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segunda-feira, 19 de março de 2012

O Evangelho que Vivemos...







...Passados 50 anos, é tempo para celebrar e sobretudo para reflectir. Há dias, o novo bispo de Lamego, António Couto, foi dizendo, com razão, que, infelizmente, a Igreja comunica a sua mensagem de forma "chata". Julgo que é preciso ir mais longe e perguntar se a Igreja anuncia e pratica verdadeiramente o Evangelho enquanto notícia felicitante ou, pelo contrário, tantas vezes, o Disangelho (má notícia), como denunciou Nietzsche.[...]


Anselmo Borges in Diário de Notícias Online 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Igreja e Vida



...O nível intelectual está em baixa na Igreja? Algo que é fundamental: "Para poder exercer como intelectual, é necessário ter muita liberdade de espírito e muita maturidade. Com arrogância ou com medo, não se pode exercer de intelectual. E correm maus tempos para a liberdade."
Muitos dos seus contactos são pessoas que consideram a Igreja uma instituição longínqua. "Mas creio que da parte da Igreja há um excesso de preocupação com este assunto. A vida é muito mais ampla do que as capelinhas." Como ter afeição por instituições religiosas fechadas em problemas que nada têm a ver com a vida? "A vida humana plena e libertadora é muitas vezes maior e primaveril do que a que se oferece a partir das instituições." Como declarou António Gala, "desejo que, quando morrer, na minha lápide escrevam: 'morreu vivo'".[...]

Anselmo Borges in Diário de Notícias Online

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Credibilidade da Igreja é Cristo





Dizia-me uma vez em Bruxelas, admirado e pesaroso, um ilustre teólogo da Universidade de Lovaina (Joseph Ratzinger até o cita num dos seus livros sobre Jesus de Nazaré; não é herege): "Como é que foi possível o movimento desencadeado por Jesus, essa figura simples e amiga dos pobres, que acabou crucificado, desembocar no Vaticano, com um Papa chefe do Estado?" Entende-se, quando se estuda a História, mas é preciso reconhecer a tremenda ambiguidade da situação e o perigo constante de traição da mensagem cristã. [...]

Acima de tudo e em primeiro lugar, é preciso voltar a Jesus Cristo, ao que ele foi, é, quis e quer. De facto, em síntese, a Igreja é a comunidade dos que acreditam em Cristo: "A comunidade dos que se entregaram a Jesus Cristo e à sua causa e a testemunham com energia como esperança para o mundo. A Igreja torna-se crível, se disser a mensagem cristã não em primeiro lugar aos outros, mas a si mesma e, portanto, não pregar apenas, mas cumprir as exigências de Jesus. Toda a sua credibilidade depende da fidelidade a Jesus Cristo."[...]


terça-feira, 17 de maio de 2011

Os Amish e Nós...


Enquanto o blogger esteve  "encostado" e me impediu  qualquer postagem  fui dando atenção a outros assuntos a que habitualmente não atendo. Já disse que só vejo a televisão que quero ver; as designadas "boxs" modernas dão-nos a possibilidade de agendamentos de gravação de programas que veremos quando tivermos tempo ou nos apetecer. Tirando um ou outro programa de informação, desporto, e um ou outro tema que colhe o meu interesse, por mim as televisões generalistas faliam todas e de certeza que isso contribuiria muito mais para a nossa felicidade terrena e também para a de todos os trabalhadores que fazem dos media o seu ganha-pão.

Sobrou-me algum tempo para  ver uma reportagem num canal do cabo sobre os Amish, nos Estados Unidos da América, que incidia particularmente sobre o ostracismo a que os elementos desta comunidade são votados por eventualmente terem caído na "asneira" de  contestar  as regras impostas pelos líderes, por mais estúpidas, anti-bíblicas e até anti-cristãs que possam ser, como por exemplo, não poderem estudar a bíblia sózinhos em casa ou em conjunto com outros crentes da sua comunidade sem ser em reunião de igreja, não poderem pintar as suas carroças com cores não autorizadas, usar suspensórios de modelo não homologado, conduzir um carro de tracção mecânica, estudar para além do 8º ano de escolaridade ou usar roupas de um  "estilista" mais ousado que se decida por uma nova e "arrojada"  abordagem à largura da fita usada nos chapéus de palha.

Qualquer Amish que caia num dos "pecados" apontados, é levado a humilhar-se e arrepender-se  numa reunião magna da igreja; se decidir manter a inteligência espiritual de não se vergar à estupidez humana, sempre imposta em nome de Deus, mas do deus dos Amish  que, claro,  é um deus muito cioso das fitas dos chapéus, dos supensórios e do modelo e cor das toucas usadas pelas mulheres, para além da cor das carroças ou outras questões da mesma "relevância" destas, se for por aí, pela desobediência, então é posto de parte e ostracizado para sempre pela sua comunidade de origem. Os outros membros, inclusive os seus familiares mais próximos, correm o mesmo risco de expulsão e marginalização se mantiverem contactos com eles. Para um Amish, que viveu toda uma vida sujeito a uma disciplina férrea e pavorosa, mas também a uma vida comunitária sem dúvida de grande e excepcional entre-ajuda, isto pode ser o príncipio do fim de uma vida, se ele ou ela não conseguir encontrar uma alternativa para continuar a expressar a sua fé inserido numa outra comunidade que o aceite ou se não optar por dar seguimento à sua vida religiosa, social  e profissional  procurando a inclusão na sociedade fora do redil  Amish.

Como é sabido, Os amish, que se fixaram nos Estados Unidos  desde o século XVIII,  pretendem ter uma vivência rigorosamente à margem da sociedade o que, logo à partida, fere os  príncipios bíblicos e os ensinos de Cristo. Não cumprem serviço militar, não estão integrados em sistemas estatais de Segurança Social nem permitem que os seus membros recebam assistência médica promovida pelo governo. Eles "assistem-se" uns aos outros e pagam as contas médicas ou hospitalares uns dos outros em caso de necessidade. O seu principal desiderato  é viver a pureza do evangelho providos apenas daquilo que é mais elementar ao desenvolvimento da  vida humana. Até aqui, nada de mal, o problema é quando estes descendentes de Anabatistas europeus se tornam fundamentalistas odiosos e acham que alguém que use arreios nos seus cavalos sem serem homologados  pelos líderes da igreja deve ser automaticamente condenado ao inferno...

O fundamentalismo é mau em todos os capítulos da vida, mas a história ensinou-nos, ao longo de muitos séculos, que quando ele prolifera nos meios religiosos, deixa de ser apenas mau para se tornar nefasto, hediondo e perigoso, e não apenas para a fé, ele pode atingir a totalidade da expressão da vida humana. Mas que não se  pense que isto é exclusivo dos Amish ou para os católicos...

Durante cerca de 35 anos vivi numa igreja evangélica onde em 1971 aceitei Cristo como Salvador. Fui percebendo ao longo dos tempos que a maior parte das regras que eram impostas aos membros dessa igreja, nas suas diversas congregações a nível nacional,  não tinham nada a ver com cristianismo, salvação, bíblia ou fé, mas que resultavam apenas da vontade e interpretação criativa e abusiva da bíblia por parte dos líderes, muitas vezes despóticos e apenas interessados em manter o seu stato quo acima de tudo mesmo da própria igreja. Uma boa parte deles completamente impreparados para exercerem qualquer lugar de  oficial da igreja, quanto mais para estarem à frente do rebanho de Deus.

Ver televisão, vestir-se de acordo com a moda, as calças nas mulheres, o cabelo mais comprido nos homens ou mais curto e pintado nas mulheres, festas públicas ou privadas, tocar bateria nos cultos, etc, eram coisas tabu que suscitariam que qualquer membro tivesse que se retratar perante a comunidade pela sua "deriva espiritual"  ou do seu comportamento  desviante e grave... Como com os  amish, também eram marginalizados, disciplinados e ostracizados se recusassem retratar-se das suas "más acções".  A auto-censura dos membros foi uma constante sempre  povoada pelo medo de serem "apanhados" em "transgressão". Gerava-se informalmente no seio das comunidades uma pequena "pide" ao serviço dos ministérios e presbitérios composta, claro, pelos membros mais "espirituais", que tratavam de levar voluntariamente as informações dos alvos observados aos líderes que rapidamente instituiam o auto de fé se o membro "desviado" não se retratasse.  A denúncia do exercício de "profissões perigosas", como por exemplo cabeleireira ou bilheteiro em teatros ou cinemas, eram alvos potenciais para exercitar a disciplina "espiritual" a partir do púlpito nas reuniões da igreja.   Estas "redes pidescas" eram afinal compostas por gente acometida por   uma grave doença psicológica e espiritual que não queria tratar; e o remédio era simples: ler a Palavra de Deus  colocando-se sob a  acção do Espírito Santo com o propósito de aprender a verdade das Escrituras, em lugar de descontextualizar o que liam ou arreigarem-se a versos soltos da Bíblia construindo com eles um corpo de doutrinas éticas e morais que nada tinham de cristão. Não, isto não se passava no  século dezoito, isto foi uma prática instituida e generalizada que perdurou até ao final da primeira década do século que vivemos. E acabou (ou não acabou ainda em algumas comunidades) não porque  os doutos "pastores", ministérios e presbitérios das igrejas reconhecessem que eram práticas anti-bíblicas e assentes em fundamentalismos idiotas e perigosos,  mas apenas pela pressão que as novas gerações, particularmente a partir da década de 70 do século passado,  foram exercendo no interior dessas igrejas. No entanto, em nome destes fudamentalismos criminosos, muitos foram os homens e mulheres cristãs  e até  famílias completas, que foram ostracizadas, espezinhadas, esmagadas e ofendidas nos seus mais elementares direitos cristãos e humanos pelos ditos "oficiais" da igreja que, para sobreviverem nos seus postos de trabalho à custa do obscurantismo, instituiam, no seio das comunidades cristãs,  a matriz do ódio e da anormalidade, embora quisessem fazer parecer o contrário, talvez tomando o "piedoso" exemplo do Tribunal do Santo Ofício.
O nome do deus em que durante anos se apoiaram para levar por diante estas práticas, é o mesmo dos amish, mas não tem nada a ver com Cristo ou com o Deus verdadeiro, que é um Deus de Amor, perdão e Graça. Acredito até que, por ter fama de andar muitas vezes "mal acompanhado", o meu Senhor Jesus,  caso tivesse pertencido fisicamente à mesma comunidade cristã que eu, não tardaria muito tempo a ter sido excluido e ostracizado por todos os membros que, em igrejas do tipo daquela a que pertenci até há alguns anos atrás,  silenciaram sempre a defesa da verdade bíblica. Por medo ?  Por falta de coragem ? Por falta de conhecimentos bíblicos ? Falta de cultura ? Ausência de  verticalidade ? Conformismo ?  Inexistência de amor cristão ? Personalidades distorcidas ? Fixação cega e doentia no líder ?   Talvez um pouco de tudo. Calar a verdade e a razão cristã fundada no Bíblia Sagrada é uma ofensa a Deus e as comunidades que o fazem, mesmo que levadas a isso pelos seus líderes,  estão irrevogavelmente condenadas ao desaparecimento, face à exaustão espiritual que exibem,  e a responderem em Juízo perante Deus pelas suas cumplicidades  indignas. Pela minha parte jamais o farei, jamais aceitarei a vontade ou ditame de qualquer homem que não se funde explícita, clara e contextualizadamente na Bíblia Sagrada,  tal como nunca me conformarei com deuses menores ou líderes corruptos ou ineptos que nas igrejas perseguem apenas o seu próprio interesse ou a defesa do seu salário somado a  regalias absurdas que ninguém tem a coragem de questionar ou contestar, mesmo se elas são ofensivas, indignas e irresponsáveis à luz da Palavra de Deus. E isto não é válido apenas para o âmbito cristão. É para tudo na vida.


Jacinto Lourenço

domingo, 8 de maio de 2011

Tratar as Coisas pelos Nomes...


Todos sabemos que Paulo de Tarso, antes de se ter  convertido era um homem de pavio curto, de temperamento colérico, explosivo. Mas depois daquele fatídico dia no caminho de Damasco, o implacável perseguidor da seita do Caminho tornou-se no seu maior defensor, e teve o seu perfil temperamental transformado pelo Espírito. Não era fácil tirá-lo do sério. Paulo buscou viver e encarnar o Evangelho até às últimas consequências. Porém, houve um episódio em particular que nos faz cogitar se não sobrou qualquer resquício do velho homem que insistia em vir à tona de quando em vez. Não creio que ele fosse um homem rancoroso e a prova disso é que o mesmo Marcos que o abandonou no início de sua jornada,  foi requisitado por ele na reta final de seu ministério.[...]



Um texto de Hermes Fernandes para ler Integralmente AQUI

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Algumas Frases feitas sobre a Igreja

Não se afaste da igreja porque nela há muitos hipócritas. Sempre há lugar para mais um.
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A. R. Adams
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Ser membro de uma igreja não faz de alguém um cristão, da mesma forma que ter um piano não faz de alguém um músico.
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Douglas Meador
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Não vamos à igreja; somos a igreja.
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Ernest Southcoot
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Ir à igreja não faz de você um cristão, assim como ir à garagem não faz de você um automóvel.
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Billy Sunday
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A igreja é um hospital para pecadores, não um museu de santos.
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Anónimo
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Onde quer que vejamos a Palavra de Deus pregada e ouvida com pureza, ali existe uma igreja de Deus, mesmo que ela esteja repleta de falhas.
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João Calvino
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Procurei a igreja e encontrei-a no mundo; procurei o mundo e encontrei-o na igreja.
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Horatius Bonar
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Nada obterá mais sucesso em dividir a igreja do que o amor ao poder.
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João Crisóstomo
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Muitos membros de igreja são engomados e passados sem ser lavados.
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Vance Havner
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Grande parte do que passa por cristianismo neotestamentário é pouco mais do que verdade objectiva adoçada com cânticos e tornada digerível mediante entretenimento religioso.
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A.W. Tozer
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A divisão é melhor do que a concordância no erro.
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George Hutcheson
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Unidade sem verdade não é melhor do que conspiração.
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John Trapp
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Indiferença doutrinária não é solução para as diferenças doutrinárias.
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J. Blanchard
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Acerca das Falsificações...

...O sucesso de um falsificador de dinheiro depende de quão parecida for a falsificação com o original levando-nos a tomar o falso pelo genuíno. A heresia não é uma negação completa da verdade. É uma perversão da verdade e essa é a razão porque uma mentira incompleta é mais perigosa do que uma mentira completa. Por isso quando o pai da mentira sobe ao púlpito ele não costuma negar abertamente as verdades fundamentais do evangelho. Pelo contrário: apresenta-as e dá-lhes uma interpretação errada que possa parecer verdadeira.[...]
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Do livro: "Uma igreja sem Propósitos" de Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não Somos Narcisos. Somos Igreja

Ontem à noite, no seminário da igreja, que ocorre todas as terças-feiras, percorria e discorria um pouco sobre a história do Império Romano e de alguns dos seus imperadores, particularmente daqueles sob cujo governo se deu o nascimento de Jesus, o seu ministério, morte e resurreição e, bem assim, o aparecimento da igreja e o seu desenvolvimento exponencial no primeiro século. Detivemo-nos sobre dois ou três cujas atitudes, relativamente aos cristãos e ao cristianismo, acabariam por se pautar como bastante gravosas e criminosas mesmo.
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Pese embora as grandes barreiras que sempre se ergueram à expansão do evangelho de Cristo e ao desenvolvimento da igreja por todo o império romano, tal não impediu que, em cerca de três séculos, a cristianização de todo o império fosse uma realidade. Fica por saber se o reconhecimento do cristianismo como religião oficial foi uma coisa boa ou má. A propagação das Boas Novas, no primeiro século da nossa era, quase sempre se fez debaixo de perseguição, e não falo da perseguição em Jerusalém ou na Judéia nos primórdios da igreja cristã, falo da perseguição generalizada nos territórios imperiais. Mas será que isso impediu o crescimento, desenvolvimento e alcance das pessoas pelo evangelho ? Claro que não. Arrisco mesmo dizer que a igreja, em tempos de aflição, se torna mais "igreja", no verdadeiro sentido espiritual desse étimo. Foi talvez por isso que Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.
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Depois da aula de ontem à noite, a caminho de casa, fazia o "rewind" do que tinha dito aos alunos e, ao mesmo tempo, realizava a minha auto-avaliação quanto aos objectivos atingidos. Foi então que me ocorreu que, no meio das dificuldades, a igreja encontra-se, ainda mais, consigo própria, discernindo ainda melhor as suas verdadeiras prioridades e a sua vocação espiritual e de serviço.
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O tempo que vivemos, é um tempo de dificuldades sérias e reais. Vejo muita gente, nos meios de comunicação, com ar grave, dizê-lo. Mas vejo também muitos milhares de pessoas, os verdadeiros "pagadores da crise", os que a vão sofrer, quiçá por terem acreditado em "pagadores de promessas", manifestamente preocupados por temerem e desconfiarem do futuro e daquilo que ele se prepara para lhes oferecer. Nesse número incluem-se muitos cristãos.
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Embora nem sempre exteriormente o aparente, sou um optimista por vinculação. Vinculação a Deus, ao meu Deus e à Sua Palavra, às Suas promessas para mim e para o seu povo, para a Sua igreja. É por isso que reproduzo e faço minhas as palavras de oração a Deus pelo profeta Habacuc:
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Cap. 3:7 Vejo as tendas de Cusã em aflição; tremem as cortinas da terra de Midiã.
[...] 17 Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. 18 todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. 19 O Senhor Deus é minha força, ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos.
Não gostaria que ficasse a ideia de que acho que a igreja só se realiza no meio do caos ou da desgraça. Nada disso. Mas prova-se, historicamente, que no meio das dificuldades, dos problemas, vêm ao de cima os melhores dons da igreja e do povo de Deus. É também por isso que acho que este é um tempo de oportunidade, em Portugal, na europa, no mundo. Oportunidade não no sentido negativo de oportunismo. Nada disso; até porque a igreja cristã já faz correr atrás de si oportunistas demais, pessoas que querem aproveitar-se de fragilidades, da boa fé, e até da crendice de outros que só conseguem olhar para um "cristo" qualquer reflectido pela face de umas quantas moedas, para se instalarem e criarem, literalmente, "sistemas religiosos" que têm em vista "arrebanhar" o maior número possivel de incautos para os poderem aprisionar com farisaísmos e/ou falsas doutrinas. Os objectivos, claro, são os de sempre: exploração económica, violentação psicológica e exponenciação artificial de frequentadores de igreja pela via do medo e do constrangimento ou policiamento de costumes, mas jamais levar alguém à fé, ao conhecimento de Deus e salvação em Jesus. Para esse tipo de oportunistas, o nome de Cristo é meramente instrumental. Já tinhamos visto isto, ou parecido, em séculos mais recuados, na história da igreja cristã.
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A oportunidade da igreja, hoje, é de se erguer e olhar para todos os que vão ficar expostos socialmente pelos tempos difíceis que se seguirão. A igreja, cada cristão, têm que estar preparados para o que lá vem. Chega o tempo em que não poderemos mais ficar a olhar para o umbigo, ou mesmo quais "Narcisos" a contemplar, deliciados, a nossa "bela" imagem reflectida algures num espelho de águas paradas. É tempo de aceitar as promessas de Deus, receber a sua direcção e agir. É tempo de ser IGREJA.
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Deixo o Salmo 146 para ensino e reflexão. Hoje Deus falou-me nele.
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1Louvai ao Senhor.Ó minha alma, louva ao Senhor. 2 Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto viver. 3 Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há auxílio. 4 Sai-lhe o espírito, e ele volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos. 5 Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacob por seu auxílio, e cuja esperança está no Senhor seu Deus 6 que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto neles há, e que guarda a verdade para sempre; 7 que faz justiça aos oprimidos, que dá pão aos famintos. O Senhor solta os encarcerados; 8 o Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos; o Senhor ama os justos. 9 O Senhor preserva os peregrinos; ampara o órfão e a viúva; mas transtorna o caminho dos ímpios. 10 O Senhor reinará eternamente: o teu Deus, ó Sião, reinará por todas as gerações. Louvai ao Senhor!
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Jacinto Lourenço

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Acabar com a Farra dos Lobos

Paulo jamais experimentara uma despedida como aquela. Os irmãos efésios simplesmente não admitiam a sua partida. Embora tenha passado apenas dois anos ali, a sua dedicação em tempo integral criou um forte laço de amor entre eles. Sua consciência estava tranquila, pois em suas próprias palavras, nada que útil fosse, deixou de anunciar e ensinar "publicamente e nas casas" (At.20:20). Repare nisto: todo o ministério de Paulo junto aos efésios se dava num ambiente aberto, sem segredos, sem mistério. Era nesse ambiente aberto que Paulo lhes anunciara todo o conselho de Deus (v.27). Ele jamais deixara algo para uma ocasião especial, pois sabia que a qualquer momento Deus o requisitaria para outro lugar, e por isso, queria estar inocente do sangue daquela gente. Agora, ele tinha que convencê-los de que era "compelido pelo Espírito" que ia para Jerusalém, mesmo sabendo que o que o esperava eram prisões e tribulações. Mas tudo bem! Afinal de contas, Paulo não tinha sua vida por preciosa, desde cumprisse com alegria o ministério que recebera do Senhor, dando testemunho da graça de Deus. Chegara a hora da despedida! Nunca mais aquele povo o veria novamente. Olhando para os que ficariam responsáveis pelo rebanho, Paulo diz: "Olhai por vós, e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue" (v.28). A coisa é séria! Cuidar do rebanho de Deus é a melhor declaração de amor que podemos fazer a Ele. Por isso, quando Pedro respondia que amava ao Senhor, Jesus lhe dizia: Apascenta as minhas ovelhas! O rebanho não é meu, não é da igreja A, B ou C. O rebanho é do Senhor, e foi comprado com o sangue de Deus! Se escandalizou com esta expressão, volte a ler o texto e verifique se não é isso que diz ali: Sangue de Deus. Naquele momento de impasse, Paulo embarga a voz, engole seco, e diz: "Sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho" (v.29). Se ele pudesse, certamente ficaria por ali mesmo, para afugentar esses lobos cruéis, que certamente já espreitavam o rebanho, esperando apenas pela sua saída. A crueldade é a primeira característica desses lobos. Por isso, eles não poupam o rebanho. Não se satisfazendo só com a lã, querem também sua carne, seu sangue, sua alma. Esses lobos não viriam de fora, mas emergiriam de dentro do próprio rebanho, falando coisas perversas com uma única finalidade: "atrair os discípulos após si" (v.30). Não eram lobos vira-latas, mas lobos com pedigree. Em vez de atrair as pessoas a Cristo, preferem atraí-las a si, com seu carisma, com sua atenção, com seu amor fingido, com palavras elogiosas e falsas. Pena que as pessoas sejam tão propensas a acreditar nesses lobos. Escrevendo a Tito, Paulo os apresenta como "insubordinados, faladores vãos, e enganadores" (1:10). O que fazer com eles? Deixá-los à vontade para que se sirvam das ovelhinhas de Jesus? Definitivamente, não!"É preciso tapar-lhes a boca, porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância" (v.11). Já que não dá pra evitar a aproximação desses lobos cruéis, vamos colocar-lhes açaimes, para que não devorem as ovelhas de Deus. Vamos mostrar a esses lobos, que a igreja de Cristo não lhes servirá mais de playground. Chega de se divertirem à custa do rebanho de Deus. Vamos colocá-los para jejuar. Se quiserem se alimentar, terão que mudar seu cardápio. Ovelhas, não mais! E para tapar-lhes a boca, temos que denunciá-los, expor suas intenções, revelar suas estratégias. Não podemos calar-nos, pois isso seria fatal. Em outras passagens, Paulo se refere a esses maus obreiros como cães. Eu diria mais: cães raivosos. Quando não matam a ovelha, transmitem-lhe raiva. A gravidade da situação era tamanha, que Paulo conclama os efésios a lembrarem-se que durante três anos ele não cessou de admoestá-los com lágrimas noite e dia. Não brinque com coisas sérias! Famílias inteiras têm sido devoradas por esses lobos vorazes. Que a nossa admoestação seja, ao mesmo tempo, um cajado para resgatar as ovelhas que já estiverem na boca desses lobos, e uma vara impiedosa para colocá-los para correr. Um último aviso para você, lobo cara-de-pau: Desista das ovelhas do Senhor! Se quiser, fique de longe babando, mas não se atreva a aproximar-se, caso contrário, você experimentará a fúria do Bom Pastor.
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Por Hermes Fernandes *** Via Genizah

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Uma Igreja Conformada...

Chorei sobre a tibieza da igreja. Mas fiquem sabendo que as minhas lágrimas eram de amor. Sou filho, neto e bisneto de pregadores. Sim, para mim a igreja representa o corpo de Cristo. Mas como está torturado este corpo ! Como está gasto pela nossa preguiça social e pelo nosso medo do inconformismo.
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Martin Luther King
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Do Livro "Luther King", pág. 87, de Hubert Gerbeau***Edição União Gráfica, 1969

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Trabalho para Fariseus...

"... Desejamos que as igrejas prosperem porque Deus abençoa os homens por meio delas, e não por causa das igrejas em si. Há uma espécie de egoísmo na nossa avidez pelo engrandecimento do nosso grupo. Que Deus nos livre deste mau espírito! O crescimento do reino é mais desejável do que o aumento de um grupo sectário.
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O nosso grande objectivo não é a revisão de opiniões, mas sim a regeneração da natureza das pessoas. Queremos levar os homens a Cristo, e não aos nossos conceitos particulares do cristianismo. O nosso primeiro cuidado é no sentido de que as ovelhas se reúnam com o grande Pastor. Haverá tempo depois para mantê-las seguras nos diversos apriscos. Fazer prosélitos é bom trabalho para fariseus; conduzir almas a Deus é o honroso propósito dos ministros de Cristo."
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Charles Spurgeon
( 1834-1892 )
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Igreja Pobre / Igreja Rica

[ Título original do texto: "Uma igreja carente mas fiel" ]
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Igreja Haitiana já era pobre, depois do terremoto de 12/01, se tornou mais pobre ainda.
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Durante os dias que estive no Haiti pude verificar que dezenas de igrejas evangélicas foram completamente destruídas. Na verdade, vi pouquíssimas igrejas cujas construções não haviam sido danificadas pelo cataclisma de janeiro. Contudo, apesar da dor e do sofrimento proveniente do desastre, em nenhum momento vislumbrei qualquer tipo de reclamação ou murmuração por parte da Igreja Haitiana. Confesso que estou impressionado com a forma com que os haitianos cultuam a Deus. Os louvores cantados em seus cultos em momento algum exprimem valores antropocêntricos. Não vi, nem tampouco presenciei canções que fazem alusão à prosperidade terrena. Além disso, não presenciei nos momentos de louvor com música, apologia da quebra de maldições ou confissão positiva. Na hora das ofertas não vi ninguém incentivando o povo a ofertar tudo o que tinha em troca da unção dos últimos dias. Não testemunhei ninguém comercializando a unção da nobreza, nem tampouco observei pastores reivindicando titulos patriarcais. Caro leitor, de facto a igreja haitiana é pobre, no entanto, apesar da sua imensa pobreza pude perceber que ela continua fiel ao seu Senhor, e que ao contrário de parte da igreja evangélica brasileira que é rica, mantêm-se firme não negociando os valores cristãos. Pense nisso!
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

" A Igreja e a Crise de Identidade "

Passamos por muitas crises, porém quando temos uma crise de identidade, experimentamos um dos mais delicados momentos da nossa vida. Qualquer pessoa saudável emocional e existencialmente, passa por uma crise de identidade. Um momento no qual a maneira como nos percebemos e somos percebidos sofre profundas alterações. As forças comuns propiciadoras do equilíbrio são abaladas, o chão nos foge dos pés, uma certa angústia vinda de um sentimento de vazio se instala, as respostas, as certezas, são engolidas pelas dúvidas, um flerte com a frustração, a tristeza e a depressão se mistura a um namoro com a esperança, o odor de novos ares, a silhueta de novos horizontes. Os chineses têm razão quando no seu complicado alfabeto escrevem a palavra crise com dois ideogramas, um representando perigo e outro oportunidade. São exatamente estas as duas sementes contidas numa crise de identidade, o perigo de nos perdermos e cristalizarmos quem somos repetindo automaticamente erros, ou a oportunidade de nos reinventar, superar limitações, corrigir rumos, sair da periferia e vir para o centro capaz de equilibrar tudo em nós e nos religar a nossa vocação mais original.[...]
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Via Hermes Fernandes *** Continuar a ler AQUI

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Celibato e a Igreja Católica

[ Título original do texto : A lei do celibato obrigatório ]
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Dizia-me há dias um colega historiador que a lei do celibato obrigatório para os padres fez mais mal à Igreja e aos homens e mulheres do que bem. E eu estou com ele. Jesus foi celibatário como também São Paulo. Mas foram-no por opção livre, para entregar-se inteiramente a uma causa, a causa de Deus, que é a causa dos seres humanos na dignidade livre e na liberdade com dignidade. Mas nem Jesus nem Paulo exigiram o celibato a ninguém. Jesus disse expressamente que alguns eram celibatários livremente por causa do Reino de Deus. E São Paulo escreveu na Primeira Carta aos Coríntios que permanecer celibatário é um carisma, e, por isso, "para evitar o perigo de imoralidade, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher, o seu marido". Há a certeza de que pelo menos alguns apóstolos eram casados, incluindo São Pedro. Na Primeira Carta a Timóteo lê-se: "O bispo deve ser homem de uma só mulher." Foi lentamente que a lei do celibato se foi impondo na Igreja Católica, embora com excepções: pense-se, por exemplo, nas Igrejas orientais ou nos anglicanos unidos a Roma. Na base do celibato como lei, há razões de vária ordem: imitar os monges e o seu voto de castidade, manter os padres e os bispos livres para o ministério, não dispersar os bens eclesiásticos, evitar o nepotismo... A concepção sacrificial da Eucaristia foi determinante, pois o sacrifício implica o sacerdote e a pureza ritual. Assim, o bispo de Roma Sirício (384-399) escreveu: "Todos nós, padres e levitas, estamos obrigados por uma lei irrevogável a viver a castidade do corpo e da alma para agradarmos a Deus diariamente no sacrifício litúrgico." Neste movimento, a Igreja foi-se tornando cada vez mais rigorosa, tendo papel decisivo o Papa Gregório VII (1073-1085), com o seu modelo centralista: da reforma com o seu nome - reforma gregoriana - fez parte a obrigação de padres e bispos se separarem das respectivas mulheres e a admissão à ordenação sacerdotal apenas de candidatos celibatários. Foi o II Concílio de Latrão (1139) que decretou a lei do celibato, proibindo os fiéis de frequentarem missas celebradas por padres com mulher. A distância entre a lei e o seu cumprimento obrigou a constantes admoestações e penas para os prevaricadores, como se pode constatar no decreto do Concílio de Basileia (1431-1437) sobre o concubinato dos padres. Lutero ergueu-se contra a lei, respondendo-lhe o Concílio de Trento: "É anátema quem afirmar que os membros do clero, investidos em ordens sacras, poderão contrair matrimónio." Os escândalos sucederam-se, mesmo entre Papas: Pio IV, por exemplo, que reforçou a lei, teve três filhos. O famoso exegeta Herbert Haag fez notar que a contradição entre teoria e prática ficou eloquentemente demonstrada durante o Concílio de Constança: os seus participantes tiveram à disposição centenas de prostitutas registadas. Os escândalos de pedofilia por parte do clero fizeram com que o debate, proibido durante o Concílio Vaticano II e ainda, em parte, tabu, regressasse. Se não é correcto apresentar o celibato como a causa da pedofilia - pense-se em tantos casados pedófilos, concretamente no seio das famílias -, também é verdade que a lei do celibato enquanto tal não é a melhor ajuda para uma sexualidade sã. Muitos perguntam, com razão, se uma relação tensa com a sexualidade por parte da Igreja não terá aqui uma das suas principais explicações. Seja como for, o celibato obrigatório não vem de Jesus, é uma lei dos homens, e, como disseram os apóstolos: "Importa mais obedecer a Deus do que aos homens." E os bispos e o Papa são homens. É contraditório afirmar o celibato como um carisma e, depois, impô-lo como lei. Por isso, muitas vozes autorizadas na Igreja pedem uma reflexão séria sobre o tema. Há muito que o cardeal Carlo Martini faz apelos nesse sentido. Agora, junta-se-lhe o cardeal Ch. Schönborn, de Viena. O bispo auxiliar de Hamburgo, J.-J. Jaschke, sem pôr em causa o celibato livre, afirmou que "a Igreja Católica se enriqueceria com a experiência de padres casados".
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Fonte: prof. Anselmo Borges *** in Diário de Notícias Online

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A "Igreja Pinóquio" ...

[ Título original do texto: Propaganda versus Evangelismo ]
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Somos especialistas em fazer propaganda enfatizando exactamente aquilo que não somos. Isto é quase sempre uma regra. No desespero de atingirmos um grupo grande de pessoas, atropelar a ética torna-se algo comum. É preciso perceber que a ética para a elaboração de propaganda de produtos não pode ser utilizada para a disseminação do evangelho. Isto dá-se porque o evangelho não deve ser comparado a um produto. A publicidade de um produto quase sempre busca encontrar um apelo emocional para que as pessoas o comprem. Mas emocionalismo não é o sentimento correcto daquele que conhece verdadeiramente o evangelho, pois é algo volúvel e que não durará muito tempo. Quem se entrega a apelos emocionais e compra algo, quase sempre irá trocar a sua aquisição por uma “melhor” num futuro próximo. Outro grande problema que enfrentamos ao falar em evangelismo, é tentarmos aplicar conceitos de marketing às igrejas. Conceptualmente, as igrejas costumam ser exactamente o contrário do que a sua divulgação afirma. Esta dualidade entre a publicidade e a realidade, provoca decepções tremendas. E também não deixa de ser uma mentira. Já vi muitas pessoas que ficaram impressionadas por práticas de rua, ou até mesmo por eventos ditos de “evangelismo”, que abusavam de expressões artísticas; ao chegar ao culto de domingo, tais pessoas sentem-se enganadas. Parecia que todo aquele bom ambiente anterior era apenas um isco para se apresentar mais “do mesmo de sempre”. E talvez o tipo mais comum de decepção provocada pela propaganda é quando uma pessoa se filia numa igreja na perspectiva de viver com pessoas melhores que ela mesma. Isto é algo que quase sempre acaba mal. Afinal, a igreja é a comunidade dos arrependidos; daqueles que buscam a vida em santidade, mas… o quanto somos melhores que os de fora? Na ânsia de estar andando com pessoas “sem problemas”, muitos acabam formando grupos organizados pelo pior tipo de afinidade: as suas dificuldades. E estes tem tudo o que é necessário para promover grandes tragédias. Mas se o nosso marketing abordasse a verdade, as pessoas saberiam que no nosso meio, trabalhamos como num hospital: muitos doentes, buscando constante recuperação. Conheço uma igreja que possui um banner com a foto de algumas pessoas escolhidas a dedo em sua fachada. Porém, com o tempo, algumas pessoas abandonaram a fé. Inclusive, duas pessoas se revelaram homossexuais e se afastaram completamente da comunidade. Este banner é considerado por muitos como uma propaganda que deu errado e que, com certa urgência, necessita ser substituído. Inclusive há quem defenda o uso de bancos de imagens (com imagens de pessoas desconhecidas) na confecção de uma nova fachada. Mas… há algo mais autêntico do que o velho banner? O velho representa a verdade. Diz que no nosso meio há pessoas com problemas. Que alguns talvez não chegarão até o fim, apesar das suas juras de amor a Cristo. E também revela que temos problemas como qualquer outra pessoa. Esta é a publicidade da verdade; que não mente para alcançar resultados. E com certeza, um evangelismo baseado em mentiras, não pode ser usado para representar aquele que é o Caminho, A Verdade e a Vida.
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sábado, 3 de abril de 2010

"O Drama de Urias"

Sou fascinado com as tragédias bíblicas. Sedução, vingança, amizade, heroísmo e traição permeiam muitas narrativas do Antigo Testamento. A história do soldado Urias, marido da famosa Betseba, me chama a atenção. Infelizmente, na maioria dos relatos, Urias consta como um personagem coadjuvante. Mas, ele é importante, pois sua vida foi tragicamente descartada em uma trama bem complexa. Urias foi assassinado para que o rei Davi livrasse a cara em um adultério estúpido. A história desse homicídio deve ser considerada uma das mais sórdidas conspirações já escritas na literatura. A narrativa é bem conhecida. Em uma tarde qualquer, Davi passeava pela murada do palácio quando seus olhos contemplaram uma belíssima mulher tomando banho. A pele morena, os cabelos negros, os seios bem delineados, somaram-se ao lusco-fusco para criar um clima sedutor. E Davi não resistiu. Ordenou que lhe trouxessem a mulher para uma noite de delícias. Alguém com um mínimo de bom senso deve ter alertado: “Esta não, ela tem marido”. Mas Urias estava longe; dava para enganá-lo sem grande problemas. No campo de batalha, ele nunca suspeitaria da Majestade. Seduzido Davi estava e seduzido continuou. Mesmo sabendo que poderia dar errado, o romance se consumou e aconteceu o pior: Betseba engravidou. Procurando encobrir o malfeito, Davi mandou trazer Urias para um sabático. A gravidez ainda precoce talvez ficasse eclipsada diante da libido vertiginosa de um soldado. Davi imaginou que Urias perderia as contas do número de relações sexuais e dos meses que faltavam até o nascimento da criança. Mas Urias recusou a oferta do rei; não dava para cogitar o prazer enquanto a Arca do Concerto, a honra de Israel e a dignidade do reinado dependessem dos inimigos. Encurralado, o rei armou um plano sórdido - sordidez, geralmente, nasce de mentes encurraladas. Davi devolveu Urias para front. O general recebeu ordens específicas para recuar no ardor da batalha. O objetivo era claro, expor Urias; deixá-lo vulnerável, indefeso. Aconteceu como previsto. A lança do inimigo o abateu. Morto o soldado Urias, o rei podia casar-se, assumir o filho e tocar os negócios da corte sem ser incriminado. Imagino o desespero de Urias quando as tropas recuavam. Ele deve ter se desesperado: “Por quê? Por quê?”. Penso também no comandante que gritou a ordem de voltar atrás. Para defender o cargo, para mostrar lealdade militar, para não quebrar a hierarquia, ele sacrificava o amigo. Muitas vezes senti a dor de Urias. Eu também fui incentivado a marchar para me ver sem amigos. Mobilizado por companheiros de ideais, também dei a cara a bater para depois ficar sozinho. Dói, insisto, notar que os golpes se multiplicaram e não ter com quem dividir o sofrimento. É ruim olhar ao redor e ver os amigos de costas. Urias recebeu o baque e agonizou sem entender nada. Estou certo que sua maior dor não veio da arma inimiga, mas de não compreender a razão de seus companheiros agirem daquela maneira. Urias não conseguia atinar: havia interesses mais elevados; sua vida precisava ser gasta para preservar a reputação do rei. Contudo, mesmo que alguém lhe contasse o que acontecia nos bastidores, não aliviaria o sofrimento. Não é fácil perceber que antigas lealdades têm que ser jogadas fora em nome de projetos institucionais. Pobre Urias, sua morte trágica revelou a bestialidade do rei, o servilismo dos soldados e a banalidade da vida. Não era para ser assim, mas foi. Depois, Deus cobrou de Davi, mas isso é outra história... Soli Deo Gloria
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terça-feira, 30 de março de 2010

" O Chavão da Sã Doutrina"

“Cristo não foi essencialmente professor, legislador, mas ser humano, ser humano real como nós. Por isso, ele não quer que em nosso tempo sejamos alunos, representantes ou defensores de determinada doutrina, mas seres humanos, seres humanos reais perante Deus.” (Dietrich Bonhoeffer)

“Viajar ao redor do mundo e conhecer o clero de todas as denominações ajudou a moldar-me num ser ecuménico. Estamos separados pela teologia e, em alguns casos, pela cultura e pela raça, mas essas coisas não significam mais nada para mim.” (Billy Graham, U.S. News & World Report, 19 de Dezembro de 1988)

Jesus Cristo não veio a este mundo para ensinar uma doutrina em particular mas sim para reconciliar os homens com o Pai. Não vemos o Mestre de Israel alimentar discussões teológicas com os teólogos da época. A única vez que terá discutido doutrina e teologia com os doutores da Lei terá sido aos doze anos, aquando da visita a Jerusalém e mesmo aí as Escrituras não registam o teor da argumentação, pelo que a mesma será irrelevante para nós (Lc 2:41-47). Sejamos claros, a doutrina não é uma vaca sagrada. Desmistifiquemos esse mito.

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A doutrina é sobretudo uma questão de identidade Todo o ser humano dispõe de uma identidade. Ela implica características distintivas, que não só o distinguem de outros cidadãos como lhe conferem um sentido próprio e muito pessoal. A arquitectura estética e conceptual do indivíduo, as suas origens, a sua história de vida, o seu self, fazem dele uma pessoa única e irrepetível. É claro que alguns gostos, vocações e características pessoais não são exclusivas daquele dado indivíduo, o que lhe permite a identificação de grupo ou comunitária com outros seus semelhantes. Mas até estes aspectos, digamos, mais sociais, ajudam a definir a sua singularidade. Por exemplo, um jogador de futebol não é igual, apesar de tudo aos seus colegas, embora possa ter a mesma nacionalidade, idade, naturalidade, clube ou posição de jogo. Será sempre um jogador diferente de todos os outros, e nesse sentido, único. [...]

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Por Brissos Lino *** Continuar a ler AQUI no blogue A Ovelha Perdida

quarta-feira, 24 de março de 2010

"A Irremediável Burguesia Religiosa" ( ou um Atlântico que já não Separa )

Se não me falha a memória, a frase é do Cazuza. “A burguesia fede, mas tem os seus encantos”. Pela classificação mais ordinária dos cidadãos brasileiros, nasci na classe “C”, isto é, no andar de baixo desta burguesia. Designado para viajar nos vagões mal cheirosos que ficam atrás do trem, minha infância não teve tantos mimos. Cresci sem automóvel (eu tinha 17 anos quando papai comprou um carro), sem frequentar lanchonete nos fins de semana e sem vestir roupa de grife. Não, nunca fomos pobres; tínhamos segurança alimentar e uma grande família com tios que chegaram junto na hora do sufoco. Mas, para entrar no baile de adolescente na vesperal do Clube Náutico, eu precisava pular o muro; para chupar um picolé no intervalo da aula, tinha que ir para o colégio a pé e para comer maçã, adoecer. Tornei-me um militante do patético alpinismo social. Em meu primeiro emprego, fixei a meta de comprar um fusca. Trabalhei como um remador de galé, mas um ano depois saí da loja montado nas quatro rodas alemãs - e mais trinta e seis prestações. Daí para a frente, continuei subindo. Cheguei ao mundo colorido da classe “B”. Eu já não era um remediado pobretão. Cedo, também notei que as escadas religiosas poderiam me conduzir a patamares mais elevados. Gastei a maior parte dos meus dias entre cristãos que faziam da religião o trampolim social que a sociedade lhes negava. Eu sabia que a lógica religiosa que eu aceitava de bom grado, e fortalecia, servia às aspirações de pequenos ricos. Primeiro, nos Estados Unidos. Viajei extensivamente por quase todo o território e conheci a América profunda. Preguei tanto em igrejas grandes como em bibocas. Evitei, por interesse, notar como os pentecostais se esforçavam para mostrar que não eram os primos pobres de batistas e presbiterianos. Por duas vezes, participei do Concílio Geral das Assembleias de Deus. Não há como descrever o desfile das vaidades que vi nessas reuniões. Pelos corredores lotados com mais de quinze mil pastores, mulheres borradas de maquiagem ostentavam roupas caras e os maridos batalhavam para ganhar a placa de “Maior Contribuinte de Missões Mundiais ”. Depois que voltei ao Brasil, também procurei cegar para o que via. Eu não queria notar como líderes denominacionais usavam de toscas manipulações para se manterem temidos como caudilhos. Pastores oriundos das mesmas camadas sociais que eu, se sentiam desafiados a passar pelo malho apertado da peneira social. Alguns, logo revelavam sinais exteriores de riqueza, fama, glória. Isso lhes motivava à luta e eu, confesso, queria ser como um deles. Os ungidos apareciam ao lado de políticos famosos, viajavam para Israel, abriam postos missionários além-mar. Paulatinamente, distanciei-me desse mundo que passou a imprimir cartão de visita com o titulo de Apóstolo. Depois, com as mega-empresas religiosas, quando o cacife cresceu, e eu decidi sair de vez. Os verdadeiramente ungidos passaram a desfilar de BMW, helicóptero e jatinho. Resolvi não desejar esses brinquedinhos que patenteiam a bênção de Deus. O mundo evangélico está contaminado por esta espiritualidade pequeno-burguesa. Animado pela lógica de que servir a Deus é proveitoso, o crente parte em busca do macete que abre porta de emprego, faz passar no vestibular, resolve causas na justiça, ajuda nos concursos públicos e aumenta salário. Para ele, a prova de que Deus existe está nesses pequenos milagres; e o melhor testemunho da verdade da fé, na capacidade de mover o braço do Todo-Poderoso. Quase fui linchado quando afirmei, em um estudo bíblico, que Deus não abre porta de emprego.Sofri crítica por dizer, baseado no Sermão da Montanha, que Jesus ensinou aos filhos de Deus a não pedirem coisas materiais. A princípio, não entendi a reação virulenta. Por que tamanha resistência à proposta de espiritualidade que abre mão das intervenções divinas para se dar bem na vida? Mas, quanto mais eu lembro das ambições que povoaram o meu coração juvenil, dos corredores enfatuados daquelas convenções americanas e da breguice dos evangelistas novos-ricos, reconheço: não se desvencilha com facilidade das orações milagrosas que prometem os encantos da burguesia, sem feder.
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Soli Deo Gloria
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quinta-feira, 4 de março de 2010

" Pragmatismo: Um dos Maiores Inimigos da Igreja "

Estou convencido de que o pragmatismo apresenta precisamente a mesma subtil ameaça para a igreja no nosso tempo que o modernismo representou há quase um século. O Modernismo foi um movimento que abraçou a chamada alta crítica e a teologia liberal enquanto negava quase todos os aspectos sobrenaturais do Cristianismo. Mas o modernismo não se apresentou primeiramente como um ataque evidente à doutrina ortodoxa. Os modernistas mais antigos pareciam preocupados principalmente com a unidade interdenominacional. Eles estavam dispostos a subestimar a doutrina em prol daquela meta, porque eles acreditavam que a doutrina era inerentemente divisionista e que uma igreja fragmentada seria irrelevante nos tempos modernos. Para aumentar a relevância do Cristianismo, os modernistas procuraram sintetizar ensinos cristãos com os mais recentes insights da ciência, filosofia, e crítica literária. "É frequentemente esquecido que o alvo dos primeiros modernistas era simplesmente tornar a igreja mais "moderna", mais unificada, mais relevante, e mais aceitável para uma céptica era moderna." [...]
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Por John MacArthur *** Continuar a ler AQUI no Púlpito Cristão