A distância que você consegue percorrer na vida depende da sua ternura para com os jovens, compaixão pelos idosos, solidariedade com os esforçados e tolerância para com os fracos e os fortes, porque chegará o dia em que você terá sido todos eles.
Calcorreamos calçadas de Belmonte como quem perpassa história que toca o divino.
Percebemos o particular, mas confunde-nos o geral.
Belmonte, terra de Cabral, descobridor do Brasil, é um nome bonito para uma vila beirã, plena de história e de estórias, por certo, neste meus país, onde a geografia nos parece confusa, já que algumas vezes subverte a meteorologia, fazendo-se banhar com a solar estrela e remetendo para o litoral sul uma neblina mais própria das fraldas da serra que bordejámos.
Belmonte encanta-nos e prende-nos com o seu percurso de tolerância humanista e religiosa, que notamos a cada esquina , visivel nas muitas capelas católicas, alguns painéis de azulejos nas frontarias das casas, ou até nos cemitérios em que paredes comuns separam a fé dos que ali tiveram derradeira morada terrena. Catolicismo e Judaísmos partilhando em Belmonte ventos e paisagem, de serena grandeza, estes, lavando-nos, por momentos breves, o físico e a alma.
Insinua-se a sinagoga judaica, pequena, é verdade, quando comparada com os restantes templos, mas incrustada na alma da explendidamente bem conservada, e habitada, judiaria, que assiste, viva, aos ritos mosaicos, em cada desenrolar da velha Tora, pelo rabino de serviço a cada sábado, desafiando o tempo mas também as réplicas duma religião que nos transmite imagens duma outra fé letárgica...que teima em ferir a visão triunfante do Cristo Ressurecto. Percebemos ambos os ritos e suspeitamos dos dois e da sua missão de reconciliação do homem com Deus. Se ao menos reconciliassem a consciência humana, de uns e de outros, uns com os outros... Mas nem isso!!
Belmonte possui uma pequena mas desenvolta comunidade judaica que espera o seu messias, sem atender à história, aos relatos bíblicos ou às vozes que maioritariamente a rodeiam ( um caso de manifesta cegueira espiritual ), às quais, por outro lado, pelos vistos, o Messias “não resolveu” a questão da Salvação individual, quando expirou na cruz e ressuscitou ao 3º dia; a fazer fé, pelo menos, na velha, que, qual corvo devorador de cabalas, nos aborda, desafiando-nos a visitar a "sua senhora" ( quiçá temendoa forte procura das referências judaicas de Belmonte pelos turistas passantes ), recuando abruptamente, maldizendo-nos, quando lhe falámos do Cristo que morrera e ressuscitara, também por ela, também para ela, tal como por todos e para todos os judeus, incluindo os que integram a pequena comunidade de Belmonte.
Choca-nos a realidade histórica de Belmonte.Parecendo de tolerância, manifesta ela própria, nos memoriais existentes, as evidências do que também por ali sofreram cripto-judeus a quem não bastou o batismo/conversão cristã forçados para escapar das garras do santo ofício.
Os corvos sempre existirão à espera de um qualquer “banquete” de intolerância, mesmo que , em geral , tudo à nossa volta nos queira indicar que reinam beleza natural e convivência pacífica de ícones religiosos .
Belmonte é bonita, sim, mais as suas vertentes de verde embutido nos sopés dos montes fronteiros . E nós toleramos até os “corvos” que, pese embora,ainda por lá se sastifariam nos restos de um qualquer auto de fé, assim ele tivesse lugar.
Que Belmonte continue a ser, neste Portugal de brandos costumes, um lugar cimeiro de diálogo inter-religioso, e um referencialde tolerância numa velha europa mal resolvida nas questões da dimensão ética das fés que a enformam. Deus não se impõe, apenas propõe!
Corvos, sempre os teremos a sobrevoar a Paz provida de Tolerância, na expectativa de ocasional festim, mesmo se lhe for dada designação cristã.
Depois de verificarem as medições do ozono na estratosfera (alta camada da atmosfera) feitas no final dos anos 70 pelos satélites (davam níveis muito baixos sobre a Antárctida), os cientistas perceberam que os satélites não estavam errados. Havia mesmo um buraco no ozono sobre o Pólo Sul da Terra.
Dado o alerta em 1980, e percebida a origem do problema - a culpa era dos clorofluorcarbonetos, ou CFC, gás então muito utilizado em sistemas de refrigeração ou em sprays -, 193 países mobilizaram-se para resolver o problema. Num protocolo firmado em Montreal, no Canadá, em 1989, foi decidido que os CFC seriam banidos.
A camada de ozono estratosférico que protege a Terra, e a vida que ela alberga, das radiações solares mais perigosas, foi-se restabelecendo. E se isso não tivesse acontecido?
Uma equipa da NASA, coordenada pelo investigador Paul Newman, do centro espacial de voo Goddard, decidiu responder à pergunta, fazendo simulações. Vamos, por exemplo, até 2065, seguindo os passos da equipa da NASA. Sem o esforço que foi feito, dois terços do ozono estratosférico teriam desaparecido por essa altura. Nas cidades de latitudes médias, como Lisboa, as radiações ultravioletas seriam tão fortes que apenas cinco minutos de exposição solar resultariam em queimaduras. Os efeitos mutagénicos destas radiações teriam aumentado 650 por cento, com efeitos negativos em plantas e animais.
A simulação deste mundo em que a camada protectora de ozono seria progressivamente destruída, levou meses a ser processada em computador. A equipa utilizou um modelo de circulação atmosférica que inclui a possibilidade de variação na energia solar, nas reacções químicas atmosféricas, nas temperaturas e ventos e ainda noutros elementos que influenciam a mudança no clima. As perdas no ozono, por exemplo, infuenciam a temperatura em diferentes zonas da atmosfera e essas mudanças, por seu turno, promovem ou impedem determinadas reacções químicas. Os investigadores fizeram "experiências" com diferentes níveis de emissões de CFC para a atmosfera. Com mais três por cento ao ano, em 2020, 17 por cento do ozono teria desaparecido.