sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Um Murro no Estômago ou A suprema Excelência do Amor

Mais do que tudo, por estes dias, o que verdadeiramente me assusta, não é a economia, a queda das bolsas mundiais, o casamento gay, a eutanásia, o imobiliário, a religião, a política, as fraudes fiscais, a violência urbana ou social em geral, o desamparo dos idosos, o abandono de crianças, a fome, a perseguição, a injustiça, a perda, a saúde, o insucesso profissional ou escolar. Também não me assustam a crise da família nem a violência doméstica, tal como não me assusta a perda de empregos, a bancarrota de países, ou o encerramento de empresas. O que me assusta, em definitivo, é o encerramento dos corações, a ausência do Amor, a desistência de amar e ser amado.

Ontem, quando chegava a casa, após mais uma jornada de trabalho, olhei, por breves instantes, para o aparelho de televisão que debitava informação na minha cozinha, com o jornal da tarde, qual ave de rapina, a recortar-se no crepúsculo do dia, pendurado este no suave dealbar das últimas luminiscências que apressadamente insistiam em se esconder, antes que as trevas as alcançassem.

Não teria sentido tanto e tão profundamente a dor, caso me tivessem dado um murro no estômago, como quando ouvi uma brevíssima entrevista a um jovem adolescente institucionalizado numa casa de reeducação.

Foram duas as perguntas da jornalista, simples, directas e fáceis de responder, embora o jovem não tivesse percebido o alcance de cinquenta por cento do que lhe foi perguntado:

- Já alguma vez te sentiste amado ?

- Não !

- Já alguma vez amaste ?

- Não, tirando “umas curtes”…

Isto sim, assusta-me; assusta-me verdadeiramente a indignidade percebida do ferrete aquecido ao rubro na fogueira da crueza bruta das breves respostas, que não deixam portas abertas, e que nos marca a epiderme da alma, estigmatizando, infinitamente, mais do que podemos imaginar . E, ao contrário do que se pretenda fazer passar, eis aqui, redundantemente exposto, o “drama mater” que cria, sustenta e condiciona todas as crises , pessoais, humanas, particulares, sociais, geracionais, nacionais ou globais, qualquer que seja a escala.

Chegaram então à minha memória diversas citações bíblicas sobre o amor, e o Amor de Deus em particular, e a sua operação no coração de todos os seres humanos, mesmo os que dizem não possuir o dom da fé. Deixo-vos com o capítulo 13 da Primeira Epístola de Paulo aos cristãos de Corinto. O tema é a suprema excelência do Amor:

1-Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

2- E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

3- E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

4- O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, näo se ensoberbece.

5- Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

6- Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

7 -Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

8- O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

9 -Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

10 -Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

11- Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

12- Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face;

agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

13 -Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Utopia de Deus, dirão uns. Loucura dos homens, dirão outros.

Digamos nós o que dissermos, Só o Amor edifica, só ele produz resultados no coração dos homens.

Só a Cardiologia de Deus faz vacilar e recuar crises!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ciência e Fé - Uma só Saida !

"...Pessoalmente, a verdade é que quanto mais me interesso por ciência, mais me aproximo de Deus e dos seus insondáveis mistérios criativos."

A abordagem do assunto, com o tópico citado acima, leva-me a alguns comentários acerca do tema.

Sempre me interessou a relação entre o conhecimento cientifico e a fé. Seja no campo das ciências mais avançadas, em que se conseguiu atingir um grau descritivo elevado, seja para as ciências mais rudimentares e experimentais, como é o caso da medicina.

A capacidade regenerativa de um corpo vivo, para poder suportar uma intervenção cirúrgica intrusiva e destrutiva, por exemplo, é admirável. Apesar do grande estrago, na maior parte dos casos, o resultado final acaba por ser positivo.

Quanto a mim, muitas das descobertas científicas são iluminações divinas de algumas mentes brilhantes que tiveram capacidade de as desenvolver e partilhar. No entanto, existem muitas outras descobertas que não derivam directamente de um trabalho sistemático e lógico, antes são iluminações pontuais de quem se dedica à pesquisa científica.

Quem desenvolveu as leis pelas quais se regem os campos electromagnéticos e luminosos, foi um cientista que viveu no século XIX, James Maxwell, quando o conhecimento da electricidade era praticamente inexistente. As leis que ele descreveu e que não são nada fáceis de perceber, ainda hoje são a base de todos os equipamentos electromagnéticos e mesmo dos novos desenvolvimentos como os de Laser.

Antes Maxwell existiu outro cientista, de uma dimensão próxima, que trabalhou na mesma área e que estabeleceu as bases que depois foram desenvolvidas por Maxwell. Esse começou a falar da electricidade ainda no sec XVIII. Trata-se de Faraday, que descobriu os princípios que permitiram a construção do dínamo. Ele fez alguns desenvolvimentos sobre baterias que, na altura, era a única forma de produzir electricidade. Sobre Faraday, temos algum conhecimento, interessante, acerca da sua fé. ( ler em inglês aqui )

Tanto Faraday como Maxwell foram os inspiradores de Einstein. Apesar dos seus estudos estarem relacionados, as descobertas de Einstein foram-lhe laterais. Um dos grandes temas actuais de pesquisa continua a ser a descoberta da relação entre as equações de Maxwell e de Einstein, ou seja: a relação entre as forças fortes e fracas (fisica atómica e física cósmica). Essa é uma das razões para a construção dos grandes aceleradores de partículas, como é o caso do CERN, na fronteira Suiça. Quando se atingir este objectivo o conhecimento científico vai dar um salto significativo, reformulando muitas dos conceitos clássicos acerca da relação tempo/espaço.

Na realidade Einstein já demonstrou que o nosso conceito de tempo e espaço deriva directamente da nossa limitação física, mas que não é imutável no universo. O que nós vemos e observamos está medido em relação ao nosso referencial. Os mesmos eventos observados de outro referencial acontecem em dimensões de espaço e tempo diferentes.

Todas estas "iluminações" têm sido distribuídas por crentes e não crentes, sendo que cada um tem reacções diferentes quando se vê confrontado com tais descobertas.

Quem se confronta com a mensagem, obra ou criação de Deus, não fica indiferente. Acontece que alguns, face às descobertas fascinantes proporcionadas pelo conhecimento científico, apropriam-se desses factos sem se aperceberem de que são "descobertas" muito pequenas face à dimensão da “engrenagem” que os trancende e que desconhecem.

Na Bíblia há uma ilustração interessante e que, apesar de não estar directamente relacionada, deixa perceber a reacção do homem. Quando os magos e Herodes foram confrontados com a mesma mensagem tiveram reacções opostas, sendo que Herodes, acreditando nas profecias bíblicas, ousou arriscar todo o seu poder para subverter o plano de Deus. A avaliar por esta ilustração, a questão principal não está em separar quem crê de quem não crê, mas quem aceita e obedece de forma solícita, face aos que se apropriam da Mensagem Divina para prosseguir os seus próprios interesses.

Sem dúvida que Herodes era um crente!

Mesmo depois de toda a destruição porque Israel tem passado, grande parte dos monumentos que subsistem, são Herodianos. Alguns destes, os mais simbólicos, como Massada e Cesareia, ou mesmo algumas ruínas em Jerusalém, como provavelmente é o caso do muro das lamentações, são legados Herodianos. Estes monumentos subsistiram a toda a destruição para que não se esqueça um crente convicto nas profecias, sim, mas muito mais nele próprio...

Por Joel Teixeira

A Negação da Morte

Entrei num tribunal e divorciei-me da Igreja Católica. É isso que você tem que fazer se for alemão e quiser deixar a igreja.

Eu esperava que o papa me segurasse. Eu esperava que me dissesse que nunca deveria ter acontecido. Esperava que ele corrigisse o seu erro. Mas ele deixou-me à espera.

Quando ouvi falar pela primeira vez que o papa tinha aceitado de volta à Igreja um bispo excomungado que negava o Holocausto, não acreditei. Achei que a verdade provavelmente era mais complexa.

Eu respeitei o papa Bento XVI . Por mais que discordasse dele em muitas questões, admirava a sua inteligência. Como alemão, sentia um certo orgulho por este homem, grande e humilde pensador, se tornado tornar líder da igreja à qual eu pertencia.

Depois, ele perdeu-me. O bispo absolvido, Richard Williamson, era um famoso defensor da inexistência do Holocausto.

Semanas antes, Williamson tinha dado uma entrevista a um repórter da televisão sueca, na Alemanha. Por incrível que pareça, onde ele repetiria a sua negação do Holocausto.

Confrontado pelo repórter com a sua declaração, de que nem um único judeu tinha morrido numa câmara de gás, que era tudo "mentira, mentira, mentira", Williamson pensou por um momento: bem vestido com uma túnica preta, com uma grande cruz no pescoço, ele assentiu que sim com a cabeça e expôs, numa voz suave, de avô, aquilo em que acredita: "Acredito que não houve câmara de gás", disse ele.

Sabendo que negar o Holocausto é considerado um crime na Alemanha, Williamson olhou por cima do ombro como se quisesse assegurar-se de que ninguém o estava a ouvir: "Você poderia ter-me metido na prisão antes que eu tivesse tempo de deixar a Alemanha", disse ele, e sorriu.

Este é um homem que, após ser excomungado por um papa há mais de vinte anos, foi reconsagrado como bispo da Igreja Católica por um papa alemão que esteve em Auschwitz.

Depois de dias de silêncio insuportável e revolta em torno do mundo, Bento XVII finalmente falou, e foi nessa altura que ele me perdeu. De facto, ele não falou. O Vaticano emitiu uma declaração exigindo que Williamson "se demarcasse da sua posição sobre o Shoah."

Olhei para essas palavras e perguntei-me porquê, aos olhos do Vaticano, negar o Holocausto era "uma posição". Eu perguntei-me porque é que um bispo que negava o Holocausto precisava apenas "demarcar-se" das suas palavras para permanecer como bispo.

Não consegui entender porque é que Bento XVI não dissociou a Igreja Católica de Williamson da mesma forma que se associou a ele, com uma penada. Então, eu demarquei-me do papa.

Eu sei que eu deveria ter ido falar com o padre que celebrou o meu casamento, há apenas um ano. Nós escolhemos a sua igreja quando soubemos que o seu secretário havia escondido judeus na cave durante o nazismo. Eu suspeito que o padre me teria pedido para não o punir pelos erros do papa. Mas eu estava cansado. Peguei na minha certidão de casamento e fui para a justiça. Há muitas questões na Igreja Católica que eu gostaria de discutir: gostaria de discutir quais os papéis que as mulheres podem desempenhar? Porque é que usar preservativo para prevenir a Sida é um pecado? Porque é que a Igreja Católica não considera a Igreja Protestante como Igreja? Mas há certas questões que eu não quero discutir. Eu não quero discutir se Hitler tinha um lado agradável. Eu não quero discutir se o Holocausto realmente aconteceu. Sou neto de dois homens muito diferentes. Um veio de uma família que hasteou a bandeira da suástica no prédio mais alto da minha cidade natal. O outro era um alfaiate que secretamente costurava fatos para judeus. Ambos desapareceram nas trincheiras da Segunda Guerra Mundial. Talvez por isso eu seja sensível a discutir o Holocausto. Parte da minha família tem sangue nas mãos, e a parte que não tem também foi morta.

Eu lembro-me do dia, em 2005, em que Joseph Ratzinger, inesperadamente se tornou o papa Bento XVI.

Foi no mesmo ano em que, pela primeira vez, uma mulher se tornou líder do meu país. Mas não apenas isso; ela era filha de um pastor protestante que se tinha mudado da Alemanha Ocidental para a Oriental recusando-se a ser intimidado por um governo comunista que desprezava a fé tanto quanto o capitalismo. Foi um belo ano para um alemão.

O papa não é anti-semita e nunca falou sobre o anti-semitismo. Entretanto, prefere omitir-se numa altura em que deveria falar sobre este problema e, essa, para mim, não é uma opção para um papa alemão face ao anti-semitismo. Talvez eu o esteja a julgar muito duramente. Espero que sim. Essa é a beleza de ter nascido num país com um passado nazi. Posso exigir dele um padrão mais elevado.

Por Mario Kaiser , jornalista em Berlim.

Tradução de Deborah Weinberg

In Uol Notícias Via Práxis Cristã

Adaptado ao português usado em Portugal por Ab-Integro

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Espiritualidade e Sexualidade

Simone Weil é uma intelectual francesa da maior importância neste século. Ela converteu-se ao cristianismo. Uma citação do seu pensamento que gostaria de fazer é:

“Ao homem foi dada uma divindade imaginária, para que ele se desprenda dela, da mesma maneira que Cristo se despojou de uma divindade real.”

Trata-se de um comentário de Fp. 2.5-11, onde o apóstolo Paulo comenta o movimento de Cristo de abandonar toda a glória da sua divindade para se tornar servo, servo mesmo face à possibilidade da morte. Não possuímos nenhuma divindade real, apenas imaginária. Contudo estamos firmemente ligados a esta divindade imaginária. Sentimos que os nossos desejos, necessidades e sonhos são o centro. Mais que isto, estamos de tal forma encapsulados nesta visão, digamos narcísica, que não podemos realmente reconhecer o desejo e o sonho de qualquer outro. Nutrimo-nos e sentimos omnipotência como se realmente pudéssemos controlar o destino e as nossas principais relações. Não podemos.

O caminho proposto por Simone Weil é o do arrependimento desta pretensão. É suportar a dor de se saber finito, mortal, apenas humano. O verdadeiro louvor pressupõe esta renúncia de qualquer omnipotência. Quando cultuo a Deus, quando digo que ele é Deus verdadeiro, fica implicado que eu não sou Deus. Louvar significa reconhecer que eu sou apenas homem ou mulher. Li um poema simples de Violeta Caballero que coloca, com enorme delicadeza, estas verdades:

Tu não forças a uma flor que se abra.

A flor a abre Deus.

Tu plantas, regas e a guardas.

O demais faz Deus.

Tu não obrigas a que a alma creia.

A fé a dá Deus.

Tu oras, trabalhas, confias e esperas.

O demais faz Deus.

Tu não obrigas a um amigo que te ame.

O amor o dá Deus.

Tu serves, ajudas, em ti a amizade arde.

O demais faz Deus.

Não quero falar de modo apenas teórico. Quero falar em experiência real. Para que haja encontro com Deus (espiritualidade) e para que haja encontro amoroso (sexualidade) é necessário despir-mo-nos das nossas fantasias de omnipotência e controlo e entregar-mo-nos à experiência do encontro como tal. Isto é fé, o contrário de tentar - o que é inútil, controlar a acção de Deus e do próximo.

A devoção e o romance podem ser facilmente comparados a uma dança. É necessário aprender a dançar, o que inclui a aprendizagem para se deixar levar. A pessoa dispõe-se para o encontro, abre-se para ele. Já não tenta controlar mas entrega-se ao ritmo e melodia da música. Na devoção a pessoa afina os ritmos da sua respiração com os ritmos divinos. No amor também.

No livro de Cantares o tema da espiritualidade e da sexualidade estão presentes e reunidos. Na verdade o encontro humano é metáfora do encontro com Deus. O que me surpreende muitíssimo é que o poema - veja, trata-se de um poema, não teoriza sobre os temas, mas convida, pelos seus movimentos internos, ao amor e à devoção. Teorizar sobre o encontro com Deus e com o próximo é criar resistências para a vivência do encontro real. É necessário despir-mo-nos das fantasias que temos, não apenas de nós mesmos (fantasias de omnipotência e controlo), mas despir-mo-nos das fantasias que temos sobre os outros e sobre Deus. Ir para o encontro para nos surpreendermos, e conhecer-mo-nos, e deixar-mo-nos transformar pelo novo.

Transmito-lhe o convite de amor e fé do livro de Cantares.

Fonte: Carlos Hernandez, CPPC via “Igreja do Jubileu”

Adaptado ao português usado em Portugal por Ab-Integro

Bíblia Ambientalista

Para adaptar a Bíblia ao gosto dos ambientalistas, a editora americana HarperCollins acaba de lançar a “Bíblia Verde”, para ajudar os cristãos a entenderem a mensagem ambientalista da Bíblia.

O livro, feito com 10 por cento de papel reciclado e impresso em tinta verde, apresenta, realçadas em cor verde, as passagens que falam do dever de se cuidar da terra. O site da editora afirma que a Bíblia Verde “equipará e incentivará as pessoas a verem a visão de Deus acerca da criação e as ajudará a se envolver na cura e manutenção da terra”.

A Bíblia Verde contém 1.000 referências à terra — em comparação com apenas 530 referências ao amor e 490 ao céu.

“A Bíblia Verde” usa comentários de São Francisco de Assis, Papa João Paulo II e do ultra-liberal bispo anglicano Desmond Tutu, que apoia o “casamento” entre homossexuais. Foram impressos mais de 37.000 exemplares — e os primeiros 25.000 foram totalmente vendidos em poucas semanas.

Além da “Bíblia Verde”, a HarperCollins publica os livros “Bíblia Satânica” e “Rituais Satânicos”, escritos por Anton La Vey, conhecido como o “Papa Negro” do satanismo.

A HarperCollins é dona da editora evangélica americana Zondervan, que durante muitos anos foi dona da Editora Vida no Brasil.

In “O Verbo” via “ADONAINEWS”

O mínimo que se pode dizer da HarperCollins é que é uma editora muito pragmática… sem dúvida, capaz do melhor e do pior…

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cem Anos de Fundamentos

Firmeza nas mesmas Coisas O meio ambiente religioso de Filipos da Macedónia era propenso aos sincretismos. Foi terreno fértil tanto para os cultos de Ísis e Artémis, como para os cultos greco-romanos, até o culto inelutável de uma religião imperial. O conhecimento do judaísmo helenizado também não seria esquecido. A própria magia corria pelos dedos dos filipenses como rios de dinheiro, o uso mercantilista dos espíritos demoníacos. Foi neste contexto que Paulo chegou a Filipos e fundou uma igreja cristã, pela qual passou a sentir grande afecto. Como o apóstolo Paulo nunca foi um produto da assimilação das opiniões que corriam nos seus dias, em certo sentido, diríamos que foi líder de opinião. Fosse qual fosse o território onde as suas viagens missionárias o levassem, a aplicação da Verdade do Evangelho, da ética e da moral cristãs, a Salvação do homem e a Vida Eterna deste como retribuição futura, consistia no seu primordial objectivo. Onde Paulo chegava, contra o monte Párnaso, ou o altar ao «deus desconhecido», ou mesmo os judaísmos voltados para o monte de Jerusalém, ele contra tudo isso, levantava o Gólgota, que era também a contra-cultura do seu tempo. E, na verdade, de todos os tempos. Pela causa de Cristo crucificado, Paulo envolveu e conquistou a Macedónia. Como aos atenienses divulgou a infinitude e a glória do «deus desconhecido», que os gregos supunham brindar com a «santa» ignorância, aos macedónios filipenses ensinou que o verdadeiro «Deus Altíssimo» não ficava como refém de uma simples frase de uma mera adivinhadora. Sim, porque às vezes é preciso que se saiba quem é o Deus Altíssimo e o que significa nos lábios de quem o pronuncia (At 16,17; Lc 8,28), seja através das «pedras» que falam quando os homens se calam ou seja através de uma jovem endemoninhada. Contextualizações para valorizar a firmeza No meio dos ataques do sincretismo religioso, das políticas anti-tudo que viesse da Judeia, da legislação em vigor nas colónias greco-asiáticas do Império Romano acerca de actividades religiosas prosélitas, o autor da epístola aos Filipenses propugnava pela firmeza dos crentes da Igreja, na Macedónia. «Abundância na caridade, na ciência e no conhecimento», «aprovação das coisas excelentes», «cheios de frutos de justiça», são alguns dos pontos iniciais que Paulo desejava e nos quais os cristãos filipenses deveriam abundar (1,9-11) com firmeza. Com efeito, pontos fortes indubitavelmente contra os sincretismos para aqueles dias e para hoje também. Cem anos de Fundamentos Pensamos que no século XXI os sincretismos tomaram forma avassaladora como produtos do chamado pós-modernismo relativamente às religiões e aos valores, até mesmo sob a forma do profetizado Choque de Civilizações ( do recentemente falecido prof. Samuel Huntington), contudo os avisos sobre os sincretismos religiosos começaram cedo nos inícios do passado século XX. A primeira e prevalecente «civlização», segundo a leitura do autor supracitado, foi sem dúvida a Ocidental. Nem se podia falar nessa altura de um «choque», o Ocidente começava a instalar-se sobre todas as demais: latino-americana, islâmica, chinesa, hinduísta ou mesmo africana, etc. O Ocidente prevalecia também definido em torno de uma religião, o Cristianismo. Em 1909, há exactamente cem anos, «Deus levou dois Cristãos leigos, Lyman e Milton Stewart, a comprometerem-se com os gastos da publicação de uma série de doze volmes que deveriam apresentar os fundamentos da fé cristã.»( Os Fundamentos, R.A.Torrey, Hagnos, 2005) Os referidos magnatas do petróleo californiano, dispuseram a sua fortuna para espalhar os Fundamentos. As suas doutrinas foram e continuam a ser fundamentais na Fé Cristã, aqui algumas em síntese: Bíblia Sagrada, no seu conteúdo espiritual e na sua estrutura literária, veículo para conhecer os fundamentos da humanidade, Palavra de Deus para a Salvação, para a Moral e a Ética do criatura humana. Deus, Pai Criador, omnipotente, omnisciente e omnipresente no Universo. Deus em Cristo. O Deus-Homem, o nascimento virginal de Jesus Cristo e a Sua ressurreição corporal dentre os mortos. Espírito Santo, Pessoa divina que intervém no confronto do coração humano com a necessidade de Salvação que Deus-Homem trouxe à humanidade, a Redenção por causa do Pecado. Vida Eterna como retribuição futura do crente. Então, era preciso combater as incursões do liberalismo. As armas práticas foram remetidas «gratuitamente a ministros do evangelho, missionários, supervisores da escola dominical». Sabe-se hoje que três milhões de volumes foram então distribuídos, ainda que exclusivamente no mundo anglo-saxónico. Nesse momento da história em que a conjugação do chronos e kairos se realizaram felizmente como tempo e oportunidade, o Fundamentalismo tornou-se um enorme e inexpugnável «Pártenon» doutrinário.

João T. Parreira In "Papéis na Gaveta"

No templo Ele encontrou os homens vendendo bois, ovelhas e lágrimas e o brilho súbito das pombas aqueles que trocavam perdão à cotação do dia.

João Tomaz Parreira In "Poeta Salutor"

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Evolucionismo, Criacionismo e Escola

Com a celebração dos duzentos anos do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação de sua obra “A Origem das Espécies”, o debate criacionismo versus evolucionismo voltou a ocupar amplos espaços na imprensa, quase sempre marcado pela falta de imparcialidade e uma boa dose de sensacionalismo. O legado da Idade Contemporânea inclui uma forte herança do cientificismo, ou cienticismo, sistematizado no Positivismo de Augusto Comte (a teologia e a filosofia como fases “inferiores” do saber versus a fase “superior” da ciência), que influenciou várias teorias, inclusive o marxismo.

Há uma amnésia histórica em relação ao facto de que todas as universidades do mundo, desde os seus primórdios do século 9 ao século 19 (cuja excepção foi a Escola Politécnica de Paris, fundada por Napoleão), foram criadas pelas instituições religiosas com a presença curricular da teologia, da filosofia e das ciências (da natureza, sociais e as ditas exactas). Enquanto vivemos hoje sob um novo surto de secularismo (pseudolaicismo) que quer empurrar a religião para fora da esfera pública (política, academia), restringindo-a ao subjectivismo individual e ao espaço fechado dos lares e dos templos, vamos testemunhando uma nova valorização da multidisciplinaridade e da interdisciplinaridade (quebrando do departamentalismo estanque), a revalorização do saber teológico e filosófico, e a compreensão dos seres humanos como além-cerebrais, e que o conhecimento inclui o afectivo, o erótico, o místico, o estético etc., e não somente o racional e o sistemático-verificacional.

O mundo do saber deve ser eminentemente plural. Em cada disciplina há diversidade de escolas e teorias, nenhuma sendo monolítica, e, muito menos, estática, pois todo o saber tem um quê de provisoriedade. A liberdade de cátedra, com espaço para a exposição e a crítica, para novas sínteses e novas propostas, é uma marca central da vida académica. Na história do debate entre criacionismo e evolucionismo, tivemos entre judeus e cristãos propostas de evolucionismos teístas e de criacionismos evolutivos, como Telhard Chardin (entre os católicos romanos) e Bernard Ramm (entre os protestantes).

Enquanto se criticam alguns fundamentalistas norte-americanos por serem contrários à inclusão do evolucionismo nas escolas públicas daquele país, no Brasil (e em outros países), são os evolucionistas que de forma arrogante, intolerante e dogmática lutam para proibir, de forma absoluta, a presença do ensino criacionismo nas nossas escolas. É a mesma atitude, com sinais trocados.

Não se pode negar que o evolucionismo teve rebatimentos além da biologia, com pensadores no campo sociológico e político defendendo um “darwinismo social” (a sobrevivência dos mais fortes e mais aptos). Com a ausência da intervenção divina e da revelação, resulta num relativismo moral, com a dificuldade para se condenar a delinquência.

Os evolucionistas precisam, urgentemente, de um choque de humildade, permitindo uma crítica aos seus postulados na sala de aula. Precisam recuperar o valor concreto da liberdade académica, e, mais ainda, o respeito a docentes e alunos na sua capacidade de investigar, discernir e escolher.

Nós, os retrógrados religiosos, apenas exercemos a nossa cidadania, os nossos direitos humanos e a nossa defesa da liberdade de expressão e do retorno da universidade à proposta original que motivou a sua criação por homens e mulheres de fé.

In Editora Ultimato por Robinson Cavalcanti* via Práxis Cristã

*Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política -- teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo - desafios a uma fé engajada.