sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
"Nele Vivemos, e nos Movemos, e Existimos" - da Bíblia
O ar do tempo acha que é completamente independente do cristianismo. O ar do tempo está errado. Mesmo que não acredite no mistério pascal (como eu o percebo), mesmo que não seja um cristão de fé, o cidadão ali da rua é um cristão cultural, educado numa cultura de direitos que só cresceu na civilização judaico-cristã. Tal como defende Nicholas Wolterstorff, os tais "direitos inalienáveis" (a base ética e constitucional das nossas vidinhas) têm uma raiz bíblica . Por outras palavras, o Direito Natural precisa de uma base religiosa, precisa de uma comunicação com a transcendência divina. Porquê? A resposta não é simples, mas aqui vai: sem uma noção de transcendência, sem algo que nos liberte da prisão do aqui-e-agora, o poder político fica com as portas abertas para limitar os direitos inalienáveis dos indivíduos. Não por acaso, os regimes totalitários do século XX anularam por completo qualquer noção de transcendência, destruíram qualquer noção ética com origem em algo exterior à lei positiva determinada pelo chefão. O fascismo e o comunismo foram tiranias da imanência.
Muitos autores contemporâneos, como Alain Dershowitz, defendem um conceito de Direito Natural secular, sem qualquer apelo a Deus. Mas isso é o mesmo que ser do Benfica e gostar do Pinto da Costa ao mesmo tempo . Um Direito Natural completamente secularizado é uma contradição em termos, porque não tem uma gota de transcendência. Quando dizemos que cada indivíduo tem direitos inalienáveis que nenhum poder terreno pode pôr em causa, quando dizemos que cada pessoa tem direitos inalienáveis que nenhum direito positivo pode rasgar, estamos - na verdade - a dar um salto de fé em direcção a uma concepção de amor ao próximo, um concepção de amor que transcende a imanência da lei, da cultura e do nosso próprio corpo (i.e., Deus).
Portanto, convém perceber que a ideia de direitos inalienáveis não foi inventada de raiz pelo pensamento iluminista do século XVIII ou pelo optimismo científico e individualista do século XIX. Esta ideia já fazia parte do património bíblico. Neste sentido, a tese de Wolterstorff não é descabida: sem esta raiz cristã, a nossa cultura de direitos não teria sido desenvolvida. Os críticos desta tese poderão invocar Kant para a defesa de um Direito Natural absolutamente secular, mas ficarão sempre expostos a um ataque óbvio: Kant cresceu numa cultura cristã e não noutra qualquer; Kant não apareceu no paganismo indiano ou chinês. Não por acaso, Nietzsche dizia que Kant era um cristão manhoso, um cristão que inventou uma teoria secular de direitos apenas para fugir da questão de Deus e da fé.
Moral da história? Durante muito tempo, pensei que Kant chegava para as despesas do Direito Natural. Mas não chega.
Por Henrique Raposo in Expresso Online
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Alves Redol nasceu em Vila Franca de Xira faz Hoje Cem Anos
O centenário do nascimento do escritor Alves Redol, um dos mais importantes nomes do Neorrealismo português, é hoje assinalado em Vila-Franca de Xira com uma sessão evocativa, pelas 18:30, no Museu do Neo-Realismo.
A efeméride tem vindo a ser celebrada ao longo do ano pelo museu com exposições, exibição de filmes e leituras encenadas, e irá prolongar-se até Janeiro de 2012 com a atribuição de um prémio com o nome do autor e com a realização de um congresso internacional em Lisboa.
Hoje, dia em que se completam cem anos do nascimento, o Ateneu Artístico Vilafranquense organiza uma arruada pela cidade até ao local onde de encontra a estátua de Alves Redol, com a actuação da Banda do Ateneu.
Nascido em Vila Franca de Xira a 29 de dezembro de 1911, António Alves Redol viria a falecer a 29 de Novembro de 1969, aos 58 anos, deixando uma vasta obra publicada, com contos, romances, teatro e histórias para a infância, num total de 34 títulos, entre eles "Gaibéus" (1939) e "Fanga" (1943).
O Museu do Neo-Realismo inaugurou em outubro a exposição "Alves Redol -- Centenário" e ainda as mostras "Alves Redol, a Fotografia e o Documento" e "Alves Redol em BD: projetos de banda desenhada em torno da narrativa redoliana".
As comemorações prosseguem em 2012 com a entrega do Prémio Literário Alves Redol -- Romance e Conto, numa data ainda a anunciar, e a realização, de 19 a 21 de Janeiro, do Congresso Internacional "Centenário de Alves Redol", organizado em conjunto com o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
No encontro vão participar, entre outros, Carlos Reis, que irá proferir a conferência de abertura, Ana Cristina Gil, Ana Isabel Ribeiro, Anabela de Oliveira Figueiredo e Ana Paula Ferreira.
Também o Museu do Douro assinala a data com uma exposição dedicada ao escritor, que viveu alguns anos na região do Douro, onde escreveu quatro livros dedicados às suas gentes: "Porto Manso" (1946) e a trilogia do "Ciclo Porto Wine" (1949-1953).
No início de Dezembro, o PCP realizou uma cerimónia evocativa de Alves Redol, recordando a actividade enquanto resistente antifascista e militante comunista a partir de 1940, tendo sido preso por duas vezes pela PIDE, a polícia política do Estado Novo.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Abade detido por Envolvimento em Escândalo de Corrupção. Também tu, Brutus...
As autoridades gregas prenderam hoje o abade de um mosteiro ortodoxo grego com mais de mil anos de história, acusando-o de ter tido um papel fundamental num alegado escândalo imobiliário que envolvia negócios com o estado grego.
Ler artigo AQUI no Diário de Notícias Online
Extremistas Judeus
Grupos de haredim defendem a exclusão de mulheres em autocarros e na via pública, demonstrando no fundo aquilo que realmente são: cretinos e intolerantes. Eles são uma minoria no país, mas o número suficiente para causar distúrbios sobretudo em Jerusalém.
Sempre desconfiei de gente demasiadamente religiosa, há algo de falso e sombrio naqueles cabeçinhas, e este pessoal para além de possuir estes atributos, é gente que não trabalha, não produz, não cumpre serviço militar.
Vivem às custas do estado hebraico, privilégios não lhes faltam e ainda por cima dão-se ao luxo de causar distúrbios. Israel não é o Irão, não gostam, boa viagem.
Fonte: Por Terras de Sefarad
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
De que Natal Falamos...?
Não me parece que a principal motivação que leva as pessoas, hoje, a festejar o Natal, seja o nascimento do Salvador, tal como também não tenho já nenhum tipo de ilusão sobre o que representará o Natal para quem a ele se agarra e lhe cola o novo epíteto de "festa de família". O conceito cristão de família, o conceito que Cristo revelou de família, é mais alargado, mais amplo, mais universal e está claríssimo no evangelho de Mateus 12:46-50: E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe. E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe. Mercantilismo, e não mais do que isso! "Alegria" vivida pontualmente, comprada e vendida em tão grande sofreguidão que chega a intimidar-me.
Mas esta designada "festa de família" mercantil esquece, na voragem dos dias a degradação e miséria humana que nos cerca, ou lembra-a, igualmente, só por uns míseros dias, poucos, qual panaceia mitigadora de fracas consciências. Para Jesus, a família somos todos, todos os dias. Que sensatez, que nobreza ou consciência colectiva ou individual, alimenta, como escreveu Faranaz Keshavjee, esta bondade e generosidade que faz ostentação de abundância por um dia e "condena à miséria e solidão nos restantes 364 dias do ano ?" Em nome de que deus se pode agir assim? Que família é a nossa ? É por tudo isto que tenho cada vez mais dificuldade em me reconciliar com este "natal pequenino" de que todos falam por um dia ou dois e esquecem pelos restantes 364.
É por tudo isto que tenho saudades do Natal da minha infância e pré-adolescência. Não recebia brinquedos caros. Mesmo não sendo a "mesa" o centro das atenções, como hoje acontece, também nos deleitávamos, por vezes mais com as "fragrâncias gastronómicas" provenientes da preparação natalícia, do que a quantidade que lhes estava na origem. A oferta até podia não ser muita e a escolha poderia ser ainda menor, contudo havia o estritamente necessário sobre a mesa e, aquilo que temos por necessário, retirando à palavra "necessário" qualquer jogo mental, criatividade "verbal" ou adjectivação subliminar que lhe queiram associar, e em que o espírito humano é normalmente pródigo, não contamina o corpo nem a alma de nenhum cristão, mesmo se ele não consegue chegar com mais do que isso junto da família alargada de Deus. Concordo, minha cara Faranaz Keshavjee, que "é porque Jesus nasceu que todos os dias são dias de fazer Natal, de nos excedermos em boas-obras", mesmo sem que, para concluir isso, seja necessário eu ser muçulmano, ou eventualmente você ser cristã. "Rei morto Rei posto!" Espera-nos agora, dentro de cinco dias, a festa onde todos "faremos de conta" , num ritual de entorpecimento individual e colectivo prolongado à saciedade, mesmo se à nossa volta a família de Deus agoniza.
Jacinto Lourenço
sábado, 24 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
"Deus concedeu-nos o Dom de viver, compete-nos a nós Viver bem" - Voltaire
Passam hoje precisamente três anos que este blogue, uma página simples e necessariamente isenta de qualquer exercício de pretensiosimo, começou a ser editado. Nasceu no meio de um determinado contexto da minha vida pessoal. Foi uma coisa nova para mim, que sempre procurei proteger-me da exposição pública. Com o Ab-Integro assumia o risco dessa exposição, em várias vertentes, em particular a que incide sobre o meu pensamento e a forma como me posiciono no mundo e em relação a tudo o que me cerca.
Poucos têm a coragem de assumir a ruptura de alguns mantos diáfonos que escondem fantasias que parecem querer camuflar. Ora, no que me diz respeito, nunca sustentei fantasias nem me escondi atrás de mantos de ilusão ou contrafacção da verdade. Tomo a vida por inteiro, como ela se apresenta e as minhas opções pessoais são disso consequência, para o bem, para o bom, mas também para as coisas menos positivas que me acontecem. Interrogo-me muitas vezes se poderia ter descrito outra trajectória, sublimado os meus defeitos, melhorado as minhas virtudes. A resposta é sim e é não. Por um lado somos sempre resultado das nossas circunstâncias e das opções que tomamos face às mesmas, por outro lado há coisas que nunca conseguiremos mudar, que são intrínsecas a nós próprios, estão nos nossos genes e é isso que faz do ser humano a criação perfeita; somos, a um tempo, todos diferentes e todos iguais. Foi Voltaire que disse que "Deus concedeu-nos o dom de viver, compete-nos a nós viver bem" . O Ab-Integro é um pouco consequência desta perspectiva. Viver bem a vida de acordo com a visão daquele que no-la concedeu, sem peias, amarras ou receio de críticas daqueles que discordam de nós. Damo-nos, por inteiro, com toda a frontalidade e lealdade à vida que recebemos dEle. Este blogue integra-se nesse propósito há três anos. Deus nos tem abençoado através dele e, se posso alimentar um desejo, é o de que continue por mais anos e que a sua influência, positiva, se estenda a todos os que por aqui repousam o olhar. Bem hajam. Obrigado pela companhia nesta caminhada.
Jacinto Lourenço
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Finalmente uma Boa Notícia vinda de Bruxelas...
UE cria o maior programa de sempre de financiamento para a cultura
A União Europeia aponta a cultura como fulcral no desenvolvimento económico dos países
“Creative Europe” (Europa Criativa) é o novo programa de financiamento apresentado pela União Europeia (UE) e que vê na cultura, neste momento de recessão económica generalizada, um importante motor para o desenvolvimento de cada país. Entre 2014 e 2020, a UE vai disponibilizar 1,8 mil milhões de euros.
Numa altura em que os agentes artísticos têm sofrido duros cortes nos seus orçamentos, cenário que não tem acontecido apenas em Portugal mas um pouco por toda a Europa, a UE deu a conhecer o maior apoio financeiro de sempre para a cultura, que abrangerá todos os países da UE, e todas as áreas culturais. Com este novo programa, serão milhares os profissionais do cinema, da televisão, da música ou do património cultural que beneficiarão deste impulso económico.
Segundo um comunicado da União Europeia, é fulcral que num momento de crise se aposte na cultura, que “desempenha um dos principais papéis na economia da Europa dos 27”. Neste sentido, a UE recorreu a vários estudos que mostram que a cultura é um dos poucos sectores em crescimento e com potencial para gerar emprego e retorno económico.
“Os estudos europeus revelam que as indústrias culturais e criativas são responsáveis por cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto da UE e 3,8% do emprego”, de acordo com o comunicado, onde é explicado que entre 2000 e 2007 o emprego neste sector registou um crescimento de 3,5% por ano, em comparação com 1% na economia da UE em geral.[...]
Mas afinal o que Fala esta gente com Alá quando Ora ?
Mais de 2500 polícias vão proteger as igrejas cristãs no Paquistão no fim de semana de Natal para impedir ataques de radicais islamitas.
Asia Bibi, acusada de blasfémia, é cristã e está presa apenas por ter ousado beber água do mesmo poço do que outras mulheres muçulmanas
As cerca de 430 igrejas cristãs existentes no Paquistão vão estar sujeitas a especiais medidas de seguranças no próximo fim de semana, que coincide com o período do Natal, para evitar ataques contra esta minoria, visada com regularidade pelos radicais fundamentalistas muçulmanos.
"Vamos colocar cerca de 2500 polícias, entre os quais atiradores de elite, para os proteger no Natal", anunciou um porta-voz da polícia de Lahore, onde se concentra a maioria dos cristãos e dos seus lugares de culto.
Estes representam apenas 3% da população paquistanesa.
"Foram consideradas prioritárias 38 igrejas, das quais 20 onde os estrangeiros costumam assistir à missa de Natal".
Quase cinco mil pessoas foram mortas em ataques de grupos fundamentalistas desde Julho de 2007, um quarto das vítimas são cristãos.
Os cristãos são particularmente discriminados no Paquistão, como o prova o caso de Asia Bibi, uma mãe de família condenada à morte e actualmente na prisão por, alegadamente, ter insultado Maomé.
O estado de Asia Bibi inspira, aliás, grande preocupação a ONG que defendem os direitos dos cristãos paquistaneses. Asia Bibi, de 46 anos, "está física e mentalmente muito debilitada", referiu um elemento que a visitou na prisão onde se encontra, no Penjabe.
"Parecia muito nervosa, chorava e ria. Não conseguia fixar o olhar", disse um membro da Fundação Masihi. A cristã paquistanesa aguarda a decisão sobre um recurso no tribunal superior de Lahore.
Um ministro cristão e uma outra figura política que falaram a favor de Asia Bibi foram assassinados no início de 2011.
A jornalista francesa Anne Isabelle Tollet conta em co-autoria com Bibi a história da cristã paquistanesa no livro "Blasfémia", o qual esteve a promover recentemente em Portugal.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Os Objectivos da nossa Fé num Mundo em Crise
Vivemos tempos de desafio para toda a gente mas em particular para os cristãos. O momento, para estes, não é de continuar a proclamar apenas um "evangelho de púlpito" ou mesmo propagandístico no sentido do proselitismo. As igrejas, os cristãos, os responsáveis não podem continuar de costas voltadas para as comunidades que os cercam ao mesmo tempo que vão brincando à "caridadezinha". Estar centrado sobre o seu próprio umbigo, numa mera atitude narcísica, é quase um "crime" face às necessidades e problemas sociais que começam a levantar-se com grande violência mercê da própria crise mas também das medidas governativas que se focam essencialmente sobre os mais castigados e frágeis.
Bem sei que podemos pegar em alguns versículos bíblicos e descontextualizá-los no sentido de justificar a falta de visão cristã para com os que nos cercam e que precisam de ajuda. Mas não é possível continuar a ilusão; inaugurar gabinetes ditos de apoio social, e meter lá pessoas a ouvir os pobres, até pode encher o ego de muitos dirigentes e igrejas mas não passa de auto-justicação para o absentismo continuado, durante décadas, na opção por acções e atitudes credíveis e honestas. Para além do mais, os gabinetes, se dão algum conforto, é a quem lá está instalado comodamente no ar condicionado ou aquecimento; não resolvem problema nenhum.
Durante muitos e muitos anos, os cristãos evangélicos estiveram apenas centrados em si próprios e a tentar obter alguma atenção da sociedade envolvente no sentido de fazerem passar a mensagem de que também são uma força viva dessa sociedade, mas na verdade isso não teve quaisquer resultados práticos para além de acariciar o amor-próprio de alguns responsáveis que sobem aos palanques. Mais do que agitar bandeiras, importa agir. É quando agimos em Cristo e por Cristo que mostramos a dimensão e relevância da nossa fé que se traduz no alcance e sublimação do sofrimento do nosso próximo, é isso que dá lastro às nossas acções, à nossa vida, à nossa missão. O mérito da igreja e dos cristãos está no serviço, não no ganhar medalhas ou diplomas de reconhecimento, numa parte significativa das vezes completamente imerecido. Um dos mais importantes papéis da igreja, hoje, está em alcançar os que sofrem, não apenas na sua dimensão espiritual mas também, cada vez mais, na sua dimensão humana. Significativo não é dizer a um esfomeado que Cristo salva se, naquele momento, ele apenas está focado no facto de não ter nada para comer ou sequer onde dormir na noite fria que se aproxima.
Durante muitos e muitos anos, os cristãos evangélicos estiveram apenas centrados em si próprios e a tentar obter alguma atenção da sociedade envolvente no sentido de fazerem passar a mensagem de que também são uma força viva dessa sociedade, mas na verdade isso não teve quaisquer resultados práticos para além de acariciar o amor-próprio de alguns responsáveis que sobem aos palanques. Mais do que agitar bandeiras, importa agir. É quando agimos em Cristo e por Cristo que mostramos a dimensão e relevância da nossa fé que se traduz no alcance e sublimação do sofrimento do nosso próximo, é isso que dá lastro às nossas acções, à nossa vida, à nossa missão. O mérito da igreja e dos cristãos está no serviço, não no ganhar medalhas ou diplomas de reconhecimento, numa parte significativa das vezes completamente imerecido. Um dos mais importantes papéis da igreja, hoje, está em alcançar os que sofrem, não apenas na sua dimensão espiritual mas também, cada vez mais, na sua dimensão humana. Significativo não é dizer a um esfomeado que Cristo salva se, naquele momento, ele apenas está focado no facto de não ter nada para comer ou sequer onde dormir na noite fria que se aproxima.
Os cristãos, e em particular os evangélicos, deverão reconfigurar as suas preocupações e prioridades. Talvez menos exercício de auto-contemplação pela beleza das suas posições doutrinárias e mais olhar para os que sofrem. É inacreditável e inaceitável que, por exemplo, existam igrejas ditas cristãs evangélicas, que até há poucos anos nem sequer eram conhecidas, literalmente, nas comunidades envolventes, pese embora décadas de presença, e mesmo assim continuem agora apenas preocupadas com o impacto sociológico da sua imagem institucional. Não fazem falta igrejas destas, não passam de associações ou agrupamentos de cidadãos, pouco esclarecidos, aliás, sobre os objectivos da fé que, dizem, os inspira, e menos ainda sobre as responsabilidades que um cristão, um homem ou mulher de Deus, carrega sobre os seus ombros. Associações destas já há muitas e não é por serem apenas religiosas ou com logotipo de igreja que devem ser preservadas. Confesso que ainda hoje me interrogo sobre as motivações de quem as defende e frequenta, ou melhor, que tipo de "cristianismo" as move. O Amor de Deus não busca apenas o que é propriamente seu ou, como dizia Paulo: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
Jacinto Lourenço
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
A Vida Aprende-se à Bruta, em Portugal....
Hoje o sol acordou, tardio e preguiçoso como em todos os invernos. Iluminou o dia e espantou o frio que as madrugadas acoitam. O rádio dava as notícias duma europa letárgica e de um país que não encontra o caminho. Pensei na minha infância a caminhar para a escola primária, com a mala às costas para aprender o futuro numa sala fria, hostil em todos os invernos, pensei na professora Helena, todos os dias má e selectiva nos alunos. Havia os de "primeira" e os de "segunda", mesmo se isso não tinha nada a ver com a classe frequentada. Os de "primeira", normalmente de famílias mais facilitadas de vida, eram poupados à pancada e sempre elogiados; ocupavam as primeiras filas. Os outros, os de "segunda", nas últimas filas e sempre candidatos à ponteirada e reguada, sempre na posição da frente, mas apenas para o castigo, houvesse ou não motivo. O recreio era a libertação, tal como as segundas-feiras, quando a camioneta das onze, que vinha de Montemor e trazia a dona Helena, nos davam sempre três horas de folga.
Hoje de manhã, quando Deus, nos visitou no sol, lembrei-me que Ele nasceu para todos e aquece todos por igual, mas lembrei-me também que a vida no meio dos homens é normalmente aprendida à bruta. A rudeza dos dias castiga sempre os mais frágeis, os que pouco ou nada têm. Os governos, normalmente, fazem o papel da dona Helena, são selectivos e açoitam quem tem pouco para lhes dar. Distribuem castigos e ponteiradas aos que ficam nas últimas filas. Em Portugal, as coisas dificilmente vão mudar para quem está nas últimas filas... Restam-nos os pequenos recreios da história, quando ela se lembra de nós.
Jacinto Lourenço
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O que os Espanhóis pensam do Café que se bebe em Portugal...
De certeza que, se gosta de café e tem o hábito de viajar para fora de Portugal, já se apercebeu de que, lá fora, é muito difícil encontrar algo que se assemelhe à nossa bica.
Desde água deslavada em canecas XXL, a expressos mal tirados e a saber a queimado, encontra-se de tudo um pouco por esse mundo fora. E parece que, finalmente, este facto foi reconhecido pelos nossos vizinhos espanhóis.
O jornalista da publicação «El País», Paco Nadal, admitiu - num artigo intitulado «Porque é que o café sabe sempre bem em Portugal? (e aqui não)» - que um dos melhores cafés do mundo é o português.[...]
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