terça-feira, 5 de abril de 2011

Explicação do Estado...



O Estado não sabe ao certo quantas viaturas tem (quer dizer, o número varia entre 28 e 30 mil, conforme o contador). Nem quantos organismos públicos existem.

Fonte não oficial estima haver 13740 entidades, incluindo administrações central, regional e local, empresas, institutos e fundações (639) - os ingleses chamam-lhes Quangos (quasi-independent non government organisations) - sob a sua jurisdição. Metade deles deve entregar anualmente no TC documentos sobre contratos e contas de gestão: em 2009, 1724 organismos enviaram a sua contabilidade e, destes, o TC fiscalizou 418. Ah, uma das empresas públicas chama-se Verdegolf e trata dos greens do arquipélago dos Açores.

A despesa pública aumenta 152207€ por minuto.

De acordo com o FMI, Portugal foi o penúltimo (à frente da Itália), em 179 países, no crescimento económico entre 2000 e 2010: subiu 6,47%, enquanto os outros 2 aflitos da Europa, Grécia e Irlanda, cresceram 28,09% e 28,96%. O PIB per capita, em paridade do poder de compra, fixou-se nos 16.903€, uma queda de 26% desde 2000.

A dívida pública directa deverá ser em 2011 de 92% do PIB, mas a dívida indirecta (de empresas públicas) é cerca de 22%. É fazer as contas.

Gastos caricatos: 600.000€ em concertos do Tony Carreira, 63.000€ de flores para o palácio de S. Bento (em 2010, no ano anterior foram só 19.020€), 117.085€ em brinquedos do Toy’r’us pelas câmaras de Lisboa, Amadora e M. Canavezes, 6960€ em rebuçados para o Carnaval de 2009 pela câmara de Loulé.

O PSD obrigou à criação dum Conselho das Contas Públicas e da Política Orçamental, quando viabilizou o OE de 2011. Foi escolhido para presidente António Pinto Barbosa, o que certificou durante 10 anos as contas do BPP, “intervencionado pelo BP para evitar a sua insolvência imediata, e cuja gestão está a ser investigada”…

OE 2011: aumento de 26% em despesas de combustíveis e 31,4% em seminários; aumento de despesas em publicidade, deslocações, comunicações e higiene/limpeza (de arquivos?); excepção para a Cultura, que vai gastar na rubrica quase menos 40%), atingindo recordes absolutos em vários ministérios; aumento de 23% em despesas com horas extraordinárias no ministério da Justiça.

A Presidência do Conselho de Ministros (vá, também tem a tutela do INE, e estamos em ano de censos) tem um saco com 238 milhões de euros, o Ministério da Cultura 154 milhões, o da Economia 152 e o das Obras Públicas 146 milhões. Prioridades. E como Portugal gosta de brinquedos caros, como disse o embaixador americano, o Ministério da Defesa tem ao seu dispor 2068 milhões.



O Estado gastou, em 7 anos, 507 milhões em estudos e pareceres, cinco vezes mais que os 104,5 milhões gastos nos 10 estádios do Euro 2004; gastou no mesmo período 700 milhões em internet, telefone e telemóveis, mais que os 664 milhões da Ponte Vasco da Gama.




Fonte: O estado a que o Estado chegou, DN, edições Gradiva***Via Rês Pública



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Valores Materiais: A Referência Comum da Sociedade


Os políticos são os principais culpados da actual crise económica internacional, porque criaram as condições para ela se instalar, disse o economista e conselheiro de Estado, Vítor Bento, em entrevista à Lusa.



Vítor Bento, que apresentou recentemente o livro "Economia, Moral e Política", publicado pela Fundação Francisco Soares dos Santos, considerou que a crise resultou de uma crise de valores morais, mas que os políticos falharam nas escolhas que fizeram.

"No livro olhei para a crise internacional não apenas do ponto de vista estritamente económico, mas enquanto erupção de uma crise de valores da própria sociedade. Há muitos fatores que contribuíram, mas uma delas é o facto de hoje vivermos numa sociedade onde os valores materiais são a referência comum, que quase toda a gente subscreve", afirmou.

O economista considerou que, no caminho para a crise, uns têm mais culpa do que outros, destacando neste grupo de maiores culpados, "políticos, banqueiros, gestores em geral", que tinham a obrigação de saber que as escolhas que faziam "conduziriam a caminhos errados", além da obrigação de limitar a possibilidade dos indivíduos fazerem escolhas erradas.


"A Cultura Deve Ser Uma Descoberta Individual " - Marguerite Duras


Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não lêem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.

Por exemplo, em relação a Baudelaire, devemos ser os primeiros a descobrir o seu esplendor. E somos os primeiros. E, se não formos os primeiros, nunca seremos leitores de Baudelaire. Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crianças nos despejos públicos, e lidas às escondidas dos pais e dos mestres.

Por vezes, o facto de se ver alguém a ler um livro no metro, com grande atenção, pode provocar a compra desse livro. Mas não quanto aos romances populares. Aí, ninguém se engana quanto à natureza do livro. Os dois géneros nunca estão juntos nas mesmas mãos. Os romances populares são impressos em milhões de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princípio, há uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua função de identificação sentimental ou erótica. Depois de os terem lido, as pessoas abandonam-nos nos bancos públicos, no metro, e serão apanhados por outras pessoas e novamente lidos. Isso será ler? Sim, penso que sim, é ler como se toma um remédio, mas é ler, é ir buscar a leitura ao exterior de si próprio e ingeri-la e fazê-la sua e dormir e cair no sono para, no dia seguinte, ir trabalhar, juntar-se a milhões de outras pessoas, a solidão matricular, o esmagamento.



Fonte: Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "***via Citador 



sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dor de cabeça...





No consultório  o médico pergunta ao doente:


" O senhor é que é o dador de sangue ?"


O doente responde: "Não, não, eu sou o da dor de cabeça !"

Um "Oscar" para a Actual classe política Portuguesa...


António Barreto, sociólogo e socialista, antigo ministro nos anos 80 e porventura aquele de quem comunistas e socialistas mais à esquerda têm mais razões de queixa, disse, há duas semanas atrás, numa entrevista a Ana Lourenço da SIC Notícias, que os socialistas o que gostam mesmo muito  é de "de bater nos fracos. Nos frágeis. É porque é fácil e é rápido". Claro, mas já era assim quando ele foi ministro daí que eu ache que o senhor já está com aquela doença que tem nome de alemão e que é por isso que não se lembra do que fazia.  Ontem António Barreto voltou à carga na Figueira da Foz: manifestou o eventual desejo de, se pudesse ser, deveria  encomendar-se uma nova classe política em cerâmica das Caldas da Rainha. Eu não sei o que é que o homem estava a imaginar quando lhe veio à mente este desejo, mas  provavelmente concordo; é que desta classe política para  a outra feita em louça das Caldas não há grande a diferença  sendo que a feita em cerâmica Caldense só teria vantagens; sempre nos faria sorrir e teria mais utilidade. Se eu pudesse escolher uma peça, seria a galinha que dá para guardar ovos e serve de centro de mesa; é que  dá uma ideia de rigor na forma como guarda os seus ovos, coisa que, pelos vistos, não foi preocupação deste governo desde que governa. Para além de ter mal baratado todos os ovos que a galinha portuguesa pôs, fez com que a bicha não tivesse alternativa senão ir parar, mais do que provavelmente,  ao galinheiro do FMI a pôr ovos por conta de outros.
A ideia do sociólogo Barreto, talvez não seja má de todo, mas já que não é possível realizá-la, podemos pelo menos instituir prémios, tipo "Oscares " Caldenses, para a actual classe política portuguesa. Ao governo eu atribuia um  "zé povinho" naquele gesto característico e acintoso com que Bordalo Pinheiro honrou os políticos do seu tempo. Afinal, esta classe política, e em especial a que ocupa o governo, não merece mais.


Jacinto Lourenço

quinta-feira, 31 de março de 2011

EFEMÉRIDES

A 31 de Março de 1492, é assinado o decreto de expulsão dos judeus de Espanha.







A 31 de Março de 1821, data da extinção da Inquisição em Portugal.



Fonte: Por Terras de Sefarad

No Sossego e na Confiança...


O dia de hoje reservou-me, num dos devocionais que habitualmente leio, a reflexão abaixo, de Spurgeon,  que me parece bastante a propósito dos momentos pelos quais o mundo, em particular a Europa e em especial Portugal,  com os seus problemas económicos e sociais, está a passar; mas também muitos países do Norte de África, cujas populações aspiram a uma verdadeira democracia e a direitos cívicos e sociais. Não sabemos onde tudo isto nos conduzirá  mas, como cristãos, precisamos ser gente com um nível de estabilidade espiritual e emocional que terão que  radicar no Senhor das  nossas vidas. Ele é a fonte de toda a vida, de  todas as certezas, de toda a estabilidade. Como dizia o Salmista, "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam".  É por isso que nesta hora de grandes incertezas e de todas as dúvidas, o cristão deve mostrar, no seu círculo de influência, responsavelmente, a proveniência das suas certezas e o caminho para a Fonte de águas tranquilas. "Voltando e descansando, sereis salvos; no sossego e na confiança estará a vossa força" ( Isaias 30:15 ).


Jacinto Lourenço







Não temas o pavor repentino nem a assolação dos ímpios quando vier. Porque o Senhor será a tua esperança, e guardará os teus pés de serem presos.

( Provérbios 3:25,26 )


Quando Deus sai para juízo, não que que o Seu povo tenha temor, porquanto Ele não sai para danificar, mas para defender os justos.
Ele quer que mostrem o seu valor. Os que gozamos da presença de Deus, deviamos manifestar presença de ânimo e, porque o Senhor pode vir de repente, não devemos mostrar surpresa por qualquer acontecimento repentino. A serenidade sob o ímpeto e o estrondo de males inesperados é um precioso dom do amor divino. O Senhor quer que os seus escolhidos tenham discernimento para ver que a ruína dos ímpios não é uma calamidade para o universo. Somente o pecado é mau; o castigo que o segue é como sal preservativo que guarda a sociedade da corrupção. Devíamos indignar-nos mais contra o pecado, que merece o inferno, do que contra o inferno que é o resultado do pecado.

Assim mesmo, o povo do Senhor deverá mostrar grande quietude de espírito. O diabo e a sua semente estão cheios de todo o engano, porém os que andam com Deus não serão tomados nos seus braços enganosos. Segue adiante crente em Jesus e deixa Deus ser a tua confiança.

C.H. Spurgeon

quarta-feira, 30 de março de 2011

Poema em Ladino



















LAS PALABRAS



Las palabras
devienen madeshas
las vo despiegando
las vo rodeando
hasta que piedren su senso
locas de no ser.
Yo las amaso de muevo
y les do vivenza,
nacen a ser mi pan,
nacen a ser mi vino,
no se arugan
en el tiempo
de la zona eternel.




Margalit Matitiahu





Fonte: Por Terras de Sefarad

terça-feira, 29 de março de 2011

Que Cristianismo Vivemos ?




Pr. Martin Luther King, Robert Raikes, William Wilberforce, Dietrich Bonhöeffer, Pr. Jaime Wright, Missionário Manoel de Mello, Dom Oscar Romero e Dom Paulo Evaristo Arns. Qualquer estudioso que se preze chamaria estes homens de fé de heróis da humanidade.



Olho pra todos os lados, para as páginas dos jornais, para o noticiário frenético da televisão, para a tela fria das redes sociais, e o meu coração só consegue exprimir uma única pergunta ao Deus Todo Poderoso: “O que fizeram com o Cristianismo?”.





Na esteira da indigência cultural de uma geração despreparada para pensar e argumentar, cresce a aceitação de livros e artigos de ateus militantes como Richard Dawkins, Daniel Bennet, Sam Harris, Christopher Hitchens, entre tantos outros. Na leitura de suas diatribes, tão agressivas quanto infantis, não reconheço o Deus de que estão falando, contra cuja existência se apresentam tão irados. O Deus cuja menção provoca ira nestes ateus é um carrasco, misógino, e quando eventualmente fala de amor, não está nem mesmo sendo original, porque repete o que outros já haviam dito antes. Um tipo de Deus que os faz concluir que o mundo, refém de guerras religiosas e fanatismos vários, ficaria melhor sem Ele. De onde tiraram isso? Quando foi que a mensagem cristã, o Evangelho de Jesus começou a ser associado ao obscurantismo, ao atraso?



Eu me faço esta pergunta, mas no fundo, sei a resposta. Sim, sim, eu também conheço o Deus de quem falam estes ateus. Eu o vejo por aí, na pregação não menos histriônica e infantil de líderes religiosos pretensamente cristãos. Como esperar que um europeu pós-moderno veja algo de bom num Deus propagado por padres pedófilos? Como esperar que um sul-americano minimamente honesto não sinta sua inteligência agredida quando fica claro que o pastor mantém o padrão de vida de um executivo ás custas da contribuição dos fiéis, que passa a ser apresentada como uma “semente”, na maior empulhação teológica dos últimos tempos? Como esperar que um homossexual acredite que Deus ama o pecador apesar do seu pecado, quando líderes influentes do segmento evangélico os tratam com evidente desamor, agravando ainda mais a sua já tão dura rejeição social? Como apresentar um Deus de amor se a imagem que se revela é de líderes egoístas, autocentrados, manipuladores, despóticos e hipócritas na sua intimidade?



Este não é o meu Deus! Do fundo do meu coração, este não é o meu Cristianismo! Não é esta a fé que a Bíblia Sagrada me mostra. A Palavra Revelada apresenta um Deus que emancipa e promove o homem, não um deus que o massacra, o restringe, o manipula.



O Evangelho em que creio fala de um Emanuel, um “Deus-conosco” que aceitou jantar na casa de um político corrupto chamado Zaqueu, que já apanhava o suficiente dos fariseus e não havia mudado, mas encontrou no amor de Jesus uma motivação para transformar sua vida completamente. Um Deus que supera o simples moralismo, de antes e de hoje.



O Evangelho que eu li fala de um Jesus que comia na casa de um fariseu (sim, de um fariseu!) e que acolheu o gesto desesperado de uma prostituta derramando óleo de nardo, perfume caríssimo, provavelmente comprado com o dinheiro do pecado, a seus pés. Alguém que finalmente viu o desespero de uma mulher que se entregou a tantos porque estava em busca de amor, e foi liberta justamente quando Ele disse que ela “muito amou”.



O meu Cristianismo é o que inspirou John Milton e Willian Wilberforce a lutar pelo fim da escravidão na Inglaterra. É a mensagem que motivou o jornalista metodista Robert Raikes a alfabetizar filhos de operários usando a Bíblia Sagrada em plena Revolução Industrial, criando a primeira Escola Bíblica, mãe do ensino público fundamental na Europa.



O meu Cristianismo moveu homens na luta contra regimes autoritários. Dietrich Bonhöeffer e Martin Niemöller na Alemanha nazista, Dom Oscar Romero em El Salvador, e figuras como o cardeal católico Dom Paulo Evaristo Arns, o pastor presbiteriano Jayme Wright e o missionário pentecostal Manoel de Mello na ditadura militar do Brasil.



O Cristianismo em que eu creio motivou uma mulher negra chamada Rosa Parks a não ceder seu lugar a um branco no ônibus, dando o primeiro passo para a marcha liderada por Martin Luther King. Num tempo de ódio e revanchismo incitado por Malcolm X, o sonho de King incluía negros e brancos lado a lado.



A fé em que creio sempre caminhou semeando mudanças que nos levaram adiante. Não reconheço a mensagem da Cruz neste pseudo-evangelho triunfalista, reduzido apenas à moralidade. Deste “outro evangelho”, Hitchens, Dawkins e outros que tais, podem falar à vontade. Que eu até ajudo.



Fonte: pr. Cláudio Moreira no  Genizah 

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tempo Pascal é Tempo de Vida e de Esperança

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Para onde quer que nos voltemos, vimos, ouvimos, lemos sempre sobre o tema genérico que domina os meios de comunicação. Já aprendemos que o que faz vender notícias não são as boas notícias, mas as más notícias. Temos esta tendência tétrica para nos concentrarmos nos factos e acontecimentos negros e trágicos, e quanto mais negros e trágicos melhor. Afundamo-nos nas letras garrafais dos jornais que empolam tudo o que lhes possa render tiragens ou nas imagens lúgubres que os telejornais nos fazem chegar à hora certa da família. Deixamo-nos enredar mais facilmente por um clima negativo do que pelas coisas positivas que estão todos os dias à nossa frente.
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Não acho que devamos abstrair-nos do que se passa à nossa volta, mas também não acho que nos devamos, pura e simplesmente, render aos ciclos menos bons como se a vida fosse apenas uma tela borrada de  negro.
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Os cristãos passam pelas mesmas dificuldades que todas as outras pessoas passam, mas há algo que deve estar permanentemente na sua cabeça e no seu coração: um cristão é alguém cuja visão é mais alta. Ser cristão significa estar pronto para encarar as situações com os olhos postos em Deus e nas certezas que Ele tem para nós. É ser um optimista no meio do pessimismo; afinal, aquilo que Jesus disse é que devíamos ser Luz no meio das trevas e Sal num mundo insosso. Neste período de Páscoa, onde a esperança renasce, onde novos horizontes estão à distância de um dedo; onde a morte é vencida pela vida. Onde Jesus já pagou todos os resgates, saibamos ser sorrisos e alegria contra todas as correntes de tristezas agónicas. E p isso significa  não nos  deixarmos levar nesta corrente geral de sentimentos negativos quanto ao presente e futuro. É isso que Jesus espera de nós, que no meio das crises saibamos reagir, saibamos pôr ao serviço dos homens aquilo que aprendemos de Jesus ressuscitado.                                                                     

Mostrar capacidade de reacção positiva no meio do sofrimento geral,  mesmo se também nós estivermos a ser atingidos, não é apenas estoicismo humano, é igualmente demonstração de plena fé nas capacidades eternas de Deus e na sua direcção divina para os homens e mulheres que mostram ser capazes de irem além de si próprios, sabendo que nunca estarão sózinhos nesse desígnio.                                                      

Aquilo que Deus espera de nós, neste momento, é que a sociedade possa ver-nos como alguém que não perde a sua tranquilidade, a sua fé, o seu discernimento espiritual, a sua capacidade de um olhar com justiça e de manter uma opinião elevada sobre todos os contextos. É nestas ocasiões difíceis que se mostra a grandeza de espírito e a presença da fé que nos alimenta.                                                            

Aprendemos que nos ciclos negativos da vida a fé se prova de uma maneira muito mais extraordinária. A fornalha aquece, torna-se quase insuportável, mas Deus está no controlo e conhece os nossos limites. Saibamos, como filhos de Deus, nestes momentos de tormenta, obter de Jesus a paz que está a faltar a tantas vidas. Que cada filho de Deus seja um referencial de esperança, neste período pascal, de calma no meio da tempestade, de temperança e estabilidade emocional e que mostre isso no pequeno circulo em que se integra. Parece simples dito assim, não é ? Mas não vai ser nada fácil. Teremos que fazer uso daquele estoicismo que recebemos da nossa natureza espiritual. O apóstolo Paulo dizia que quando estava fraco então era forte, e vai ser assim connosco também. Mas isso só é possivel aos filhos de Deus, aos que têm uma fé viva, um compromisso com Cristo.
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Hoje li Deuteronómio 28:13 - «E o Senhor te porá por cabeça e não por cauda» - num devocional de Spurgeon que me acompanha há muitos anos; a determinado passo diz o autor: "Não tem o Senhor Jesus feito sacerdotes do seu povo? Certamente estão os d'Ele chamados para ensinar e não para aprender filosofias dos incrédulos[...]. Há-de a nossa fé arrastar-se como uma cauda ? Não deveria antes mostrar o caminho e ser a força predominante em nós mesmos e nos outros ? "
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Que esta filosofia dominante de derrota, que nos servem todos os dias a todas as horas, não nos atinja da mesma maneira que está a atingir as pessoas à nossa volta. É possível que fiquemos  sem alguns anéis, mas o importante é mantermos os dedos. O importante é a vida humana e aquilo que podemos construir com ela. É para isso que Deus olha. É essa a lição da Páscoa. É nisso que eu me quero fixar. Arregacemos pois as mangas e preparemo-nos para ser Luz , Sal, justiça  e direcção num mundo em aflição e sem nenhuma certeza no amanhã. E isto não é teoria, é prática; isto não se opera ao apenas ao domingo na igreja, é na vida diária em sociedade, onde partilhamos a existência, que devemos marcar a diferença com sensibilidade e atitudes. Aproveitemos pois este singular tempo de ressurreição e vida para o fazer efectivamente.
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Jacinto Lourenço

sábado, 26 de março de 2011

A análise de Guerra Junqueiro ao Portugal de finais do Século XIX. Dá que Pensar quando Olhamos para o Portugal de Hoje...

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"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
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. Guerra Junqueiro, Pátria, 1896

sexta-feira, 25 de março de 2011

O meu Grito do Ipiranga...

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Não tenho particular afeição por pessoas ou coisas que procurem cercear a liberdade individual de cada um. Este meu Blogue, o Ab Integro nasceu precisamente desse sentimento e dessa necessidade de dizer e escrever o que penso e sinto sem o exame prévio de ninguém ou mesmo de qualquer auto-censura empacotada em pressões externas. Hoje não aguentei mais a falta de liberdade que o anterior template que utilizava na edição do Ab Integro me tentava impor e mandei-o às urtigas. Escolhi um novo, que não me desconfigurasse os textos que edito, especialmente os poéticos, e que tantas vezes me inibi de publicar, não porque não goste de poesia - bem pelo contrário - mas porque a respeito demasiado e aos poetas. É por isso que o meu Blogue tem agora um aspecto gráfico diferente e, afinal, mais a ver comigo, que gosto de me ver rodeado de livros. Dei o meu Grito do Ipiranga; proclamo que, a partir de agora, mesmo não sendo um Blogue de poesia, esta terá o lugar de destaque que merece, por direito próprio, sem que eu passe horas a inventar artimanhas para contrariar as "maldades" do template. Os pormenores irão agora ser corrigidos gradualmente, sem pressas.
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Nada melhor do que Pessoa para celebrar a minha liberdade de editar o que quero, como quero e quando quero.
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Nada melhor do que Fernando Pessoa para celebrar a Liberdade, que pertence aos portugueses, de tomarem os destinos do seu próprio país entre mãos e partirem rumo à descoberta de novas soluções e novos rumos. Desfraldar as velas e reinventar portugal e os portugueses, dando de novo uma lição a quem, por esse mundo fora, nos quer tomar por imbecis .
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J.Lourenço
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O INFANTE
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Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.

. Deus quiz que a terra fosse toda uma,

. Que o mar unisse, já não separasse.

. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

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. E a orla branca foi de ilha em continente,

. Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

. E viu-se a terra inteira, de repente,

. Surgir, redonda, do azul profundo.

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. Quem te sagrou creou-te portuguez.

. Do mar e nós em ti nos deu signal.

. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.

. Senhor, falta cumprir-se Portugal!

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Fernando Pessoa in Mensagem

Valeu a Pena ?

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Ó mar salgado, quanto do teu sal
. São lágrimas de Portugal!
. Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
. Quantos filhos em vão rezaram!
. Quantas noivas ficaram por casar
. Para que fosses nosso, ó mar!
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Valeu a pena? Tudo vale a pena
. Se a alma não é pequena.
. Quem quer passar além do Bojador
. Tem que passar além da dor.
. Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
. Mas nele é que espelhou o céu.
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Fernando Pessoa in Mensagem

quinta-feira, 24 de março de 2011

"O Horizonte" no dia dos Medos...

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Adormecemos ontem e acordámos hoje com os mesmos sons da crise. O governo a meter-nos medo e as oposições a desejarem o "pote". Os portugueses, falo do povo, já venceram outras crises anteriores, já ultrapassaram medos sem sentido, já foram onde outros mais poderosos não arriscaram porque talvez lhes tivesse faltado a chama ou a audácia para irem. Já abriram mundos. É por isso que esta crise não passa de mais uma que teremos que vencer mesmo se não a provocámos. Crises, afinal, são oportunidades, mesmo que os trajectos sejam dolorosos e difíceis.
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Eu acredito nos portugueses, no povo, e na sua capacidade de enfrentar os medos e superar os "monstros" que se agitam e esbracejam prontos para nos devorarem nos altares profanos da política mesquinha. É por isso que hoje publico este poema de Pessoa. Afinal, "O sonho [ dos portugueses ] é ver as formas invisíveis".
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JL
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Ó mar anterior a nós, teus medos
+ Tinham coral e praias e arvoredos.
+ Desvendadas a noite e a cerração,
+ As tormentas passadas e o mistério,
+ Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
+ Splendia sobre as naus da iniciação.
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+ Linha severa da longínqua costa -
+ Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
+ Em árvores onde o Longe nada tinha;
+ Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
+ E, no desembarcar, há aves, flores,
+ Onde era só, de longe a abstracta linha.
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+ O sonho é ver as formas invisíveis
+ Da distância imprecisa, e, com sensíveis
+ Movimentos da esp’rança e da vontade,
+ Buscar na linha fria do horizonte
+ A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
+ Os beijos merecidos da Verdade.
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Fernando Pessoa in Mensagem

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um dia, isto tinha de acontecer...

+ + + Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma, Certamente! +
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Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam. Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras. Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós). Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalhambem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida. E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!! Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço? + + + +
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