terça-feira, 26 de maio de 2009

Aprender com os Amish

Os Amish são pessoas interessantes. Tendo vivido grande parte da minha vida numa área rural com uma população significativa de Amish, tive a oportunidade de interagir com eles, e tenho um certo nível de compreensão da sua cultura. É um conhecimento fascinante. Os Amish fazem uma escolha consciente de viver sem a maior parte das conveniências modernas que os americanos ao contrário vivem diariamente . Eles têm fortes convicções religiosas e um compromisso com os seus princípios. Diferentes comunidades de Amish têm diferentes perspectivas sobre o que é permitido e o que não é, mas todos eles têm uma crença comum de que devem manter uma separação do mundo e das coisas mundanas. Eles oferecem-nos lições sem terem essa intenção, mas ainda assim são valiosas .[…]
Ludwig von Mises Institute/Notícias Cristãs
Versão Integral do Texto, ler Aqui

Vale Tudo na Igreja ?

Consagrei a segunda-feira desta semana à publicação de alguns textos, no Ab-Integro, que versam temas relacionados com igreja e, naturalmente, com a preocupação dos seus autores quanto aos problemas que a mesma enfrenta na actualidade.
Hoje, ao dar uma saltada ao Canto do Jo, verifiquei que o Jorge Oliveira, tinha uns rascunhos para possíveis Posts, não publicados, porque não desenvolvidos, desafiando-nos ( eu senti-me desafiado ) a que “agarrássemos” algum deles levando-o até onde a imaginação nos permitisse, interpreto eu.
Como sou cristão de formação, génese e combate, pela Graça de Deus, há já uns bons anitos, sempre que falo de igreja há como que uma onda que me varre o espírito e a mente e me impele a botar opinião sobre o assunto. Mas meu querido irmão em Cristo, Jorge Oliveira, está criada, com o seu rascunho, uma dificuldade dialéctico-filosófica ( o palavrão é meu ) que se prende com essa coisa simples de sabermos, hoje, sobre o que falamos quando falamos de igreja ?
Sempre me conheci como parte integrante da igreja desde os meus tenros 17 anos de vida ( a Palavra de Deus diz-nos que somos membros de um corpo do qual Cristo é a cabeça ). Passei por muitas fases do seu desenvolvimento, ( e do meu ) participando activamente ou assistindo interessadamente ao seu crescimento ( e ao meu ) em Portugal e no que isso lhe trouxe de bom e de mau.
Tenho, pelo que deixo dito , uma experiência, não acomodada, de trabalho cristão. Cruzei fronteiras conhecidas e desconhecidas no mais íntimo da minha denominação, sempre a mesma desde o primeiro momento. Atravessei desertos mais ou menos longos e experimentei oásis espirituais mais ou menos densos. Pousei tanto nuns como noutros aprendendo a viver e sobreviver em ambos . Combati, desde sempre, aquilo que Paulo designou como o Bom Combate, sem que a minha carreira tenha ainda terminado, salvo se o meu Deus assim o determinar. Considero que, apesar de tudo, não sou melhor cristão que qualquer outra pessoa que tenha igualmente entregue a sua vida nas mãos de Jesus Cristo e dele tenha passado a depender. Sem nenhuma falsa modéstia, continuarei sempre a achar que não sou o melhor dos cristãos. Sou apenas uma pessoa, sem grandes préstimos, a quem Jesus tem abençoado apenas por mercê da Sua imensa misericórdia.
Habituei-me a ouvir-me dizer aos meus filhos e esposa, e a todos os amigos que me são mais próximos, que a igreja era a “nossa casa”. Quando lá entrávamos, deixávamos cair todas as nossas defesas, as mesmas que levantávamos quando, diariamente, saiamos para os nossos trabalhos seculares ou sempre que tínhamos que nos relacionar com alguém de fora da igreja. Não que tivéssemos a ilusão de que só havia gente boa e confiável dentro da igreja ( se assim fosse, não era necessária a igreja ). Somos cristãos serenos e maduros.
Temos certezas quanto à nossa fé, e estas baseiam-se no Grande Amor de Deus por nós e menos no nosso amor por Ele, já que falhamos, nesta área, quais filhos pródigos, mais vezes do que aquelas que desejávamos. Mas acumulámos dúvidas, nos últimos dois para três anos, quanto à igreja ou áquilo a que ainda chamamos igreja.
Não é o conceito bíblico de igreja que nos suscita dúvidas. É o conceito humano de igreja que nos causa arrepios. Curiosamente, tenho hoje grandes e sérias reticências quanto à vantagem de baixar as nossas defesas, quando entramos em algumas igrejas afim de podermos usufruir, supostamente, da comunhão cristã e da fraternidade espiritual no interior das mesmas.
Confesso que as experiências mais amargas, de todos os pontos de vista, e as maiores desilusões que tenho sofrido, têm vindo de dentro da igreja cristalizada e rendida ao fariseísmo militante que a povoa, e em particular a muitos dos seus dirigentes para quem o Amor de Deus não passa de uma metáfora que justifica tudo.
Sou eu perfeito ? Não distingo argueiros de traves ? Gosto de estar na roda dos apedrejadores ? Tenho a pretensão de ser o melhor cristão ? Não a tudo, é a resposta !
Há filhos de Deus dentro das igrejas, mesmo das que são habitadas por pessoas da mesma estirpe que João identificou em Mateus 3:7 ? Claro que sim !
As lutas que tenho travado pelo Evangelho e pelo Reino de Deus têm sido fundamentais na minha edificação cristã. Saio delas muito mais forte. Sou hoje um filho de Deus com uma muito maior auto-estima ( se é que posso aplicar esta palavra aqui ) e certeza da minha fé e com uma muito maior clareza sobre quais os grandes objectivos e prioridades que sustentam a Obra de Deus , em que estou absolutamente envolvido, até que os tempos da Sua visitação se cumpram. E isso não foi negociável para o meu Senhor e não é negociável para mim.
Pagarei qualquer preço que for necessário, sempre que esteja em causa a Verdade contra a Mentira. O Bem contra o mal. A Bondade contra a Maldade. O Amor contra o Ódio. A Ética e a Moral cristã contra a ausência delas. Principalmente dentro da Igreja. Vou insurgir-me, SEMPRE, contra os que imaginam que a igreja é sua propriedade, e pronunciar-me , SEMPRE, por uma IGREJA onde os Santos não sejam uma espécie em vias de extinção. Uma igreja em que valha a pena habitar, mantendo as defesas em baixo, porque nela habita o Amor de Deus que aperfeiçoará, dia a dia, todos os que, como eu, têm a certeza de que não são perfeitos. Uma igreja em que AMOR e COMUNHÃO, FRATERNIDADE, PERDÃO, RECONCILIAÇÃO, VIDA, MISERICÓRDIA, não sejam parábolas que ilustrem um tempo passado , mas lastro para aqueles que sentem ser a IGREJA a sua “casa” até à vinda do Mestre.
Essa é a minha Igreja! A Igreja que vale !
É disto que eu falo, quando falo de Igreja !
Sucedâneos de Igreja não são aceitáveis, mesmo que tenham algumas semelhanças com a Original.
Jacinto Lourenço

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Vinho Novo

Sempre haverá esperança. Enquanto houver inconformados neste mundo haverá esperança. Se por outro lado prevalecer a introjeção do status quo, não resta nada, a não ser o lamento de quem busca a beleza da vida.

Estou decidido a buscar Deus nos lugares inesperados, posto que na pomposa cidade templária de Jerusalém existe a forma, mas na estrebaria fétida de Belém existe a essência. E se na face do estereótipo da religião existe a perversidade da implacável acusação, nas lágrimas da prostituta que beija os pés do Mestre existe a graça. É assim, uma vez que a totalidade do que é belo (e analisando o belo como um efeito), tem uma causa: o Deus das belezas infindáveis - Causa primeira.Todo dom perfeito vem do pai das luzes, e neste negócio não há monopólio. O dom é tão livre quão livre é o doador da vida eterna, e quem quiser detê-lo é tão louco quanto o que diz possuir autoridade sobre a luz do sol. E por estar demasiadamente exposto as insanidades dos que se dizem detentores do exclusivo poder divino, que anseio desesperadamente o vinho novo em odres novos. Os odres da minha existência estão rachados, resultado de exaustivos goles dos empobrecidos vinhos da religião.
Quero experimentar a vertigem da liberdade, quero amar com profunda devoção o Deus encarnado no meigo rabi da Galileia, e livrar minha alma de uma vez por todas da falsa imagem que criei de uma divindade mesquinha e limitada. Como disse o filósofo Blaise Pascal; "Deus fez o homem a sua semelhança e o homem, em retribuição criou fez Deus à sua imagem". Ora, Deus nos fez belos sendo ele a Beleza por essencialidade, e nós o tornamos de uma tal feiura tiranizada. Um deus feio que detesta a liberdade da expressão da pura arte e nos impede de viver a transcendentalização de nossas misérias.
Que nosso propósito seja conhecer e prosseguir em conhecer o Deus de todas as belezas e divinidade das coisas belas, contemplando nelas os arquétipos de um mundo chamado Nova Jerusalém, cidade do Autor da vida, posto que a velha caducou.
Daniel Grubba

A Igreja na Linha da Frente

A igreja cristã deve retomar seu papel profético no mundo e denunciar com veemência as injustiças sociais, os sistemas de opressão e toda e qualquer legitimação da exclusão dos pobres. Antes todavia, a "comunidade dos salvos" deve ser capaz de enfrentar em seu próprio seio, o egoísmo materialista, a alienação sócio-histórica e a letárgica omissão, que constituiem-se reais tentações para milhões de cristãos. Uma igreja militante deve orientar-se através de todo o seu poder dimensional (conforme propõe a teologia da Missão Integral). Isto é, a dimensão koinonica, didática, diaconal, kerigmática e profética. Koinônica. Devemos lutar pela criação de uma comunidade eclesiástica verdadeiramente cristã, onde não reinem as injustiças sociais. Uma comunidade que não seja o reflexo de uma sociedade caída, mas a antítese da mesma. A comunhão (koinonia) entre os cristãos deve ser orientada por um projeto semelhante a da igreja primitiva conforme relato de Atos 2.44-47. Didática. Em tempos de relativismo ético e moral, a igreja deve assumir um projeto de ensinar à sociedade e a igreja uma ética que seja solidária e comunitária. Um ensino que seja evidenciado pela práxis cristã fraternal. Diaconal. É o servir, praticar a filantropia. A igreja é o lugar dos que servem, quem quer ser servido encontre outro lugar. Servir é encarnar a mensagem do Bom Samaritano, seguindo seu exemplo. É exercer a compaixão conforme nos ordena Jesus em Mateus 25. Kerigmática. Levar a mensagem de salvação e libertação. Mensagem esta que tem como objetivo transformar as realidades do mundo em que vivemos e não se conformar com ele (Rm.12.2). Profética. Denunciar os sistemas de opressão, as perversas leis do mercado capitalista, a maligna ordem de exclusão social e egoísmo crescente no coração do homem. Como podemos ver, esta dimensão eclesiástica integral é muito mais do que apenas atenuar os efeitos nocivos da injustiça, como propõe a filosofia assistencialista. A igreja deve ir além, e procurar através de sua função multidimensional, destronar as causas deste mal chamado injustiça social. O mal metafísico, isto é, as realidades espirituais da maldade(Efésios 6). O mal pessoal, que age no coração do homem desviando-o do caminho da justiça. E por fim, o mal estrutural, que são sistemas sócio-político-econômico de opressão.
"Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso." (Amós 5: 24).
Por Daniel Grubba

Esvaziando a Tentação...

A liquefacção da alma humana é um facto tão real nestes dias de carência, de vazio de carácter e de perda da individualidade sadia, posto que a verdadeira individualidade tenha sido trocada pela persona de grife e de moda generacional a ser adoptada como personalidade, que, hoje em dia, já não existe mais o ambiente da tentação. Tentação pressupõe carácter, conteúdo, idéia, opinião, certeza, príncipio, fé e conduta segundo valores pessoais.

Sem tais coisas não existe tentação...

Ora, como a maioria desistiu destas coisas há algum tempo, no máximo fazendo gestão pública do aparecimento ou não da coisa considerada “tentação” do ponto de vista das convenções, o que resta é que as pessoas existem cada vez mais apenas ante o que possam ou não possam, consigam ou não consigam, alcancem ou não alcancem — pois, de facto, poucos são ainda os que, podendo, não façam o que possam; conseguindo, não realizem os que conseguiriam; e, podendo alcançar, desistam de fazê-lo apenas por uma questão de príncipio. Hoje o que vejo muito é gente zangada com Deus por não as haver ajudado a cair em tentação... Sim, raiva de Deus por não ter transformado a obsessão na tentação em uma feliz resposta à oração.
Pouca gente hoje diz não à tentação...
A oração existencial é: “E não nos livre da tentação, mas apenas das consequências de seu mal contra mim!”
A questão que ficou ante o fenómeno do estar tentado é apenas a constatação de que se pode ou não fazer aquilo... Digo “pode” apenas do ponto de vista da exequibilidade ao não do desejo...
Tentação tornou-se apenas uma alternativa que pode ou não ser abraçada, dependendo de se conseguir manter a tentação em segurança...

Caio Fábio

Romanos 12:9a

Via Genizah

Brasil e Portugal. Lá como Cá. Voltar ao Amor de Deus é Urgente.

Sou um jovem obreiro da Vinha do Senhor, hoje com 32 anos, casado e pai de um menino lindo. Entrei no Seminário teológico aos 17 anos, conclui aos 20. Fui ordenado ao Ministério com 27 anos, e mesmo antes disso já desenvolvia diversas funções na estrutura da igreja. Sou neto de pastor (tanto por parte de mãe quanto de pai), meu pai era presbítero da igreja (dirigiu várias igrejas), sobrinho de pastor, irmão de pastor... Enfim, sou a terceira geração dentro da igreja. O Senhor me deu o privilégio de ter uma formação Teológica sólida e em escolas de excelente qualidade. Meus diplomas não são comprados pela internet. Escrevi seis livros, publiquei artigos (inclusive no Mensageiro da Paz). Tenho o privilégio de servir ao Senhor em uma excelente igreja com um excelente Pastor presidente e lá desenvolver a vocação que o Senhor me concedeu. Estou escrevendo estas informações pessoais para dizer que, embora jovem, possuo raízes profundas. Talvez quando os meus cabelos embranquecerem, eu olhe para trás e leia este artigo e então perceba que na juventude deveria ter sido mais ponderado em minhas palavras... Mas o fato é que neste momento em que escrevo estas palavras, sentado na cadeira apertada deste avião, percebo que não é somente os espaços diminutos das cadeiras que incomodam as minhas pernas, mas o aperto que sinto no meu coração é mais apertado e incômodo do que estas cadeiras. Estou voltando da 39ª AGO da CGADB no estado do Espírito Santo. Volto desta AGO com marcas profundas. Sinceramente, não sei se em minhas orações peço a Deus para que apague estas marcas ou para que as deixe para que eu nunca mais me esqueça do que aconteceu, dos sentimentos que tive sentado naquele auditório. Não seria elegante de minha parte relatar algumas das palavras ditas (bem feias, diga-se de passagem) e nem algumas cenas deploráveis que presenciei. Talvez alguém diga: “ele ficou assim porque o vencedor do pleito não foi o que ele votou”. Tenha certeza, esse não é o problema. As marcas com que saí desta AGO me dizem que está banalizado o Ministério Pastoral. Todos nós somos pecadores e estamos sujeitos ao erro. Não foram poucos os erros apresentados naquela plenária, sobre tudo em relação a balanços financeiros “maquiados”, informações falsas, e que ficou comprovado. Mesmo assim não houve nem um pedido de desculpas, perdão. Nem uma palavra como: “por favor, em nome de Jesus me perdoem, foi um erro acidental, não uma prática comum”. Nada disso. Pelo contrário. Fomos brindados com uma “pérola”: “isso é prática comum nas convenções e presidência de ministérios”! Só se na convenção ou ministério de quem disse isso!! Na igreja em que trabalho não!!! Na Mesa, nem uma palavra sobre isso. Assistiam a tudo imóveis (pelo menos essa era a impressão que se tinha do plenário); nem um pedido de perdão, desculpas... Talvez para eles pastor pedir perdão não seja ético. No final, 80% da chapa foi eleita. Sem desculpas, sem maiores explicações... mas a culpa não é deles... talvez estejam certos... talvez realmente seja prática comum... a maioria aprovou a continuidade... e uma continuidade a mais de 20 anos... é... talvez realmente seja prática comum. Tão comum que a maioria nem se espanta quando nem uma retratação pública é feita. […]
Versão Integral do Texto, Ler Aqui. Pr. Eduardo Leandro Alves

domingo, 24 de maio de 2009

"Mayores"

Em português diríamos pessoas de idade. Num caso e no outro trata-se de eufemismos para fugir à aborrecida palavra "velhos", que podendo e devendo ser tomada como uma afirmação vital ("Vivi e estou vivo") é, com demasiada frequência, lançada à cara do idoso como uma espécie de desqualificação moral. E, contudo, pelo menos no meu país, usava-se (usa-se ainda?) uma resposta definitiva, fulminante, dessas que tapam a boca ao interlocutor: "Velhos são os trapos", respondiam os velhos do meu tempo a quem se atrevesse a chamar-lhes velhos. E continuavam com o seu trabalho, sem dar mais atenção às vozes do mundo. Velhos seriam, claro, mas não inúteis, não incapazes de meter a sovela no lugar certo do sapato ou de guiar a relha do arado com que andasse lavrando. A vida tinha uma coisa má: era dura. E tinha uma coisa boa: era simples. Hoje continua a ser dura, mas perdeu a simplicidade. Talvez tenha sido esta percepção, formulada assim ou doutra maneira, que fez nascer a ideia de criar uma universidade para pessoas de idade em Castilla-La Mancha, essa que precisamente se chama Universidad para Mayores e de que tenho a honra de ser patrono. Pessoas a quem a idade obrigou a deixar o seu trabalho, que fazer com elas? Outras em quem a idade fez nascer curiosidades que até então não se haviam experimentado, que fazer com elas? A resposta não tardou: criar uma universidade para as gerações de cabelos brancos e rugas na cara, um lugar onde pudessem estudar e descobrir mundos do conhecimento ocultos ou mal sabidos. Cada uma dessas pessoas, cada uma dessas mulheres, cada um desses homens, pode dizer quando abre um livro ou escreve a resposta a um questionário: "Não me rendi." Nesse momento uma aura de juventude rediviva perpassa-lhes no rosto, em espírito é como se estivessem sentados ao lado dos netos, ou foram eles que se vieram sentar ao lado dos seus maiores. O conhecimento une cada um consigo mesmo e todos com todos. Qualquer idade é boa para aprender. Muito do que sei aprendi-o já na idade madura e hoje, com 86 anos, continuo a aprender com o mesmo apetite. Não frequento a Universidade para Mayores Castilla-La Mancha (lá irei um dia), mas partilho a alegria (diria mesmo a felicidade) dos que lá estudam, esses a quem me dirijo com estas palavras simples: Queridos Colegas.
José Saramago
In Diário de Notícias de 23 de Maio de 2009

EL SHADDAI BY AMY GRANT

Momentos...

Há momentos em que nada faz sentido. Os acessos ficam comprometidos, as frestas entupidas, as janelas cerradas. Decepção substitui confiança, tristeza apaga o ímpeto e abatimento contamina a gesta heróica. O calor da peleja traiçoeiramente solapa a energia fundamental de viver. As pedras de arranque cedem sob os pés e se esgota o entusiasmo. As balizas do sentido caem. Os diques das emoções se rompem. Há momentos em que o silêncio absoluto e impenetrável da covardia abafa a coragem. O império da culpa confisca a confiança. O pavor do inesperado transforma a alma em masmorra e os sonhos definham em um imobilismo soturno. A poesia versifica o tédio e procura rima para fatiga. O espírito entra no compasso do soluço. Há momentos em que determinação vira sinônimo de teimosia. As escolhas acontecem, empurradas, forçadas. A vida é tangida sem ânimo. Opta-se por constrangimento. Vai-se adiante, simplesmente. O horário cumprido, a tarefa realizada, e só. No tabuleiro, o peão cumpre as regas; no palco, a marionete dança com os dedos do títere; na vida, as pessoas decoram roteiros. Há momentos em que não se pode retroceder. O próximo, o próximo, o próximo, dita a voz soturna que ordena a fila que desce a vertiginosa ladeira existencial. Assim, resilientes e determinados, os humanos caminham. De dever em dever, chegarão ao último e inusitado compromisso, a morte.
Soli Deo Gloria

sábado, 23 de maio de 2009

The Brooklyn Tabernacle Choir - I'll Say Yes

Velhos são os Trapos

Faleceu na passada Terça-Feira, 19 de Maio, a Blogueira Maria Amelia Lopez, aos 97 anos de idade.
Que tem isso de extraordinário ? Numa abordagem simplista, nada. Pessoas com 97 anos de idade cumpriram um longo percurso de vida, e o normal é que poucos de nós possamos vir a chegar à idade de Maria Amelia, especialmente com a mesma disposição e espírito que ela revelava. O que pode ter de extraordinário é que o seu Blogue tenha movido milhões de pessoas a visitar o mesmo e que esses milhões de visitas lhe tenham valido, até, ser ela própria, visitada pessoalmente pelo primeiro ministro espanhol, José Luis Zapatero, de quem era apoiante.
Segundo a própria, foi o seu neto que a introduziu no mundo da Internet. Depois, ela começou a fazer do seu Blogue uma ocupação que a roubava à letargia a que habitualmente as sociedades de hoje condenam os anciãos, como se estes não tivessem mais nada para nos dar. Maria amélia Lopez passou ao lado desse estigma social com que são olhados os idosos, na maior parte das vezes descarregados em "lares" que são autênticas antecâmaras da morte.
Velhos são os trapos.
Chega à minha memória um trecho do Salmo 92:
12 O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.
13 Os que estão plantados na casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos.
Que descanse em Paz, Maria Amelia Lopez, na expectativa de que a tenha encontrado, durante a sua vida, em Cristo.
O Blogue de Maria Amelia Lopez pode ser visitado Aqui.
Que o seu exemplo sirva para que familiares de anciãos olhem, com outros olhos, a pessoa idosa, que merecerá sempre o nosso respeito, carinho e amor na curva descendente da sua vida.
Jacinto Lourenço

Dependentes na Declaração de IRS

O pai moderno, muitas vezes perplexo e angustiado, passa a vida inteira correndo como um louco em busca do futuro, esquecendo-se do agora. Com prazer e orgulho, a cada ano, preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda. Cada nova linha acrescida foi produto de muito trabalho. Lotes, casas, apartamentos, sítio, casa na praia, automóvel do ano. Tudo isso custou dias, semanas, meses de luta. Mas ele está sedimentando o futuro de sua família. Se partir de repente, já cumpriu sua missão e não vai deixá-la desamparada. Todavia, para escrever cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só. É preciso ter dois ou três; vender parte das férias, levar serviço para casa. É um tal de viajar, almoçar fora, fazer reuniões, preencher a agenda - afinal, ele é um executivo dinâmico, não pode fraquejar. Esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens, o valor que efetivamente conta, está em outra página do formulário de Imposto de Renda - naquelas modestas linhas, quase escondidas, em que se lê: relação de dependentes.São filhos que colocou no mundo, a quem deve dedicar o melhor do seu tempo. Os filhos, novos demais, não estão interessados em propriedades e no aumento da renda. Eles só querem um pai para conviver, dialogar, brincar. Os anos passam, os meninos crescem, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma à construção do futuro, que não participou de suas pequenas alegrias. Não os levou ou buscou no colégio; nunca foi a uma festa infantil. Um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. Há órfãos de pais vivos porque estão o pai, para um lado, e a mãe, para outro, e a família desintegrada. Sem amor, sem diálogo, sem convivência que solidifica a fraternidade entre irmãos, abre caminho no coração, elimina problemas e resolve as coisas na base do entendimento. Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos, que só se encontram de passagem em casa. E para ver os pais, é quase preciso marcar hora. Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a mensagem que tenho para dar é: não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos. Dos dezoito anos de casado passei quinze absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações e totalmente entregue a um objetivo único e prioritário: construir o futuro para três filhos e minha esposa. Isso me custou longos afastamentos de casa; viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão... Agora estou aqui com o resultado de tanto esforço; construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda de Luiz Otávio e Priscila. De que vale tudo o que ajuntei, se esses filhos não estão mais aqui para aproveitar isso conosco? Se o resultado de trinta anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio e, desses bens todos, não restasse nada mais do que cinzas, isso não teria a menor importância, porque minha escala de valores mudou e o dinheiro passou a ter peso mínimo e relativo em tudo. Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura do meu filho que se drogou e morreu; não foi capaz de evitar a fuga de minha filhinha que saiu de casa e prostituiu-se e dela não tenho mais notícias, para que serve? Para que ser escravo dele? Eu trocaria - explodindo de felicidade - todas as linhas da declaração de bens por duas únicas que tive de retirar da relação de dependentes: os nomes de Luiz Otávio e de Priscila. E como doeu retirar essas linhas na declaração de 1986, ano base 85. Luiz Otávio morreu aos quatorze anos e Priscila fugiu um mês antes de completar quinze.
Fonte: Depoimento de Hélio Fraga

sexta-feira, 22 de maio de 2009

22 Maio: Dia Internacional da Biodiversidade

foto Jornal El Mundo. Uma espécie de sapo ameaçada

"62 Ideias para Travar a ameaça à biodiversidade"

Versão Integral do texto. Ler Aqui, em Castelhano.

A Igreja por Detrás da Máscara

Em Mateus 16, do verso 13 ao 20, Jesus, enquanto caminhava para Cesaréia, aldeia ao norte da Galiléia, administrada por Filipe, perguntou aos seus discípulos sobre o que o povo pensava dele. Queria saber que identidade lhe atribuiam. A gente sempre se relaciona com o outro a partir da identidade que lhe atribuimos, independente dessa identidade atribuída corresponder ou não com a identidade assumida pelo outro. O povo atribuiu ao Senhor a identidade de profeta. É verdade que o compararam aos profetas mais contundentes que Israel já conheceu: Elias, Jeremias e João Batista. Mas profeta. O povo errou, entretanto, Jesus não fez nenhum comentário. O povo não sabia quem era Jesus, mas não se importava muito com isso, porque buscava o que Cristo lhes pudesse fazer, não, necessariamente, o que tivesse a lhes dizer. Tanto que Jesus teve de orientar os discípulos a ter sempre um barquinho à mão caso ele fosse comprimido pelo povo (Mc 3.9,10). Porque, como o povo percebera que bastava tocar em Jesus para ser curado, muitos arrojavam-se sobre ele para o tocar. Iam ao encontro de Jesus para buscar uma benção. De fato, ao invés de irem ao encontro de Jesus, iam-lhe de encontro. Jesus, então, foi obrigado a se proteger do povo que queria abraçar. Acho que podemos chamar a esse ajuntamento de A Igreja da Multidão. A igreja que não sabe quem é Jesus, só sabe e só se importa em saber o que Jesus lhe pode fazer, como lhe pode ser útil. Hoje, cada vez mais, há igrejas que parecem ter o mesmo perfil da multidão: sua mensagem acaba por incentivar um relacionamento utilitário com Jesus. Em contrapartida há a Igreja dos Discípulos. Pedro, à mesma pergunta, respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Resposta perfeita, porque diz que Jesus era o Messias esperado, mas era mais do que se esperava, pois aguardava-se o maior de todos os profetas (era o que criam os mestres de Israel na época), entretando, Deus mesmo veio em carne e osso para salvar a humanidade. Essa Igreja sabe quem Jesus é. E o sabe porque o próprio Pai o revelou, como afirmou Jesus a Pedro. A Igreja dos Discípulos é a Igreja que o Pai deu para o Filho, porque pertence a ela aqueles a quem Jesus, pelo Pai, foi apresentado (Jo 6.44). A Igreja dos Discípulos sabe que a única maneira de relacionar-se corretamente com Jesus é através da adoração. A um líder a gente segue; a um chefe a gente obedece; a um profeta a gente ouve; de um mestre a gente aprende; a Deus a gente adora. Essa é a Igreja que o Filho edifica, porque esta fica sobre a Pedra, que é Jesus reconhecido como Deus que veio em carne e osso para nos salvar. E como nos ensinou o apóstolo Paulo, adorar a Jesus é imitá-lo (1 Co 11.1). E isso é fruto do desejo de ser igual a Jesus, e quanto mais a gente anda em direção a esse desejo, mais o Espírito Santo o torna realidade em nossas vidas (2 Co 3.18). A Igreja da Multidão está à cata das bençãos. Do tipo que até o adversário pode dar. A Igreja dos Discípulos está à cata das palavras de vida eterna; essas que só Jesus tem (Jo 6.68). A Igreja da Multidão busca crescer a todo custo, e para isso lança mão de todo e qualquer esquema. A Igreja dos Discípulos vai buscar as ovelhas de Cristo, as que reconhecerão a sua voz, para que haja um só rebanho e um só pastor (Jo 10.16); e, para isso insiste na exposição da verdade que liberta. A Igreja da Multidão promete o fim do sofrimento e bençãos materiais. A Igreja dos Discípulos promete a vida abundante e a ressurreição. A Igreja da Multidão convoca indivíduos a serem individualistas: a terem tudo o que, pela fé, possam conseguir. A Igreja dos Discípulos convoca indivíduos a serem pessoas comunitárias: a doarem tudo o que a fé, que liberta das posses, permite doar. A Igreja da Multidão exorta as pessoas a desfrutarem o mundo. A Igreja dos Discípulos exorta as pessoas a, irmanadas, transformarem o mundo. A igreja dos Discipulos está querendo mais da vida de Jesus para, na vida, ser cada vez mais como Jesus. Cada pessoa que se diz seguidora de Cristo; cada pessoa que se considera pregadora do evangelho; cada comunidade que se diz cristã precisa se submeter a esse gabarito, para descobrir de que referencial faz parte, ou de qual se aproxima mais: da Igreja da Multidão ou da Igreja dos Discípulos. Todos seremos tentados a buscar o que busca a Igreja da Multidão, mas não nos esqueçamos: o tesouro é Cristo e, com ele, vem tudo o que precisamos para ser como ele: gente como gente deve ser. No Reino de Deus Jesus é tudo em todos os súditos; e tudo o que os súditos do Reino querem ser é todo Jesus.