terça-feira, 24 de março de 2009

Marx Contra Marx

Foi no contexto da queda do muro de Berlim, em 1989, que F. Fukuyama publicou, em 1992, a obra famosa O Fim da História, segundo a qual, depois do fim da União Soviética e a libertação dos países satélites, por causa da falência do comunismo, a democracia liberal e a economia de mercado se imporiam por si ao mundo inteiro. Mas, em 2008, outro politólogo americano, R. Kagan, escreveu também um livro, mas com o título: O Regresso da História e o Fim dos Sonhos.

Fukuyama enganou-se. O fim da História não se impôs com a democracia e a economia de mercado. O terrorismo global é ameaça constante. "No domínio da economia, não vivemos propriamente a difusão do bem-estar geral; pelo contrário, o abismo entre ricos e pobres no mundo é mais fundo do que nunca", escreve Reinhard Marx, arcebispo de Munique e autor do best- seller com o mesmo título do do seu homónimo: Das Kapital (O Capital). Mil milhões de pessoas dispõem de apenas um dólar por dia. Mais de 850 milhões passam fome. Morrem por dia umas 24 mil em consequência da subnutrição.

Há quem pense que Karl Marx tinha razão. Reinhard Marx, porém, reconhece que o capitalismo está hoje sob pressão de justificação, mas recusa o marxismo. De facto, a História mostrou-nos como foi terrífica a Revolução de Outubro de 1917, ao mergulhar muitos milhões de pessoas na noite mais escura. "Isso nunca mais se pode repetir."

Então, quando se considera a presente crise, de consequências imprevisíveis, se se quiser evitar a tentação marxista e as barricadas da revolução, não se pode continuar a caminhar no sentido da absolutização do capital e dos seus interesses. "Eu defendo a propriedade e os direitos dos proprietários", mas o capital não pode ser o bezerro de ouro à volta do qual todos dançam. "O trabalho e os trabalhadores têm primazia sobre o capital." A dignidade da pessoa humana tem de ocupar o lugar central. A economia não é fim em si mesma, pois tem de estar ao serviço das pessoas.(…)

Por Anselmo Borges In Diário de Notícias de 07 de Fevereiro de 2009

Versão Integral do texto. Ler Aqui

No Rasto de Cristóvão Colombo

Tripulação de Colombo revela pistas do passado

Um cemitério espanhol de 1494 está a mudar as ideias sobre a colonização da América.

A análise de restos mortais de membros da tripulação de Cristóvão Colombo está a surpreender os arqueólogos e antropólogos que desenterraram um cemitério espanhol em La Isabela, na Ilha de Hispaniola, actualmente na República Dominicana.

La Isabela, o local da escavação, foi fundado por Colombo na sua viagem para as Américas, em 1493-94, e os peritos pensam que a colónia tinha certa dimensão, pois incluía edifícios públicos, uma igreja e fortificações.

A análise de 20 esqueletos permitiu detectar mulheres e crianças índias, que viviam com os colonos, bem como o que parece ser um indivíduo africano, o que, a confirmar-se, altera ideias anteriores, pois os negros chegariam à América décadas depois, como escravos.

O estudo dos dentes permitiu detectar pistas sobre a dieta destas pessoas, nomeadamente durante a sua infância. Uma das esperanças dos arqueólogos será a de identificar alguns indivíduos ali enterrados, nomeadamente os marinheiros que partiram de Sevilha.

Todos os indivíduos tinham sinais de malnutrição e alguns deles sofreram os efeitos do escorbuto.

In Diário de Notícias de 23 de Março de 2009

A Luta e o Trabalho

Nenhuma tarefa pode ser realizada sem luta. O cristão precisa tanto da sua espada quanto da sua colher de pedreiro.

William Gurnall

Via Frases Protestantes

Caminhos Paralelos

Eclesiastes Revisitado

A distância que você consegue percorrer na vida depende da sua ternura para com os jovens, compaixão pelos idosos, solidariedade com os esforçados e tolerância para com os fracos e os fortes, porque chegará o dia em que você terá sido todos eles.

Atribuído a George Washington

fonte: Volney Faustini

Via Blogue de Laion Monteiro

segunda-feira, 23 de março de 2009

Belmonte, Portugal, Terra de Cabral.

Belmonte, Portugal, 22 de Março de 2009

Calcorreamos calçadas de Belmonte como quem perpassa história que toca o divino.

Percebemos o particular, mas confunde-nos o geral.

Belmonte, terra de Cabral, descobridor do Brasil, é um nome bonito para uma vila beirã, plena de história e de estórias, por certo, neste meus país, onde a geografia nos parece confusa, já que algumas vezes subverte a meteorologia, fazendo-se banhar com a solar estrela e remetendo para o litoral sul uma neblina mais própria das fraldas da serra que bordejámos.

Belmonte encanta-nos e prende-nos com o seu percurso de tolerância humanista e religiosa, que notamos a cada esquina , visivel nas muitas capelas católicas, alguns painéis de azulejos nas frontarias das casas, ou até nos cemitérios em que paredes comuns separam a fé dos que ali tiveram derradeira morada terrena. Catolicismo e Judaísmos partilhando em Belmonte ventos e paisagem, de serena grandeza, estes, lavando-nos, por momentos breves, o físico e a alma.

Insinua-se a sinagoga judaica, pequena, é verdade, quando comparada com os restantes templos, mas incrustada na alma da explendidamente bem conservada, e habitada, judiaria, que assiste, viva, aos ritos mosaicos, em cada desenrolar da velha Tora, pelo rabino de serviço a cada sábado, desafiando o tempo mas também as réplicas duma religião que nos transmite imagens duma outra fé letárgica...que teima em ferir a visão triunfante do Cristo Ressurecto. Percebemos ambos os ritos e suspeitamos dos dois e da sua missão de reconciliação do homem com Deus. Se ao menos reconciliassem a consciência humana, de uns e de outros, uns com os outros... Mas nem isso!!

Belmonte possui uma pequena mas desenvolta comunidade judaica que espera o seu messias, sem atender à história, aos relatos bíblicos ou às vozes que maioritariamente a rodeiam ( um caso de manifesta cegueira espiritual ), às quais, por outro lado, pelos vistos, o Messias “não resolveu” a questão da Salvação individual, quando expirou na cruz e ressuscitou ao 3º dia; a fazer fé, pelo menos, na velha, que, qual corvo devorador de cabalas, nos aborda, desafiando-nos a visitar a "sua senhora" ( quiçá temendo a forte procura das referências judaicas de Belmonte pelos turistas passantes ), recuando abruptamente, maldizendo-nos, quando lhe falámos do Cristo que morrera e ressuscitara, também por ela, também para ela, tal como por todos e para todos os judeus, incluindo os que integram a pequena comunidade de Belmonte.

Choca-nos a realidade histórica de Belmonte. Parecendo de tolerância, manifesta ela própria, nos memoriais existentes, as evidências do que também por ali sofreram cripto-judeus a quem não bastou o batismo/conversão cristã forçados para escapar das garras do santo ofício.

Os corvos sempre existirão à espera de um qualquer “banquete” de intolerância, mesmo que , em geral , tudo à nossa volta nos queira indicar que reinam beleza natural e convivência pacífica de ícones religiosos .

Belmonte é bonita, sim, mais as suas vertentes de verde embutido nos sopés dos montes fronteiros . E nós toleramos até os “corvos” que, pese embora, ainda por lá se sastifariam nos restos de um qualquer auto de fé, assim ele tivesse lugar.

Que Belmonte continue a ser, neste Portugal de brandos costumes, um lugar cimeiro de diálogo inter-religioso, e um referencial de tolerância numa velha europa mal resolvida nas questões da dimensão ética das fés que a enformam. Deus não se impõe, apenas propõe!

Corvos, sempre os teremos a sobrevoar a Paz provida de Tolerância, na expectativa de ocasional festim, mesmo se lhe for dada designação cristã.