domingo, 18 de outubro de 2009

Robô Copista Escreve Novo Testamento em Lisboa

Durante nove semanas, um robô copista vai estar a escrever o Novo Testamento em Lisboa
Nove semanas, letra a letra. Um robô copista, vindo da Alemanha, estará a partir de terça-feira, até 21 de Dezembro, no Museu das Comunicações, em Lisboa, a copiar todo o Novo Testamento (a parte da Bíblia que se refere a Jesus Cristo). A iniciativa é da Sociedade Bíblica Portuguesa (SBP) e pretende assinalar os 200 anos da primeira distribuição da Bíblia em Portugal feita por esta editora. O robô - na realidade, uma instalação artística do grupo Robot-Lab - utilizará o tipo de letra gótica, o mesmo que Gutenberg usou no primeiro livro impresso: a Bíblia, precisamente. Esta instalação integra-se ainda numa exposição onde se poderá ver também, pela primeira vez, a Bíblia Manuscrita realizada há cinco anos, o outro pretexto para a exposição A Bíblia Para Todos - A Palavra, as Pessoas e as Tecnologias. Em Outubro e Novembro de 2004, cerca de 100 mil portugueses copiaram à mão três bíblias completas - uma delas será também exposta no mesmo local e estará disponível outra cópia em CD-ROM. Os outros dois exemplares da Bíblia Manuscrita já têm destino: a Biblioteca Nacional receberá um deles, enquanto o terceiro seguirá para a Biblioteca de Alexandria (Egipto). Hoje, os responsáveis da Sociedade Bíblica irão anunciar como e quando serão entregues essas duas cópias da Bíblia Manuscrita - com dez volumes encadernados cada uma. Na mesma ocasião, serão apresentados os resultados de uma sondagem inédita sobre a leitura da Bíblia em Portugal. De acordo com alguns dados a que o PÚBLICO teve acesso, quase toda a população (mais de 97 por cento) conhece a Bíblia. No que toca à leitura, quase dez por cento já leram o texto integral, enquanto 90 por cento dizem ter lido passagens soltas. As categorias que menos lêem a Bíblia são os católicos não-praticantes e os ateus. Dez por cento dos que responderam ao inquérito consideram-se ateus e agnósticos. Entre estes, nove por cento de ateus e seis por cento de agnósticos não conhecem a Bíblia e manifestam resistência à ideia de conhecer o texto. Os que mais lêem estão entre os protestantes/evangélicos e as testemunhas de Jeová - em conjunto, são 2,3 por cento da população, mas todos leram a Bíblia e quase todos têm um exemplar. A Sociedade Bíblica irá anunciar ainda a nova tradução da Bíblia, outro inédito em Portugal: pela primeira vez, estará disponível uma edição literária, isto é, sem indicação de capítulos, versículos ou subtítulos. Esta edição, preparada por uma equipa de tradutores católicos e protestantes, será apresentada na terça-feira pelo escritor Francisco José Viegas. A sua comercialização será feita pelo Círculo de Leitores e Temas e Debates. A exposição do Museu das Comunicações integra ainda uma réplica exacta da prensa que fez a Bíblia de Gutenberg, uma apresentação multimédia sobre os diferentes suportes da mensagem da Bíblia, desde a tradição oral aos digitais. E, num scriptoriummoderno, os visitantes da exposição poderão acrescentar a sua caligrafia à Bíblia Manuscrita.
In Jornal Público de 16 de Outubro de 2009

sábado, 17 de outubro de 2009

Uma Igreja Preparada Intelectualmente

O período histórico em que a Igreja Cristã se mostrou mais saudável, sem dúvida, foi o período registado no livro de Actos e, justamente por isso, é desse período que devemos buscar o modelo de Igreja mais apropriado. Mas ao compararmos as práticas dessa Igreja de 2000 anos atrás com a Igreja contemporânea, a diferença é gritante. A Igreja preocupa-se muito no porquê de não alcançarmos os mesmos resultados da Igreja de Actos, mas a nossa preocupação deveria ser menos em atingir os mesmos resultados da Igreja de Actos e mais com o modelo de Igreja que agrada a Deus, o modelo que Actos nos ensina. Não devemos focar a nossa atenção no fim, mas sim no meio. Os capítulos 17, 18 e 19 do livro de Actos revelam um príncipio declaradamente ignorado nos nossos dias – a importância de liderança intelectual na Igreja. O grande responsável pela expansão do Cristianismo naqueles dias, o Apóstolo Paulo, era uma referência não só espiritual, mas também intelectual. Enquanto nós tendemos a mistificar por demais a pregação das boas novas, vemos que Paulo usava de toda a sua habilidade intelectual para, literalmente, persuadir as pessoas a crerem em Jesus Cristo (At 17.4). Porque não deveríamos fazer o mesmo? Paulo era um homem altamente intelectual que não perdia uma oportunidade de arrazoar com os gentios acerca das Escrituras (Act 17.1) ou de enfrentar com argumentos, os filósofos da época (Act 17.18), inclusive citando poetas pagãos por pelo menos três vezes em seus escritos (Act 17.28, 1Co15.33, Tt 1.12) e ainda ensinando na Escola de Filosofia de Tirano (Act 19.9). Outro que merece menção pela sua habilidade de persuasão e oratória é Apolo que usava as suas habilidades naturais para convencer os judeus, por meio das Escrituras, que o Cristo é Jesus (Act 18.28). Em cinco ocasiões, apenas nesses três capítulos de Actos, são usadas as palavras "persuadir" (Act 17.4, 18.4, 19.8), "convencer" (Act 18.28) e "arrazoar" (Act 17.2). Tais palavras referem-se essencialmente ao uso do intelecto. É notória a diferença entre como a Igreja de Actos encarava a importância do intelecto e como nós hoje a encaramos [...]. A Igreja nunca vai influenciar positivamente a cultura enquanto desprezar o valor do pensamento, que é o que realmente move a cultura. O sociólogo John G. Gager apontou que apesar de a Igreja primitiva ter sido um movimento minoritário que enfrentou o desprezo e marginalização cultural e intelectual, ela só manteve a unidade interna e o testemunho corajoso por causa do papel dos intelectuais e apologistas Cristãos da época. A Igreja sabia quem eram os seus intelectuais e apologistas e isso dava-lhe confiança e força para enfrentaram a marginalização da sociedade. Hoje, a situação não é diferente, a Igreja Evangélica é ridicularizada pela sociedade, mas com a triste diferença que não temos uma liderança intelectual para nos apoiar. Se quisermos vencer devemos preparar-nos para a batalha. Uma batalha que não é travada nas ruas, mas sim nas Universidades do país de onde saem os futuros lideres. [...]
Vitor Pereira

Observatório Arrasa Justiça Portuguesa

Da Justiça Portuguesa, disse Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados: "FUJAM" !
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Pelos vistos não está sózinho.
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O relatório que avalia a reforma penal propõe alterações legislativas. Mas isso não chega. É preciso mudar quase tudo: da gestão à cultura.
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...Lembrando que a justiça "é chamada a desempenhar um papel central" num contexto de crise, em que os cidadãos se vêem "cada vez mais confrontados com um conjunto vasto de injustiças sociais", o relatório, a que o i teve acesso, sustenta que "os poderes político e judicial têm que assumir um alto compromisso com os cidadãos". E esse compromisso passa sobretudo pelo combate à criminalidade grave e à corrupção. "A verdade é que, até agora, a justiça portuguesa não conseguiu que um único caso de criminalidade económico-financeira grave, que envolvesse pessoas poderosas, tivesse chegado ao fim com uma condenação transitada em julgado." Razão para que parte do relatório final, já entregue em Julho ao Ministério da Justiça mas não divulgado, analise as causas dessa falta de resultados. [...]
Ler versão integral do texto AQUI no jornal "I" de 15 de Outubro de 2009

"A Bíblia para todos"

( Imagem jornal "I" )

A tradução interconfessional em que "A Bíblia para todos" se baseia começou a ser feita em 1972 por uma equipa de peritos católicos e protestantes, trabalho que se prolongou por 30 anos.
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A primeira edição literária da Bíblia, com texto em português "simples, acessível e sem aditivos", é lançada terça-feira em Lisboa no que é considerado pelos responsáveis como uma "novidade absoluta no mercado editorial em língua portuguesa". A novidade deve-se ao facto de se tratar da primeira edição literária em língua portuguesa, apesar de anualmente se editarem dezenas de milhões de exemplares só no Brasil, e de ter sido preparada com base num estudo de mercado, explicou. Editada pela Temas e Debates e pelo Círculo de Leitores e preparada pela Sociedade Bíblica de Portugal, esta nova edição pretende ser uma resposta à "crescente secularização das pessoas", que não lêem a Bíblia "por ser difícil de entender" ou por possuírem edições antigas. "Por isso criámos esta nova edição, sem aquele tipo de elementos que habitualmente acompanham a Bíblia, que é a divisão por capítulos, secções, versículos e notas. Retirámos isso tudo e criámos um texto simples, limpo, acessível com uma linguagem visual atraente para poder chegar à maioria das que não frequenta nenhuma igreja, não pratica nenhum culto, mas tem interesse e curiosidade neste texto", explicou Alfredo Abreu. Outra novidade nas edições portuguesas da Bíblia reside na ordenação dos livros do Antigo Testamento, tendo sido seguida a ordem original, que é a hebraica. "A Bíblia para todos", assim chamada por ser um texto interconfessional preparado por especialistas católicos e protestantes e que pretende chegar ao maior número de pessoas, vai ter uma primeira edição de 10 mil exemplares, mas está já a ser pensada uma segunda tiragem, disse à Lusa Alfredo Abreu, da Sociedade Bíblica Portuguesa. A tradução interconfessional em que "A Bíblia para todos" se baseia começou a ser feita em 1972 por uma equipa de peritos católicos e protestantes, trabalho que se prolongou por 30 anos. A edição pretende também responder a um estudo de mercado desenvolvido o ano passado com o objectivo de saber qual a relação dos portugueses com a Bíblia, nomeadamente se a lêem, onde e que dificuldades encontram. "Com base neste estudo de mercado quisemos criar uma edição da Bíblia que correspondesse às expectativas, aos interesses e à linguagem própria do público que não vai à igreja, do público que compra livros nos hipermercados e nas livrarias comuns. Toda esta edição foi desenhada com base neste estudo e na experiência de 200 anos da Sociedade Bíblica em Portugal", referiu Alfredo Abreu. Quem comprar esta edição vai poder aceder a um site (www.abibliaparatodos.pt) com conteúdos exclusivos, regularmente actualizados, e que permite a leitura online do texto, na versão literária e anotada, a consulta de notas e explicações e a escuta em áudio de parte dos textos. Além disso, vão estar disponíveis mapas sobre zonas relacionadas com os textos, bem como infografias, sendo possível assinar um serviço gratuito de envio diário de textos bíblicos por sms ou email. De acordo com Alfredo Abreu, anualmente vendem-se em Portugal cerca de 100 mil exemplares das várias edições e só as Sociedades Bíblicas Unidas (de que a Sociedade Bíblica de Portugal faz parte) vendem em todo o mundo entre 400 e 500 milhões de bíblias em papel. Um dos sites mais conhecidos relacionados com a Bíblia, o www.biblegateway.com, tem oito milhões de visitas mensais, o que, a par das vendas anuais de centenas de milhões de exemplares em papel, prova que o "interesse na Bíblia é uma coisa sem paralelo na história da Humanidade", disse ainda.
In Jornal "I" de 16 de Outubro de 2009

Uma Nova Versão da Inquisição. Agora nos USA

Igreja baptista planeia queimar livros e música no Dia das Bruxas
Uma igreja baptista de Canton, na Carolina do Norte, está a planear queimar livros e música que considera satânicos, por ocasião do Dia das Bruxas. Além de livros da saga Harry Potter e obras como “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, também cópias da Bíblia serão queimadas – excepto a versão “King James”, a única tomada em conta pela igreja baptista e considerada “infalível”.De acordo com a revista “Examiner”, o encarregado desta igreja, o pastor Marc Grizzard, disse que todas as outras versões da Bíblia são “satânicas” e “perversões” da palavra de Deus. Além destas obras, também discos de música considerada satânica serão queimados por Grizzard e 14 outros membros da igreja. Entre os estilos, contam-se o Country, Rap, Rock, Pop, Heavy Metal, Western, Jazz e Soul.Este deverá ser, no entanto, um serão bem passado. O site da igreja (agora indisponível), informa que vai haver churrasco de frango e que “toda a gente será servida”.
In jornal Público de 16 de Outubro de 2009
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Ultrajante, Repugnante e Aviltante
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Não é desta forma que se ganham os homens para Cristo.
Quase que nem dá para acreditar !!
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É por coisas como esta que os evangélicos norte-americanos passam a imagem que passam, de si próprios, para o exterior dos Estados Unidos.
A Europa assistiu a isto na idade média, designada também "idade das trevas". Na altura quem o fazia era a "Santa Inquisição" e o Tribunal do Santo Ofício, braços "armados" do obscurantismo da Igreja Católica.
Sobre esta ideia, tão feia e tão rasca, não faço mais comentários. Este "pastor" e esta "igreja" deviam ter vergonha e pudor, no mínimo, por envergonharem desta forma o nome de Cristo.
JL

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Humor de 6ª - Pesca ao Tubarão...

Em visita ao litoral do Rio Gde do Sul, o Papa foi levado a percorrer algumas praias, onde se presenciou uma cena impressionante.Algumas pessoas gritavam, desesperadas, apontando para o mar.Forçando a vista, Sua Santidade pode ver um jovem, vestido com a camisa da seleção Argentina, lutando desesperadamente contra o ataque de um tubarão.O pânico era geral, mas três homens vestindo camisetas da seleção brasileira se aproximaram da água. Um arremessou um arpão que acertou no corpo do tubarão; o segundo arrancou o jovem ensangüentado de sua enorme boca, enquanto o terceiro abatia a feroz criatura com vigorosas cacetadas.Depois de levar o argentino inconsciente até a areia, os três sujeitos arrastaram o tubarão até as proximidades de uma camionete e o colocaram na caçamba.Ainda cansados, os brasileiros foram levados até as proximidades do Papa-Móvel. O Papa, visivelmente emocionado, lhes dirigiu uma bênção especial.- Caríssimos irmãos brasileiros: a cena que hoje presenciei me ensinou muito acerca a grandeza dos homens, filhos de Deus. Sem considerar a rivalidade que existe entre os brasileiros e argentinos, um gesto nobre, superior e heróico, levou estes abnegados brasileiros a salvar um irmão das garras da morte, mesmo sendo este um argentino. É um grande exemplo para a busca da paz entre os homens sempre em conflito!O Papa se despediu e, enquanto o Papa-Móvel se afastava, um dos brasileiros perguntou aos outros:- E aí, qual é a deste velho?- Bah! Deixa de ser ignorante, tchê, este é o Papa, o santo padre, o cara que fala direto com o Homem lá de cima. Ele tem a sabedoria divina.- Sabedoria divina ele pode ter, mas não entende nada de pesca de tubarão… Cadê a isca? Fugiu de novo? Da próxima vez vamos amarrar o argentino com arame farpado, é mais seguro…

Lisboa de Outros Tempos - 15

(Clique na imagem para AUMENTAR)
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Lisboa, Vendedor de Castanhas Assadas, 1966

Humor de 6ª - Rio, Olimpiadas 2016.

Via PavaBlog

Amazónia, Pulmão do Mundo !?

Desflorestação da Amazónia em Agosto chega a 273 km2

A desflorestação da Amazónia em Agosto foi 167 por cento maior do que no mesmo período do ano passado e atingiu uma área de 273 quilómetros quadrados, mais que o triplo da área do Concelho de Lisboa. Os dados divulgados hoje pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazónia (Imazon) revelam também que 48 por cento da devastação ocorreu em áreas de protecção ambiental, onde é proibido qualquer tipo de corte e de extracção de madeira. De acordo com o Instituto, a desflorestação das terras públicas é especulativa, uma vez que os invasores destroem a mata e depois reivindicam a propriedade da terra ocupada. O Instituto acredita que quase a metade da desflorestação detectada em Agosto tenha ocorrido de facto em meses anteriores. A destruição não teria sido notada por causa da ocorrência de nuvens, que impossibilitaram a visualização da região. A maior parte da área devastada registada em Agosto (76 por cento) fica no Estado do Pará. O Governo brasileiro decidiu esta semana ampliar as metas de controlo da desflorestação na Amazónia, prevendo uma redução de 80 por cento até 2020 face a uma média anual de 19,5 mil quilómetros quadrados entre 1996 e 2005. A meta anunciada no final do ano passado era uma redução de 70 por cento até 2017. A devastação da Amazónia é a principal fonte brasileira de emissões de gases de efeito estufa. Com a queda prevista, o país deixaria de emitir cerca de 5.000 milhões de toneladas de gás carbónico. Para que esta meta seja alcançada, entretanto, seriam necessários, segundo o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pelo menos 10 mil milhões de dólares de financiamento externo por ano. A preservação das florestas será um dos pontos centrais da XV Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), em Dezembro, em Copenhaga, onde se espera um acordo para enfrentar as mudanças climáticas, que substitua o Protocolo de Quioto.
In Diário de Notícias de 15 de Outubro de 2009

Brennan Manning - Compreender o Amor de Deus.

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São cerca de 3 minutos em que não pode nem deve deixar de ouvir Brennan Manning

( Legendado em Português )

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Galileu: de Condenado a Herói no Vaticano

( Imagem jornal D.N. )
Quatro séculos depois de a Inquisição ter condenado Galileu Galilei por afirmar que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário, defendido pela Igreja católica, o Vaticano presta homenagem ao astrónomo italiano com uma exposição de instrumentos científicos, que inclui o primeiro telescópio que o cientista usou para estudar as estrelas. A exposição, com inauguração marcada para hoje, apresenta-se sob o nome de "Astrum 2009" e foi organizada na sede dos Museus do Vaticano por ocasião do Ano Internacional da Astronomia. "Trata-se de uma selecção de instrumentos que ilustram o percurso dos progressos feitos pela astronomia. Com uma especial atenção ao telescópio de Galileu", explicou Tommaso Maccacaro, presidente do Instituto Nacional Italiano de Astrofísica. No total, 130 objectos estão expostos, entre instrumentos, mapas, maquetas, quadros, fotografias, códices, manuscritos e livros. Entre as peças mais importantes figura uma réplica do telescópio que Galileu usou em 1609 para observar pela primeira vez as estrelas e que marca o nascimento da astronomia moderna. O original encontra-se em Florença e foi construído com pedaços de madeira fina, amarrados com couro, e um sistema de lentes que permitem ampliar quase 20 vezes a imagem. Galileu Galilei (1564-1642), nascido em Pisa (centro da Itália), começou a observar a Lua e as estrelas com esse telescópio e as suas descobertas permitiram-lhe confirmar a rotação da Terra em torno do Sol, teoria que já havia sido proposta por Copérnico. Essas afirmações levaram-no a ser perseguido pela Santa Inquisição, que o obrigou a negar suas teses. Apenas em 1992 a Igreja Católica reconheceu que se equivocou quando condenou Galileu e agora presta-lhe homenagem com uma mostra no ano que a ONU proclamou como o Ano Internacional da Astronomia para comemorar a primeira utilização de um telescópio, precisamente por Galileu. Boa parte da exposição é dedicada aos telescópios, desde o rudimentar de Galileu até os grandes e complexos empregados pelos observatórios do século XIX. Um magnífico astrolábio do século XVI, cercado por livros e escritos do mesmo período, assim como enormes globos celestes, um de 1567 e outro de 1696, ilustram os conhecimentos astronómicos da época. A exposição, considerada uma das mais completas já realizadas na Itália sobre a história da astronomia, apresenta também uma série de valiosos manuscritos, entre eles o original do Sidereus Nuncius, com os resultados de Galileu sobre as suas observações celestes. Destaca-se também o atlas das estrelas de Johann Elert, de 1801, e as fotos das expedições astronómicas italianas, em particular a realizada na Índia em 1874 para observar a passagem de Vénus diante do Sol, um acontecimento muito raro, segundo Ileana Chinnici, comissária da exposição.
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In jornal Diário de Notícias de 15 de Outubro de 2009

Lisboa de Outros Tempos - 14

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Lisboa, Ponte 25 de Abril em Construção
( Não datada )
Ponte inaugurada no ano de 1966, Agosto, sob o nome de "Ponte Salazar" em honra do então primeiro -ministro português ( do período da ditadura do Estado Novo ) António de Oliveira Salazar. Com a "Revolução dos Cravos" em Portugal, em 25 de Abril de 1974, a ponte sobre o rio Tejo, que unia a capital do país à cidade de Almada, na margem oposta, tomou então a sua actual designação.

"A Breve imortalidade do Nada em Álvaro de Campos"

A consciência da finitude nos angustia justamente porque somos habitados por um senso de eternidade. Esse paradoxo é descrito de maneira magnífica por Álvaro de Campos, pseudônimo de Fernando Pessoa, em seu poema Tabacaria: “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”A palavra “espiritualidade” expressa esse encontro entre o finito e o infinito nas profundezas do ser humano.
Ed René Kivitz (citado em Ab-Integro, de J. Lourenço)
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«Não sou nada, sou uma ficção». Quem afirmou isso foi a mesma pessoa, fictícia, criatura heterónima, que escreveu o seu retrato como uma análise certeira sobre si próprio, como se fora um psicólogo e um antropólogo, existencialista avant la lettre : “Não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada». À parte isso dizia ter em si todos os sonhos do mundo.” Quem isto disse, foi uma personagem desdobrada. Esta frase não tem sido bem entendida, especialmente por teólogos ou escritores cristãos – e.g. Ed René Kivitz: pseudónimo não é heterónimo, já agora - que vêem nela uma espiritualidade, um contraponto entre o finito e o infinito. Em Álvaro de Campos, os sonhos eram a substância da espuma do mundo. Nenhum homem foi menos onírico do que o heterónimo de Pessoa. O nada para Álvaro de Campos era mais do que uma categoria filosófica, ou um vazio teológico a partir do qual Deus criou, era uma forma de reacção: “Não: Não quero nada. Já disse que não quero nada.” E termina a dizer o que é a completa negação da eternidade, ou pelo menos de um pensamento sobre o eterno: «E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!». “A única conclusão é morrer» (do mesmo poema acima) põe todos os pontos nos iii à conclusão de um crente na imortalidade. Não era. Pelo menos nos heterónimos. Ricardo Reis que vem da sabedoria clássica, pensaríamos então que do gnosticismo, retoma a ideia do Nada como a morte física; «Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa». Ter em si todos os sonhos do mundo é, no sentido do heterónimo pessoano, ter todas as sensações e «sentir tudo de todas as maneiras». A acreditar neste ecletismo, ou pior, sincretismo de sensações, que nos leva ao sensacionismo poético que era a escola estética do Poeta, acreditaremos noutras afirmações poemáticas que são megalómanas, ou no mínimo hiperbólicas: « Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. Tenho apertado ao peito –hipotético mais humanidades do que Cristo.» O prof. Jacinto do Prado Coelho colocou o cerne da pretensa espiritualidade no poeta ortónimo e heterónimos, deste modo: «Entendamo-nos sobre o sentido da busca espiritual em Pessoa. Quando se multiplicou nos heterónimos, o autor já decerto sabia que não ia encontrar uma resposta cabal para as suas interrogações sobre o enigma do eu e do mundo. Estava já(…) dividido entre a intuição que crê e a razão que nega, desiludido, sem esperança». Antes mesmo dos existencialistas, estava já enclausurado no absurdo.
J.T.Parreira

"O UNIVERSO DE EINSTEIN"

Estive ontem na inauguração do Ciclo de Conferências, "Nas Fronteiras do Universo", promovido pela Fundação Caloustre Gulbenkian, em colaboração com outras entidades ligadas à ciência. Não era a primeira vez que me deslocava ao auditório 2 da Fundação para assistir a conferências. Fui "nas calmas" , com o tempo suficiente para chegar dentro do horário, o que aconteceu. Mas as "minhas calmas" não foram suficientes para me dar acesso ao auditório, que estava repleto, tendo que ficar "confortavelmente" instalado na escadaria de acesso ao hall dos auditórios, onde as seis ou sete dezenas de cadeiras ali provisoriamente colocadas já estavam esgotadas, tendo as pessoas que continuavam a chegar depois de mim que se espalhar pelo largo espaço que frente ao retroprojector disponível que transmitia para o exterior o que se passava dentro do auditório.
Uma surpresa, para mim, quando a porta do auditório 2 se abriu, após terminar a Conferência de ontem, e centenas de adolescentes e jovens sairam de supetão. Sei que "esqueceram" a sessão de interpelações ao conferencista que, para mim, é quase tão interessante, por vezes, quanto as Conferências em si. Mas pronto, não se pode pedir tudo, e já é um princípio, e um bom princípio, ver tanta gente no início da vida interessada em ciência e particularmente em astronomia, cosmologia, ou astrofísica, como queiramos.
Perguntarão porque é que eu gosto tanto de astronomia e, de uma forma geral, de ciência ? É simples a resposta: Foi por aí que eu vim a Jesus ! Foi pela contemplação do Universo nas noites estreladas do alentejo, em criança, e pelas explicações do meu avô José sobre o mesmo, um homem formado apenas na "Academia da Vida", muitas vezes bastante "criativas", que eu achei que queria conhecer mais sobre quem tinha criado algo tão profundo, perfeito e misterioso. Depois, foi só seguir Copérnico, Galileu, Newton, Kepler, Herschel e até Kant e somar um mais um que dá sempre dois. O resultado de um Universo tão matematicamente perfeito não pode ser obra do acaso. Só uma "mente" perfeita o podia ter criado e desenvolvido.
É por isso que ontem não me importei de ficar hora e meia sentado numa escada do hall dos auditórios da Gulbenkian, sabendo que três quartos do 2 estavam preenchidos por jovens e adolescentes ávidos de ouvir sobre o Universo que aprendi a "vasculhar" e entender desde os meus dias de menino, mesmo sem ser na actualidade um especialista ou cientista na matéria, bem longe disso, aliás.
Depois, para além do mais, sabe-me bem ouvir um homem da ciência, como o Prof. Alfredo Barbosa Henriques, dizer, humildemente, que na abordagem para a compreensão do Universo "temos ainda mais problemas do que soluções" ! É isto que admiro e gosto na ciência e nos verdadeiros homens da ciência: a não presunção de que sabem tudo ou que dominam o conhecimento total sobre tudo.
É sempre bom recordar Sócrates ( não o nosso primeiro-ministro, é claro ): "Só sei que nada sei !" . Ou mesmo Immanuel Kant : “Duas coisas satisfazem a mente com crescente admiração e receio: O céu estrelado por cima de mim e a lei moral dentro de mim”.

Tamanha simplicidade é desarmante e cativante e leva-me a gostar, cada vez mais, de ciência honesta e cientistas não preconceituosos. A ciência honesta, ao contrário do que uma larga corrente da igreja cristã estatuiu, não é inimiga de Deus nem da igreja, bem pelo contrário. E bom seria que, neste domínio, o da ausência de algumas certezas e ideias feitas, a igreja tomasse o exemplo da ciência séria. Talvez isso, e a Graça de Deus, impedissem a produção de fariseísmos e legalismos inconsequentes e o Espírito Santo tivesse assim espaço para actuar mais profundamente no coração dos homens e mulheres que povoam as casas de oração de hoje.

Jacinto Lourenço

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Breve apresentação da Conferência de ontem na Gulbenkian, e do Conferencista.
Neste seminário falaremos do impacto das ideias de Einstein, em particular na Teoria da Relatividade Geral e suas aplicações na cosmologia. A cosmologia estuda o universo na sua mais larga escala, como um todo, e este estudo tem na relatividade geral o seu mais perfeito instrumento matemático. É claro que um projecto tão ambicioso só pode ser levado avante, aceitando à partida um certo número de hipóteses simplificadoras, baseadas na experiência e na observação. São estas hipóteses que definem o modelo do Big-Bang, o modelo cosmológico com maior aceitação na comunidade científica. Começaremos a palestra com uma exposição, que se pretende simples, dos conceitos básicos que definem a relatividade geral, chamando a atenção para as diferenças importantes que separam esta teoria da mecânica newtoniana. Feito isto, entraremos, então, na descrição do modelo do Big-Bang. Veremos o papel crucial que a relatividade geral tem no estudo da cosmologia, em particular na compreensão desse fenómeno espantoso que é a expansão do universo, expansão que não é uma expansão através do espaço, mas sim uma expansão do próprio espaço. Deste fenómeno da expansão poderemos tirar importantes conclusões sobre o passado do universo, sobre a história da sua evolução e sobre os fenómenos físicos que foram relevantes nesta evolução. Como não podia deixar de ser, importantes dificuldades foram e estão a ser encontradas, à medida que as nossas observações se foram tornando mais precisas e sofisticadas, exigindo a introdução de novas componentes de energia e matéria do universo, cuja interpretação é, ainda, altamente problemática. Uma das maiores dificuldades, do ponto de vista teórico, resulta da aparente incompatibilidade entre a teoria da relatividade geral e a mecânica quântica que rege todos os fenómenos físicos conhecidos, com excepção das forças gravitacionais. É aqui que nos aparece a teoria das supercordas, como tentativa de ultrapassar aquelas dificuldades, através de uma unificação de todos os tipos de forças conhecidas, baseando-se numa nova representação dos fenómenos mais elementares, mas que está, ainda, longe de nos dar resultados definitivos. O mesmo se passa com outras teorias em desenvolvimento, como seja a teoria da gravitação quântica em “loop”, de que, também, falaremos muito genericamente. Será que, da resolução deste problema, relatividade geral vs. mecânica quântica, surgirá a solução das nossas dificuldades?
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Prof. Alfredo Barbosa Henriques
Alfredo Barbosa Henriques licenciou-se em Engenharia Electrotécnica na Faculdade de Engenharia do Porto, e doutorou-se em Física pela Universidade de Glasgow, em 1976, com uma tese intitulada “Relativistic Equations for Meson Structure”. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Desenvolve a sua actividade docente no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico, onde é professor catedrático, desde 1992. É investigador do Centro Multidisciplinar de Astrofísica, CENTRA/IST, de que foi um dos fundadores e primeiro presidente, até 2000. Baseado na sua actividade docente e nas suas aulas, publicou, em colaboração com o Professor Jorge Crispim Romão, o livro “Electromagnetismo”, IST Press, 2006. Recentemente, e tendo, também, como ponto de partida as suas aulas sobre relatividade e cosmologia, publicou o livro “Relatividade Geral – uma introdução”, IST Press, 2009. A sua actividade científica pode ser dividida em dois períodos, mais ou menos distintos, um que vai de 1976 a 1985/1986, e outro que vai desde 1986 até ao presente. O primeiro período foi dedicado à exploração e desenvolvimento de modelos relativistas de quarks e suas aplicações ao estudo da estrutura e espectro dos mesões e bariões. Foram publicados vários artigos sobre estes assuntos. A partir de 1986 começou a interessar-se pelos limites de baixas energias das teorias de supergravidade e supercordas, e suas consequências na cosmologia (modelos inflacionários, incluindo modelos com dimensões extra) e na astrofísica (estrelas de neutrões e estrelas de bosões-fermiões, cujo conceito introduziu). Além destes, publicou artigos científicos sobre perturbações em cosmologia. Durante uma parte deste período teve uma colaboração activa com R. G. Moorhouse (Glasgow) e Andrew R. Liddle (Sussex). Mais recentemente, em colaboração com Paulo Sá (Algarve) e Robertus Potting (Algarve), tem focado a sua investigação nas ondas gravitacionais de origem cosmológica e no cálculo do respectivo espectro. Particular atenção tem sido dedicada ao regime das muito altas frequências (MHz e GHz), pois este regime pode dar-nos, em princípio, importantes informações sobre a época inflacionária, podendo mesmo vir a fornecer-nos um teste importante dos modelos inflacionários. Tem, também, trabalho publicado na área da cosmologia quântica em “loop”. Sobre estes diversos temas tem publicado, regularmente, artigos científicos nas principais revistas internacionais de física, Physical Review, Nuclear Physics, Physics Letters, Zeit. f. Physik, Classical and Quantum Gravity, entre outras.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Lisboa de Outros Tempos - 13

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Lisboa, Chafariz da Esperança, 1908