Peritos estão convencidos que Jesus conhecia a casa em questão. Esta tem dois quartos, um pátio interno e uma cisterna para guardar a água.
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Não é a casa onde Jesus Cristo viveu, mas podia ser. Pela primeira vez, arqueólogos encontraram uma residência da época romana em Nazaré, a cidade onde, segundo os Evangelhos, vivia a Virgem Maria. Modesta e pequena, a casa tem dois quartos, um pátio interior e uma cisterna onde guardavam a água da chuva. No local das escavações, foram ainda encontrados pedaços de cerâmica que datam do séc. I.
“Encontrámos fragmentos de giz típicos das casas judaicas”, sublinhou a arqueóloga israelita Yardenna Alexandre. Bem junto à casa, a equipa envolvida nas buscas encontrou ainda um poço cuja entrada tinha sido dissimulada. Os arqueólogos estão convencidos que o poço foi aberto pelos judeus durante os preparativos para a Grande Revolta contra os Romanos, no ano de 67. Esta terminou com uma derrota e com a destruição do Templo de Jerusalém.
Segundo os especialistas, esta descoberta vem lançar alguma luz sobre a forma como as pessoas viviam há mais de dois mil anos. Um porta-voz da Autoridade das Antiguidades de Israel foi mesmo mais longe e afirmou à BBC ser provável que Jesus e os amigos conhecessem a casa agora encontrada.
No século I, Nazaré não passaria de uma pequena aldeia, apesar de hoje a "capital árabe de Israel" com 65 mil habitantes.
A casa foi descoberta quando os funcionários de uma empresa de construção civil estavam a escavar as fundações para um novo edifício. Este, um centro cristão, devia situar-se no local de um antigo convento. As escavações vão agora ser integradas num novo centro do grupo católico francês Chemin Neuf.
A maioria dos cristãos crê que haverá um tempo de justiça e paz no mundo. Uns crêem que isso se dará através da cristianização do mundo, pela agência da igreja. Mas a maioria prefere acreditar que isso se dará subitamente, quando Cristo vier em glória e aqui estabelecer o Seu reino.
Para nutrirmos uma esperança bem fundamentada, precisamos recorrer às Escrituras, em busca do modus operandi de Deus.
Como é que Deus tem trabalhado ao longo da História?
A questão que surge é: Deus prefere trabalhar com rupturas ou transições? [...]
Desde 1989, fala-se muito do fim da história. Desde que Francis Fukuyama pegou, política e sociologicamente, nos pedaços de cimento e ferros do Muro de Berlim. Já se disse também que a história não merece confiança absoluta, porque quem a escreve são apenas homens.
É nesta perspectiva que me coloco, entre a história dos princípios das Assembleias de Deus, sobretudo no Brasil, o fim dessa mesma história com o surgimento das ditas igrejas neo-pentecostais,e, passe a redundância, a instituição dos Institutos Bíblicos,nem sempre bemaceites pelo pensamento de alguns intervenientes dessa mesma história.
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O fim da história
No plano bíblico, a história é uma relação de equilíbrio entre as acções dos homens e o senhorio de Deus sobre essa mesma história. Quando no prosseguimento das acções humanas a históriatrai os desejos de Bem de Deus no que respeita às Suas criaturas, dá-se a catástrofe. «Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.» (Jer 29,11)
No que concerne ao Novo Testamento, o fim da história é descrito na fórmula vitoriosada asserção paulina, aos coríntios, com a aniquilação da morte como o último inimigo, o fim da mortalidade. Alguém abriu um número da revista Últimato e escreveu que o fim da história terá chegado quando todos os impérios cairem e a arrogância humana ruir para dar lugar ao Reino dos Céus.
Sobre todos, na superioridade absoluta da sua Autoridade, Jesus Cristo afirmou«os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar».
Mas a preservação dessas palavras como Palavra revelacional, a Palavra de Deus,ainda tem que continuar a ser ensinada. E para isso existem os Institutos Bíblicos.
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Institutos Bíblicos
O ensino das Escrituras não é uma orignalidade cristã. A formalidade do ensino persegue, no bom sentido, a Igreja desde a instituição da Sinagoga (do gre. synago, reunir-se), do período exílico dos judeus. Já se viu aqui a circunstância do início da instituição, em Ezequiel(14,1), o ensino pela via do confronto com as inquidades idolátricas e da exortação.
Mesmo no exílio, Deus garantiu que seria para Israel um santuário (Ez 11,16), por extensão teológica e linguística, uma sinagoga para o ensino na perda do Templo. Jesus Cristo ensinou em sinagogas (Mc 6,2), os apóstolos propagaram a Fé cristã a partir de sinagogas. Já foi referido, porventura através de lenda, que existiam mais de 400 sinagogas só em Jerusalém, quando esta foi destruída no ano 70 aD.
Na era moderna e contemporânea, a bela sinagoga da cidade velha de Praga (a Staronová) ainda exibe essa particularidade de o edifício ter sido lugar social e de ensino, para a preservação da Torah. Olhando-a, ainda hoje, vemos nela a porta e as janelas góticas do Céu contra o portão da morte em Auschwitz.
Mas transcorridos os séculos e para arredondar ideias, chegar-se-ia ao ano 1886, no que concerne ao espaço para ensinar as Escrituras Sagradas. O grande evangelista Moody lançaria os alicerces para as modernas escolas bíblicas. Era o Bible Work Institute of Chicago Evangelization Society, um nome comprido que viria a ficar célebre apenas comoMoody Bible Institute. O tamanho telegráfico do nome era inversamente proporcional ao seu alcance universal. Moody achava que uma educação centrada na Bíblia produziria um exército de pessoas capazes para a obra da evangelização.
Em 1900 sabia-se e já se dizia que o pentecostalismo moderno tinha nascido dentro de uma escola bíblica, o Instituto Bíblico Betel, de Charles Fox Parham.
Essa escola pretendia aprofundar o estudo da Palavra de Deus sobre o Baptismo com o Espírito Santo.
Diante destes dados históricos, entendamo-nos acerca das reacções fundamentalistas da década de 20, quenão eram favoráveis aos institutos bíblicos, aos seminários evangélicos.
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Reacções do Fundamentalismo
O problema aparente parecia ser a erudição. Há autores evangélicos que referem o compromisso deste ramo do cristianismo histórico com o afastamento da cultura. Embora já tenha sido escrito que o «legado fundamentalista não seja totalmente culpado da f alta de comprometimento com a actividade intelectual » dos evangélicos.
Outras causas houve e que não estão longe da análise sociológica e de uma incompreensível manutenção das comunidades abaixo do nível das classe trabalhadora, pequeno-burguesa e média. Numa frase que tudo tipificava: cultura é pecado.
Muitos líderes com responsabilidades devem ter ignorado as palavras do apóstolo Paulo, num pedido ingente a Timóteo: « traze a capa...e os livros, principalmente os pergaminhos.» (II Tim,4,13).
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(*) - Coronário Editora Gráfica, 1997, com o apoio da Secretaria de Cultura dao Distrito Ferderal
Vou ser muito claro. Tenho vergonha de atitudes como a do tele-evangelista Pat Robertson, que acaba de imputar ao povo haitiano a culpa do sismo que sofreram, com a perda estimada de cerca de 100 mil vidas humanas. Um homem de Deus não fala assim.
Pode até ter sido feito um pacto com o diabo, como ele alega, mas o papel do ministro do Evangelho é o do exercício da misericórdia, não da condenação. Além de uma insensibilidade atroz, num momento destes, vir com esta argumentação, Robertson encarna o que há de mais desprezível na direita religiosa americana, na linha do desaparecido Jerry Falwell, que culpou os homossexuais e as mulheres que abortaram pelo atentado das Torres Gémeas no 11 de Setembro, em Nova Iorque.
A imagem que esta gente dá de Deus é a de um déspota, egoísta, maldoso, vingativo e mesquinho. Devem estar a ver-se ao espelho…
A igreja que matou Jesus preferiu conviver com um marginal e assassino do que com Jesus. A igreja que matou Jesus também matou os profetas. A igreja que matou Jesus era religiosa. A igreja que matou Jesus convivia com Ele, mas não o conhecia. A igreja que matou Jesus era hipócrita. A igreja que matou Jesus fazia do templo e da Palavra, comércio. A igreja que matou Jesus envolveu-se com a política da época. Na igreja que matou Jesus havia podres e sujeiras. Na igreja que matou Jesus a última palavra era dos poderosos, os santos sumo sacerdotes. Na igreja que matou Jesus a comunhão era fingida. O amor, discursivo.
Os religiosos da igreja que matou Jesus diziam-se santos, vestiam-se adequadamente, davam o dízimo, mas estavam prontos a apedrejar a pecadora.
A igreja que matou Jesus foi a igreja dos cidadãos da alta sociedade judaica, mas se assegurou de manter os marginalizados à margem.
A igreja que matou Jesus não frutificava.
Na igreja que matou Jesus havia muita reverência – aos homens – , mas poucos homens-referência.
Na igreja que matou Jesus vivia-se uma verdade inventada, dogmática.
Na igreja que matou Jesus a misericórdia tinha preço “$”.
A igreja que matou Jesus cumpria a Lei, mas desconhecia a Graça.
A igreja que matou Jesus ignorava Sua voz, mas orava em voz alta.
A igreja que matou Jesus tinha tanta convicção em suas verdades que o mataram.
A igreja que matou Jesus nem chegou a ser chamada de Igreja, mas ainda existe.
Você a conhece?
Quando o evangelho da graça toma conta de nós, algo passa a estar muito certo. Vivemos na verdade e na realidade. Quando sou honesto, admito que sou um amontoado de paradoxos. Creio e duvido, tenho esperança e sinto-me desencorajado, amo e odeio, sinto-me mal quando me sinto bem, sinto-me culpado por não me sentir culpado. Sou confiante e desconfiado. Honesto e ainda assim insincero. Aristóteles diz que sou um animal racional; eu diria que sou um anjo com um incrível potencial para cerveja.Viver pela graça significa reconhecer toda a história da minha vida, o lado bom e ruim. Ao admitir o meu lado escuro, aprendo quem sou e o que a graça de Deus significa. Como colocou Thomas Merton: “Um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a bondade de Deus”.O evangelho da graça nulifica a nossa adulação aos tele-evangelistas, superastros carismáticos e heróis da igreja local. Pois a graça proclama a assombrosa verdade de que tudo é de presente. Tudo de bom é nosso não por direito, mas meramente pela liberalidade de um Deus gracioso. A nós foram-nos dados Deus em nossa alma e Cristo na nossa carne. Temos poder de crer quando outros negam; de ter esperança quando outros desesperam; de amar quando outros ferem. Isso e muito mais é pura e simplesmente de presente; não é recompensa a nossa fidelidade, a nossa disposição generosa, a nossa vida heróica de oração. Até mesmo nossa fidelidade é um presente. “Se nos voltarmos para Deus”, disse Agostinho, “até mesmo isso é um presente de Deus”.Em Lucas 18 um jovem rico vem até Jesus perguntando o que ele deve fazer para herdar a vida eterna. Ele quer ser colocado no centro das atenções. O ponto central de Jesus é o seguinte: não há coisa alguma que qualquer um de nós possa fazer para herdar o Reino. Devemos simplesmente recebê-lo como criancinhas.
Em vez de seguir numa seta ascendente, a raça humana se via rolando precipício abaixo. Em vez de saltar "de glória em glória", estávamos indo "de abismo em abismo". Como bem disse o salmista, "um abismo chama outro abismo"(Sl.42:7). Como reverter isso? Como redimir a humanidade, trazendo-a de volta ao lugar de onde caiu? Só havia uma saída.
O próprio Deus, então, mergulha de cabeça na Criação, e Se faz homem na Pessoa de Seu Filho Unigênito, Jesus. [...]
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Ler todo o artigo AQUI no blogue de Hermes Fernandes
"... A Igreja é a comunidade da fé! É a nossa casa!A Igreja é lugar de perdão e de reconciliação.O que é oferecido a todos nós, inclusive para os que agem como se não o precisassem, é a oportunidade de se arrepender.A fé cristã não prega a impecabilidade, prega o arrependimento!A fé cristã prega que o amor é demonstrado no perdão e no serviço!"[...]***
Excerto do texto, "Estou Farto" , de Ariovaldo Ramos *** Via Pavablog
"Um hipopótamo aqui ?! No meu jardim !? Estão a gozar comigo! ", responde Hila, estudante da Universidade de Tel Aviv, que ocupa um apartamento arrendado no selecto bairro de Ramat Aviv, ao norte da cidade. A tranquilidade das ruas do bairro foi alterada por uma descoberta arqueológica que converte este bairro de gente endinheirada numa das cidades mais antigas do mundo. [...]
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Continuar a ler AQUI, em Castelhano, no jornal El Mundo
Investigadores da Universidade Complutense de Madrid descubriram, perto de uma outra estrela, o mais jovem planeta extra-solar localizado até agora . Esta descoberta, que foi publicada na revista "Astronomy and Astrophysis", deu-se por casualidade mas preenche um vazio científico nas idades estelares. [...]
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Continuar a ler AQUI, em Castelhano, no jornal El Mundo
Autoridades dizem que descobertas mostram que os trabalhadores que construíram as pirâmides eram homens livres e não escravos. Túmulos ficam ao lado das maiores pirâmides, com mais de quatro mil anos.
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Os milhares de trabalhadores que construíram as pirâmides egípcias eram homens livres, que comiam carne regularmente, eram substituídos de três meses em três meses e receberam a honra de ser enterrados à sombra dos monumentos sagrados que ergueram. Uma honra que permite agora saber mais sobre estes homens, à medida que os seus túmulos vão sendo encontrados pelos arqueólogos.
A descoberta foi revelada ontem pelo ministro da Cultura, Faruk Hosni, e pelo Conselho Supremo de Antiguidades do país. O novo conjunto de túmulos de trabalhadores data da época da quarta dinastia do Egipto, que reinou de 2575 a 2467 antes de Cristo. Foi nesta altura, há mais de quatro mil anos, que foram construídas as grandes pirâmides, lembrou o chefe do conselho, Zahi Hawass, em comunicado.
As sepulturas confirmam ainda que os trabalhadores eram homens livres contratados e não escravos, ao contrário do que pensam a maior parte das pessoas, garante o especialista em egiptologia. E de três em três meses, eram substituídos por novas equipas.
"Estes túmulos foram construídos ao lado da pirâmide do faraó, o que indica que estas pessoas não eram de forma alguma escravos", diz Hawas. As sepulturas eram apenas para os homens que morriam durante a obra, acrescenta.
Os restos encontrados mostram que as cerca de 10 mil pessoas que trabalhavam na construção das pirâmides recebiam todos os dias 21 cabeças de gado bovino e 23 ovelhas, enviadas de quintas no Norte e Sul do Egipto para alimentar a força de trabalho. Os agricultores que contribuíam ficavam isentos de impostos, explica Hawass.
Os túmulos dos trabalhadores eram construídos com tijolos de barro e depois cobertos com estuque branco, provavelmente para imitarem os dos cidadãos mais ricos, feitos de calcário. Os primeiros foram descobertos em 1990, acidentalmente, quando um cavalo tropeçou numa estrutura de tijolo afastada da área principal do complexo funerário.
A descoberta é importante porque revela outro lado do Egipto - o das classes mais baixas - que não é visível nos monumentos dedicados a faraós, nobres e sacerdotes, explicou Salima Ikram, professora de Egiptologia na Universidade Americana do Cairo, à agência AP.
[ Titulo original do autor: Porque Paulo não condenou a escravidão ? ]
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A carta de Paulo a Filemom é a mais curta e mais pessoal das cartas Paulinas. São apenas 335 palavras em grego, e também a única amostra de correspondência particular de Paulo que foi preservada. Tornou-se conhecida como “a carta da cortesia”, pois nela Paulo intervém com delicadeza e tato em favor do escravo Onésimo, que não somente fugiu, mas ainda furtou o seu patrão Filemom. Esta pequena carta, como documento sócio-histórico, traz à tona o polémico tema da escravidão. Portanto, nossa proposta é tentar responder à indagação sincera de muitos cristãos e não-cristãos: Por que é que Paulo não condenou a escravidão?Deve ficar claro de antemão, que é muito difícil, com base nos poucos textos de Paulo que falam da escravidão especificamente, formar uma declaração definitiva e sistemática das opiniões de Paulo sobre o assunto. Temos algumas indicações em I Coríntios 7.20-22 e Filemom. Especificamente no que tange a carta a Filemom, J. D. Crossan esclarece que “não se trata de um tratado teórico sobre a escravidão em geral, mas de respostas práticas no tocante a um escravo particular”.A escravidão, como instituição social, era muito comum no mundo greco-romano dos dias de Paulo. Alguns pesquisadores calculam que metade da população do Império Romano era constituída por escravos , outros, porém, estimam que nos séculos I e II d.C., de 85 a 90 por cento dos habitantes de Roma eram escravos ou de origem escrava. Devemos também considerar que os escravos do Império estavam longe de serem tratados como os escravos que eram trazidos nos navios negreiros (séc. XVIII). Devemos ter o cuidado para não generalizar. Pesquisadores apontam que no século I foram concedidos muitos direitos aos escravos, mudanças humanitárias foram incorporadas ao mundo romano e a vida dos escravos melhorou radicalmente. Por exemplo, eles podiam participar nos cultos religiosos como membros da família do dono, podiam casar-se, tinham permissão para juntar dinheiro e comprar a liberdade, e muitos exerciam funções dignas como, artesãos, artífices, arquitectos, médicos, administradores, filósofos, gramáticos, escritos e mestres.A questão levantada por vezes é que o NT nunca condena a escravidão explicitamente e assim é defeituoso num ponto fundamental. Os críticos da Bíblia perguntam se Paulo não estaria aprovando a instituição da escravidão, uma vez que o apóstolo parece estar fornecendo a escravatura humana ao enviar de volta ao seu proprietário. O secularista Isaac Asimov escreveu:"Contudo, enquanto Paulo intercede a favor do escravo Onésimo, que é agora irmão de Filemom segundo o cristianismo, não há nenhuma sugestão por parte de Paulo de que a escravidão fosse errada ou imoral como instituição. Na verdade, Paulo até aconselha os escravos a obedecerem aos seus mestres. Portanto, apesar de alguns princípios inovadores, o cristianismo de modo algum foi uma doutrina de revolução social".Russel Champlin responde à acusação de Isaac Asimov sobre a atitude de Paulo para com a escravatura:"É inútil a posição que o próprio se opunha a escravidão, mas guardou silêncio. Antes, ele nunca mostrou a intenção de derrubar o sistema, e é provável que não se sentisse compelido a fazê-lo. Provavelmente compartilhava da atitude de que deveria usar de maior humanidade com os escravos, de usaram filósofos como Aristóteles, Zeno, Epicuro e Séneca. Além disso, lebremo-nos da cultura dos hebreus, de que Paulo fazia parte, onde havia uma atitude mais humana para com os escravos".Champlin aborda um ponto interessante. A escravidão no mundo antigo, principalmente entre os hebreus, estava longe de ser como a escravidão desumanizante exercida sobre os índios e negros nos séculos passados. Podemos notar com muita clareza que o Antigo Testamento defendia os direitos civis do escravo, e o protegia contra as crueldades de seus senhores (Alguns exemplos: Ex 21.7-11; Ex 21.26-27; Dt 23.15; Lv 25.42,43). Porém esta análise da escravidão no AT não responde a pergunta: Por que Paulo não defendeu a alforria imediata de todo escravo?Hendriksen responde dizendo que “tal revolução repentina de toda economia romana teria resultado em miséria indescritível para muitos escravos que dependiam de seus senhores para viver, e teria colocado um obstáculo intransponível à propagação da fé cristã.” Além do mais, se a igreja tivesse iniciado uma revolução imediata contra as estruturas esclavagistas, o evangelho não se teria difundido como aconteceu na igreja primitiva. O tempo não estava maduro para a solução de questões tão difíceis.Devemos ter em mente que algo mais revolucionário estava acontecendo, do que simplesmente proclamar a alforria imediata dos escravos. Quando Paulo pede a Filemom que receba Onésimo como um irmão amado, algo absolutamente impensável e inacreditável acontece: Paulo passa a declarar em alto e bom som que no cristianismo “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”; isto é, todos são iguais perante o Criador. Está claro, nas cartas paulinas, que a conversão a Cristo derrubou todas as barreiras sociais, raciais e económicas. A igreja como um todo deve caracterizar-se por virtudes como o amor, perdão, igualdade e solidariedade. O apologista Norman Geisler nos ajuda a compreender o dilema que estamos tratanto:"Olhando com maior cuidado o texto de Filemom, vemos que Paulo não estava favorecendo a escravidão, mas na verdade a estava combatendo, pois instou Filemom [...] a tratá-lo como um “irmão caríssimo”. Assim ao enfatizar a inerente igualdade de todos os seres humanos, tanto por criação como por redenção, a Bíblia estabeleceu os reais princípios morais que foram usados para acabar com a escravidão e para restabelecer a dignidade e a liberdade de todas as pessoas, de toda a cor ou grupo étnico".Estamos diante de uma verdadeira revolução, porém, revolução não-armada; trata-se de uma revolução pacífica, uma revolução no coração das pessoas que compõe a comunidade cristã. Gosto da citação Hendriksen quando ele diz que:"O que Paulo ensina [...] é que o amor vindo de ambos os lados (senhores e escravos), é a única solução. Este amor é a resposta de Deus para com seus filhos, seja esse filho preto ou branco, escravo ou livre. É este amor de Deus que derrete a crueldade transformando-a em bondade e, assim, fazendo-o, transforma déspotas em patrões bondosos, escravos em servos serviçais, e a todos os que O aceitam, irmãos em Cristo".Vemos claramente na carta de Paulo a Filemom que o elo entre senhor e escravo foi quebrado por um breve tempo entre fuga e retorno. Mas o elo entre os dois, como irmãos em Cristo, nunca seria rompido, nem aqui nem no porvir. E este foi o grande desígnio de Deus, seu maravilhoso plano.