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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cá nesta Babilónia

Cá nesta Babilónia, donde mana 
Matéria a quanto mal o mundo cria; 
Cá, onde o puro Amor não tem valia, 
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana; 


Cá, onde o mal se afina, o bem se dana, 
E pode mais que a honra a tirania; 
Cá, onde a errada e cega Monarquia 
Cuida que um nome vão a Deus engana; 

Cá, neste labirinto, onde a Nobreza, 
O Valor e o Saber pedindo vão 
Às portas da Cobiça e da Vileza; 

Cá, neste escuro caos de confusão, 
Cumprindo o curso estou da natureza. 
Vê se me esquecerei de ti, Sião! 
Luís Vaz de Camões( "Sonetos" via Citador )

sábado, 26 de maio de 2012

Meu Amor partiste - Um improviso

















Meu Amor partiste... eu sei
sempre partiste para longe, eu sei
e não há escudo que te guarde
nem euro nem barca nem vela que te traga
pois se nem notícia veio d' El-Rei...

a mesa está vazia, não há pão não há vinho
sem filhos não há leite
os velhos esquecidos nem comem
e não há pachorra que os oiça 
a dizer que é a miséria de outrora que volta

como a mesa a cama está vazia
sem dinheiro os prazeres são pecado
e só as saudades ficaram
daqui te mando palavras do meu amor
que por ora ainda não paga imposto
Meu Amor partiste, eu sei
e agora até o totobola dá pouco
só se for o TGV que te traga
- se é por ele que a gente se mata...



Maria Lascas

terça-feira, 15 de maio de 2012

RUA CHAMADA DIREITA























Rua Direita, em que o sol estreita os raios
num único os raios oblíquos
uma rua de Damasco, simples endereço
onde por um acidente celeste
Saulo entrou, hóspede
dos planos divinos e esperava
os dias eram cegos com o olhar colado a escamas
tremia ainda, pelo calafrio da luz
que penetrara até à raíz dos olhos?
pela Voz que, qual punho, o derrubara
na poeira de veludo da estrada de Damasco?


14/3/2012

 © João Tomaz Parreira

quarta-feira, 2 de maio de 2012

OS PESCADORES DA RIA
















Ficam ali parados a pescar
a raridade
de um peixe, gostam de estar
sozinhos, sentados ou então
como um farol, recortado na luz
suja da sombra, também pescam
além de peixes, reflexos na água
pescam luzes de prata
na corrente.

© João Tomaz Parreira

19/3/2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Alentejanos



















Os alentejanos caiam a terra da casa de branco
imaculada como a mãe
farejam-na como cães

orégão poejo cardo para conduto do pão
no touro no Sol e papoilas derramam sangue vermelho
calam palavras e sonhos, lágrimas seca-as o vento
só grilos cigarras e corvos quebram tanto silêncio!


sua esperança é ao nascer que o seu destino é partir
tão antigo é esse anseio como a amargura de o fazer
solidão de vagabundo de que meu corpo é possuído!


Maria José Lascas 

 in "Morada da Poesia, poetas celebram Manuel da Fonseca", desenhos de Manuel Passinhas e edição da C.M. de Castro Verde



Fonte: Blogue de Maria Lascas

domingo, 1 de abril de 2012

SALMO XC



“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo”

Aquele que se levanta e pode mesmo apreciar
uma pequena nesga de sol discreto
no modo como entra no quarto
onde nada detém a sua língua de lume
Aquele que toca com as mãos na água fria
como se tocasse gota a gota
numa pérola
e depois em cada sombra de árvore
em cada caminho sente o verão
e habita num esconderijo
que tem no ar um perfume.

© João Tomaz Parreira
 13-3-2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

No dia Internacional da Poesia vem a propósito Florbela Espanca e uma Homenagem a todos os Poetas, particularmente aos que me dão a Felicidade de Serem meus Amigos.


Ser Poeta
Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior 
Do que os homens! Morder como quem beija! 
É ser mendigo e dar como quem seja 
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! 

É ter de mil desejos o esplendor 
E não saber sequer que se deseja! 
É ter cá dentro um astro que flameja, 
É ter garras e asas de condor! 

É ter fome, é ter sede de Infinito! 
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... 
É condensar o mundo num só grito! 

E é amar-te, assim, perdidamente... 
É seres alma e sangue e vida em mim 
E dizê-lo cantando a toda gente! 


Florbela Espanca, in  Charneca em Flor

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Encontro ( inédito de J.T.Parreira )


















Não troco o Amado

por um Querubim
mesmo que ao voar
me faltem asas, não troco os seus cabelos
molhados entre os espinhos
pelas cascatas de luz
do Querubim
Mesmo quando vou
ao seu encontro e me pese a cruz.




14/1/2012

(C) J.T.Parreira


Publicado in  A Ovelha Perdida

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Passagem por Samaria



!Y nadie sospechaba com qué temblor de urgencia

buscaba ella en la gente un resto de ternura!...


Andrés Quintanilla Buey







Diziam que ia ao poço
escondida sob o cântaro
que perdera já o olhar
varrendo o chão
a mulher samaritana
via apenas sombras
na água que do poço recolhia
ninguém suspeitava
que enchia de lágrimas o cântaro


Há quem diga que pecava
por um gesto de ternura
quando a rosa do sol incandescia
e trespassada de silêncio
se escondia, diziam
da mulher samaritana tanta coisa
ia ao poço para beber
da água repetida, na quietude frágil
da água, a sua vida.
 
João Tomaz Parreira
 
In blogue Papéis na Gaveta 

terça-feira, 7 de junho de 2011

“Kuando te topi” - Poema em Ladino

[ "Os amantes azuis", (1916) - Marc Chagall ]






Beatriz Mazliah




quarta-feira, 30 de março de 2011

Poema em Ladino



















LAS PALABRAS



Las palabras
devienen madeshas
las vo despiegando
las vo rodeando
hasta que piedren su senso
locas de no ser.
Yo las amaso de muevo
y les do vivenza,
nacen a ser mi pan,
nacen a ser mi vino,
no se arugan
en el tiempo
de la zona eternel.




Margalit Matitiahu





Fonte: Por Terras de Sefarad

segunda-feira, 21 de março de 2011

Um Poema Inédito de João Tomaz Parreira no Dia Mundial da Poesia

+
+
ENSAIO A DECORRER SOBRE AS PALAVRAS
+
+
+
As palavras são, por vezes, cruéis
+ param
+ na altura em que mais precisamos delas
+ recusam-se
+ a abrir o cálice como uma rosa entardecida
+ que já não consegue segurar a beleza
+ aos nossos olhos
+
+
Por vezes as palavras
+ fazem um intervalo, sem ponte
+ entre o terrível e o encanto
+
+
As palavras não têm o mínimo empenho
+ na harmonia que está na cabeça
+ do poeta, enquanto
+ irrompem pelos dedos fora
+ e depois hesitam
+ e voltam-se para trás
+ como se à quebrada porcelana
+ do ovo a gema pudesse regressar
+
+
As mais cruéis são aquelas
+ que desaparecem depois
+ para um lugar dentro de nós
+ a que não podemos ir
+
+
Por vezes, as palavras
+ abrem o estore de uma janela
+ sobre o mundo e depois
+ recolhem a penumbra
+ e escreve-se estrela, mas não
+ era isso que queríamos dizer.
+
+
+ 14/3/2011
+
+
Poema inédito de João Tomaz Parreira
+
+
( Colaborador no Ab Integro )

sábado, 11 de dezembro de 2010

Eis que aqueles que enfeitam a cabeça

Eis que aqueles que enfeitam a cabeça
+ com louros
+ trazem consigo o Menorah sagrado
+ dos judeus
+ os que regressam ao Lácio cantam vitória
+ arrancada a alma e o coração
+ dos vencidos
+ exibem um troféu de lágrimas e sangue
+
o sol do meio-dia reflecte no ouro maciço
+ do candelabro do Templo
+ o olhar de Iavé
+ torna pesado o despojo
+ e cega os olhos
+ dos que não conseguem ver.
+
+ Brissos Lino 4/12/10

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Ulisses" (ou Saudades de uma Pátria distante. A fazer lembrar um país europeu, plantado à beira mar, num jardim Ocidental, de olhar perdido )

E havia laranjas. Havia um país de leite
+
e de limão.
+
Havia cântaros carregados de azeite.
+
Pedras e cabras.
+
Raparigas.
+
Ai ruas estreitas. E o sol. As sombrias. Havia uma canção
+
que falava do vento e das espigas.
+
E agora só palavras. Só palavras.
+
Minha nação já só de cardos e caruma
+
Ausências. Fantasmas.
+
+
+
Poema de Manuel Alegre no livro Um barco para Ítaca***Edição Centelha - Coimbra, 1974

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ESPELHO PARTIDO

Um poema inédito do poeta, e colaborador do Ab-Integro, João Tomaz Parreira

O espelho partiu / a moldura ficou

*

Ana Hatherly

*

*

. *

O espelho divide-nos

* . bocados

* . nossos pelo chão

* . enquanto os dedos

* . sangram pela fúria

* . do vidro

*

*

: . . Um espelho partido

* . ramos

* . do mesmo inteiro rosto

* . disperso na prata

*

*

. . . A cerejeira

* . da moldura está

* . intacta.

**

. . .

12/01/2010

*

. João Tomaz Parreira

*

.

- Colaborador -

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"Oração para 2010"

Senhor,

.

se neste novo tempo

.

não me deres novas coisas

.

para viver

.

dá-me então um olhar novo

.

sobre tudo

.

o que já conheço.

.

Obrigado.

***

Brissos Lino 31/12/09

Via A Ovelha Perdida

domingo, 13 de dezembro de 2009

Macchu Picchu

.

Del aire al aire, como una red vacía

. iba yo entre las calles y la atmósfera

.

Pablo Neruda

.

No silêncio agudo dos condores

. o azul plana, as casas pousam

. Nas correntes de ar

. pousam sobre o planeta

. As pedras pousadas

. como pássaros

. Tudo recomeça verde

. a cada dia, só as sombras

. trepam trémulas

. pela noite.

.

.

João Tomaz Parreira

.

- Colaborador -

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ich bin ein Berliner

******
.
*
......................................... ICH BIN EIN BERLINER
.
.
O muro teve sempre uma brecha
.
tinha um buraco
.
à espera de um coração, só os olhos
.
do sonho passavam, só as palavras
.
murmuradas, feridas
.
passavam para lá do betão
.
armado pelos bárbaros
.
cairia
.
pela mão de um Davi
.
O muro sempre teve um buraco
.
à espera de um nome
.
John F.Kennedy.
.
9/11/2009 .
João Tomaz Parreira

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ser Feliz

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história.
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É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma .
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É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
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Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
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É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'.
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É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
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Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo.
Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Upside Down

Who’s to sayWhat’s impossibleWell they forgotThis world keeps spinningAnd with each new dayI can feel a change in everythingAnd as the surface breaks reflections fadeBut in some ways they remain the sameAnd as my mind begins to spread its wingsThere’s no stopping curiosity . I want to turn the whole thing upside downI’ll find the things they say just can’t be foundI’ll share this love I find with everyoneWe’ll sing and dance to Mother Nature’s songsI don’t want this feeling to go away . Who’s to sayI can’t do everythingWell I can tryAnd as I roll along I begin to findThings aren’t always just what they seem . I want to turn the whole thing upside downI’ll find the things they say just can’t be foundI’ll share this love I find with everyoneWe’ll sing and dance to Mother Nature’s songsThis world keeps spinning and there’s no time to wasteWell it all keeps spinning spinning round and round and . Upside downWho’s to say what’s impossible and can’t be foundI don’t want this feeling to go away . Jack Johnson Via Timilique