quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pessoa e a Vida

Tenho tanto sentimento Que é freqüente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar

Fernando Pessoa

Ildo Meyer / Bom Líder Via Solomon 1

Emoção e Sentimento

Emoção e sentimento não são sinónimos. Pelo contrário, são processos muito diferentes. O que sentiu ao ver o seu filho dar os primeiros passos? Qual foi a emoção? Talvez seja difícil exprimir em palavras. Emoção pode ser definida como um impulso nervoso que provoca um conjunto de reações psico-fisiológicas. Chorar, tremer, transpirar, vomitar, corar, fugir, sorrir, gritar, desmaiar, coração disparar… Independem da vontade, geralmente são de curta duração e muita intensidade, sendo difícil de esconder, pois apresentam manifestações externas e públicas. Podem jorrar a qualquer momento, sofrendo grande influência dos instintos e da não racionalidade.

Sentimento já é algo mais elaborado; envolve racionalização, livre-arbítrio, espiritualidade, bom senso. É a reação que não entendemos (emoção), sendo integrada no nosso ser. Uma emoção madura. Diferente das emoções, sentimentos são privados; os outros só ficam sabendo se existir o desejo de partilhá-los. Amor, paz, alegria, medo, tristeza, esperança, orgulho…

Imagine o corpo humano envolvido por uma membrana impermeável. Somente palavras e emoções poderiam penetrar em seu interior e ali sofreriam transformações.

A emoção/palavra que conseguir penetrar no interior do corpo e ser integrada, ou no mínimo percebida e interpretada, transforma-se em sentimento. A emoção que penetrar e não for sentida, será apenas uma emoção, e deixará como lembrança a dramatização ocorrida do lado de fora. A palavra que não for sentida pode ser intelectualizada sob a forma de pensamento ou também ficar diluída, pelo menos a nível consciente. Assim, teríamos no interior do corpo pensamentos e sentimentos, e do lado de fora, emoções e palavras.

Há um incontável número de coisas que acontecem e são confundidas ora com sentimento, ora com emoção e ora com palavras. Pessoas que não conseguem demonstrar emoções podem ser acusadas de ausência de sentimentos e pessoas muito emotivas podem ser interpretadas como sensíveis. Isto nem sempre é verdadeiro, pode causar constrangimentos afetivos, guerras e até mesmo separações.

O que realmente expressamos para nós mesmos e para o mundo? Emoções? Sentimentos? Palavras?

Comecemos pelas palavras. Por melhor que seja a intenção, dizer não é o mesmo que sentir. Ao dizer, altera-se o que se sente. Só o estar sofrendo diz o que é sofrer. Além disto, com palavras pode-se mentir, dissimular…

Emoções podem demonstrar sentimentos, mas como saber se aquelas lágrimas são a via de saída de um sentimento ou apenas o processo de entrada para o interior do corpo?

Nem sempre sentimos o que queríamos sentir ou o que os outros esperavam que sentíssemos. Agarramo-nos então a padrões sentimentais pré-estabelecidos (despedida-choro, falecimento-tristeza) que nos deixam confusos, isolados, sem palavras ou emoções, e às vezes, alienados da realidade.

Como as emoções, sentimentos também fogem de nosso controle, com a diferença de que não são fugazes, ficam no interior de nossos corpos remoendo, marcando, lembrando.

Amor é sentimento; paixão é emoção. Na paixão estamos presos, somos ruidosos, ansiosos, ciumentos, febris, egoístas, inseguros. O amor liberta, desprende, traz paz. Ao contrário do que muitos pensam, amor não mata; a paixão é que pode matar.

Alegria é um sentimento, euforia e gargalhadas são emoções. Medo é um sentimento, pânico e desespero são emoções. Raiva é um sentimento, ódio é uma emoção.

Emoções são instintivas. Palavras podem ser racionais demais. Sentimentos podem ser o ponto de equilíbrio.

Palavras não controlam desequilíbrio emocional, não funcionam na irracionalidade. Sentimentos têm esta força. Amparam, acodem e podem até transformar mágoa em alegria, pavor em coragem e ódio em amor.

No clamor das emoções e das palavras se fazem as guerras, no discernimento dos sentimentos é que se busca a paz.

Como encontrar e ter acesso aos sentimentos? Fácil! Estão no mesmo lugar desde que nascemos. Sentimentos são internos. Estão lá dentro de nossos corpos, esperando para crescer e amadurecer.

Ildo Meyer / Bom Líder Via Solomon 1

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Praise Is Rising (Hosanna) - Brenton Brown

Visto in Sip of Glory

O Sentido da Vida

O Sentido da Vida, que é o ensino do Evangelho antes mesmo de existirem os Quatro Evangelhos — afinal, o Evangelho é eterno — sempre indicou na direção da Vida como entrega, como dádiva, como sacrifício e como morrer vivificante.

E assim é com tudo o que seja vida...

A Natureza dá testemunho diário do seu investimento de entrega e de morte ao ciclo da vida.

Natureza é isso: vida servindo a vida!

Entretanto, no Evangelho, tal entrega é espontânea e é consciente. Por isto se diz que é para que lancemos o nosso próprio pão, loucamente, sobre as águas, a fim de que alimentemos voluntariamente o rio que nos abençoa com água e peixe.

E mais; ainda se completa afirmando que tal dádiva, depois de muitos dias, sempre num longe oportuno, volta para nós, e retorna o nosso investimento feito às cegas, na mera alegria de dar à vida mais vida.

Jesus disse que o caminho para receber é dar.

Disse que é muito melhor dar do que receber.

Disse que o grande privilégio deve sempre ser ter podido dar.

Disse também que a devolução das nossas dádivas de amor, acontece sempre de um modo exagerado, embora nós nem sempre saibamos como a medida sacudida, recalcada e transbordante virá; com que forma nos visitará; embora saibamos que será sempre na melhor hora.

E em tal acto de dar se deve ter também o mesmo sentimento que houve também em Jesus.

Ora, Jesus nunca disse que deu algo!

Sim, não há uma única propaganda Dele sobre Ele!

Ele apenas diz para não andarmos ansiosos de nada, que busquemos o Reino de Deus, que é o Evangelho vivido; e que tudo o mais nos seguiria como bondade e misericórdia todos os dias de nossas vidas.

E mais:

Ele disse que a vida Dele ninguém tirava Dele. Ele a doaria. Sim, pois doação arrancada não gera o fluxo da vida.

A Sabedoria, todavia, diz: Lança o teu pão sobre as águas, pois, depois de muitos dias, o acharás.

Portanto, trata-se de uma decisão voluntária.

Uma decisão alegre de ofertar ao rio da vida o pão do nosso labor como gratidão, confiança e fé.

Por Caio Fábio

A Excelência Nasce do Amor

O Padre António Vieira contou uma breve parábola sobre o amor.

Certo homem saiu para caçar. Tentou acertar em vários animais, mas errou todos. Ruim de pontaria e mal sucedido em abater um bicho que alimentasse a família, voltava triste para o lar. A poucos metros da porta de casa, viu uma cobra enrolada no pescoço do filho caçula. Sem hesitar retesou o arco e flechou a serpente. Acertou-lhe em cheio e salvou a vida do filho.

Vieira então pergunta: “O que fez o pai para acertar a cabeça da áspide, se era um péssimo caçador, ruim de pontaria?”. Porquê, de repente, o homem se fez exímio no arco e flecha? Vieira responde: “O amor”. O amor sempre forja o especialista, sempre cria a excelência. As pessoas tornam-se criteriosas devido ao afecto.

Quem ama não aceita a lógica do “de qualquer jeito”; aliás, detesta “jeitinhos”. Extravagante nos gestos, refina atitudes. Os amantes caminham milhas extras sem se aperceberem; transformam as decisões banais em mandamentos divinos. A excelência nasce do amor.

Soli Deo Gloria

Pr. Ricardo Gondim

Gripe Suína

Via Práxis Cristã

Cuidado ao Pisar o Tapete...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Uma Grécia Mitológica

Templo de Asclépio, em primeiro plano, e termas da escola de Hipócrates, mais ao fundo

Chegamos com a ilusão da Grande Grécia antiga. Berço de culturas e civilizações. Janela aberta para a compreensão do bom e do mau, mais do que do bem e do mal, onde radica muito daquilo que pensamos, ainda hoje, e como o pensamos. Do que aprendemos a ser e como o ser.

Da nossa posição no anfiteatro das ideias herdadas, queremos, mais do que voltar a ouvir, de novo, por interpostas pessoas, o que nos queiram dizer os mestres do saber helénico, sentir o que os inspirou. O que orientou a sua leitura do mundo, dos homens, e tudo à volta. Queremos respirar o mesmo ar, cheirar os mesmos cheiros, ouvir os mesmos sons, olhar o mesmo céu e observar o mesmo mar de milénios rasgado por mil guerras de Poseidon.

A hora tardia a que chegamos a Kós, encerra o tesouro e adia a visão deste até que o sol faça revelar o que procuramos. O tempo urge e torna-se escasso para satisfazer tão grande ambição que a maré de oportunidade nos quer proporcionar . Acomodamos dentro do peito, o melhor que podemos, a ansiedade. A razão principal da nossa ida torna-se uma fronteira que queremos transpor mas sem defraudar expectativas laterais.

Chegar à ilha de Hipócrates, berço da medicina, no meio de um egeu nem sempre bem disposto nos dias que nos acolheram nesta mediana ilha do Dodecaneso, e estar, frente a frente, com outra não menos importante região, como Halicarnasso. Tomar o pulso aos contrastes com a nova e moderna Grécia, para nós mais desconhecida do que a antiga, eram aliciante suficiente para uma espera de algumas horas de imersão no que eventualmente tivesse resistido à roda trituradora do tempo por estas paragens. E aqui reside, sem duvida, a primeira contradição da passagem dos séculos. A antiguidade civilizacional grega marca, impassível, os modernos mas depressivos anos, não deixando, até agora, de sublinhar, como que vincado na pedra, o ritmo da vida, descontada a depressão e a desconstrução social em que estamos tão empenhados e envolvidos no presente, pondo em causa os melhores valores e padrões recebidos de antanho.

A Helenização do mundo, à vista da moderna Grécia, parece não ter nada a ver com esta e nem mesmo Hipócrates, Sócrates, Aristóteles, Platão ou Sófocles, com toda a sabedoria e discorrimento exibidos, podem já fazer alguma coisa, na actualidade, para contrariar isso. A Grécia, como a aprendemos, enquanto berço civilizacional, se alguma vez existiu como um todo, perdeu-se. E este facto não pertence à Mitologia Grega. É uma realidade observável. O que resta são apenas ruínas que os modernos gregos tratam, infelizmente, pelo menos em Kós, de forma pouco respeitosa .

Jacinto Lourenço