A questão não é se uma doutrina é bela, mas se ela é verdadeira.
Anónimo
Tendemos naturalmente a ser tão lógicos e previdentes que encaramos a incerteza como algo negativo. Achamos que temos sempre que atingir um fim determinado; mas não é assim na vida espiritual. Na vida espiritual vivemos seguros em nossa incerteza, e por causa disso não nos fixamos em nada. O bom senso diz; "Bem suponhamos que eu estivesse em tal situação..." Mas é impossível nos imaginarmos numa situação em que nunca tenhamos estado.
A certeza é o traço distintivo da vida racional; uma grandiosa incerteza é a caracteristica marcante da vida espiritual. Ter a certeza de Deus significa que estamos incertos em todos os nossos caminhos, e admitimos não saber o que cada dia nos poderá trazer. Isso, em geral, é dito com suspiro de tristeza, contudo deveriamos dize-lo com uma expressão de maravilhosa expectativa. Estamos incertos quanto ao passo que daremos a seguir, mas estamos certos de Deus. Tão logo nos entregamos a Deus e cumprimos o dever mais imediato, ele passa a cumular nossa vida de surpresas o tempo todo. Quando nos tornamos defensores de uma crença, alguma coisa morre; não acreditamos em Deus, acreditamos apenas em nossa crença a respeito dele. Jesus disse: "Se vos... tornardes como crianças". A vida espiritual é como a vida de uma criança. Não estamos incertos quando a Deus, mas incertos quanto ao que Ele vai fazer em seguida. Se estivermos certos apenas de nossas crenças, nos nos tornaremos arrogantes e rigorosos, e seremos inflexíveis em nossas opiniões; mas, quando estamos corretamente relacionados com Deus, a vida se enche de expectativa e de uma espontanêa e alegre incerteza.
¨Credes também em mim¨,disse Jesus: Ele não disse: ¨Acreditai em certas coisas a meu respeito. Deixamos tudo com Ele; a maneira como Ele agirá é gloriosamente incerta, mas Ele agirá.
Permaneçamos leais a Ele.
Por Pastora Edna Ruiz.
Via Reflexões Teológicas/Libertos para Pensar
No passo do boi. Ouvi esta frase, muitas vezes, da boca de um pastor nosso que já está com o Senhor, desde 2001. Ele era da geração dos antigos pastores que se gastavam em oração pelas madrugadas orando por "A" ou por "B" de acordo com a voz do Espírito.
Pr. Luiz Vicente, mas conhecido por Luiz Branco, era filho de portugueses. Portugueses evangélicos, coisa rara de se ver [ nota Ab-Integro: felizmente que hoje já não é assim tão raro, querido irmão João Cruzué. Claro que os cristãos evangélicos, em Portugal, não ascendem aos números do Brasil, mas, apesar de tudo, são já em numero significativo por forma a fazer ouvir a sua voz, embora não tanto como gostaríamos, nem como desejávamos ]. Nas reuniões de obreiros, do Sector Seis, uma vez por mês , domingo pela manhã, foram uma das melhores oportunidades que tivemos para estar ouvindo aquele homem de Deus. Ele costumava dizer que "nem sempre tinha pão no balcão da padaria" ao referir-se à falta de mensagem que poderia acontecer na rotina de um pastor em suas lides.
Mas não me lembro de ter faltado "pão" nos ensinos do Pr. Luiz.
Antes de ir ao assunto do "passo do boi" seria muito razoável que registrasse um testemunho que ele contava sobre uma experiência de oração do seu pai, crente português. Contava o Pr. Luiz que sua mãe estava morrendo de câncer no intestino. E que o pai ao ver o médico pressionando o ventre da esposa para eliminar muito pus, se indignou e tomou uma firme atitude .
O velho português desceu ao porão de sua casa e passou a manhã inteira orando. Quando acabou-lhe a voz, atravessou a tarde gemendo. A esposa não morreu. Só tempos bem mais tarde, porque do câncer ela foi curada na força de uma atitude de oração.
Este testemunho sempre nos comoveu, pois ele me diz que muitas coisas deixam de acontecer em nosso redor por falta de uma atitude firme.
Quanto ao passo do boi, é um ensino bem interessante. O Salmo 39, fala do cavalo e da mula. O cavalo, o símbolo da rapidez e da pressa; a mula já é um animal de carga, e montaria confiável para viagens longas. No quadro de Pedro Américo, o da Independência do Brasil, Dom Pedro I foi retratado sobre um belo cavalo branco. Mas a subida de Santos para São Paulo não era feita em cavalos, mas em lombo de burros e mulas. Dom Pedro, na ocasião, viajava em uma mula. Mas as mulas têm um detalhe ruim: são dadas a empacar. Quando teimam em não prosseguir, nem empurrando ou puxando, modificam sua atitude de teimosia.
O andar do boi é diferente do cavalo e da mula. Ele caminha devagar, mas firme. O passo do boi retrata a paciência, a moderação, a discrição e a constância. Seu andar calmo não chama atenção. Isso pode ser traduzido para nossa vida espiritual da seguinte forma: o importante daquilo que vamos fazer não é a velocidade da partida, mas atravessar a linha de chegada.
"Porém muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" Dois excertos do Evangelho. É claro que o sentido literal desses dois versículos não é o mesmo do assunto do passo do boi. Mas, que tem alguma relação isso tem.
Nosso desejo de ser apreciados, elogiados, entronizados, famosos é um inconveniente que servirá de barreira para concluírmos com êxito o cruzar a linha de chegada. Por outro lado, a pressa em realizar as coisas sem a mínima oração foi a cova que engoliu Saul, o primeiro rei de Israel. Lidar com a própria vaidade é difícil.
Quantos casamentos são feitos de forma apressada e desfeitos mas rapidamente ainda? Será que as pessoas estão mesmo preocupadas com o próprio futuro ou querem apenas copiar o pensamento consumista do mundo: "O importante, é viver o momento"?
Não! Não posso concordar com isso. O cristão não deve se apressar para casar-se, nem para ser grande no ministério, nem para atingir o ápice da carreira na vida secular. Na pressa, ele pode escolher errado, vender os irmãos para chegar mais rápido a um cargo ministerial ou "pisar" no pescoço dos colegas de trabalho. Uma conquista mal estabelecida é efêmera. Andar no passo do boi, segundo o saudoso Pastor Luiz Branco, significava ir devagar e sempre até alcançar o objetivo - uma conquista perene, perfeitamente de acordo com o Salmo 40.
Por João Cruzué
Via Olhar Cristão
“Nas Escrituras, Deus nos deixou a igreja como instituição para servir um propósito digno e verdadeiro. No entanto, a ansiedade por programas e actividades da igreja de hoje mais parece uma combinação entre programação de clube de golfe, sociedade de boliche campeonato de escola dominical, culto inspirativo, mensagem-comunhão-propaganda sobre Jesus e máquina de fazer crescer-tudo numa coisa só. Não lembra muito a instituição sobre a qual lemos no Novo Testamento. Na maioria das vezes, o nível de ensino é tão superficial, repetitivo e sem valor, que tende a ser mais destrutivo do que benéfico.”
Frank Schaeffer em Viciados em Mediocridade
Via Laion Monteiro