quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Azeite, Vinho e Fermento

...Encontramos o azeite no Velho Testamento na botija da viúva endividada; no reservatório do candeeiro da Casa do Senhor. Na unção de David, ainda adolescente, no quinto verso do Salmo 23, e, entre tantos outros, na visão do profeta Zacarias. Azeite fala de sabedoria; azeita pode ser um rosto brilhando pelo perdão de Deus; azeite é uma bênção surpresa quando tudo o mais se acabou. Azeite é o gosto da vitória; azeite é a unção da promessa de Deus.
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Na parábola do samaritano o vinho foi usado para limpar as feridas.
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Azeite e vinho falam de solidariedade, de compaixão, de cuidados. Azeite e vinho são as atitudes do cristão verdadeiro que vai além das palavras; além da teologia. A sequência de uso é azeite e vinho. Primeiro a unção do Espírito, de seguida a alegria do Espírito. O azeite amacia e refresca um coração ferido e o vinho lava as impurezas e a maldade do pecado. Para adquirir deste azeite e deste vinho é preciso ir à fonte da misericórdia e da compaixão. É preciso depender de Jesus.
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Quem ama vai atrás, busca e procura até achar. Quem tem azeite e vinho anda na presença de Deus e navega como um barco cuja vela se faz cheia sob o vento da vontade do Espírito Santo. Isto não se aprende com a leitura de compêndios e comentários. Não vem anexo a um canudo de teologia, mas em andar com o Senhor.
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O fermento é a substância que incha, estufa, azeda, que enche de vento uma massa. O fermento, para fazer efeito, precisa ser misturado. Espiritualmente falando o fermento é o mundo misturado com o coração do cristão. O fermento é a hipocrisia. É uma santidade de aparências. É uma vida cristã falsificada, mascarada.
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O sacerdote e o levita viram o ferido, mas a sua religião estava acima de qualquer coisa. Sabiam o sagrado, mas não tinham mais o Espírito de Deus. Eram vazios de sentimentos, de compaixão. O sacerdote e o levita eram como barcos cujas velas já tinham apodrecido pela falta de uso.
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Coisa interessante. Esta parábola é muito actual. Está surpreendentemente contextualizada no nosso tempo e país. Uma geração de sacerdotes e levitas têm trabalhado nas nossas Igrejas. Eles estão muito ocupados com o que acontece no mundo. Estão encantados com o poder, com a política, com o dinheiro. O fermento já arruinou a sua vida espiritual. Não têm mais tempo para a compaixão. Não se preocupam mais com os feridos nem com os perdidos, pois já não há mais sinal de azeite e vinho nos seus corações. O Espírito Santo já foi apagado das suas vidas, com tantas atitudes mesquinhas, avarentas, falsas aparências. O óleo da unção já não brilha nas suas faces. É muito provável que também estejam perguntando: E quem é meu próximo? Já se esqueceram.
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E se eu não tomar cuidado, posso tornar-me hipócrita da mesma forma. Por isso o exercício da compaixão deve ser sempre lembrado, praticado. Não basta ter uma biblioteca cristã na cabeça, é preciso muito mais que isso para ser um bom samaritano: manter a alegria de servir, de visitar, de sorrir e chorar junto, de ajudar, de amar, de perdoar pela presença do Espírito Santo.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Memórias são Âncoras que nos Agarram em Terra

Lavre não me viu nascer, mas "pariu-me" a infância e a adolescência. E isso deixou-me marcas indisfarçáveis que tempo nenhum pode apagar. Aí volto, com pouca frequência, a espraiar o olhar pelos campos onde os meus verdes anos saltitaram e a pisar o chão dos lugares que me viram crescer, muito mais apertados hoje do que na minha infância, talvez porque o meu ponto de observação se deslocou. Só aí sinto o cheiro da terra-madre. É aí que estão as minhas raízes. Foi em Lavre, numa velha "carrinha" da Gulbenkian, que despertei para os livros, sendo por eles levado em aventuras e viagens inenarráveis a que só a imaginação para onde a leitura me conduzia, permitia. De quinze em quinze dias lá estava eu no largo do coreto à espera do serviço itinerante; era o primeiro a chegar, para ser o primeiro, da diminuta "clientela", a entrar e escolher à vontade os seis livros que me autorizavam. Quando viajo para Lavre, hoje, faço-o quase incógnito. Não porque seja escolha pessoal, mas porque as memórias visuais das pessoas contemporâneas da minha vivência na vila ficaram descoloridas, gastas, ou simplesmente apagadas pelo tempo que, indubitavelmente, se encarrega de não esperar por nós na voragem a que correm dias, semanas, meses, anos. +
Quem revisita as memórias de infância, "espreita pelo buraco da fechadura” os verdes anos e a nostalgia que carregam consigo. Quase conseguimos “cheirar” os odores desses momentos mais recuados em que desfilávamos livremente pelos campos, colhendo aqui e ali uma ou outra peça de fruta em pequenos mas tentadores pomares que nos desafiavam à aventura do gesto fugaz e comprometido.
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São curiosas, as nossas memórias; mais parecem âncoras que nos agarram em terra . Como navio encalhado, insistimos em ficar mentalmente no mesmo lugar onde fomos felizes, mesmo se a corrente da vida foi forte. Voltamos atrás no tempo e visitamos, violados, na estética sonhada, os lugares de uma pequena vila que regurgitava de gente ao sábado no final de tarde, e à noite. A camioneta das seis e as novidades que trazia de Coruche ou de Montemor. As encomendas, que ávidos disputávamos na expectativa de que entregues aos lojistas estes soltassem cinco ou dez tostões. O sr. João Peça, sim, era pródigo, chegando por vezes aos quinze tostões… Os "bébés" recém-nascidos da sra. Cacilhas, que me rendiam um cruzado por lhes proporcionar triste destino aliviando a dona da insensatez da sua gata, vadia sempre que lhe apetecia. Sim, pois, e o Augusto Roque com os sorteios da roda para as quartas de amêndoas ( saía muitas vezes ) por altura da páscoa, mais os casamentos em que nos agatanhávamos, no chão, em luta por algumas amêndoas que os padrinhos de casamento atiravam, para o chão poeirento, do alto das escadas da matriz, ou não atiravam, arriscando, caso disso, vaias de “casamento chocho que o padrinho é mocho”.
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A escola primária, o professor Raul, que casou com a "menina do correio", e que fez de mim benfiquista. Sempre que havia eliminatórias europeias lá íamos nós na forma, muito bem comportados, a caminho da "televisão do padre", verdadeiro serviço público de entretenimento, nesta Lavre, em dia de encantos e desencantos conforme o resultado. A professora Helena, de triste memória para mim, pela brutalidade das suas reguadas e ponteiradas por coisas de somenos e a que eu me "candidatava" com regularidade. Os amigos e amigas de infância, a quem perdi o rasto e de que hoje só reconheço o nome : Zé Broa, Manuel Tielas, Palminhas, o Joaquim Lascas, em cuja casa, no armazém da farinha, nos enfarinhámos tantas vezes em loucos jogos e brincadeiras, para não falar do seu enorme quintal ( pelo menos era o que me parecia na altura ) ou dos jogos de bola que aí fazíamos com as bexigas dos porcos que o seu pai matava e que entretanto marchavam em chouriços para o talho. A Badina e a sua irmã Filomena; Manuel José e tantos outros cujos nomes agora não me ocorrem. O forno "semi-comunitário" onde a minha avó Gertrudes cozia alguidares de pão que haviam de durar duas semanas para toda a família, e que era sempre fresco, e eu a brincar com bonecos de massa. Mas igualmente o cheiro a pão cozido da “padaria dos Galegos"…
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Vivências que não esqueço, que me marcaram para sempre, indelevelmente.
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Lavre dos meus encantos de infância feliz.
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Saramago, que uniu e dividiu , havia de por lá aparecer anos mais tarde, no refluxo do PREC, no pós-revolução de Abril. Lavre, onde se "refugiou" em reclusão política e recolecção de vidas, não terá feito dele escritor , mas deu-lhe um passaporte para a fama . Deve-o, em grande parte, ao meu tio-avô João Serra, dito João Mau-Tempo em "Levantado do Chão". Pena que não lhe tivesse feito essa justiça em vida; não foi por lhe faltarem oportunidades...
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Jacinto Lourenço

Cada Manhã é uma Ressurreição

Olho para o passado com lascas de nostalgia e pontas de melancolia. Caminhos que nunca trilhei hoje parecem bem mais fáceis. Amores que exigiram coragem voltam a me seduzir para me deixar ainda mais triste. Aventuras que nasceram de narcisismos e falsas onipotências reclamam explicações; como justificar tanto delírio? Não, não pretendo remontar passado. Desisto de qualquer tentativa de ressuscitar o que jaz sob o lajeado da decepção.
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Para refazer meu compromisso com a vida, abandono o rigor de um humanismo idolátrico. Não idealizo as iniciativas ideológicas. Sei que toda instituição convive com o germe de sua própria inutilidade. Também não me prostro no altar do niilismo; descreio da capacidade humana de erguer-se pelos próprios cadarços. Meu existencialismo é frágil, carregado de suspeita. Minha religião, cheia de decepção. Minha ideologia agoniza debaixo dos escombros da modernidade.
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Para refazer meu compromisso com a vida, largo na beira da calçada as metas-narrativas. Desconfio dos projetos globais. Incoerência entre discurso e prática me desesperam. A incapacidade de vertebrar o que acredito de coração me enoja. Criei cismas. Rio por dentro; é meu jeito de sobreviver aos ufanismos que tanto me irritavam no passado. Sei que preciso aniquilar os fantasmas que me deixaram com a sensação de ser um deus.
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Para refazer meu compromisso com a vida, desisto de tentar levar a ferro e a fogo qualquer coisa. Erros me fizeram bem. Boas ações me arruinaram. Amigos me entristeceram. Desconhecidos me acolheram. Quando planejei, empaquei. Por outro lado, inesperadamente a vida deu certo sem planejamento. Sofri também com pecados. Paguei um alto preço por ser indolente. Mas, incrível, quando deixei para o dia seguinte o que deveria fazer hoje, foi bom.
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Para refazer meu compromisso com a vida, quero ser leve como a pluma que escapou da asa do cisne, denso como o ruço que cobre a madrugada, escuro como a noite tropical sem lua, e transparente como o mar do Mediterrâneo. Hei de aprender a não discursar. Almejo ser mais enfático mas só em ternura; mais brando em afirmações. Pretendo rearrumar minha oratória. Quero voltar a olhar para o nada, como as crianças; a entrecortar frases com longas pausas, como os monges; a ritualizar os instantes, como os namorados.
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Para refazer meu compromisso com a vida, espero envelhecer sem casmurrice. Acolher as doidices dos jovens, lembrando de como as minhas faziam sentido. Celebrar cada manhã como uma ressurreição. Aguardar o pôr-do-sol como uma grávida anseia pelo primeiro choro do filho. Plácido como um lago entre duas montanhas, espero encarar a morte. E que não reste nenhuma nesga de frustração em minha alma. E que eu descanse no sábado final com um sorriso maroto, sorriso de quem foi embora dizendo: valeu viver.
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Soli Deo Gloria.
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( Título original: Meu compromisso com a vida )

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Até parece que o homem está Vivo e Anda por aí a Olhar o País de Hoje...

Que fazer ? Que esperar ? Portugal tem atravessado crises igualmente más - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter , nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o estado não tem - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.
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( Eça de Queiroz - Correspondência, 1891 )
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Fonte: Citações e pensamentos de Eça de Queiroz - Casa das Letras

" Cristianismos "

Nunca poderemos falar do fracasso do cristianismo. É impossível que ele fracasse. O que fracassa é a falsificação esfarrapada da coisa verdadeira, que nos dispomos a suportar.
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( Geoffrey King )

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Via Frases Protestantes

sábado, 29 de janeiro de 2011

A dificuldade de Ser Cristão no Oriente

Na noite de 31 de Dezembro passado, a explosão de uma bomba diante de uma igreja cristã copta, em Alexandria, à saída da celebração do Ano Novo, causou 23 mortos e 79 feridos. Um grupo ligado à Al-Qaeda no Iraque, responsável pelo ataque sangrento da catedral de Bagdad em Outubro, já tinha apontado os coptas como alvo. Independentemente de quaisquer considerações ideológicas, políticas ou religiosas, é legítimo perguntar-se pelas consequências do incêndio que alastraria pelo mundo inteiro, se algo de semelhante acontecesse, diante de uma mesquita, no Ocidente.
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Quem não anda completamente distraído já notou que há muito se observa um plano para acabar com os cristãos no Médio Oriente. Quem mais tem denunciado a situação são intelectuais ateus ou agnósticos, como Bernard-Henri Lévy ou Régis Debray. O último número de Philosophie Magazine faz notar que o novo objectivo da Al-Qaeda parece ser o de pôr as comunidades religiosas umas contra as outras, "passando por cima dos Estados". Começou no Iraque e estende-se ao Egipto e à Nigéria. Nesta estratégia, os cristãos do Oriente - "ângulo morto da nossa visão do mundo", segundo R. Debray - representam "um alvo ideal". Pela sua própria existência - "árabes não muçulmanos" -, "desmentem" a ideia de um choque entre civilizações fundadas na religião. Os cristãos "desempenham um papel insubstituível de traço de união e de mediador entre o exterior e o interior, o Ocidente e o Oriente", afirma Debray. Mas, por este andar, por quanto tempo?
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A maior perseguição religiosa no mundo, hoje, é aos cristãos. Lembrando o atentado de Alexandria e a perseguição de diferentes comunidades cristãs, Nicolas Sarkozy, num discurso de Ano Novo perante as autoridades religiosas de França, declarou: "Não podemos tolerar o que cada vez mais parece ser um plano particularmente perverso de depuração religiosa no Médio Oriente."
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Esquece-se frequentemente que esses cristãos nada têm a ver com as cruzadas ou outros tipos de perseguição ocidental, pois são originários desses países, aí presentes desde os tempos do cristianismo primitivo. Foi o que o Presidente francês também lembrou: "no Iraque como no Egipto, os cristãos do Oriente estão na sua casa e a maioria deles há 2000 anos", acrescentando: "não se pode aceitar que essa diversidade humana, cultural e religiosa, que é a norma na França, na Europa e na maior parte dos países ocidentais, desapareça dessa parte do mundo." "Os direitos que estão garantidos na nossa casa a todas as religiões devem ser reciprocamente garantidos noutros países."
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Preocupado com sondagens que mostram que mais de um terço dos franceses e dos alemães consideram os muçulmanos como uma ameaça, Sarcozy pediu que se combata esse sentimento "irracional" com "o conhecimento mútuo e a compreensão do outro". "O islão nada tem a ver com o rosto repugnante desses loucos de deus que tanto matam cristãos como judeus, sunitas e xiitas. O terrorismo fundamentalista também mata muçulmanos."
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Prof. Anselmo Borges in Diário de Notícias de 29 de Janeiro de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Chorar com os que não Choram

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Chorar com os que choram é uma forma de carregar a cruz. No entanto, muito mais que isso é chorar pelos que não choram. Foi nesse nível que Jesus se solidarizou com a vida humana indiferente e empedernida. O discípulo deve ser o nervo exposto dos que não têm sentimentos.
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Governo Económico na Zona Euro - Proposta partiu da França

Pessoalmente não me lembro já em que "eleições" é que votei para decidir que serão a Alemanha e França a ditar ordens sobre o que é ou o que será a Europa Comunitária.... Parece-me que existem 25 países que desistiram de si próprios e entregaram-se, num abraço de morte, à subordinação à Alemanha e França sem pereceberem que o actual desenho económico só serve o projecto de dominação deste eixo franco-alemão. Cheira-me que esta Europa que nos querem impingir, não tem qualquer viabilidade económico-social e reune actualmente todas as condições para acabar mal. É uma questão de tempo, provavelmente pouco.
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Jacinto Lourenço
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Esta é a notícia:
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Alemanha inclina-se para Governo económico na zona euro. O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, defendeu hoje que se esclareçam “rapidamente os passos a dar para criar um Governo económico entre os países da zona euro, aberto à participação de outros países da União Europeia. + + +
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+ ( 27.01.2011 - 11:00 Por Lusa, PÚBLICO )

Telescópio Hubble encontrou galáxia mais Distante e Antiga jamais vista no Universo

Esta galáxia ter-se-á formado quando o Universo tinha apenas 480 milhões de anos - hoje terá cerca de 13,7 mil milhões de anos. A galáxia terá existido quando o Universo teria apenas quatro por cento da sua idade actual, precisa Rychard Bouwens, astrónomo da Universidade da Califórnia que estuda a formação e evolução de galáxias, e a sua equipa, que publicaram o estudo na revista “Nature” de ontem.
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A luz da galáxia, captada através da câmara de infravermelhos do telescópio, terá sido emitida há 13,2 mil milhões de anos. Ainda assim, os astrónomos são prudentes e falam da sua descoberta no condicional. “Este resultado está no limite das nossas capacidades. Mas passámos meses a fazer testes que o confirmaram e agora estamos seguros”, comentou Garth Illingworth, da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo.
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Os astrónomos ainda não sabem ao certo quando é que apareceram as primeiras estrelas no Universo mas começam a compor o quadro de quando as estrelas e as galáxias começaram a surgir, depois do Big Bang.
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“Esta última descoberta do Hubble vai aprofundar o nosso conhecimento do Univerno”, salientou Charles Bolden, administrador da NASA, em comunicado publicado no site da agência norte-americana.
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Para chegar mais longe e vislumbrar o período em que se formaram as primeiras estrelas e galáxias, os astrónomos vão precisar do sucessor do Hubble, o telescópio espacial James Webb, que tem lançamento previsto para 2014. Por enquanto, os primeiros 500 milhões de anos da existência do Universo continuam a ser o capítulo que falta.
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O Hubble, lançado há 20 anos, é um projecto internacional fruto da cooperação entre a NASA e a Agência Espacial Europeia.
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In jornal Público de 27 de Janeiro de 2010

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Horário de Barbearia. Até podia ser no Alentejo... Percebeu, ou tá precisado de mais Explicações ! ? Tal tá a Moenga

( Clique na imagem para AUMENTAR ) + + +
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Colaboração "involuntária" de Luis Maruta, um alentejano dos 7 costados

"O lobo de Gubbio contado por Bruckberger"

Levei-lhes O Lobo Milagreiro, de Raymond Léopold Bruckberger (1907-1998), para lhes ler na aula, que isto de incentivar à leitura também exige que se lhes leia. Imaginei que a narrativa poderia ser um pouco extensa e, em consequência, desmotivá-los. Imaginei ainda que o facto de correr em torno de um eixo constituído por uma figura da Igreja poderia não captar o interesse até final. Bem sei que, para ultrapassar isto, lhes contei alguns pormenores sobre S. Francisco de Assis e a sua designação como padroeiro dos ecologistas; bem sei que, com igual intenção, lhes falei de histórias de animais. Mas…
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Certo é que aqueles alunos de 8º ano ficaram presos ao fio da história. E, como não foi possível concluir a leitura da narrativa no tempo de uma aula, quiseram que fosse continuada na seguinte.
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Pedi-lhes, depois, comentários. Gostaram. E até notaram que esta história deveria ser conhecida pelos homens, porque fala deles, porque fala de coisas que fazem falta à sociedade. Só depois, para mostrar que as suas observações eram bem realistas, lhes li a justificação que o monge dominicano francês escreveu para esta história: “Muitas vezes me tem sido perguntado em que circunstâncias escrevi a história do lobo de Gubbio. Foi no fim da Guerra depois da libertação de Paris. Sentia-me farto da guerra, das suas derrotas e vitórias, farto de andar no mundo, fatigado da covardia dos homens, da vaidade das mulheres e das mentiras de todos, farto e desiludido de mim próprio. Voltei-me para os santos e, entre todos, para Francisco de Assis, o Pobre que a mãos cheias dá a alegria. (…) Também muitas vezes me têm perguntado qual o significado desta parábola. Ora! Cada qual que se deixe levar pela narrativa, que medite nela no fundo do seu coração, e os significados brotarão para ele como um campo de flores. (…) Não posso crer que o lobo de Gubbio não esteja no Paraíso, e quando lá nos encontrarmos com ele é em francês que havemos de falar-lhe. Era de resto a língua predilecta do seu Mestre.”
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A história contada pelo padre Bruckberger retoma aqueloutra que é contada nas Fioretti, em que Francisco de Assis estabeleceu a paz entre um lobo e a população de Gubbio. A edição utilizada (Col. “1001 Livros”. Lisboa: Lisboa Editora, 2007), com orientação de leitura, tem tradução de Jorge de Sena.
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Fonte: Nesta hora

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Fogo Fátuo do Império Português

"Até dos Descobrimentos ficaram mais as viagens do que o resto. Enquanto as outras grandes potências aproveitaram a sua permanência colonial (ficaram com muitas coisas porque souberam ficar), os Portugueses foram mais de viajar do que de permanecer, mais de descobrir do que aproveitar. Para as outras potências, viajar era simplesmente uma maneira de chegar ao que se queria. Para os Portugueses viajar era já em grande parte o que se queria. Estou a exagerar? Deixá-lo. Por alguma razão a imaginação portuguesa contemporânea se revela incapaz de reter a ideia dos séculos de império português (um império é uma coisa concreta e chata que se vai fazendo e que fica) e se entretém a sonhar infinitamente com os minutos maravilhosos das viagens e dos descobrimentos. É por isso que Pessoa disse o que disse: "português era o mar. Mais ninguém queria o mar só por si, só por ser mar." +
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Miguel Esteves Cardoso, in Os Meus Problemas +
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Falar Verdade...

"Na verdade, desde há muitos séculos, e antes até das fogueiras inquisitórias, a realidade que mais tem ganho espaço e criado fortes raízes no seio dos portugueses, é a latência de uma mentalidade aprisionada a quadrantes de pensamento viciantes, que, geração após geração, teima em persistir."
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Belmira Antunes Branco in revista "Plenitude" - Set.2005
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Portugal não Promete...

Esta é a sensação que me fica depois das eleições presidenciais de ontem: que Portugal não promete ou, pelo menos, que a Portugal não se augura nada de bom nos próximos anos.
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Não sou, nem desejo ser comentador político, já os temos em excesso e seguramente todos, supostamente, mais informados do que eu ( é o que se exige a um comentador político, é que seja mais informado na matéria política que um vulgar cidadão como eu ), mas não posso deixar de fazer algumas constatações face aos resultados eleitorais, agora que o terreiro da "feira" está liberto de cores partidárias.
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Constatação óbvia é que Cavaco Silva, futuro ex-presidente da república e futuro próximo presidente da república, venceu claramente. Uma vitória à primeira volta que não "esmagou", como muitos imaginavam, mas suficientemente folgada para não deixar ilusões ao pelotão dos candidatos. Depois, terá que ser óbvio, até para o próprio candidato e para a sua "entourage" política que, quantitativamente, o número de votos deitados nas urnas a seu favor é o número de votos mais escasso alguma vez contabilizados numa eleição presidencial. Equivale isto a dizer que, de todos os portugueses que se dispuseram a votar, e que foram menos de 50% dos eleitores inscritos, um pouco mais de metade deles votaram em Cavaco Silva. Isto, está bom de ver, não faz brilhar a vitória do actual presidente mas, por outro lado, trás à tona a incapacidade histórica de a esquerda portuguesa não se conseguir unir, como a direita, em torno de um candidato, daí que não fiquemos admirados com a derrota, diria humilhante, de Manuel Alegre, eventualmente penalizado pela associação ao PS num momento em que as coisas, para este partido, não estão particularmente felizes, estando mesmo particularmente "desgraçadas".
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Esperava-se que Cavaco Silva tivesse o discurso vitorioso dos presidentes, que se revelasse magnânimo, ponderado e distanciado de uma campanha que lhe trouxe alguns amargos de boca face aos assuntos de melindre que foram carreados para o combate pelos seus opositores. Mas não, o Cavaco Silva que surgiu no discurso de vitória foi um Cavaco Silva amargo, ressabiado, quiçá disposto a fazer sangue, pouco propenso a afirmar-se como o presidente de todos os portugueses, como é hábito nestes discursos de vitórias presidenciais. Até parece que Cavaco não sabia ao que vinha... ou que estaria a contar que a sua imagem de presidente o colocasse a coberto das ondas de choque do BPN, que se adivinhava, chegassem à campanha... A sua mensagem na noite da vitória tem vários destinatários, desde logo um alvo central: o governo de Sócrates. O discurso de Cavaco não augura realmente nada de bom para Portugal. O que não sei é se ainda será possível ficar pior do que está. E Sócrates merece um Cavaco Silva ressabiado ? Claro que sim ? E Cavaco Silva ganhará a coragem, que lhe faltou, durante o primeiro mandato, para fazer um acompanhamento mais próximo da governação, pelo menos, na área económica ? É o que iremos verificar. O que Cavaco Silva nunca poderá esquecer é que também é responsável, e muito, pela actual crise económica, e não estou a falar só do tempo em que era primeiro-ministro e comandava uma troupe de "homens-bons" da governança dos quais alguns viriam a revelar-se como um dos principais motores do afundamento da economia portuguesa através dos desmandos no BPN, entre outras questões que polvilharam os seus mandatos à frente da A.D. Durante o tempo do seu mandato presidencial, ou estava mal aconselhado ou o seu proverbial e ensaiado "afastamento" da realidade governativa não lhe permitiu intervir atempadamente para arbitrar as questões económicas por forma a que o país não se afundasse como afundou. Afinal, a sua auto-proclamada competência técnica no domínio económico-financeiro, não nos serviu de nada. Deixou que o governo navegasse à bolina e interviu tarde ou nunca com discursos pouco menos que inócuos e muito codificados. Todos conhecemos qual o âmbito da acção de um presidente da república e é por isso que todos reconhecemos também que Cavaco Silva se limitou a ter um mandato majestático de 5 anos e a falar apenas de cátedra. Se isso pode servir para países sem problemas, não serve para um país como Portugal, pleno de dificuldades económicas e com um economista na presidência. Que é que o impediu de ser mais interventivo ? Nada, a não ser talvez o "dulce far niente" ou, porventura, a sua visão neo-liberalista da economia de recorte Keynesiano, para mal de todos nós.
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De resto, estas eleições só têm uma história interessante: a de José Manuel Coelho, com uma votação significativa na sua Madeira-natal e a ultrapassagem de um número percentual que poucos julgariam ao seu alcance a nível nacional. Mas este sapo, ( ou melhor: este Coelho ) fica por conta de Alberto João Jardim que terá com que se entreter nos próximos tempos, ou não. Pelo menos não poderá ignorar que o homem não existe e que até conseguiu despertar, com a sua ironia e discurso simples, a consciência de uns largos milhares de portugueses.
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Manuel Alegre só dificilmente voltará a apresentar-se em presidenciais futuras. Sócrates tem por agora a ala esquerda do seu partido açaimada. Este resultado não se pode dizer que desagrade totalmente ao secretário-geral do PS.
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O P.C.P. encontrou provavelmente um novo secretário geral para um futuro próximo. Francisco Lopes, com esta votação e um discurso político bastante mais clarividente que a generalidade dos seus camaradas de partido, está de certeza colocado na linha de sucessão de Jerómimo de Sousa. Parece-nos que consegue fugir, apesar de tudo, ao discurso formatado que tem marcado os últimos dirigentes dos comunistas. O seu eleitorado, pelo menos, acreditou nele.
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A Francisco Nobre elogia-se-lhe o voluntarismo e a capacidade de alcançar um eleitorado que, na hora de votar, não está muito preocupado com projectos políticos ou ideias políticas definidas. Prefere antes fugir à matriz dos políticos profissionais de quem já nada espera. Normalmente, resultados como os que Manuel Alegre conseguiu nas anteriores presidenciais e como o conseguiu também agora Fernando Nobre, são irrepetíveis e não deixam marcas duradouras.
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Resta Defensor de Moura, um candidato sem história nem glória que atingiu o zénite da sua campanha no debate televisivo com Cavaco Silva. Mas esse debate provou, em minha opinião, que qualquer candidato credível da esquerda, com projecto político, e mobilizador, teria sido suficiente para bater um Cavaco Silva de pose majestática e incomodado no seu papel de "pessoa mais séria e honrada de Portugal" com as questões que se foram levantando à volta da sua exposição ao caso do banco dos seus amigos.
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Apagam-se as luzes da ribalta, recolhe-se o entulho deixado dos ideários vazios. A fanfarra vai tocar em Belém, e nós, os que votámos, em conjunto com todos os outros portugueses que não quiseram votar por birra, casmurrice, teimosia ou indiferença, vamos continuar a pagar a crise e a senti-la de forma aguda. Cavaco Silva nem por isso, apesar de só poder agora ficar com as suas duas pensões de reforma que somadas ascendem a mais de dez mil euros mensais.
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Nós cidadão portugueses e cristãos, temos a segurança de um Deus que zela por nós e que não está preocupado com cores políticas ou denominacionais. Que investe em nós o Seu Amor, e que cuida de nós mesmo nos piores tempos de crise. O Amor e a Paixão de Jesus por aqueles que são seus não é graduado pelos tempos de crise. A estabilidade da nossa vida reside inteiramente na dispensação da sua Graça e favor, dia a dia, desde o nascer do sol até ao seu pôr.
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Jacinto Lourenço

domingo, 23 de janeiro de 2011

As Memórias da Pátria

"Pobres, fracos, humilhados, depois dos tão formosos dias de poderio e renome, que nos resta senão o passado? Lá temos os tesouros dos nossos afectos e contentamentos. Sejam as memórias da pátria, que tivemos, o anjo de Deus que nos revogue à energia social e aos santos afectos da nacionalidade. Que todos aqueles a quem o engenho e o estudo habilitam para os graves e profundos trabalhos da história se dediquem a ela. No meio de uma nação decadente, mas rica de tradições, o mister de recordar o passado é uma espécie de magistratura moral, é uma espécie de sacerdócio. Exercitem-se os que podem e sabem; porque não o fazer é um crime".
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+ Alexandre Herculano, in "O Bobo" - 1843
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