sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Problema de um Judeu...



Um judeu chega à casa do rabino e, aflito, lhe diz:

- Rabino, minha mulher não me deixa viver! Ela me ofende, me maltrata, me humilha!

O rabino responde:

- Guetir (Divorcia-te).

E o judeu:

...- Rabino, como vou me divorciar se eu gosto tanto dela, sou maluco por ela ?

O rabino responde:

- Guetirnicht (Não te divorcies!).

Ao cabo de uma semana, volta o judeu:

- Rabino, já não posso mais viver com ela. Ela não quer que eu estude, me insulta, me faz passar vergonhas diante dos amigos!

O rabino responde:

- Guetir (Divorcia-te).

- Rabino, como vou me divorciar? E o que dirão meus pais, restante família, meus amigos e conhecidos?

O rabino responde:

- Guetirnicht" (Não te divorcies!).

Passadas algumas semanas, o homem volta ao Rabino:

- Rabino, ela não quer fazer peixe para o Shabat! Não quer fazer amor comigo! Como posso viver desta maneira?

O rabino já danado, disse então:

- Converta-se ao cristianismo.

- Rabino, como me dizes tal coisa se sou um judeu piedoso, cumpridor de todos os preceitos da Torá! Por que tenho de me converter ao cristianismo?

- Porque pelo menos assim, você vai chatear o padre, e não a mim.



 Solange Szwarcbarg via Por Terras de Sefarad 

Suposta Carta de Abraham Lincoln ao Professor do seu Filho




Caro professor,

Ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que para cada vilão há um herói, que para cada egoísta há também um líder dedicado; ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo; ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada; ensine-o a perder, mas também a saber gozar a vitória; afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso; faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa; ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho; ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só, contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço; deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Os Pobres, a Erva e o Banqueiro...

 
Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa na sua "limousine" quando viu dois homens à beira da estrada, a comer erva. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles: - porque estão a comer erva...? - Não temos dinheiro para comida, - disse o pobre homem - por isso temos que comer erva. -... Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer - disse o banqueiro. - Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo, estão ali, debaixo daquela árvore. - Que venham também - disse novamente o banqueiro. E, voltando-se para o outro homem, disse: - O senhor também pode vir. O homem, com uma voz muito sumida disse-lhe:  -mas senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo! - Pois que venham também - respondeu o banqueiro. E entraram todos no enorme e luxuoso carro. Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente para o banqueiro e disse: - o senhor é muito bom... Obrigado por nos levar a todos! O banqueiro respondeu: - meu caro, não tenham vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Vão ficar encantados com a minha casa... A erva está com mais de 20 cm de altura!   Moral da história: "Quando achares que um banqueiro (ou banco) está a ajudar-te, não te iludas, pensa um pouco antes de aceitares qualquer acordo..."
 
 
Via Facebook através de João Rogaciano

Fiquei a Gostar deste parlamentar Europeu. Olhos nos Olhos disse o que tinha para Dizer, sem Medos !



Via Facebook  através de Ricardo Cardoso

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Dor Identitária de Ser Português


Todos  sabemos de que sem a compreensão e aceitação do passado, do nosso passado, dificilmente conseguiremos projectar o futuro. Guimarães, mesmo não sendo consensual, é assumida como o “berço” da nossa nacionalidade. Aceita-se ( ou não ) que daí se gizaram os planos de D.Teresa e depois D. Afonso Henriques, seu filho e primeiro rei de Portugal, para o alargamento do reino. Do mal o menos, que nessa altura ainda se faziam planos e o reino tinha objectivos, mesmo que esses não passassem, principalmente, pelos interesses colectivos da nação mas sim pelos do rei e de alguns cavaleiros, enquanto senhores feudais. O que nos deve preocupar, actualmente, como nação, já não é a conquista territorial mas antes   a incerteza e dúvida  da sobrevivência e do futuro, e não estou apenas a falar do futuro de um povo com uma identidade orgulhosamente vincada, mas sim da dúvida em haver viabilidade na manutenção dos fundamentos básicos dessa identidade.

Arrisca-se Portugal a   que daqui por mais alguns anos nenhum cidadão, por cá ter nascido,  queira sustentar na sua identidade tamanho estigma, o de ostentar no seu passaporte a nacionalidade de um país que o rejeita, mas que recorrente e obstinadamente o mandou "pastar" para outras paragens, de preferência bem longe daqui da península.                       

Pelos vistos, temos aprendido muito pouco com a nossa própria história; e a nossa história, ao contrário do que os anais da generalidade dos reis nos falam, é feita mais de momentos menos bons do que de momentos felizes, do ponto de vista colectivo. Mas sobrevivemos e mantivemos, apesar de tudo, a nossa identidade. E é por isso que nos dói, ainda mais, constatarmos que, precisamente agora, quando mais precisávamos de uma identidade colectiva menos nos queiram  fazer acreditar nela.

Que Portugal se tenha perdido, irremediavelmente, enquanto unidade política e territorial soberana, na justa medida em que perdeu as oportunidades de desenvolvimento social e económico que lhe têm sido abertas,  eu percebo muito bem, porque sei exactamente como, quem fez perder e quando e onde se perdeu Portugal. Mas que nos queiram agora fazer crer que nós, portugueses, os dez milhões, ( descontadas as sanguessugas políticas e económicas que se vestem de bandeiras costuradas à pressa ) estamos também perdidos de Portugal enquanto nação, isso não aceito, porque eu, e todos os outros portugueses, os que podem ostentar esse nome sem necessidade de ir à televisão fazer dele proclamação, carregamos às costas este país, o mais velho da Europa,  se atendermos às fronteiras em que nos encerramos  há  mais de nove séculos.

Mas nove séculos podem não chegar para fazer grande um país, uma nação.  Eu concordo  com alguns historiadores, que defendem nunca ter o país passado por um verdadeiro feudalismo como a generalidade da Europa, na idade média.  Mas acho também que o que tivemos foi mais, e sempre,  um “feudalismo” tardio,  feroz , mascarado de neoliberalismo facínora, nos últimos decénios , e que canibalizou, nos derradeiros 20 ou 30 anos, literalmente, o que a a Europa desenvolvida enviou para Portugal, facto que nos   levou  ao tapete da história onde agora nos  encontramos   para sermos  pisados por todos os que sempre desacreditaram e desdenharam  de que, só por si,  a história  faria uma nação apenas  porque já lhe deu 900 anos.  E o pior é que provavelmente têm razão.

Infelizmente a  história, em Portugal, foi sempre  o prado onde o gado feudal pastou o povo, mesmo se isso se fez com a suposta validação democrática desde o 25 de Abril de 1974.

O que me falta saber é se, como povo, merecemos ou não isto, carregar um país que não nos quer nem nos deseja se não pode  estar permanentemente a mirar-nos os miseráveis bolsos coçados do uso. Ou  se queremos continuar a, "carneiramente", deixar que nos pastem...

Enquanto isso afunda-se o povo na sua dor identitária, sempre a desejar que Alcácer Quibir lhe resgate as perdas de sonhados impérios.

Jacinto Lourenço






segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Povo como Instrumento...


...Há também os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir é o domínio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um coração de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o vão desejo de mandar; nestes não encontraremos a frase preciosa, a afectada sensibilidade, o retoque literário; preferem o estilo de barricada; mas, como nos outros, é o som do oco tambor retórico o último que se ouve.

Só um grupo reduzido defende o povo e o deseja elevar sem ter por ele nenhuma espécie de paixão; em primeiro lugar, porque logo reprimiriam dentro em si todo o movimento que percebessem nascido de impulsos sentimentais; em segundo lugar, porque tal atitude os impediria de ver as soluções claras e justas que acima de tudo procuram alcançar; e, finalmente, porque lhes é impossível permanecer em êxtase diante do que é culturalmente pobre, artisticamente grosseiro, eivado dos muitos defeitos que trazem consigo a dependência e a miséria em que sempre o têm colocado os que mais o cantam, o admiram e o protegem.

Interessa-nos o povo porque nele se apresenta um feixe de problemas que solicitam a inteligência e a vontade; um problema de justiça económica, um problema de justiça política, um problema de equilíbrio social, um problema de ascensão à cultura, e de ascensão o mais rápida possível da massa enorme até hoje tão abandonada e desprezada; logo que eles se resolvam terminarão cuidados e interesses; como se apaga o cálculo que serviu para revelar um valor; temos por ideal construir e firmar o reino do bem; se houve benefício para o povo, só veio por acréscimo; não é essa, de modo algum, a nossa última tenção.



Agostinho da Silva, in Considerações
 
 
Via Citador

domingo, 8 de janeiro de 2012

Cristo Reina !




...Para mim, crer que Jesus está reinando significa que, quando reflito nas verdades do mundo — com todas as complexidades imprevisíveis da rotina internacional, as afirmações e controvérsias e os posicionamentos e arrogâncias do poder militar e da dominação económica —, preciso constantemente me perguntar como e onde vejo sinais do reino de Deus em Cristo no meio  disto tudo.

Contudo, não será uma tarefa difícil no meio do nosso mundo louco e desordenado?

Provavelmente não mais difícil do que teria sido nos dias dos profetas, quando a Assíria, a Babilónia e a Pérsia pareciam governar o mundo. Ou nos dias de Jesus e dos apóstolos, quando o Império Romano dominava o mundo sendo a única superpotência, impondo a sua vontade por meio de uma mistura ambígua de superioridade militar implacável, interesse económico e boas realizações. Pouca coisa mudou. Porém, no meio de toda esta ambiguidade, somos chamados a afirmar que “nosso Deus reina, Jesus é o Senhor (e não César ou seus sucessores)!”. Nisso ponho a minha confiança e esperança.[...]


Christopher J. H. Wright in Revista Ultimato

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ninguém pode Servir a dois senhores...


...O problema reside, como explicou indirectamente J. M. Keynes, na sua Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, na segurança. Os seres humanos têm medo do futuro e precisam de assegurá-lo. Tradicionalmente, essa missão estava confiada à religião. Agora, a segurança vem do dinheiro. De facto, o dinheiro abre todas as portas e compra tudo. Dá prestígio e é aquele meio que dá acesso a todos os meios - no limite, asseguraria a própria imortalidade. Ele é omnipotente como um Deus.

Por isso, González Faus diz que a legenda das notas de dólar (in God we trust) significa na realidade: in "this" God we trust ("neste" Deus, o Dinheiro, confiamos). Mas, de facto, o que deveria trazer-nos segurança trouxe-nos, como se vê, no quadro de um neoliberalismo à solta, uma insegurança global, que pode levar ao desastre.

Anselmo Borges in Diário de Notícias Online

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pois Claro meu caro Eça, sempre a Espreitar o Futuro, não é ?!



...Hoje, que tanto se fala em crise, quem não vê que, por toda a Europa, uma crise financeira está minando as nacionalidades ? É disso que há-de vir a dissolução. Quando os meios faltarem e um dia se perderem as fortunas nacionais, o regime estabelecido cairá para deixar o campo livre aao novo mundo económico.

Esta crise que Portugal sente na sua fortuna, sente-a igualmente a Espanha, a Itália, a Áustria, etc.
O que virá, não se sabe; que há-de vir alguma coisa é verdade; se a felicidade social, se apenas o elemento duma nova dissolução, se a grandeza e a justiça, se o desalento e a decadência, isso quem o sabe ? [...]


Eça de Queiroz, textos do Distrito de Évora, 1867

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Estes homens são o Povo !


Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, que se lamentam em vão.
Estes homens são o povo.

Estes homens estão sob o peso do calor e do sol, transidos pelas chuvas, roídos do frio, descalços, mal nutridos; lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar o pão, o alimento de todos.
Estes são o povo, e são os que nos alimentam.
Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os estofos.
Estes homens são o povo, e são os que nos vestem.

Estes homens vivem debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da natureza, respirando mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.
Estes homens são o povo, e são os que nos enriquecem.

Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.
Estes homens são o povo, e são os que nos defendem. Estes homens formam as equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuidos e desprezados.
Estes homens são os que nos servem.

E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes que o vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o servem ?
Primeiro, despreza-os; não pensa neles, não vela por eles, trata-os como se tratam os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e de dificuldades; forma-lhes em redor uma servidão que os prende e uma miséria que os esmaga; não lhes dá protecção; e, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.
É por isso que os que têm coração e alma, e amam a justiça, devem lutar e combater pelo povo. E ainda que não sejam escutados, têm na amizade dele uma consolação suprema.


Eça de Queiroz, Textos do Distrito de Évora, 1876

Em relação a Cavaco Silva, Quase nunca tive Dúvidas...




Via A Ovelha Perdida

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Que País é este ?


A União Europeia diz que, de entre um conjunto de países em dificuldades ou intervencionados, Portugal é aquele em que os pobres são muito mais penalizados que os ricos. Os bombeiros portugueses estão à beira do completo estrangulamento financeiro e muitos já despediram pessoal ou estão a vender as próprias viaturas para resistirem, porque o governo acha que podem transportar doentes não urgentes ( acamados, portadores de dificuldades de locomoção, idosos que não têm meios financeiros nem de deslocação para irem fazer tratamentos aos centros de saúde, doentes oncológicos, etc, etc. ) sem lhes pagar um mínimo que sustente o serviço deste transporte. O responsável do Sindicato Independente dos médicos afirma, peremptoriamente que, daqui por dez anos, quando este ministro da saúde já tiver passado à história, o Serviço Nacional de Saúde será uma caricatura do que é agora e, aquilo que se conseguiu em Portugal, em termos de patamares de sucesso que nos guindaram, em alguns dos melhores  indicadores de saúde,  para os primeiros lugares do mundo, ter-se-á perdido. Enquanto isso, o governo do país continua alegre e contente na sua marcha a levar Portugal e os portugueses para um abismo de subdesenvolvimento social e económico  de onde provavelmente não haverá retorno. Confesso que os responsáveis desta nação me espantam, desde há muitos anos a esta parte, todos os dias,  pela sua capacidade de sublinhar e acentuar o desejo de criar miséria para a maioria e o fausto e a fortuna para  uma outra pequena minoria de cidadãos. Não me revejo nem me identifico com esta gente da política e dos partidos nem com as suas opções miseráveis. Ou não são portugueses, ou são completamente idiotas, para poupar na adjectivação.

Jacinto Lourenço




terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No Restaurante...



Fonte: www.picsfun.blogspot.com

Para onde Caminhamos. O exemplo que vem da Argentina.

Um Calendário que não Muda nada...


Provavelmente por me deitar na véspera um pouco mais tarde e, por consequência,   acordar mais tarde do que o habitual no dia seguinte, o primeiro dia do ano não traduz para mim mais do que isso, se descontarmos, é claro, o facto de governo e outras quantas entidades fornecedoras de serviços e alguns bens essenciais à sobrevivência humana escolherem esta data como referência para dispararem aumentos sobre tudo o que mexe. Ou seja, o que quero dizer é que a mudança de calendário e de ano civil a 01 de Janeiro não significa mais do que mudar de dia ou de semana ou de mês como sucederá noutra ocasião qualquer, e confesso que me custa  compreender a aposta que  fazem muitos milhões de pessoas  em festas, regra geral excessivas, nesta data. Mas pronto, o problema deve resumir-se à minha pessoa em particular  já que considero que o ano, para mim, só muda  quando chega cada 21 de Março, que foi quando nasci biologicamente como ser humano,  ou também cada 21 de Novembro quando "nasci de novo" no cada vez mais longínquo ano de 1971.

Mas se há neste corrente ano de 2012 e nesta transição de calendário,  alguma coisa que concite a minha especial atenção ela prende-se com a maldade das medidas que serão  impostas ao povo português. Maldade pela dura injustiça que revestem. Maldade também porque apontam a alvos errados e que, ao contrário de outros na sociedade portuguesa  que escapam para outras paragens logo que desconfiam do aumento da carga fiscal, são estáticos no sentido em que não podem desviar-se da severidade discricionária das medidas governativas. Os políticos sabem isso e é por isso que também usam de complacência para com quem se pode mover e de rigor e mão pesada para quem não pode fugir. Contudo o  que eu acho que  fará com que as medidas governativas aplicadas este ano em Portugal sejam eivadas de maldade e injustiça  não é porque uns escapam e outros não o poderão fazer, mas antes porque muitos dos que contribuiram para a presente crise não pagarão um cêntimo,  e outros, a maioria esmagadora que não tem quaisquer responsabilidades na mesma  irão arcar com a totalidade dos custos dela resultantes.

Muitos  portugueses da classe média que votaram nas últimas eleições ainda não perceberam muito bem o que lhes está a acontecer. Não foi isto que lhes prometeram nas palavrosas campanhas partidárias. Não era isto que esperavam dos seus "queridos líderes".  A mim não me é pedido  pronunciar-me, de forma decisória, sobre a maldade que nos foi imposta; não estou no governo da nação, não sou presidente da república nem integro o tribunal constitucional ou o parlamento - que são as entidades que põem e dispõem cá no "quintal" . Pelos vistos só sou chamado a  sofrer e pagar os desmandos de outros, os que fazem parte dos tais "alvos móveis" ; mas estou certo de que, como noutras ocasiões, se as coisas melhorarem, ou quando melhorarem, iremos olhar para as grandes  empresas  públicas e privadas e constataremos que estes "queridos líderes" que a classe média elegeu para governarem em Portugal estarão todos dependurados, pecaminosamente, em importantes e  bem remunerados cargos dessas empresas. Em resumo: o mundo não muda porque o calendário mudou. O mundo só mudará quando a justiça e a verdade não forem palavras vãs entre os homens nem dependerem de nenhum calendário humano. Haverá um tempo assim, um tempo em que a maldade não será apenas depurada mas erradicada e então a Justiça será um padrão irrevogável e incontornável. Esse é o calendário que nenhuma contagem de tempo poderá fazer mudar.


Jacinto Lourenço