terça-feira, 24 de novembro de 2009

Detalhes do Mundo - Deserto na Líbia

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O Amor é o Próprio Deus

"Deus é um ser pessoal, Deus é amor. O amor não é um atributo de Deus. Podemos dizer, de facto, que Deus é grande, que Deus é todo-poderoso, que Deus é infinito; mas o amor não se situa nesse plano, não é um atributo de Deus: é o próprio ser de Deus...

Este Deus pessoal não é cioso da nossa liberdade: respeita-a. Foi ele quem a criou, foi ele quem a quis".

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René Rémond no prefácio do livro A Alegria de Crer e Viver de François Varillon, S.J. - Editorial A. O. Braga - p.14

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Via Ricardo Gondim

A Matemática da Graça

Quando Jesus contou a parábola dos trabalhadores da vinha, os ouvintes presentes sabiam que estavam diante de um ensino revolucionário, uma verdadeira subversão de valores. O raboni de Nazaré, sem dar qualquer explicação aos doutores da lei, alterou completamente a mesma parábola dos trabalhadores que era contada pelos mestres judaicos de seu tempo. O jovem galileu estava na verdade, diante do olhar dos grandes rabinos e também de seus discípulos criados no judaísmo palestino, fazendo algo inimaginável para os padrões religiosos vigentes, escandaloso para ser mais exato. A parábola dos trabalhadores contada pelos contemporâneos de Jesus, registrado no Talmude, falava de um trabalhador que foi contratado no fim do último turno (17:00), e durante apenas uma hora de serviço, trabalhou mais do que todos os outros, e por isso, tornou-se digno de receber o salário integral que foi acordado com aqueles que trabalharam o dia todo debaixo do sol escaldante. Os rabinos estavam querendo dizer que “o balanço final de Deus não se realiza na forma de liberalidade generosa, mas através da exata correspondência entre trabalho e salário”. Jesus não concordava com este pensamento matemático espiritual que tornava Deus um rígido contabilista, um deus que pesa em sua balança os atos bons e maus e retribui conforme o merecimento de cada um. E foi por isso que contrapôs esta idéia de causa e efeito em sua parábola, não enfatizando o esforço dos últimos trabalhadores. Ao contrário disso, Jesus coloca na boca dos que aguentaram o sol intenso e a fadiga do dia inteiro, a insatisfação com o salário recebido, pois pensavam que mereciam mais que os preguiçosos que pouco trabalharam - "quando os primeiros vieram, pensaram que receberiam mais" (Mt 20 : 10). Jesus afirmou categoricamente que o Deus de toda a graça, deu a todos exatamente a mesma quantia. Philip Yancey, no ensaio intitulado "A nova matemática da graça" comenta este ensinamento revolucionário dizendo: "Nós recebemos a graça como um dom de Deus, e não por alguma coisas que tenhamos dado duro para ganhar. No reino da não-graça, alguns trabalhadores merecem mais do que outros; no reino da graça a palavra merecer nem mesmo se utiliza". Nós recebemos a graça como uma dádiva, e não por alguma coisa que tenhamos dado duro para ganhar, e este foi o ponto que Jesus deixou claro na parábola do trabalhador. Sim, esta matemática da graça é escandalosa, fere nosso orgulho e senso de justiça própria, mas quando entendemos que absolutamente ninguém é capaz de satisfazer as exigências de Deus para uma vida perfeita, então podemos nos prostar e agradecer o dom imerecido que recebemos sem qualquer esforço de nossa parte.
. Por Daniel Grubba . Via Soli Deo Gloria

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Imagens Reveladoras - 20

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De Volta para Casa

Me preocupo um pouco com certos pensamentos que me ocorrem em determinados momentos. O que de fato estamos aprendendo sobre quem somos, e o que estamos fazendo neste mundo? As respostas assustam ainda mais. É claro que, cada um de nós possui uma vida social, econômica e afetiva, mas, estamos priorizando as necessidades corretas? Estamos mantendo os olhos fixos no alvo? Sempre penso nisso, e acabo chegando a uma conclusão: Me imagino aqui na terra, como que me preparando para uma viagem fantástica, voltando para meu verdadeiro lar, depois de muito tempo distante. Para essa viagem, faço uma mala. O que estou carregando nessa mala pra apresentar diante de meu anfitrião são as obras, ações e decisões que tomei ao longo de minha vida nessa terra. E o que preparei? O que fiz com os anos que recebi? Não consigo deixar de pensar naquela famosa passagem em Lucas 12.13-21, sobre o rico insensato. O que estamos juntando neste mundo? Alguns, assim como o rico da parábola, acumulam riquezas; outros, sentimentos ruins. Cada um de nós possui em algum lugar, um depósito para guardar coisas a nosso respeito: sentimentos, traumas, dores e amores. É hora de reavaliar nossos depósitos. Reavaliar o que somos, o que estamos fazendo, e principalmente, para onde estamos indo. Para nós, que fomos resgatados, remidos pelo sangue de Cristo, a morte é apenas, a volta para casa. . Por J. Karen . Fonte: A verdade à qualquer preço . . Via Púlpito Cristão

1995 : o Boom dos Planetas Extra-Solares

( Foto jornal El Mundo )
Em 1955 os astrónomos Michel Mayor e Didier Queloz anunciaram a descoberta de 51 Pegasi b, um planeta que orbita à volta de uma estrela de tipo solar a 50 anos-luz da terra. Confirmado imediatamente pelos norte-americanos Geoffrey Marcy e Paul Butler, esta descoberta inaugurou um intenso percurso que conduziu à detecção de um total de mais de 400 planetas extrasolares contidos em cerca de 300 sistemas planetários.[...] . Continuar a ler AQUI , em Castelhano, no jornal El Mundo Online

A Sobrevivência da Civilização

"... A mais perigosa ilusão da nossa civilização consiste em o Homem pretender libertar-se totalmente da tradição e de todo o sentido preexistente, para abrir a perspectiva de uma autocriação divina. Esta "confiança utópica" e esta "quimera moderna" de inventar-se a si mesmo numa perfeição ilimitada "poderiam ser o mais impressionante instrumento do suicídio criado pela cultura humana". É que, "quando a cultura perde o sentido do sagrado, perde todo o sentido".

A religião não deve entrar no lugar que pertence à ciência e à técnica. Ela surge de outra dimensão, que "nos capacita para conviver com o fracasso, o sofrimento e a morte". Ela é o caminho que nos leva a "aceitar a derrota inexorável". Para a Humanidade, não há a última vitória, já que, "no fim, morremos".[...]

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Prof. Anselmo Borges

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Ler AQUI no Diário de Notícias de 21 de Novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

Celebrar as Diferenças

A terrível doença dos que não suportam as diferenças
Procusto, segundo a mitologia grega, era um famoso salteador que agia entre Mégara e Atenas. Atacava os viajantes, despojava-os de seus bens e submetia-os a cruel suplício. Forçava-os a se deitarem em um leito que nunca se ajustava ao seu tamanho. Cortava as pernas dos que excediam a medida e, por meio de cordas, esticava os que não a atingiam. Ficou conhecido como "aquele que estende". Essa faceta trágica por trás de uma "hospitalidade" ilusória ainda é encontrada em muita gente na conturbada atualidade. O mal de Procusto é encontrado nos esforços para anular todas as diferenças. É preciso entender que existem diferenças que podem e precisam ser, equilibradamente, celebradas. Infelizmente, grande parte da igreja hodierna carrega neuroses em relação ao diferente. É comum encontrarmos pessoas estigmatizadas por suas diferenças: mães solteiras, viúvas, pobres, ou até mesmo, as diferenças geradas pelas guerras das denominações, o conflito imposto pelos adeptos de "novas" visões, das teologias asfixiantes do legalismo. Diferenças que geraram traumas, marcas profundas, feridas na alma. A base para a celebração das diferenças está no respeito, na ética que eleva o outro e o recebe como amigo na alma. Existem diferenças fundamentais que precisam ser combatidas por causa do mal que trazem, como por exemplo, a mentalidade racista, preconceituosa, os desvios de caráter que podem comprometer a saúde da alma. Diferenças letais. Não são essas diferenças doentias que quero abordar, mas as sadias, aquelas que nos conferem singularidade, e por isso mesmo estão sendo novamente roubadas pelo mal de Procusto. Procusto hoje é o radicalismo do "é assim que é, e pronto!" É a tendência de "esticar e cortar" o que destoa do meu modo de ver a vida até que o indivíduo tenha a cara que eu quero. Quando a igreja age assim, adultera o sentido bíblico do Cristo - ele celebrava as diferenças! Basta olhar o grupo de discípulos que ele escolhe: de trabalhadores a cobrador de impostos, gente das diferenças. Gente escolhida não por ser uma eterna igualdade da massa informe, mas por ter a capacidade de ser-quem-é. Na atualidade, há uma gama enorme de pessoas marcadas, gente com uma história de dor pra contar. Essas pessoas foram à igreja em busca de abrigo e descanso para a alma, mas encontraram a terrível cama de ferro do legalismo e o Procusto das teologias ditatoriais. Deus não instituiu uma máfia eclesiástica, Ele instituiu uma igreja - gente simples celebrando as diferenças em amor. A igreja é feita das diferenças. Famílias diferentes, de lugares diferentes, com problemas diferentes - ninguém é igual. O que precisamos aprender com Cristo - o Mestre da sociabilidade - é a virtude de enxergar o outro como irmão e ajudá-lo a crescer independentemente de sua formação, posição social (o lixo das diferenças de classe) ou a cor da pele. A igreja pode celebrar as diferenças porque Cristo as celebra. Procusto, segundo a mitologia, foi morto por Teseu, que infligiu-lhe o mesmo martírio que ele infligia às pessoas. O que aprendemos aqui é que a "Lei da Semeadura" (o que plantarmos, colheremos) também se aplica a esse comportamento. Aqueles que atropelam as diferenças serão atropelados por elas mais tarde. Que Deus nos ajude a celebrar diferenças, a "suportar uns aos outros em amor" (Ef.4.2), e crescer em unidade, intimidade e carisma. Somente assim poderemos ganhar as nações para o abraço de Cristo. Até mais...
. Por Alan Brizotti . Via Hermes Fernandes

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Fotos Reveladoras - 19

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Amar o Mundo...

[ Título original : E você, quanto ama o mundo? ]
.. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito...” João 3:16
Imagino que haja muitas objecções a este raciocínio. A primeira baseia-se em 1 João 2.15: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”. A solução é fácil. Apesar de os dois textos usarem a mesma palavra, “kosmos” (mundo), em João 3.16 ela se refere ao mundo físico ou humano, enquanto em 1 João 2.15 se refere aos valores negativos de um “mundo” pecaminoso. Voltando à pergunta do título, se Deus amou o mundo a ponto de dar seu único Filho, qual é a medida do nosso amor pelo mundo? Surge então a segunda objeção: Será que João não está se referindo ao mundo de pessoas em vez de se referir ao mundo físico? Ele está falando do mundo de pessoas sim. Aqui, “mundo” claramente se refere aos dois aspectos do mundo criado por Deus: humano e não-humano. Basta ler João 1.9-10. Talvez a conexão entre os dois fique mais clara se considerarmos Romanos 8.18-25, em que a salvação da humanidade e do mundo não-humanos é interligada. Toda a criação um dia será “salva”, isto é, renovada e recuperada. Porém, de acordo com Romanos 8, esta redenção da criação só acontece depois da salvação dos seguidores de Cristo. E o motivo é que, embora a redenção venha sempre e unicamente de Deus, ele próprio incumbe o seu povo de ser instrumento para anunciar tal redenção. Por isso, o povo de Deus, a igreja, tem um papel importantíssimo na redenção da criação. Certamente, entre outras coisas, isso implica num compromisso ativo que os ecologistas chamam de “conservação”. A palavra preferida das Escrituras parece ser “redenção” ou “renovação”. Basicamente, o que Paulo descreve em Romanos 8 é o que o visionário João fala em Apocalipse quando descreve o novo céu e a nova terra. Agora talvez já tenha surgido uma terceira objeção à ideia de “amarmos este mundo como Deus amou”. Afinal, a Bíblia não afirma que este mundo físico, antes do fim dos tempos, se desfará? Então, por que tanto esforço para conservá-lo? Será que a Bíblia ensina que o mundo físico que conhecemos um dia não mais existirá? Vejamos 1 Pedro 3.7 e 12. Ambos os versículos falam da “destruição” por meio do “fogo”, tanto na maioria das nossas traduções quanto no original. Lendo esses versículos isoladamente e fora do seu contexto, só podemos concluir que o mundo físico aguarda, de fato, uma destruição futura total, uma aniquilação e o desaparecimento, assim como o fogo transforma a madeira em cinzas. Porém, o versículo 6 muda esta leitura. Os céus e a terra, isto é, o mundo físico, serão destruídos, consumidos pelo fogo, “da mesma forma” que o mundo físico anteriormente foi destruído pelas águas. Que tipo de “destruição” é essa? Por um lado, tal destruição certamente não é aniquilação, obliteração, e extinção total. Pois, depois do dilúvio, o mundo continuou a existir. Porém, tal destruição não ocorreu sem dor e sem estrago substancial. Portanto, a destruição do dilúvio e do mundo futuro “envolve grande dano, mas não a inexistência”. Outros usos desta linguagem nas escrituras apontam para a ideia de purificação e transformação, um processo doloroso e abrangente (Ml 3.1-4; 1Co 3.12-15). Isto significa que “novos céus” e “nova terra” não são “outros céus” e “outra terra”, mas céus e terra renovados, da mesma forma que Cristo nos transforma em novos homens e novas mulheres, isto é, não fisicamente em outras pessoas, mas em pessoas renovadas, e assim, em outras pessoas interiormente. Voltamos à pergunta inicial: Quanto nós amamos este mundo? Quanto amamos a criação de Deus, que ele próprio pretende renovar? Qual é a nossa ação atual de manifestação deste amor? . Timóteo Carriker . in revista Ultimato

Planet Earth Lisbon 2009

Lisboa foi escolhida para receber o evento de encerramento do Ano Internacional do Planeta Terra devido ao sucesso da participação portuguesa. São esperados representantes de vários países e milhares de participantes que vão conhecer formas de proteger os recursos naturais. [...] . LER AQUI

Aquecimento Global Continua Imparável

( Foto D.N. )
Nas vésperas da Cimeira de Copenhaga continuam a ser produzidos estudos que mostram uma aceleração da produção de gases com efeito de estufa. Mas neste caso há uma conclusão mais grave: os sistemas naturais de absorção de dióxido de carbono (oceanos, florestas) estão a ficar menos eficientes [...] . Ler AQUI

Código da Vinci : Pior Livro do Ano para o "The Times"

( Foto jornal Diário de Notícias )

Foi o grande 'best-seller' dos últimos anos, mas o suplemento de literatura do 'The Times' não fez concessões aos sucessos de vendas: 'O Código da Vinci', de Dan Brown, foi considerado o pior livro da década. O melhor é 'A Estrada', de Cormac McCarthy.

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Em todo o mundo, 'O Código da Vinci' vendeu mais de 70 milhões de exemplares e catapultou para a ribalta o seu autor, o americano Dan Brown, cujos 'thrillers' se debruçam sobre temas que têm tanto de polémico como de esotérico. Há quem o considere brilhante, para outros não passa de um escritor banal. Para os críticos do The Times, 'O Código da Vinci', publicado em 2003, tropeça logo na introdução, que se assemelha a uma notícia de tablóide. [...]

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Continuar a ler AQUI no jornal Diário de Notícias de 19 de Novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Futuro está no Passado

Vivemos uma encruzilhada de perplexidade e de pasmo nesse momento da história do Ocidente, ou de nosso ocidentalizado planeta. Chegamos mais uma vez, dessa vez de modo mais intenso que nas demais, ao momento de seguir em frente e decidir por uma direção. Isso não é novo na história humana, muitas vezes já estivemos aí.
Várias dessas vezes, civilizações, povos e nações tomaram o rumo errado que acabou em auto-destruição, tragédia, morte e extinção. Culturas se perderam e hoje seus vestígios são motivo de visitas a museus e sítios arqueológicos. Outras, infelizmente em menor número, tomaram direções por vezes menos glamourosas, menos evidentes, mas que lhes permitiu continuar. E mesmo dentro de histórias onde uma segunda chance foi desperdiçada, vemos momentos em que anteriormente se soube mudar a maneira de pensar e mudar a rota de colisão.
Seja em que campo for: economia, meio ambiente, família, mobilidade, artes, pobreza e riqueza, ensino e aprendizagem, política, em qualquer campo, os sinais de degradação e o cheiro putrefato de decomposição se fazem notar. Diante desse quadro alguns se perguntam e projetam como pode vir a ser o futuro, como superar o momento presente e criar um novo, como administrar de modo a perpetuar e permitir a continuidade de nosso estilo de vida moderno e ocidental. [...] . Continuar a ler AQUI no blogue de Hermes Fernandes

19 de Novembro - Dia Internacional da Filosofia

( Foto jornal I )

Elogio da educação filosófica
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Sei que há pouca gente a dar por isso, mas hoje é o Dia Internacional da Filosofia. A data em si, determinada pela UNESCO para a terceira quinta-feira de cada Novembro, é irrelevante. Mas o dia serve para recordar a importância da educação filosófica na formação dos jovens e dos cidadãos. Aprender a filosofar significa, antes de mais, ser capaz de levantar as grandes interrogações da humanidade: o mistério da existência, o alcance do nosso conhecimento, a possibilidade da transcendência, a estrutura da realidade sensível, a destrinça entre o bem e o mal, a definição de uma sociedade justa, a justificação dos direitos do homem, etc. Mas significa também - e sobretudo - ser capaz de tratar estes e outros quesitos de um modo informado, em diálogo com as ciências e as humanidades, com espírito analítico, rigor argumentativo e abertura de espírito. Temos de reconhecer que, muitas vezes, este ideal não tem sido alcançado no ensino da filosofia. Na nossa tradição, a filosofia confundiu-se demasiadas vezes com uma retórica vazia, ou com a mera arqueologia das ideias do passado. Mas Platão, Tomás de Aquino, Kant ou Rawls não têm culpa nenhuma disso. Ainda que não estando sempre à altura das suas responsabilidades, o exercício filosófico, quando honesto e exigente, desempenha um papel fundamental no esforço colectivo para pensar com a maior clareza possível as questões que mais importam. Na semana passada, o filósofo inglês Anthony Kenny realizou uma palestra no Instituto de Estudos Políticos da UCP, sobre "A Ideia de Universidade". Na sua prelecção, Kenny enfatizou a importância da educação filosófica, muitas vezes associada àquilo que se chama nos Estados Unidos os "Liberal Arts Colleges". Nestas instituições, os alunos fazem licenciaturas plurais, com um pouco de ciências formais e naturais, um pouco de humanidades e história, e travam conhecimento com as grandes questões filosóficas e as teorias que as abordam. Só depois seguem percursos mais específicos e profissionalizantes, na gestão ou na economia, na medicina, no direito, etc. Infelizmente, a estrutura curricular do ensino universitário em Portugal não permite acolher esta tradição das "Artes Liberais" e a inserção da filosofia numa formação geral dos jovens - numa "paideia", como diziam os gregos. No entanto, a filosofia no ensino secundário, quando leccionada por professores talentosos, pode propiciar o despertar intelectual dos adolescentes. Da mesma forma, a filosofia ao nível da licenciatura pode conferir uma capacidade de inquirição e análise conceptual que se costuma revelar especialmente útil a todos aqueles que, depois, fazem estudos noutras áreas ou se lançam no mercado de trabalho. Por fim, a filosofia tem um valor especial na construção da cidadania. Nos tempos que correm, precisamos mais do que nunca da radicalidade da filosofia, da sua capacidade para pôr tudo em causa e conferir novos fundamentos à esperança.
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Por : João Cardoso Rosas
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In Jornal I de 19 de Novembro de 2009