terça-feira, 15 de setembro de 2009

As Guinadas que a Vida dá

A vida dá guinadas. O torvelinhar dos vendavais joga a existência contra rochedos pontiagudos. Impotentes, somos tangidos por decisões alheias. Inaptos e entupidos de receios, notamos nossa história tornar-se um trágico enredo de folhetim. O que fazer? Não dispomos de meios para controlar, subjugar, impor, nossa estúpida vontade. A vida esbofeteia. A reputação protegida despenca até bater no lajeado seco. Piranhas, de fisgada em fisgada, nos tiram a vontade. Nossa dignidade é arrancada devagarinho. Dói descobrir que não somos o personagem que imaginávamos. O esforço para não repetir desastres, pifou. Prometemos não perpetuar ciclos e mordemos a língua. Juramos que não aceitaríamos repetir biografias, tudo inútil. A vida se esvai sem muitas opções. Longevidade cobra em libras esterlinas. Quem durar se condena a encarquilhar. Morrer cedo ou virar caquético, eis a questão! Lemos, aprendemos, amamos e nos emocionamos, mas uma foice pode acabar com tudo. Basta um coágulo, um aneurisma, um curto circuito em uma sinapse e vegetamos. O tiquetaqueador genético não acompanha os cronômetros. Poucos, pela robustez, dão prejuízo às companhias de seguro. A grande maioria, previsívelmente, se esmiuça. A vida exige conformação. Não adianta relutar. Azeda quem não aceita solavancos, dias maus, lobos e traições. Indinação somatiza úlcera duodenal. Os revoltados esmurram pontas de faca. As oligarquias se perpetuam nos palácios. Chacais, em matilhas, continuarão a vagar pelo parlamento. Amebas infestarão as águas bentas. Sarnentos vão calar o profeta. O Coisa-ruim continuará a degolar as santas. O Tinhoso se confundirá com o pregoeiro da justiça. A vida debilita. Portanto, os impotentes, só eles, conseguem viver um dia de cada vez. Todos os demais se condenam ao enfado. Resta reafirmar: bem aventurados os humildes. Eles esperam o Reino que, fora da história, foi o tema de Jesus.
Soli Deo Gloria

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Imagens Intemporais - 2

( Clique na Imagem para AUMENTAR )
Exposição Universal de Paris - França em 1900

Amar o Vazio

Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas.
Rubem Alves

Humor de Segunda ( -Feira )

( "pastor; tenho uma pergunta..." )
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Licão nº 1 : Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas

Do Alto dos Meus Quase 50...

"Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura." Is 55.2
"E não vos conformeis com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." Rm 12.2
Olhando para nós mesmos, acabo por imaginar que o grande problema que nos aflige hoje, é a tremenda confusão que fazemos entre o BOM e o que é apenas AGRADÁVEL. O que é bom em si mesmo, benéfico, justo, legítimo e, mais do que isso, acima de qualquer intenção que nos prejudique ou aos outros, em contraposição ao que – parecendo-nos BOM – venha apenas na direção das nossas conveniências e prazer.Uma injeção é boa ou agradável? Um remédio só porque é amargo é ruim, ou só desagradável? E porque o é, pode ser considerado RUIM, ou MAU?Olhando para os cristãos, vê-se claramente que essa questão vem nos perseguindo há muito e causando até uma desconfiança no Deus que prometeu nos amar e cuidar de nós. Nesse sentido, tudo aquilo que se parece com algo desagradável, é logo creditado ao cão, ao tinhoso, ao capeta, ao coisa-ruim, ao diabo, inimigo das nossas almas. Se é gostoso, vai dar-nos prazer, então, lógico, vai ser bom. E provavelmente, veio de Deus. Ou até, em alguns casos, imaginamos – pode ser algo que não se sabe porque, Deus, num dia de muito mau humor, resolveu classificar como pecado, ainda que seja algo gostoso, ou bom, na nossa confusão de definição entre coisa e outra.O que precisamos de uma vez por todas, crer que o que é BOM, não vem de outro, de nenhuma outra fonte, a não ser de Deus, o Pai das luzes (do discernimento, do esclarecimento, da sabedoria…) em quem não há variação ou sombra de mudança (Tg 1:17).Porque será que, quando algo gostoso nos acontece, isso tem de ter vindo de Deus e o que nos acontece de desagradável vem do inimigo? Será que Deus não é capaz de nos dar algo tremendamente BOM e maravilhoso através de uma situação desagradável? Lógico que sim.Um pneu furado pode nos reter e evitar de envolver-nos num acidente à frente, ou uma reprovação numa prova de acesso a uma carreira – o que não seria nada agradável – pode nos ajudar a começarmos uma carreira que nos vai completar mais do que qualquer outra.E por conseguinte, algo aparente bom, só porque nos agrada, pode no fim, nos fazer provar o fel da desgraça…Olhando do alto dos meus quase 50, aprendi com muitos tombos, que afinal, tudo o que Deus classificou como “pecado”, é tudo aquilo que, antes de mais nada, não vai ser BOM para nós.E então, o que nos resta, é só tomarmos muito caldo de galinha e nos enchermos de cautela, para discernirmos (pela Sua graça) entre coisa e outra.
Rubinho Pirola

domingo, 13 de setembro de 2009

Para que Servem os Dias de Tribulação !?

Para que servem os dias de angústia e desassossego que nos sobrevêm com a força de uma tempestade e nos fazem chorar, soluçar, sofrer, desesperar...? Diante deles nós paramos e perguntamos por que o Senhor permite tempos tão difíceis. Olhando para trás, hoje, eu posso ver que Deus prepara consoladores em meio às tribulações para consolar outros com as mesmas consolações maravilhosamente descritas no primeiro capítulo da segunda carta de Paulo aos Coríntios. Os dias de tribulação não são de forma alguma agradáveis. Eles são permitidos por Deus para nosso crescimento como pessoas e como cristãos. Somos tentados a levar uma vida sem compromisso, pouco compromisso ou satisfeitos com os objetivos que temos. Deus, por outro lado, tem plano, missões especiais para cada um de nós. Sem tribulações, talvez, não cheguemos ao belvedere de onde podemos avistar ao longe os propósitos dele. Quando me lembro dos anos de muito prejuízo e tribulações passados eu não mais me sinto deprimido, mas agradecido e, não raro, meus olhos molham de gratidão. É pura realidade que as Igrejas onde congregamos e servimos nos serviram de telhados de vidro. Críticos. Em tempos ruins a Igreja tem defeitos que crescem aos nossos olhos. Nos sentimos pequenos e abandonados pelos irmãos. Coisa parecida sentiu Jesus no Getsêmane. A mesma solidão e a sensação de desamparo. A missão de Jesus era redimir e reconciliar homens e mulheres distanciados com o Criador. Nós nem sempre sabemos para onde vamos e qual é o grande propósito de Deus para nossas vidas. É durante a tribulação que os espinhos nos ferem, que as humilhações nos dobram o pescoço e podemos contemplar a poeira e o chão. Debaixo desse temporal as sementes enterradas mais profundamente vêm aflorar à superfície. É nesse tempo que nós costumamos conversar mais com Deus. Perdemos a timidez. Até chamar nosso Deus de Paizinho. Aba Pai. Lembrei-me disso ao reaver de memória aquela carta de uma senhora judia mandou aos filhos, a poucos dias da deportação para os campos de concentração da Polônia. "Filho" não se esqueça de orar ao nosso Paizinho...Deus é especialista em trabalhar com sementes. Sementes de salvação, sementes de sonhos, sementes de missões. É mais cômodo e menos doloroso deixar os talentos nos seus lugares. Enterrados e "quietos" eles não nos perturbam. Não exigem concertos nem contratos. E dessa forma desejamos prosseguir sem grandes ou pequenos compromissos até o fim.Mas o nome do Senhor é glorificado diante dos homens pela vida de cada um de nós, que chega ao conhecimento e ao compromisso de amor por Ele. Miremos no testemunho de Moisés. Aos 40, ele sabia do chamado de Deus. Aos 80, ele não mais se importava. Quarenta anos de deserto, ao seu ver, tinham liquidado de vez com o sonho de libertar Israel. Um sonho que fazia parte do passado. Mas não eram assim os pensamentos de Deus. Era presente e futuro. E a contragosto, lá se foi Moisés pelo caminho de volta para o Egito. E de lá saiu vitorioso. Com muitos outros aconteceu a mesma coisa.É no tempo da tribulação que os olhos de Deus estão mais perto. É também no mesmo tempo que deixamos de lado nossa auto-suficiência para abri a boca para orar. Reclamar, chorar, lamentar. Não gostamos de nos humilhar. Não gostamos de depender apenas de Deus. Como meninos minados não queremos mudar nossas idiossincrasias e aceitar o jugo do Senhor. Mas isso não é o que precisamos. Nossos dias ocultos na penumbra da inércia abrigam uma tristeza atrás de nossos olhos. Podemos até ter tudo. Menos a alegria verdadeira da presença do Espírito. E não tempos por que? Porque estamos distanciados da vontade dele.E quando reavemos nossos antigos compromissos, e subjugamos nossa vontade perante o Senhor, podemos não ter nada, mas se o Espírito de Deus se move em nós, somos as pessoas mais felizes da terra. O que vale é estar perto do Senhor. Todavia, o Senhor não nos quer ver sem nada. Ele quer que saibamos que nos ama, espera que Ele seja o nosso maior tesouro. Deseja que estejamos prontos para vir. E para ir. Importa que sua presença esteja conosco.No tempo da angústia é tempo de conversar com o travesseiro. De contar as estrelas do céu. De perguntar ao Senhor por sonhos e visões. Nosso cotidiano muita das vezes nos faz perder o foco. E os espinhos das preocupações dessa vida sufocam as flores das espigas. É por isso que Deus permite na minha e na sua vida as tribulações e o clima do deserto. Assim como escreveu salmista experiente "Como o servo brama pela corrente das águas, a minha alma suspira por ti, ó Deus! É nas tribulações que nossa alma chega a maior sede pelo socorro de Deus.Deus não se esquece de nossos sonhos, nem do seu propósito para nossa vida. Se você estiver passando pelo vale da sombra da morte, não se desespere, nem se atemorize. O Senhor não estará longe. Saiba que os dias tormentosos vão passar. Que a presença do Senhor se fará mais constante em sua vida. E então já consolado de seus dias de aflições você vai orar, e vai derramar suas lágrimas diante do Senhor. Não de reclamações nem de lamentos, mas de gratidão de filho, de filha, que encontrou o caminho da presença cotidiana do Senhor. Aleluia!

"Muitas vezes não conhecemos nosso coração, nem percebemos quão falso, tortuoso e rebelde ele é. Queremos obedecer à vontade de Deus, mas não percebemos que nos recessos mais íntimos de nosso coração, estamos cheios de opinião própria." (Watchman Nee)

Via Olhar Cristão

Telescópio Hubble Voltou ao Activo com Imagens Nunca Antes Vistas

( Foto Diário de Notícias )
Depois de, em Maio, ter tirado as primeiras 'férias' desde que começou a carreira em 1990, o telescópio espacial 'Hubble' voltou ao activo em versão melhorada. Os resultados estão à vista nesta imagem que mostra uma galáxia em forma de borboleta.

In Diário de Notícias de 12 de Setembro de 2009

Imagens Intemporais - 1

( Clique na imagem para AUMENTAR )
Exposição Universal de Paris-França em 1900

O que Fazer com a Educação ?

Se a compreensão do Português for frágil, não há razão para espanto no desastre a Matemática

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Interessante reflexão do prof. Anselmo Borges sobre o estado da educação em Portugal

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A palavra escola vem do grego scholê, que significa ócio. Não se trata, porém, do ócio da preguiça, mas do tempo livre para o exercício da liberdade do cidadão enquanto homem livre, tendo, portanto, a escola de ser o lugar e a instituição da formação para o ser Homem pleno e íntegro. Há aquele preceito paradoxal de Píndaro: "Homem, torna-te no que és". Então, o Homem já é e tem de tornar-se no que é? Realmente, quando se compara o Homem e os outros animais, constata-se que os outros já vêm ao mundo feitos enquanto o Homem nasce prematuro, por fazer e tendo de fazer-se: devido ao que os biólogos chamam a neotenia, já nasce Homem, mas tem de fazer-se plenamente humano. E aí está a razão da educação enquanto o trabalho mais humano e humanizador, de tal modo que Fernando Savater pode justamente considerar os professores como "a corporação mais necessária, mais esforçada e generosa, mais civilizadora de quantos trabalham para satisfazer as exigências de um Estado democrático". Porque o que é próprio do Homem não é tanto aprender como "aprender de outros homens, ser ensinado por eles". Savater também escreve, com razão, que "a principal disciplina que os homens ensinam uns aos outros é em que consiste ser Homem". Por isso, o horizonte da escola tem de ser o Homem na sua humanidade plena, o humanismo integral. Não se justifica aquela abusada separação entre ciências e humanidades. Aliás, na base dessa separação está um equívoco: a denominação de "humanidades" é de origem renascentista, não por oposição às ciências - essa separação entre ciências da natureza, com base na explicação, e ciências do espírito, com base na compreensão, acentuou-se no século XIX -, mas aos estudos bíblico-teológicos. De facto, das humanidades faziam parte tanto o Banquete, de Platão, como os Elementos de Geometria, de Euclides. [...]
Ler Aqui no Diário de Notícias de 12 de Setembro de 2009 a versão integral do texto

O Ministério da Consolação

Estou nos Estados Unidos desde anteontem. Viajei por três estados, várias horas de avião, outras tantas de carro e muita gente precisando de consolo e abraço. Ou, como diria a minha esposa, colo! Nesse pouco tempo, eu que, conhecendo a solidão e luta da vida missionária - daquele tipo que nos leva pra longe da zona de conforto: casa, família, cultura, língua, temperos... - sei da importância desse ministério negligenciado por quem deveria estar "do outro lado da corda", sustentando e apoiando essa parte do batalhão da fé. São brasileiros, deverão estar pensando vocês, os que estão por essa banda da terra e carenciados de apoio e ânimo. Nada mais óbvio, se imaginarmos que apesar de tanto falarmos e ouvirmos sobre missões, ainda não aprendemos a cuidar dos que enviamos um dia, mandando alguém (pensam muitos), fazer algo em nosso lugar... mas não. Passei o dia hoje até com americano (que viajou quase 3 horas para estar comigo), também missionário de volta à terra-mãe, cercado de lutas e desafios de um reenvio a outro campo distante e difícil (no alto dos seus 67 anos!!!). Me lembrei de Paulo, a escrever aos amigos, às igrejas distantes e ligadas à ele: "lembrem-se das minhas cadeias (algemas, prisões, limitações e provações)...".O super-herói bíblico, o homem das revelações, dos arrebatamentos e discernimentos dos céus enfrentava as provações de maneira extraordinariamente convicta, sustentado pelo poder do alto, mas não tinha problemas em confessar a sua necessidade de ânimo vindo da terra, dos seus, em forma de cartas, visitas... Sinto que temos sido espirituais demais e pouco, mas muito pouco práticos. No "vamos-ver", Paulo pedia consolo de gente de carne-e-osso. Um abraço, não de penas de anjos, mas de iguais. Cansado também eu, provei hoje do quão bom e agradável é estarmos juntos. E recebermos consolação uns dos outros, mesmo no confessar das nossas lutas travadas e lágrimas derramadas na solidão dos nossos campos de semeadura, sem ter propriamente no bolso, soluções fáceis para os problemas dos outros. Só o estarmos juntos já nos valeu.Quando ler esse post, lembre-se (se der!!!), dos amados que você conhece e que um dia disseram sim a Deus e se foram. E ore por eles, para que Deus os console os encha de ânimo, de coragem e da lembrança que os que os enviaram, ainda estão com eles.E se possível, faça-os saber disso.Você pode não saber, mas isso vai produzir neles um bem tremendo.Um abração e obrigado. E desculpem-me pelo sumiço.

sábado, 12 de setembro de 2009

Porquê a Violência !?!

....Violência não é simplesmente agressão sem fundamento ou reflexos de uma cidade sem leis. Antes disso, é pautada na ânsia de obter poder aquisitivo para consumir o que a mídia e a sociedade de consumo propõem. Não vemos isso claramente porque estamos sufocados com a tarefa de condenar aquele que rouba ou de matar aqueles que traficam. Essa escala, por mais simplória que seja, rege os pensamentos de ricos e pobres que se deparam com a impossibilidade de adquirir artigos que vão desde uns ténis da moda até ao mais novo lançamento imobiliário. Essa variação é construída pela falta de oportunidade, pela necessidade de comer ou então pelo simples facto de estar adquirindo o carro que ninguém tem ou morar num triplex porque a cobertura em Ipanema não tem mais graça. Para os pobres uma questão de sobrevivência, para os ricos uma resposta que satisfaça o status quo.
Responda-me, por favor: qual é a chance de um desses meninos que estão nas favelas sendo adoptados por traficantes e servindo de mulas para o transporte de drogas? Qual é a chance que um jovem da periferia tem de viver uma vida razoável quando o simples facto de sair e chegar em casa ileso já é um milagre? Porque os pobres roubam? Eles roubam porque não tem emprego, porque as portas da sociedade estão fechadas pra eles. Eles roubam porque não têm endereço e ninguém se importa, eles roubam porque as madrugadas tem sido frias e eles precisam sobreviver a isso também. Porque os ricos roubam? Para calar a boca daquele camarada que é tão rico quanto ele e que comprou no jantar de ontem uma belíssima garrafa de champagne Moët & Chandon para mostrar aos demais que subiu na vida. Erramos porque colocamos a culpa de todas as coisas ruins da sociedade nas favelas, mas os favelados são peixinhos pequenos, e enquanto eles matam e morrem para divulgar a mais nova droga do mercado, os tubarões estão em suas mansões gastando seu dinheiro sujo com orgias e comemorando o sucesso dos guris que mal completaram o jardim-escola mas agora estão ajudando na árdua tarefa de manter a ordem no morro.Ou a igreja entra na luta como comunidade de fé, expandindo a missão integral ou ela está fadada a mofar no triste universo em que vive.
Por Márcio de Souza Via Púlpito Cristão

A Igreja Titanic

"Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste; e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu. Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não espalhei?" Mt 25:24-26

Uma das músicas que mais gosto do meu velho amigo João Alexandre, chama-se Vaidade. Nela, Joãozinho dispara: "Vaidade por ser a igreja da história, vaidade pentecostal". Nada mais correto. Nada mais certeiro: ninguém está a salvo. Pior, só constatou o poeta de uma condenação existencial: vivemos ou num ou noutro extremo. Sem que Cristo nos leve ao equilíbrio - uma das bênçãos afirmadas por Paulo ao fiel discípulo Timóteo ao afirmar-lhe que Deus não nos tem dado espírito de temor, amor, poder e 'moderação'- palavra essa que significa equilíbrio, equidade, estamos mesmo fadados a viver correndo rapidamente para os extremos. E tudo é vaidade na vida se não tomarmos cuidado. Este blog tem dado porrada na maioria das vezes, nos neo-pentecostais, nos doidos de carteirinha: apóstolos e profetas picaretas, mas às vezes, podemos achar que tudo vai bem no lado oposto, nas barricadas dos "protetores da ortodoxia bíblica e da fé reformada". Vivendo cá na Europa, dá para ver o que acontece com os que julgam que podem viver à salvo da vaidade, fugindo dos modismos e tentando-se manter intacta a tradição. Cada vez mais, as ditas igrejas com "teologia fiel e ortodoxa", estão a morrer. Vazias e cinicamente inoperantes. Tentando proteger os "talentos", enterram ou retêm-nos para si mesmos. Como se pudessemos proteger o fogo congelando-o.Esses dias ouvi que um famoso pastor, lá de Brasília, escritor, gente de boa palavra, tem soltado um deslize de maneira repetida a quem quiser ouvir. Diz ele: "O meu sonho é manter para sempre a nossa igreja com os nossos cem, cento e poucos membros. "Parece bonito. Parece uma declaração de amor ao rebanho, não estivéssemos cercados de gente a morrer, a naufragar sem esperança, sem Cristo. E, se a simbologia é essa, imagino esse amado e a sua pequena congregação, como num bote, navegando em meio aos destroços do Titanic. Gente à volta a gritar, perecendo aos poucos e os amados ai, felizes, sãos (?) e salvos, a agradecer a Deus pela própria sorte.Infelizmente, essa realidade é partilhada em muitas outras comunidades por líderes relapsos e, segundo Jesus, "maus e preguiçosos": "Preferimos a qualidade à quantidade". Eu, na minha ignorância, pergunto: "Que raio de qualidade é essa que não leva à quantidade?". Não me venham com essa treta!Alô "comunidades saudáveis e firmadas em boa palavra"! Não há como não nos lembrarmos do texto bíblico acima. E das palavras do João Alexandre: "Vaidade (também) achando-se a Igreja da História".Tudo é vaidade... afinal, num extremo e no outro.
Rubinho Pirola

" Também tu Brutus...?! "

( Foto Jornal Público )

Governo suíço proíbe os seus funcionários de acederem ao Facebook
Só os trabalhadores dos Negócios Estrangeiros podem aceder
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Afinal, os maus exemplos vêm dos países mais insuspeitos. Quem diria, logo na Suiça ?!? Por este andar, o próximo passo será delimitar a área em que os funcionários podem movimentar-se no seu local de trabalho e colocar-lhes, se necessário, uns tampões nos ouvidos e uma mordaça na boca. Assim fica assegurado o direito do estado sobre a pessoa dos seus empregados e a certeza de que não poderão falar e ouvir-se uns aos outros nos períodos de trabalho. E já agora: como é que o estado suiço concluiu que tinha gente sua a olhar para o Facebook durante o dia ...? Será que colocou alguém a espiar informaticamente os funcionários ? Isso é crime e proibido por lei em praticamente toda a europa ocidental. Seria também interessante saber da razão pela qual só os negócios estrangeiros ficarão com acesso ao Facebook, nesse "exemplo" de asseio moral que é a Suiça. Isto faz lembrar o novo motor de busca lançado agora em alguns países do Islão, que se substitui aos cidadãos na triagem crítica às consultas que estes fazem de alguns sites, impedindo o acesso a uns e autorizando outros, sempre para garantir a não contaminação moral ou religiosa dos cidadãos. Eu sempre desconfiei daquele ar muito asseadinho da Suiça, tipo Kleenex ... Pelos vistos é no melhor pano que cái a nódoa. Quase podemos dizer que o governo suiço caminha para a "islamização" das suas práticas "democráticas". "Também tu Brutus....?"
Jacinto Lourenço
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Os funcionários do governo suíço vão ficar impedidos de acederem à rede social Facebook a partir da próxima semana. De entre os sete ministérios que compõem a administração da Confederação helvética, apenas o ministério dos Negócios Estrangeiros continuará a permitir, por agora, o acesso ao site.De acordo com um comunicado oficial divulgado hoje, o governo suíço precisou que “o colaborador que precise de aceder à rede social por razões profissionais, poderá fazer um requerimento prévio”.“No início de 2009, uma análise levada a cabo pelo Gabinete Federal de Informática e Telecomunicações concluiu que o Facebook é o segundo site mais visitado no seio da administração federal”, explicou o governo helvético.Em Maio de 2009, os funcionários foram convidados a “moderarem a utilização privada da Internet durante as horas de expediente, incluindo do Facebook”, a rede social que conta com mais de 250 milhões de utilizadores em todo o mundo.O uso “privado” da Internet acabou por sofrer uma “ligeira diminuição”, mas o Facebook continua a ser “um dos quatro sites mais visitados no seio da administração federal” e, na maioria dos ministérios, as entradas na rede social até aumentaram nos últimos tempos.Esta medida não é inédita na Suíça. Os funcionários da cidade de Zurique já tinham sido impedidos pelas autoridades locais de acederem às redes sociais durante as horas de trabalho.Anteontem foi igualmente notícia o facto de a segunda maior cidade da Indonésia, Surabaya, ter proibido os seus funcionários municipais de acederem a determinados sites e redes sociais, incluindo o Facebook, durante o horário de trabalho. As autoridades alegaram que nos últimos tempos a consulta das redes sociais durante o expediente tem levado a uma quebra da produtividade.
In Jornal Público de 11 de Setembro de 2009

A Catedral da Teoria da Evolução em Londres / ou a Visão Narcísica de alguma Ciência

( Foto Jornal El Mundo )
Dois séculos depois do seu nascimento, o espírito de Darwin acaba de renascer em Londres. Na próxima terça-feira abrirão ao público as novas instalações do Museo de História Natural da capital britânica batizadas com o nome de Darwin. O Centro Darwin, que terá entrada gratuita, é composto por um "casulo" gigante de oito pisos de altura e 3500 metros quadrados de área, e pretende converter-se num espaço de convivência entre cientistas e cidadãos. [...]
Tradução do excerto reproduzido por Ab-Integro
Continuar a Ler Aqui , em Castellano, no jornal El Mundo

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

"Manoel Joaquim", 52 anos / Ou o Humor Brasileiro com Alvo Português

O português estava para pegar um avião para visitar Portugal, quando uma coisa no aeroporto chamou sua atenção. Era um computador com voz que identificava os passageiros por um novo sistema de reconhecimento de imagem. Assim que ele passou, o computador acusou:- Manuel Joaquim, 52 anos, português, casado, de bigode, passageiro do vôo 455 da TAP. Impressionado, Manoel foi ao banheiro, raspou o bigode, mudou de camisa, e o jeito de caminhar. Ao passar pelo computador, pela segunda vez, a voz acusou novamente:- Manuel Joaquim, 52 anos, português, casado, camisa nova, passageiro do vôo 455 da TAP. Mas Manoel não se deu por vencido! Voltou ao banheiro, abriu a mala que continha presentes para a Maria, e passou maquiagem, colocou uma peruca ruiva, sapato alto, echarpe, um vestido plissê, e resmungou:- Agora, eu provo que essa máquina é burra!Ao passar mais uma vez pela máquina, o alto-falante berrou:- Aí vai, pela terceira vez, o português Manoel Joaquim, 52 anos, casado, travecão, e que, por causa de toda essa viadagem, acaba de perder o vôo 455 da TAP.