segunda-feira, 18 de maio de 2009

Encarar o Casamento

A família começa com o amor de um casal. Logo no início da Bíblia, podemos ler claramente: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”.

Espera-se que ao amor sejam acrescentados companheirismo, paciência, respeito e dedicação ao outro. As dificuldades do casal servem para fortalecer esses sentimentos, cultivados ao longo do tempo...

Mas então porque as pessoas têm tanta dificuldade em manter a relação matrimonial? Talvez porque não se veja o casamento como uma parceria, mas como uma dependência.

Numa relação há inúmeras trocas: de afecto, de gentilezas e até mesmo de impaciência. O casal tem que saber identificar seus desejos e também suas limitações, procurando contornar situações de stress, cansaço e desânimo.

E talvez esteja nesta falta de percepção do outro que alguns casamentos – dentro e fora da igreja – se desmancham como castelos de areia. Na primeira onda mais forte, cada um corre para o seu lado.

Quando somos dependentes dos outros, não temos uma relação que se transforma com o tempo. Um sempre pede e o outro sempre atende, e ninguém se preocupa com o facto de que a relação está sendo construída sobre desejos e não sobre o amor. Quando o dependente achar que não está sendo devidamente atendido e o provedor pensar que está sendo explorado, a relação termina.

Não que este tipo de relação seja exclusiva de nossa época. Casais assim sempre existiram. O problema é que nosso individualismo está justificando cada vez mais o fim do casamento. Se não tenho o que quero dentro da relação, não preciso me preocupar em consertar o que está errado ou em ver o lado do outro, basta que haja a separação. E quem pede divórcio uma vez, pede duas, três vezes e assim por diante. Fora o individualismo, ainda temos que enfrentar o poder do entretenimento. Hoje em dia, parece que o casamento tem que divertir as pessoas: você se casa para ter uma companhia para sair, ir dançar, viajar. Quando não há mais diversão, não há porque continuar juntos. É como brincar de casinha e parar a brincadeira quando se cansa dela.

Então, vamos parar de brincar e encarar o casamento como deve ser. “Digno de honra entre todos seja o matrimónio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros”.

Via Nani e a Teologia

domingo, 17 de maio de 2009

O Casamento visto por um Ateu

« Como disse o filósofo ateu Bertrand Russell, "o casamento é algo mais sério do que o prazer de duas pessoas na companhia uma da outra; é uma instituição que, através do facto de dela provirem filhos, forma parte da textura íntima da sociedade, e tem uma importância que se estende muito para além dos sentimentos pessoais do marido e da mulher" »

Citado por Anselmo Borges

In Diário de Notícias de 16 de Maio de 2009

The Brooklyn Tabernacle Choir - Glory Aleluia

sábado, 16 de maio de 2009

Gregos são desenrascados, Turcos são afáveis

Vista parcial da cidade de Bodrum-Turquia
Gregos são desenrascados, turcos são afáveis. Este podia ser o resumo, mais que sintético, de quem tivesse apenas um dia para estar em cada lado da fronteira, numa cidade grega e numa cidade turca. Julgo que, se alguma vez vierem a fazer parte da União Europeia, os turcos deixarão de ser tão afáveis, mas os gregos não deixarão de ser desenrascados e despachados, mesmo que afabilidade seja uma palavra com difícil tradução para um grego moderno ( mesmo correndo aqui o risco das generalizações ). No inglês possível , com uns e outros, lá se sobrevive no meio de duas línguas que, mesmo sendo, quiçá, de raiz mais antiga que o português, continuam tão impenetráveis quanto “esquisitas” ao ouvido de um europeu do extremo ocidental da Europa. O desenrascanço de gregos e a afabilidade de turcos, no seu contacto com os visitantes estrangeiros, leva a que fiquemos com a sensação de que nós, portugueses, somos assim como que uma espécie de “dois em um” : isto é, somos desenrascados por natureza e, com os visitantes, somos afáveis q.b., ao contrário de gregos que se enfadam facilmente com quem tem que lhes “mendigar” alguma informação sobre a melhor maneira de ficar a conhecer a sua terra. Quanto ao “inglês possível”, partem os “tugas” do príncipio de que não vale a pena tentar, por cá, aventuras linguísticas, e lá vamos indo na onda do “gesto é tudo” mesmo se quem nos visita possa ficar sem perceber patavina sobre o que lhe pretenderia transmitir o interlocutor… Valham-nos “nuestros hermanos” ( já que estamos em maré de comparações e contrastes ), que para as línguas têm tanta queda como os gatos para a água… e assim salvamos a honra do convento, especialmente se um visitante percorrer a península e perceber que a Ibéria não se encerra em Espanha... Desconfio, também, que a afabilidade dos turcos lhes advém de sentirem que, nos negócios, é sempre possível que alguém não entenda que os preços que pedem nas lojas não são para levar a sério… talvez por isso começam a pedir 100 e a vender por 5, salvo quando o pobre turista não é português e, por isso, não entende este contorcionismo negocial, deixando-se ir na amizade sem medida e na conversa fácil do negociante, amigo do peito em cinco minutos feito . Bom para o turco, que aumenta exponencialmente o lucro .
Jacinto Lourenço

Os Grandes Telescópios de William Herschel

Telescópio de Herschel do Observatório de Madrid. | Observatório Astronómico Nacional (IGN)

Estimulado pela descoberta do planeta Urano e pela fama que ganhou como astrónomo, a partir de 1781 Herschel começou a construir telescópios reflectores progressivamente maiores.

Ao primeiro espelho que produziu, e que tinha 15 cm de diâmetro, sucederam-se outros de 22,5 cm, de 48 cm e de 60 cm, respectivamente. Para culminar, desenvolveu um telescópio verdadeiramente gigante para a época: um espelho com 1,22 mt e com um tubo de 12 mt de comprimento. De cada vez que Herschel usava um telescópio de maior dimensão para as suas observações, realizava sempre novas e espectaculares descobertas.

Os telescópios de Herschel, os primeiros telescópios de grande dimensão da história, ilustram a forma como a história da Astronomia está intimamente ligada ao desenvolvimento tecnológico do telescópio. […]

In jornal El Mundo Digital

Versão integral do texto, em Castelhano, Ler Aqui

Tradução do texto reproduzido por Ab-Integro

Para Descansar, ou Talvez Não ...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Oração de Uma Palavra só

A expressão da mais absoluta confiança está presente no momento da mais profunda solidão e senso de abandono e desamparo.

As pessoas que convivem comigo dificilmente me descreveriam como um homem de oração. Mas peço licença a Paulo, apóstolo, para usar suas palavras em minha defesa – “Ninguém me considere insensato! Ou então suportai-me como insensato, a fim de que também eu me possa gloriar um pouco. O que vou dizer, não o direi conforme o Senhor, mas como insensato, certo que estou de ter motivo de me gloriar”.

Sou um daqueles denunciados por William James, que ora simplesmente porque não consegue evitar a oração. Minha vida de oração não se explica por outra razão senão o mais profundo desespero. Durante muito tempo carreguei a culpa de orar por razões diversas – a busca da santidade, o amor ao Senhor (o famoso e piedoso “buscar a Deus por quem Deus é”) ou mesmo aquela intercessão generosa, solidária e compassiva. Mas encontrei consolo nas palavras de Thomas Merton: “A oração é uma expressão de quem somos”.

A oração nunca me fez sentido. Para falar a verdade, ainda não faz. Também não consigo compreender a mecânica ou dinâmica processual da oração. Jamais consegui me ajoelhar aos pés de um deus deliberativo, que recebe as petições e súplicas das mãos do “anjo protocolador” e as despacha à luz de critérios misteriosos. Não consigo imaginar um deus pensando se responde ou não à súplica de uma mãe no corredor do hospital ou considerando se atende ou não ao clamor de uma comunidade que pede chuva.

Alguém deve imaginar que Deus ouve as orações, avalia a questão e depois dá ordens aos seus anjos conforme sua perfeita vontade: “Gabriel, faça com que aquele advogado desista da compra do apartamento, pois decidi que vou deixar que o casal que orou esta manhã feche o negócio”; ou “Miguel, dê um jeito de aquele menino esquecer o agasalho e ter que voltar para buscar, porque a mãe dele está orando e eu vou poupá-lo do acidente que está para acontecer na esquina da escola”. Se o leitor acredita que as coisas de fato acontecem desta maneira, nada contra. Não tenho qualquer argumento para afirmar que Deus não faça ou não possa atender orações desse tipo. Respeito seu ponto de vista, até porque não duvido que você tenha inúmeras histórias de orações cujas respostas de Deus o levam a acreditar que as coisas funcionam assim mesmo. […]

Por René Kivitz

In Revista Cristianismo Hoje

Versão Integral do texto, Ler Aqui