quinta-feira, 31 de março de 2011

EFEMÉRIDES

A 31 de Março de 1492, é assinado o decreto de expulsão dos judeus de Espanha.







A 31 de Março de 1821, data da extinção da Inquisição em Portugal.



Fonte: Por Terras de Sefarad

No Sossego e na Confiança...


O dia de hoje reservou-me, num dos devocionais que habitualmente leio, a reflexão abaixo, de Spurgeon,  que me parece bastante a propósito dos momentos pelos quais o mundo, em particular a Europa e em especial Portugal,  com os seus problemas económicos e sociais, está a passar; mas também muitos países do Norte de África, cujas populações aspiram a uma verdadeira democracia e a direitos cívicos e sociais. Não sabemos onde tudo isto nos conduzirá  mas, como cristãos, precisamos ser gente com um nível de estabilidade espiritual e emocional que terão que  radicar no Senhor das  nossas vidas. Ele é a fonte de toda a vida, de  todas as certezas, de toda a estabilidade. Como dizia o Salmista, "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam".  É por isso que nesta hora de grandes incertezas e de todas as dúvidas, o cristão deve mostrar, no seu círculo de influência, responsavelmente, a proveniência das suas certezas e o caminho para a Fonte de águas tranquilas. "Voltando e descansando, sereis salvos; no sossego e na confiança estará a vossa força" ( Isaias 30:15 ).


Jacinto Lourenço







Não temas o pavor repentino nem a assolação dos ímpios quando vier. Porque o Senhor será a tua esperança, e guardará os teus pés de serem presos.

( Provérbios 3:25,26 )


Quando Deus sai para juízo, não que que o Seu povo tenha temor, porquanto Ele não sai para danificar, mas para defender os justos.
Ele quer que mostrem o seu valor. Os que gozamos da presença de Deus, deviamos manifestar presença de ânimo e, porque o Senhor pode vir de repente, não devemos mostrar surpresa por qualquer acontecimento repentino. A serenidade sob o ímpeto e o estrondo de males inesperados é um precioso dom do amor divino. O Senhor quer que os seus escolhidos tenham discernimento para ver que a ruína dos ímpios não é uma calamidade para o universo. Somente o pecado é mau; o castigo que o segue é como sal preservativo que guarda a sociedade da corrupção. Devíamos indignar-nos mais contra o pecado, que merece o inferno, do que contra o inferno que é o resultado do pecado.

Assim mesmo, o povo do Senhor deverá mostrar grande quietude de espírito. O diabo e a sua semente estão cheios de todo o engano, porém os que andam com Deus não serão tomados nos seus braços enganosos. Segue adiante crente em Jesus e deixa Deus ser a tua confiança.

C.H. Spurgeon

quarta-feira, 30 de março de 2011

Poema em Ladino



















LAS PALABRAS



Las palabras
devienen madeshas
las vo despiegando
las vo rodeando
hasta que piedren su senso
locas de no ser.
Yo las amaso de muevo
y les do vivenza,
nacen a ser mi pan,
nacen a ser mi vino,
no se arugan
en el tiempo
de la zona eternel.




Margalit Matitiahu





Fonte: Por Terras de Sefarad

terça-feira, 29 de março de 2011

Que Cristianismo Vivemos ?




Pr. Martin Luther King, Robert Raikes, William Wilberforce, Dietrich Bonhöeffer, Pr. Jaime Wright, Missionário Manoel de Mello, Dom Oscar Romero e Dom Paulo Evaristo Arns. Qualquer estudioso que se preze chamaria estes homens de fé de heróis da humanidade.



Olho pra todos os lados, para as páginas dos jornais, para o noticiário frenético da televisão, para a tela fria das redes sociais, e o meu coração só consegue exprimir uma única pergunta ao Deus Todo Poderoso: “O que fizeram com o Cristianismo?”.





Na esteira da indigência cultural de uma geração despreparada para pensar e argumentar, cresce a aceitação de livros e artigos de ateus militantes como Richard Dawkins, Daniel Bennet, Sam Harris, Christopher Hitchens, entre tantos outros. Na leitura de suas diatribes, tão agressivas quanto infantis, não reconheço o Deus de que estão falando, contra cuja existência se apresentam tão irados. O Deus cuja menção provoca ira nestes ateus é um carrasco, misógino, e quando eventualmente fala de amor, não está nem mesmo sendo original, porque repete o que outros já haviam dito antes. Um tipo de Deus que os faz concluir que o mundo, refém de guerras religiosas e fanatismos vários, ficaria melhor sem Ele. De onde tiraram isso? Quando foi que a mensagem cristã, o Evangelho de Jesus começou a ser associado ao obscurantismo, ao atraso?



Eu me faço esta pergunta, mas no fundo, sei a resposta. Sim, sim, eu também conheço o Deus de quem falam estes ateus. Eu o vejo por aí, na pregação não menos histriônica e infantil de líderes religiosos pretensamente cristãos. Como esperar que um europeu pós-moderno veja algo de bom num Deus propagado por padres pedófilos? Como esperar que um sul-americano minimamente honesto não sinta sua inteligência agredida quando fica claro que o pastor mantém o padrão de vida de um executivo ás custas da contribuição dos fiéis, que passa a ser apresentada como uma “semente”, na maior empulhação teológica dos últimos tempos? Como esperar que um homossexual acredite que Deus ama o pecador apesar do seu pecado, quando líderes influentes do segmento evangélico os tratam com evidente desamor, agravando ainda mais a sua já tão dura rejeição social? Como apresentar um Deus de amor se a imagem que se revela é de líderes egoístas, autocentrados, manipuladores, despóticos e hipócritas na sua intimidade?



Este não é o meu Deus! Do fundo do meu coração, este não é o meu Cristianismo! Não é esta a fé que a Bíblia Sagrada me mostra. A Palavra Revelada apresenta um Deus que emancipa e promove o homem, não um deus que o massacra, o restringe, o manipula.



O Evangelho em que creio fala de um Emanuel, um “Deus-conosco” que aceitou jantar na casa de um político corrupto chamado Zaqueu, que já apanhava o suficiente dos fariseus e não havia mudado, mas encontrou no amor de Jesus uma motivação para transformar sua vida completamente. Um Deus que supera o simples moralismo, de antes e de hoje.



O Evangelho que eu li fala de um Jesus que comia na casa de um fariseu (sim, de um fariseu!) e que acolheu o gesto desesperado de uma prostituta derramando óleo de nardo, perfume caríssimo, provavelmente comprado com o dinheiro do pecado, a seus pés. Alguém que finalmente viu o desespero de uma mulher que se entregou a tantos porque estava em busca de amor, e foi liberta justamente quando Ele disse que ela “muito amou”.



O meu Cristianismo é o que inspirou John Milton e Willian Wilberforce a lutar pelo fim da escravidão na Inglaterra. É a mensagem que motivou o jornalista metodista Robert Raikes a alfabetizar filhos de operários usando a Bíblia Sagrada em plena Revolução Industrial, criando a primeira Escola Bíblica, mãe do ensino público fundamental na Europa.



O meu Cristianismo moveu homens na luta contra regimes autoritários. Dietrich Bonhöeffer e Martin Niemöller na Alemanha nazista, Dom Oscar Romero em El Salvador, e figuras como o cardeal católico Dom Paulo Evaristo Arns, o pastor presbiteriano Jayme Wright e o missionário pentecostal Manoel de Mello na ditadura militar do Brasil.



O Cristianismo em que eu creio motivou uma mulher negra chamada Rosa Parks a não ceder seu lugar a um branco no ônibus, dando o primeiro passo para a marcha liderada por Martin Luther King. Num tempo de ódio e revanchismo incitado por Malcolm X, o sonho de King incluía negros e brancos lado a lado.



A fé em que creio sempre caminhou semeando mudanças que nos levaram adiante. Não reconheço a mensagem da Cruz neste pseudo-evangelho triunfalista, reduzido apenas à moralidade. Deste “outro evangelho”, Hitchens, Dawkins e outros que tais, podem falar à vontade. Que eu até ajudo.



Fonte: pr. Cláudio Moreira no  Genizah 

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tempo Pascal é Tempo de Vida e de Esperança

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Para onde quer que nos voltemos, vimos, ouvimos, lemos sempre sobre o tema genérico que domina os meios de comunicação. Já aprendemos que o que faz vender notícias não são as boas notícias, mas as más notícias. Temos esta tendência tétrica para nos concentrarmos nos factos e acontecimentos negros e trágicos, e quanto mais negros e trágicos melhor. Afundamo-nos nas letras garrafais dos jornais que empolam tudo o que lhes possa render tiragens ou nas imagens lúgubres que os telejornais nos fazem chegar à hora certa da família. Deixamo-nos enredar mais facilmente por um clima negativo do que pelas coisas positivas que estão todos os dias à nossa frente.
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Não acho que devamos abstrair-nos do que se passa à nossa volta, mas também não acho que nos devamos, pura e simplesmente, render aos ciclos menos bons como se a vida fosse apenas uma tela borrada de  negro.
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Os cristãos passam pelas mesmas dificuldades que todas as outras pessoas passam, mas há algo que deve estar permanentemente na sua cabeça e no seu coração: um cristão é alguém cuja visão é mais alta. Ser cristão significa estar pronto para encarar as situações com os olhos postos em Deus e nas certezas que Ele tem para nós. É ser um optimista no meio do pessimismo; afinal, aquilo que Jesus disse é que devíamos ser Luz no meio das trevas e Sal num mundo insosso. Neste período de Páscoa, onde a esperança renasce, onde novos horizontes estão à distância de um dedo; onde a morte é vencida pela vida. Onde Jesus já pagou todos os resgates, saibamos ser sorrisos e alegria contra todas as correntes de tristezas agónicas. E p isso significa  não nos  deixarmos levar nesta corrente geral de sentimentos negativos quanto ao presente e futuro. É isso que Jesus espera de nós, que no meio das crises saibamos reagir, saibamos pôr ao serviço dos homens aquilo que aprendemos de Jesus ressuscitado.                                                                     

Mostrar capacidade de reacção positiva no meio do sofrimento geral,  mesmo se também nós estivermos a ser atingidos, não é apenas estoicismo humano, é igualmente demonstração de plena fé nas capacidades eternas de Deus e na sua direcção divina para os homens e mulheres que mostram ser capazes de irem além de si próprios, sabendo que nunca estarão sózinhos nesse desígnio.                                                      

Aquilo que Deus espera de nós, neste momento, é que a sociedade possa ver-nos como alguém que não perde a sua tranquilidade, a sua fé, o seu discernimento espiritual, a sua capacidade de um olhar com justiça e de manter uma opinião elevada sobre todos os contextos. É nestas ocasiões difíceis que se mostra a grandeza de espírito e a presença da fé que nos alimenta.                                                            

Aprendemos que nos ciclos negativos da vida a fé se prova de uma maneira muito mais extraordinária. A fornalha aquece, torna-se quase insuportável, mas Deus está no controlo e conhece os nossos limites. Saibamos, como filhos de Deus, nestes momentos de tormenta, obter de Jesus a paz que está a faltar a tantas vidas. Que cada filho de Deus seja um referencial de esperança, neste período pascal, de calma no meio da tempestade, de temperança e estabilidade emocional e que mostre isso no pequeno circulo em que se integra. Parece simples dito assim, não é ? Mas não vai ser nada fácil. Teremos que fazer uso daquele estoicismo que recebemos da nossa natureza espiritual. O apóstolo Paulo dizia que quando estava fraco então era forte, e vai ser assim connosco também. Mas isso só é possivel aos filhos de Deus, aos que têm uma fé viva, um compromisso com Cristo.
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Hoje li Deuteronómio 28:13 - «E o Senhor te porá por cabeça e não por cauda» - num devocional de Spurgeon que me acompanha há muitos anos; a determinado passo diz o autor: "Não tem o Senhor Jesus feito sacerdotes do seu povo? Certamente estão os d'Ele chamados para ensinar e não para aprender filosofias dos incrédulos[...]. Há-de a nossa fé arrastar-se como uma cauda ? Não deveria antes mostrar o caminho e ser a força predominante em nós mesmos e nos outros ? "
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Que esta filosofia dominante de derrota, que nos servem todos os dias a todas as horas, não nos atinja da mesma maneira que está a atingir as pessoas à nossa volta. É possível que fiquemos  sem alguns anéis, mas o importante é mantermos os dedos. O importante é a vida humana e aquilo que podemos construir com ela. É para isso que Deus olha. É essa a lição da Páscoa. É nisso que eu me quero fixar. Arregacemos pois as mangas e preparemo-nos para ser Luz , Sal, justiça  e direcção num mundo em aflição e sem nenhuma certeza no amanhã. E isto não é teoria, é prática; isto não se opera ao apenas ao domingo na igreja, é na vida diária em sociedade, onde partilhamos a existência, que devemos marcar a diferença com sensibilidade e atitudes. Aproveitemos pois este singular tempo de ressurreição e vida para o fazer efectivamente.
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Jacinto Lourenço

sábado, 26 de março de 2011

A análise de Guerra Junqueiro ao Portugal de finais do Século XIX. Dá que Pensar quando Olhamos para o Portugal de Hoje...

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"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
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. Guerra Junqueiro, Pátria, 1896

sexta-feira, 25 de março de 2011

O meu Grito do Ipiranga...

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Não tenho particular afeição por pessoas ou coisas que procurem cercear a liberdade individual de cada um. Este meu Blogue, o Ab Integro nasceu precisamente desse sentimento e dessa necessidade de dizer e escrever o que penso e sinto sem o exame prévio de ninguém ou mesmo de qualquer auto-censura empacotada em pressões externas. Hoje não aguentei mais a falta de liberdade que o anterior template que utilizava na edição do Ab Integro me tentava impor e mandei-o às urtigas. Escolhi um novo, que não me desconfigurasse os textos que edito, especialmente os poéticos, e que tantas vezes me inibi de publicar, não porque não goste de poesia - bem pelo contrário - mas porque a respeito demasiado e aos poetas. É por isso que o meu Blogue tem agora um aspecto gráfico diferente e, afinal, mais a ver comigo, que gosto de me ver rodeado de livros. Dei o meu Grito do Ipiranga; proclamo que, a partir de agora, mesmo não sendo um Blogue de poesia, esta terá o lugar de destaque que merece, por direito próprio, sem que eu passe horas a inventar artimanhas para contrariar as "maldades" do template. Os pormenores irão agora ser corrigidos gradualmente, sem pressas.
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Nada melhor do que Pessoa para celebrar a minha liberdade de editar o que quero, como quero e quando quero.
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Nada melhor do que Fernando Pessoa para celebrar a Liberdade, que pertence aos portugueses, de tomarem os destinos do seu próprio país entre mãos e partirem rumo à descoberta de novas soluções e novos rumos. Desfraldar as velas e reinventar portugal e os portugueses, dando de novo uma lição a quem, por esse mundo fora, nos quer tomar por imbecis .
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J.Lourenço
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O INFANTE
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Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.

. Deus quiz que a terra fosse toda uma,

. Que o mar unisse, já não separasse.

. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

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. E a orla branca foi de ilha em continente,

. Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

. E viu-se a terra inteira, de repente,

. Surgir, redonda, do azul profundo.

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. Quem te sagrou creou-te portuguez.

. Do mar e nós em ti nos deu signal.

. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.

. Senhor, falta cumprir-se Portugal!

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Fernando Pessoa in Mensagem

Valeu a Pena ?

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Ó mar salgado, quanto do teu sal
. São lágrimas de Portugal!
. Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
. Quantos filhos em vão rezaram!
. Quantas noivas ficaram por casar
. Para que fosses nosso, ó mar!
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Valeu a pena? Tudo vale a pena
. Se a alma não é pequena.
. Quem quer passar além do Bojador
. Tem que passar além da dor.
. Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
. Mas nele é que espelhou o céu.
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Fernando Pessoa in Mensagem

quinta-feira, 24 de março de 2011

"O Horizonte" no dia dos Medos...

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Adormecemos ontem e acordámos hoje com os mesmos sons da crise. O governo a meter-nos medo e as oposições a desejarem o "pote". Os portugueses, falo do povo, já venceram outras crises anteriores, já ultrapassaram medos sem sentido, já foram onde outros mais poderosos não arriscaram porque talvez lhes tivesse faltado a chama ou a audácia para irem. Já abriram mundos. É por isso que esta crise não passa de mais uma que teremos que vencer mesmo se não a provocámos. Crises, afinal, são oportunidades, mesmo que os trajectos sejam dolorosos e difíceis.
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Eu acredito nos portugueses, no povo, e na sua capacidade de enfrentar os medos e superar os "monstros" que se agitam e esbracejam prontos para nos devorarem nos altares profanos da política mesquinha. É por isso que hoje publico este poema de Pessoa. Afinal, "O sonho [ dos portugueses ] é ver as formas invisíveis".
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JL
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Ó mar anterior a nós, teus medos
+ Tinham coral e praias e arvoredos.
+ Desvendadas a noite e a cerração,
+ As tormentas passadas e o mistério,
+ Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
+ Splendia sobre as naus da iniciação.
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+ Linha severa da longínqua costa -
+ Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
+ Em árvores onde o Longe nada tinha;
+ Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
+ E, no desembarcar, há aves, flores,
+ Onde era só, de longe a abstracta linha.
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+ O sonho é ver as formas invisíveis
+ Da distância imprecisa, e, com sensíveis
+ Movimentos da esp’rança e da vontade,
+ Buscar na linha fria do horizonte
+ A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
+ Os beijos merecidos da Verdade.
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Fernando Pessoa in Mensagem

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um dia, isto tinha de acontecer...

+ + + Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma, Certamente! +
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Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam. Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras. Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós). Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalhambem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida. E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!! Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço? + + + +
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segunda-feira, 21 de março de 2011

Um Poema Inédito de João Tomaz Parreira no Dia Mundial da Poesia

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ENSAIO A DECORRER SOBRE AS PALAVRAS
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As palavras são, por vezes, cruéis
+ param
+ na altura em que mais precisamos delas
+ recusam-se
+ a abrir o cálice como uma rosa entardecida
+ que já não consegue segurar a beleza
+ aos nossos olhos
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Por vezes as palavras
+ fazem um intervalo, sem ponte
+ entre o terrível e o encanto
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As palavras não têm o mínimo empenho
+ na harmonia que está na cabeça
+ do poeta, enquanto
+ irrompem pelos dedos fora
+ e depois hesitam
+ e voltam-se para trás
+ como se à quebrada porcelana
+ do ovo a gema pudesse regressar
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As mais cruéis são aquelas
+ que desaparecem depois
+ para um lugar dentro de nós
+ a que não podemos ir
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Por vezes, as palavras
+ abrem o estore de uma janela
+ sobre o mundo e depois
+ recolhem a penumbra
+ e escreve-se estrela, mas não
+ era isso que queríamos dizer.
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+ 14/3/2011
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Poema inédito de João Tomaz Parreira
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( Colaborador no Ab Integro )

sábado, 19 de março de 2011

"A Lenda de uma Judia de nome Ofa"

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Haverá por acaso lugarejo, vila ou cidade em Portugal, que não preze ter nas suas ancestrais memórias, lendas referentes a "mouras encantadas" ?
+ Será muito raro concerteza. Já sobre "judias encantadas" o caso muda de figura. Mas há factos na nossa história, e algumas lendas, de como estas últimas, reviraram completamente do avesso a alma e o coração de alguns venustos cavaleiros cristãos.
+ Conto-vos hoje a lenda da Serra da Marofa, serra esta, que se situa na Beira Interior, distrito da Guarda, município de Figueira de Castelo Rodrigo.
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+ "Amar Ofa"
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Com a expulsão dos judeus no país vizinho, muitas foram as famílias que atravessaram a nossa fronteira. Beneficiou desse enorme êxodo o nosso reino, e D. João II, que afortunadamente matou dois coelhos de uma só vez: os cofres encheram-se de moedas das portagens pagas por cabeça, e ficamos com mesteirais especializados em muitas artes necessárias à expansão em curso.
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Numa dessas famílias de judeus vindos de Espanha, havia uma linda moça de nome Ofa. Esta família terá decidido construir o seu novo lar numa das encostas da serra. Perante tal beleza, as notícias de alguém tão formoso, ecoaram rapidamente pela região, até chegarem aos ouvidos do filho de um fidalgo português, que ao conhecer Ofa, se apaixonou perdidamente pela donzela.
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Porém, novos e terríveis factos políticos alteraram para sempre o curso da história nacional. Em 1496, quatro anos depois da chegada destes milhares de refugiados, o novo rei D. Manuel I, decretava a conversão forçada, ou, a expulsão de Portugal de todos os judeus que não aceitassem a religião de Cristo.
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A família de Ofa decidiu ficar, convertendo-se à nova fé, e assim, tornaram-se cristãos-novos, algo que há muito o jovem fidalgo desejava ardentemente. Contente, D. Luís pediu a mão da sua amada à família desta, ao mesmo tempo, que sabia do desgosto que provocava na sua própria família. Indiferente a tudo e a todos, este cavaleiro tinha o hábito de cavalgar até à serra, (vai-se lá saber o porquê) e aí, dava azo à sua enorme felicidade, gritando bem alto. "Vou amar Ofa/Vou amar Ofa".
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Após muitas peripécias, os noivos acabaram por se casar no Mosteiro de Santa Maria de Aguiar.
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Ficou para sempre a lenda e a designação de "Serra da Marofa", uma justa homenagem ao amor entre uma judia e um cristão.
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sexta-feira, 18 de março de 2011

O Gervásio é que é o Patrão e não é para Brincadeiras, não...

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quinta-feira, 17 de março de 2011

A Cultura do Penacho.

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Na corte de Filipe III [de Portugal ], em Valladolid, os Castelhanos zombavam da soberba e vaidade dos portugueses: «não cuida um fidalgo português se não em que entrando na Corte, a hão-de assombrar, com os seus lacaios mais rica e custosamente vestidos do que nunca seus bisavós o fizeram nas suas vodas».
+ + ( José Mattoso [coord.] -História de Portugal V.III )
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Todos os dias identifico neste meu país razões para acreditar que somos um povo particular e, em alguns casos, único. Isso será bom e será mau, conforme os casos. Temos grandes virtudes e péssimos defeitos. Tendemos a minimizar as virtudes e maximizar os defeitos; Chamam a isso uma baixa auto-estima. Talvez seja. Mas há situações que põem a nu péssimos defeitos da nossa idiossincrasia colectiva e que, a meu ver, traduzem traços algo doentios da personalidade lusitana, como se demonstra, aliás, pela citação que encima este texto. Os nossos defeitos colectivos são verificáveis ao longo da história e mantêm-se vivos, para desgosto, na actualidade.
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Esta semana desloquei-me com a minha esposa a uma consulta de estomatologia numa clínica em Lisboa afim de ela ser atendida em urgência. Embora algo reputada, esta clínica atende pessoas de variadíssimos estratos sociais mercê de contractos celebrados com larga diversidade de entidades seguradoras e de segurança social. Não é, portanto, uma clínica elitista, longe disso.
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Enquanto a minha esposa aguardava a sua vez, lá ia ouvindo a recepcionista chamando pontualmente os nomes das pessoas que ali estavam para consulta. Espantoso não é por termos estado três horas à espera por uma marcação de urgência, porque esse é um outro defeito, o de não se respeitarem horários previamente estabelecidos para o atendimento público, a minha estupefacção deve-se à forma como a recepcionista chamava alguns utentes: "sr. engº fulano de tal", "sr. dr. sicrano", e por aí fora. Ora a mim não me incomoda rigorosamente nada que a minha esposa não tivesse sido igualmente chamada fazendo-se menção do seu título académico ( facto que de certeza, a verificar-se, a deixaria incomodada ); o que acho desgraçadamente infeliz e estúpido, permita-se-me o termo, é o facto de algumas pessoas, ao marcarem uma simples consulta médica, encontrarem necessidade de mencionarem o seu título académico para que o mesmo seja usado no momento da chamada para o consultório. No caso da minha esposa, o nome que foi dado para marcação de consulta foi apenas o dela, sem mais nenhum apêndice que viria sempre a despropósito neste, como em qualquer outro caso similar, e foi pelo seu nome que foi chamada para atendimento.
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Imagino que uma pequena sala de espera de uma clínica dentária seja plateia exígua para egos a necessitarem deste tipo de afirmação pública, talvez preferissem um coliseu cheio, uma recepção lustrosa em qualquer palácio da nossa pobre república, um jornal tablóide desses de grandes tiragens com vacuidades proporcionais, quiçá uma revista cor de rosa dependurada nos escaparates de todos os quiosques de rua.
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É esta mentalidade, mesquinha, apoucada, ridícula, exibicionista, bacoca, que contribui também para impedir os portugueses, enquanto nação, de crescerem culturalmente. Colou-se-nos à pele há já muitos séculos e, qual sanguessuga, insiste em não nos largar. Somos talvez, neste registo, um "caso de estudo" a nível mundial já que dificilmente encontraremos paralelo em qualquer outro país minimamente desenvolvido. Pelos vistos, para muitos portugueses, o título académico, continua a ser sinónimo de ostentação mais do que uma ferramenta de trabalho e elevação cultural. Não vejo nada igual a isto no estrangeiro. Nunca ouvi, em lado nenhum que, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, ou de outro país, fosse tratado pelo seu título académico, e não ponho em causa o direito de que assim seja, ele ou outra pessoa qualquer com idênticas credenciais académicas. Mas em Portugal, um país com um passado que, apesar de tudo nos continua a honrar, há Adamastores que custam a ser desmistificados; culpa nossa, seguramente, e desta cultura do penacho que continua a fazer escola, para nossa desgraça cultural e social, e o pior é que isto se mostra tranversal a vários sectores da nossa sociedade.
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Jacinto Lourenço

quarta-feira, 16 de março de 2011

"O PIPOL E A ESCOLA" - Esta Redacção conquistou o Prémio Orelhas...

REDAXÃO
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'O PIPOL E A ESCOLA'
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Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem
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Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver
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q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente
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motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
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Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto
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Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem
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um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
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E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os
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Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas
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q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
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Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos
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profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os
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jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a
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sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é
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q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é
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livro desde o
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Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
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O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço
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de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de
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xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar
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um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?
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Colaboração de Luis Moreno via FB .

terça-feira, 15 de março de 2011

Alemães continuam a Surpreender-nos...pela negativa. O Regresso da questão Genética.

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A Alemanha pode não ter um partido ultra-nacionalista, mas o sucesso de vendas de um livro com comentários xenófobos e uma sondagem revela que quase dois terços dos alemães concordam com os comentários ao autor em relação aos imigrantes turcos e curdos, apelidados de "menoridades genéticas" no país.
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O sentimento anti-imigração não pára de crescer na Alemanha ou, pelo menos, mostrar a sua verdadeira dimensão, tema central de uma reportagem do The Guardian. Depois do recente ataque de um kosovar no aeroporto de Frankfurt, matando dois soldados dos EUA, o ministro do Interior, Hans Peter-Friedrich, afirmou que os Islão não tem lugar na Alemanha. Já em Outubro, a chanceler Angela Merkel afirmou que o projecto multi-culturalista germânico foi uma falhanço completo, lembra o mesmo jornal britânico.
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Os comentários dos políticos são apenas a ponta de um icebergue tendo em conta o sucesso do livro "Deutschland Schafft Sich Ab", escrito por Thilo Sarrazin, membro do conselho do Bundesbank (banco central germânico), que já vai na 14ª edição e é o mais vendido desde a II Guerra Mundial.
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Nesse livro, Sarrazin, filiado no Partido Social-Democrata (socialistas alemães), diz que os turcos estão a "tornar mais burra" a Alemanha devido à sua genética inferior e considera que este alegado facto "pode ser parcialmente responsável pelo falhanço de partes das populações turcas no sistema escolar germânico". O membro do Bundesbank escreve ainda que a consanguinidade entre turcos (5% da população alemã) e curdos está na origem desta "deficiência congénita" e que os imigrantes do Médio Oriente são "menoridades genéticas" da Alemanha.
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Numa sondagem publicada pela revista germânica Focus, 31% dos alemães consideram que o seu país está a "ficar mais burro" devido aos imigrantes e 62%, quase dois terços da população, dizem que os comentários de Sarrazin são "justificados". "Foi realmente chocante ver o número de intelectuais que disse que o tom de Sarrazin não é o correcto, mas que ele tem razão", criticou Mekonnen Meshgena, chefe do departamento de imigração e gestão multicultural da Fundação Heinrich Böll.
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Barbárie Inqualificável

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Udi Fogel, (37 anos), Ruth Fogel (36 anos), e os seus filhos Yoav (10 anos), Elad (4 anos) e Hadas (3 meses), foram assassinados sexta-feira à noite, enquanto dormiam. O crime foi cometido por um terrorista palestiniano das “Brigadas de Al-Aqsa” (ver Al Aqsa Brigades claims responsibility for West Bank killing). A brutalidade deste massacre deixa-me perplexo. Um leitor desatento poderá interrogar-se como será possível que alguém possa alguma vez considerar sequer a possibilidade de degolar uma pessoa, quanto mais uma família inteira; quanto mais uma criança de dez anos, e outra de quatro e ainda uma bebé de três meses. Mas um observador atento lê a descrição do massacre num site palestiniano ( “traduzido” para português via Google ) e compreende que a linguagem efusiva e as felicitações ao autor do crime apenas são possíveis numa sociedade que desumaniza “o outro”, que justifica e incita qualquer acto de terror contra qualquer israelita (bebés de três meses incluídos). Quem lê este blogue sabe onde me situo e saberá, por certo, que sempre defendi e defenderei a necessidade da paz. Mas, honestamente, como se pode falar de paz com alguém que olha uma bebé de três meses nos olhos para depois a degolar? Alguns virão lembrar que a Autoridade Palestiniana condenou o massacre. E que o Hamas negou qualquer envolvimento. Mas é a passividade (para não dizer pior) dos primeiros e o acicate constante dos últimos que mantém em lume brando o ódio extremo e a cultura de morte que permitem que uma família de cinco pessoas seja degolada enquanto dorme. E não me venham dizer que ser colono ou deixar de ser colono pode constituir uma justificação qualquer que atenue a gravidade do crime. Porque quem assim pensar estará muito próximo do nível de quem o perpetrou. + +
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Telescópios do Observatório Astronómico de Lisboa estão Cegos...

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Em 150 anos, os telescópios do Observatório Astronómico de Lisboa ficaram praticamente cegos com a luz da cidade que cresceu em sua volta e o seu diretor lamenta a falta de dinheiro para tornar o espaço num "museu vivo".
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Inaugurado em 1861, o Observatório, localizado na Tapada da Ajuda, estava inicialmente fora do alcance das luzes da cidade de Lisboa, o que, com o passar dos anos, mudou completamente. "Hoje, a qualidade do céu é tão má" que o Observatório de Lisboa, e todos os observatórios clássicos, encomendam a observação em outros lados e dedicam-se hoje a "tratar os dados e a tirar conclusões", disse à agência Lusa o seu diretor, Rui Agostinho. Segundo o responsável, o Observatório tem um "património histórico de excelência" herdado do terceiro quartel do século XIX. "Os instrumentos podem ser vistos no seu contexto original, o prédio é o original, o jardim também", explicou. Rui Agostinho afirmou que o potencial para se transformar em museu já foi reconhecido por especialistas internacionais. "O Observatório deveria ser um museu dos tempos modernos, um museu vivo", defendeu Rui Agostinho, reconhecendo que, "apesar de serem instrumentos muito especiais, ver telescópios velhos não é muito apelativo". Assim, defende que quem visitasse o Observatório/Museu deveria ter oportunidade de ver "a ciência aplicada" e os instrumentos a continuarem a produzir conhecimento.[...]
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Ler Texto integral AQUI no Diário de Notícias Online

domingo, 13 de março de 2011

Ser discípulo de Jesus...

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Andar sobre as águas é fácil para quem é impulsivo, mas caminhar na terra seca como discípulo de Jesus Cristo é diferente. +

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S. Francisco de Assis

sexta-feira, 11 de março de 2011

Escrever na História...

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( foto: jornal El Mundo )
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Este nosso planeta revolta-se à face da terra e também debaixo do mar. Crises políticas, crises económicas, crises sociais, revoltas populares, regimes que caem, regimes que resistem, terramotos, tsunamis, gerações à rasca.
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Talvez o ano que corre possa eventualmente, a 31 de Dezembro, configurar-se como um dos piores, em muitos capítulos, para a generalidade deste velho mundo cansado. As ondas de choque parecem vir de todos os lados e às vezes do lado de onde menos se espera. Podemos estar mais ou menos preparados para elas, subir a uma montanha, procurar um abrigo, mas dificilmente lhes vamos escapar.
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A História faz-se disto, de rupturas. As mudanças são por vezes violentas, provocam dor e sofrimento em muitos casos, e o ideal seria que houvesse uma evolução na continuidade sem necessidade de tsunamis violentos, como o do Japão, hoje. Mas isso não está nas nossas mãos evitar ou controlar. Podemos prevenir alguns efeitos secundários associados. Mas é um pouco como os medicamentos: tratam uma doença a troco de provocarem sequelas mais ou menos suportáveis ou controláveis noutros aspectos da nossa saúde; sabemos isso quando os tomamos.
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A história do homem é repleta de clivagens e mudanças profundas, algumas delas introduzidas pelo nosso criador. A diferença entre a história que Deus faz acontecer, a que os homens fazem com que aconteça e a que acontece naturalmente, como a que um tremor de terra devastador pode "escrever", por exemplo, é que Deus observa e controla os caminhos dessa história, o seu curso, e fá-la acontecer sempre em nosso proveito. Muitas foram já as ocasiões em que Ele próprio interviu na História em nosso favor e benefício quando por aqui andávamos entretidos a fazer mal uns aos outros ou a escrever estórias de desfechos previsivelmente maus.
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Às vezes Deus permite abalos e Tsunamis controlados na nossa vida para que possamos verificar da nossa própria fragilidade perante coisas que não conseguimos controlar. Mas nessas circunstâncias é nEle que temos um refúgio seguro. É a partir desses momentos que a nossa história começa a ir noutra direcção, a direcção certa. Reconstruir, é sempre uma oportunidade para fazer melhor: melhor estrutura, melhores alicerces, maior segurança, maior atenção, mais prontidão, melhor visão sobre o que temos andado a fazer com a nossa história de vida. É que, embora Deus no-la deixe escrever, não deixa de estar atento à forma como a escrevemos.
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No Japão, em Portugal, Brasil, França ou qualquer outro sítio em que aconteça, um Abalo de terra, um Tsunami, mudarão sempre a história que estava a ser escrita; ainda que achemos que não podemos fazer nada quanto a isso, acabamos sempre por poder optar ser actores ou espectadores da História, mas só os actores estarão dentro dela, nem que seja a "limpar os detritos", mesmo que tenham que lhe sofrer os efeitos secundários momentâneos.
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Jacinto Lourenço

O Discurso do Presidente...

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quinta-feira, 10 de março de 2011

A Declaração de Guerra da Alemanha a Portugal

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Em Fevereiro de 1916, um decreto do governo português autorizava a requisição dos navios mercantes alemães fundeados no Tejo. Foi a "gota de água" que levou Guilherme II, a instruir Von Rosen a apresentar a nota de Declaração de Guerra ao Governo Português, em 9 de Março de 1916, formalizando um conflito que já há algum tempo Portugueses e Alemães vinham travando no sul de Angola e norte de Moçambique.
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Iniciava-se assim, a participação formal de Portugal na 1ª Guerra Mundial que muito em breve arrastaria o Corpo Expedicionário Português para as trincheiras da Flandres.
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«Senhor Ministro. Estou encarregado pelo meu alto Governo de fazer a V. Ex.a a declaração seguinte:
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O Governo português apoiou, desde o começo da guerra. os inimigos do império Alemão por actos contrários á neu­tralidade. Em quatro casos foi permitida a passagem de tropas inglesas por Moçambique. Foi proibido abastecer de carvão os navios alemães. Aos navios de guerra ingleses foi permitida uma larga permanência em portos portugueses, contrária à neutralidade, bem como ainda foi consentido que a Inglaterra utilizasse a Madeira como base naval. Canhões e material de guerra de diferentes espécies foram vendidos ás Potências da Entente, e, além disso, á Inglaterra um destruidor de torpedeiros. O arquivo do vice-consulado imperial em Moçâmedes foi apreendido.
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Além disso, foram enviadas expedições á África, e foi dito então abertamente que estas eram dirigidas contra a Alemanha.
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O governador alemão do distrito. Dr. Schultz-Jena, bem corno dois oficiais e algumas praças, em 19 de Outubro de 1914, na fronteira do Sudoeste Africano alemão e Angola. foram atraídos, por meio de convite, a Naulila, e ali decla­rados presos sem motivo justificado, e, como procurassem subtrair-se à prisão, foram, em parte, mortos a tiro enquanto os sobreviventes foram à força feitos prisioneiros.
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Seguiram-se medidas de retorção da tropa colonial. A tropa colonial, isolada da Alemanha, precedeu na su­posição, originada pelo acto português, de que Portugal se achava em estado de guerra com o Império Alemão. O Governo português fez representações por motivo das últimas ocorrências, sem, todavia, se referir ás primeiras. Nem sequer respondeu ao pedido que apresentámos de ser intermediário numa livre troca de telegramas em cifra com os nossos funcionários coloniais, para esclarecimento do estado da questão.
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A imprensa e o Parlamento, durante todo o decurso da guerra, entregaram-se a grosseiras ofensas ao povo alemão, com a complacência, mais ou menos notória, do Governo português. O chefe de Partido dos Evolucionistas pronunciou na sessão do Congresso, de 23 de Novembro de 1914, na presença dos ministros portugueses, assim como na de diplomatas estrangeiros, graves insultos contra o imperador da Alemanha, sem que por parte do presidente da Câmara, ou dalgum dos ministros presentes, se seguisse um protesto. Às suas representações, o enviado imperial recebeu apenas a resposta que no boletim oficial das sessões não se en­contrava a passagem em questão.
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Contra estas ocorrências protestámos em cada um dos casos em especial, assim como por várias vezes apresenta­mos as mais sérias representações e tornámos o Governo português responsável por todas as consequências. Não se deu, porém, nenhum remédio. Contudo, o Governo Imperial, considerando com longanimidade a difícil situação de Portugal, evitou então tirar mais sérias consequências da atitude do Governo português.
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Por último, a 23 de Fevereiro de 1916, fundada num decreto do mesmo dia, sem que antes tivesse havido negociações, seguiu-se a apreensão dos navios alemães. sendo estes ocupados militarmente e as tripulações mandadas sair de bordo. Contra esta flagrante violação de direito protestou o Governo Imperial e pediu que fosse levantada a apreensão dos navios.
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O Governo português não atendeu este pedido e procurou fundamentar o seu acto violento em considerações jurídicas. Delas tira a conclusão que os nossos navios imobilizados por motivo da guerra nos portos portugueses, em consequência desta imobilização, não estão sujeitos ao artigo 2.0 do tratado de comércio e navegação luso-alemão, mas sim à ilimitada soberania de Portugal, e, portanto, ao ilimitado direito de apropriação do Governo português, da mesma forma que qualquer outra propriedade existente no pais. Além disso, opina o Governo português ter procedido adentro dos limites desse artigo, visto a requisição dos navios corresponder a uma urgente necessidade económica, e também no decreto de apropriação estar prevista uma indemnização cujo total deveria mais tarda ser fixado.
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Estas considerações aparecem como vazios subterfúgios. O artigo 2.0 do tratado do comércio e navegação refere-se a qualquer requisição de propriedade alemã em território português. Pode ainda assim haver dúvidas sobre se a circunstância de os navios alemães se encontrarem pretendidamente imobilizados em portos portugueses modificou a sua situação de direito. O Governo português violou, porém, o citado artigo em dois sentidos, primeiramente não se mantém na requisição dentro dos limites traçados no tratado, pois que o artigo 2.0 pressupõe a satisfação duma necessi­dade do Estado, enquanto que a apreensão, como é notório, estendeu-se a um número de navios alemães em desproporção com o que era necessário a Portugal para suprir a falta de tonelagem. Mas, além disso, o mencionado artigo torna a apreensão dos navios dependente dum prévio acordo com os interessados sobre a indemnização a conceder-lhes. enquanto que o Governo português nem sequer fez a tentativa de se entender, quer directamente, quer por intermédio do Governo alemão, com as companhias de navegação. Desta forma apresenta-se todo o procedimento do Governo português como uma grave violação do Direito e do Tratado.
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Por este procedimento o Governo português deu a conhecer que se considera como vassalo da Inglaterra, que subordina todas as outras considerações aos interesses e desejos ingleses. Finalmente a apreensão dos navios realizou-se sob formas em que deve ver-se uma intencional provocação à Alemanha. A bandeira alemã foi arriada dos navios alemães e em seu lugar foi posta a bandeira portuguesa com a flâmula de guerra. O navio almirante salvou por esta ocasião.
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O Governo Imperial vê-se forçado a tirar as necessárias consequências do procedimento do Governo português. Considera-se de agora em diante como achando-se em estado de guerra com o Governo português.
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Ao levar o que precede, segundo me foi determinado, ao conhecimento de V. Ex.a tenho a honra de exprimir a V. Ex.a a minha distinta consideração.»
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(Tradução do texto alemão entregue por Friedrich Von Rosen a Augusto Soares, Ministro Português dos Negócios Estrangeiros)
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Fonte : História Aberta