quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Evolução Versus Naturalismo"

"Como todos sabem, tem havido uma recente enxurrada de livros atacando a fé cristã e a religião em geral. Alguns destes livros não são mais do que ladainhas, cheios de insultos, mas curtos em razões, cheios de afrontas, mas curtos em competência, cheios de justas indignações, mas curtos em bom senso; na maior parte, eles são dirigidos mais por ódio do que pela lógica. É claro que existem outros que são intelectualmente mais respeitáveis – por exemplo, a contribuição de Walter Sinott-Armstrong em God? A Debate Between a Christian and an Atheist ( Deus? Um debate entre um cristão e um ateu) e a contribuição de Michael Tooley em Knowledge of God (Conhecimento de Deus). Quase todos estes livros foram escritos por filósofos naturalistas. Eu acredito que é extremamente importante ver que o naturalismo, em si, a despeito do tom presunçoso e arrogante dos chamados Novos Ateus, está numa muito séria dificuldade filosófica: não se pode sensatamente acreditar nele.

Naturalismo é a idéia de que não existe uma pessoa como Deus ou qualquer coisa que se pareça Deus; nós podemos pensar nessa posição como ateísmo turbinado ou talvez ateísmo plus. É possível ser ateu sem ascender a arrogantes altitudes (ou descender até as profundezas tenebrosas) do naturalismo. Aristóteles, os antigos Estóicos, e Hegel (ao menos em alguns estágios) poderiam apropriadamente ser considerados ateístas, mas eles não poderiam apropriadamente ser considerados naturalistas: cada um acrescentou alguma coisa (Primeiro Motor de Aristóteles, O Nous Estóico, O Absoluto de Hegel) que nenhum naturalista que se auto-respeite poderia tolerar.

Nos dias de hoje o naturalismo está excessivamente na moda em termos académicos; alguns dizem que é a ortodoxia académica contemporânea. Diante da moda de várias formas de anti-realismo e relativismo pós-moderno, isto pode ser um pouco forte. No entanto, o naturalismo é certamente mais difundido, e está exposto em alguns recentes livros populares como O Relojoeiro Cego de Richard Dawkins, A Perigosa Idéia de Darwin, de Daniel Dennett, e em muitos outros. Os naturalistas gostam de se “agasalhar” (ou de se envolver) nos mantos da ciência, como se a ciência, de alguma maneira apoiasse, endossasse, subscrevesse, sugerisse, ou fosse de alguma maneira inabitual amiga para o naturalismo. Em particular, eles recorrem frequentemente à moderna teoria da evolução como uma razão para abraçar o naturalismo (…). Muitos parecem pensar que a evolução é um dos pilares do templo do naturalismo (e “templo” é a palavra certa: o naturalismo contemporâneo tem, sem dúvida, assumido um invólucro religioso, com um sacerdócio secular fervoroso para reprimir visões opostas como qualquer “mullah”). Eu proponho-me defender que o naturalismo e a evolução estão em conflito um com o outro.

Eu disse que o naturalismo está numa dificuldade filosófica; isto é verdade em diversos aspectos, mas aqui eu quero concentrar-me apenas sobre um aspecto –o que está conectado com a idéia de que a evolução apoia ou endossa ou é de algum modo evidência para o naturalismo. Do modo como eu vejo, isto é um erro colossal: evolução e naturalismo não são apenas companheiros constrangidos; eles são mais combatentes beligerantes. Não se pode racionalmente aceitar ambos: evolução e naturalismo; não se pode ser um naturalista evolucionista. O problema, tal qual muitos pensadores o têm visto (C.S. Lewis, por exemplo), é que o naturalismo, ou o naturalismo evolucionista, parecem conduzir a um cepticismo fundo e penetrante. Ele leva à conclusão de que nossa cognição ou faculdades produtoras de crenças – memória, percepção, insight lógico, etc. – são duvidosos e não se pode confiar neles como produtores de uma preponderância de crenças verdadeiras sobre crenças falsas. O próprio Darwin teve preocupações com estes assuntos: “Comigo”, diz Darwin, “a dúvida horrível surge sempre, se as convicções da mente do homem, as quais têm sido desenvolvidas da mente de animais inferiores, são de qualquer valor ou dignas de confiança. Poderia qualquer um confiar nas convicções da mente de um macaco, se houvesse qualquer convicção em tal mente?”(1).

Claramente, esta dúvida surge para os naturalistas ou ateus, mas não para aqueles que acreditam em Deus. Isto porque se Deus nos criou à sua imagem, então mesmo que Ele nos tenha moldado por meios evolucionistas, Ele presumivelmente queria que nos parecessemos com Ele na capacidade de conhecer; então a maior parte daquilo em que nós acreditamos pode ser verdade mesmo que as nossas mentes se tenham desenvolvido a partir das dos animais inferiores (…)."

Por Alvin Plantinga

Tradução: Daniel Brisolara

In Blogue “Universo Criacionista”

(adaptado para português usado em Portugal por Ab-Integro)

(1) Carta a William Graham (Down, 3 de Julho, 1881), em “The Life and Letters of Charles Darwin”, ed. Francis Darwin (London: John Murray, 1887), Volume 1, pp. 315-16.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"PREGADOR E PREGADORES PALHAÇOS"

“O Deus deste século vinte e um não se assemelha mais ao Soberano Supremo das Escrituras Sagradas do que a bruxuleante e fosca chama de uma vela se assemelha à glória do sol do meio-dia. O Deus de que se fala actualmente no púlpito comum, comentado na escola dominical em geral, mencionado na maior parte da literatura religiosa da actualidade e pregado em muitas das conferências bíblicas, assim chamadas, é uma ficção engendrada pelo homem, uma invenção do sentimentalismo piegas. Os idólatras do lado de fora da cristandade fazem "deuses" de madeira e de pedra, enquanto que os milhões de idólatras que existem dentro da cristandade fabricam um deus extraído das suas mentes carnais. Na realidade, não passam de ateus, pois não existe alternativa possível senão a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus. Um deus cuja vontade é impedida, cujos desígnios são frustrados, cujo propósito é derrotado, nada tem que se lhe permita chamar Deidade e, longe de ser digno objecto de culto, só merece desprezo.”

Arthur W. Pink In Blogue “Frases Protestantes”

NINGUÉM NOS CALA

“(...)Como podemos ficar calados? Como vamos aceitar as pessoas desvalorizarem o sacrificio de Cristo da maneira que estão? Como podemos permitir que homens amantes de si mesmo vendam a salvação nos púlpitos de nossas igrejas? Como podemos deixar que pessoas que nao contribuiram em nada com o Evangelho, apareçam de uma hora para outra e destruam aquilo que foi construido com sangue? Sim, porque desde o Calvário o sangue está presente na historia da igreja: homens dos quais o mundo nao era digno morreram para que hoje tivessemos o direito de falar no nome de Jesus. Temos não apenas o direito, mas a obrigação de entrar nesse combate. Chegamos na era final, em que temos que decidir de qual lado estamos: se daqueles que se corrompem, ou se daqueles que por amor a Cristo estão dispostos a perder a propria vida”.

Por Marcos Vasconcelos

In “Evangelho Sem Mistura” via “Púlpito Cristão”

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Felix Mendelsoohn, compositor . Nasceu há 200 anos

Sinfonia "Reformation"

"UMA DICOTOMIA ENGANADORA"

Onde estavas tu quando eu criei a Terra? Diz-me, se tens entendimento! (Job, 38:4)

Os céus e a Terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. (Marcos 13:31)

“O pensamento moderno sublinha a dicotomia epistemológica entre a Bíblia - do domínio da subjetividade, da fé e da moralidade - e a ciência - com autoridade no plano da realidade objetiva. Para este entendimento, a ciência preocupa-se, acima de tudo, com os fatos, ao passo que a fé releva no domínio simbólico da interpretação subjetiva desses fatos. Em outras palavras, a ciência seria o domínio por excelência das afirmações de fato, ao passo que a fé seria um campo reservado à interpretação e à formulação de juízos de valor. Repare-se que esta divisão de tarefas é manifestamente assimétrica, na medida em que remete para a ciência a definição do que seja o conhecimento daquilo que objetivamente existe, deixando para a religião uma função meramente especulativa e interpretativa, subjetiva, em torno do significado das coisas.

A ciência tem assim uma preponderância natural sobre a religião. Aquela é objetiva e sólida, ao passo que esta é subjetiva e precária. A primeira preocupa-se com a realidade e a segunda com sentimentos e crenças. No mundo real elas nunca se encontram, porque estão em esferas diferentes. De acordo com este entendimento, todos teriam racionalmente que aceitar os dados objetivos da ciência, ficando a religião reservada às mentes mais débeis e carentes ou mais dadas a emoções subjectivas1. Assim, todos teriam que acreditar na evolução (facto científico objetivo obrigatório), mas os crentes sempre poderiam dizer, à margem de qualquer evidência empírica, que Deus conduziu o processo de evolução, ou até que Deus é a evolução (crença religiosa subjetiva facultativa).

O Criacionismo Bíblico rejeita liminarmente esta divisão epistêmica de tarefas entre a ciência e a fé por ser manifestamente improcedente e falaciosa, particularmente no que diz respeito à questão das origens2. Ela dá como demonstrado o que ainda é preciso demonstrar. Com efeito, longe de se esgotar na produção de afirmações de fato, a ciência assenta largamente na interpretação e na especulação (v.g. tudo começou com um Big Bang; a vida surgiu por acaso de uma sopa pré-biótica; as aves evoluíram de dinossauros ou de pequenos répteis). Por sua vez, a religião também pretende fazer afirmações de fato (v.g. Deus é o autor da vida; Deus criou plantas, animais e o ser humano, praticamente ao mesmo tempo e segundo a sua espécie; o dilúvio do Génesis foi real e global) 3. Vejamos mais de perto esta questão, pensando especificamente no cristianismo e no darwinismo.

Quanto ao primeiro, a Bíblia, desde o Gênesis ao Apocalipse, afirma que é a Palavra de Deus verbalmente inspirada, tendo sido sempre considerada como tal pelos judeus (quanto ao Velho Testamento) e pelos cristãos 4. Jesus afirmou que as suas palavras são mais sólidas e duradouras do que os próprios céus e a Terra. A palavra do Criador é digna de toda a confiança. Porque assim é, a Bíblia nunca se coloca no domínio da pura interpretação subjetiva de fatos5. Bem pelo contrário, a validade das mais importantes doutrinas bíblicas apoia-se em fatos objetivos (criação; queda; dilúvio global; dispersão; aliança; êxodo; nascimento, morte e ressurreição de Jesus) cuja explicação só pode ser encontrada, não na regularidade das leis naturais, mas na ação extraordinária de Deus, o qual também criou essas leis. Na Bíblia os fatos são importantes porque mostram a ação providencial de Deus na história humana e as doutrinas são dignas de crédito precisamente porque se apoiam em fatos objectivos e não em mitos ou “fábulas engenhosas”.6

Na Bíblia é claro que os milagres de Jesus são autênticos e testemunham da Sua qualidade de Criador. A ressurreição física de Cristo é igualmente um fato histórico con creto, sem o qual a fé não tem sentido. Tentar desmitificar ou encontrar explicações científicas para estes e outros milagres que a Bíblia relata é passar totalmente ao lado da verdade fundamental que a Bíblia visa transmitir: o Universo foi criado por um Deus pessoal que intervém ativamente na história do Homem - criado à Sua imagem e semelhança - que, por causa do pecado da humanidade, encarnou na pessoa de Jesus Cristo para redimir o mundo através da Sua morte e ressurreição!7 Se os fatos mencionados pelo relato bíblico não são verdadeiros, a história da salvação deixa de ter sentido. Isto mesmo sustentou o Apóstolo Paulo: “se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.8

Por sua vez, o darwinismo, longe de se apoiar numa análise neutra e objectiva dos fatos, é fundamentalmente interpretação.9 Os registos históricos mais antigos que se conhecem têm cerca de quatro mil e quinhentos anos. São dessa era as civilizações mais antigas. Para além desse limite, a reconstituição historiográfica dos acontecimentos é feita com base em extrapolações, alicerçadas em pressupostos e modelos teóricos pré-concebidos, hoje predominantemente de matriz evolucionista. Sucede que nunca ninguém viu a sopa prébiótica, nem tão pouco um dinossauro a transformar-se em ave há cerca de 100 milhões de anos atrás. Do mesmo modo, nem os fósseis nem as rochas sedimentares trazem inscrita a sua idade, sendo datados com base nas premissas (evolucionistas) adotadas desde o início. Ora, não existe uma máquina que nos permita viajar no tempo e assim confirmar de forma absolutamente correcta as conclusões que aqui e agora tiramos acerca do passado distante. Mesmo as tentativas de observar o passado a partir das investigações astronômicas supõem a aceitação de premissas sobre a velocidade da luz.10 (…).”

Por Jonatas Machado* In “Universo Criacionista”

(*Professor na Universidade de Coimbra-Portugal )

( RESTANTE DO TEXTO A PUBLICAR EM PRÓXIMO POST )

"PAI CELESTIAL"

“Pai Celestial! Atrai-nos os corações a Ti de forma que a saudade seja de onde o nosso tesouro deve estar. Volta-nos as nossas mentes e os pensamentos para onde está a nossa cidadania – no Teu reino, de forma que, quando finalmente Tu nos chamares daqui, a despedida não seja uma separação dolorosa, mas uma prazenteira união contigo. Não sabemos a hora e o lugar, talvez uma longa estrada ainda se estenda diante de nós, e quando a força nos for tirada, quando a exaustão nos embaçar os olhos de forma que venhamos a ver como numa noite escura, e a impaciência queira bulhar dentro de nós nostalgias violentas e impacientes, e o coração gema na temerosa expectativa do que virá, ó Senhor Deus, grava-nos nos corações a convicção de que, também enquanto nós vivemos, Te pertencemos.”

(Soren Kierkegaard)

In "Igreja do Jubileu" por "A Ovelha Perdida"