terça-feira, 28 de abril de 2009

Maioria Evangélica muda alguma coisa ?

O índice de evangélicos no Brasil tem aumentado a cada censo. Atualmente, os evangélicos estão conseguindo espaço no âmbito católico, uma vez que os sem-religião também têm aumentado continuamente. A quem diga que esta tendência evangélica não conseguirá continuar assim e terá que ir buscar adeptos entre os sem-religião ou mesmo entre religiões não-cristãs.

Mas e se continuarmos do jeito que estamos... Se os evangélicos um dia ultrapassarem os percentuais de católicos no Brasil, o que mudaria? Reginaldo Prandi tenta responder a esta pergunta no final de seu artigo eletrónico Converter indivíduos, mudar culturas:

Suponhamos, por fim, que o crescimento das religiões evangélicas as leve a suplantar o catolicismo em número de seguidores. O evangelicalismo se tornaria a religião da maioria, o catolicismo, de uma minoria. Se isso acontecesse, a cultura brasileira se tornaria evangélica? Dificilmente. O evangelicalismo seria a religião de indivíduos convertidos, um a um, e não a religião que funda uma nação e fornece elementos formadores de sua cultura. O processo histórico dessa mudança seria diferente daquele que forjou a cultura católica na América. Nesse futuro hipotético, cuja factibilidade não está aqui em discussão, a condição dada para que o protestantismo superasse o catolicismo teria implicado, primeiro, a secularização do Estado – já completada no presente –, e depois, a secularização da cultura – que se encontra em andamento. Porque é com a secularização que os indivíduos tornam-se livres para escolher uma religião diferente daquela em que nasceram. Então, quando tudo isso estivesse se completando, por mais cheias que estivessem igrejas, templos, terreiros, a cultura já se encontraria esvaziada de religião. Não haveria a substituição de uma religião por outra. No limite, por muitas outras, não apenas por uma.

Via Blogue Nani e a Teologia

Autenticidade da Bíblia

Ao comparar as diferentes cópias do texto da Bíblia entre si e com os originais disponíveis, menos de 1% do texto apresentou dúvidas ou variações, portanto, 99% do texto da Bíblia é puro. Vale lembrar que o mesmo método (crítica textual) é usado para avaliar outros documentos históricos, como a Ilíada de Homero, por exemplo.

A Bíblia é o livro mais vendido do mundo. Estima-se que foram vendidos 11 milhões de exemplares na versão integral, 12 milhões de Novos Testamentos e ainda 400 milhões de brochuras com extractos dos textos originais.

Foi a primeira obra impressa por Gutenberg, no seu recém inventado prelo manual, que dispensava as cópias manuscritas.

Via Igreja do Jubileu

Não Desistir

A Semana passada, neste espaço, publiquei um texto jogando a toalha, desistindo. As reações foram muitas e variadas. Alguns desistindo junto comigo e outros tentando me animar, para que eu não desistisse.

O fato é que eu desisti de algo que não vale a pena, que é tentar agradar a quem nunca está satisfeito. Eu sei, o título é forte, conjugar o verbo desistir implica em ausência de esperança, falta de fé, desânimo, fraqueza talvez. Mas para desistir de algumas coisas é necessário ter muita coragem, fé, ânimo e esperança. Desistir da maldade e da mentira, por exemplo, requer forte determinação. Desistir de ser desonesto, também, requer muita coragem.

Quando você decide caminhar ao lado de Jesus tem que desistir de várias coisas. Desistir da injustiça, do egoísmo, do apego aos bens materiais, da ganância, do ódio. Também é necessário desistir da hipocrisia, aquela velha capacidade que as pessoas têm para aparentar piedade, mas interiormente ser outra coisa. Eu, de minha parte, estou tentando desistir de tudo isso.

Há outras coisas das quais não se pode desistir, pelo contrário, é necessário abraçar, insistir, investir. Não desisto do Evangelho de Jesus Cristo, estou cada vez mais encantado, mais fascinado pela excelência da mensagem cristã. Abracei esta mensagem e bem sei que quem coloca a mão no arado e olha para trás é indigno. Não desisto, quero ir adiante, prosseguindo, descobrindo mais coisas sobre Deus, de quem sei tão pouco, e sobre a fantástica aventura de viver tendo no olhar a esperança de ver o Reino de Deus estabelecido.

Não desisto da igreja, essa comunidade de pessoas que, juntas, servem a Deus e tentam viver inspiradas no modelo e na mensagem de Jesus. Essa que é a multiforme graça de Deus, com tantas formas, tantos rostos, tradições distintas, liturgias diferentes, mas com um elemento central único: a fé em Jesus Cristo. Se tenho dificuldades e dores ao pastorear uma comunidade, a alegria e o contentamento em muito superam os dissabores. É um privilégio anunciar o evangelho e dirigir uma comunidade de fé.

Também não desisto das pessoas. A despeito de o ser humano ser capaz de tantas coisas ruins, de tanta maldade, de machucar um ao outro, ele também é capaz das coisas mais lindas, de bondades quase divinas, de produzir muita alegria e felicidade. Se o ser humano tem a capacidade de destruir e matar, também tem a capacidade de praticar atos que me fazem acreditar que realmente somos feitos à imagem e semelhança de Deus.

Não desisto das pessoas que querem prosseguir comigo rumo ao Reino de Deus e já nessa dimensão humana querem que as virtudes desse Reino sejam estabelecidas na terra. Não desisto de tentar ajudar aqueles que querem conhecer um pouco mais a Deus e desejam caminhar com Ele.

Jesus não desistiu, mas prosseguiu até o fim, sem desanimar, e seu exemplo me enche de esperança.

Não desisto!

Márcio Rosa da Silva

Via Blogue de Laion Monteiro

Em Roma sê Romano

Roma poderia entrar no Guinness Book ( Livros dos Recordes ) como a cidade com o maior número de incapacitados físicos por metro quadrado a nível mundial. Basta dar um passeio pelas ruas do centro da cidade para observar a enorme e inexplicável densidade de deficientes que se regista na capital italiana, pelo menos no que aos automobilistas diz respeito… Dois em cada três automóveis exibem no seu pára-brisas um selo de cor laranja com um holograma e um desenho de uma cadeira de rodas. Este selo indica que o condutor do veículo é deficiente…

Numa cidade com a enorme quantidade de carros, como tem Roma, bem como o seu tráfego infernal, este pequeno pedaço de papel laranja permite ao seu possuidor um conjunto de importantes vantagens. A que mais se destaca é a possibilidade de estacionar em locais absolutamente proibidos aos restantes condutores. Este previlégio de alguns faz com que existam grandes invejas que depois cedem lugar aos piores instintos de uns e de outros…. até ao ponto de muitos cidadãos romanos se descontrolarem e tornearem despudoradamente a lei com vista a obter um dos selos laranja (…).

IRENE HDEZ. VELASCO

In Jornal El Mundo. Versão integral do texto ( em castelhano ) Ler Aqui

Tradução do excerto reproduzido por Ab-Integro

É caso para dizer: “em Roma sê Romano”. Pena é que, no mundo moderno, seja frequente que a competitividade desenfreada entre seres humanos acabe por dar lugar ao aparecimento dos piores instintos pela sobrevivência. As grandes cidades do nosso tempo são palco de um género de lei da selva, pelo menos no que ao tráfego automóvel diz respeito, sendo frequentes as lutas e disputas físicas que, não raro, levam condutores até às últimas consequências.

Curiosamente, foi talvez a inveja e a luta pelo privilégio que acelerou a queda do Império Romano…

Não sei se Roma vai cair ou não, mas sei que os seus cidadãos estão “caídos” por um papel laranja para colocar no pára-brisas da viatura, mesmo se, para tal, for necessário fazerem-se passar por deficientes, ou falsificarem os selos, colocando, vergonhosamente, os direitos dos cidadãos, verdadeiramente portadores de deficiência, em causa. Sem dúvida uma sociedade doente.

Jacinto Lourenço

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"A minha Pátria é a Língua Portuguesa"

Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica. Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse. Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

Fernando Pessoa
Via Wikipédia

Português de uma Pátria Comum

Não sei se sou contra ou a favor do acordo ortográfico. Julgo que só se pode ser contra ou a favor de alguma coisa quando se conhece, senão na íntegra, pelo menos numa boa parte, o tema sobre o qual queiramos tomar posição. E o problema só pode estar em mim, que não me interessei em aprofundar , suficientemente, o grosso do que está em cima da mesa quanto ao acordo.

Vistas pela rama, há no entanto coisas que gosto e outras de que não gosto, naquilo que já me chegou pela comunicação social acerca do dito acordo. Mas o que não posso é deixar de reconhecer que a língua portuguesa há muito saiu do berço e assumiu os seus direitos de emancipação. Sem dúvida que há roupagens que já começam a estar-lhe apertadas. É melhor renovar-lhe o guarda-fato, porventura com "roupas" mais actualizadas e arejadas, mais desenvoltas, que lhe permitam uma maior liberdade de movimentos, mas sem perder de vista o que lhe é essencial e que lhe permite avançar, serenamente, sem se desagregar dos seus valores fundamentais. Que não se queira dar o passo mais largo que a perna, mas que não se obrigue também a língua a usar um fato ( terno ) remendado ou com calças à meia-canela e mangas a subir braço acima.

Uma língua é algo vivo, e é apenas isso que lhe dá garantia de continuidade e até perpetuidade. O português que usamos, deixou, há muitos anos, de ser património exclusivo dos falantes que habitam o extremo ocidental da Europa e, por quantas mais pessoas e povos for falado, mais possibilidades terá de se manter vivo e de possuir fundadas expectativas de continuidade geracional em todos os países em que se implantou e é falado na actualidade.

A língua é uma "coisa" dinâmica que sofre processos de erosão mas também de enriquecimento que vão chegando, pouco a pouco, ao seu porto de acostagem, na justa medida em que as sociedades se desenvolvem, ou não, e as gerações se sucedem. É isso que tem acontecido com o português, mesmo se quando apenas limitado ao nosso pequeno e singular espaço geográfico. Mas a “nossa” língua, hoje comum a tantos milhões, ultrapassou, há muito, as fronteiras europeias, tornando-se veículo de comunicação e instrumento de trabalho nas distantes latitudes onde aportou levada pelos originais falantes. É por isso que ela deixou há muito de ser “nossa” e passou a ser património e casa comum de muitos milhões de pessoas. Foi Fernando Pessoa que disse: “ a minha pátria é a língua portuguesa”. É esta pátria que hoje acolhe milhões.

Enquanto património comum, a língua não pode ser encarada como propriedade privada de um povo ou de uma nação em particular e muito menos ser vista como elemento de pressão ou de "negociação" mercantilista que tente acorrentar algo que sempre cresceu e se desenvolveu, livre de fronteiras e ao sabor das necessidades comunicacionais e culturais de cada povo. A língua, como a vida, encontra sempre um caminho por onde seguir e que pode nem sempre ser coincidente com a nossa vontade. À língua, não se lhe pode impor aquilo que ela própria não quer ou não precisa. Ela é a última fronteira de liberdade para qualquer ser humano. Prova-se, aliás, pela história da generalidade das línguas conhecidas, que estas raramente se deixaram aprisionar e, nos casos manifestos em que o fizeram, isso acabou por lhes ser fatal.

A nossa língua, a portuguesa, deve ser livre para aproveitar o que de melhor todos os seus falantes lhe vão acrescentando ou retirando, função do ajustamento desta ao quotidiano de quem tem que a usar como veículo de comunicação. E sobre isto, eu posso opinar.

Quanto ao acordo, vislumbro-lhe uma grande virtude ( como reconheceria a qualquer outro acordo similar neste domínio ), mesmo sem o conhecer integralmente, e que se resume à possibilidade de que a língua, como afirmou Pessoa, continue a manter a vantagem, óbvia para todos, de ser uma “pátria” comum para quem tem que a usar de forma tão abrangente e em lugares tão distantes uns dos outros. De resto gostaria que os académicos que o concluíram e os políticos que o negoceiam, arranjassem forma de o trazer até ao grande público, para que, cada um de nós, possa, pelo menos, perceber se o mesmo respeita, ou não, os pressupostos que aqui enunciamos e que derivam, em primeira ordem, parece-nos, da realidade dos falantes e dos contextos culturais a que o mesmo se vai aplicar. Este acordo não pode ser laxista ou redutor, e isso, logo à partida, empresta-lhe os condimentos essenciais para ser polémico. É que, estas coisas da língua, como está bem de ver, não se podem decidir apenas por decreto… Ainda por cima no que respeita à língua, a portuguesa, que é um pouco como as enguias, escapa-se-nos das mãos e, a páginas tantas, lá está ela a esgueirar-se pelas malhas da rede do melhor acordo a que a tentem aprisionar.

Como cidadãos portugueses, julgo que devemos estar orgulhosos desta herança, património inestimável, que é o português a ser falado por cerca de duzentos e tantos milhões de pessoas em todo o mundo. E é bem provável que, daqui por mais algumas gerações, possamos vir a ser conhecidos no mundo, mais do que por qualquer outra razão, pelo legado linguístico que deixámos, independentemente das mutações e alterações a que ele se vá adaptando em linha com a realidade de cada povo e de cada momento social e cultural que aquele viva. Foi sempre assim, ao longo da história, e não é seguramente por isso que deixamos de lhe reconhecer beleza e utilidade íntrinseca. Uma língua resulta, em primeira e última análise, desse caldeamento, dessa troca, dessa exposição continuada aos tempos e aos momentos de cada povo, no seu todo, e das suas necessidades orais e escritas de comunicar, transmitir, deixar a sua marca no tempo.

Jacinto Lourenço