemente mau para ser absolutamente abobinável, quando o tema da pedofilia assume as proporções recentemente conhecidas no interior da igreja católica, isso torna-se completamente revelador dos malefícios que uma certa "igreja" traz ao mundo. Dizia à dias o Jorge Oliveira do "Canto do Jo" "que nem todos os padres são pedófilos, nem todos os pastores são charlatões" ; concordo em absoluto e dou graças a Deus por isso, e pelos muitos pastores e homens de Deus que eu próprio conheço e que são referências importantes enquanto verdadeiros ministros do céu, mas esse facto feliz não me impede de reconhecer que se estão a constituir em casos, não direi raros, mas cada vez mais difíceis de identificar por quem não conhece bem os meios em que cada ministro, e nós próprios nos movemos. Talvez por isso é que a ideia que passa para o exterior, para quem não compreende a mensagem do evangelho e nem percepciona a realidade da igreja, e não sabe, ou não quer distinguir a nuvem de Juno, porque normalmente toma uma pelo outro, é de que, precisamente, todos os padres serão pedófilos e todos os pastores charlatões. Uns e outros, pelos vistos, abundam por aí e, se não conheço bem a realidade da pedofilia, conheço razoavelmente bem a realidade evangélica para confirmar que o charlatanismo e a maldade enformam muitos ditos "pastores". Mas é pena que assim seja, e que igualmente a lucidez não se possa considerar uma virtude atribuível às massas e menos ainda a uma certa "media" cujo objectivo principal é vender papel ou conseguir "share". Com isto, são os cristãos fiéis e verdadeiros, e a verdadeira igreja cristã, que sofrem na carne uma perseguição verbal e psicológica que se avoluma ao ritmo do crescimento de uma bola de neve. Resta-nos o testemunho, o sermos Um com Ele, o marcar a diferença pela nossa atitude. A tolerância, o respeito, a humildade, o trabalho sério, o perdão, o Amor, são marcas distintivas e identitárias dos cristãos num mundo com o qual se torna cada vez mais difícil interagir. Talvez por isso o nosso desafio, enquanto cristãos, é muito maior num mundo "bestializado" e brutal em que não percebemos onde começa um homem e termina uma besta. Por vezes há uma fusão de brutalidade resultante de uma "bestialização" que esteve latente a aguardar uma ocasião e, como sabemos, a ocasião faz o ladrão.
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Jacinto Lourenço

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Sem Palavras..."

“Pregue o Evangelho o tempo todo. Se necessário use palavras.” ***
"... A biografia de São Francisco revela que ele foi um fervoroso missionário, viajou centenas de quilómetros para pregar (isso mesmo!) o Evangelho aos italianos, desejou muito alcançar os sarracenos (muçulmanos) chegando a enfrentar um naufrágio (na primeira tentativa de ir até à Síria) e enfermidade (quando se encontrava a caminho do Marrocos). Francisco era um pregador ao ar livre, falando nas feiras públicas, nas escadarias das igrejas e dos muretes nos pátios dos castelos. O livro St Francis of Assisi and the Conversion of Muslims por Frank Rega, narra o esforço de Francisco para converter Melek el-Khamil, sultão do Egipto, durante a Quinta Cruzada (1219). Francisco esperava convertê-lo “não com armas, mas sim com palavras” diz o monge John Michael Talbot no seu livro Lições de São Francisco. Talbot cita Chesterton: “Francisco seguia esta máxima simples: É preferível criar cristãos a destruir muçulmanos.” [...]
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Ler todo o texto AQUI no Blogue de Hermes Fernandes

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

«Os Antinómicos "Ser-para-Morte" e "Ser-para-os-Outros" »

Duas propostas sobre o Ser que contendem na natureza humana, e cujas perspectivas apreciadas por dois pensadores do século XX, um existencialista ateu e outro cristão radical, apontam caminhos diversos dentro das mesmas realidades a que o humano não pode fugir, a Morte e a Vida. O « ser-para-morte» de Heidegger e o «ser-para-os-outros», de Bonhoeffer. São frases, mais conhecida a primeira que a segunda, construídas sobre uma estrutura da evidência da condição humana, que é, não obstante os defeitos, a condição humana do Ser. [...]
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Texto de João Tomaz Parreira para continuar a ler AQUI no Papéis na Gaveta, Blogue do autor.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

"Deus é Inocente"

O primeiro dos dilemas é criar ou não criar. O segundo é criar com liberdade ou sem liberdade. O terceiro é assumir o ónus da liberdade ou deixar este ónus nas mãos da criatura. Deus faz as escolhas que o machucam, que lhe causam dor, que o fazem sofrer, que o diminuem. Simone Weil diz que “Deus e todas as suas criaturas é menos do que Deus sózinho”. Deus escolhe criar. Escolhe criar um ser livre, pois se não fosse livre não seria à imagem do Criador. E escolhe arcar com ónus da liberdade que concede à sua criatura. Na cruz de Cristo está Deus, dando ao rebelde o direito de existir. Na cruz de Cristo está Deus, entregando a sua vida, voluntariamente, em favor dos pecadores. O mal deflagrado pela raça humana levanta a sua sombra sobre o trono de Deus. E Deus levanta-se como um Cordeiro que se doa, pois escolhera morrer, em detrimento de matar. Na cruz de Cristo está o Deus que morre para que todos tenham vida, vida completa, abundante vida.

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Ed René Kivitz

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Via Laion Monteiro

"Feliz Mundo Novo"

A palavra "cosmos", traduzida em nossas bíblias como "mundo", significa originalmente "ordem", sendo o antônimo de "caos", ou "desordem". As Escrituras afirmam que a presente ordem jaz no Maligno. Na Cruz, o Velho Mundo recebeu o golpe fatal. O último suspiro de Cristo foi o último suspiro da velha ordem iniciada em Adão. Por isso Paulo podia declarar convictamente que o mundo fora crucificado. Ele agora é um cadáver em decomposição. Já morreu, mas ainda mantém a aparência de que vive. Mas a aparência deste mundo passa. Não há pulsação, nem reflexo, apenas aparência. A Cruz não foi apenas um lugar de morte. Foi também um lugar de Concepção. De acordo com Paulo, céu e terra convergiram em Cristo, e na Cruz contraíram núpcias. E o fruto desta união é a concepção de um novo mundo, isto é, de uma nova ordem, contrapondo-se à velha ordem danificada pelo pecado, e ao caos original. O Novo Mundo é uma criança recém-concebida, ainda em estado embrionário, mas prestes a nascer. Já fora concebido, mas ainda não nasceu. Está sendo gerado no útero da nova humanidade, a quem as Escrituras chama de ekklesia (igreja). A Igreja ( com "I" maiúsculo) é o útero, enquanto que a "igreja instituição" é a placenta. A hora do parto se avizinha. E quanto mais próxima, mais fortes são as contrações, as tais dores de parto a que se referem Jesus e Paulo. Terremotos, tsunamis, furacões, e outros catlamismos são contrações de uma criação em estado avançado de gravidez. Aumenta-se a intensidade das contrações, e diminui-se o intervalo entre elas. Em breve a bolsa vai se romper, o líquido amniótico será derramado, e um novo cosmos emergirá. Então, em vez de dizermos "Adeus ano velho, feliz ano novo", diremos: "Adeus mundo velho, e feliz mundo novo!".
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Por Hermes Fernandes
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Via Genizah

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Afinal, o Que é o Tempo ?!

[Titulo original do autor: "O que é o tempo ? "]
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Interessante reflexão sobre "o tempo", ou sobre a finitude do mesmo, pelo prof. Anselmo Borges.
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"...Afinal, o que é o tempo, uma vez que o passado já não é e o futuro ainda não é? Só o presente existe, mas, por outro lado, o presente o que é senão esse contínuo trânsito do futuro para o passado, do ainda não para o já não? Indestrutível mesmo é só o passado, pois nem Deus pode fazer com que o que foi não seja e o que aconteceu não tenha acontecido." [...]
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Ler Aqui versão integral do texto no Diário de Notícias Online

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal é Cristo no Coração.

Bonhoeffer, a Ética e o Natal

Dietrich Bonhoeffer escreveu sobre a Ética, sobre esta e o Advento de Jesus. Antes que o nazismo lhe secasse a verve e a vida. Ele considerou que era a obra da sua vida, contra a «grande mascarada do mal» que durante dez anos na Alemanha perverteu um povo e seduziu igrejas.Morreu num campo de concentração nazi, regime em estertor e a dar as últimas, a dois passos da libertação pagou com a vida o preço do seu pensamento, no campo de Flossenburg em Abril de 1945. Para além de grande teólogo, do ramo cristão protestante, foi uma grande testemunha do seu útimo tempo, um tempo europeu sem Ética, numa Europa com fundamentos. Todo o livro designado pela editora portuguesa como Ética, de resto o título original( Ethik), está estruturado em textos do teólogo redigidos entre 1940 e 1943, os tais anos em que a Europa de Schiller ou Goethe, Haydn ou Beethovem, caiu na bárbarie e perdeu essa Ética, com a qual edificou uma Cultura de Valores e do Espírito designadamente na Alemanha. Bonhoeffer, como outros téologos e alguns autores de pensamento literário, compreenderam na perfeição essa gravíssima perda desse período europeu. As suas palavras foram no sentido de testemunhar o valor do homem, não por si próprio, mas pela sua ligação imprescindível ao divino. Como tal, escreveu a propósito do Advento, do tempo de Natal, que só ele – «o Advento trará a plenitude do ser-homem e do ser-bom. Mas o Senhor que vem irradia já sobre estes uma luz, a luz exigida para a preparação e a espera adequadas. Por isso, só a partir do Senhor que vem e que veio podemos saber o que é ser-homem e ser-bom.» O Natal transporta em si mesmo desde a primeira narrativa conhecida a partir dos Evangelhos como Mateus e Lucas, uma Ética que coloca o Homem, crente ou não, na presença insuspeitada do Divino.É na Revelação do Deus que Lutero dizia estar «Absconditus», mas que o Menino de Belém veio revelar e colocar em contacto com a humanidade, que a tal Ética cria valores e ergue o Homem. Deu-lhe a dimensão de que Bonhoeffer fala de poder ser-homem e ser-bom. Por esta razão é incompreensível que o homem limite o Advento a estruturas meramente simbólicas e materialistas.Simbólicas, porquanto o Natal se apresenta num registo que deixa por vezes o plano da religião, como início do Cristianismo, e passa para o plano social, estritamente com os horizontes limitados a troca de presentes, por exemplo, e focado numa festa anual da família; e materialistas porque cede demasiadamente ao apelo do consumismo. E o que dizer de outros exemplos, que nem são simbólicos nem materialistas, no sentido que lhes dei, e que estão hoje nos hábitos das estruturas partidárias? A verdade é que fazem o seu «simbólico» jantar de Natal onde o que passa para a sociedade civil, pela pronta e necessária avidez dos meios de comunicação social, é a luta política na relação do discurso explícito Oposição versus Governo. Sem tréguas natalícias. O mesmo Dietrich Bonhoeffer escreveu, na sua derradeira obra – Resistência e Submissão (Cartas da Prisão) – «que o Cristianismo surge do encontro com um ser humano concreto: Jesus.».Hoje o Natal passou a ser a figura simbólica das ruínas da ética dita cristã, subsititui-se a Jesus Cristo, é só o Natal.Salva-O o melhor do mundo, que são as crianças, como o reconhecia Fernando Pessoa, salvam o Natal as crianças, mesmo contra o marketing violento que as atinge.

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(Fonte: João Tomaz Parreira, Diário de Aveiro)
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Ab-Integro: de Repente já Um Ano

Faz um ano, hoje, 23 de Dezembro, que este Blogue, o Ab-Integro, se deu a conhecer pela primeira vez. Correu depressa, o tempo. Se nos tivessem dito então que, percorrido este tempo, iríamos alcançar um total de perto de vinte mil acessos, seria difícil imaginar tal meta, especialmente tratando-se de um Blogue de matriz cristã em que a principal preocupação não é que o seu editor fale de si próprio, da sua vida, dos seus anseios, preocupações ou desafios, mas sim que seja um ponto de encontro, um veículo de comunicação, um espaço alargado de reflexão fundado sobre a integridade da vida, da visão e da esperança cristã. O nosso desiderato é, em primeiro lugar, que o Ab-Integro cumpra esse objectivo; depois, que possa ser uma casa comum onde todos os que o acessam se sintam bem. Claro que tem, este Blogue, uma personalidade própria, e isso está presente mesmo que os temas abordados ou mesmo que uma parte dos textos editados não sejam da nossa autoria ( respeitando sempre escrupulosamente as fontes ). Há um fio condutor, um perfil próprio que o define e o baliza e a que são transversais vectores tão importantes quantos os que são determinados pelas artes, a cultura, a astronomia, a história, as ciências, a arqueologia, a vida, o planeta, as pessoas, as religiões, a igreja cristã, para além de outros. Mas há uma Trave Mestra que nos suporta e anima nesta caminhada: Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador. Ele é o mentor do Ab-Integro e sua máxima referência, o bastião em que nos resguardamos, a Razão pela qual chegámos até aqui e pela qual queremos continuar a caminhar. Até hoje muitos têm sido os amigos e companheiros que nos têm animado a proseguir não deixando nunca de nos incentivar. Colaborações, como a do poeta, e meu amigo João Tomaz Parreira, escritor e pensador cristão-evangélico notável, reconhecido não só em Portugal mas igualmente além-fronteiras, honram não só o Ab-Integro como a mim próprio. O meu coração dilata-se em gratidão a Deus e a tantos quantos os que, de uma ou de outra forma, têm tornado possível esta "aventura", mesmo se a caminhada encontrou alguns escolhos. Oxalá que os desafios que temos pela frente, com a continuada edição do Ab-Integro, nos permitam estar à altura dos mesmos com toda a dignidade e com os olhos postos nAquele que é Luz e Vida para nós. Recuperamos, abaixo, partes do texto que editámos, faz precisamente um ano hoje, em 23 de Dezembro de 2008, e que servia de mote ao lançamento do Ab-Integro nessa data. Com a vossa ajuda, continuaremos no Caminho que nos trouxe. Grato no Amor de Cristo,
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Jacinto Lourenço
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"...Colocar na "rede" uma página pessoal é forçosamente um atitude que requer ponderação. Desde logo, sobre o interesse que tal página possa vir a ter para uma comunidade alargada de "internautas" onde, como é óbvio, navegam mil e um olhares e motivações distintos. A certeza de que deveria avançar para uma divulgação mais célere, acabou por se revelar através de uma descoberta, no meio de "sombras e luzes", de qual o objectivo, qual o alvo ou alvos para o meu Blogue. Em consequência dessa descoberta, a deslocação dos holofotes do eventual interesse sobre mim próprio, ou daquilo que eu valha ou tenha para dizer, para o que eu represento enquanto pessoa e cristão convicto da minha fé naquele que me redimiu, o Senhor Jesus Cristo, foi absolutamental natural . Não deixando de falar de mim ( o que comporta desde logo um "risco de exposição" com que não estou ainda familiarizado ), porque é o mínimo que pode ser feito para que esta página possa garantir autenticidade e verificação matricial dos valores e padrões nela encontrados por quem cá "deixar rasto", não sou eu que interesso em especial. Importante serão os conteúdos e a liberdade que teremos [...] para os abordar em afloramentos que provavelmente só serão possíveis em Fóruns como este. Os últimos 37 anos da minha vida têm sido balizados por Cristo. São as marcas que Ele tem deixado no meu percurso, que me animam, desafiam e incentivam a avançar. Tem sido sempre assim. O apóstolo Paulo, homem de Deus que aliou a sua grande visão e vivência espiritual a um percurso, também ele humano, de "combates", como metaforicamente afirmou nos seus escritos epistolares, disse a determinada altura aos cristão da Galácia: "Desde agora ninguém me inquiete porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus".
São essas marcas, indeléveis também em mim, que dão substância a esta decisão de divulgação pública do AB-INTEGRO ainda em 2008. São elas que determinam a minha forma de sentir, observar, intervir. O pulsar deste Blogue depende e dependerá sempre das "marcas" que ostento; da minha identidade, cidadania e filiação no Reino. O meu principal desiderato passa por ficar com a absoluta certeza de que a perspectiva que cruza esta página pessoal, em relação a tudo o que a ela vier, cumpre com a minha matriz e responsabilidade cristã, enquadradas sempre pelo amor de Deus e pelo Seu permanente compromisso de vinculação, renovação e actualização na vida de cada homem em particular e nas gerações que se sucedem. Um Deus de Luz, não quer escurecer o nosso caminho ou castigar-nos rigidamente em cada falha. Na essência, as suas "marcas" em nós, demonstram a capacidade infindável que Jesus tem para nos amar, mesmo quando o desiludimos, quais "Pedros" na voragem de acontecimentos fatídicos num qualquer pátio . Se um blogue poder ter uma dedicatória, então eu faço-a neste momento ao meu Senhor, à minha família, aos meus amigos e àqueles que se cruzem aqui comigo na construção desta "casa comum" . Procurarei honrar a todos, já que nem sempre será possível conjugar o verbo "agradar", seja por incapacidade, inépcia, impossibilidade ou imperativo ético, moral ou espiritual. Graça e Paz" ***
Jacinto Lourenço

sábado, 19 de dezembro de 2009

"A Subversão da Religião"

...Jesus, que não era sacerdote, mas leigo, teve de enfrentar a religião e os seus dirigentes, num conflito mortal, porque a religião e os seus dirigentes estavam mais interessados na religião do que na vida e porque "a religião pode ser e costuma ser uma ameaça, um perigo muito sério, para a vida e para a felicidade dos seres humanos". Condenaram-no à morte os dirigentes da religião oficial do seu tempo. Mas Jesus foi tão profundamente humano que "se pôs do lado da vida e deu vida, vencendo as forças da morte" [...]
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Prof. Anselmo Borges
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Ler todo o artigo AQUI no Diário de Notícias de 19 de Dezembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Indiferença Nossa de Cada Dia

Na Colômbia, Congo e Uganda, aumenta o número de guerrilheiros que sequestram crianças para lavar-lhes o cérebro e fazê-los soldados da guerrilha e agentes da violência. Cada dia mais e mais meninas se entregam a prostituição, meninos viram dependentes de drogas, crianças violentas e assíduas ao roubo. E nós insistimos em fechar os olhos para este mundo. Quando ouvimos uma história extremamente violenta, pedimos justiça, mas ninguém pensa em pregar Cristo ao violento. Cristo? Sim, Cristo! Nós ficamos revoltados com o todo enfiado na escola, mas quantos de nós gastamos tempo com crianças para mostrar-lhes Cristo? Não digo que as professoras estejam certas, porém, nossa indignação com falta de ação não traz a solução pra alma destas crianças. Quantas crianças evangelizamos? Quantos amiguinhos de nossos filhos conhecem Jesus através de nós? Os filhos dos crentes conhecem muito mais Davi, Samuel, as pragas do Egito, Paulo, Pedro e Judas, do que Jesus. A maioria aprende que Jesus é um "Deus tirano" que vive lá no céu - e há quem diga que no coração dela também - e nunca sentiram a paz que dEle vem. Nunca aprenderam que Ele é um amigo. Precisamos urgentemente tratar as crianças como "almas". Como pessoas que precisam ser resgatadas tanto quanto um adulto. Precisamos rever o mundo onde elas estão se estruturando, e ensinar um caminho de verdade, ao invés de ficarmos enfadados com o avanço da violencia, prostituição e coisas do tipo. Eu e você, somos responsáveis por estas almas. Se formos negligentes com elas, Deus cobrará isso de nós. Despertemos para o clamor destas crianças. Abramos os nossos olhos e busquemos os nosso pequenos vizinhos e amiguinhos, e falemos de Jesus!
*** Por Jonara Gonçalves . Via Púlpito Cristão