quarta-feira, 15 de julho de 2009

«Primeiras imagens do telescópio 'Herschel'»

( Foto jornal Diário de Notícias )

Imagens estavam previstas só para Outubro, mas chegaram mais cedo, deixando ontem os cientistas em euforia. O telescópio lançado pela Agência Espacial Internacional para investigar as origens do universo superou todas expectativas, ao encontrar água e carbono em zonas remotas do universo e ao revelar dezenas de galáxias.
In Diário de Notícias Online de 14 de Julho de 2009

A Obesidade Alimenta-se...

( Foto jornal Diário de Notícias )

O alerta dos médicos tem sido direccionado para crianças e jovens obesos e o risco de estes se tornarem adultos com excesso de peso. Um estudo recente prova agora o inverso. Mães obesas ajudam a criar filhas obesas e pais gordos geram filhos gordos. Isto porque os mais novos copiam o estilo de vida do pai e da mãe. As políticas devem, por isso, ser repensadas.

Crianças obesas dão adultos obesos. Mas adultos obesos também potenciam crianças obesas. A teoria de que os maus hábitos alimentares das crianças se reproduzem ao longo da vida, agravando o problema da obesidade, tem sido sublinhada pelos médicos. Até como alerta para os pais adoptarem estilos de vida mais saudáveis. Mas uma investigação recente vem agora provar também o contrário. Quando a mãe é obesa, aumenta a probabilidade de a filha também o vir a ser. E quando o pai sofre do mesmo problema de peso, o risco para o filho também sobe. Um estudo realizado junto de 226 famílias pela Plymouth's Peninsula Medical School , e citado ontem no site da BBC, refere esta influência da obesidade das mães nas filhas e dos pais nos filhos, atribuindo-a a questões comportamentais. A ligação genética não foi encontrada neste trabalho que foi medindo, ao longo de três anos, o peso e a altura de pais e filhos. O estudo revelou que as mães obesas tinham dez vezes mais probabilidades de vir a ter filhas gordas. Mais de 40% das jovens de 18 anos que são filhas de mães obesas, também tinham peso a mais, comparando com apenas 4% de jovens gordas, filhas de mães com peso normal. Nos pais, a influência era seis vezes maior. Curiosamente, esta correlação não foi encontrada de mães para filhos e de pais para filhas. A explicação, segundo os investigadores, está no facto de as raparigas copiarem os modelos comportamentais das mães, enquanto os rapazes se colam mais aos estilos de vida praticados pelos pais. Os investigadores sublinham que é "fortemente improvável" que a componente genética tenha um papel relevante nesta correlação. Esta conclusão deve por isso, sublinham os investigadores, conduzir a um repensar das políticas de luta contra a obesidade. Até agora, acrescentam, as políticas seguidas no Reino Unido têm-se focado nos grupos mais jovens, uma vez que há a convicção de que essas crianças com excesso de peso darão origem a adultos obesos. Mas esta estratégia, dizem os responsáveis do estudo, ignora o facto de oito em cada dez adultos obesos não terem tido problemas em criança. Pelo contrário, reporta o Jornal Internacional de Obesidade, a investigação agora realizada sugere o contrário. "É o oposto do que temos pensado e isso tem de ter implicações na política seguida", afirmou Terry Wilkin, responsável do estudo. "Devíamos focar-nos nos pais e não nas crianças. E isso não é o que tem acontecido."

In Diário de Notícias OnLine de 14 de Julho de 2009

Quando Deus diz Não !

Pensamos no amor como algo que dá, mas algumas vezes o amor envolve remover algo que não seria para o nosso bem. Vamos ler 2Sm7.1-18.O rei Davi aprendeu como era difícil ouvir de Deus um não (Era um propósito nobre. De fato uma grande decisão, mas não era plano de Deus pra ele). Deus chamou Davi para ser rei, deu-lhe dons e o escolheu para guiar seu povo, mas não para construir um templo. Davi era um soldado e um guerreiro, mas não um construtor. Não se trata de estar ou não errado, mas de aceitar o "não" de Deus e viver com o mistério da sua vontade. Quando Deus diz "não" não se trata necessariamente de disciplina ou rejeição. Pode ser simplesmente redireção. Cada decisão nossa precisa ser examinada dia a dia ... Senhor, esse arranjo é teu? Este plano é teu? Se não for, torne-me sensível a ele. Quem sabe Tu estás redirecionando a minha vida. E uma coisa difícil de suportar é saber que Deus vai servir-se de outra pessoa para cumprir algo que vcê julgou ser o seu objetivo. Foi isso que Davi teve de ouvir: "Não vai ser você, Davi ... será seu filho Salomão". Qual foi a resposta de Davi? Foi belíssima: (e entrou o rei Davi na casa do Senhor e ficou perante Ele...2Sm 7.18). Para alguns, ele diz "sim". Para outros"não". Em qualquer dos casos, a resposta é a melhor. Por que? Porque as respostas de Deus, embora surpreendentes, nunca são erradas. DEUS NÃO CHAMA TODOS PARA CONSTRUIREM UM TEMPLO, MAS CHAMA TODOS PARA SEREM FIÉIS E OBEDIENTES.
Por Marilda Via Reflexões Teológicas

terça-feira, 14 de julho de 2009

Geovanni, do Benfica, Lembram-se ?!

Segundo o jornal britânico “The Sun”, o atacante brasileiro Geovanni encontrou uma actividade extra durante as suas férias: actuar como uma espécie de pastor numa igreja de Manchester. O ex-jogador do Cruzeiro é titular do clube inglês Hull City. Na Igreja “Comunhão da Nova Esperança”, Geovanni trabalha com jovens. Ele também ensina futebol a crianças, desde que chegou ao clube, há dois anos. – Geovanni faz um grande trabalho com os garotos da região. Como o Kaká, ele é um brasileiro que mantém a fé e a humildade mesmo vivendo em situação bastante diferente. Ele quer fazer parte da comunidade e ajudar no desenvolvimento do bom comportamento da juventude – explicou o pastor Ezequias Santos, líder da Igreja. Actualmente, Geovanni está em pré-temporada com o Hull City em Itália.
* * *
Geovanni, do Benfica, lembram-se ? Pois aí está uma excelente forma de ser Sal e Luz, sem que seja necessária a associação, tantas vezes criticável, dentro do campo, entre o acto de jogar à bola e as demonstrações públicas ( e algumas vezes bacocas ) de fé que, depois, no lance seguinte, acabam por provar não terem substrato nem substância que dignifique o nome de Cristo, antes pelo contrário.
A Geovanni nunca lhe vimos um gesto excessivo e também não lembramos qualquer atitude de má educação ostensiva como vimos a tantos "atletas de Cristo" que pisaram e pisam os relvados em Portugal ou noutros palcos europeus.
Todos sabiam que era cristão, protestante, evangélico, como se queira. Nunca ninguém criticou a sua fé, tanto quanto me lembro, por esta ser posta em causa por qualquer gesto impensado originado no fragor de uma jogada mais virilmente disputada.
Geovanni deixou, e continua a deixar o Bom Cheiro de Cristo por onde passa. Bravo e bençãos para ele.
Apreciei a sua passagem pelo clube da Águia. Um homem sério, Geovani ; dentro e fora do campo. Respeitador de quem lhe pagava o ordenado e do público que pagava para o ver jogar. Honrou as cores do Benfica, até na sua saída, mesmo não tendo tido reciprocidade nesse momento, e Geovani merecia. Talvez que se o Benfica valorizasse mais jogadores como Geovani , estivesse a pisar outros patamares classificativos, mesmo que nem todos esses jogadores fossem "superstares" tipo "Ronaldos" ou "KáKás".
Jacinto Lourenço

O Vaticano e o Futebol

O Vaticano juntou-se esta sexta-feira ( 10 de Julho ) à lista das vozes que colocam em causa a milionária política de contratações adoptada pelo presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, que nas últimas semanas gastou cerca de 200 milhões de euros nas aquisições de craques como Cristiano Ronaldo (94 milhões de euros, a mais cara da história do futebol), Kaká, Albiol e Benzema. A Santa Sé, no seu jornal oficial “L’Osservatore Romano”, publicou um artigo, com o título “Se o futebol se converter num círculo exclusivo”, em que faz uma reflexão sobre o caminho seguido pelo líder do clube espanhol. Assinado por Gaetano Vallini, o texto questiona a viabilidade económica e de mercado das contratação milionárias. “Sob o ponto futebolístico, fará falta ver se são compatíveis ou se serão desestabilizadoras para o mundo do futebol”, escreveu o autor. Gaetano Vallini também se insurgiu contra a ideia de Florentino Pérez de criar uma Superliga Europeia, prova onde apenas entrariam os principais clubes do Velho Continente. “Estamos diante de uma proposta que desmascara, como se fosse necessário, as verdadeiras intenções de alguns dirigentes de futebol: criar um círculo exclusivo de equipes poderosas, que seriam cada vez mais ricas”, alertou.

Brooke Fraser - Lord of Lords

Um Povo que não se Governa...

Ouvia ontem à noite, na televisão, as palavras do socialista António Vitorino, a tentar justificar ( ou não ) as trapalhadas do Secretário Geral do P.S., José Sócrates, quanto à questão da duplicidade das candidaturas de alguns políticos ( autárquicas e europeias ) que, pelos vistos, terão mais olhos do que barriga, quando veio à minha memória o texto que reproduzo abaixo, publicado a 29 de Junho no Blogue Portugal Contemporâneo, versando a capacidade de auto-governação dos portugueses. Sem dúvida elucidativo sobre a forma como nos organizamos enquanto nação e país. E andamos há nove séculos nisto... Nenhum de nós, portugueses, está desculpado ou ilibado. Acho que os italianos têm um problema semelhante, para além de um ego grande de mais...; só que, no seu caso, a história e a geografia proporcionaram-lhes maior desafogo económico, coisa que a situação periférica de Portugal não nos legou, com a pequena excepção temporal do período áureo dos descobrimentos mas que, mesmo assim, os governantes de então transformaram num fartar vilanagem. Restaram, para os séculos posteriores, uns quantos monumentos de que continuamos todos muito orgulhosos mesmo se em nada contribuiram para o desenvolvimento real do país. Enfim, somos assim mesmo ! Não sei se há volta a dar ...?! Eu quero acreditar que sim.
Jacinto Lourenço
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"Para fugir aos naturais enviesamentos da forma como nos olhamos a nós próprios, é sempre útil procurar ver-nos no espelho do olhar dos outros (...) O olhar de dentro de Teixeira de Pascoaes ajuda, talvez, a compreender melhor, e a relativizar o olhar de fora de Kapuscinski e a sua sentença de "individualistas empedernidos". Os portugueses têm, de facto, sinais comportamentais que não facilitam a sua organizada inserção comunitária. Daí, provavelmente, a frase que sobre os nossos antecessores Lusitanos é atribuída a Gaius Julius Caesar (110-44 aC): "há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar". Mas não creio que o português típico - se é que existe essa figura - apesar de desorganizado e ter pouca disponibilidade para cooperar com os outros, seja especialmente dotado para afirmar e assumir a sua individualidade. (...) Por isso tenho alguma simpatia por uma interpretação baseada na tese que Michael Oakeshott (*) sustentou, em 1958, nas suas Conferências de Harvard. (...) De um lado (...) a "moralidade da individualidade" (...) de outro lado (...) a "moralidade do colectivismo". (...) Assim e à luz desta tese de Oakeshott, creio ser mais razoável identificar o "carácter" dos portugueses com a moralidade do segundo tipo de governados. Aliás, o que o filósofo José Gil escreveu, a dado passo do livro, "O Medo de Existir", tende a reforçar a interpretação que aqui partilho."

-Bento, Vítor (2009). Perceber a crise para encontrar o caminho. Lisboa: Bnomics.
-(*) Para mais acerca do pensamento de Michael Oakeshott leiam o ensaio de João Carlos Espada publicado este fim de semana no "i".

Deus não Dorme

Os guerreiros egípcios vinham furibundos atrás dos Israelitas que tinham fugido do Egipto e agora estavam encurralados diante do Mar Vermelho. Diz o livro de Êxodo (14:21) que "o Senhor fez retirar o mar com um forte vento oriental toda aquela noite". Deus tinha aberto um caminho pelo meio do mar. De manhãzinha, bem cedo, os israelitas passarem a seco para a outra banda. Há aqui uma mensagem confortadora: Deus está atento às nossas aflições e age em nosso favor, também durante a noite enquanto dormimos. Existem situações na nossa vida em que tudo parece escuro e perdido, parece que a mão de Deus está paralisada e inoperante diante da nossa medonha obscuridade. Mas não. Continuemos a confiar e a esperar em Deus. Ele abrirá um novo e vivo Caminho para nós. A solução é Ele.“Deus opera a noite toda, até vir a luz. Às vezes não vemos, mas durante toda a noite, enquanto esperamos em Deus, Ele trabalha.” C. H. P.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Tesouro em Vasos de Barro

Comecei a minha pregação de ontem lembrando que um cristão não tem que andar sempre a sorrir. Numa leitura, ainda que breve, da biografia do Apóstolo Paulo descrita na segunda carta aos Coríntios (1:8-9; 4:7-10; 6:4-10; 12:7-10), percebe-se facilmente que o grande mensageiro da graça de Deus era um homem comum. Um homem cheio de tribulações, tristezas, angústias, lutas, oposições e mesmo contradições. Um cristão que vivia aquilo que Watchman Nee designou por “paradoxo inerente”, «ser um cristão é ser uma pessoa em quem há uma inconsistência fundamental. O cristão é aquele quem existe um paradoxo inerente. Esse paradoxo vem de Deus. Algumas pessoas pensam que no viver cristão só existe o tesouro e não o vaso de barro.» O Apóstolo Paulo tinha consciência clara da sua própria fragilidade e fraqueza e que o poder e a excelência eram de Deus. Um cristão também atravessa na sua vida aflições, tristezas, angústias inconsistências e mesmo dúvidas, e isto sucede, para que se lembre que precisa confiar mais no Tesouro-Deus, e menos em si próprio (2Coríntios 1:9). O poder, a força e a glória pertencem somente a Deus. O único tesouro é Ele. Nós, somos apenas barro.
-“Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.” 2ª Coríntios 4:7-10.
* * *
Obrigado, meu caro Jorge Oliveira por nos lembrar algo de que o "novo", e às vezes "velho" cristianismo, parece andar tão arredio.
JL

Quem é que Toca a Sua Viola ?

Eu, que nunca me ajeitei com a viola, pensava que o erro era das violas. Pensava que eram instrumentos que tinham sido mal concebidos e por isso não facilitavam nem a aprendizagem nem a execução de peças musicais.Tentei culpar o número de cordas, a distância entre elas, o material de que eram feitas, a grossura do braço da viola, o formato bizarro do instrumento... e estava convencido - firmemente convencido: a culpa... é da viola.Até que vi e ouvi o Tommy Emmanuel!Cada um de nós é como uma viola e por vezes não gostamos do som que dela sai! A culpa é da viola... Não presta, pensamos! Culpamo-nos pelas nossas dissonâncias e desafinações... e achamos que tudo em nós está feito para não dar certo!Até que experimentamos entregar a viola - a nossa vida! - nas mãos do Grande Artista...E não é que música é outra??? A pergunta que se impõe é: Quem é que toca a sua viola ? .
Luis Melancia Via Genizah

Israel e a Água

( Foto jornal El Mundo )
A barreira dupla de segurança, feita em arame farpado, bem como uma vala electificada que cerca todo o recinto da estação de dessalinização de Askelon, na costa mediterrânica de Israel, dão-nos uma ideia da importância estratégica do abastecimento de água potável no médio oriente.
À escassez de água, própria de uma zona árida e com áreas desérticas, soma-se a severa seca que atinge Israel desde 2004. À medida que nos aproximamos da porta, um guarda vem ao nosso encontro com uma metralhadora pendurada. [...]
Continuar a ler Aqui ( em Castelhano ) no jornal El Mundo.

Em Busca de Sentido

Há hoje uma forte corrente científico-filosófica para a qual entre o Homem e os outros animais a diferença é apenas de grau. Continuo a pensar que ela é qualitativa. Como mostrou o filósofo Pedro Laín Entralgo, a via mais adequada de acesso à comparação entre o Homem e o animal é a conduta humana observável. Entre todos os seres da Terra, só o Homem é livre - Kant sugeriu que a liberdade é o divino em nós -, e, assim, responsável e moral, só ele tem a capacidade de razão abstracta, de autoposse, só ele se sabe sujeito de obrigações para lá das instâncias meramente instintivas, só ele pode sorrir, só ele é animal simbólico e simbolizante, só ele é capaz de amor de doação, o animal também sabe, mas só o Homem sabe que sabe, só ele é capaz de autoconsciência, de linguagem duplamente articulada, de sentido do passado e do futuro, de promessas, de criação e contemplação da beleza, de descida à sua intimidade e subjectividade pessoal, só ele sabe que é mortal e gasta tempo com os mortos e espera para lá da morte, só ele pergunta e fá-lo ilimitadamente, só ele cria instituições jurídicas e compõe música, só ele tem de confrontar-se com a questão da transcendência e do Infinito... Evidentemente, as investigações etológicas, bioquímicas, da genética e das neurociências constituem hoje talvez o maior desafio alguma vez lançado a uma concepção verdadeiramente humanista, por causa da tentação de reduzir o humano a uma explicação no quadro exclusivo do zoológico e bioquímico. De qualquer forma, ao ser humano reflexivo impor-se-á sempre a subjectividade própria, pois a ciência objectiva só existe para e a partir do sujeito. Por mais que objective de si, o sujeito humano deparará sempre com o inobjectivável, já que a condição de possibilidade de objectivar é ele mesmo enquanto sujeito irredutível. O Homem enquanto sujeito transcenderá continuamente a explicação das ciências objectivantes. Aliás, sem esta diferença essencial, o Homem não poderia exigir respeito e reconhecimento pela sua dignidade. Outra característica sua essencial é a busca de sentido. Enquanto os outros animais aparecem praticamente feitos, o Homem nasce prematuro, por fazer, e tem de fazer-se. Daí a pergunta: fazer-se como e para quê, com que meta e objectivo? Dizemos que algo não tem sentido - uma frase, ou discurso, por exemplo -, quando os seus elementos surgem sem organização, sem fio condutor. O sentido tem, pois, a ver com uma totalidade harmónica, com significado. Recentemente, os jornais faziam-se eco da preocupação das autoridades inglesas porque uma percentagem elevada de jovens (10%) se queixa do vazio existencial, sentindo a vida como insignificante e não valendo a pena. Investigadores sociais e psiquiatras não têm dúvidas de que o vazio e a frustração existencial são uma das causas maiores dos desequilíbrios do Homem contemporâneo. Não faltam investigações científicas que mostram que a carência de sentido está frequentemente na base da dependência da droga, do alcoolismo, da criminalidade, do suicídio. Outras investigações chegam à mesma conclusão pela positiva: há, por exemplo, conexão entre a prática de uma religião e o sentimento de felicidade e uma vida mais longa. Entre as razões para essa ligação está precisamente o facto de a dimensão espiritual ajudar a fixar um sentido para a existência: quem vive e vê a sua vida integrada numa totalidade com sentido e sentido último resiste mais e melhor também em termos físicos e mentais. O Homem é por natureza o ser da transcendência: nunca se contenta com o dado e está sempre para lá de si e de toda a meta alcançada. Vive inclusivamente um desnível insuperável entre o que faz e realiza e a aspiração inesgotável a realizar-se sempre mais. Vai, portanto, caminhando de sentido em sentido, mas só encontraria satisfação total no Bem Sumo enquanto sentido de todos os sentidos, isto é, o sentido último e global. Aí está a razão por que não pode deixar de pôr a questão de Deus, independentemente da resposta que lhe dê, pois ela é intrínseca ao dinamismo do ser Homem.
Anselmo Borges
In Diário de Notícias Online de 11 de Julho de 2009

domingo, 12 de julho de 2009

E é Só visto de Fora...?!

Visto de fora, Portugal é um país estranho… Com os mais baixos índices de leitura da Europa, a imprensa atravessa uma crise grave, consequência de erros de concepção e de gestão dos seus editores. Mas consequência também, é claro, da nova fase da história dos media e dos investimentos publicitários. O que não parece interessar ninguém: nem os partidos políticos, nem a Assembleia da República, nem o Governo, nem a Presidência da República. E dir-se-ia até: nem os editores e nem sequer os jornalistas!...[...]
J.M. Nobre Correia
In Diário de Notícias Online de 12 de Julho de 2009

A vida segundo Berlusconi...

" As festas com mulheres jovens e prostitutas profissionais constituem o último escândalo no currículo do septuagenário governante. Os amigos, políticos e empresários, também eram convidados " [...].
Continuar a ler Aqui no Diário de Notícias Online de 12 de Julho de 2009
* * *
Decididamente um caso perdido na Europa. Não sei já quem é que não merece quem. Berlusconi já em anteriores mandatos tinha dado provas do que era e do que valia. Então e a maioria dos italianos elege-o de novo ?! Uma vergonha para os italianos, para itália, para a União Europeia, para o mundo. Quanto mais não fosse, pelo seu património histórico e cultural, Itália não merecia isto . ***Jacinto Lourenço***

Ícones da Ortodoxia

Leio História do medo no Ocidente, de Jean Delumeau (Companhia de Bolso). Vou devagar, o volume de informações excede meu hardware. Mas já aprendi sobre o pavor que o mar impingia aos antigos navegadores, que acreditavam em leviatãs, sereias e polvos gigantes. Antes de partir, muitos sacrificavam animais para não serem tragados, caso ultrapassassem as linhas imaginárias do medo. O Cabo do Bojador, na costa ocidental da África, era considerado o fim do mundo. Dizia-se que os ousados nunca voltavam. Delumeau afirma que “os elementos desencadeados – tempestade ou dilúvio – evocavam para os homens de outrora o retorno ao caos primitivo. Deus, no segundo dia da criação, separara ‘as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento’ (Gênesis 1:7). Se, com a permissão divina, está claro, elas transbordam novamento os limites que lhes haviam sido designados, o caos se reconstitui” (pag. 62). Delumeau relata como se desenvolveu o medo de bruxas, feiticeiros e magos que acabaram na fogueira inquisitorial. O historiador francês afirma ainda que alguns ícones da ortodoxia, geralmente invocados para sustentar argumentos conservadores, respiravam o mesmo ar supersticioso de seus dias. Santo Agostinho acreditava em astrologia. Empenhava-se, inclusive, em distinguir a lícita da ilícita. Suas Confissões (V, cap. 1º) admitem que as estrelas podem ser os “sinais anunciadores dos acontecimentos, mas elas não os rematam”. Pois, “se os homens agem sob a coerção celeste, que lugar resta ao juízo de Deus, que é mestre dos astros e dos homens?”.O que Delumeau diz de Lutero, que tem a reputação de ser implacável contra a crendice popular? Anunciando a um correspondente a morte do príncipe-eleitor de Saxe (em maio de 1525), Lutero esclareceu: "O sinal de sua morte foi um arco-íris que vimos, Philippe [Melanchthon] e eu, à noite, no último inverno, acima da Lochau, e também uma criança nascida aqui em Wittenberg sem cabeça, e ainda uma outra com os pés ao contrário" (pag.110) Eis o que afirma sobre o venerado Calvino: Ele opõe então a astrologia “natural”, fundada “na conformidade entre as estrelas e planetas e a disposição dos corpos humanos”, “à astrologia bastarda”, que procura adivinhar o que deve acontecer aos homens e “quando e como eles devem morrer” (pag. 108). Advirto, portanto, os austeros defensores da mais reta doutrina: cuidado quando precisarem alicerçar suas afirmações dogmáticas citando a verdade de Agostinho, Lutero e Calvino. Eles, iguais a nós, eram humanos. E também falaram tolices.
Soli Deo Gloria