quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Encontrar Deus

Nós encontramos Deus no meio daquilo que nos acontece, que nos agride, sejam os irmãos, que nos fazem mal, seja a própria sombra, que nos ataca. É na rotina diária que se decide se o indivíduo se torna amargo e duro, pelas frustrações da vida, ou se opta por se abrir a Deus, deixando-se modificar pelo seu Espírito. (...) A raiva perante a injustiça e perante situações adversas torna-nos cegos para as hipóteses de solução que se escondem nas dificuldades da vida. (...) Quando as situações adversas são vividas à luz de Deus, esta luz altera os nossos sentimentos e dá-nos força interior. (...) É nos problemas e dificuldades que arrasto comigo que me encontro com Deus, que actua em mim e me modifica.
Fonte: Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um Certo tipo de Visitação...

Uma Igreja que Não existe

01-Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” ( At 2. 43-47 )
Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo. Segundo o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos (tinham tudo em comum)– os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um; e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo a disposição de todos. Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz. Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles. Deus havia respondido, a priori, a todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária. O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje. (MT 6.9) ” estava respondido, e diariamente. Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos. Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – "garçons", para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os "garçons", que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever. Essa Igreja não existe mais!
02-Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” (Tg 5.14,15). Os membros da comunidade do Cristo não precisavam orar por cura física, bastava procurar os presbíteros: lideres eleitos pelo povo, a partir de suas qualidades como cristãos (1Tm 3.1-7); que eles ungiriam com óleo, que representa a acção do Espírito Santo, porque é o Espírito Santo, quem unge e cura (Lc 4.18), e a pessoa seria curada; claro, sempre segundo a vontade do Senhor, porque essa é a regra de ouro: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu. (MT 6.10)Os crentes em Jesus de Nazaré, não precisavam fazer limpeza espiritual para ver se tinham qualquer problema, parecido com o que hoje é chamado de maldição hereditária, ou similar. A oração dos presbíteros ministrava o perdão de Deus, conquistado por Cristo na cruz e na ressurreição. Deus havia respondido todas as orações por cura física pela instituição de presbíteros, que tinham a autoridade para ministrar o poder de Cristo sobre a enfermidade, segundo a vontade de Deus, dependendo, portanto, apenas, do que o Altíssimo tivesse decidido sobre a pessoa em questão. Essa Igreja não existe mais!
03-Pelo que orava a Igreja do Novo Testamento? “Mas eles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os castigar, soltaram-nos, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera; pois tinha mais de quarenta anos o homem em quem se operara esta cura milagrosa. E soltos eles, foram para os seus, e contaram tudo o que lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos. Ao ouvirem isto, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Senhor, tu que fizeste o céu, a terra, o mar, e tudo o que neles há; que pelo Espírito Santo, por boca de nosso pai Davi, teu servo, disseste: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse. Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Servo Jesus. E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.” (Act 4.21-31) Oravam para que nenhum sofrimento os impedisse de glorificar a Cristo, de anunciá-lo com coragem e determinação – o Cristo que eles viviam diariamente pela fraternidade solidária. Oravam por missão! Para além da Igreja que está sob perseguição, não há sinal de que essa Igreja ainda exista!
04-O que existe?- A Comunhão dos santos existe na realidade da Igreja invisível. Mas, que relevância tem na história uma igreja invisível ?- Cultos – há os que procuram pautar-se pela Bíblia, e os que nem tanto.- Instituições – (muitas e cada vez mais) há as que ainda tentam ser apenas um odre para o vinho, e as que nem tanto.- Discursos sobre Cristo e sua obra – há os que falam sobre Jesus, segundo a Bíblia, e os que nem tanto.- Conversões pessoais – há as que trazem marcas do Novo Testamento, e as que nem tanto.- Missionários – há os que pregam a Cristo, sua morte e ressurreição, e os que nem tanto. O apoio ao missionário está mais para esmola do que para sustento.- Acção social – há as que querem emancipar o pobre, por amor a Cristo, e as que nem tanto.- Pastores e Lideres – há os que tentam alcançar o padrão dos presbíteros do Novo Testamento, e os que tanto menos.- Títulos - em profusão, constratanto com a escassez de irmãos.- Orações - principalmente, por necessidades materiais, sociais e de cura, que parecem não ser respondidas, pelo menos, não a contento.- Milagres – (mas pessoais) a misericórdia divina continua se manifestando, porém, não se entende mais o princípio de sua ação.- Ministérios – há os que são ministros (servos), e os que nem tanto.- Riqueza – Instituições estão cada vez mais ricas, e há os que usufruem da mesma. - Ricos e Poderosos - muitos e cada vez mais se declaram conversos, mas não se converteram como Zaqueu.- Irmãos e irmãs que amam a Cristo e a Igreja, mas que estão cada vez mais confusos sobre o que estão assistindo – e há, cada vez mais, um amor em crise. E ecoa a voz do Cristo: Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc 18.8) Talvez, ainda haja tempo de pedir perdão!

Impressionismo - Van Gogh

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Samaritanos de Hoje

Quem é o meu próximo ?

E perguntaram a Jesus: “Quem é o meu próximo?” E ele lhes contou a seguinte parábola: Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: “Vá passando a carteira”. O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão. Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: “Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você.” Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: “Ego te absolvo…” Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião. Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: “Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!” O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, “aleluia!” e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma. Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: “Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir.” Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma. O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido. Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: “Quem foi o próximo do homem ferido?”
Rubem Alves - Correio Popular, 21 de julho de 2002

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Choro pela Igreja

"Houve um tempo em que a igreja era bastante poderosa – no tempo em que os primeiros cristãos regozijavam-se por ser considerados dignos de ter sofrido por aquilo em que acreditavam. Naqueles dias, a igreja não era apenas um termómetro que registava as idéias e princípios da opinião pública; era um termostato que transformava os costumes da sociedade. Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem “perturbadores da paz” e “forasteiros agitadores”. Mas os cristãos prosseguiam, com a convicção de que eram “uma colónia do céu”, que devia obediência a Deus e não ao homem. Pequenos em número, eram grandes em compromisso. Eles eram [cheios] demais por Deus para serem “astronomicamente intimidados”. Com seu esforço e exemplo, puseram um fim em maldades antigas como o infanticídio e duelos de gladiadores. As coisas são diferentes agora. Com muita frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto. Com muita frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são. Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja actual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado...
Martin Luther King

Barriga Grande, barriga pequena

“(…) nos bons velhos tempos, havia mil castas e destinos na Índia. Hoje em dia, existem apenas duas castas: Homens de Barriga Grande e Homens de Barriga Pequena. E apenas dois destinos: comer – ou ser comido.”
(Aravind Adiga, O Tigre Branco, Ed. Presença, p 55)
Adiga, o escritor indiano que ganhou o Man Booker Prize 2008, graças ao seu romance de estreia, O Tigre Branco, o qual lança “um olhar irónico, a partir de dentro, sobre a riqueza da Índia e uma descrição incisiva das maquinações no interior da corrupta classe dominante”, segundo a crítica do The Washington Post, obriga-nos a pensar, sem querer, na realidade portuguesa actual.Aí, o sorriso esvai-se, por mais uma vez se perceber que a natureza humana é a mesma, independentemente das latitudes, influência e percursos históricos. Também nós, Portugueses, estamos a ficar divididos entre nós de acordo com o tamanho da barriga.O autor parece sugerir que o sistema de castas, apesar das suas imensas aberrações e injustiça social decorrente, organizadoras da sociedade desde tempos ancestrais, seriam porventura menos confusas e injustas do que a corrupção dominante, cujo resultado final consiste em lutar com todas as armas para evitar que se seja comido.Por aquilo que se vê, uma grande parte dos portugueses sente exactamente o mesmo. Há um lamaçal de corrupção, cada vez mais visível, alimentado por boa parte do pessoal político que gravita à volta dos partidos, do futebol e das grandes empresas, e que sufoca a criatividade, condiciona a competência e limita a intervenção cívica de quem não se revê neste regime caduco. Numa palavra, tudo se resume a comer ou ser comido.Todos os partidos sem excepção são claramente responsáveis por este estado de coisas, porque todos, sem excepção, manifestam comportamentos corruptos, por muito que falem em nome do povo, dos trabalhadores, do mercado, da economia, da classe média, dos pobres, das minorias ou de quem mais for. A corrupção e até o crime parece que compensam, desde que se consiga continuar a assegurar apoios eleitorais importantes.É por isso que os indivíduos mais preparados, competentes, capazes, sérios e criativos se afastam do meio, por nojo.Como eu os entendo.
Brissos Lino

Um Dia Difícil

Segunda-feira é um dia difícil. Desde logo porque é segunda-feira e pronto. Mas tornam-se dias mais difíceis ainda, todas as segundas-feiras, se vividas em Portugal, país em que acontece muito pouca coisa simpática, e especialmente no mês de Agosto, quando, todos sabemos, uma boa parte de nós vai a banhos para o sul. Ao contrário do que psicologicamente intuímos, a semana não começa à segunda-feira, mas ao domingo, que é o primeiro dia da dita. E isto muda tudo no que diz respeito à forma como encaramos a segunda-feira. É que o Domingo é, por natureza, um dia bom. O dia do Senhor. Um dia de partilha. Um dia de comunhão. Um dia para a família. Um dia para a liberdade física e do espírito. Um dia em que aprendemos, recebemos e transmitimos algo de quem ou a quem está perto ou longe de nós. Na essência, é um dia de Liberdade e, talvez também por isso, nos custa cada vez mais aceitar que o Domingo seja mascarado por muitos como um dia de repressão espiritual e psicológica e de tédio religioso. Cada domingo é uma festa para o espírito, coração e alma, para além do físico, evidentemente. Em cada Domingo celebramos a Liberdade com que Cristo nos libertou. Claro que depois de um dia cheio de coisas boas, temos dificuldade em encarar a segunda-feira como um dia bom. Talvez por isso, ficamos um pouco mais letárgicos, mesmo que aquela se queira apresentar prazenteira, quiçá para compensar o mau humor que lhe dispensamos. Mas devagar, lá vamos engrenando. Após o almoço já vemos o dia com outros olhos, ou não. Uma óptima segunda-feira para todos. Pelo menos tentem fazer um esforço…
Jacinto Lourenço

domingo, 2 de agosto de 2009

Deus feito Homem

"O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado... As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas - a Divindade e a humanidade - foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e homem. O Senhor Jesus, em sua natureza humana unida à divina, foi santificado e sem medida ungido com o Espírito Santo tendo em si todos os tesouros de sabedoria e ciência. Aprouve ao Pai que nele habitasse toda a plenitude, a fim de que, sendo santo, inocente, incontaminado e cheio de graça e verdade, estivesse perfeitamente preparado para exercer o ofício de Mediador e Fiador. "
Da Confissão de Fé de Westminster - de Cristo o mediador - Cap. 8 - seções 2 - 3

Amazing Grace - IL Divo

O Coliseu de Roma

O imperador Tito Flávio Sabino Vespasiano, o primeiro da dinastia flaviana, mandou construir o Amphitheatrum Flávium, o Colloseum, aquele que passou para a história com o nome de Coliseum. O início de sua construção data do ano 70 dC. O término em 80 d.C sob o imperador Tito, filho de Vespasiano. O seu arquitecto é desconhecido. Mede 187,5m de comprimento por 155,5 m de largura. Altura de 48,5 m. Fundações com mais de 12m. Perímetro de 540 m. Lotação entre 45 a 55 mil espectadores. A sua arena de batalha media 87,5 x 55 m. É possível que mais de 500 mill pessoas tenham sido mortas nessa arena. Inclusive muitos cristãos. O Coliseu é a maior atracção turística de Roma. Todos os imperadores se foram. Apesar dos muitos terramotos ao longo de quase 2.000 anos, dois terços da estrutura ainda estão de pé, para testemunho do poder de Deus. Se no início O Coliseu serviu de palco para assassinatos de cristãos de todas as formas, isso acabou. Hoje é um dos lugares mais clássicos do mundo para apresentação de grandes músicos e orquestras. Como a apresentação do quarteto Il Divo cantando o hino Amazing Grace (My chains are broken) no YouTube. Vespasiano e Tito se foram. Cristo venceu. Quando as gaitas de foles ecoam no meio do hino faz-me lembrar quantas orações desesperadas foram feitas naquele lugar onde os cristãos eram o espectáculo. Jogados às feras, empalados, divididos ao meio pela espada. Pagavam com a vida o preço de sua fé. Aquela construção ainda está de pé para mostar que Deus está no controle e Cristo é o Senhor. É explêndido.
João Cruzué

Impressionismo - Monet

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sábado, 1 de agosto de 2009

O Evangelho de Barrabás

"...disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?" Mt 27:17
Nunca sabermos ao certo quem foi o sujeito. Mas é certo, segundo o que as Escrituras nos revelam, que Barrabás era um agitador, um dos cabeças de um determinado levante ou movimento social qualquer, que culminou na morte de alguém e, segundo João, um ladrão, roubador, um bandido "notório". Nem imagino se era feio como pintou-o Mel Gibson no seu recente "The Passion of The Christ", mas o que sempre chamou-me a impressão, foi o fato do povão, que seguia Jesus, que bebia dele, que ouvia o que ele falava, que fora servido por ele e que, dias antes o aclamara na sua entrada triunfal em Jerusalém, a babar-lhe: "Hosana, hosana ao que vem em nome do Senhor!" trocou-o pelo enfim bandoleiro. Parece certo, na minha perspectiva, que naquele momento de decisão, o povo teve uma antevisão do que estava em jogo: A cruz - ou Jesus - com os seus benefícios e perspectivas espirituais, subjectivos ou adiados para uma realidade incerta e improvável como o céu - e ao que Barrabás representava - uma ética questionável, mas algo mais terra-a-terra, mais próximo da turba, algo bem mais de encontro aos benefícios pessoais imediatos que povoam os sonhos dos simples mortais. Barrabás era, por certo, alguém com algum apelo popular - que agradava ao povo (imagino eu que o motim, de que era acusado de participar, como quase todo, partia de algum apelo reinvindicatório e de encontro às conveniências, senão da maioria, ao menos de um bom grupo). Ele era talvez, como desses, igual a centenas de políticos que, apesar de roubarem, trapacearem, tirarem proveito do que não lhes pertence, contrariamente ao que seria lógico imaginar, ainda fazem sucesso, viram até heróis, por terem conseguido chegar lá, como uma raposa à porta do galinheiro, ao pote de ouro ao fim do arco íris, aos benefícios, às mordomias, ao sonho, venha da maneira que vier, pondo a mão (que podia bem ser a nossa!) em muita coisa apetecível. Ao ouvir as pregações dos bandidos de paletó, gravata e Bíblia na mão, chego a ouvir o "Qual quereis? Jesus ou Barrabás?". A cruz, o céu, a paz com Deus (e as perseguições, o abrir mão das regalias, dos direitos, o amar por obrigação, não por prazer, o perdoar, o andar a segunda milha...), ou a conveniência, o chão, a paz dos "Vasliuns" e dos "Prozacs"*, ou o torpor trazido pela fantasia da glória humana realizada? O servir ao que prometia a cruz e o cálice de gosto intragável,... ou a ética condenável mas conveniente do bandido que está onde eu desejava estar (afinal, desde lá, bonzinho só se ferra. Bandido que é bandido, dá-se sempre bem). E a malta, como naquele dia, na sua maioria, preferiu o outro evangelho, a "outra boa notícia" - a que vale a pena saciarmos o ventre, realizar o gosto que, afinal, dá-se sempre um "jeitinho" e livra-se a cara, safa-se das possíveis consequências. A vida nos ensina isso. A história prova-o. Luta por luta, vamos mais saciar o nosso desejo, o nosso ventre (só temos uma vida, não?). E que ninguém se engane: Essa decisão se nos apresenta a todo instante. O preço da vida com Cristo e os benefícios de preço algum. Ah! E me perdoe, Edir Macedo. Mas, riqueza, poder e número de seguidores não são ainda, sinais da aprovação e bênção de Deus à vida de ninguém. Se assim fosse, Barrabás, certamente, não contaria com a aprovação da maioria. E não também escaparia naquele dia maldito.

Ensaio sobre a Cegueira

"Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova." Mt 15:14
Pensamento surgido hoje cedo, quando dirigia por Lisboa, ao lado do meu amigo Julio Castanheira, de Marília-SP, músico e jornalista, em visita à Portugal, sobre essa coisa de apanharmos para nós uma glória que não nos pertence:Se a luz do cristão não vier da ação de Deus em si, vem dos holofotes. E essa, cega.
Precisamos acrescentar algo mais?

Impressionismo - Cezanne

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