domingo, 31 de maio de 2009

O Papel da Igreja na História

[…] O historiador Eric Hobsbawm defende que um século pode ter mais ou menos que cem anos, dependendo dos eventos que no período ocorram e que demarquem uma mudança de fase ou de era na história. Sendo que o que se aplica ao século, se aplica a qualquer evento, é possível dizer que a Segunda Guerra Mundial, que oficialmente termina em 1945, de fato acaba em 1989, com a queda do muro de Berlim, que anuncia o fim do embate entre o capitalismo, representado pela OTAN, e o socialismo, representado pelo Pacto de Varsóvia, com a vitória do capitalismo. Foi esse o fato que levou o filósofo Francis Fukuyama a propagar a tese do “fim da história”, justamente por não haver mais embate entre as ideologias. O fim dessa luta entre as ideologias contrastantes deixou a sociedade sem olhos. Quando da luta, as sociedades se observavam e a crítica era constante, exigindo de cada uma não só a defesa de seu ponto de vista; a presença do contraditório acabava também por forçar aprimoramentos, no sentido de sustentar a suficiência do sistema como solução para a humanidade em sua busca por felicidade. Dessa forma, em vez de dizer que a história acabou, seria mais preciso dizer que a sociedade humana perdeu a meta perspectiva e assim a capacidade de visão, partindo do pressuposto de que ter somente a visão particular de si significa não ter, de si, visão alguma. A sociedade foi acometida de cegueira. Sempre se pode argumentar que a queda dos estados socialistas, por excelência, não representa o fim do sonho socialista e que, portanto, a crítica e o contraditório estão mantidos. Porém, as duas ideologias tinham algo em comum: a crença de que tudo se tratava de uma relação de poder. Quem conquistasse o poder ganharia o direito de normalizar o direito, a justiça, a verdade, a ética e a moral. Desse modo, qualquer reação dos derrotados apenas reforçaria a posição do vencedor, que passaria a exigir do vencido o reconhecimento do lugar que a história, agora, lhe reserva: lugar nenhum.Como enfrentar essa força hegemónica? Aqui entra a Igreja, a teologia. A Igreja jamais aceitou a lógica da relação de poder, porque a teologia argumenta que o Criador é quem estabelece o conteúdo das palavras ‘direito’, ‘justiça’, ‘verdade’, ‘paz’, ‘ética’ e ‘moral’. Tais conceitos não são fruto de construção, mas de revelação. Assim, a teologia irrompe como a propugnadora da ética e do direito, e a Igreja força a retomada da noção de história. O contraditório e a crítica continuam presentes, porém não mais como contraponto ideológico, e sim como compromisso profético, a partir do grande observador -- como diria Berkeley -- que, com sua observação, além de garantir a existência, lhe dá conteúdo. Diante da teologia está o desafio de passar de momento segundo para a emuladora da mudança. O fim do embate ideológico recolocou a Igreja e a teologia na ribalta, já que só a partir dessa lógica judaico-cristã é possível retomar o debate sobre o direito, a justiça, a ética, a paz e a moral. Por sua teologia, a igreja hoje voltou a ser os olhos da sociedade. É a única força capaz de se contrapor à lógica capitalista e de forçar a sua humanização -- ou capitulação -- frente à lógica da solidariedade. Cabe-nos que esses olhos não sejam trevas, mas luz de libertação.
Por pr. Ariovaldo Ramos

The Brooklyn Tabernacle Choir - Glory Aleluia

sábado, 30 de maio de 2009

Carro da Google já Fotografou Lisboa e Porto

Braga é a próxima cidade a receber a visita do útil mas por vezes indiscreto Google.

. Ao contrário do que normalmente acontece, o apanhado desta história é o carro da Google que andou pelas ruas de Lisboa e Porto a fotografar, com imagens tridimensionais, as duas principais cidades portuguesas, fotografias que serão disponibilizadas até ao final do ano, na Internet, através de uma nova ferramenta, o Street View. Ontem o DN "apanhou" o famoso carro da Google, em plena Rua Braancamp, junto ao Marquês de Pombal, em Lisboa. No entanto, a Google assegurou ao DN que o levantamento das ruas de Lisboa e Porto já está concluído. O curioso veículo segue agora destino para Braga, próxima cidade a ser captada pelas várias máquinas fotográficas estrategicamente colocadas no tejadilho, em forma de cruz, para apanharem diferentes ângulos. Em relação às fotografias captadas em Lisboa e Porto, segue-se agora uma longa e minuciosa tarefa de tratamento das imagens para que, no final, na visão de 360º disponibilizada, não se perceba que se trata de fotografias sobrepostas. E também por questões de privacidade: só são fotografados locais públicos, mas é preciso desfocar as caras das pessoas e as matrículas dos carros. Apesar destes cuidados e de as imagens não serem em tempo real - só ficam disponíveis cerca de oito meses depois de captadas - a nova ferramenta do Google, já disponível em vários países, tem sido muito questionada quanto ao respeito pela privacidade. Já esta semana, por exemplo, Paul McCartney, "ficou nervoso assim que percebeu que os utilizadores do Google podiam obter uma vista de 360º da sua propriedade", afirmou fonte próxima do cantor à agência Europa Press. Esta foi apenas mais uma das reacções adversas que o Street View, lançado em Maio de 2007 nos Estados Unidos, já provocou. Por isso mesmo, o site do Google Maps inclui um link através do qual as pessoas podem exigir à Google que retire imagens.
In Diário de Notícias Online de 28 de Maio de 2009

"Gripe Humana"

O meu Porquinho Aleijado

Passei toda minha infância no campo, criando animais como cabritos, aves e porcos. Lembro-me de uma leitoa que gostava de furar a cerca do chiqueiro e invadir as plantações dos nossos vizinhos com seus filhotes. Um dia, um agricultor ficou enfurecido ao ver sua plantação destruída e atacou o animal e seus porquinhos com uma foice. Um dos golpes atingiu em cheio a perna traseira de um deles, justamente o malhado que meu pai tinha escolhido para ser meu presente. Quando vi o bichinho ensanguentado, com a pata mutilada, gritei desesperada. Mas meu pai era um camponês muito habilidoso no trato dos animais e conseguiu salvar o porquinho – ele ficou sem parte de uma pata, mas conseguia caminhar com as outras três e fazia tudo que os outros faziam. Este episódio singelo ilustra bem a forma como lidamos com aquilo que não recebemos ou que nos foi tirado, e também quando dizemos não para algo que desejamos, mas que contraria nossas crenças e valores. E um dos sinais de maturidade – tanto emocional quanto espiritual – de uma pessoa é sua capacidade de superação diante de alguma perda ou de alguma coisa que lhe falta. […]
Versão Integral do texto, Ler Aqui
In Revista Cristianismo Hoje Online

sexta-feira, 29 de maio de 2009

PLANETA "CoRoT 1b"

Um grupo de investigadores da Universidade de Leiden [ Holanda ], conseguiu registar, pela primeira vez, as fases orbitais de um planeta extra-sistema solar, conforme publicaram esta semana na revista “Nature”. Esta descoberta, quase 400 anos depois de Galileu Galilei ter observado que Vénus apresentava mudança de fases, como a nossa Lua, demonstra que, em longitudes de ondas ópticas, o planeta assemelha-se ao que se observa nos planetas do nosso sistema solar. […]
In Jornal El Mundo Online de 28 de Maio de 2009
Versão Integral do texto, em Castelhano, Ler Aqui
( Tradução do excerto publicado : Ab-Integro )

Higiene Social

"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão."
Eça de Queirós

Campanha de Libertação...

Via Igreja do Jubileu

O Silêncio do Vaticano Mata Memória de Giordano Bruno

Cientista quer reabilitação de discípulo de Copérnico

Um cientista do Vaticano questionou a Santa Sé sobre a eventual reabilitação de um discípulo do astrónomo Copérnico, Giordano Bruno, queimado na fogueira, em 1600, pela Inquisição por heresia.

"Falei disso no Vaticano mas, até ao momento, não há sinais", declarou o presidente da Academia Pontifícia para as Ciências, Nicola Cabibbo, numa entrevista ao semanário italiano Famílias Cristãs. A Igreja Católica reabilitou Galileu Galilei mas continua muda acerca da condenação à morte de Giordano Bruno, um filósofo e frade dominicano italiano do século XVI do qual existe uma estátua no centro de Roma. "A teoria de Giordano Bruno está hoje demonstrada pela existência de planetas em redor do sistema solar, observado por telescópios em órbita", sublinhou Nicola Cabibbo. Nicolau Copérnico foi o precursor da teoria do Sol como centro do sistema solar.
In Diário de Notícias online de 28 de Maio de 2009

Televisão e Jornalismo em Portugal : Um exemplo Degradante na TVI

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) considera que a TVI desrespeitou as normas ético-legais do jornalismo misturando factos e opinião em várias edições do "Jornal Nacional", alvo de queixas analisadas pelo organismo. Numa deliberação hoje divulgada, a ERC "reprova a actuação da TVI", e insta a estação a cumprir "de forma mais rigorosa o dever de rigor e isenção jornalísticas". Os membros do conselho regulador consideraram que a TVI deve "demarcar 'claramente os factos da opinião'", como determina o Estatuto do Jornalista. A ERC considera "verificada, à luz da análise efectuada, a possibilidade de a TVI ter posto em causa o respeito pela presunção de inocência dos visados nas notícias". Entre 16 de Fevereiro e 30 de Março de 2009, deram entrada na ERC dez queixas contra as edições de 13 de Fevereiro, 30 de Janeiro e 1 e 27 de Março e outras edições não especificadas do "Jornal Nacional" da TVI, questionando o tratamento jornalístico de matérias que envolvem o primeiro-ministro e outros membros do Governo. As queixas referem-se a peças jornalísticas emitidas no Jornal Nacional de Sexta (conduzido por Manuela Moura Guedes). Em apenas um caso, a edição transmitida a 01 de Março, não se está perante esse serviço noticioso, uma vez que era domingo.

In Diário de Notícias Online de 28 de Maio de 2009

* * *

Pois é, desta vez alguém teve coragem para dizer, na cara e em directo, o que a Sraª Manuela Moura Guedes anda a fazer na TVI. Claro que ela só o faz porque o seu cobertor é largo e nunca lhe deixa os pés de fora. O bastonário da ordem dos advogados, Marinho Pinto, pode ter muitos defeitos, como qualquer um de nós, aliás, mas do meu ponto de vista, a falta de frontalidade e falta de coragem não se contam no numero dos seu defeitos, muito pelo contrário. Por outro lado, a autoridade reguladora da Comunicação Social já veio confirmar as palavras do bastonário. Pena que o tenha feito a reboque de Marinho Pinto. Enfim, vale o que vale, num país como Portugal, onde os reguladores só regulam o que não devem.

Jacinto Lourenço

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Se puder vá até lá

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Michael Smith
em
MADRID
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04 de Junho
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Auditorio Hotel Auditorium

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Avenida de Aragão 400

Madrid, Espanha

Um Grão de Desespero

"Assim como talvez não haja, dizem os médicos, ninguém completamente são, também se poderia dizer, conhecendo bem o homem, que nem um só existe que esteja isento de desespero, que não tenha lá no fundo uma inquietação, uma perturbação, uma desarmonia, um receio de não se sabe o quê de desconhecido ou que ele nem ousa conhecer, receio duma eventualidade exterior ou receio de si próprio; tal como os médicos dizem duma doença, o homem traz em estado latente uma enfermidade, da qual, num relâmpago, raramente um medo inexplicável lhe revela a presença interna. E de qualquer maneira jamais alguém viveu e vive, fora da cristandade, sem desespero, nem ninguém na cristandade se não for um verdadeiro cristão; pois que, a menos de o ser integralmente, nele subsiste sempre um grão de desespero".
Sorën Kierkegaard em O desespero humano, p. 345. (Série: Os pensadores - Abril Cultural)

Fica Sempre Bem em Qualquer Parede...

Mais do Que Palavras

O Jornal Nacional [ Globo-Brasil ] vai apresentar, a partir desta terça-feira, uma série de reportagens sobre obras sociais de algumas das dezenas de igrejas evangélicas presentes no Brasil. “Quando você pode ensinar uma criancinha que está ao seu lado, quando você pode curar a ferida de alguém está sofrendo no hospital. Todos esses gestos não são simplesmente de um profissional que está fazendo, mas alguém que tem o ideal de servir e que gostaria, através daquele gesto, alcançar a grandeza e o amor de Deus no seu coração”, afirma Benjamim Bernardes, reverendo da Igreja Presbiteriana. “Eu gostei da parte onde diz que Deus não quer que nenhum dos pequeninos se perca. Assim como ele amou a ovelha perdida, ele ama a todos igualmente. A missão trouxe uma nova realidade para uma comunidade indígena, uma outra vida”, revela o índio caiuá Natanael Cárceres. “Todos nós podemos fazer algo, por mais simples que seja, desde que haja no nosso coração o desejo sincero de poder servir ao próximo”, conclui Benjamim Bernardes.

Via Pavablog .

Dois bons exemplos a seguir em Portugal

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O primeiro exemplo será para as igrejas ditas evangélicas, em Portugal, que em lugar de se preocuparem com a realização de eventos para criarem show-off e mostrarem ao mundo, ou à "concorrência", a força (?) que têm ou a quantidade de “coisas” que são capazes de fazer, visando, quase sempre, também, exibirem a sua “capacidade” organizativa, se preocupassem, isso sim, em mostrar a relevância e força do Evangelho quando aplicado às vidas das pessoas, no seu dia a dia, onde elas mais precisam, tal qual aprendemos de Cristo. Felizmente que por cá vamos encontrando alguns bons exemplos que contrariam a regra do deserto.

O segundo exemplo vem da TV Globo, ao decidir apresentar um trabalho de grande relevância cristã e social, ainda por cima desenvolvido por uma denominação cristã-evangélica que estará muito longe de ser maioritária no Brasil. Uma reportagem séria ( e não o dizemos só porque se foca nos cristãos protestantes ), que devia ser olhada atentamente pelas televisões em Portugal, mais interessadas, muitas vezes, em ficcionar casos para encher o “prime-time” visando manter os telespectadores na ilusão de que são sérias garantindo assim o "Share".

Jacinto Lourenço

"Pink Gospel" - ou o "Cristianismo Cor de Rosa"

Que vivemos numa civilização em constante mudança já todos sabemos. Que a Igreja tanto na sua manifestação universal como na sua componente local foi "apanhada" por esta mutação generalizada parece-nos óbvio. O "mundo" paulatinamente conquistou a Igreja e teve tempo demais para isso. [...]
Continuar a ler In Sip of Glory

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um Ego Grande de Mais...

As Imagens da Nossa Indignação

Os Superiores Interesses das Crianças em Portugal

Que tribunal, que juízes, que justiça é esta, que país é este que autoriza tamanha enormidade, tão grande atentado à vida e dignidade de um ser humano ?
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Não gosto de me citar a mim mesmo, mas será bom voltar a publicar a frase acima, que fazia parte de um Post, no Ab-Integro, de 19 de Maio passado, para que se perceba hoje, ainda melhor, quanto ela faz sentido; particularmente depois de terem chegado até nós as imagens da “tareia pública” e em directo pela televisão, aplicada à Alexandra, a menina filha biológica de uma mãe Russa que foi “raptada” aos pais afectivos portugueses que a tinham criado desde que fora retirada da alçada da tal “mãe” biológica, pela justiça, devido a trato e cuidados deficientes ( só para aligeirar o português ), e entregue aos pais de afecto.
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Se a nossa indignação, e a de milhares de portugueses, já era grande, a 19 de Maio, devido à situação em que a menina foi colocada por um tribunal português, agora é muito maior, e a única coisa que podemos dizer é que as imagens que todos vimos, ontem e hoje, nos telejornais, são a cara da justiça que temos…
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E assim se “salvaguardaram” os superiores interesses da criança, como se escreve na legislação....
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Vale a pena vir agora o ministro da Solidariedade verter “lágrimas de crocodilo”, nos meios de comunicação, e mostrar a sua incomodidade pelo caso, convidando, tarde de mais, todos os intervenientes à reflexão sobre o mesmo ? Claro que não ! A criança já está a milhares de quilómetros de distância, onde não chegará o deficiente braço da lei portuguesa. O que vale a pena é formar bons juízes e promover bons tribunais, para que mais nenhum português volte a envergonhar-se por outra qualquer Alexandra ou Esmeralda entregue aos cuidados da iniquidade dos nossos tribunais.
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Constata-se, afinal, que a criança não foi apenas desprezada e maltratada pela “mãe” biológica…
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Jacinto Lourenço

O Sexo e a Pornografia : Ignorar o Tema não Resolve Coisa Nenhuma

… A pornografia está na ofensiva contra si. Ela persegue-o. Portanto, você precisa ter razões autênticas para a rejeitar, e não somente porque será apanhado por ela. Essa não é uma boa razão, porque você terá oportunidades secretas de satisfazê-la. A condição da pornografia mudou, e a mensagem se amplificou. Qualquer um que tem visto pornografia talvez saiba o que estou falando. Em última análise, a pornografia consiste em relacionamentos anónimos e sem significado nos quais o foco é a satisfação pessoal. O sexo é maravilhoso, mas a intenção de Deus para o sexo é que este comunique significado e propósito. O sexo foi idealizado para comunicar o amor sacrificial, pactual e comprometido de Deus, bem como seu cuidado e ternura. O sexo não foi idealizado para expressar uma liberdade de fazer o que você deseja, focalizado em si mesmo, e de se engajar em relacionamentos anónimos e sem significado. Tome as mensagens anti-relacionais da pornografia e junte-as a um enlevo psicológico, e assim você tem em suas mãos algo realmente sórdido. A pornografia não somente escraviza o tempo e a vida da pessoa. Começa a invadir o resto dos relacionamentos. Essas mesmas mensagens de conveniência, prazer e focalização no ego permeiam toda a vida da pessoa. Elas não somente permanecem no computador.[…]
Trecho de entrevista com Winston Smith, realizada pelo ministério 9 Marcas com. Traduzido por: Pr. Wellington Ferreira -- http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=251 -- Editora FIEL 2009.
Via Frases Protestantes
Versão Integral do texto, Ler Aqui

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Dinheiro Não Se Come

O dinheiro evangélico virou mandinga de crente, está para além das necessidades económicas e se mistificou de tal forma na pós-modernidade que até culto em seu favor já existe. O dinheiro está no centro da vida religiosa ocidental, e assim como Aristóteles sentenciou que os homens são convencidos por considerações de seus interesses, o dinheiro não é apenas objeto de interesse dos pajés, mas é alvo constante dos fiéis convencidos ou não. Em suma, o dinheiro é o deus evangélico.
Contudo, para não ficar em apenas um parágrafo, quero pensar um pouco mais com você a respeito deste assunto intrigante para a religiosidade cristã capitalista. A vida neste mundo de cá se resumiu na busca de um bom emprego para alcançar uma boa moradia e um bom carro. Os filhos, por exemplo, não são mais educados para o casamento, e sim, para o primeiro emprego. As faculdades estão lotadas de jovens que na sua maioria não serão éticos em sua profissão, pois estão simplesmente interessados na rentabilidade que o curso lhe proporcionará.
Esta mentalidade medíocre tem sido corroborada pelos espaços religiosos que eficazmente desafiam seus membros para lutarem e se esgoelarem em busca da prosperidade financeira. O que deveria ser um espaço de confronto e oposição a esta realidade vem se conformando e pecavelmente se amoldando à mesma realidade. Os templos da religião deveriam ser oportunidades de escape e refrigério num mundo que incansavelmente tem escravizado e desfigurado pessoas a viverem além da lógica da sobrevivência. É insano sacrificar o ser em detrimento do ter. E o pior, se não bastasse toda essa bagunça desenfreada pelo ter, não se contentam em vender apenas suas consciências, mas vendem também o próprio Cristo. Humberto de Campos, talvez profano para muitos, em sagradas palavras bem disse que “Jesus está sendo criminosamente vendido no mundo, a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões de ouro amoedado. E os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-lO.” É triste o fato de ter que aceitar a idéia de que tudo isso acontece debaixo dos nossos olhos e nada fazemos para mudar. Se não houver uma mudança radical de valores e princípios para um viver consciente, certamente o mundo será pequeno para tanta ganância, e talvez, quando a última árvore tiver caído, o último rio secado, o último peixe pescado, vocês entenderão que o dinheiro não se come! Arrependei-vos, pois, o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Amém!
Ivan Cordeiro

Via Púlpito Cristão

Aprender com os Amish

Os Amish são pessoas interessantes. Tendo vivido grande parte da minha vida numa área rural com uma população significativa de Amish, tive a oportunidade de interagir com eles, e tenho um certo nível de compreensão da sua cultura. É um conhecimento fascinante. Os Amish fazem uma escolha consciente de viver sem a maior parte das conveniências modernas que os americanos ao contrário vivem diariamente . Eles têm fortes convicções religiosas e um compromisso com os seus princípios. Diferentes comunidades de Amish têm diferentes perspectivas sobre o que é permitido e o que não é, mas todos eles têm uma crença comum de que devem manter uma separação do mundo e das coisas mundanas. Eles oferecem-nos lições sem terem essa intenção, mas ainda assim são valiosas .[…]
Ludwig von Mises Institute/Notícias Cristãs
Versão Integral do Texto, ler Aqui

Vale Tudo na Igreja ?

Consagrei a segunda-feira desta semana à publicação de alguns textos, no Ab-Integro, que versam temas relacionados com igreja e, naturalmente, com a preocupação dos seus autores quanto aos problemas que a mesma enfrenta na actualidade.
Hoje, ao dar uma saltada ao Canto do Jo, verifiquei que o Jorge Oliveira, tinha uns rascunhos para possíveis Posts, não publicados, porque não desenvolvidos, desafiando-nos ( eu senti-me desafiado ) a que “agarrássemos” algum deles levando-o até onde a imaginação nos permitisse, interpreto eu.
Como sou cristão de formação, génese e combate, pela Graça de Deus, há já uns bons anitos, sempre que falo de igreja há como que uma onda que me varre o espírito e a mente e me impele a botar opinião sobre o assunto. Mas meu querido irmão em Cristo, Jorge Oliveira, está criada, com o seu rascunho, uma dificuldade dialéctico-filosófica ( o palavrão é meu ) que se prende com essa coisa simples de sabermos, hoje, sobre o que falamos quando falamos de igreja ?
Sempre me conheci como parte integrante da igreja desde os meus tenros 17 anos de vida ( a Palavra de Deus diz-nos que somos membros de um corpo do qual Cristo é a cabeça ). Passei por muitas fases do seu desenvolvimento, ( e do meu ) participando activamente ou assistindo interessadamente ao seu crescimento ( e ao meu ) em Portugal e no que isso lhe trouxe de bom e de mau.
Tenho, pelo que deixo dito , uma experiência, não acomodada, de trabalho cristão. Cruzei fronteiras conhecidas e desconhecidas no mais íntimo da minha denominação, sempre a mesma desde o primeiro momento. Atravessei desertos mais ou menos longos e experimentei oásis espirituais mais ou menos densos. Pousei tanto nuns como noutros aprendendo a viver e sobreviver em ambos . Combati, desde sempre, aquilo que Paulo designou como o Bom Combate, sem que a minha carreira tenha ainda terminado, salvo se o meu Deus assim o determinar. Considero que, apesar de tudo, não sou melhor cristão que qualquer outra pessoa que tenha igualmente entregue a sua vida nas mãos de Jesus Cristo e dele tenha passado a depender. Sem nenhuma falsa modéstia, continuarei sempre a achar que não sou o melhor dos cristãos. Sou apenas uma pessoa, sem grandes préstimos, a quem Jesus tem abençoado apenas por mercê da Sua imensa misericórdia.
Habituei-me a ouvir-me dizer aos meus filhos e esposa, e a todos os amigos que me são mais próximos, que a igreja era a “nossa casa”. Quando lá entrávamos, deixávamos cair todas as nossas defesas, as mesmas que levantávamos quando, diariamente, saiamos para os nossos trabalhos seculares ou sempre que tínhamos que nos relacionar com alguém de fora da igreja. Não que tivéssemos a ilusão de que só havia gente boa e confiável dentro da igreja ( se assim fosse, não era necessária a igreja ). Somos cristãos serenos e maduros.
Temos certezas quanto à nossa fé, e estas baseiam-se no Grande Amor de Deus por nós e menos no nosso amor por Ele, já que falhamos, nesta área, quais filhos pródigos, mais vezes do que aquelas que desejávamos. Mas acumulámos dúvidas, nos últimos dois para três anos, quanto à igreja ou áquilo a que ainda chamamos igreja.
Não é o conceito bíblico de igreja que nos suscita dúvidas. É o conceito humano de igreja que nos causa arrepios. Curiosamente, tenho hoje grandes e sérias reticências quanto à vantagem de baixar as nossas defesas, quando entramos em algumas igrejas afim de podermos usufruir, supostamente, da comunhão cristã e da fraternidade espiritual no interior das mesmas.
Confesso que as experiências mais amargas, de todos os pontos de vista, e as maiores desilusões que tenho sofrido, têm vindo de dentro da igreja cristalizada e rendida ao fariseísmo militante que a povoa, e em particular a muitos dos seus dirigentes para quem o Amor de Deus não passa de uma metáfora que justifica tudo.
Sou eu perfeito ? Não distingo argueiros de traves ? Gosto de estar na roda dos apedrejadores ? Tenho a pretensão de ser o melhor cristão ? Não a tudo, é a resposta !
Há filhos de Deus dentro das igrejas, mesmo das que são habitadas por pessoas da mesma estirpe que João identificou em Mateus 3:7 ? Claro que sim !
As lutas que tenho travado pelo Evangelho e pelo Reino de Deus têm sido fundamentais na minha edificação cristã. Saio delas muito mais forte. Sou hoje um filho de Deus com uma muito maior auto-estima ( se é que posso aplicar esta palavra aqui ) e certeza da minha fé e com uma muito maior clareza sobre quais os grandes objectivos e prioridades que sustentam a Obra de Deus , em que estou absolutamente envolvido, até que os tempos da Sua visitação se cumpram. E isso não foi negociável para o meu Senhor e não é negociável para mim.
Pagarei qualquer preço que for necessário, sempre que esteja em causa a Verdade contra a Mentira. O Bem contra o mal. A Bondade contra a Maldade. O Amor contra o Ódio. A Ética e a Moral cristã contra a ausência delas. Principalmente dentro da Igreja. Vou insurgir-me, SEMPRE, contra os que imaginam que a igreja é sua propriedade, e pronunciar-me , SEMPRE, por uma IGREJA onde os Santos não sejam uma espécie em vias de extinção. Uma igreja em que valha a pena habitar, mantendo as defesas em baixo, porque nela habita o Amor de Deus que aperfeiçoará, dia a dia, todos os que, como eu, têm a certeza de que não são perfeitos. Uma igreja em que AMOR e COMUNHÃO, FRATERNIDADE, PERDÃO, RECONCILIAÇÃO, VIDA, MISERICÓRDIA, não sejam parábolas que ilustrem um tempo passado , mas lastro para aqueles que sentem ser a IGREJA a sua “casa” até à vinda do Mestre.
Essa é a minha Igreja! A Igreja que vale !
É disto que eu falo, quando falo de Igreja !
Sucedâneos de Igreja não são aceitáveis, mesmo que tenham algumas semelhanças com a Original.
Jacinto Lourenço

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Vinho Novo

Sempre haverá esperança. Enquanto houver inconformados neste mundo haverá esperança. Se por outro lado prevalecer a introjeção do status quo, não resta nada, a não ser o lamento de quem busca a beleza da vida.

Estou decidido a buscar Deus nos lugares inesperados, posto que na pomposa cidade templária de Jerusalém existe a forma, mas na estrebaria fétida de Belém existe a essência. E se na face do estereótipo da religião existe a perversidade da implacável acusação, nas lágrimas da prostituta que beija os pés do Mestre existe a graça. É assim, uma vez que a totalidade do que é belo (e analisando o belo como um efeito), tem uma causa: o Deus das belezas infindáveis - Causa primeira.Todo dom perfeito vem do pai das luzes, e neste negócio não há monopólio. O dom é tão livre quão livre é o doador da vida eterna, e quem quiser detê-lo é tão louco quanto o que diz possuir autoridade sobre a luz do sol. E por estar demasiadamente exposto as insanidades dos que se dizem detentores do exclusivo poder divino, que anseio desesperadamente o vinho novo em odres novos. Os odres da minha existência estão rachados, resultado de exaustivos goles dos empobrecidos vinhos da religião.
Quero experimentar a vertigem da liberdade, quero amar com profunda devoção o Deus encarnado no meigo rabi da Galileia, e livrar minha alma de uma vez por todas da falsa imagem que criei de uma divindade mesquinha e limitada. Como disse o filósofo Blaise Pascal; "Deus fez o homem a sua semelhança e o homem, em retribuição criou fez Deus à sua imagem". Ora, Deus nos fez belos sendo ele a Beleza por essencialidade, e nós o tornamos de uma tal feiura tiranizada. Um deus feio que detesta a liberdade da expressão da pura arte e nos impede de viver a transcendentalização de nossas misérias.
Que nosso propósito seja conhecer e prosseguir em conhecer o Deus de todas as belezas e divinidade das coisas belas, contemplando nelas os arquétipos de um mundo chamado Nova Jerusalém, cidade do Autor da vida, posto que a velha caducou.
Daniel Grubba

A Igreja na Linha da Frente

A igreja cristã deve retomar seu papel profético no mundo e denunciar com veemência as injustiças sociais, os sistemas de opressão e toda e qualquer legitimação da exclusão dos pobres. Antes todavia, a "comunidade dos salvos" deve ser capaz de enfrentar em seu próprio seio, o egoísmo materialista, a alienação sócio-histórica e a letárgica omissão, que constituiem-se reais tentações para milhões de cristãos. Uma igreja militante deve orientar-se através de todo o seu poder dimensional (conforme propõe a teologia da Missão Integral). Isto é, a dimensão koinonica, didática, diaconal, kerigmática e profética. Koinônica. Devemos lutar pela criação de uma comunidade eclesiástica verdadeiramente cristã, onde não reinem as injustiças sociais. Uma comunidade que não seja o reflexo de uma sociedade caída, mas a antítese da mesma. A comunhão (koinonia) entre os cristãos deve ser orientada por um projeto semelhante a da igreja primitiva conforme relato de Atos 2.44-47. Didática. Em tempos de relativismo ético e moral, a igreja deve assumir um projeto de ensinar à sociedade e a igreja uma ética que seja solidária e comunitária. Um ensino que seja evidenciado pela práxis cristã fraternal. Diaconal. É o servir, praticar a filantropia. A igreja é o lugar dos que servem, quem quer ser servido encontre outro lugar. Servir é encarnar a mensagem do Bom Samaritano, seguindo seu exemplo. É exercer a compaixão conforme nos ordena Jesus em Mateus 25. Kerigmática. Levar a mensagem de salvação e libertação. Mensagem esta que tem como objetivo transformar as realidades do mundo em que vivemos e não se conformar com ele (Rm.12.2). Profética. Denunciar os sistemas de opressão, as perversas leis do mercado capitalista, a maligna ordem de exclusão social e egoísmo crescente no coração do homem. Como podemos ver, esta dimensão eclesiástica integral é muito mais do que apenas atenuar os efeitos nocivos da injustiça, como propõe a filosofia assistencialista. A igreja deve ir além, e procurar através de sua função multidimensional, destronar as causas deste mal chamado injustiça social. O mal metafísico, isto é, as realidades espirituais da maldade(Efésios 6). O mal pessoal, que age no coração do homem desviando-o do caminho da justiça. E por fim, o mal estrutural, que são sistemas sócio-político-econômico de opressão.
"Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso." (Amós 5: 24).
Por Daniel Grubba

Esvaziando a Tentação...

A liquefacção da alma humana é um facto tão real nestes dias de carência, de vazio de carácter e de perda da individualidade sadia, posto que a verdadeira individualidade tenha sido trocada pela persona de grife e de moda generacional a ser adoptada como personalidade, que, hoje em dia, já não existe mais o ambiente da tentação. Tentação pressupõe carácter, conteúdo, idéia, opinião, certeza, príncipio, fé e conduta segundo valores pessoais.

Sem tais coisas não existe tentação...

Ora, como a maioria desistiu destas coisas há algum tempo, no máximo fazendo gestão pública do aparecimento ou não da coisa considerada “tentação” do ponto de vista das convenções, o que resta é que as pessoas existem cada vez mais apenas ante o que possam ou não possam, consigam ou não consigam, alcancem ou não alcancem — pois, de facto, poucos são ainda os que, podendo, não façam o que possam; conseguindo, não realizem os que conseguiriam; e, podendo alcançar, desistam de fazê-lo apenas por uma questão de príncipio. Hoje o que vejo muito é gente zangada com Deus por não as haver ajudado a cair em tentação... Sim, raiva de Deus por não ter transformado a obsessão na tentação em uma feliz resposta à oração.
Pouca gente hoje diz não à tentação...
A oração existencial é: “E não nos livre da tentação, mas apenas das consequências de seu mal contra mim!”
A questão que ficou ante o fenómeno do estar tentado é apenas a constatação de que se pode ou não fazer aquilo... Digo “pode” apenas do ponto de vista da exequibilidade ao não do desejo...
Tentação tornou-se apenas uma alternativa que pode ou não ser abraçada, dependendo de se conseguir manter a tentação em segurança...

Caio Fábio

Romanos 12:9a

Via Genizah

Brasil e Portugal. Lá como Cá. Voltar ao Amor de Deus é Urgente.

Sou um jovem obreiro da Vinha do Senhor, hoje com 32 anos, casado e pai de um menino lindo. Entrei no Seminário teológico aos 17 anos, conclui aos 20. Fui ordenado ao Ministério com 27 anos, e mesmo antes disso já desenvolvia diversas funções na estrutura da igreja. Sou neto de pastor (tanto por parte de mãe quanto de pai), meu pai era presbítero da igreja (dirigiu várias igrejas), sobrinho de pastor, irmão de pastor... Enfim, sou a terceira geração dentro da igreja. O Senhor me deu o privilégio de ter uma formação Teológica sólida e em escolas de excelente qualidade. Meus diplomas não são comprados pela internet. Escrevi seis livros, publiquei artigos (inclusive no Mensageiro da Paz). Tenho o privilégio de servir ao Senhor em uma excelente igreja com um excelente Pastor presidente e lá desenvolver a vocação que o Senhor me concedeu. Estou escrevendo estas informações pessoais para dizer que, embora jovem, possuo raízes profundas. Talvez quando os meus cabelos embranquecerem, eu olhe para trás e leia este artigo e então perceba que na juventude deveria ter sido mais ponderado em minhas palavras... Mas o fato é que neste momento em que escrevo estas palavras, sentado na cadeira apertada deste avião, percebo que não é somente os espaços diminutos das cadeiras que incomodam as minhas pernas, mas o aperto que sinto no meu coração é mais apertado e incômodo do que estas cadeiras. Estou voltando da 39ª AGO da CGADB no estado do Espírito Santo. Volto desta AGO com marcas profundas. Sinceramente, não sei se em minhas orações peço a Deus para que apague estas marcas ou para que as deixe para que eu nunca mais me esqueça do que aconteceu, dos sentimentos que tive sentado naquele auditório. Não seria elegante de minha parte relatar algumas das palavras ditas (bem feias, diga-se de passagem) e nem algumas cenas deploráveis que presenciei. Talvez alguém diga: “ele ficou assim porque o vencedor do pleito não foi o que ele votou”. Tenha certeza, esse não é o problema. As marcas com que saí desta AGO me dizem que está banalizado o Ministério Pastoral. Todos nós somos pecadores e estamos sujeitos ao erro. Não foram poucos os erros apresentados naquela plenária, sobre tudo em relação a balanços financeiros “maquiados”, informações falsas, e que ficou comprovado. Mesmo assim não houve nem um pedido de desculpas, perdão. Nem uma palavra como: “por favor, em nome de Jesus me perdoem, foi um erro acidental, não uma prática comum”. Nada disso. Pelo contrário. Fomos brindados com uma “pérola”: “isso é prática comum nas convenções e presidência de ministérios”! Só se na convenção ou ministério de quem disse isso!! Na igreja em que trabalho não!!! Na Mesa, nem uma palavra sobre isso. Assistiam a tudo imóveis (pelo menos essa era a impressão que se tinha do plenário); nem um pedido de perdão, desculpas... Talvez para eles pastor pedir perdão não seja ético. No final, 80% da chapa foi eleita. Sem desculpas, sem maiores explicações... mas a culpa não é deles... talvez estejam certos... talvez realmente seja prática comum... a maioria aprovou a continuidade... e uma continuidade a mais de 20 anos... é... talvez realmente seja prática comum. Tão comum que a maioria nem se espanta quando nem uma retratação pública é feita. […]
Versão Integral do Texto, Ler Aqui. Pr. Eduardo Leandro Alves

domingo, 24 de maio de 2009

"Mayores"

Em português diríamos pessoas de idade. Num caso e no outro trata-se de eufemismos para fugir à aborrecida palavra "velhos", que podendo e devendo ser tomada como uma afirmação vital ("Vivi e estou vivo") é, com demasiada frequência, lançada à cara do idoso como uma espécie de desqualificação moral. E, contudo, pelo menos no meu país, usava-se (usa-se ainda?) uma resposta definitiva, fulminante, dessas que tapam a boca ao interlocutor: "Velhos são os trapos", respondiam os velhos do meu tempo a quem se atrevesse a chamar-lhes velhos. E continuavam com o seu trabalho, sem dar mais atenção às vozes do mundo. Velhos seriam, claro, mas não inúteis, não incapazes de meter a sovela no lugar certo do sapato ou de guiar a relha do arado com que andasse lavrando. A vida tinha uma coisa má: era dura. E tinha uma coisa boa: era simples. Hoje continua a ser dura, mas perdeu a simplicidade. Talvez tenha sido esta percepção, formulada assim ou doutra maneira, que fez nascer a ideia de criar uma universidade para pessoas de idade em Castilla-La Mancha, essa que precisamente se chama Universidad para Mayores e de que tenho a honra de ser patrono. Pessoas a quem a idade obrigou a deixar o seu trabalho, que fazer com elas? Outras em quem a idade fez nascer curiosidades que até então não se haviam experimentado, que fazer com elas? A resposta não tardou: criar uma universidade para as gerações de cabelos brancos e rugas na cara, um lugar onde pudessem estudar e descobrir mundos do conhecimento ocultos ou mal sabidos. Cada uma dessas pessoas, cada uma dessas mulheres, cada um desses homens, pode dizer quando abre um livro ou escreve a resposta a um questionário: "Não me rendi." Nesse momento uma aura de juventude rediviva perpassa-lhes no rosto, em espírito é como se estivessem sentados ao lado dos netos, ou foram eles que se vieram sentar ao lado dos seus maiores. O conhecimento une cada um consigo mesmo e todos com todos. Qualquer idade é boa para aprender. Muito do que sei aprendi-o já na idade madura e hoje, com 86 anos, continuo a aprender com o mesmo apetite. Não frequento a Universidade para Mayores Castilla-La Mancha (lá irei um dia), mas partilho a alegria (diria mesmo a felicidade) dos que lá estudam, esses a quem me dirijo com estas palavras simples: Queridos Colegas.
José Saramago
In Diário de Notícias de 23 de Maio de 2009

EL SHADDAI BY AMY GRANT

Momentos...

Há momentos em que nada faz sentido. Os acessos ficam comprometidos, as frestas entupidas, as janelas cerradas. Decepção substitui confiança, tristeza apaga o ímpeto e abatimento contamina a gesta heróica. O calor da peleja traiçoeiramente solapa a energia fundamental de viver. As pedras de arranque cedem sob os pés e se esgota o entusiasmo. As balizas do sentido caem. Os diques das emoções se rompem. Há momentos em que o silêncio absoluto e impenetrável da covardia abafa a coragem. O império da culpa confisca a confiança. O pavor do inesperado transforma a alma em masmorra e os sonhos definham em um imobilismo soturno. A poesia versifica o tédio e procura rima para fatiga. O espírito entra no compasso do soluço. Há momentos em que determinação vira sinônimo de teimosia. As escolhas acontecem, empurradas, forçadas. A vida é tangida sem ânimo. Opta-se por constrangimento. Vai-se adiante, simplesmente. O horário cumprido, a tarefa realizada, e só. No tabuleiro, o peão cumpre as regas; no palco, a marionete dança com os dedos do títere; na vida, as pessoas decoram roteiros. Há momentos em que não se pode retroceder. O próximo, o próximo, o próximo, dita a voz soturna que ordena a fila que desce a vertiginosa ladeira existencial. Assim, resilientes e determinados, os humanos caminham. De dever em dever, chegarão ao último e inusitado compromisso, a morte.
Soli Deo Gloria

sábado, 23 de maio de 2009

The Brooklyn Tabernacle Choir - I'll Say Yes

Velhos são os Trapos

Faleceu na passada Terça-Feira, 19 de Maio, a Blogueira Maria Amelia Lopez, aos 97 anos de idade.
Que tem isso de extraordinário ? Numa abordagem simplista, nada. Pessoas com 97 anos de idade cumpriram um longo percurso de vida, e o normal é que poucos de nós possamos vir a chegar à idade de Maria Amelia, especialmente com a mesma disposição e espírito que ela revelava. O que pode ter de extraordinário é que o seu Blogue tenha movido milhões de pessoas a visitar o mesmo e que esses milhões de visitas lhe tenham valido, até, ser ela própria, visitada pessoalmente pelo primeiro ministro espanhol, José Luis Zapatero, de quem era apoiante.
Segundo a própria, foi o seu neto que a introduziu no mundo da Internet. Depois, ela começou a fazer do seu Blogue uma ocupação que a roubava à letargia a que habitualmente as sociedades de hoje condenam os anciãos, como se estes não tivessem mais nada para nos dar. Maria amélia Lopez passou ao lado desse estigma social com que são olhados os idosos, na maior parte das vezes descarregados em "lares" que são autênticas antecâmaras da morte.
Velhos são os trapos.
Chega à minha memória um trecho do Salmo 92:
12 O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.
13 Os que estão plantados na casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos.
Que descanse em Paz, Maria Amelia Lopez, na expectativa de que a tenha encontrado, durante a sua vida, em Cristo.
O Blogue de Maria Amelia Lopez pode ser visitado Aqui.
Que o seu exemplo sirva para que familiares de anciãos olhem, com outros olhos, a pessoa idosa, que merecerá sempre o nosso respeito, carinho e amor na curva descendente da sua vida.
Jacinto Lourenço

Dependentes na Declaração de IRS

O pai moderno, muitas vezes perplexo e angustiado, passa a vida inteira correndo como um louco em busca do futuro, esquecendo-se do agora. Com prazer e orgulho, a cada ano, preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda. Cada nova linha acrescida foi produto de muito trabalho. Lotes, casas, apartamentos, sítio, casa na praia, automóvel do ano. Tudo isso custou dias, semanas, meses de luta. Mas ele está sedimentando o futuro de sua família. Se partir de repente, já cumpriu sua missão e não vai deixá-la desamparada. Todavia, para escrever cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só. É preciso ter dois ou três; vender parte das férias, levar serviço para casa. É um tal de viajar, almoçar fora, fazer reuniões, preencher a agenda - afinal, ele é um executivo dinâmico, não pode fraquejar. Esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens, o valor que efetivamente conta, está em outra página do formulário de Imposto de Renda - naquelas modestas linhas, quase escondidas, em que se lê: relação de dependentes.São filhos que colocou no mundo, a quem deve dedicar o melhor do seu tempo. Os filhos, novos demais, não estão interessados em propriedades e no aumento da renda. Eles só querem um pai para conviver, dialogar, brincar. Os anos passam, os meninos crescem, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma à construção do futuro, que não participou de suas pequenas alegrias. Não os levou ou buscou no colégio; nunca foi a uma festa infantil. Um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. Há órfãos de pais vivos porque estão o pai, para um lado, e a mãe, para outro, e a família desintegrada. Sem amor, sem diálogo, sem convivência que solidifica a fraternidade entre irmãos, abre caminho no coração, elimina problemas e resolve as coisas na base do entendimento. Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos, que só se encontram de passagem em casa. E para ver os pais, é quase preciso marcar hora. Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a mensagem que tenho para dar é: não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos. Dos dezoito anos de casado passei quinze absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações e totalmente entregue a um objetivo único e prioritário: construir o futuro para três filhos e minha esposa. Isso me custou longos afastamentos de casa; viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão... Agora estou aqui com o resultado de tanto esforço; construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda de Luiz Otávio e Priscila. De que vale tudo o que ajuntei, se esses filhos não estão mais aqui para aproveitar isso conosco? Se o resultado de trinta anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio e, desses bens todos, não restasse nada mais do que cinzas, isso não teria a menor importância, porque minha escala de valores mudou e o dinheiro passou a ter peso mínimo e relativo em tudo. Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura do meu filho que se drogou e morreu; não foi capaz de evitar a fuga de minha filhinha que saiu de casa e prostituiu-se e dela não tenho mais notícias, para que serve? Para que ser escravo dele? Eu trocaria - explodindo de felicidade - todas as linhas da declaração de bens por duas únicas que tive de retirar da relação de dependentes: os nomes de Luiz Otávio e de Priscila. E como doeu retirar essas linhas na declaração de 1986, ano base 85. Luiz Otávio morreu aos quatorze anos e Priscila fugiu um mês antes de completar quinze.
Fonte: Depoimento de Hélio Fraga

sexta-feira, 22 de maio de 2009

22 Maio: Dia Internacional da Biodiversidade

foto Jornal El Mundo. Uma espécie de sapo ameaçada

"62 Ideias para Travar a ameaça à biodiversidade"

Versão Integral do texto. Ler Aqui, em Castelhano.

A Igreja por Detrás da Máscara

Em Mateus 16, do verso 13 ao 20, Jesus, enquanto caminhava para Cesaréia, aldeia ao norte da Galiléia, administrada por Filipe, perguntou aos seus discípulos sobre o que o povo pensava dele. Queria saber que identidade lhe atribuiam. A gente sempre se relaciona com o outro a partir da identidade que lhe atribuimos, independente dessa identidade atribuída corresponder ou não com a identidade assumida pelo outro. O povo atribuiu ao Senhor a identidade de profeta. É verdade que o compararam aos profetas mais contundentes que Israel já conheceu: Elias, Jeremias e João Batista. Mas profeta. O povo errou, entretanto, Jesus não fez nenhum comentário. O povo não sabia quem era Jesus, mas não se importava muito com isso, porque buscava o que Cristo lhes pudesse fazer, não, necessariamente, o que tivesse a lhes dizer. Tanto que Jesus teve de orientar os discípulos a ter sempre um barquinho à mão caso ele fosse comprimido pelo povo (Mc 3.9,10). Porque, como o povo percebera que bastava tocar em Jesus para ser curado, muitos arrojavam-se sobre ele para o tocar. Iam ao encontro de Jesus para buscar uma benção. De fato, ao invés de irem ao encontro de Jesus, iam-lhe de encontro. Jesus, então, foi obrigado a se proteger do povo que queria abraçar. Acho que podemos chamar a esse ajuntamento de A Igreja da Multidão. A igreja que não sabe quem é Jesus, só sabe e só se importa em saber o que Jesus lhe pode fazer, como lhe pode ser útil. Hoje, cada vez mais, há igrejas que parecem ter o mesmo perfil da multidão: sua mensagem acaba por incentivar um relacionamento utilitário com Jesus. Em contrapartida há a Igreja dos Discípulos. Pedro, à mesma pergunta, respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Resposta perfeita, porque diz que Jesus era o Messias esperado, mas era mais do que se esperava, pois aguardava-se o maior de todos os profetas (era o que criam os mestres de Israel na época), entretando, Deus mesmo veio em carne e osso para salvar a humanidade. Essa Igreja sabe quem Jesus é. E o sabe porque o próprio Pai o revelou, como afirmou Jesus a Pedro. A Igreja dos Discípulos é a Igreja que o Pai deu para o Filho, porque pertence a ela aqueles a quem Jesus, pelo Pai, foi apresentado (Jo 6.44). A Igreja dos Discípulos sabe que a única maneira de relacionar-se corretamente com Jesus é através da adoração. A um líder a gente segue; a um chefe a gente obedece; a um profeta a gente ouve; de um mestre a gente aprende; a Deus a gente adora. Essa é a Igreja que o Filho edifica, porque esta fica sobre a Pedra, que é Jesus reconhecido como Deus que veio em carne e osso para nos salvar. E como nos ensinou o apóstolo Paulo, adorar a Jesus é imitá-lo (1 Co 11.1). E isso é fruto do desejo de ser igual a Jesus, e quanto mais a gente anda em direção a esse desejo, mais o Espírito Santo o torna realidade em nossas vidas (2 Co 3.18). A Igreja da Multidão está à cata das bençãos. Do tipo que até o adversário pode dar. A Igreja dos Discípulos está à cata das palavras de vida eterna; essas que só Jesus tem (Jo 6.68). A Igreja da Multidão busca crescer a todo custo, e para isso lança mão de todo e qualquer esquema. A Igreja dos Discípulos vai buscar as ovelhas de Cristo, as que reconhecerão a sua voz, para que haja um só rebanho e um só pastor (Jo 10.16); e, para isso insiste na exposição da verdade que liberta. A Igreja da Multidão promete o fim do sofrimento e bençãos materiais. A Igreja dos Discípulos promete a vida abundante e a ressurreição. A Igreja da Multidão convoca indivíduos a serem individualistas: a terem tudo o que, pela fé, possam conseguir. A Igreja dos Discípulos convoca indivíduos a serem pessoas comunitárias: a doarem tudo o que a fé, que liberta das posses, permite doar. A Igreja da Multidão exorta as pessoas a desfrutarem o mundo. A Igreja dos Discípulos exorta as pessoas a, irmanadas, transformarem o mundo. A igreja dos Discipulos está querendo mais da vida de Jesus para, na vida, ser cada vez mais como Jesus. Cada pessoa que se diz seguidora de Cristo; cada pessoa que se considera pregadora do evangelho; cada comunidade que se diz cristã precisa se submeter a esse gabarito, para descobrir de que referencial faz parte, ou de qual se aproxima mais: da Igreja da Multidão ou da Igreja dos Discípulos. Todos seremos tentados a buscar o que busca a Igreja da Multidão, mas não nos esqueçamos: o tesouro é Cristo e, com ele, vem tudo o que precisamos para ser como ele: gente como gente deve ser. No Reino de Deus Jesus é tudo em todos os súditos; e tudo o que os súditos do Reino querem ser é todo Jesus.