«...O aniversário de Darwin é um convite a olhar o assunto em perspectiva. Afinal de contas, desde que ele formulou suas teses após a épica viagem a bordo do navio Beagle, muita coisa mudou – no entanto, o evolucionismo continua sendo a tese mais universalmente aceita para explicar o surgimento da vida no planeta. E o relato bíblico da Criação, que durante séculos a fio embasou qualquer estudo acerca do tema, tem sido constantemente posto em xeque não apenas pela modernidade, mas por muitos estudiosos cristãos, que enxergam ali muito mais um compêndio religioso do que uma narrativa confiável. Na história da Igreja, o assunto sempre suscitou controvérsia, e a mera aceitação da literalidade bíblica em relação às origens sempre foi questionada. O teólogo, professor e bispo Agostinho de Hipona (354-430), embora tenha interpretado a Escritura mil anos antes da Revolução Científica, não tinha problemas em relação às controvérsias sobre as origens. O mais marcante em sua trajetória é que ele não comprometeu a interpretação bíblica para acomodá-la às teorias vigentes em seu tempo. Para Agostinho, o mais importante era deixar a Bíblia falar por si mesma.» [...]
"...Pensando sobre a minha comunicação com Deus, às vezes tenho a sensação de um silêncio quase total. Não satisfeita em me lembrar do louvor que me garante que “quando ele fica em silêncio é porque está trabalhando”, procurei pensar noutras respostas. Talvez o problema não seja um Deus comprometido demais com o trabalho -- talvez o problema seja apenas eu. Vivo numa geração viciada em informação e rapidez. Queremos saber de tudo: desde coisas relevantes, como quem ganhou a eleição nos Estados Unidos, às novas doenças e os conflitos em Israel, até coisas irrelevantes, como quem ganhou o último “Big brother” ou qual o par romântico da novela das oito. Falamos rápido, comemos rápido, andamos quase correndo e dirigimos agitados. Quando o sinal de trânsito fica verde, já começamos a buzinar para alertar o infeliz que está na frente que é hora de arrancar com o carro. Se o elevador demora um pouco, apertamos o botão várias vezes, como se isso fosse fazê-lo chegar logo. Quando lidamos com Deus, não agimos diferente. Queremos agilidade, queremos ser ouvidos e principalmente respondidos de forma rápida e positiva. Não temos tempo para jejuns, orações longas e leituras bíblicas e muito menos para esperar em Deus as respostas para os nossos dilemas. Tornamo-nos filhos mimados e impacientes e queremos tudo da nossa forma e jeito. Como se Deus precisasse se submeter à nossa vontade e ao ritmo alucinante deste mundo[...].
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Lembro-me como se fosse hoje, e revivo o acontecimento que parou o mundo nos instantes em que Neil Armstrong dizia a frase que acabou por ficar para a história: "Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade".
Pequenos ajuntamentos surgiam frente às montras das lojas de electrodomésticos e nos cafés da baixa de Lisboa, onde nesse momento me encontrava, de passagem, nos meus 15 anos de idade, ainda a sonhar ser piloto aviador ( não foi além do sonho...).
Tinha a noção perfeita de que estava a assistir a um facto grandioso na história da humanidade. Curiosas, receosas e incrédulas, algumas, as pessoas assistiam ao saltitar do homem na lua.
Foi realmente um grande salto para a humanidade. Pena que cá por baixo, no mundo dos terráqueos, após 40 anos decorridos, o desenvolvimento e a elevação, em todos os sentidos, do ser humano, não se tenham feito na mesma proporção daquilo que significou a ida do primeiro homem à lua, nos idos de Julho de 1969.
Jacinto Lourenço