sexta-feira, 15 de maio de 2009

Agência Espacial Europeia lança hoje dois telescópios

A Agência Espacial Europeia lança hoje dois telescópios que vão oferecer uma nova visão sobre o Universo. O gigante 'Herschel' vai estudar galáxias e estrelas, enquanto o pequeno 'Planck' vai olhar para a radiação cósmica de fundo. Um físico português está envolvido nesta última missão e a empresa Critical Software ajudou a desenvolver o sistema operativo.

William Herschel descobriu a radiação infravermelha no séc. XVIII e Max Planck foi o pai da teoria quântica, no início do séc. XX. Em comum, além da paixão pela ciência, têm o facto de terem nascido na Alemanha e darem nome aos dois telescópios que hoje partem a bordo do foguetão Ariane 5, da estação de Kourou, na Guiana Francesa. Pela frente, têm uma viagem de dois meses até ao segundo ponto de Langrange, a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, a posição ideal para darem aos astrónomos uma nova visão do universo.

Se tudo correr como previsto, 26 minutos depois do lançamento (previsto para as 16.12 de Lisboa), o Herschel vai separar-se do foguetão Ariane 5 e dirigir-se ao destino final. O Planck vai segui-lo, três minutos depois. Após seis meses de testes, o primeiro começará a sua missão de, no mínimo, três anos. Já o Planck começará os seus 15 meses de observação um mês depois de atingir a sua posição. Duas missões da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).

O Herschel, o maior dos dois telescópios, com um espelho de 3,5 metros de diâmetro, vai observar a luz infravermelha e submilimétrica para investigar como as estrelas e as galáxias se formaram e como evoluem. Irá equipado com o seu próprio sistema de refrigeração, de forma a manter os seus detectores a uma temperatura perto do zero absoluto (273 graus Celsius), através de um sofisticado sistema criogénico, com hélio.

O seu irmão mais pequeno vai analisar a radiação "fóssil" do Big Bang. "Através da observação da radiação cósmica de fundo podemos tentar perceber como foram os primeiros instantes do universo e ainda medir as ondas gravitacionais produzidas pela inflação - modelo cosmológico que prevê uma aceleração na expansão do universo, nos seus instantes iniciais", explicou no site da ESA o físico português Luís Mendes, que participa na missão do Planck.

Há ainda outra contribuição portuguesa: a empresa Critical Software integrou o consórcio europeu que adaptou e qualificou o sistema operativo usado nos computadores de ambos os satélites.

"O Herschel e o Planck são parte da nova geração de observatórios astronómicos. Começámos perto da Terra e, gradualmente, fomo-nos movendo para mais longe. No futuro, a maioria dos observatórios será no espaço profundo, para lá da órbita da Terra", disse à BBC David Southwood, director de ciência na ESA.

Os dois telescópios levaram mais de dez anos a desenvolver e custaram 1,9 mil milhões de euros, sendo este voo o mais valioso da história da agência europeia. "Vamos estar extremamente nervosos até o foguetão estar fora do planeta. Pegamos neste trabalho muito sensível, de alta tecnologia, e colocamos em cima de um grande fogo-de-artifício", acrescentou.

Por Susana Salvador

In Diário de Notícias de 14 de Maio de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Francesinha Quebra Línguas

A Vilma sugeriu no Facebook que as minhas francesinhas são as melhores que ela já alguma vez comeu. Talvez um exagero, mas lá que são bem quentes e que picam a língua, isso é verdade. E confesso que tenho um gostinho especial em queimar a língua de alguns crentes com o meu molho ultra-picante. A começar pela minha. Chamem-me picoso, mundano, pimentinha ou mesmo epigramático. Pode ser que um dia eu adormeça a vossa língua também.

Existe um corinho protestante que diz "A começar em mim, quebra línguas...". Não?!?

In Canto do Jo

Um simples Cristão

In Neto's Brother Via Frases Protestantes

Pessoa e a Vida

Tenho tanto sentimento Que é freqüente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar

Fernando Pessoa

Ildo Meyer / Bom Líder Via Solomon 1

Emoção e Sentimento

Emoção e sentimento não são sinónimos. Pelo contrário, são processos muito diferentes. O que sentiu ao ver o seu filho dar os primeiros passos? Qual foi a emoção? Talvez seja difícil exprimir em palavras. Emoção pode ser definida como um impulso nervoso que provoca um conjunto de reações psico-fisiológicas. Chorar, tremer, transpirar, vomitar, corar, fugir, sorrir, gritar, desmaiar, coração disparar… Independem da vontade, geralmente são de curta duração e muita intensidade, sendo difícil de esconder, pois apresentam manifestações externas e públicas. Podem jorrar a qualquer momento, sofrendo grande influência dos instintos e da não racionalidade.

Sentimento já é algo mais elaborado; envolve racionalização, livre-arbítrio, espiritualidade, bom senso. É a reação que não entendemos (emoção), sendo integrada no nosso ser. Uma emoção madura. Diferente das emoções, sentimentos são privados; os outros só ficam sabendo se existir o desejo de partilhá-los. Amor, paz, alegria, medo, tristeza, esperança, orgulho…

Imagine o corpo humano envolvido por uma membrana impermeável. Somente palavras e emoções poderiam penetrar em seu interior e ali sofreriam transformações.

A emoção/palavra que conseguir penetrar no interior do corpo e ser integrada, ou no mínimo percebida e interpretada, transforma-se em sentimento. A emoção que penetrar e não for sentida, será apenas uma emoção, e deixará como lembrança a dramatização ocorrida do lado de fora. A palavra que não for sentida pode ser intelectualizada sob a forma de pensamento ou também ficar diluída, pelo menos a nível consciente. Assim, teríamos no interior do corpo pensamentos e sentimentos, e do lado de fora, emoções e palavras.

Há um incontável número de coisas que acontecem e são confundidas ora com sentimento, ora com emoção e ora com palavras. Pessoas que não conseguem demonstrar emoções podem ser acusadas de ausência de sentimentos e pessoas muito emotivas podem ser interpretadas como sensíveis. Isto nem sempre é verdadeiro, pode causar constrangimentos afetivos, guerras e até mesmo separações.

O que realmente expressamos para nós mesmos e para o mundo? Emoções? Sentimentos? Palavras?

Comecemos pelas palavras. Por melhor que seja a intenção, dizer não é o mesmo que sentir. Ao dizer, altera-se o que se sente. Só o estar sofrendo diz o que é sofrer. Além disto, com palavras pode-se mentir, dissimular…

Emoções podem demonstrar sentimentos, mas como saber se aquelas lágrimas são a via de saída de um sentimento ou apenas o processo de entrada para o interior do corpo?

Nem sempre sentimos o que queríamos sentir ou o que os outros esperavam que sentíssemos. Agarramo-nos então a padrões sentimentais pré-estabelecidos (despedida-choro, falecimento-tristeza) que nos deixam confusos, isolados, sem palavras ou emoções, e às vezes, alienados da realidade.

Como as emoções, sentimentos também fogem de nosso controle, com a diferença de que não são fugazes, ficam no interior de nossos corpos remoendo, marcando, lembrando.

Amor é sentimento; paixão é emoção. Na paixão estamos presos, somos ruidosos, ansiosos, ciumentos, febris, egoístas, inseguros. O amor liberta, desprende, traz paz. Ao contrário do que muitos pensam, amor não mata; a paixão é que pode matar.

Alegria é um sentimento, euforia e gargalhadas são emoções. Medo é um sentimento, pânico e desespero são emoções. Raiva é um sentimento, ódio é uma emoção.

Emoções são instintivas. Palavras podem ser racionais demais. Sentimentos podem ser o ponto de equilíbrio.

Palavras não controlam desequilíbrio emocional, não funcionam na irracionalidade. Sentimentos têm esta força. Amparam, acodem e podem até transformar mágoa em alegria, pavor em coragem e ódio em amor.

No clamor das emoções e das palavras se fazem as guerras, no discernimento dos sentimentos é que se busca a paz.

Como encontrar e ter acesso aos sentimentos? Fácil! Estão no mesmo lugar desde que nascemos. Sentimentos são internos. Estão lá dentro de nossos corpos, esperando para crescer e amadurecer.

Ildo Meyer / Bom Líder Via Solomon 1