quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Bordado de Deus

Quando eu era pequeno, minha mãe costurava muito. Eu me sentava no chão, olhava e perguntava o que ela estava fazendo. Respondia que estava bordando.Todo dia era a mesma pergunta e a mesma resposta. Observava seu trabalho de uma posição abaixo de onde ela se encontrava sentada, e repetia: "Mãe, o que a senhora está fazendo?" Acontece que, visto de baixo, o que ela fazia me parecia muito estranho e confuso. Era um amontoado de nós e fios de cores diferentes, compridos, curtos, uns grossos e outros finos.Eu não entendia nada. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente me explicava: "Filho, saia um pouco para brincar e quando terminar meu trabalho eu chamo você e o coloco sentado em meu colo. Deixarei que veja o trabalho daqui de cima. Mas eu continuava a me perguntar lá de baixo: "Por que ela usa alguns fios de cores escuras e outros claros?" "Por que me parecem tão desordenados e embaraçados?" "Por que estão cheios de pontas e nós?" "Por que não tinham ainda uma forma definida?" "Por que demorava tanto para fazer aquilo?"Um dia, quando eu estava brincando no quintal, ela me chamou: "Filho, venha aqui e sente em meu colo." Eu sentei no colo dela e me surpreendi ao ver o bordado. Não podia crer! Lá de baixo parecia tão confuso, mas agora, vendo-o da perspectiva de minha mãe, aquelas linhas estranhas formavam uma paisagem maravilhosa! Então ela me disse: "Filho, de baixo parecia estranho e complicado, mas agora, vendo-o de cima, você pode entender o que eu estava fazendo."Muitas vezes, ao longo dos anos, tenho olhado para o céu e dito: "Pai, o que estás fazendo?" Ele parece responder: "Estou bordando a sua vida, filho." E eu continuo perguntando: "Mas está tudo tão confuso...Pai, tudo em desordem. Há muitos nós, fatos ruins que não terminam e coisas boas que passam rápido. Os fios são tão escuros. Por que não são mais brilhantes?" O Pai parece me dizer: "Meu filho, ocupe-se com seu trabalho, descontraia-se, confie em mim... eu farei o meu trabalho. Um dia, colocarei você em meu colo e então vai ver o plano da sua vida daqui de cima."Talvez você não entenda o que está acontecendo em sua vida. As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo. É que você está vendo o lado avesso. Mas fique tranquilo: Do outro lado, Deus está bordando a sua vida.

Uma de entre 228 Histórias difíceis de esquecer : A Brasileira que Tinha Medo de Voar

A assessora de imprensa da Presidência da Petrobrás, Adriana Van Sluings, 40 anos,tinha medo de andar de avião, adiou a partida para Paris uma semana, mas finalmente acabou por embarcar no voo AF 447, entre o Rio de Janeiro e a capital francesa, que desapareceu dos radares na madrugada de hoje.

A mãe, a brasileira de origem holandesa Vazti Van Sluings, 70 anos, chegou ao aeroporto pouco depois de a imprensa local começar a noticiar o desaparecimento do avião, e, apesar de visivelmente consternada, disse à Lusa ter esperança nas buscas. "Eu soube da notícia pela televisão que o voo, que tinha saído às 19:00, desapareceu nos radares", contou Vazti. "Antes disse para a Adriana que era perigoso [o destino final, Coreia do Sul]. Despedi-me dela pelo telefone." Segundo a mãe, Adriana tinha medo de voar de avião, e deveria ter embarcado na semana passada mas a partida foi adiada. Depois da escala em França, o destino era Seoul, onde iria participar na inauguração de um navio-sonda da Petrobras. Van Sluings adiantou que Adriana viajava sozinha, e não soube confirmar se outros funcionários da Petrobras estavam no voo. "Eu estou bloqueada. Mas a gente tem esperança", afirmou.[…]
In Diário de Notícias de 01 de Junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

De Joelhos Ninguém Tropeça

Era sábado, de manhã ainda bem cedo. Eu chegava para um evento de jovens numa igreja na periferia do Rio de Janeiro. Ao entrar, encontrei um pequeno grupo reunido em oração. Para minha surpresa, além das senhoras, havia jovens ali. Um deles, que liderava a reunião, convidou a todos para se ajoelhar e orar, e o fez com a seguinte afirmação: “Quem anda de joelhos não tropeça!” Um grupo de anônimos, reunidos bem cedo em oração, numa igreja de periferia. Isso não se torna notícia, nem engrossa estatísticas do nosso controvertido crescimento evangélico. Gente assim também não é levada em conta na abundante literatura destinada a promover os vários métodos de crescimento de igreja. [...]
Versão Integral do Texto, Ler Aqui
In Revista Cristianismo Hoje

O Belo é Divino

O belo se esconde no evidente. Imiscui-se por toda a parte. Tinge a textura do cotidiano. Muitas vezes camuflado no óbvio, pega o coração de surpresa. Olhos displicentes podem não captar a formosura, que permeia a vida. Alma abatida não reconhece o inefável, que está por aí. Basta um instante, um hiato, um risco no céu e lá se foi o encantador, perdido para sempre. Alguma lindeza esquecida espera ser descoberta no fundo do pântano, na escarpa da rocha, no rosto crispado da viúva, no riso frouxo do adolescente.As alvoradas despertam sede de beleza. O orvalho aguça o desejo de alimentar a alma com os muitos matizes do verde das matas. De repente, sempre de repente, desabrocha o anelo pela nuança semântica que tranfigura o texto em recado divino. A música calma deixa o coração estranhamente sorumbático. Mas, na mesma hora, uma excitação sobrenatural converte o lamento em vontade de pular de alegria. A beleza torna a vida irresistível. O belo tem poder. Fascinante, inspira o poeta. Trasforma o leigo em criador fecundo. Incorpora contentamento no triste. Sensibiliza o bruto. Muda o apático em trovador. Incentiva o tosco a bailar no ritmo de melodias imponderáveis. Dá sensibilidade ao cético para perceber a eternidade na realidade crua. O belo é divino.
Soli Deo Gloria

A Vida de Um Homem

“Comecei a viver em tantos lugares e em tantas horas diferentes de nossa época que não sei por onde começar: pelo grande ou pelo pequeno, pelo dentro ou pelo fora, pelo casaco ou pelo coração. Tudo se funde dentro da gente, fora de gente, as vidas e os nascimentos, formando um círculo de folhas, de lágrimas, de fogo, de conhecimentos, de lembranças: e a vida de um homem é como a existência de um dia.”
Pablo Neruda em Pelas Praias do Mundo

The hunter was hunted !

A escocesa Susan Boyle, de 47 anos que ficou famosa depois de participar no concurso britânico «Britain s Got Talent», foi internada de urgência num hospital psiquiátrico com um esgotamento, depois de ter participado no sábado, na final do concurso. Segundo o jornal britânico «The Sun», Piers Morgan, um dos membros do júri, já tinha declarado que Boyle passou a semana que antecedeu a final com insónias e mau estar, referindo que estava esgotada «física e mentalmente».Também, segundo o mesmo jornal, os empregados do hotel em que a escocesa estava hospedada, relataram que Boyle estaria a agir de forma estranha desde a final, no sábado passado.Susan Boyle, dona de casa, considerada favorita no concurso de talentos, ficou em segundo lugar sendo vencida pelo grupo de dança urbana «Diversity». No dia seguinte à final foi internada de urgência na clínica Priory de Londres.«Depois da disputa de sábado, Susan está esgotada e emocionalmente abalada», afirma um comunicado da empresa produtora do «Britain s Got Talent», TalkbackThames.
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Quando uma pacata e recatada cidadã de meia idade, aparência e vivência aparentemente humilde, originária de uma igualmente recatada e humilde vila escocesa, decide mostrar publicamente, os dotes "canoros", não estará ( ou estará? ) à espera de, na sequência da sua prestação, ser "cilindrada" por meio mundo, em busca da devassa, não só da sua voz mas de tudo o que à cidadã Boyle diga respeito, até ao mais íntimo do seu ser.
Susan Boyle, estava habituada a ver estas coisas pela televisão. Quiçá, seria ela própria uma observadora atenta dos modos de vida dos famosos que desfilavam, diariamente, à frente dos seus olhos, nas trinta ou quarenta polegadas do televisor lá de casa, e que "matavam" os seus monótonos minutos de desempregada.
Susan teve tempo para pensar em tudo menos naquilo que a esperava. E o resultado foi "odioso" para ela : The hunter was hunted.
Não aguentou a pressão do estrelato súbito. Milhões de olhos na devassa do seu corpo. Da sua roupa. Dos seus gestos. Das suas robustas sobrancelhas. Do seu ar de "patinho feio" desajeitado a pisar o palco. Da sua vida.
À primeira parecia até fácil. Foi canja para Susan. Rendeu-se à lisonja, ao aplauso do público e do mundo desejoso e sequioso de consumir novos ídolos. À segunda, a humilde Boyle "arreou". A carga foi grande de mais. Quis fugir; não a deixaram. Era vencer ou morrer na praia.
Tivesse Susan uma carinha laroca e uns anos e quilos a menos, e o "filme" teria tido outro protagonista na final. Assim, ganhou um grupo de trapezistas de quem já ninguém irá falar daqui por um mês ou dois, na melhor das hipóteses.
Para Susan Boyle, depois do psiquiatra, resta-lhe regressar à pacatez do seu sofá, frente à sua televisão, seguindo, de novo, a "novela" da vida dos famosos, dos quais ela já não fará parte.
Boa, Susan, deste uma lição de humidade e bom senso aos emproados do júri e aos maldosos que se riram e te assobiaram na plateia do teatro, na inocência da tua primeira vez. Estava a torcer por ti; fundamentalmente para que "aguentasses" psicologicamente. Fica para a próxima. Ou talvez não !
Não te preocupes. O importante é recompores a tua saúde. O resto, a vida de famosos, são peanuts, quando comparado com o valor intrínseco que possuis e deste mostra aos urbanos de Londres.
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Jacinto Lourenço

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Haydn. O Compositor que nos Deixou há 200 Anos

Franz Joseph Haydn (Rohrau, Áustria, 31 de março de 1732Viena, 31 de maio de 1809) foi um dos mais importantes compositores do período clássico. personifica o chamado "classicismo vienense" ao lado de Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven. A posteridade apelidou este grupo como "Trindade Vienense". Para além disso é considerado como um dos autores mais importantes e influentes da história da música erudita ocidental com uma carreira que cobriu desde o fim do Barroco aos inícios do Romantismo. Ele é à vez a ponte e o motor que permitiram a que esta evolução sucedesse. Era irmão do igualmente compositor Michael Haydn, colega de mozart em salzburgo) e do tenor Johann Evangelist Haydn, que mais tarde Joseph fará vir para Ezsterhaza em 1763. Tendo vivido a maior parte da sua vida na Áustria, Haydn passou a maior parte de sua carreira como músico de corte para a rica família dos Esterházy. Isolado de outros compositores, foi, segundo ele próprio, “forçado a ser original”. O seu génio foi amplamente reconhecido durante a sua vida.
Fonte : Wikipedia

Titanic 1912 / 2009

Última sobrevivente do Titanic morreu aos 97 anos
Morreu a última sobrevivente do Titanic. Millvina Dean faleceu aos 97 anos, num lar de idosos em Inglaterra. A inglesa tinha apenas nove semanas quando o Titanic naufragou, mas conseguiu resistir às águas geladas do Atlântico norte. A mãe e o irmão de dois anos, que também emigravam para os Estados Unidos, sobreviveram ao naufrágio, mas o pai foi uma das 1500 vítimas do acidente.

Noticia: RTP Online
Foto: jornal Público
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Quem não se lembra, ainda que pelas memórias visuais das películas inspiradas na tragédia, do naufrágio do TITANIC, o tal navio que, nas palavras mal medidas e imprudentes do seu comandante, "nem Deus conseguiria afundar" ! ?
Pois é, já faz 97 anos que os seus destroços repousam no fundo do Atlântico, para o qual arrastou 1500 pessoas. Não passou da viagem inaugural, o Titanic.
Com a morte da sua última sobrevivente, pode dizer-se que se encerra, também, o último capítulo duma tragédia que ainda hoje suscita a curiosidade de muita gente.
Jacinto Lourenço

Uma Igreja, Casa do Pai

Uma igreja que não se indigna, não é digna.
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Não quero uma igreja que não se indigne com as misérias.
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Não quero uma igreja que não se indigne com as fomes.
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Não quero uma igreja que não se indigne com as injustiças.
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Não quero uma igreja que não se indigne e não reaja ao ver os seus membros ofendidos e maltratados.
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Não quero uma igreja que aceite o "poder" de "ministros" déspotas e iníquos.
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Não quero uma igreja com um umbigo do tamanho do seu ego.
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Não quero uma igreja de "Show -Off", preocupada em "mostrar" mais do que em "ser".
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Não quero uma igreja que não lute contra o farisaismo.
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Não quero uma igreja que clame por poder mas esqueça o Amor.
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Não quero uma igreja inóqua, insípida, inodora.
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Não quero uma igreja incensada por fumos de círios reveladores de ausência de Luz.
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Não quero uma igreja zelosa e vaidosa da sua religião.
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Uma Igreja assim, não é IGREJA.
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Quero uma igreja zelosa do bem que faz e do bem que tem.
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Quero uma igreja que seja Hospital e não Cadeia.
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Quero uma igreja que seja terra fértil para a minha fé crescer viçosa e valorosa.
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Quero uma igreja onde os velhos sonhem sonhos e os novos tenham visões.
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Quero uma igreja que seja a casa do Pai e onde eu, como seu Filho, possa, todos os dias, viver e partilhar o amor de Deus e dos irmãos. O mesmo que aprendi quando nasci de novo.
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Jacinto Lourenço

Não Quero um Mundo Cheio de Religião Cristã

Um ônibus lotado, hora do rush. Gente impaciente, apertada, sonolenta, cansada da rotina. Uma voz se destaca entre os grunhidos dos passageiros. É um evangélico pregando sobre sua crença, falando do fim do mundo, do inferno, de Jesus, das “bênças”, e de mais um monte de coisas que não dá para entender direito.E a mesma cena se repete nas praças, nos panfletos que distribuem nas ruas, no jovem que bate na porta de casa, no rádio, no horário nobre e por toda a madrugada na TV. Por todo lado tem alguém querendo falar sobre Deus e mudar a maneira como vemos as coisas, para que as vejamos do jeito que ele vê – mesmo que o próprio pregador tantas vezes nem saiba bem que ponto de vista é esse que defende.São as tais das “estratégias de evangelização”. Eu chamaria de “as cruzadas do século XXI”. As igrejas incentivam seus fiéis a anunciarem seu credo às massas, fazem campanhas afirmando que seguem o mandamento divino, que querem “alcançar as nações” para o Senhor Jesus. Será que querem mesmo?Aqui, eu confesso: acho difícil entender o objetivo disso tudo. Querem um mundo convertido ao cristianismo, mas com que propósito? Tenho a impressão de que o centro está invertido.Bom, preciso dizer outra coisa: eu também sonho com um mundo transformado pelo cristianismo. Mas, por favor, me entenda e tenha paciência, não um mundo cheio da religião cristã. Isso seria voltar ao erro da inquisição, dos séculos cegos de poder da igreja, da omissão frente às tantas barbáries que se sucederam.Se for pra ser assim, tô fora, também não quero esse mundo “evangélico” que ao invés de esperança, bota é medo na gente. Se for pra ser assim, estou com Karl Marx e trombeteio que a religião é “ópio” e não salvação.Um mundo cristão, o do meu sonho, não é o de um povo devoto às tradições da instituição religiosa, homens de gravata, mulheres subjugadas pelos maridos, com hábitos ocidentais e cultura enlatada.Um mundo rendido a Cristo precisa ser um mundo semelhante ao próprio Jesus. O mundo cristão será lindo. Será povoado de pessoas de caráter irrepreensível, de gente pacífica, bondosa e justa. Será de gente mansa, inteligente, alegre e generosa. De pessoas preocupadas umas com as outras tanto quanto consigo mesmas.Um mundo convertido a Jesus Cristão não é o que tanto temem os ateus e seguidores de outras crenças. Ao contrário, esse é o mesmo com que sonham todos os justos, é o mundo com que sonha toda a gente que sonha – porque, convenhamos, gente ruim não deve sonhar com nada, tem é pesadelo dos brabos.O mundo de Jesus é o de gente que vive como ele viveu. Não a vida do personagem inventado pela tradição romana, mas a do Deus que abriu mão de sua condição divina para nascer bebê, crescer como criança e viver como um homem, entre os homens, e a eles mostrar que é possível ser justo em meio à injustiça, ser puro num ambiente corrupto, ser luz num ambiente de trevas. [...]

domingo, 31 de maio de 2009

O Papel da Igreja na História

[…] O historiador Eric Hobsbawm defende que um século pode ter mais ou menos que cem anos, dependendo dos eventos que no período ocorram e que demarquem uma mudança de fase ou de era na história. Sendo que o que se aplica ao século, se aplica a qualquer evento, é possível dizer que a Segunda Guerra Mundial, que oficialmente termina em 1945, de fato acaba em 1989, com a queda do muro de Berlim, que anuncia o fim do embate entre o capitalismo, representado pela OTAN, e o socialismo, representado pelo Pacto de Varsóvia, com a vitória do capitalismo. Foi esse o fato que levou o filósofo Francis Fukuyama a propagar a tese do “fim da história”, justamente por não haver mais embate entre as ideologias. O fim dessa luta entre as ideologias contrastantes deixou a sociedade sem olhos. Quando da luta, as sociedades se observavam e a crítica era constante, exigindo de cada uma não só a defesa de seu ponto de vista; a presença do contraditório acabava também por forçar aprimoramentos, no sentido de sustentar a suficiência do sistema como solução para a humanidade em sua busca por felicidade. Dessa forma, em vez de dizer que a história acabou, seria mais preciso dizer que a sociedade humana perdeu a meta perspectiva e assim a capacidade de visão, partindo do pressuposto de que ter somente a visão particular de si significa não ter, de si, visão alguma. A sociedade foi acometida de cegueira. Sempre se pode argumentar que a queda dos estados socialistas, por excelência, não representa o fim do sonho socialista e que, portanto, a crítica e o contraditório estão mantidos. Porém, as duas ideologias tinham algo em comum: a crença de que tudo se tratava de uma relação de poder. Quem conquistasse o poder ganharia o direito de normalizar o direito, a justiça, a verdade, a ética e a moral. Desse modo, qualquer reação dos derrotados apenas reforçaria a posição do vencedor, que passaria a exigir do vencido o reconhecimento do lugar que a história, agora, lhe reserva: lugar nenhum.Como enfrentar essa força hegemónica? Aqui entra a Igreja, a teologia. A Igreja jamais aceitou a lógica da relação de poder, porque a teologia argumenta que o Criador é quem estabelece o conteúdo das palavras ‘direito’, ‘justiça’, ‘verdade’, ‘paz’, ‘ética’ e ‘moral’. Tais conceitos não são fruto de construção, mas de revelação. Assim, a teologia irrompe como a propugnadora da ética e do direito, e a Igreja força a retomada da noção de história. O contraditório e a crítica continuam presentes, porém não mais como contraponto ideológico, e sim como compromisso profético, a partir do grande observador -- como diria Berkeley -- que, com sua observação, além de garantir a existência, lhe dá conteúdo. Diante da teologia está o desafio de passar de momento segundo para a emuladora da mudança. O fim do embate ideológico recolocou a Igreja e a teologia na ribalta, já que só a partir dessa lógica judaico-cristã é possível retomar o debate sobre o direito, a justiça, a ética, a paz e a moral. Por sua teologia, a igreja hoje voltou a ser os olhos da sociedade. É a única força capaz de se contrapor à lógica capitalista e de forçar a sua humanização -- ou capitulação -- frente à lógica da solidariedade. Cabe-nos que esses olhos não sejam trevas, mas luz de libertação.
Por pr. Ariovaldo Ramos

The Brooklyn Tabernacle Choir - Glory Aleluia

sábado, 30 de maio de 2009

Carro da Google já Fotografou Lisboa e Porto

Braga é a próxima cidade a receber a visita do útil mas por vezes indiscreto Google.

. Ao contrário do que normalmente acontece, o apanhado desta história é o carro da Google que andou pelas ruas de Lisboa e Porto a fotografar, com imagens tridimensionais, as duas principais cidades portuguesas, fotografias que serão disponibilizadas até ao final do ano, na Internet, através de uma nova ferramenta, o Street View. Ontem o DN "apanhou" o famoso carro da Google, em plena Rua Braancamp, junto ao Marquês de Pombal, em Lisboa. No entanto, a Google assegurou ao DN que o levantamento das ruas de Lisboa e Porto já está concluído. O curioso veículo segue agora destino para Braga, próxima cidade a ser captada pelas várias máquinas fotográficas estrategicamente colocadas no tejadilho, em forma de cruz, para apanharem diferentes ângulos. Em relação às fotografias captadas em Lisboa e Porto, segue-se agora uma longa e minuciosa tarefa de tratamento das imagens para que, no final, na visão de 360º disponibilizada, não se perceba que se trata de fotografias sobrepostas. E também por questões de privacidade: só são fotografados locais públicos, mas é preciso desfocar as caras das pessoas e as matrículas dos carros. Apesar destes cuidados e de as imagens não serem em tempo real - só ficam disponíveis cerca de oito meses depois de captadas - a nova ferramenta do Google, já disponível em vários países, tem sido muito questionada quanto ao respeito pela privacidade. Já esta semana, por exemplo, Paul McCartney, "ficou nervoso assim que percebeu que os utilizadores do Google podiam obter uma vista de 360º da sua propriedade", afirmou fonte próxima do cantor à agência Europa Press. Esta foi apenas mais uma das reacções adversas que o Street View, lançado em Maio de 2007 nos Estados Unidos, já provocou. Por isso mesmo, o site do Google Maps inclui um link através do qual as pessoas podem exigir à Google que retire imagens.
In Diário de Notícias Online de 28 de Maio de 2009

"Gripe Humana"

O meu Porquinho Aleijado

Passei toda minha infância no campo, criando animais como cabritos, aves e porcos. Lembro-me de uma leitoa que gostava de furar a cerca do chiqueiro e invadir as plantações dos nossos vizinhos com seus filhotes. Um dia, um agricultor ficou enfurecido ao ver sua plantação destruída e atacou o animal e seus porquinhos com uma foice. Um dos golpes atingiu em cheio a perna traseira de um deles, justamente o malhado que meu pai tinha escolhido para ser meu presente. Quando vi o bichinho ensanguentado, com a pata mutilada, gritei desesperada. Mas meu pai era um camponês muito habilidoso no trato dos animais e conseguiu salvar o porquinho – ele ficou sem parte de uma pata, mas conseguia caminhar com as outras três e fazia tudo que os outros faziam. Este episódio singelo ilustra bem a forma como lidamos com aquilo que não recebemos ou que nos foi tirado, e também quando dizemos não para algo que desejamos, mas que contraria nossas crenças e valores. E um dos sinais de maturidade – tanto emocional quanto espiritual – de uma pessoa é sua capacidade de superação diante de alguma perda ou de alguma coisa que lhe falta. […]
Versão Integral do texto, Ler Aqui
In Revista Cristianismo Hoje Online