segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Direcção de Deus

Na maior parte das vezes, não sabemos decidir sobre o que é melhor para nós. Ao contrário do cidadão que afirmou que "nunca tinha dúvidas e raramente se enganava", nós temos sempre muitas dúvidas e enganamo-nos mais vezes do que seria desejável. Faz parte da nossa natureza humana conviver diariamente com a dificuldade da decisão, especialmente quando uma decisão pode mudar para sempre a nossa vida ou a vida dos que nos cercam. E não é porque sejamos particularmente indecisos, pelo menos mais do que o comum dos mortais; é da nossa natureza. A indecisão, a dúvida, a incerteza fazem parte dos caminhos diários que trilhamos. Uma decisão que se afigure muito acertada num dado momento ou numa situação de hoje, pode vir a revelar-se, amanhã, como completamente desastrada ou, no mínimo, desajustada. Foi sempre assim, a nossa história passada e recente. Somos muitas vezes vítimas das nossas próprias escolhas. Talvez por isso precisamos cartografar permanentemente os caminhos antes percorridos para que, pelo menos, não nos voltemos a enganar onde já anteriormente errámos. Mapas, memorandos, agendas, apontamentos, cartografia ou mais modernamente GPS's, são tudo elementos fundamentais para orientarem, sem nos perdermos em caminhos que nós próprios, ou outros antes de nós percorreram, e que nos podem dar , a cada momento, a informação básica para a melhor decisão se estamos num cruzamento da vida sem qualquer indicação sobre o caminho certo.
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O apóstolo Paulo dizia aos Coríntios : "Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus".
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"Vós sois a nossa carta". Uma carta escrita não com tinta mas com o Espírito do Deus Vivo no nosso coração. A intenção de Paulo era que os Coríntios não se perdessem na fé, que olhassem para o que estava inscrito nos seus corações pela mão de Deus e vissem , claramente, o rumo a seguir. Um "GPS Celestial" dentro do coração, é o que temos, quando seguimos o Espírito de Deus e o seu conselho. Só assim é possível reduzir, drasticamente, a incerteza das nossas decisões ou manietar a dúvida que tantas vezes nos escraviza e quer destruir, e o erro.
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A certeza de que Deus quer o melhor para nós e de que nos vai orientar no caminho, ou na busca dele, garante-nos que não erraremos ao escolher seguir a direcção que nos indica. Muitas vezes queremos ver sinais antecipados sobre qual o trajecto que o Senhor vai abrir. A verdade é que não fazemos essa exigência na cartografia ou num normal mapa de estradas, simplesmente confiamos e seguimos na direcção que nos indicam. Os sinais, sejam eles de obrigação, proibição ou orientação de sentido surgem só no momento em que deles precisamos e não antes ou depois, isso poderia deixar confusões a pairar no nosso espírito. No momento exacto, onde teremos que saber a direcção a seguir, lá está o sinal a indicar. Não antes nem depois, tal poderia fazer-nos errar irremediavelmente. Deus fala no momento em que deve falar; não antes nem depois. Ele nunca nos deixará em confusão, em dúvida, em incerteza. No momento certo, no tempo exacto, lá está a sua indicação, a sua confirmação para nós. Às vezes parece-nos que o Senhor está a desafiar a nossa fé, como se "brincasse" com os nossos limites. É verdade que Ele nos desafia em Fé, mas nunca "brinca" com os limites das nossas fragilidades. Ele conhece-nos demasiado bem, sabe que somos frágeis e volúveis e por isso nos protege de nós próprios.
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Trago comigo, há muitos anos, um pensamento cujo autor desconheço mas que traduz uma realidade importante na vida do cristão: "Se pões Deus em tudo o que fazes, encontrá-lo-ás em tudo o que te acontece". A verdade é que nem sempre a nossa vida se enquadra aqui. Temos escolhido muitos caminhos que não foram indicados por Deus. As consequências implicam por isso, na maior parte das vezes, sofrimento para nós, mas mesmo nessas circunstâncias, Deus irá corrigir a nossa direcção, porque nos ama, porque nos deseja perto da Sua vontade, perto de Si. Que a nossa certeza e expectativa relativamente à vontade de Deus, seja como a de Daniel à vista dos leões ou do fogo destruidor. Ele estará sempre connosco.
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Jacinto Lourenço

domingo, 28 de novembro de 2010

"A Igreja [católica] e os Sinais dos Tempos"

..."Precisamente por isso, penso que será necessário perguntar se a Igreja não terá de rever outras questões. Se, por exemplo, a paternidade e a maternidade responsáveis não implicam a abertura aos anticonceptivos "artificiais", superando uma concepção biologista da natureza. Se não se deverá colocar termo à lei do celibato, pois não é bom impor como lei o que Jesus entregou à liberdade. Se não se deverá tirar as devidas consequências da afirmação papal: os homossexuais "merecem respeito" e "não devem ser rejeitados por causa disso". Se não é necessário repensar a proibição da comunhão aos divorciados que voltaram a casar. Se as mulheres, a partir do comportamento de Jesus, que levou à declaração paulina: "já não há judeu nem grego, nem senhor nem escravo, nem homem nem mulher, pois todos são um só em Cristo", não devem ser tratadas na Igreja sem discriminação, por exemplo, no acesso à presidência na celebração da Eucaristia. Mais tarde ou mais cedo - é preferível mais cedo -, a Igreja deverá ter um pronunciamento lúcido e claro sobre estas matérias. Para não dar a impressão de que ela lá vai indo, mas aos empurrões, e quando, entretanto, muitos a foram abandonando. Não foi por acaso que a revelação sobre o uso do preservativo apareceu no mesmo dia em que o Papa impôs o barrete a mais 24 cardeais. No dia seguinte, lembrou-lhes que devem estar sempre junto de Cristo na cruz. Mas cá está! No meio de todo aquele aparato do Vaticano, há aqui uma contradição entre a pompa e a cruz. Há aquele texto do filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard, que diz mais ou menos assim: vai Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de Copenhaga, revestido de paramentos com filamentos de ouro e um báculo e uma mitra debruados de pedras preciosas, com todo o seu séquito em esplendor, senta-se num cadeirão de prata e dá início à sua homilia sobre a pobreza. E ninguém se ri !... A alguém que se sentisse irritado com estas perguntas lembro um texto de Joseph Ratzinger, no qual escreveu que, se hoje se critica menos a Igreja do que na Idade Média, não é porque se tem mais amor à Igreja, mas a si e à carreira."[...]
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Prof. Anselmo Borges.
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Ler texto integral AQUI, no Diário de Notícias Online

sábado, 27 de novembro de 2010

A Falta de Cultura Ética na Nossa Civilização

Creio que o exagero da atitude puramente intelectual, orientando, muitas vezes, a nossa educação, em ordem exclusiva ao real e à prática, contribuiu para pôr em perigo os valores éticos. Não penso propriamente nos perigos que o progresso técnico trouxe directamente aos homens, mas antes no excesso e confusão de considerações humanas recíprocas, assentes num pensamento essencialmente orientado pelos interesses práticos que vem embotando as relações humanas. O aperfeiçoamento moral e estético é um objectivo a que a arte, mais do que a ciência, deve dedicar os seus esforços. É certo que a compreensão do próximo é de grande importância. Essa compreensão, porém, só pode ser fecunda quando acompanhada do sentimento de que é preciso saber compartilhar a alegria e a dor. Cultivar estes importantes motores de acção é o que compete à religião, depois de libertada da superstição. Nesse sentido, a religião toma um papel importante na educação, papel este que só em casos raros e pouco sistematicamente se tem tomado em consideração. O terrível problema magno da situação política mundial é devido em grande parte àquela falta da nossa civilização. Sem «cultura ética» , não há salvação para os homens.
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Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo' *** Via Citador

Azulejo pendurado numa parede em Toledo, Espanha

Tradução : +
A SOCIEDADE É ASSIM: O POBRE TRABALHA. O RICO EXPLORA-O. O SOLDADO DEFENDE OS DOIS. O CONTRIBUINTE PAGA PELOS TRÊS. O VAGABUNDO DESCANSA PELOS QUATRO. O BÊBEDO BEBE PELOS CINCO. O BANQUEIRO "ESFOLA" OS SEIS. O ADVOGADO ENGANA OS SETE. O MÉDICO MATA OS OITO. O COVEIRO ENTERRA OS NOVE. O POLÍTICO VIVE DOS DEZ.
+ + Dica do Jorge Rosa

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Padre António Vieira e a Lusitânia

A terra mais ocidental de todas é a Lusitânia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura porque vivem ali menos, ou morrem mais os homens? Não; senão porque ali vão morrer, ali acabam, ali se sepultam e se escondem todas as luzes do firmamento. Sai no Oriente o Sol com o dia coroado de raios, como Rei e fonte da Luz: sai a Lua e as Estrelas com a noite, como tochas acesas e cintilantes contra a escuridade das trevas, sobem por sua ordem ao Zénite, dão volta ao globo do mundo resplandecendo sempre e alumiando terras e mares; mas em chegando aos Horizontes da Lusitânia, ali se afogam os raios, ali se sepultam os resplendores, ali desaparece e perece toda aquela pompa de luzes. E se isto sucede aos lumes celestes e imortais; que nos lastimamos, Senhores, de ler os mesmos exemplos nas nossas Histórias? Que foi um Afonso de Albuquerque no Oriente? Que foi um Duarte Pacheco? Que foi um D. João de Castro? Que foi um Nuno da Cunha, e tantos outros Heróis famosos, senão uns Astros e Planetas lucidíssimos, que assim como alumiaram com estupendo resplendor aquele glorioso século, assim escurecerão todos os passados? Cada um era na gravidade do aspecto um Saturno, no valor militar um Marte, na prudência e diligência um Mercúrio, na altiveza e magnanimidade um Júpiter, na Fé, e na Religião, e no zelo de a propagar e estender entre aquelas vastíssimas Gentilidades, um Sol. Mas depois de voarem nas asas da fama por todo o mundo estes Astros, ou indígetes da nossa Nação, onde foram parar, quando chegaram a ela? Um vereis privado com infâmia de governo, outro preso, e morto em um Hospital, outro retirado e mudo em um deserto, e o melhor livrado de todos, o que se mandou sepultar nas ondas do Oceano, encomendando aos ventos levassem à sua Pátria as últimas vozes, com que dela se despedia: Ingrata patria non possidebis ossa mea. Vede agora se eu tinha razão para dizer, que é natureza ou má condição da nossa Lusitânia não poder consentir que luzam os que nascem nela. E vede também se podia Santo António deixar de deixar a Pátria, sendo filho de uma terra onde não se consente o luzir, e tendo-lhe mandado Cristo que luzisse: Sic luccat lux vestra
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Padre António Vieira, in "Sermões" *** via Citador

Apocalipse, Patmos e o Apóstolo João

O livro bíblico de Apocalipse foi escrito muito provavelmente por volta dos anos 94-96 d.C., durante o reinado do Imperador Domiciano (Domitianus) sob o qual a igreja sofreu uma acirrada perseguição, como se pode perceber em algumas passagens da Revelação, e de que o apóstolo dá conta, nomeadamente em relação a si próprio, e aos restantes irmãos, nos versículos 9 e 10 do Cap. 1. Esta perseguição foi motivada, em grande parte, pela instituição do “culto ao imperador” por Roma.
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João estava na ilha de Patmos quando recebeu a revelação. E estava na ilha de Patmos porquê ? Como ele próprio diz, “por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo”(Ap. 1:9.). A Ilha de Patmos era, muito provavelmente, utilizada pelos Romanos como prisão, por ser uma ilha rochosa, sem praticamente qualquer vegetação; não muito grande (cerca de 7x13 Km) e distanciada mais ou menos 55 km do litoral da actualmente designada Turquia ou, se preferirmos, da então chamada província romana da Ásia Menor. Esta situação geográfica permitia um perfeito isolamento e controlo prisional. Seria uma prisão comparável à que os Estados Unidos da América mantiveram na baía de S. Francisco, em Alcatraz, e para onde eram encaminhados os presos mais perigosos. Para o Império Romano, o apóstolo João era um “prisioneiro político perigoso” e, para estes, o tratamento era diferenciado pela negativa. João não estava a “passar férias numa ilha paradisíaca do mar Egeu”. E também não estava apenas exilado. Estava preso e desterrado! Foi essa a sua condenação por pregar o Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, por provavelmente não obedecer à ordem de adorar o Imperador e, quase de certeza, exortar os seus irmãos em Cristo a não o fazerem também. Aos presos políticos que desobedeciam à obrigação de render culto ao imperador, era destinado, previamente à ida para o desterro de Patmos, um açoitamento. Para além disso, em Patmos, esta categoria de presos, não circulava livremente pela ilha, o seu vestuário era escasso e tinham que dormir ao relento ou numa cela fria, húmida e sem luz. A comida reduzida ao mínimo, a sujeição a trabalhos forçados, debaixo do chicote dos guardas e algemas que nunca eram retiradas em caso algum, completavam provavelmente o quadro prisional do apóstolo. Julgamos que, apesar disso, o apóstolo teve algum tempo disponível para redigir as suas notas sobre a revelação recebida, dado que, diz ele, foi “arrebatado em espírito no dia do Senhor” (Cap.1:10). Pode isto pressupor ( ou não ) que ele disporia, pelo menos no 1º dia da semana, se atendermos à tradição cristã de guardar o domingo para o Senhor ( ou eventualmente o sábado se atendermos à tradição Judaica ), de algum tempo de paz de espírito, facto que o ajudaria também a redigir as notas que dariam origem posteriormente ao livro de Apocalipse.
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Jacinto Lourenço

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Um sítio Mal Frequentado...

"Portugal não é um país, é um sítio mal frequentado"
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Eça de Queiroz
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(1845-1900)

Entender o Apocalipse

Ao iniciar a leitura do primeiro capítulo de Apocalipse, verificamos de imediato tratar-se de literatura bíblica em parte apocalíptica, em parte profética e em parte epistolar.
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O livro começa com a frase : “Revelação de Jesus Cristo”. A palavra “Revelação” deriva do grego “Apokalupsis”. Na versão portuguesa, o termo grego foi transliterado (a nível do título do livro), tendo resultado daí a palavra “Apocalipse”. A literatura de género apocalíptico revela-se sempre rica em simbologia e tipos alegóricos e metafóricos estranhos à linguagem normal, até mesmo para outros géneros que fazem destes recursos linguísticos uso recorrente, como a poesia. É um género literário com forte impacto verbal, que transmite imagens bastante fortes também, emprestando assim grande dramatismo aos acontecimentos narrados que extravasam os conceitos percepcionais do ser humano que acaba por os enquadrar e associar a uma aura de mistério . Contudo, para os leitores a quem se destina a revelação, esta linguagem nada traduz de anormal, bem pelo contrário. Estamos habituados a ela em diversos livros do Velho Testamento, como estavam também os leitores do tempo de João, especialmente os de origem Judaica. Não faria sentido que o livro fosse um “MISTÉRIO”, tendo como título “REVELAÇÃO”.
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Descrever a intervenção divina na vida dos homens, que está muito para além da nossa capacidade de a racionalizar, comunicar a visão de Deus e os seus grandiosos projectos numa linguagem perceptível aos redimidos, é essa a base da literatura Apocalíptica de forte conotação simbólica. Julgo que Deus manteve uma preocupação na visão que deu a João em Patmos, sendo esta igualmente a opinião de muitos comentadores bíblicos : Revelar a mensagem aos que entendiam a linguagem dos símbolos, e ocultá-la, por detrás dos símbolos, aos que a pretendam distorcer ou subverter com outro sentido que não aquele que lhe seja aplicável. Como diz na 1ª Coríntios 2:14 : “ Ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.
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Hoje, “Apocalipse” é normalmente conotado com julgamento e destruição grandiosa, espectacular e misteriosa muito ao gosto "hollywoodesco". Contudo, o termo grego Apokalupsis tem um significado precisamente oposto e remete para “desvendamento e revelação do que está oculto”. Como vemos, está nos antípodas … +
Por outro lado, o livro é também profético, dado que na sua revelação Deus introduz essa condição : “ Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam ( guardar significa preservar algo para que possa ser usado ou aplicado mais tarde ) as coisas que nela estão escritas…” A título de exemplo, temos os profetas que eram, como sabemos, homens inspirados e escolhidos por Deus, para proclamarem a sua palavra, os seus mandamentos, as suas instruções, para o futuro próximo ou distante, debaixo do poder do Espírito Santo, etc.
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Apocalipse revela uma intenção da parte de Deus e que é “desocultar” o que estava oculto aos nossos olhos e permitir que a igreja receba as bençãos que a Revelação promete aos que “ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas” ( v.1:3 ). Deus diz que esses são “bem-aventurados” .
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Finalmente, a característica epistolar de Apocalipse identifica-se logo no início do livro, no verso 4, com a típica saudação apostólica que João faz às sete igrejas: “João ás sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e o que há de vir, e da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono; e da parte de Jesus Cristo …” Neste caso, a saudação não é da parte de João mas de Deus, directamente para todos os salvos em Cristo. João foi apenas o “vaso”, o escriba usado pelo Senhor para fazer chegar até nós a sua Palavra.
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Jacinto Lourenço

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Transformando Tristeza em Alegria

A Bíblia é sem duvida, o Livro dos paradoxos divinos, das contradições sublimes, abunda em pensamentos aparentemente contrários à mão humana. Deus diz:" porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos..." Isaias 55;8."Aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á. Aquele que quiser ser primeiro, seja serv de todos. Quando sou fraco, então sou forte".Nós morremos a cada dia, a fim de participarmos da vida eterna. Aquele que aspira à coroa, deverá tornar a cruz. Tudo isto não parece loucura aos olhos do homem natural? 1 Cor2.14-15.O problema do sofrimento tem preocupado os homens em todos os tempos. Filósofos e sábios debruçam-se, atentamente, sobre o assunto, procurando em vão uma solução satisfatória.Para o verdadeiro crente a solução é bem clara. Cristo revela-a nestas palavras: a vossa tristeza se converterá em alegria (Jo 16.20). Com Ele a tempestade transforma-se em calmaria, a obscuridade em Luz e a humilhação em gloria.Jacob na sua velhice, pleno de amargura, depois de tanto sofrer, quando julgava ter perdido seu filho José e que seu filho Benjamim havia ficado retido no Egipto, exclama:Todas estas coisas vieram sobre mim (Génesis 42;36). A sua ideia era que tudo estava perdido. Porém, pouco tempo depois, radiante de felicidade, ele reencontrou aquele que considerava morto; a sua tristeza se transformou em alegria.[...]
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Samuel da Silva Oliveira
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Ler texto integral AQUI na revista Refrigério

O Génesis, Stº. Agostinho e Darwin

"...Para Agostinho, o Senhor criou um universo deliberadamente designado para se desenvolver e evoluir. E o plano para essa evolução não é arbitrário, mas programado na estrutura de tudo quanto foi criado. Os primeiros escritores cristãos tomaram nota de como o primeiro relato do Gênesis falava sobre a terra e a água dando origem à vida. Eles diziam que isso mostra como Deus dotou a ordem natural com a capacidade de gerar criaturas. Agostinho foi ainda mais longe: ele sustentava que Deus criou o mundo com uma série de poderes adormecidos, que são consumados em um certo momento, de acordo com a divina providência. Uma das evidências disso seria o texto de Génesis 1.12, que sugere que a terra recebeu o poder de produzir vida por si mesma. A imagem da semente, ali mencionada, sugere que a Criação original contém em si mesma o potencial de fazer emergir todos os subsequentes tipos de vida. Isso não significa que Deus criou o mundo incompleto e imperfeito, como pretendia Darwin ao enfatizar a necessidade da evolução; esse processo de desenvolvimento, Agostinho declara, é governado por leis fundamentais, que revelam a vontade do Criador: “Deus estabeleceu leis fixas que governam a produção das espécies de seres, e os tira do esconderijo para serem vistos completamente”, diz em seu comentário.[...]
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Alister McGrath*
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Ler texto integral AQUI na revista Cristianismo Hoje
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*O ex-ateu Alister McGrath é professor de teologia histórica da Universidade de Oxford e pesquisador sênior do Harris Manchester College, no Reino Unido. Possui doutorados em biofísica molecular e em teologia pela Universidade de Oxford.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Anti-Matéria "Caçada" no CERN

( Imagem D.N. )
No CERN não se criam só minibig bangs, como há dias aconteceu. Os físicos do centro europeu de investigação nuclear, em Genebra, também conseguiram agora pela primeira vez "caçar" e armazenar átomos de antimatéria. Mais precisamente 38 átomos de anti-hidrogénio. Um átomo de hidrogénio é constituído por um protão (partícula elementar do núcleo atómico) e por um electrão negativo, que gira em torno desse núcleo. Um anti-hidrogénio é o seu inverso: tem um protão negativo, ou antiprotão, e um electrão positivo, ou positrão. Foi o físico inglês Paul Dirac, que em 1931 previu a existência de antimatéria, uma matéria espelho da que conhecemos. No entanto, ela é quase impossível de observar porque é anulada ao contacto com a matéria, produzindo uma enorme quantidade de energia. E por isso é um grande mistério. Em 1995, os físicos do CERN conseguiram produzir os primeiros antiátomos de hidrogénio, mas como eles desapareceram no instante seguinte, não foi possível estudar as suas propriedades. Agora, no decurso de uma experiência chamada Alpha, os 38 antiátomos foram apanhados e duraram um décimo de segundo nas mãos dos investigadores, o que "foi tempo suficiente para os estudar", segundo o CERN. Para confinar os 38 anti-hidrogénios os físicos utilizaram um novo tipo de "prisão" magnética, depois de 335 tentativas para produzir aquela antimatéria. "Por razões que ninguém compreende, a natureza eliminou a antimatéria, por isso é emocionante olhar para o Alpha e saber que contém átomos estáveis e neutros de antimatéria", disse Jeffrey Hangst, um dos físicos que participou na experiência.
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O que Podemos e Devemos Aprender com os Suiços

Reformas na Suíça com tecto máximo de 1700 euros
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Na Suíça, ao contrário de Portugal, não há reformas de luxo. Para evitar a ruína da Segurança Social, o governo helvético fixou que o máximo que um suíço pode receber de reforma são 1700 euros. E assim, sobra dinheiro para distribuir pelas pensões mais baixas.

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Não sei se estas notícias passam ou não nos telejornais dos principais canais das nossas televisões. Não estou certo que este curto vídeo tenha passado na RTP I, ou que SIC e TVI queiram mexer com os interesses estabelecidos de quem se habituou há muito a viver de shares e noticiários de "encher chouriços" durante duas ou três horas. Estratégia editorial, talvez para não ferir os ouvidos dos senhores da política, do poder, de cujos favores dependem, ou outra razão !? Não sei. O que sei é que são notícias e reportagens como esta que colocam a descoberto a vergonha e, podemos dizer, a criminosa actuação de quem tem mandado nos destinos de Portugal nos últimos 30 anos, e que são os mesmos que recebem prémios de milhões pagos com a magra riqueza que produzimos, que auferem salários imcompatíveis com a realidade nacional, que acumulam muitas pensões de reforma que ascendem a milhares e milhares de euros, que acham isso perfeitamente normal e natural num país que sempre foi pobre e que assim irá continuar se não existir uma efectiva mudança de paradigma que ponha um ponto final em situações de autêntico escândalo e injustiça gritante. E são esses senhores que vêm para as grandes entrevistas, grandes reportagens, grandes debates, etc, passar moral aos portugueses, do alto das suas cátedras. Há que ter vergonha ! É por tudo isto, e muito mais, que Portugal chegou onde está e de onde dificilmente sairá enquanto o caminho for o de sempre. É talvez por isso que estas notícias só passam no canal 2 da RTP, a cujos responsáveis de informação terá que se tirar o chapéu.

+Jacinto Lourenço

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Visto na "Ovelha Perdida"

domingo, 21 de novembro de 2010

Descoberto Primeiro Planeta de outra Galáxia

( Imagem D.N. )
Planeta orbita estrela de uma galáxia anã, que foi engolida pela Via Láctea.

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Desde que o primeiro planeta extra-solar foi descoberto em 1995 pelo suíço Michel Mayor, várias equipas de astrónomos, incluindo de Portugal, já conseguiram identificar quase 500 destes novos mundos, todos eles nativos da nossa própria galáxia. Agora, astrónomos europeus descobriram pela primeira vez um mundo que é mesmo do outro mundo. Trata-se de um planeta extra-solar que também é extra-galáctico. Embora o HIP 13044b, como foi designado, esteja dentro da Via Láctea, ele é oriundo de uma outra galáxia que há mais de seis mil milhões de anos foi engolida pela nossa. A descoberta é publicada hoje na revista Science.[...]
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Ler texto integral AQUI no jornal Diário de Notícias online de 19 de Novembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

O Preconceito Fere, contamina e Destrói

“ …Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus : Tu dizes isso de ti mesmo ou disseram-to outros de mim? ”
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O texto bíblico dá conta de uma pergunta de Pilatos a Jesus, e da resposta que lhe deu o Mestre. A pergunta trazia já em si própria um preconceito do governador acerca de Jesus Cristo. Pilatos, mais do que provavelmente, nunca tinha estado frente a frente com o Mestre. Para ele , Jesus não passava de mais um Judeu que os sacerdotes lhe entregavam para ser julgado e que queriam executado; mas a pena de morte excedia os limites da autoridade sacerdotal e só poderia ser aplicada pelos Romanos. Porém, na recepção ao Senhor, já estava formulada na cabeça de Poncio Pilatos uma linha de preconceito que o deixava previamente influenciado e dividido quanto à avaliação de quem tinha pela frente. De acordo com Lucas 23:6,7, quando Jesus lhe foi enviado pelos principais dos sacerdotes, Pilatos descobrindo que Ele era Galileu e, pertencendo por essa via à Tetrarquia de Herodes Antipas, de pronto o enviou para este que, por essa altura, se encontrava em Jerusalém afim de celebrar a Páscoa. Achava o governador que lavava as suas mãos, sem as molhar, de um assunto que queria confinado à estrita esfera judaica. Por outro lado, no conceito dos responsáveis Judeus, que encaminharam Cristo até Pilatos, a sua consciência ficaria “limpinha”. Descartavam-se do Cristo antes de celebrarem a Páscoa, a cuja celebração não pretendiam comparecer “contaminados”, e “desresponsabilizavam-se” da autoria material da morte do Senhor que recairia dessa forma sobre César. Este Messias não servia os seus interesses nem os seus preconceitos religiosos.
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Apetece-me citar o texto “A Prisão Judaica”, noutro contexto, é certo, que o meu amigo João Tomaz Parreira publicou já há algum tempo numa revista cristã ( “Novas de Alegria” ) , e que a determinado passo diz: “Politicamente verificamos que muitos Judeus, na Palestina, querem o território bíblico, mas rejeitam o Deus que lhes deu ancestralmente a sua terra. Escavam nas raízes, julgam-se para todas as coisas o único testemunho da humanidade e o exclusivo instrumento da divindade, mas colocam Jeová fora dos seus planos”. Foram assim sempre, ao longo da sua história, os Judeus. Alimentando o preconceito de que “um escolhido” tem sempre a razão e a verdade do seu lado independentemente da forma como julga e avalia, e como vive. Citando de Novo J.T.Parreira, no mesmo texto, e que por sua vez cita outros pensadores, e aplicando agora aos cristãos nossos contemporâneos que possam viver, um pouco à imagem do judaísmo, um cristianismo impregnado de preconceitos, faço minhas as suas palavras: “o que vale não é tanto um credo cristão, mas muito mais os actos concretos dos cristãos”.
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Razão teria João Batista ( porque conhecia bem a intimidade do coração e do pensamento dos judeus), quando atirou aos Saduceus e Fariseus a frase: “raça de víboras (…) produzi frutos dignos de arrependimento e não presumais de vós mesmos, dizendo: temos por pai a Abraão[...]”. Por essa e outras razões, que tinham a ver com uma fé liberta e à margem da “linha do preconceito”, foi João Batista martirizado. O preconceito fere, contamina, destrói e, como vimos pela Palavra de Deus, pode matar!
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Preconceito: Ideia, conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério. Obrigação de obediência inflexível a certas normas de procedimento convencional ou tradicionalmente estabelecidas. Estado de superstição de cegueira moral. Abusão, erro, prejuízo, que muitas vezes obriga a certos actos ou impede que eles se pratiquem”. É o que diz o Grande Dicionário da Língua Portuguesa – edição Círculo de Leitores.
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Jacinto Lourenço

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Fantástico Brooklyn Tabernacle Choir - Glory Aleluia

O Rosto de Deus

Rafael, Michelangelo e vários outros pintores tentaram retratar o rosto de Deus. Foram infelizes. Como mostrar na tela quem nunca foi visto? Com a proximidade do Natal, mais artistas procuram esboçar o que imaginam ser o rosto de Deus.
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Ele se parece com uma criança? É o frágil bebé das manjedouras? Talvez; o reino do céu pertence aos pequeninos, aos que mamam. Ao tentar desenhar o mistério, o artista termina com um ídolo.
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O rosto de Deus, entretanto, pode ser experimentado nos sem-teto que perambulam pelas ruas e dormem nos viadutos das grandes cidades. Quando Jesus nasceu, a família estava sem moradia certa, não possuía recursos para pagar uma hospedaria e viu-se obrigada a refugiar-se em um estábulo.
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O rosto de Deus pode ser percebido em vítimas de preconceito e em injustiçados. Sobre o menino que nasceu em Belém pairou uma dúvida: ele era de facto filho de José? O casal não inventara aquela história toda para se safar de um rolo?
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O rosto de Deus se revela nos desprezíveis, nos que foram condenados à margem da história. Quando o menino nasceu, ninguém notou ou escutou o alarido dos anjos. A trombeta que anunciou paz na terra pela boa vontade de Deus passou desapercebida da grande maioria. Apenas um punhado de pastores foi sensível para presenciar o momento mais importante da história.
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Qual o rosto de Deus? Ele não se parece com os cartões postais ou com o menino de barro das lapinhas. Deus é igualzinho a Jesus. E Jesus é bem parecido com o vizinho do lado, com a mulher que pede socorro na delegacia do bairro e com a família que chora a morte do filho no corredor do ambulatório.
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Não é preciso muito para encontrar Deus, basta um coração de carne, humano.
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Soli Deo Gloria
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O Esplendor da Criação de Deus

+ + + Dica do Manuel Rodrigues Soares

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Manuscritos do Mar Morto disponíveis Online

(Foto: Cristianismo Criativo - Trecho do Livro de Salmos)

A Google de Israel e a Israel Antiquities Authority criaram uma versão online dos Manuscritos do Mar Morto. Os utilizadores poderão fazer o download das imagens digitalizadas com dados adicionais, permitindo permitindo-lhes pesquisarem uma ampla gama de áreas em vários idiomas e formatos. O projecto usa imagens de alta resolução para a colecção de 900 manuscritos que compreendem cerca de 30 mil fragmentos. Os textos incluem transcrições, traduções e bibliografia. Está será a primeira vez que os pergaminhos serão fotografados integralmente desde os anos 50. Os Manuscritos são considerados uma das maiores descobertas arqueológicas da História. Foram encontrados entre 1947 e 1956 nas cavernas de Qumram, uma fortaleza a leste do Mar Morto localizada no que foi historicamente parte da Judéia. Foram escritos em grego, hebraico e aramaico, entre o século III a.C. e o ano 70 d.C., quando foi destruído o segundo Templo de Jerusalém. Os textos confirmam o Velho Testamento e foram escritos, na sua maioria, pelos essénios, uma seita judaica. Até à descoberta dos Manuscritos, os únicos textos em hebraico do Velho Testamento eram do século X.
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Mais informações clicando aqui.
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O Laboratório de Deus

Temos de admitir que o conhecimento do Cosmos e da vida não seria hoje o mesmo sem a “passadeira vemelha” que Ptolomeu lançou à ciência e sem algumas ideias naturalistas que Darwin deixou ( quanto mais não seja, pela discussão que permitiram e pela possibilidade que trouxeram aos cristãos de, também aqui, no campo da ciência, afirmarem a sua fé ). Mas admitiremos igualmente que as ideias, a quase roçar o determinismo, de um e de outro, deram origem a um misticismo e falsa ciência que se prolongaram até ao século XXI. A centelha determinista, reconhece-se aliás, ainda que numa outra dimensão, na teoria do determinismo de Marquis de Laplace (1740-1827) que não deixava escolha à verdadeira ciência ao dizer que a química e a física fixavam determinantemente o resultado de todos os actos causativos.
+ O determinismo punha de parte qualquer intervenção divina na sua criação. Era como se o criador estivesse proibido de mexer no que criara. “Ainda hoje, são poucos os cientistas que aceitam o conceito de um Deus que intervém na nossa vida diária “violando” as próprias leis da natureza que Ele criou”, diz Gerald Schroeder. Pois é: ficaríamos “entregues” ao determinismo se não tivessem sido encontrados alguns princípios físicos e mecânicos que permitem constatar que “causas idênticas não produzem sempre efeitos idênticos” (G.Schroeder – “Deus e a Ciência”) Ou seja : a mecânica quântica permite observar que, dentro dos limites da natureza criada por Deus, existe uma confirmada tendência que abre espaço para que algum efeito sujeito a uma causa rígida possa ter um rumo diferente.
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Voltando a Schroeder, ele afirma que “ a mecânica quântica alterou o nosso conhecimento da natureza. […] Os “milagres” de um Deus pessoal tornam-se […] observáveis do ponto de vista científico nos laboratórios de física”. A isto, os cientistas (alguns) incapazes de reconhecer a soberania de Deus sobre a sua criação, preferem responder mistificadamente que ”a mecânica quântica revelou que apenas há acontecimentos sem causas suficientes". Isto é: ” acontecimentos que podem ser observados mas não explicados por condições precedentes” ( G. Schroeder – “Deus e a Ciência” )… Como em tudo na vida, a boa ciência é a que procura explicar-se até a si própria e tem a capacidade de deixar sempre uma porta aberta para a compreensão daquilo que ainda pertence aos desígnios de Deus. O Salmista dizia : “…Tu me cercaste e puseste sobre mim a tua mão. Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. Para onde irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua dextra me susterá. Se disser: decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à minha volta. Nem ainda as trevas me escondem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa. Pois possuis-te o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe” (Salmos 139:5-13).
+ + Jacinto Lourenço

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nós, Cristãos, versus a Pseudo-Ciência

De entre as tentativas esboçadas por várias personalidades, de todos os tempos, para a explicação da criação, tal como ela se nos apresenta, salientam-se algumas que rejeito liminarmente por não revestirem quaisquer hipóteses de ciência honesta, mesmo aos olhos de pessoas que, não sendo cientistas, como eu, nem tendo nesse campo qualquer espécie de pretensiosismo, procuram, isso sim, conhecer as diferentes abordagens científicas ( ou que se pretendem apresentar como tal ). Certos esboços de pseudo-ciência enfunam no espavento da arrogância intelectual ou num forçado hermetismo tantas vezes mistificador da falta de profundidade, rigor e alcance da irrefutável prova, onde cabe também, em minha opinião, o evolucionismo de Darwin. Não o rejeito apenas com a explicação “porque não”, ou apenas porque sou cristão ( e podia fazê-lo nesta condição, por ser integralmente criacionista ). Não o aceito porque não faz sentido nenhum admitir que um ser vivo é obra do acaso circunstancial. ( Lembram-se dos defensores da “geração espontânea” posta em causa pelo Holandês Huygens – pioneiro do Microscópio - e completamente desmistificada, mais tarde, entre outros, por Luis Pasteur !?). Mas o que deixo dito não me impede de admitir que qualquer ser vivo, homem incluído, é influenciado pelo ambiente que o cerca e que com ele interage. Gerald Schroeder, em “Deus e a ciência” (Europa América 1999), afirma «que o Universo está sintonizado com a vida desde o início. No Génesis, a vida aparece ao terceiro dia pela primeira vez. Mas a palavra criação não é mencionada. É-nos dito : “a terra trouxe vida”. A terra já tinha em si mesma as propriedades necessárias para a vida florescer ». Ainda que a comparação possa não ser a mais indicada, mesmo assim não resisto a fazê-la : era como se a terra já estivesse povoada de “células estaminais vegetais” com capacidade para poderem fazer aparecer uma vida que não poderia existir sem que estivessem observadas determinadas condições, nomeadamente as verificadas no segundo dia da criação com a separação das águas e o mais que provável aparecimento das primeiras chuvas sobre a terra que fariam “explodir”, para a sua superfície, toda a vida vegetal, e nada disto invalida ou põe em causa a infinita sabedoria de Deus no acto criativo, antes pelo contrário.
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Jacinto Lourenço

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Nos Braços do Pai

Olá! Vou escrever de novo sobre este assunto, pois sei que temos o péssimo costume de estar sempre nos esquecendo dos cuidados e do amor que o Senhor tem por nós. Não é um cuidado anual, nem mensal, diário, a cada hora, cada minuto. Não. O Senhor cuida de nós a cada fracção de segundo. Jesus cuida de você e de mim, ainda que fiquemos desapercebidos. E para lembrar desse cuidado, quero meditar um pouco na palavra de nosso (aba pai) Paizinho.
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1 - Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós. I Pedro 5:7.
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Nestes tempos em que as mudanças acontecem tão rapidamente: tecnologia, emprego, desemprego, violência, dívidas, problemas familiares, falta de dinheiro, doenças, você não consegue ficar imune a isto. Ficamos preocupados até com o tipo de liderança espiritual que nos guia. Mas em qualquer outro tempo, a falta de tempo para estar com o Senhor, pela oração e solidão é uma realidade. Vivemos no meio de uma geração de pessoas ansiosas. Se não separarmos um tempo diário para conversar com Deus, essa ansiedade vai aumentar e nos deprimir. Eu costumo resolver duas coisas ao mesmo tempo: saio cedo para o trabalho, e desço uns dois quilômetros antes, para caminhar. Orar. Isso me faz passar o dia com um coração mais tranquilo. Eu prefiro confiar a me preocupar.
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2 - Uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei: que possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo. Salmo 27:4.
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Nossa geração tende ao individualismo. É muito crítica, inclusive com tudo que acontece dentro da Igreja. Em lugar de ver a formosura do Senhor, nossos olhos e ouvidos buscam o lado ruim de nossos irmãos, da música, dos pastores. Estamos olhando para os lados e para baixo. Não me admira que estejamos mesmo descontentes. Os olhos do Senhor nos vê de forma diferente. Aprendi que se nossa vida estiver contida em um copo vazio, e for apenas uma ou duas gotinhas de água, O Senhor se alegra pelas duas gotinhas. Ele comtempla e sorri por elas, mesmo que o copo inteiro estivesse vazio. Seu olhar mira aquilo que estamos desabituados de enxergar. Viu uma Igreja com biliões de almas, tantos como a areia da praia, onde só havia 12 homens incultos e pobres. Quando nos detemos nos defeitos dos outros, deixamos de ver a obra do Senhor na vida deles. Nem os braços do Pai em volta deles.
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3 - Disse-lhe [Jesus] pela terceira vez Simão filho de Jonas, amas-me?
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Esta mesma pergunta, o Senhor também está fazendo para mim. E talvez para você...Não posso me esquecer de tudo que Ele fez; que me deu; das alegrias que passei; das lágrimas que chorei diante da sua face. Ansioso, apressado, esquecido. Isto sou eu e talvez você. Nós no final da década do século XXI. Estamos sempre nos esquecendo de lembrar das muitas bênçãos, livramentos e respostas de oração, que Ele nos deu, livrou, respondeu. O Salmo 103 diz: "Bendize ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de NENHUM de seus benefícios.
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4 - Tenho o cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.
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O velho ressentimento. Como é difícil limpar isso. Deus tem bênçãos muito maiores no futuro, mas você continua insistindo em lamentar-se sobre aquele prejuízo, aquela mágoa, ou as palavras duras que ouviu no passado. Estas coisas são muito fáceis de lembrar. Mas com a ajuda do Senhor elas devem ser sepultadas, para que se liberte do passado, e seja abençoado/a no futuro. Eu tive que fazer isto muitas vezes, e o resultado sempre me surpreendeu. Não vale a pena ficar enraizado em amarguras passadas. Jesus nos ensinou a perdoar. O perdão é uma forma de dizer: eu amo você. É uma decisão consciente, mesmo que tenhamos que passar por cima de nossos sentimentos. Deus já nos perdoou uma grande dívida, e rasgou sem hesitação a cédula que manchava nosso nome. A dívida dos que se chegaram a ele, como filhos pródigos.
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O Senhor responde nossas orações. E se não tem respondido, precisamos atentar para a Palavra que vem nos dizendo. Se é algum pecado precisamos confessar? Um vício, mau costume, que devemos abandonar? Ou trata-se de um tempo que devemos esperar?
+ Não! Não podemos esquecer, desistir; as maiores bênçãos são fruto de oração e comunhão. Arranje tempo. Persevere, insista, busque, bata. Há uma porta que o Senhor vai abrir, para os que permanecem esperando.[...]
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dias, como este...

Há dias, como este, em que não rejeitamos a companhia de Elias no Horebe. Em que estamos com David em Ziclague, ou com Moisés no Sinai. Em que sentimos, como Paulo, escamas nos olhos do nosso entendimento, em que não palpamos o rumo para a viagem. Há um tronco que não nos amarra, antes nos afaga as dores. Há dias, como este, em que não lhe entendemos a alegria, ou reparamos mais nas sombras e menos na luz . Há dias, como este, em que as palavras não são nossas amigas e os corvos do profeta, ao invés de pães, nos entregam silhuetas negras. Dias em que sombras de aboboreira não nos aconchegam. Dias, como este, em que o mar é nosso inimigo; espreitamos, por detrás de Josafá, por cima do seu ombro, os contornos da Síria e dos seus valentes. Dias, como este, em que não há força, plano ou projecto. Dias, como este, que nos parece mil anos.
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Há dias, como este, em que os desertos parecem pequenos demais e o tempo corre furioso a roubar-nos a solidão. Dias, como este, em que a poesia não nos anima nem nos interpreta o coração.
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Em dias, como este, somos José vendido a Potifar. E a pátria tão longe !
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Em dias, como este, somos barro ainda em lameiro. Não na roda do Oleiro.
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Em dias, como este, somos pedintes siro-fenícios a regatear migalhas no pó. Ouvimos o silêncio dizer que é demais o que aspirámos. Pesamos, sem aferimento, a corrida louca, na contra-mão em que nos projectaram, e onde buscamos, no cinza-baço dos sinais, direcções ocultas. Somos alegoria da caverna.
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Em dias assim, como este, somos pequenos demais. Só Cristo mede a nossa dimensão.
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Em dias, como este, não queremos favos de mel. Justiça e Misericórdia serão repouso e refeição. Ouvir Deus, sentir Deus, bálsamo precioso e único que nos embala o momento.
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Que em dias, como este, o céu se cubra de Glória e não de chumbo.
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Jacinto Lourenço

domingo, 14 de novembro de 2010

"Pensamentos e Frases de Charles Spurgeon"

"Que o seu molho de lã fique na eira da súplica até que seja molhado com orvalho do céu"
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"A oração em si mesma é uma arte que somente o Espírito Santo nos pode ensinar. Ele é o doador de todas as orações. Rogue pela oração - ore até que consiga orar, ore para ser ajudado a orar e não abandone a oração porque não consegue orar, pois nos momentos em que você acha que não pode, é que realmente está fazendo as melhores orações. Às vezes quando você não sente nenhum tipo de conforto com suas súplicas e o seu coração está quebrantado e abatido, é que realmente está lutando e prevalecendo com o Altíssimo."Sussurros que não podem ser expressos em palavras são frequentemente orações que não podem ser recusadas".[...]
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Ler texto integral AQUI no Blogue de Renato Vargens

sábado, 13 de novembro de 2010

Perceber Tudo sobre o Novo Acordo Ortográfico

Se está a ler este texto, então consta seguramente do vasto número de utilizadores da língua de Camões, Pessoa, Jorge Amado, Sena, Torga, Eça, Camilo e tantos outros ilustres falantes.
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Alguma imprensa portuguesa já está a utilizar a grafia do novo acordo ortográfico. Outra, por sua vez, insiste em continuar com a mesma que eu próprio utilizo, e não vê grandes razões para mudar. As duas opções são acertadas, pelo menos nos tempos mais próximos.
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Na verdade, embora se trate da língua portuguesa, nós, portugueses, não somos seus "donos". Uma língua nunca terá fronteiras que a barrem. É um valor transcultural que não pode ser colocado numa redoma. Assim sendo, a língua, portuguesa ou outra, ao ser utilizada por diferentes gentes, outros povos, e exposta a novas realidades culturais, costumes, percepções, geografias, assume um dinamismo que os seus falantes nem sempre controlam. Ora, do meu ponto de vista, mais vale que as nações que usam uma ferramenta comum tão importante como a língua, neste caso a língua portuguesa, se ponham de acordo à volta de um conjunto mínimo de regras que a normalizem gráfica e foneticamente do que não terem nada e, daqui por algum tempo, provavelmente não na minha geração, cada uma estar a falar um sucedâneo do português.
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Em matéria de acordos ortográficos, como em tudo na vida, não se trata de quem é "dono" da língua ou de quem vai ceder para que os falantes de todas as latitudes se aproximem o mais possível; trata-se simplesmente de defender a língua portuguesa para o futuro sem a desvirtuar na sua génese mas sem perder também de vista que há especificidades culturais de cada nação que todos teremos que entender. Qualquer língua, enquanto valor cultural, patrimonial e identitário de cada povo que a adopta como veículo de comunicação e expressão, descobrirá sempre novos caminhos, seja isso ou não da nossa vontade, para além de que o valor intrínseco de uma língua está também na unidade que pode criar.
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Engraçado é que a língua portuguesa que falamos hoje, e que resulta precisamente do dinamismo linguístico que referi, tem já grandes diferenças daquela que se usava há dois ou três séculos atrás, para não dizer menos ainda, e nem mesmo os mais puristas ousariam hoje escrever e falar o português desse tempo. Seria ridículo e tolo. Visto assim, ainda se percebe menos algumas posições "ultra" contra o acordo ortográfico que, friso de novo, em minha opinião, visa defender a língua portuguesa que é "pátria" de cidadãos de diversas origens e diferentes realidades culturais, facto que só enriquece os seus falantes .
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Detratores e defensores de qualquer acordo ortográfico sempre existirão. No entanto é bom não deixar de pensar que, nesta matéria, o purismo nunca fez carreira. As gerações sucedem-se e a língua fica e adapta-se a novas realidades que não são de todo controláveis , muito menos nesta era da tão propalada globalização. Deixo AQUI, para os que querem perceber tudo sobre o novo Acordo Ortográfico, um Guia Prático do mesmo, publicado pelo Jornal de Letras, Artes e Ideias, com as alterações introduzidas.
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Jacinto Lourenço

Portugal Visto pela banda Espanhola "BLA"

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Artigo no Jornal de Letras, Artes e Ideias

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Johannes Kepler - Cristão e Cientista Corajoso

As contribuições de Johannes Kepler ( “astrólogo” – assim eram designados na antiguidade os actuais astrónomos ou astrofísicos ), alemão nascido em 1571, protestante e estudante de teologia no início da sua vida académica, foram, segundo diz Carl Sagan em “Cosmos” “…de grande audácia e de importância fundamental…” para a compreensão das leis físicas que regem todo o universo, à semelhança, aliás, da importância que teve também Galileu para essa mesma compreensão. Diz ainda Sagan que Kepler, sendo o último astrólogo científico, foi o primeiro astrofísico da história. Tal como aconteceu com Galileu, condenado pela igreja católica pela insistência na defesa da teoria heliocêntrica, não seria fácil para Kepler fazer aceitar a sua tese de que, para além do sol se encontrar estático, os planetas circundavam-no em rotas elípticas e não em círculos perfeitos, como era defendido pelos tradicionalistas, (“convictos de que um Deus perfeito nunca iria colocar os planetas a realizar órbitas em círculos imperfeitos”…- Carl Sagan in Cosmos” ) sendo que isso derivava precisamente da atracção que a nossa estrela exerce sobre os corpos que o rodeiam nos seus movimentos de translacção. Para além de se ter dedicado ao estudo de diversas ciências que lhe permitiram olhar os planetas numa outra perspectiva, Kepler era um cristão convicto que achava que Deus exercia uma influência no universo que ia muito para além de simplesmente se ocupar a aplicar a ira divina e a exigir sacrifícios. O Deus que Kepler conhecia, era e é o mesmo que nós conhecemos: o Criador de todo o universo. Quando em 1543, antes portanto de Kepler e Galileu, um clérigo católico Polaco, de nome Nicolau Copérnico, entregou ao mundo as suas convicções acerca do movimento heliocêntrico dos planetas, que punha desde logo em causa todo o conhecimento trazido à luz por Cláudio Ptolomeu e que durou cerca de mil anos, o mundo religioso e científico de então abanou. Não esqueçamos que Ptolomeu bebera muito em Aristóteles e na ideia dos quatro elementos, água, fogo, ar e terra, que dominavam, segundo a escola Aristotélica, os comportamentos dos seres , pelo que algumas bizarrias que Ptolomeu sustentava vinham na sua peugada. “Ptolomeu acreditava que não só os comportamentos eram influenciados pelos planetas e estrelas mas também que as questões de estatura, tez, nacionalidade e até deformações físicas congénitas eram determinadas pelas estrelas” ( Carl Sagan – “Cosmos” ). A ser assim, Darwin podia ir para casa descansar e colocar a sua teoria da evolução no triturador da história. Em conformidade com as ideias Ptolomaicas, não existiria espaço para nenhuma alteração incutida, pelo meio, aos seres vivos. Coisas simples, como por exemplo, o tipo de alimentação, que tem influência nas alterações morfológicas das gerações ou o clima, que exerce uma tremenda pressão sobre as condições em que nos movemos alterando o modo de vida e desafiando os limites de adaptabilidade dos seres vivos ao mesmo, fazem surgir, em diferentes latitudes geográficas, fortes clivagens morfológicas e fisionómicas, entre outras. Mas estas observações informam-nos que, embora o meio exerça este tipo de constrangimentos, ele nunca contrariará os princípios básicos que presidiram à criação de Deus.
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Jacinto Lourenço

Uma Super-Star Canina

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Interpelar o Tempo

O livro de Actos dos Apóstolos narra-nos, no capítulo oito, a história do etíope que, regressando ao seu país, após a peregrinação a Jerusalém, lia o profeta Isaías. Filipe, o apóstolo, que de perto observava, recebeu um “toque” do Espírito Santo, que lhe disse: “chega-te e junta-te a esse carro”. Curioso, o facto de que o Espírito Santo não lhe tivesse dito o que fazer. Filipe, porém, sabia exactamente o que fazer e dizer : entendes tu o que lês ? . Foi a sua pergunta ao etíope. “Leio mas não entendo. Ninguém se prontificou para me explicar, para me mostrar qual o caminho a seguir ou mesmo, como interpretar os sinais que leio ?!” . Este será porventura o entrelinhado da resposta do etíope a Filipe.
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Como cristão não me chega ler, ouvir e interpretar. Tenho que guardar aquilo que a Palavra de Deus me ensina. Não ser apenas observador do tempo que outros deixam correr sem interpelar a significação dos sinais que deixa. Não devo apenas celebrar a sua passagem “assobiando para o lado” e fingindo que tudo o resto que me rodeia não me diz respeito. No meu caso, como cristão, viver este tempo implica estar preparado para aplicar, como Filipe, no momento oportuno, aquilo que recebi. Estar atento ao que o Espírito Santo me diz, sem fazer “orelhas moucas” à voz de Deus. Preciso “chegar-me” aos que lendo não entendem e aos que ouvindo não percebem, ou não querem perceber. E não preciso que o Espírito Santo me esteja sempre a dizer, a cada momento, o que devo fazer ou dizer; desde que Ele habite em mim, serei sensível aos seus desejos e aos seus propósitos. Basta-me um “toque” seu para que eu saiba o que devo fazer. Ou, como diz Pedro, na sua primeira epístola: ”… estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” ( l Pedro 3:15).
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Jacinto Lourenço

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Bíblia e a Ciência

O filósofo medieval Moisés Maimónides afirmou que "os conflitos entre a ciência e a bíblia surgem de uma falta de conhecimento científico ou de um conhecimento defeituoso da bíblia". É um problema permanente. Os peritos em ciência podem supor que, embora a pesquisa científica exija um esforço intelectual cuidadoso, a sabedoria bíblica obtêm-se apenas através de uma simples leitura da bíblia. Pelo contrário, os teólogos, que dedicaram décadas a escavar as profundesas da sabedoria bíblica , frequentemente satisfazem a sua curiosidade científica através de artigos de imprensa, supondo então que podem avaliar a validade das descobertas científicas. A "oposição" é sempre vista com um nível de conhecimento muito baixo. Não admira que o "outro lado" pareça superficial, mesmo ingénuo. Para relacionar estes dois campos de forma séria é necessário um conhecimento profundo de ambos.
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Do Livro Deus e a Ciência. Autor Gerald L. Schroeder. Publicações Europa América. pág. 19

Jesus, Salomão, o Tempo e o meu avô José.

É importante ter conhecimento. A luta pela supremacia na sua aquisição insere-se hoje nos programas e objectivos de todos os quadrantes da actividade humana. Mas o conhecimento, em si, não pode deixar reféns de matrizes ou ideias feitas aqueles que o procuram e desejam. Seria aliás uma incompatibilidade formal se tal se verificasse. Conhecimento é passaporte para além do imediatismo, sendo que este último reduz o ser humano à escuridão da caverna e à redundância da vida que se pretende encerrar no utilitarismo dos ciclos temporais da humanidade de todos o séculos. Acho que era isso que Jesus queria dizer ás multidões no Evangelho de Lucas :
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“Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis, então, discernir este tempo ?”.
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O sábio Salomão disse saber que há um tempo e um propósito para tudo debaixo do céu. Não sei se o meu avô José saberia dizer quem foi Salomão. Provavelmente sim; quanto mais não fosse pelo conhecimento que tinha da avisada sentença que o rei proclamou sobre a pertença da criança disputada por duas mulheres, relatada pelo Livro Sagrado. Mas há uma coisa que eu tenho a certeza que ele sabia: dar, e receber crédito do tempo e “adivinhar-lhe” os contornos pelos sinais que este lhe transmitia.
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Hoje fala-se genericamente de crédito financeiro, crédito hipotecário. Economia de casino, dinheiro virtual sem correspondência prática a nenhum outro valor tangível. O tempo, não é um valor virtual nem intangível. Apesar de o sentirmos e de assistirmos à sua passagem, não podemos fazer nada para contrariar a sua marcha. Aprisionamo-lo em caixas de relógios e ele liberta-se de imediato em circulares movimentos de sentido único. Não gosta de cadeias, o tempo. Mais do que muitas vezes o consideramos nosso inimigo; ele continua a provar-nos o contrário e estabelece connosco uma troca justa: pede-nos e dá-nos crédito, e ensina-nos a discernir o saldo que resulta das colunas "deve" e "haver". Aprender a ler os tempos e o que eles nos dizem, dia a dia, era o conselho do Mestre para o povo, naquele momento. Sem isso, sem esse conhecimento, seremos pouco menos que analfabetos, por muito que seja o nosso conhecimento.
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Jacinto Lourenço

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Guardar...

“Bem aventurado aquele que lê e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas, porque o tempo está próximo” Apoc. 1:3
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Lembro-me do meu avô materno, homem de excessos contidos, conhecedor dos tempos e das suas nuances, sustentáculos de uma vida de agricultor que o envelheceu precocemente . Sabia ler os céus e os astros que o povoavam, as nuvens, os ventos, as amplitudes das temperaturas, os rigores e os estios. Depois preparava a terra, aproveitava os aluviões e lançava as sementes que seriam o pão sobre a mesa da família. A informação prática, ou empírica, se quisermos dizer de forma mais subtil, que lhe adensava o vasto dicionário da sabedoria herdada de antanho, era fundamental para a sua sobrevivência e dos seus, entre os quais eu me contabilizei em criança. Dela dependia tudo, até os parcos rendimentos amealhados para as situações mais prementes que pudessem vir a espraiar-se numa qualquer maré menos favorável dos refluxos da vida. Conhecia os tempos e isso era determinante. Não sabia ler nem escrever. Escola era um luxo que a pobreza vivida nos seus verdes anos de infante não contemplava. Só lhe ensinaram aquilo que era fundamental para existir no mundo difícil que lhe deixaram. Não enjeitou a herança; sofreu-a como qualquer homem ou mulher da sua geração a quem o trabalho curtiu a vida e a tez, lendo permanentemente, no céu e na terra, os sinais dos tempos que via passar.
Bem aventurados os que “Guardam” . Não tenho dúvida nenhuma de que todos conhecemos o valor deste vocábulo e a sua importância na vida e no tempo. Guardar, conservar, dá-nos a certeza de que garantimos não só o presente mas fundamentalmente o futuro. Guardar a memória, guardar valores, guardar padrões, guardar certezas e convicções. Guardar a fé. Guardar o conhecimento, como fazia o meu avô José, garante-nos que o saberemos aplicar quando dele necessitarmos. Guardar as palavras da professia, diz Apocalipse.
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Jacinto Lourenço

O Intemporal Amor de Deus

O apóstolo Paulo, na carta que dirigiu à igreja dos Efésios, 43 anos antes da que receberam de Jesus Cristo e que se encontra no livro de Apocalipse, saúda-os pela sua fé e realça o seu amor cristão (Efésios1:1). Inácio de Antioquia, que também se dirigiu à igreja de Éfeso por epístola, mas já no princípio do segundo século, recebeu desta informações de que o amor cristão aí reinante tinha sido de novo despertado, porventura na sequência da carta de Apocalipse. Mais tarde, a igreja de Éfeso volta a decair, tendo desaparecido totalmente, como igreja, já durante a idade média, eventualmente acompanhando a queda da própria cidade na sua importância social e económica relativamente à região em que se inseria e a que o total assoreamento dos rios e porto que a serviam, impossibilitando as actividades portuárias e mercantis, não terá sido seguramente estranho. Pode uma cidade desaparecer, porém a igreja não. Não a Igreja Universal. Mas este “não” não é um absoluto para todas as igrejas locais. Uma igreja local pode diluir-se. Basta que perca a visão da sua missão e da sua Sede Divina onde deverão estar as suas raízes, e que se centre em si própria e não no eterno e intemporal amor de Deus.
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Jacinto Lourenço

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Não Temais nem Desfaleçais

... Lemos no Segundo Livro de Crónicas, cap. 20 sobre a terrível situação em que Josafá se encontrava. Estava completamente cercado pelos filhos de Amom e de Moabe e pelos habitantes do Monte Seir. A invasão, pelas forças combinadas do inimigo, vinha de três lados. A Bíblia diz que Josafá " se pôs a buscar o Senhor" - 2º Crónicas cap. 20:3 . Ele não se pôs a preocupar-se. Tinha um verdadeiro problema e sabia disso. Mas decidiu que buscaria ao Senhor[...]. Face a um problema tão esmagador, ele orou segundo as promessas da aliança de Deus[...]. "Senhor não sabemos o que havemos de fazer[...], porém os nossos olhos estão postos em ti[...]. A resposta veio por intermédio de Jaaziel [...]. Quando Jaaziel se pôs em pé, o espírito do Senhor apareceu no meio da congregação e disse: ouçam todos: o Senhor vos diz : não temais nem desfaleçais. A batalha não é vossa mas de Deus[...]."
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Do livro "As armas da sua guerra", pág. 104. Autor Larry Lea. Editora Vida

Procurar Gente que Ame a Poesia...

... Não sou santo e nem poso de palmatória do mundo. De tanto errar, de tanto cegar os olhos para as minhas próprias conveniências dogmáticas e de tanto falar obviedades eu também acabei entorpecido por emocionalismos religiosos. Eu também fiz parte de rinhas políticas. Eu reproduzi uma piedade melosa. Entre pecadores, sempre fui o principal. Contudo, guardo esperança. Talvez eu melhore. Vou procurar o convívio de gente despretensiosa, que ame a poesia, que ouve sabiás e bem-te-vis, que gosta de silêncio, que não vê diabo em cada esquina e que não vive a praticar alpinismo social em nome da democracia ou do sagrado. [...]
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