Ao comparar as diferentes cópias do texto da Bíblia entre si e com os originais disponíveis, menos de 1% do texto apresentou dúvidas ou variações, portanto, 99% do texto da Bíblia é puro. Vale lembrar que o mesmo método (crítica textual) é usado para avaliar outros documentos históricos, como a Ilíada de Homero, por exemplo.
A Bíblia é o livro mais vendido do mundo. Estima-se que foram vendidos 11 milhões de exemplares na versão integral, 12 milhões de Novos Testamentos e ainda 400 milhões de brochuras com extractos dos textos originais.
Foi a primeira obra impressa por Gutenberg, no seu recém inventado prelo manual, que dispensava as cópias manuscritas.
A Semana passada, neste espaço, publiquei um texto jogando a toalha, desistindo. As reações foram muitas e variadas. Alguns desistindo junto comigo e outros tentando me animar, para que eu não desistisse.
O fato é que eu desisti de algo que não vale a pena, que é tentar agradar a quem nunca está satisfeito. Eu sei, o título é forte, conjugar o verbo desistir implica em ausência de esperança, falta de fé, desânimo, fraqueza talvez. Mas para desistir de algumas coisas é necessário ter muita coragem, fé, ânimo e esperança. Desistir da maldade e da mentira, por exemplo, requer forte determinação. Desistir de ser desonesto, também, requer muita coragem.
Quando você decide caminhar ao lado de Jesus tem que desistir de várias coisas. Desistir da injustiça, do egoísmo, do apego aos bens materiais, da ganância, do ódio. Também é necessário desistir da hipocrisia, aquela velha capacidade que as pessoas têm para aparentar piedade, mas interiormente ser outra coisa. Eu, de minha parte, estou tentando desistir de tudo isso.
Há outras coisas das quais não se pode desistir, pelo contrário, é necessário abraçar, insistir, investir. Não desisto do Evangelho de Jesus Cristo, estou cada vez mais encantado, mais fascinado pela excelência da mensagem cristã. Abracei esta mensagem e bem sei que quem coloca a mão no arado e olha para trás é indigno. Não desisto, quero ir adiante, prosseguindo, descobrindo mais coisas sobre Deus, de quem sei tão pouco, e sobre a fantástica aventura de viver tendo no olhar a esperança de ver o Reino de Deus estabelecido.
Não desisto da igreja, essa comunidade de pessoas que, juntas, servem a Deus e tentam viver inspiradas no modelo e na mensagem de Jesus. Essa que é a multiforme graça de Deus, com tantas formas, tantos rostos, tradições distintas, liturgias diferentes, mas com um elemento central único: a fé em Jesus Cristo. Se tenho dificuldades e dores ao pastorear uma comunidade, a alegria e o contentamento em muito superam os dissabores. É um privilégio anunciar o evangelho e dirigir uma comunidade de fé.
Também não desisto das pessoas. A despeito de o ser humano ser capaz de tantas coisas ruins, de tanta maldade, de machucar um ao outro, ele também é capaz das coisas mais lindas, de bondades quase divinas, de produzir muita alegria e felicidade. Se o ser humano tem a capacidade de destruir e matar, também tem a capacidade de praticar atos que me fazem acreditar que realmente somos feitos à imagem e semelhança de Deus.
Não desisto das pessoas que querem prosseguir comigo rumo ao Reino de Deus e já nessa dimensão humana querem que as virtudes desse Reino sejam estabelecidas na terra. Não desisto de tentar ajudar aqueles que querem conhecer um pouco mais a Deus e desejam caminhar com Ele.
Jesus não desistiu, mas prosseguiu até o fim, sem desanimar, e seu exemplo me enche de esperança.
Roma poderia entrar no Guinness Book ( Livros dos Recordes ) como a cidade com o maior número de incapacitados físicos por metro quadrado a nível mundial.Basta dar um passeio pelas ruas do centro da cidade para observar a enorme e inexplicável densidade de deficientes que se regista na capital italiana, pelo menos no que aos automobilistas diz respeito… Dois em cada três automóveis exibem no seu pára-brisas um selo de cor laranja com um holograma e um desenho de uma cadeira de rodas. Este selo indica que o condutor do veículo é deficiente…
Numa cidade com a enorme quantidade de carros, como tem Roma, bem como o seu tráfego infernal, este pequeno pedaço de papel laranja permite ao seu possuidor um conjunto de importantes vantagens. A que mais se destaca é a possibilidade de estacionar em locais absolutamente proibidos aos restantes condutores. Este previlégio de alguns faz com que existam grandes invejas que depois cedem lugar aos piores instintos de uns e de outros…. até ao ponto de muitos cidadãos romanos se descontrolarem e tornearem despudoradamente a lei com vista a obter um dos selos laranja (…).
IRENE HDEZ. VELASCO
In Jornal El Mundo. Versão integral do texto ( em castelhano ) Ler Aqui
Tradução do excerto reproduzido por Ab-Integro
É caso para dizer: “em Roma sê Romano”. Pena é que, no mundo moderno, seja frequente que a competitividade desenfreada entre seres humanos acabe por dar lugar ao aparecimento dos piores instintos pela sobrevivência.As grandes cidades do nosso tempo são palco de um género de lei da selva, pelo menos no que ao tráfego automóvel diz respeito, sendo frequentes as lutas e disputas físicas que, não raro, levam condutores até às últimas consequências.
Curiosamente, foi talvez a inveja e a luta pelo privilégio que acelerou a queda do Império Romano…
Não sei se Roma vai cair ou não, mas sei que os seus cidadãos estão “caídos” por um papel laranja para colocar no pára-brisas da viatura, mesmo se, para tal, for necessário fazerem-se passar por deficientes, ou falsificarem os selos, colocando, vergonhosamente, os direitos dos cidadãos, verdadeiramente portadores de deficiência, em causa. Sem dúvida uma sociedade doente.
Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.
Não sei se sou contra ou a favor do acordo ortográfico. Julgo que só se pode ser contra ou a favor de alguma coisa quando se conhece, senão na íntegra, pelo menos numa boa parte, o tema sobre o qual queiramos tomar posição. E o problema só pode estar em mim, que não me interessei em aprofundar , suficientemente, o grosso do que está em cima da mesa quanto ao acordo.
Vistas pela rama, há no entanto coisas que gosto e outras de que não gosto, naquilo que já me chegou pela comunicação social acerca do dito acordo. Mas o que não posso é deixar de reconhecer que a língua portuguesa há muito saiu do berço e assumiu os seus direitos de emancipação. Sem dúvida que há roupagens que já começam a estar-lhe apertadas. É melhor renovar-lhe o guarda-fato, porventura com "roupas" mais actualizadas e arejadas, mais desenvoltas, que lhe permitam uma maior liberdade de movimentos, mas sem perder de vista o que lhe é essencial e que lhe permite avançar, serenamente, sem se desagregar dos seus valores fundamentais. Que não se queira dar o passo mais largo que a perna, mas que não se obrigue também a língua a usar um fato ( terno ) remendado ou com calças à meia-canela e mangas a subir braço acima.
Uma língua é algo vivo, e é apenas isso que lhe dá garantia de continuidade e até perpetuidade. O português que usamos, deixou, há muitos anos, de ser património exclusivo dos falantes que habitam o extremo ocidental da Europa e, por quantas mais pessoas e povos for falado, mais possibilidades terá de se manter vivo e de possuir fundadas expectativas de continuidade geracional em todos os países em que se implantou e é falado na actualidade.
A língua é uma "coisa" dinâmica que sofre processos de erosão mas também de enriquecimento que vão chegando, pouco a pouco, ao seu porto de acostagem, na justa medida em que as sociedades se desenvolvem, ou não, e as gerações se sucedem. É isso que tem acontecido com o português, mesmo se quando apenas limitado ao nosso pequeno e singular espaço geográfico. Mas a “nossa” língua, hoje comum a tantos milhões, ultrapassou, há muito, as fronteiras europeias, tornando-se veículo de comunicação e instrumento de trabalho nas distantes latitudes onde aportou levada pelos originais falantes. É por isso que ela deixou há muito de ser “nossa” e passou a ser património e casa comum de muitos milhões de pessoas. Foi Fernando Pessoa que disse: “ a minha pátria é a língua portuguesa”. É esta pátria que hoje acolhe milhões.
Enquanto património comum, a língua não pode ser encarada como propriedade privada de um povo ou de uma nação em particular e muito menos ser vista como elemento de pressão ou de "negociação" mercantilista que tente acorrentar algo que sempre cresceu e se desenvolveu, livre de fronteiras e ao sabor das necessidades comunicacionais e culturais de cada povo. A língua, como a vida, encontra sempre um caminho por onde seguir e que pode nem sempre ser coincidente com a nossa vontade. À língua, não se lhe pode impor aquilo que ela própria não quer ou não precisa. Ela é a última fronteira de liberdade para qualquer ser humano. Prova-se, aliás, pela história da generalidade das línguas conhecidas, que estas raramente se deixaram aprisionar e, nos casos manifestos em que o fizeram, isso acabou por lhes ser fatal.
A nossa língua, a portuguesa, deve ser livre para aproveitar o que de melhor todos os seus falantes lhe vão acrescentando ou retirando, função do ajustamento desta ao quotidiano de quem tem que a usar como veículo de comunicação. E sobre isto, eu posso opinar.
Quanto ao acordo, vislumbro-lhe uma grande virtude ( como reconheceria a qualquer outro acordo similar neste domínio ), mesmo sem o conhecer integralmente, e que se resume à possibilidade de que a língua, como afirmou Pessoa, continue a manter a vantagem, óbvia para todos, de ser uma “pátria” comum para quem tem que a usar de forma tão abrangente e em lugares tão distantes uns dos outros. De resto gostaria que os académicos que o concluíram e os políticos que o negoceiam, arranjassem forma de o trazer até ao grande público, para que, cada um de nós, possa, pelo menos, perceber se o mesmo respeita, ou não, os pressupostos que aqui enunciamos e que derivam, em primeira ordem, parece-nos, da realidade dos falantes e dos contextos culturais a que o mesmo se vai aplicar. Este acordo não pode ser laxista ou redutor, e isso, logo à partida, empresta-lhe os condimentos essenciais para ser polémico. É que, estas coisas da língua, como está bem de ver, não se podem decidir apenas por decreto… Ainda por cima no que respeita à língua, a portuguesa, que é um pouco como as enguias, escapa-se-nos das mãos e, a páginas tantas, lá está ela a esgueirar-se pelas malhas da rede do melhor acordo a que a tentem aprisionar.
Como cidadãos portugueses, julgo que devemos estar orgulhosos desta herança, património inestimável, que é o português a ser falado por cerca de duzentos e tantos milhões de pessoas em todo o mundo. E é bem provável que, daqui por mais algumas gerações, possamos vir a ser conhecidos no mundo, mais do que por qualquer outra razão, pelo legado linguístico que deixámos, independentemente das mutações e alterações a que ele se vá adaptando em linha com a realidade de cada povo e de cada momento social e cultural que aquele viva. Foi sempre assim, ao longo da história, e não é seguramente por isso que deixamos de lhe reconhecer beleza e utilidade íntrinseca. Uma língua resulta, em primeira e última análise, desse caldeamento, dessa troca, dessa exposição continuada aos tempos e aos momentos de cada povo, no seu todo, e das suas necessidades orais e escritas de comunicar, transmitir, deixar a sua marca no tempo.
Min. Cultura: Acordo em vigor "seguramente este ano"
O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, disse hoje que o Acordo Ortográfico entrará em vigor "seguramente este ano".
O governante falava em Belmonte na inauguração do centro interpretativo e museu "" Descoberta do Novo Mundo", centrado no Brasil e na viagem de descobrimento de Pedro Álvares Cabral, navegador natural daquela vila.
Perante uma comitiva brasileira, José António Pinto Ribeiro considerou que "a língua foi o que de mais extraordinário deixaram os navegadores". A língua, afirmou, "é mais forte que o sangue".
Questionado pela Agência Lusa sobre quando entrará em vigor o Acordo Ortográfico, o ministro referiu que será "seguramente este ano", sem contudo apontar uma data concreto.
"Estamos a identificar todas as tarefas, dado que, uma vez em vigor, haverá um prazo de aplicação e adaptação de vários anos para que tudo aquilo seja assimilado por todos nós", explicou José António Pinto Ribeiro.
"Estamos a fazer um programa para tudo o que há a fazer até lá, ao nível do ensino, dos meios de comunicação social, dos livros, para que tudo seja feito sem rupturas, com grande tranquilidade e com grande liberdade e integração de toda a gente", referiu.
O linguista e académico João Malaca Casteleiro, que participou na elaboração do Acordo, considerou na última quinta-feira que Portugal "está atrasado na sua aplicação" e que a "bola está do lado do Governo".
"O Brasil com 200 milhões de falantes" - argumentou - "já decidiu e Portugal, que é o berço da língua, não decide. Esta situação a nível internacional é muito mal recebida. Quando Portugal se decidir, os outros países também entrarão nesta onda de adoptar a nova ortografia", referiu.
Em Portugal, o segundo protocolo do Acordo Ortográfico, cuja ratificação era essencial para a sua entrada em vigor, foi aprovado no Parlamento em Maio e promulgado pelo Presidente da República em Julho.
Para vigorar, o acordo tem de estar ratificado por um mínimo de três dos oito países, o que foi alcançado em 2006 com São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil, seguidos de Portugal
Há um ar de desapontamento com a Igreja no nosso país. Ouço vozes esmorecidas e vejo olhares que não brilham mais. É o desencanto com a Noiva.
Noto que a desilusão vem pela tristeza ao ver cenários onde o louvor e a pregação se transformam em fonte de lucro e não consequência de corações transbordantes. Pela proliferação de igrejas cada vez mais cheias, porém aparentemente tão vazias, menos comprometidas com a Palavra, sem sêde de santidade e paixão pelos perdidos. Segue pela ténue linha que por vezes parece não distinguir muito bem Igreja e mundo, especialmente quando o binómio interesse e finanças se apresenta, e ainda pela dificuldade em identificar a Igreja de Cristo em meio aos movimentos religiosos.
O desencanto faz o povo olhar para o passado e relembrar os velhos tempos. Comenta-se sobre os pastores à antiga e dias quando a Igreja ainda via simplesmente na Palavra razão suficiente para o santo ajuntamento. Tempos quando o constrangimento por ser crente era resultado da discriminação, porém jamais identificação com o injusto e o desonesto. Por fim suspira-se desanimado.
Em momentos assim é preciso lembrar que Jesus jamais perdeu o absoluto controle sobre a história da Igreja. Jamais foi surpreendido por coisa alguma em todos estes anos. Jamais deixou de ser Senhor. Apesar das fortes cores de desalento a Noiva está sendo conduzida ao altar e o dia de brilho há de chegar.
Um amigo fez recentemente uma comparação entre a Igreja, a Noiva, e nossas noivas, nossas esposas. Levou-me a pensar no dia de meu casamento. Foi em 9 de dezembro de 1989. Já namorava Rossana há 4 anos e, apaixonados, chegamos ao grande dia. Apesar do amor e alegria pelo dia chegado tudo parecia fadado ao fracasso absoluto. As flores foram encomendadas erroneamente, a ornamentação do templo parecia jamais ter fim, o vestido apresentou defeitos de última hora, a maquilagem transcorria em um quarto apertado e com incrível agitação. A noiva chorou pelos desencontros do dia. O andar de cima da casa de meu sogro onde ela se arrumava tornou-se, aos meus olhos, em um pátio de guerra. Pessoas entrando e saindo apressadas, faces carregadas de ansiedade e um tom sempre apocalíptico a cada nova notícia. Ao longo dos anos percebi que os casamentos são parecidos neste ponto. A balbúrdia que cerca a noiva antecedendo seu momento de brilho é emblemática. Aos olhos do passante que vê a agitação sem fim, nada parece ter esperança.
Fui para a cerimónia esperando o pior. Jamais seria possível contornar todos os imprevistos, e o impensado poderia acontecer: a noiva não estaria pronta! Enquanto pensava nisto, ali no altar, eis que ela chega. Estava linda, uma verdadeira princesa. O rosto sorridente, o caminhar lento e seguro, o vestido alvo como a neve, simplesmente perfeita . A música, a ornamentação, as palavras, tudo se encaixava. Que milagre poderia transformar um dia de caos em um momento de brilho tão belo?
As horas de luta, as lágrimas derramadas, os desencontros e desalento foram rapidamente esquecidos e um só pensamento pairava naquele saguão: a Noiva estava linda.
Talvez vivamos hoje dias melancólicos ao visualizar a Igreja quando manchas e mazelas tentam levar nossa esperança para o cativeiro da desilusão crónica. A casa está desarrumada, o vestido da Noiva não nos parece branco, há graves rumores de que ela não ficará pronta.
É, porém, em momentos assim que Deus intervém. Lava as vestes do Seu povo, levanta o caído, renova o profeta, purifica a Igreja e nos dá sonhos de alegria.
Chegará o dia, e não tarda, que seremos tomados por Jesus. Neste dia há de se dizer: Eis o Noivo, é o Senhor que conduz a Igreja. Jamais a deixou só. Como é fiel!
E creio que todos nós também pensaremos, extremamente admirados: Eis a Noiva, como está linda!
“Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória;
porque são chegadas as bodas do Cordeiro,
e já a sua noiva se preparou”. Apocalipse 19:7
Esta frase foi dita por Cipriano de Cartago no terceiro século de nossa era e acabou se tornando dogma na Igreja Católica Romana, mas creio que tem sido adotada por muitas igrejas e denominações evangélicas. Neste caso, o sentido da frase até pode ser ampliado para “Fora da igreja não há Cristianismo!” implicando, entre outras coisas, em que Cristianismo e igreja sejam a mesma coisa.
Em primeiro lugar é preciso deixar claro que a existência da igreja não pode ser colocada em dúvida, mas isso não significa que ela deva ser um fim em si mesma e, creio, que é isso que tem acontecido em alguns casos. Pois quando entendemos que textos como “buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça (Mt.6:33) são interpretados como “buscar em primeiro lugar as atividades e ocupações na igreja” estamos reduzindo o reino de Deus e o Cristianismo às atividades eclesiásticas em vez de considerarmos a igreja como um meio que Deus instituiu para ser um ambiente fértil para o desenvolvimento da vida cristã, da piedade, da capacitação do crente para ser cristão no mundo e desenvolver os seus dons de serviço. Também um meio para ser uma comunidade terapêutica, de capacitação na compreensão da vida, das doutrinas, da Bíblia, uma comunidade – a família de Deus, etc.
Transformamos a igreja num fim em si mesma quando entendemos que a vida cristã se resume em atividades e mais atividades freneticamente desenvolvidas no domingo, que deveria ser um dia de celebração, descanso e passa a ser “dia do cansaço” e da agitação, como se o Cristianismo de sete dias pudesse ser vivido apenas em um dia. Mesmo porque igreja passou a ser um lugar, um estatuto, um organograma, em vez de pessoas pelas quais Cristo morreu na cruz. Sem dúvida o estatuto, o organograma são necessários, mas também são meios e não fins.
A igreja de Jesus Cristo é um meio, um instrumento para levar o evangelho ao mundo, para capacitar os salvos à vida em comunhão e lealdade ao Senhor. A igreja não pode ser confundida com o reino de Deus, mas deve ser considerada um instrumento de Deus para seu reino, dando ao crente condições para viver o reino no mundo, no seu dia-a-dia, como cristão. E ser cristão não é só pregar que Cristo salva, mas viver a salvação que Cristo nos dá.
Quando a igreja se considera um fim em si mesma acaba nutrindo a entropia, fechando-se em torno de sua própria existência. Não sendo sinérgica, deixa de cumprir a sua missão integral que tem como ponto de partida levar cada pessoa a viver para a glória de Deus.
Na noite do dia 24 de Abril de 1974, quase sobre as 23h-00, em Portugal, foi esta canção que, transmitida pelos já extintos Emissores Associados de Lisboa, serviria de senha para despoletar as movimentações das forças armadas, com vista a derrubar o regime político ditatorial que, durante quarenta e oito anos dominou, com mão feroz, o país. Um país triste e acabrunhado, uma nação envergonhada de si própria, a que o designado movimento dos capitães veio trazer alguma esperança. 35 anos depois, os portugueses interrogam-se sobre o que resta desse movimento de esperança, que a todos inebriou, nomeadamente aos cristãos protestantes, até então perseguidos e quantas vezes apelidados de "comunistas", entre outras razões, por serem opositores ao obscurantismo religioso católico, dominante ( "religião oficial do estado " ) que, em estreita ligação com as autoridades do regime político vigente, perseguia e espezinhava, literalmente, todas as correntes religiosas não católicas. O regime mantinha inclusive, regularmente, a assistir às reuniões destas, agentes infiltrados com o objectivo de controlo e registo de tudo o que aí se passava, por forma a que nada escapasse à sua alçada .
A segunda canção, que serviu para confirmar a saída definitiva dos militares, dos quartéis para as ruas, para assumir posições e efectuar o controlo estratégico e tomada do poder, foi Grândola Vila Morena, interpretada por Zeca Afonso e transmitida às 00H-20, através da Rádio Renascensa.Jacinto Lourenço