sábado, 23 de maio de 2009

The Brooklyn Tabernacle Choir - I'll Say Yes

Velhos são os Trapos

Faleceu na passada Terça-Feira, 19 de Maio, a Blogueira Maria Amelia Lopez, aos 97 anos de idade.
Que tem isso de extraordinário ? Numa abordagem simplista, nada. Pessoas com 97 anos de idade cumpriram um longo percurso de vida, e o normal é que poucos de nós possamos vir a chegar à idade de Maria Amelia, especialmente com a mesma disposição e espírito que ela revelava. O que pode ter de extraordinário é que o seu Blogue tenha movido milhões de pessoas a visitar o mesmo e que esses milhões de visitas lhe tenham valido, até, ser ela própria, visitada pessoalmente pelo primeiro ministro espanhol, José Luis Zapatero, de quem era apoiante.
Segundo a própria, foi o seu neto que a introduziu no mundo da Internet. Depois, ela começou a fazer do seu Blogue uma ocupação que a roubava à letargia a que habitualmente as sociedades de hoje condenam os anciãos, como se estes não tivessem mais nada para nos dar. Maria amélia Lopez passou ao lado desse estigma social com que são olhados os idosos, na maior parte das vezes descarregados em "lares" que são autênticas antecâmaras da morte.
Velhos são os trapos.
Chega à minha memória um trecho do Salmo 92:
12 O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.
13 Os que estão plantados na casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos.
Que descanse em Paz, Maria Amelia Lopez, na expectativa de que a tenha encontrado, durante a sua vida, em Cristo.
O Blogue de Maria Amelia Lopez pode ser visitado Aqui.
Que o seu exemplo sirva para que familiares de anciãos olhem, com outros olhos, a pessoa idosa, que merecerá sempre o nosso respeito, carinho e amor na curva descendente da sua vida.
Jacinto Lourenço

Dependentes na Declaração de IRS

O pai moderno, muitas vezes perplexo e angustiado, passa a vida inteira correndo como um louco em busca do futuro, esquecendo-se do agora. Com prazer e orgulho, a cada ano, preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda. Cada nova linha acrescida foi produto de muito trabalho. Lotes, casas, apartamentos, sítio, casa na praia, automóvel do ano. Tudo isso custou dias, semanas, meses de luta. Mas ele está sedimentando o futuro de sua família. Se partir de repente, já cumpriu sua missão e não vai deixá-la desamparada. Todavia, para escrever cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só. É preciso ter dois ou três; vender parte das férias, levar serviço para casa. É um tal de viajar, almoçar fora, fazer reuniões, preencher a agenda - afinal, ele é um executivo dinâmico, não pode fraquejar. Esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens, o valor que efetivamente conta, está em outra página do formulário de Imposto de Renda - naquelas modestas linhas, quase escondidas, em que se lê: relação de dependentes.São filhos que colocou no mundo, a quem deve dedicar o melhor do seu tempo. Os filhos, novos demais, não estão interessados em propriedades e no aumento da renda. Eles só querem um pai para conviver, dialogar, brincar. Os anos passam, os meninos crescem, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma à construção do futuro, que não participou de suas pequenas alegrias. Não os levou ou buscou no colégio; nunca foi a uma festa infantil. Um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. Há órfãos de pais vivos porque estão o pai, para um lado, e a mãe, para outro, e a família desintegrada. Sem amor, sem diálogo, sem convivência que solidifica a fraternidade entre irmãos, abre caminho no coração, elimina problemas e resolve as coisas na base do entendimento. Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos, que só se encontram de passagem em casa. E para ver os pais, é quase preciso marcar hora. Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a mensagem que tenho para dar é: não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos. Dos dezoito anos de casado passei quinze absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações e totalmente entregue a um objetivo único e prioritário: construir o futuro para três filhos e minha esposa. Isso me custou longos afastamentos de casa; viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão... Agora estou aqui com o resultado de tanto esforço; construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda de Luiz Otávio e Priscila. De que vale tudo o que ajuntei, se esses filhos não estão mais aqui para aproveitar isso conosco? Se o resultado de trinta anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio e, desses bens todos, não restasse nada mais do que cinzas, isso não teria a menor importância, porque minha escala de valores mudou e o dinheiro passou a ter peso mínimo e relativo em tudo. Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura do meu filho que se drogou e morreu; não foi capaz de evitar a fuga de minha filhinha que saiu de casa e prostituiu-se e dela não tenho mais notícias, para que serve? Para que ser escravo dele? Eu trocaria - explodindo de felicidade - todas as linhas da declaração de bens por duas únicas que tive de retirar da relação de dependentes: os nomes de Luiz Otávio e de Priscila. E como doeu retirar essas linhas na declaração de 1986, ano base 85. Luiz Otávio morreu aos quatorze anos e Priscila fugiu um mês antes de completar quinze.
Fonte: Depoimento de Hélio Fraga

sexta-feira, 22 de maio de 2009

22 Maio: Dia Internacional da Biodiversidade

foto Jornal El Mundo. Uma espécie de sapo ameaçada

"62 Ideias para Travar a ameaça à biodiversidade"

Versão Integral do texto. Ler Aqui, em Castelhano.

A Igreja por Detrás da Máscara

Em Mateus 16, do verso 13 ao 20, Jesus, enquanto caminhava para Cesaréia, aldeia ao norte da Galiléia, administrada por Filipe, perguntou aos seus discípulos sobre o que o povo pensava dele. Queria saber que identidade lhe atribuiam. A gente sempre se relaciona com o outro a partir da identidade que lhe atribuimos, independente dessa identidade atribuída corresponder ou não com a identidade assumida pelo outro. O povo atribuiu ao Senhor a identidade de profeta. É verdade que o compararam aos profetas mais contundentes que Israel já conheceu: Elias, Jeremias e João Batista. Mas profeta. O povo errou, entretanto, Jesus não fez nenhum comentário. O povo não sabia quem era Jesus, mas não se importava muito com isso, porque buscava o que Cristo lhes pudesse fazer, não, necessariamente, o que tivesse a lhes dizer. Tanto que Jesus teve de orientar os discípulos a ter sempre um barquinho à mão caso ele fosse comprimido pelo povo (Mc 3.9,10). Porque, como o povo percebera que bastava tocar em Jesus para ser curado, muitos arrojavam-se sobre ele para o tocar. Iam ao encontro de Jesus para buscar uma benção. De fato, ao invés de irem ao encontro de Jesus, iam-lhe de encontro. Jesus, então, foi obrigado a se proteger do povo que queria abraçar. Acho que podemos chamar a esse ajuntamento de A Igreja da Multidão. A igreja que não sabe quem é Jesus, só sabe e só se importa em saber o que Jesus lhe pode fazer, como lhe pode ser útil. Hoje, cada vez mais, há igrejas que parecem ter o mesmo perfil da multidão: sua mensagem acaba por incentivar um relacionamento utilitário com Jesus. Em contrapartida há a Igreja dos Discípulos. Pedro, à mesma pergunta, respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Resposta perfeita, porque diz que Jesus era o Messias esperado, mas era mais do que se esperava, pois aguardava-se o maior de todos os profetas (era o que criam os mestres de Israel na época), entretando, Deus mesmo veio em carne e osso para salvar a humanidade. Essa Igreja sabe quem Jesus é. E o sabe porque o próprio Pai o revelou, como afirmou Jesus a Pedro. A Igreja dos Discípulos é a Igreja que o Pai deu para o Filho, porque pertence a ela aqueles a quem Jesus, pelo Pai, foi apresentado (Jo 6.44). A Igreja dos Discípulos sabe que a única maneira de relacionar-se corretamente com Jesus é através da adoração. A um líder a gente segue; a um chefe a gente obedece; a um profeta a gente ouve; de um mestre a gente aprende; a Deus a gente adora. Essa é a Igreja que o Filho edifica, porque esta fica sobre a Pedra, que é Jesus reconhecido como Deus que veio em carne e osso para nos salvar. E como nos ensinou o apóstolo Paulo, adorar a Jesus é imitá-lo (1 Co 11.1). E isso é fruto do desejo de ser igual a Jesus, e quanto mais a gente anda em direção a esse desejo, mais o Espírito Santo o torna realidade em nossas vidas (2 Co 3.18). A Igreja da Multidão está à cata das bençãos. Do tipo que até o adversário pode dar. A Igreja dos Discípulos está à cata das palavras de vida eterna; essas que só Jesus tem (Jo 6.68). A Igreja da Multidão busca crescer a todo custo, e para isso lança mão de todo e qualquer esquema. A Igreja dos Discípulos vai buscar as ovelhas de Cristo, as que reconhecerão a sua voz, para que haja um só rebanho e um só pastor (Jo 10.16); e, para isso insiste na exposição da verdade que liberta. A Igreja da Multidão promete o fim do sofrimento e bençãos materiais. A Igreja dos Discípulos promete a vida abundante e a ressurreição. A Igreja da Multidão convoca indivíduos a serem individualistas: a terem tudo o que, pela fé, possam conseguir. A Igreja dos Discípulos convoca indivíduos a serem pessoas comunitárias: a doarem tudo o que a fé, que liberta das posses, permite doar. A Igreja da Multidão exorta as pessoas a desfrutarem o mundo. A Igreja dos Discípulos exorta as pessoas a, irmanadas, transformarem o mundo. A igreja dos Discipulos está querendo mais da vida de Jesus para, na vida, ser cada vez mais como Jesus. Cada pessoa que se diz seguidora de Cristo; cada pessoa que se considera pregadora do evangelho; cada comunidade que se diz cristã precisa se submeter a esse gabarito, para descobrir de que referencial faz parte, ou de qual se aproxima mais: da Igreja da Multidão ou da Igreja dos Discípulos. Todos seremos tentados a buscar o que busca a Igreja da Multidão, mas não nos esqueçamos: o tesouro é Cristo e, com ele, vem tudo o que precisamos para ser como ele: gente como gente deve ser. No Reino de Deus Jesus é tudo em todos os súditos; e tudo o que os súditos do Reino querem ser é todo Jesus.

Viva a Sua Humanidade

[…] Vivemos no mundo das relações fluídas, dos compromissos instáveis, das promessas frágeis. Sobram poucos vínculos sólidos com a mobilidade urbana, com a redução dos núcleos familiares, com a competição do mercado. Ora, ora, quem seria leal a um supermercado sem preço competitivo? Para que continuar com um sabão em pó se existe outro mais barato e mais eficiente? Infelizmente, tal atitude transborda para as relações sociais. Observe os clubes. Antigamente as famílias se associavam não só por lazer, mas para conhecerem pessoas, formarem círculos de amizade. Em Fortaleza, minha terra natal, era sinal de status pertencer a um clube. O Maguary era da classe média baixa, o Náutico, para os mais abastados, mas a elite freqüentava o Ideal. Hoje, porém, quase todos fecharam ou estão em crise. Por quê? As pessoas já não querem compromisso, não desejam pertencimento. Qual o resultado desse distanciamento social? Filhos se mudam para longe do núcleo familiar, casamentos desabam com facilidade e primos passam anos sem se encontrar, mesmo morando numa mesma cidade. Não se culpe, não se sinta responsável pela rotatividade dos membros da comunidade, as pessoas não são necessariamente más ou ingratas, apenas vítimas do espírito da época. Ademais, com a crescente secularização, a igreja deixou de ser um centro. Sei que é cruel admitir isso, mas o pastor não passa de confeite de bolo. Explico a metáfora. Quando se assa um bolo, alguns ingredientes são essenciais, ovo, açúcar e farinha de trigo. Mas o confeite não é tão importante. Sem cobertura, um bolo continua um bolo. Por mais que os pastores se esforcem, muitos já não percebem a religião como primordial. Em feriados prolongados, não titubeiam em faltar ao culto; quando se inaugura uma igreja mais perto de casa, não hesitam em pedir transferência. Por mais que os pastores se autodenominem apóstolos, por mais que cobrem obediência, por mais que se proclamem autoridade divina, não passam de confeite, são menos relevantes. Lide com suas dores, mas considere essas questões. Não adianta esmurrar a ponta da faca. Você vive em um período peculiar da história e vai ser preciso que se adapte. Não cobre o que as pessoas não compreendem e não se culpe pelo que foge do seu controle. Por outro lado, mude o significado de sua comunidade. Não reforce a idéia de que deve “atrair” membros com eventos. Uma bela organização, discurso motivador, luzes, sons e promessas de milagres produzem crescimento numérico sim. Depois vem a dificuldade de manter o auditório. Quanta energia espiritual desperdiçada com espetáculos cada vez mais elaborados! Esqueça a noção de que a sua igreja precisa “acontecer” ou ser bem sucedida. Pare de contar "cabeças", de contabilizar finanças, de comparar estatísticas. A mesma multidão que lota o auditório famoso, correrá para quem oferecer mais facilidades, melhores sermões ou um amplo estacionamento. Sua vocação é conviver, não discursar; doar-se, não gerenciar. Infelizmente, o mundo corporativo vazou para dentro das igrejas e a maioria dos pastores se concentra em manejar o sagrado; desejam ser reverenciados como “ungidos” de Deus. Fuja disso! Viva sua humanidade. Permita que lhe façam companhia em sua jornada de pai, amigo, profeta e pastor. Doe-se sem esperar recompensa. Viva com gravidade e leveza, sobriedade e motejo, valentia e circunspeção. Seja inteiro em tudo. Realize-se na excelência de oferecer o melhor de si. Assim, quando alguém lhe der as costas, a dor será menor.
Soli Deo Gloria.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Como Defender-se do Aquecimento Global...

Via Jasiel Botelho

7 Passos para o Fracasso

Paul Krugman ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2008. Depois, passou a escrever para o jornal “The New York Times”. Em “A Desintegração Americana” (Editora Record), Krugman relata os caminhos que levaram uma economia próspera à bancarrota. A orelha do livro avisa que Krugman “examina como a exuberância cedeu lugar ao pessimismo, como a era dos heróis empreendedores foi substituída pela dos escândalos corporativos e como a responsabilidade fiscal entrou em colapso”. Publicado originalmente em 2003, parece um mapa para o fracasso que agora assombra o mundo inteiro.

O capítulo 1 começa com um texto de 29 de dezembro de 1997, que pergunta o que o mercado andava tramando. Busca saber como “homens e mulheres inteligentes -- e devem ser inteligentes, porque se não fossem, como ficariam ricos? -- podiam fazer tanta bobagem”. Krugman previu que o andar da carruagem da economia acabaria no barranco. E, ironicamente, sugeriu sete posturas para precipitar o mercado no despenhadeiro. Ei-las:
1. Pense a curto prazo. Não projete, não raciocine, para cinco anos. Descarte esse tipo de projeção como excessivamente acadêmica, portanto, desprezível no mundo dos negócios.
2. Seja ambicioso. Tenha como objetivo ganhar e ganhar. Não considere que existam limites para a subida de ações na bolsa. Tente abocanhar os mínimos percentuais das pequenas variações do mercado.
3. Acredite que existe sempre alguém mais tolo do que você. Despreze os outros. Há pouco tempo o mundo corporativo trabalhava com a lógica de que suas estratégias eram seguras porque “sempre haverá alguém suficientemente estúpido para só perceber o que está acontecendo quando for tarde demais”.
4. Acompanhe a manada. Não ouça as vozes discordantes. Pelo contrário, “as poucas e tímidas vozes antagônicas” precisam ser ridicularizadas e silenciadas. 5. Generalize sem limites. Crie preconceitos. Gere reputações. Condene ou louve instituições e pessoas por critérios difusos e subjetivos.
6. Siga a tendência. Procure ver o que está dando certo, copie acriticamente e espere que os resultados se repitam com você.
7. Jogue com o dinheiro dos outros. Preserve sua carreira e tente progredir com o capital alheio.
Os sete pontos de Krugman valem para qualquer outra atividade humana, inclusive a religiosa. Ao detalhar a rota do desastre, ele talvez não tenha atinado para sua pertinência entre os evangélicos. Nem todos os líderes são lobos predadores; muitos não passam de vítimas de um sistema perverso que conspira contra eles. Como cordeiros equivocados, caminham para um matadouro armado pelo sistema que a Bíblia chama de mundo.
Evangelismo a curto prazo compromete a próxima geração. Diversos pastores, ávidos por sucesso, agem como pescadores predatórios. Existem diversas maneiras de pescar: tarrafa, rede, anzol. Cada jeito produz diferentes resultados. Talvez o mais eficaz seja com dinamite: localiza-se o cardume, detona-se a bomba e logo boiarão milhares de peixes. O problema com esse tipo de pesca é que ela destrói o rio para a próxima geração. O barco fica cheio, mas o neto do pescador não conseguirá tirar seu sustento do rio. A sede de lotar o auditório pode transformar o pastor em um pragmático irresponsável, que repetirá: “Não é possível que esteja errado, crescemos como nenhuma outra igreja”. As patacoadas milagreiras, a repetição enfadonha de chavões, as bizarrices sobrenaturais que se observam em muitas igrejas não passam de dinamite que garante o barco repleto no próximo domingo, mas o rio religioso estará vazio no futuro.
Ambição não se restringe à esfera financeira. Alexandre, o Grande, Hitler e tantos outros falharam porque não souberam dizer “basta”. Cobiça existe inclusive entre os sacerdotes. A pretensão de alcançar o mundo, tornar-se o evangelista famoso que afeta uma geração é luciferiano na essência. Muitos pastores perderam a alma nesta busca.
Ao acreditar que só os ingênuos procuram os ambientes religiosos, eles desprezam os auditórios. Pastores repetem as mesmas ilustrações, narram histórias fantásticas inventadas como milagres e pregam sermões ralos. Porém, se permitem este desdém porque se acham mais espertos que os seus ouvintes. Mal sabem que, nas conversas em pizzarias, são ridicularizados pelos jovens.
Acompanhar a manada significa contentar-se com o “status quo”. A posição morna dos muristas que Deus vomitará de sua boca. O mimetismo religioso acontece porque muitos têm preguiça de perguntar a verdade que alicerça o que está sendo feito.Criam-se fronteiras para definir com precisão quem está dentro e quem está fora. Os que estão fora são tratados com desprezo. Preconceitos se formam para que não haja culpa quando for preciso apedrejar.
Ao seguir tendências, modismos passam a ser tratados como projetos que deram certo devido à aplicação de “princípios universais”. Indolentes, repetem o chavão: “Nada se perde, nada se cria, tudo se copia”. Da mesma maneira que os financistas que atolaram o mundo nesta crise, muitos sacerdotes não se dispõem a apostar seu capital nas muitas empreitadas em que se metem. Mobilizam o povo a pagar a conta de seu ufanismo desvairado.
O mundo corporativo e financeiro foi irresponsável por anos. Deflagrou uma crise econômica sem precedentes, queimou trilhões de dólares com socorro a bancos e colocou milhões de trabalhadores na rua, provocando mais miséria. Muitas igrejas seguem os mesmos passos, que talvez gerem um desastre igual ao do mercado financeiro.
Soli Deo Gloria.

Alter do Chão : Património Arqueológico Integra Circuito Turístico

Ponte Romana de Vila Formosa sobre a ribeira de Seda
(Finais do século I, princípios do século II, A.D.)
[…] Depois da inauguração, será colocada a questão: como preservar e dar relevo aos documentos arqueológicos expostos e, naturalmente, outros?
O Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Alter do Chão, pela voz de Jorge António, tem um projecto que denomina Via Hadriana para "recuperação, valorização e promoção histórico e arqueológico", visando "a criação de um circuito turístico integrado de visitas e animação cultural" no concelho. Para aquele gabinete, "é indiscutivelmente um projecto bastante ambicioso, estruturante, de longo prazo e deve assumir-se como uma referência para todo o Norte alentejano". Ou seja, na sua especificação: "pretende-se a fruição pública imediata ao património a intervencionar, aos laboratórios de Arqueologia e Antropologia, às reservas e ao laboratório de conservação e restituo, apostando fortemente no aumento do fluxo turístico e na sensibilização dos visitantes e da população local para a importância do património do concelho". Do ponto de vista do arqueólogo Jorge António, há nove anos a trabalhar em Alter do Chão, os vestígios romanos encontrados em vários pontos desta localidade, bem como a existência ainda hoje de uma ponte autenticamente romana - talvez a única do país, conhecida como 'A Ponte de Vila Formosa', situada sobre a ribeira de Seda (monumento nacional desde 1910, mas a necessitar de urgentes trabalhos de manutenção que, caso não se façam rapidamente, podem vir a contribuir para a sua deterioração), levam a admitir que todo esse conjunto arqueológico edificado poderá ter uma correspondência com a antiga Abelterium, de origem romana, um tecido urbano já de certa dimensão, que tem levado os investigadores a prever que possa ter sido uma sede de civitas. Um dado curioso, no entanto, é que até agora, nas escavações já empreendidas nesta, como noutras regiões vizinhas, também de grande dimensão, não tenham sido encontrados objectos de cariz militar.
In Diário de Notícias de 20 de Maio de 2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Alter do Chão revela amanhã nova Descoberta Arqueológica

Um painel, no centro da vila, representando o último canto da 'Eneida' de Virgílio, vai ser desvendado amanhã, no dia do município de Alter do Chão.

Alter do Chão vai fazer amanhã a divulgação oficial do último espólio arqueológico romano descoberto mesmo no centro da localidade, cujos documentos mais significativos são os monumentais mosaicos encontrados em razoável estado de conservação. Com características únicas, representa o último canto da obra de Virgílio, a Eneida, e a sua datação aponta para o século IV d.C. As intervenções arqueológicas realizadas nos últimos anos, cujos vestígios mais salientes agora se tornaram públicos, permitiram identificar um conjunto digno de nota de estruturas com características romanas que teriam sido, muito provavelmente, um conjunto habitacional bastante ampliado. O arqueólogo Jorge António, há vários anos a trabalhar no local, assinala que esse conjunto habitacional se poderá enquadrar entre os séculos II e IV d.C. Além dos mosaicos, foram descobertos objectos numismáticos, esculturas, cerâmica, quer doméstica (como por exemplo grandes recipientes destinados a conservação e transporte de alimentos) quer de construção, como telhas de vários modelos. Conforme referiu o arqueólogo, o processo de pesquisa arqueológica irá continuar, até porque os indícios já detectados apontam para uma maior extensão de um conjunto ainda submerso que pode ser desbravado. Foi durante trabalhos de obras públicas nos anos 50 do século XX, que os vestígios começaram a ser descobertos, o que levou, em 1956, a uma intervenção de escavação, onde foi encontrado o primitivo balneário, as canalizações e mesmo os primeiros mosaicos com motivos geométricos. Era normal e vulgar, os habitantes locais encontrarem, há 20, 30 anos, "moedas antigas" quando andavam a pastar o seu próprio gado no local. Entretanto têm sido escavados noutros locais do centro de Alter do Chão vestígios de períodos antigos, como uma necrópole tardo-antiga, cujos trabalhos não estão terminados. Vestígios localizados numa zona desabitada e em ruínas, mas que tem uma certa importância histórica, pois nela foram encontrados materiais que vão dos tempos romanos dos meados do século I DC até enterramentos que teriam sido consumados nos séculos VII-IX, ou seja quando aquele território já estaria sob ocupação árabe. Um dos espólios descobertos diz respeito a uma placa funerária, cujo epitáfio se refere a uma senhora de nome Sentia Laurila, que viveu no século I d.C. e que foi encontrada à cabeceira de uma sepultura, cuja datação, por radiocarbono, de um dos ossos enterrados, o situa nos finais do século VIII, princípios do IX. Esta necrópole era cristã, mas a região, nessa altura, já estava sob a alçada moura, possivelmente com uma ocupação muito lassa, do ponto de vista administrativo. De acordo com o estudo do epitáfio em que participaram o arqueólogo Jorge António e o catedrático José d`Encarnação, verifica-se que a mulher terá morridos aos 85 anos. Na placa, são identificados os seus herdeiros. Aqueles investigadores admitem que o nome Laurila tem ascendência indígena.
Por Serafim Lobato
In Diário de Notícias de 20 de Maio de 2009

O último a sair que feche a porta...

Via Jasiel Botelho

Laicidade e Mitos

A laicidade das sociedades é uma falácia quase sempre escondida nos interesses político-económicos de cada país. Veja-se a Turquia, a Argélia ou outras nações, cujos governos, por razões económicas, se vêm na contingência de abdicar dos valores religiosos em prol da economia e do mercado. Veja-se igualmente a União Europeia, composta maioritariamente por uma população de matriz cristã, mas que não quer o seu cristianismo a atrapalhar as relações económicas, embora não menosprezem, alguns dos países que a compõem, a referência às raízes cristãs , numa cada vez menos provável constituição europeia.

A razão para a rejeição ( ainda que velada ) à entrada da Turquia na U.E. tem, quanto a mim, duas forças que a cruzam e moldam vontades: a primeira é que a Turquia assusta Franceses e Alemães pela extraordinária grandeza da sua população, na casa dos setenta e poucos milhões. A segunda é porque a Turquia assusta igualmente a EU, em geral, por ser neste momento a 15ª economia mundial.

Os responsáveis da UE acham que, fazer passar a mensagem, ainda que dissimuladamente, de que o que os assusta é o facto da Turquia ser um país esmagadoramente muçulmano, pode constituir-se numa boa desculpa no sentido do adiamento, para as calendas gregas, da adesão Turca. E a verdade é que têm a psicologia da história do seu lado. Será sempre fácil assustar os povos europeus com o passado Otomano e conquistador, em nome de Alá, cruzando esse passado com um presente de terrorismo dito islâmico, mesmo se o nome da Turquia, enquanto país e nação, nunca tenha sido, nessa matéria, aflorado ou insinuado. Ao mesmo tempo oculta-se, por exemplo, esse outro relevante dado histórico de ter sido, precisamente, o Império Otomano, a ter dado guarida e proporcionado liberdade e descanso aos judeus sefarditas fugidos da Península Ibérica, debaixo da perseguição que lhes foi movida e que coincidiu, em Portugal, com o reinado de D. Manuel I. Antes isso do que dizer aos europeus que a adesão da Turquia à União Europeia não anda, porque Bruxelas, e em especial os maiores países da UE , não irão gostar de ter dentro das fronteiras europeias um país que será só o mais populoso de todos os que a integram. Isto, claro, tem implicações para quem quer ter o poder pelo poder apenas porque acha que é mais “limpo” e mais civilizado por ostentar o nome de “cristão”. A história passada e recente aí está para lembrar os morticínios operados pelo poder político em nome da religião e de Deus, independente se a primeira é de pendor muçulmano ou cristão.

É certo que os problemas internos e externos que a Turquia ainda enfrenta, nomeadamente a questão dos curdos e de Chipre são um obstáculo. Mas talvez não o fossem se os turcos se contassem em menos uns milhões e a sua eventual pequenês demográfica não assustasse tanto…

A Turquia, daquilo que conheço, não é nem mais nem menos laica que qualquer outro país europeu. Vi, numa cidade de média dimensão como Bodrum, duas mesquitas. Vi em Kos, cidade de muito menor relevância no lado grego, muito mais capelas ortodoxas. Se o Laicismo duma nação se medisse por este indicador, então a Turquia sairia claramente vencedora, à frente da Grécia, como país menos interessado nos valores religiosos.

Também não me assusta o facto da primeira dama turca tapar a sua cabeça com um lenço; as mulheres cristãs faziam-no igualmente, e até em tempos não muito recuados, e o apóstolo Paulo, numa das suas epístolas, recomendava-lhes o seu uso em determinados contextos. Também não me interessa que esse objecto tenha um peso significativo para uma mulher muçulmana e não o tenha já para uma mulher cristã. As sociedades não evoluem todas da mesma maneira nem ao mesmo ritmo. O que interessa saber é que tipo de religião temos no coração. O que o exterior revela pode não querer dizer rigorosamente nada relativamente à piedade e vivência espiritual de cada pessoa.

Os europeus gostam de afirmar a sua religião cristã de séculos, como modelo de superioridade cultural e cívica versus a religião muçulmana. Mas isso já os fariseus faziam…

Ser nominalmente cristão ou muçulmano não faz ninguém herdar o céu como não faz nenhuma pessoa ser diferente da outra. Sou Cristão, porque sei que Jesus, o Filho de Deus, Deus encarnado, salvou a minha alma, e experimento, diariamente na minha vida, esse toque particular e íntimo que faz de mim uma pessoa diferente e, espero eu e o meu Deus, melhor a cada dia que passa.

Deus olha para mim, português, europeu, cidadão da UE, da mesma maneira que olha para um turco, cidadão da Turquia: com Amor profundo e isso não é sinal diferenciador para se estar dentro ou fora da UE.

É por isso que eu defendo a Turquia na U.E. Pior é se ela ficar de fora. Por todas as razões.

Jacinto Lourenço

As Coisas em que Cremos

Em tempos de tanta confusão teológica por que passa a igreja cristã […], não é aconselhável professar o cristianismo sem afirmar com clareza aquilo em que se crê. A igreja de Cristo sempre foi uma igreja confessante, porque a genuinidade da nossa fé tem que ser evidenciada naquilo em que cremos e confessamos. Temos que ter a ousadia de afirmar clara e abertamente e, de preferência, de forma escrita, as coisas em que cremos.
Heber Carlos de Campos

Via Frases Protestantes

terça-feira, 19 de maio de 2009

Quando as Pedras Falam

Jesus disse que se não se fala a verdade, as pedras clamam; e afirmou que clamariam até para pregar o Evangelho, caso os mensageiros se calassem ou falsificassem a verdade.

Quando os judeus se mostraram vaidososs por serem “filhos de Abraão”, Jesus lhes disse que das pedras sobre as quais pisavam naquele lugar, Deus poderia gerar verdadeiros filhos de Abraão. Mostrando tanto a liberdade de Deus para se comunicar como bem entende e deseja, bem como acentuando o facto de que “Abraão”, apesar de histórico, é mais que um homem, é um conceito, é um espírito, é um modo, é um caminho, é uma vereda de fé; e que o DNA de Abraão tem o seu genoma na fé que vem como dom de Deus; e, portanto, podendo ser por Deus suscitada até em pedras; ou melhor: até mais facilmente em pedras do que em gente rebelde e arrogante.

Hoje já se sabe que até literalmente as pedras falam. Estou usando o cilício para falar. Toda esta nossa conversa é ciliciana, é papo das pedras, é memória em pedras, é informação disponibilizada em pedra; pois, os homens não se comunicam mais com o coração.

As ciências em geral entraram no ambiente das pedras falantes e contadoras de todas as histórias passadas!

Deus, porém, que faz gente da lama, pode fazer pedras falarem...

Ah, como as pedras falam e ainda falarão!...

Neste tempo em que os discípulos se tornaram como os judeus dos dias de Jesus, mais do que nunca as pedras vão falar...

As pedras falarão quando caírem como porretes em nossas cabeças...

As pedras falarão quando caírem do céu como chuva de meteoritos apocalípticos aos milhões...

As pedras falarão quando os seres mais impensáveis começarem a pregar o Evangelho, ainda que com outra cara, e bem na cara dos aturdidos e empedrados ex-discípulos.

E as pedras estão falando...

Os mais sábios, os mais humanos, os mais sensíveis, os mais perceptivos, os mais conscientes, os mais nobres nas decisões, os mais misericordiosos, os mais amigos da criação, os mais activos no bem, os mais abertos e não preconceituosos, os mais pacientes, os mais esperançosos, os mais generosos — em geral, na maior parte, não frequentam templos e não são religiosos, mas apenas gente; gente que, segundo os cristãos, ainda não se converteu; sendo, portanto, ainda apenas pedras no caminho...

Caio Fábio

A Igreja tem Motivos para Festa ?

Disse J.I.Packer, "Put Holiness First", em Christian Life, maio de 1985, p.46:
"No final das contas, sobre o que é que pregamos e ensinamos e produzimos programas de TV e fitas de vídeo uns para os outros em nossos dias? A resposta geral à minha pergunta parece ser: sucesso e euforia ; obter de Deus saúde, prosperidade, ausência de preocupação e constantes sensações alegres." O que mais me dói quando leio obras de homens e mulheres realmente usados por Deus é que parecem serem ditas ao vento. Estou lendo René Padilha (Missão Integral) - e seu texto de 75, refletindo um problema atual (em seus dias), infelizmente continua ainda mais atual hoje. O mesmo se dá com Moltmann (64 - teologia da Esperança), com Tozer (qualquer coisa, década de 60), e por aí vai.Packer, assim como outros é atualíssimo, pois há uma enxurrada de "palavra" sendo pregada, uma verborragia, nas palavras de Padilha, com resultados pífios. Mas em nome do pragmatismo, e do proselitismo descarado (com frases do tipo: "aqui Deus cura..." - está na hora de curar teu orgulho, caro "apóstolo"), em nome de templos cheios (de dizimistas, e números - "sucesso ministerial" - vaidade das vaidades), em nome do interesse espúrio e falso, vemos uma pregação vazia de prática e autenticidade; e tão verdadeira quanto uma nota de R$2,50. [ nota Ab-Integro : +- € 00,83 ] Uns podem dizer que estou errado. Não vou discorrer muito sobre a questão, mas apenas 3 pontos: 1- Se o "evangelho" está crescendo, e o número de convertidos aumentando, por que o nível de analfabetismo, não diminui? Por que o número de crimes não diminui? Por que o número de políticos cristãos com testemunho de moral elevada não aumenta? Por que não se gasta menos em programas de televisão, som de igrejas e ar-condicionado de templos, e se investe mais em ação social? Quem separou o evangelho da ação social? Cristo, muito mais que anunciando o evangelho, mostrou-se sempre solidário com os necessitados; 2- Se o número de evangélicos está crescendo, e estes não são só nominais, o famoso crente de carteirinha, mas sim de praticantes dignos do adjetivo: cristão, por que mais e mais o testemunho cristão coletivo sofre por causa de iniciativas nada ortodoxas (para não dizer: vulgar, hipócrita, ladra e lasciva), de membros, pastores e de pessoas que não se contentam com o título pastor e se auto-intitulam algo a mais? Quem separou o cristianismo do testemunho pessoal e do bom testemunho dos de fora? Quem separou o evangelho da moral e da ética? Cristo incomodou muitos, mas não se achou dolo algum em Seus atos e palavras; 3- Se o número de templos evangélicos está crescendo, e estes querem impactar realmente a sociedade, por que não há mais ações de e em comunidade? Quem fez a separação litigiosa entre a igreja e o mundo? Orou Jesus: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou." João 17.15-16. Não pertencemos ao mundo, mas estamos no mundo, e é ao mundo que deveremos levar a mensagem do evangelho. Mensagem completa: Senhorio de Cristo, arrependimento, salvação, santificação e obras (não como fim de salvar, mas como o fim do que é salvo). Por que a igreja não pode limpar um parque ao invés de ajudar a sujar as ruas com folhetos? Por que a igreja não pode levar canções e amor a um asilo ou orfanato, ao invés de ser multado pelo alto volume do som de seus templos? Por que não vemos mais ações de visitar os doentes, os enfermos, os presos, os pecadores onde eles estão (ruas, prostíbulos, bocas, danceterias, etc)? Somos sal de saleiro, sem uso, envelhecendo? Somos luz guardada para uma emergência maior? Não basta a catástrofe em que vive a humanidade caída?Não sou especial, em quase tudo descrito acima, participo errando também (senão em tudo). Não há uma denominação errada, há uma geração errada, perdendo o kairós (o tempo certo) de se manifestar o kerygma (anúncio de Cristo), a diakonia (serviço), a martúria (testemunho), e se esquecendo que há uma parousia (segunda vinda de Cristo), onde prestaremos conta de nossos atos, independentes de sermos salvos ou não. Eu quero mudar! Eu quero fazer mais para que Cristo seja glorificado. Eu quero berrar ainda mais para que o evangelho não seja envergonhado! E você?
Ave Crux, Unica Spes!
Alberto M de Oliveira, In Ecclesia reformanda.