terça-feira, 31 de janeiro de 2012

No Tempo em que as Gargalhadas eram Livres


Deixei  partir um, quase vazio, que ia directo ao meu destino. Fiquei aborrecido porque se tivesse chegado à gare 2 minutos antes teria conseguido apanhar aquele comboio, onde arranjaria um lugar sentado. Esses dois minutos resultaram em ter que fazer a curta viagem toda em pé, encostado desconfortavelmente na coxia.

Viajo pouco de comboio, mas lembro-me bem de que, quando viajava mais, por razões profissionais, cada viagem era quase como que uma festa ou um momento de puro relaxamento. Grupos de passageiros que se conheciam há muito apenas por se cruzarem todos os dias, na mesma composição, no mesmo horário, de manhã ou à tarde.  Estranhava-se e indagava-se se algum falhava mais do que um dia ou dois. Sabia-se sempre quando iam de férias os que connosco partilhavam o espaço alegre do comboio.

Lia-se a última obra adquirida ao círculo de leitores em suaves prestações mensais. Capas bem forradas para que não se desbotasse a gravura que havia de enquadrar, lombada bem direitinha, a decoração da estante da sala. Debatiam-se as últimas do futebol, os golos falhados, os erros do árbitro cuja mãe era sempre a vítima mais à mão, as picardias habituais que acabavam sempre numas boas e sonoras gargalhadas. O comboio, do que me recordo, era um momento de  descontraido convívio até à estação de destino de cada um. Nunca se viajava em solidão, nem mesmo quem ia sózinho.

Após ter dado um pequeno e inadvertido encontrão, com a minha pasta de ombro, à jovem senhora que ocupava o lugar  próximo do meu encosto ocasional na coxia, pedi desculpas,  mas não me livrei de um olhar enfastiado e reprovador como se tivesse cometido gravíssima falha não merecedora de perdão. Acomodei-me, tirei da mala "O Ano da Morte de Ricardo Reis", que tenho andado a reler em breves soluços ocasionais, dei-me conta do rolo no estômago que o dr. Ricardo Reis carregava enquanto subia nervosamente a Rua do Alecrim  afim de  comparecer na sede da polícia política depois de ter sido intimado por uma contra-fé recebida no hotel Bragança. Olhei por sobre a cabeça dos meus companheiros de viagem ocasionais. A composição estava cheia no final da tarde de ontem. Parecia até que todos os passageiros caminhavam com Ricardo Reis,  rua do alecrim acima, desconfiados de um percurso em que nada de bom os aguardava. Rostos fechados; semblantes carregados. Nem o regresso a casa consegue deslaçar a opressão sobre quem terminou um dia de fadiga profissional. Os gadgets ocupam e retiram os espaços de convivialidade de outros tempos. Silêncio quase absoluto apenas entrecortado pelo ténue ruido do "pouca-terra" da moderna composição. Cada passageiro carrega o peso do mundo sobre si.

Senti nostalgia das minhas boas  e curtas viagens de comboio onde as vozes quase troavam e as gargalhadas  eram soltas e subversivas. Não havia gadgets. Apenas um ou outro livro aberto e o jornal da manhã, maioritariamente desportivo. Outros tempos, sem dúvida, quando não havia troika, nem governos neo-liberais a roubar os sorrisos, mesmo se só as gargalhadas eram livres.


Jacinto Lourenço  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Passado genético Árabe dos Europeus.

( Asentamento atribuido ao 'Homo sapiens' em Oman )

O caminho percorrido durante a  longa viagem de 60.000 anos que trouxe o homem desde África até ao resto do mundo passou  por território Árabe, onde fez uma primeira paragem,  antes de continuar a expandir-se. Assim se depreende das análises genéticas realizadas por uma equipa de investigadores portugueses, britânicos e de diversos países árabes, publicadas esta semana na revista "American Journal of Human Genetics". Os cientistas, dirigidos pela portuguesa Luisa Pereira, da universidade do Porto, sequenciaram o genoma mitocondrial completo de 85 indivíduos do sudoeste asiático comparando-o com o de 300 europeus[...]


Ler texto integral AQUI, em castelhano, no jornal El Mundo

sábado, 28 de janeiro de 2012

Finalmente descoberta a Razão porque Cristóvão Colombo Descobriu a América...



Cristóvão Colombo pôde descobrir a América, apenas porque ERA SOLTEIRO.


Se Cristóvão Colombo tivesse tido esposa, teria ouvido:


- E porque é que tens que ir?
- E porque é que não mandam outro?
- Vês tudo redondo! Estás louco ou és parvo?
- Não conheces nem a minha família e já vais descobrir o novo mundo!
- E vão viajar só homens? Achas que sou estúpida?
- Porque é que eu não posso ir, se tu és o chefe?
- Desgraçado.. já não sabes o que inventar para estar fora de casa !
- Se saíres por essa porta, vou-me embora para a casa da minha mãe!
- E quem é essa tal Maria..? Que Pinta..?! De que Santa estás a falar?! Que Nina...?
- Vai passear macacos !
- Tinhas tudo planeado, maldito! Vais encontrar-te com umas índias!
- Vais-me enganar?
- A Rainha Isabel vai vender as jóias dela para poderes viajar? Dás-me cá um gozo!...
- Achas-me parva ou quê?
- O que tens com essa velha? Andas com a velha?
- TU...? Não vais é a lugar nenhum !
- Não vai acontecer nada se o mundo continuar plano. O quê? Não te vistas...!!!
- Tu não vais!!!


Definitivamente...... ERA SOLTEIRO !!!


Fonte: Por Terras de Sefarad

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ladrão que Rouba Ladrão...

O Inconfessado Passado Nazi de algumas Importantes e "inocentes" empresas Alemãs...



Já se sabia, várias grandes empresas colaboraram, com maior ou menor entusiasmo, com o 3º reich.

A IG Farben (que incluia a BASF, a Hoescht e a Bayer - esta patenteou em 1898 a heroína como antitússico para crianças, sem efeitos colaterais...) foi a maior doadora da campanha eleitoral de Hitler, produziu o ziklon B usado nas câmaras de gás e tinha uma avença anual com as SS, contra o fornecimento de prisioneiros (83.000) para trabalharam na sua fábrica de Auschwitz.

Também a Daimler-Benz apoiou os nazis, obtendo em troca reduções fiscais, contratos para a produção de armas e trabalhadores forçados.

O mesmo se passou com a BMW, com o pormenor do seu fundador, Helmut Quandt (os seus netos controlam hoja a empresa), se ter filiado no NSDAP em 1933 e ter recebido de Hitler, 4 anos depois, o impronunciável título de Werhwirtschaftsführer (líder da economia do Armamento).

Curiosa é a entusiasta colaboração de certo estilista, que se filiou em 1931 no partido nacional-socialista dos trabalhadores alemães, e que na década anterior (ainda Hitler liderava um grupúsculo bávaro) criou as espartanas fardas dos 'camisas castanhas', a claque para-militar do partido, das SS e da juventude nazi. Não destoando, pela sua fábrica passaram 140 trabalhadores forçados polacos ('angariados' pela gestapo) e 40 prisioneiros de guerra franceses - o que dá algum requinte à griffe...

A sua graça, Hugo Ferdinand Boss
 
 
Fonte: A Rês Pública

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tempo é Tempo. Dinheiro é Dinheiro


Tempo é tempo; dinheiro é dinheiroFaz sentido guardar dinheiro para um futuro mais tranquilo, mas guardar tempo é impossível. Repense como você utiliza seu tempo.

Tempo é dinheiro. Quantas vezes já ouvimos isso? E quantas vezes acreditamos em tal afirmação? Ultimamente, estou em uma fase do tipo “sem tempo para nada”: a caixa de entrada de e-mails virou uma avalanche de ansiedade, não consigo falar com todos que quero e nem dar retorno como gostaria. Há ainda os telefonemas, as chamadas pelo Facebook, as mensagens por Twitter...

Tamanho excesso de atividades me fez pensar um pouco mais sobre o tempo. Em primeiro lugar, deixemos claro: acreditar que tempo é dinheiro é uma baboseira que só serve para manter a insanidade da relação humana com o passar do dito cujo. Aceitar que tempo é dinheiro implica reconhecer no tempo as mesmas características do dinheiro e trazer para sua utilização as mesmas culpas judaico-cristãs no trato com o chamado vil metal. A sociedade moderna considera que o gasto do dinheiro tem de ser excessivamente ponderado – então, seu desperdício deve ser sumariamente condenado. Se tempo é dinheiro, o mesmo seria verdade com o gasto do tempo. No entanto, existe uma grande diferença entre os dois.

O dinheiro pode ser armazenado, e podemos controlar seu fluxo. Já o tempo é um fluir contínuo e incontrolável – ele será gasto, quer queiramos ou não. Se aceitarmos que tempo é dinheiro, a simples decisão equivocada de optar por uma rota com mais trânsito nos traria uma ansiedade insuportável, pois então estaríamos perdendo uns trocados enquanto parados no engarrafamento. A escolha de um projeto, curso ou atividade que não dê grandes retornos, então, seria o mesmo que torrar uma pequena fortuna. Mas temos de nos lembrar que o tempo não teria parado de acordo com nossas escolhas mais acertadas: ele teria passado de qualquer jeito e, de uma forma ou outra, teríamos de usá-lo para alguma coisa. Além disso, aprendemos com as nossas experiências. Utilizar o tempo em algo que não dê o resultado que esperamos é bem diferente que empregar dinheiro em algo errado ou inútil.

Outro ponto a se considerar é que, se tempo é dinheiro, faz todo o sentido guardarmos tempo para o futuro. Ou seja, deveríamos fazer uma previdência privada de tempo, deixando de utilizá-lo agora para dispor dele no futuro. Só que , como tempo não é dinheiro e nem pode ser armazenado, essa poupança é inteiramente inútil . Mesmo assim, quantas pessoas deixam as férias sempre para depois? E aquela viagem dos sonhos? “Ah! Quando eu me aposentar”, respondem alguns. E por que não reduzir o ritmo absurdo de trabalho? “Ah, porque temos de aproveitar o momento”, diriam outros.

Nada mais néscio, para usar uma linguagem bíblica. Em primeiro lugar, há o risco de morrermos sem termos conseguido nos aposentar. Porém, mesmo que alcancemos a velhice, talvez já não tenhamos condições físicas para executar os projetos tantas vezes postergados. Mais uma vez, temos de lembrar que o tempo flui como um rio; não há como armazená-lo para uso posterior. Então, por que não empreender agora mesmo a viagem sonhada ou começar imediatamente aquele curso que tanto queremos fazer? Faz sentido guardar dinheiro para um futuro mais tranquilo, mas guardar tempo é impossível.

Finalmente, vale lembrar que tempo e dinheiro são tão diferentes que as pessoas com mais tempo são justamente aquelas mais pobres, e os mais ricos são os que menos têm tempo. Se tempo fosse dinheiro e vice-versa, mendigos e desempregados não hesitariam em trocar tempo por dinheiro, enquanto altos executivos, milionários e líderes mundiais não pensariam duas vezes para comprar tempo.

Sim, o tempo é uma riqueza, dada por Deus em quantidades individuais a cada um de nós. Mas ele não pode ser vendido ou comprado. Portanto, repense como você utiliza seu tempo e deixe de acreditar que ele é dinheiro. E não se sinta culpado pelos momentos em que você não faz nada. Você não está jogando dinheiro fora; apenas usando o seu tempo de uma forma que lhe agrada e lhe dá prazer. E mesmo aquele tempo aparentemente perdido no trânsito, na internet lenta ou atendendo a operadora de telemarketing não é dinheiro jogado fora. É tempo que poderia ser usado para outras coisas, é verdade; mas procure usar este tempo para refletir e pensar em vez de apenas ficar irritado com a fictícia perda financeira porque tempo seria dinheiro. Como disse um dos maiores poetas brasileiros, “o tempo não para”. E tomarmos consciência disto é uma grande libertação.

 
Fonte: Carlos Carrenho in Cristianismo Hoje

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Afinal, quem são os Portugueses...?!



Um estudo sobre os homens da Península Ibérica "recentemente publicado", sugere que o antepassado de muitos portugueses terá sido um judeu ou um muçulmano do Norte de África (berbere). Convertido ao cristianismo ou forçado (esse antepassado) fundiu-se  na população geral e abandonou a sua fé e cultura originais, para depois acabar por esquecê-las. Em média, os homens ibéricos apresentam no seu ADN cerca de 20 % de ascendência judia e 11 % africana.


Ana Gerschenfeld


Jornal Público - Dez. 2008


Via Por Terras de Sefarad

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Estarão os Dez Mandamentos Ultrapassados ?



... A revista alemã Stern publicou um dossier subordinado à pergunta: "Os dez mandamentos estão ultrapassados ?" . Significativamente, políticos como o actual ministro federal das finanças, Wofgang Schäuble, realizadores como Wim Wenders, filósofos como Peter Sloterdijk, declararam que eles continuam vivos e actuais. De facto, quem negará a actualidade e preceitos como  "Não farás imagens de Deus" [...], "Não matarás", "Não cometerás adultério", "Amarás os filhos e respeitarás os pais", "Não roubarás", "Não viverás à custa dos outros",  "Serás justo com todos", [...].

Referindo-se-lhes como um compêndio da sabedoria humana, acumulada ao longo de séculos, o grande escritor Thomas Mann disse que eles são "manifestação fundamental e rocha da decência humana", "o ABC da conduta humana".


Anselmo Borges in  "Deus e o sentido da existência", pág. 65, Gradiva, 2011

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Europa do Século XX e o Congresso de Viena do Século XIX ou de como Finalmente aparece um Alemão que Começa a Olhar para Além do Umbigo da Alemanha !


O social-democrata alemão Martin Schulz foi hoje eleito Presidente do Parlamento Europeu, mas é seguramente o primeiro a afirmar num discurso inaugural que "o fracasso da União Europeia é um cenário realista".

Schulz, de 56 anos e eurodeputado há 18, fez uma violenta crítica ao atual sistema de funcionamento da UE, considerando que "as cimeiras de crise" sucedem-se há meses, mas "são tomadas à porta fechada por chefes de Governo".

"A política europeia está novamente numa situação que se acreditava estar há muito ultrapassada e que traz à memória a época do Congresso de Viena do século XIX", declarou. "Nessa altura a máxima era impor à viva força os interesses nacionais sem qualquer controlo democrático".

Para Schulz, a Europa do pós-guerra baseou-se no princípio contrário, de que a UE não é "um jogo de soma zero, em que um tem de perder para que outro ganhe. Ou ganhamos todos ou perdemos todos", afirmou, realçando que o chamado método comunitário "não é um conceito técnico mas o espírito da União Europeia".

Declaração de guerra
O novo presidente da única instituição da União eleita fez também uma declaração de guerra a quem quer diminuir o papel do Parlamento.

"Declaro guerra, aqui e agora, a quem pensa que é possível ter mais Europa com menos parlamentarismo", disse, depois de explanar a sua ideia da evolução da situação na Europa.

"Nos últimos dois anos, mudou não apenas a visão dos problemas, mas também o modo como estes são tratados. A realização de cimeiras, a multiplicação de encontros de chefes de Governo e a grande atenção a estes atribuída excluem dos processos de decisão o único órgão eleito por escrutínio direto, o Parlamento Europeu", declarou.[...]


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Encontro ( inédito de J.T.Parreira )


















Não troco o Amado

por um Querubim
mesmo que ao voar
me faltem asas, não troco os seus cabelos
molhados entre os espinhos
pelas cascatas de luz
do Querubim
Mesmo quando vou
ao seu encontro e me pese a cruz.




14/1/2012

(C) J.T.Parreira


Publicado in  A Ovelha Perdida

Estou no Tacho...Não me chateiem, Porque eu Agora Estou no Tacho...



Fonte : Henricartoon

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Naufrágio...












Para Onde Vamos ?


...programa de ajustamento em que o país foi forçado a mergulhar está a empobrecer a nação, a destruir as empresas com falta de crédito, a aumentar o desemprego, a afastar os trabalhadores jovens e qualificados, a contaminar a moral pública com o ressentimento e a intriga, típicas das casas onde o pão escasseia. A S&P disse o que é óbvio: a estratégia absurda da "austeridade expansiva", de que espanhóis, italianos e outros também são vítimas, foi feita a pensar no interesse dos credores. O interesse dos países endividados, mas sobretudo o interesse da União Europeia, e da própria economia mundial não foi tido nem achado. Dia 13 o eixo Paris-Berlim quebrou-se. O Reno vai voltar a correr impetuoso. A luta pela alteração da política do BCE vai acentuar-se. Nada de bom se pode esperar de um Sarkózy desesperado, e de uma Merkel aterrorizada na sua ilha, que se afunda carregada com as poupanças de europeus em fuga para sítio nenhum. A Europa poderia ter um futuro. Federalismo, com prosperidade. União política, com confiança. Em vez disso está mais perto da implosão, da pobreza, e das baionetas. Os mercados não são o inimigo. A estupidez política, sim. Mas como poderemos vencer uma força contra a qual, como escreveu Schiller, até os deuses lutam em vão?


Viriato Soromenho Marques in Diário de Notícias Online