segunda-feira, 31 de maio de 2010

" A Redenção das Sete Artes: A Pintura"

A identidade da arte está na criação, assim como todos os valores humanos. Deus fez o ser humano criativo e concedeu-lhe a capacidade de ver, conhecer, conceber e reinterpretar com criatividade. Como os demais valores humanos, o processo criativo também foi afectado pela queda. A arte produzida ficou atrelada às funções do sistema. Nos impérios Romano e Napoleónico a arte serviu o poder; na Idade Média e no Renascimento, serviu a religião com o apelo pela captação de fiéis que sustentavam a posição ociosa do clero; no modernismo, afirmou o pensamento iluminista do cepticismo, se transformando numa arte rasa e niilista. Não ousaremos negar que os valores da arte enquanto técnica são belos e refinados; em todos os períodos da história podemos contemplar obras admiráveis. No entanto, a arte em quase todo o tempo estava -- e está -- presa a funções. Somente na Reforma Protestante ela se faz livre. No século 16, os artistas que se convertiam ao protestantismo questionavam a posição da Igreja em relação às artes e passavam a buscar outros caminhos. Se aperfeiçoavam na pintura de retratos, naturezas mortas, naturalismo; pintavam cenas quotidianas como aldeões, trabalhadores do campo, casamentos etc. Até quando representavam episódios da Bíblia faziam-no com sinceridade ao representar os personagens, a vestimenta e os lugares; a arte era despretensiosa e não visava anunciar nenhum tipo de poder, nem mesmo o do próprio artista. Os artistas da Holanda protestante foram os precursores dos novos caminhos da arte para o resto da Europa e se tornaram os grandes mestres inovadores da pintura nos séculos 16 e 17. Entre eles estão Rembrandt, Peter Bruegel, Vermeer e Frans Hals. Segundo Hans Rookmaaker, académico das artes, protestante e fundador do L’Abri1 (Holanda, 1971), “A arte não precisa ser justificada e sim apreciada pela experiência estética que é enriquecedora da vida. A arte foi criada por Deus e tem sua dignidade própria. Não é a função que a faz ser válida; a arte é uma modalidade da vida criada por Deus e tem a função de trazer beleza e enriquecer a vida e não de ser reduzida a funções sistemáticas”. A arte cristã deve refletir a identidade criacional. Deve haver dimensão sensitiva, unidade na diversidade, fenómeno de estilo e até dimensões éticas. Até a representação do “feio” pode ter sua complexidade, porque ela faz parte da dimensão da vida e tem um sentido dentro da distorção da criação. Um exemplo são as obras do pintor Hieronymus Bosch (século 15), que retratava cenas de pecado e tentação, recorrendo à utilização de figuras simbólicas complexas, originais, imaginativas e caricaturais, muitas das quais eram obscuras, mesmo em seu tempo. A realidade da vida e do contexto cultural do artista está inserida na obra; não é obrigatório o artista cristão representar cenas bíblicas, mas ele deve voltar os olhos para a criação e perceber que tudo o que é belo em sua complexidade, sublime e digno de valores faz parte do plano de Deus para a humanidade.
1.) O L’Abri (o abrigo, em francês) é uma organização cristã fundada por Francis Schaeffer e sua esposa, Edith, na Suíça, em 1955. Eles abriram sua casa como um ministério para os viajantes curiosos e como um fórum para discutir as crenças filosóficas e religiosas.
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Por Rafaela Coelho *** Via Revista Ultimato

domingo, 30 de maio de 2010

"A simplicidade do Evangelho"

“Temos posto tantos apetrechos no Evangelho que a prática de nossa fé se torna pesada e confusa”
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Um único trecho da Bíblia, o capítulo 12 do evangelho segundo Mateus, traz pequenos relatos em que é exposta a simplicidade de Jesus expondo a arrogância dos mestres da lei e dos fariseus de seu tempo. As autoridades religiosas do contexto histórico em que o Filho de Deus viveu neste mundo censuravam-no constantemente. Incomodados porque seus seguidores colhiam e comiam espigas no dia considerado sagrado, os fariseus reclamaram: “Eis que os teus discípulos estão fazendo o que não é lícito no sábado” (Mateus 12.2). A estes, Jesus responde dizendo que a misericórdia era mais importante do que o sacrifício. Mais adiante, os doutores continuaram procurando ocasião para acusá-lo como infrator da lei. Diante da cura de um enfermo em plena sinagoga, saíram-se com esta: “É lícito curar no sábado?” (vs. 10). Quando Jesus libertou um opresso das amarras dos demônios que o atormentavam, os escribas e fariseus blasfemaram: “Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios” (vs. 24). Por último, pediram ao Mestre que fizesse algum sinal (vs. 38). De forma indireta, Cristo responde que o principal sinal seria a sua própria ressurreição – mas advertiu que, mesmo assim, eles continuariam incrédulos. Jesus foi muito perseguido pelos clérigos porque a sua mensagem os expunha. Os líderes judeus sobrecarregam o povo com obrigações inócuas, criando um sistema religioso que mantivesse seu poder e seus privilégios. O detalhe é que o Salvador não tinha dificuldades com a lei mosaica, pois foi o próprio Deus que a deu. O incômodo de Jesus era com os apetrechos e pesos que as autoridades religiosas vinham colocando sobre essa lei. Sua proposta era resgatar o real sentido das ordenanças divinas – e ele a expressou com uma proclamação antológica: “Vinde a mim vós que estás cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. A religiosidade sobrecarrega, enquanto que a mensagem de Jesus alivia. Dois mil anos se passaram, e quando analisamos o cristianismo que temos vivido, percebemos que também nós, à semelhança daqueles fariseus e doutores da lei, temos posto tantos apetrechos no Evangelho que a prática de nossa fé se torna pesada e confusa. A Igreja Evangélica vive de hoje vive às voltas com práticas doutrinárias e litúrgicas heterodoxas, colocando sobre os crentes um fardo de regras e obrigações difíceis de suportar. As organizações eclesiásticas do século 21 parecem envolvidas numa série de práticas que não a aproximam da verdadeira essência do Evangelho proposto pelo Salvador. É necessário pensar no que de fato é a experiência do Reino de Deus e no que é simples ornamento. Podem ser ornamentos belos, úteis, justificáveis, funcionais e bem intencionados; práticas inteligentes, sofisticadas e com alto poder de alcance – no entanto, não é isso a essência da vida cristã. As estruturas eclesiásticas não são a Igreja. As coisas que construímos para facilitar a divulgação da fé não podem ser confundidas com o próprio Evangelho. Pastores vivem tentados a impressionar os ouvintes com o poder das suas palavras. Quando nos damos conta de que o teor estético das mensagens sobrepuja a espiritualidade, já estamos viciados em técnicas de oratória. É um efeito perverso, que se volta contra o próprio pregador. E o pior é que nem sempre a palavra profética cabe nos invólucros eclesiásticos. Há a construção de uma dicotomia artificial nas nossas igrejas. Pensam alguns que espiritual é tudo que é apresentado numa roupagem exótica e excêntrica. Sob esta perspectiva, o que genuinamente vem de Deus é aquilo que é desconhecido e diferente. Em decorrência desse pensamento, práticas espirituais rotineiras como estudo da Bíblia, oração sistemática, serviço cristão e comunhão são vistos como traços da tradição que não provocam calor nem rubor. O templo, as organizações eclesiásticas, a liturgia, os programas e as atividades não são em si o Evangelho. É possível viver o Evangelho sem se envolver com essas estruturas eclesiásticas, assim como é possível estar totalmente envolvido com elas e não conhecer a Cristo. Sofremos da epidemia que reduz Deus a coisas temporais da igreja ou na igreja. Acontece que quem vive para fazer um mecanismo funcionar com a força do próprio braço tende inexoravelmente à exaustão. Esgota-se quem carrega os apetrechos da fé. Talvez a confissão de pecado que tenhamos que fazer como Igreja cristã acentuadamente dogmática e institucionalizada seja por ter tirado Deus do centro e posto em seu lugar as coisas referentes a ele. O Espírito Santo pode agir dentro das estruturas que criamos, mas age também a despeito delas. Por isso, não é aconselhável que se baseie a vida em nome de um brasão eclesiástico ou denominacional, mas é coerente que aqueles que têm crido entreguem-se por completo ao Senhor, a fim de que o Evangelho floresça.

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Por Valdemar Figueredo Filho *** In Revista Cristianismo Hoje

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Portugal, 143 Anos antes. Descubra as Diferenças...

"Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista. É assim que há muito tempo, em Portugal, são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção por privilégio e influência de camarilha; será possível conservar a sua independência ?"
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Eça de Queiroz, 1867, in O Distrito de Évora
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( Dica do meu amigo Jorge Rosa )

"Photoshop"...

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Via Jasiel Botelho

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Graça Libertadora

Ainda há pouco, ao reler o admirável Sermão do Monte, percebi como a graça esteve presente nos princípios expostos por Jesus. Mesmo reconhecendo que a graça foi exaustivamente estudada e definida pela teologia, é preciso redescobri-la nos lábios do Nazareno. Os favores imerecidos de Deus não podem ficar circunscritos às codificações teológicas. Naquele relvado, na encosta de um morro qualquer, Cristo falou de assuntos diversos, mas não se esqueceu de explicitar que Deus se relaciona com seus filhos diferente de todas as divindades conhecidas. Após séculos de argumentação sobre os significados da graça, os cristãos precisam despertar para ao fato de que ela é o chão da espiritualidade cristã. Um neopaganismo levedou a fé de tal forma que muitos transformaram a oração em uma simples fórmula para canalizar e receber os favores divinos. Para obter resposta às petições, implora-se, pena-se, insiste-se, no aguardo de que Deus escute. Quando não se recebe, justifica-se assumindo culpas irreais, como falta de disciplina. Acha-se que é necessário continuar implorando para Deus se sensibilizar. Mede-se a espiritualidade pelo número de respostas aos seus pedidos e, quando malsucedidos, castiga-se por não merecer. A própria linguagem denuncia romeiros católicos e evangélicos, que lotam os espaços religiosos: é preciso “alcançar uma graça”. Graça liberta do imperativo de dar certo. O Sermão da Montanha começa felicitando pobres em espírito, chorosos, mansos e perseguidos. Os triunfantes não podem se gloriar de serem mais privilegiados do que os malogrados. Graça revela um Deus teimosamente insistindo em permanecer do lado de quem não conseguiu triunfar; até porque a companhia de Deus não significa automática reversão das adversidades. Graça permite o autoexame, a análise das motivações mais secretas da alma, sem medo. Na série de afirmações sobre ódio, adultério, divórcio e vingança, Cristo deixou claro que ninguém pode se vangloriar quando desce às profundezas do coração. No nível das intenções, todos são carentes. O olhar sutil indica adultério. O ódio despistado revela homicidas em potencial. A vingança disfarçada contamina as ações superficiais. Lá onde brotam as fontes das decisões, tudo é confuso; vícios e virtudes se confundem. Somente com a certeza de que não haverá rejeição é possível confrontar os intentos do coração para ser íntegro. Graça convida a amar. Jesus afirmou que Deus “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos”. Para revelar sua bondade, Deus não precisou ser convencido a querer bem. Deus não faz acepção de pessoas; o seu amor não está condicionado a méritos. Quando as pessoas são inspiradas por gratidão, reconhecimento e admiração por tão grande amor, se sentem impulsionadas a imitá-lo. Deus surpreende por dispensar bondade sem contrapartida de virtude. Assim, na improbabilidade de os seres humanos se mostrarem graciosos, os discípulos devem almejar a única virtude que pode torná-los perfeitos como Deus -- o amor. Graça é convicção de que o acesso a Deus não depende de competência. Quem acredita que será aceito pelo tom de voz piedoso ou pela insistência em repetir preces nega a paternidade divina. Antes de pedirmos qualquer coisa, Deus já estava voltado para nós. Os exercícios espirituais não precisam ser dominados como uma técnica, mas desenvolvidos como uma intimidade. O secreto do quarto fechado representa um convite à solitude, à tranquilidade que não acontece com sofreguidão. Graça libera energia espiritual que pode ser dirigida ao próximo. Buscar o reino de Deus e sua justiça só é possível porque não é preciso preocupar-se com o que comer e vestir e por jamais ter de bater na porta do sagrado para conquistar benefícios particulares. Basta atentar para os lírios do campo e pardais para perceber que as ambições devem escapar à mesquinhez de passar a vida administrando o dia-a-dia. Graça devolve leveza para que os filhos de Deus sintam-se à vontade em sua presença, como meninos na casa dos avós. Graça libera as pessoas para se tornarem amigas de Deus, em vez de vê-lo como um adestrador inclemente. Graça não permite delírios narcisistas. Nenhuma soberba se sustenta diante da percepção de que Deus aposta na humanidade e ainda se convida a cear entre amigos. Graça distensiona o culto porque avisa: tudo o que precisava acontecer para reconciliar a humanidade com Deus foi concluído: “Consumatum est”. Portanto, enquanto a graça não for redescoberta de fato como a mais preciosa verdade da fé, as pessoas podem até afirmar que foram livres, mas continuarão presas à lógica religiosa das compensações. Devedores, jamais entenderão que o reino de Deus é alegria. A graça liquida com pendências legais. Não restam alegações a serem lançadas em rosto -- “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?”. A religiosidade legalista insiste que é perigoso falar excessivamente sobre a graça. Anteparos seriam então necessários para proteger as pessoas da liberdade que a graça gera. Mas o amor que tudo crê, tudo espera e tudo suporta não aceita outro tipo de relacionamento senão abrindo espaço para que haja amadurecimento. Deus ama assim, e o Sermão da Montanha não deixa dúvidas de que todo discurso sobre o reino de Deus deve começar com graça.
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Soli Deo Gloria
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terça-feira, 25 de maio de 2010

A DOAÇÃO

[ Escrita Criativa ]
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Tem os olhos grandes, como dois vegetais. Miguel Pacheco nunca teve uma palavra mais áspera para os seus olhos. E nunca usou óculos. -Um dia destes, os meus olhos andarão a passear numa rua da Guarda , alguém olhará para eles e há-de pensar que os reconheceu - costuma dizer isto aos poucos amigos que ainda mantém, agora que está doente e doou os seus olhos esverdeados. - Que já os viu noutro rosto - conclui, após perscrutar o abalo que as suas palavras fazem. Os mais sensíveis que o escutam, não acham muita graça. Mas a verdade é que é assim mesmo. Tratou de tudo, com seu médico de oncologia e com o seu advogado. As costas cada dia lhe doem mais e, para piorar as coisas, no abdómen começa também a sentir um estilete que lhe produz uma dor finíssima. Mas os olhos têm a aparência de duas esmeraldas, é certo que parecem às vezes estar no fundo de um veio de água turva. Tinha dias. Os olhos estão bons e o cansaço, esse, está apenas no cérebro por tudo quanto puderam ver, ao longo dos seus cinquenta e alguns anos de idade. De manhã, quando acorda, o seu olhar tem o aspecto de ter chegado de uma longa jornada, às vezes levanta-se de noite, interrompendo qualquer cenário onírico, e tem mesmo de o fazer para escrever umas palavras que vêm a ser um poema, mais tarde, ou um pensamento a que agrega ideias. Mas no geral, sobretudo depois de lavar o rosto com água sempre fria e de massajar o lugar à volta dos olhos, inicia o dia com estes sempre atentos ao que possa capturar. Não é jovem já, mas os seus olhos podem dar grandes passeios. - Os meus olhos são como os belgas nos cafés, estão lá para serem observados e observarem - costuma aplicar este pensamento que ouviu ou leu. De facto, assim é, estão sempre em estado de observância, de um lado para o outro, não deixam passar nada sem um subtil regard - incorre com frequência neste galicismo. Seja um simples pardal que se atira da varanda, uma expressão adulta de uma criança, seja mesmo um silêncio quebrado de um modo inusitado, um carro de uma cor ensurdecedora, ou uma bela mulher a chamar a atenção com os saltos agudos dos sapatos, que batem na calçada com o ruído de pedras de gelo a cairem num copo Atlantis. Amiúde, Miguel Pacheco questiona-se onde tem a memória, se não a terá nos olhos. Uma coisa tem neles, a nostalgia, - um relance de tristeza- dizem algumas pessoas da família. Vê-se ao espelho e às vezes pensa nisso, procura na íris os passados ou, como em duas bolas de cristal, os futuros. A única coisa que sabe, - Os meus olhos vão sobreviver-me - , costuma dizer quando está mais descontraído, é que os seus olhos vão ficar por aqui mais algum tempo. Quando levam a conversa para o desanuviamento, dizem a Miguel que os seus olhos são como os templos Maias, mantêm-se no topo mais do que os próprios maias, que já desapareceram há muito. Pacheco, contudo, leva a lei da doação de órgãos muito a sério. Os seus olhos, como ele próprio, não estão inscritos no Registo Nacional dos Não Dadores. Sente um visível orgulho nisso e no que vai fazer com eles. São uns olhos que andaram já por muitos lugares, estiveram sentados, sempre abertos, em aviões, comboios, um dia, na infância, fizeram uma viagem de barco e ainda sente neles a linha inalcansável do horizonte, - Este nascer do sol sobre a ponte que atravessa o Guadiana, a caminho de Sevilha, é quase a primeira manhã do mundo -, disse um dia para a sua família, quando seguiam para Torremolinos, ou - Esse vento nocturno iluminado que sentimos no terraço do Empire State vê-se perfeitamente, tal a sua densidade - repete sempre que se lembra de Nova Iorque. São, de facto, uns olhos que têm história, já viram filhos crescer, cabelos loiros tornarem-se mais escuros, os netos e as netas deixarem de gatinhar, ou os pais começarem a arrastar os passos, olharam com tédio para fotografias, tentaram perceber a utilidade de certas mortes, silenciaram-se diante do infinito, como um pequeníssimo caixão prestes a entrar num forno crematório, ou abriram-se como um grito silencioso. No dia em que assinou os papéis para a doação, Miguel Pacheco continuou a tentar ver o mundo através dos seus olhos, como se eles fossem independentes do corpo.
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João Tomaz Parreira
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- colaborador -

segunda-feira, 24 de maio de 2010

" A Queda "

Oh! quão miserável é a sorte do homem que perdeu aquilo por que foi feito! Oh! quão dura e cruel aquela queda, pela qual tantas coisas ele perdeu! E que encontrou? Que teve em troca? Que lhe ficou?Perdeu a felicidade para a qual foi criado e encontrou a miséria para a qual certamente não foi feito. Afastou-se daquele sem o qual não há felicidade e ficou com aquilo que é, por si, mísero e caduco. Antes o homem alimentava-se com o pão dos anjos e agora, faminto, como o pão da dor, que sequer conhecia. Oh! luto comum dos homens, pranto universal dos filhos de Adão! Este tinha fartura de tudo e nós morremos de fome. Ele era rico e nós somos mendigos. Ele tinha felicidade e a perdeu miseravelmente, e nós vivemos infelizes, tudo desejando e, indigentes, ficamos de mãos vazias!Por que ele, desde que o podia facilmente, não nos conservou um bem tão grande, cuja perda havia de nos acarretar tantas aflições? Por que nos tirou a luz para que ficássemos nas trevas? Por que nos privou da vida para nos condenar à morte? Miseráveis!, de onde fomos expulsos e para onde fomos impelidos! De onde fomos arremessados e em que abismo fomos sepultados? Passamos da pátria para o desterro, da visão de Deus para nossa cegueira, da alegria pela imortalidade para o horror da morte! Que mudança funesta! De tão grande bem para tão grande mal! Perda lastimável, dor profunda, terrível fardo de misérias.
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Anselmo de Cantuária
(1033 - 1109)
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sábado, 22 de maio de 2010

"O Pseudo-Discipulado"

Em Actos Capítulo5 encontramos a narrativa do que aconteceu com Ananias e Safira: Um homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, também vendeu uma propriedade. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: “Ananias, como permitis-te que Satanás enchesse o teu coração, ao ponto de mentires ao Espírito Santo e guardares para ti uma parte do dinheiro que recebeste pela propriedade? Ela não te pertencia? E, depois de vendida, o di.nheiro não estava em teu poder? O que te levou a pensar fazer tal coisa? Não mentiste aos homens, mas sim a Deus”. Ouvindo isso, Ananias caiu morto. Grande temor apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido. Então os moços vieram, envolveram o seu corpo, levaram-no para fora e o sepultaram. Cerca de três horas mais tarde, entrou sua mulher, sem saber o que havia acontecido. Pedro perguntou-lhe: “Diz-me, foi esse o preço que vocês conseguiram pela propriedade?” Respondeu ela: “Sim, foi esse mesmo”. Pedro disse-lhe: “Porque é vocês entraram em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Vê! Estão à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e eles te levarão também”. Naquele mesmo instante, ela caiu morta aos pés dele. Então os moços entraram e, encontrando-a morta, levaram-na e sepultaram-na ao lado do seu marido. E grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos. Ao ler esta história fico pensando como ela nos revela a possibilidade de que, mesmo no meio de um tremendo avivamento espiritual, possa haver o que George Verwer chamou de pseudo-discipulado – pessoas que fingem ser discípulos de Cristo e não o são. O pseudo-discípulo é alguém que aparenta ser um discípulo (aprendiz) de Cristo, mas não é. Canta, ora, fala o "cristianês" fluentemente, mas é tudo uma fachada. A sua vida está cheia de engano e mentira, os seus motivos são a glória própria e o reconhecimento dos homens, o seu Deus é o ego. Apesar de alguns pseudo-discípulos viverem sob a sombra do auto-engano, muitos estão conscientes de sua falsidade e mentira. Em "O Povo da Mentira", o psicólogo Scott Peck fala sobre essa doença da alma – a mentira e o auto-engano. O pecado de Ananias e Safira não foi a falta de generosidade, foi o fingimento. Eles não tinham sido obrigados a dar tudo. Não havia nenhuma pressão sobre eles para que assim o fizessem. Mas movidos pelo desejo de aparentar ser quem não eram, eles tentaram enganar a comunidade cristã em busca de reconhecimento e louvor dos homens. O fim deles foi trágico e serve como um alerta para todos aqueles que seguem pelo mesmo caminho. Evidentemente Deus não está operando o juízo da mesma maneira hoje – se Deus estivesse agindo assim, como disse o George Verwer, as nossas igrejas estariam cheias de cadáveres! No entanto, as consequências do pseudo-discipulado são sempre trágicas. Que Deus nos ajude a submeter as nossas vidas à sondagem do Espírito Santo movidos por um santo temor de Deus – algo um tanto esquecido hoje em dia - e orar como fez o salmista: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se na minha conduta algo te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno".
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Fonte: Rev. Sandro Baggio***Via Hermes Fernandes

sexta-feira, 21 de maio de 2010

"Deus no banco dos réus"

O homem antigo vinha a Deus (ou até mesmo aos deuses) como o acusado ao juiz. No caso do homem de hoje, os papéis inverteram-se. Ele é o juiz; Deus está no banco dos réus. Ele é um juiz bem generoso: se Deus tiver uma boa razão em sua defesa para ser o Deus que permite a guerra, a pobreza e a doença, estará então disposto a ouvi-la. O julgamento talvez até acabe na absolvição de Deus.”
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Fonte: C.S. Lewis em God in the Dock***Via Laion Monteiro

quinta-feira, 20 de maio de 2010

"Quando o Povo tem Fome, tem Direito a Roubar"

Prometer e não cumprir é pecado", diz Belmiro de Azevedo. O patrão da Sonae, que discorda do aumento de impostos previsto no plano de austeridade aprovado pelo Governo, alerta que o Executivo "está a brincar com o fogo" porque "o povo quando tem fome tem o direito de roubar". "Não há outra saída", acrescentou.[...]
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O empresário Belmiro de Azevedo afirmou e "deu de barato" que o povo pode eventualmente dedicar-se ao roubo quando tem fome. No mínimo, o engº Belmiro está a pôr-se a jeito. Provavelmente, e na linha da sua abertura à subtracção de bens alheios, quando e se o povo lhe entrasse pelos Super e Hipermercados dentro para subtrair algumas mercadorias das prateleiras, ele não iria gostar. Teria, ainda assim, três hipóteses: 1ª) deixar que as pessoas saiassem tranquilamente das suas lojas com os carrinhos cheios sem passarem pelas caixas; 2ª) chamar a polícia; 3ª) fechar as lojas.
Ficamos a saber, pela boca de Belmiro de Azevedo, na mesma intervenção em que produziu a infeliz afirmação que, "não pagar promessas" é pecado, mas roubar não, não é pecado.
O engº , que é um homem do norte ( mas se fosse do sul era igual ) sabe o valor do trabalho e conhece o significado da palavra "honradez", e é por isso que se estranha ainda mais que possa supor, e partir do princípio, que o povo é ladrão por natureza e que só está à espera das crises para, com a desculpa da fome, desatar a saquear lojas e assaltar supermercados... A idade, efectivamente, não faz bem a todas as pessoas.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Os Segredos do Maior Telescópio do Mundo"

É um dos cinco grandes projectos científicos do século XXI, tem a participação de Portugal, chama-se SKA, é um telescópio que se vai espalhar por um círculo de 3.000 km de diâmetro e estará pronto em 2020. [...]
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Ler todo o Artigo AQUI no semanário Expresso

terça-feira, 18 de maio de 2010

"A Sacralidade do Tempo"

[ Titulo original do texto : Sem hora marcada para a compaixão ]

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O homem moderno tem hora marcada para quase tudo na vida. Depois dos gregos aprenderem a dividir o tempo, as acções humanas no ocidente foram compartimentadas de acordo com o instante em que deveriam acontecer. Ou seja, temos hora marcada para estudar, trabalhar, cultuar, etc. Todavia, algumas acções não devem seguir essa norma. A prática da compaixão é um exemplo de como não podemos exercê-la apenas em ocasiões devidas. Contudo, com a ajuda dos gregos, foi isso que a religião fez. Das muitas coisas bizarras que inventou, a religião criou o tempo sagrado. Havia então o tempo oportuno pra cultuar e falar com a divindade. Fora do tempo sagrado o mistério não se comunicava. As pessoas ficavam à mercê da instituição sagrada do tempo. Os deuses tinham hora marcada para falar com o povo e ninguém possuía autoridade pra romper com essa coisa instituída. A religião então é a responsável e legitimadora da sacralidade do tempo. Dessa forma, as acções sagradas, como o acto de compadecer-se de alguém, deveria acontecer em um tempo sagrado, o instituído pela religião, assim como também, o acto de adorar à divindade seguia o seu momento oportuno. Na modernidade, o domingo é sagrado para várias religiões. Entretanto, Jesus não dependeu de uma ocasião oportuna para atender a mulher hemorrágica que surgiu no meio do caminho enquanto ele estava indo atender a Jairo. Jesus não se esquivou da necessidade daquela mulher apesar de não ter hora marcada para ela. A questão é que se não estamos no nosso tempo sagrado, dificilmente nos compadecemos. Se não for na sexta à noite, quando entregamos alimentos para os famintos e sedentos das noites frias, se não for no culto do assistencialismo social, se não for no domingo de ceia, se não for no momento sagrado da religião, não tenho porque me compadecer, porque é ela, a religião, que marca a hora para exercemos a compaixão. Só resta lembrar que quem marca a hora devida é a terrível necessidade, e a necessidade surge em momentos diversos, e por incrível que pareça, normalmente não é nos momentos sagrados.
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Fonte: Ivan Cordeiro***Via Hermes Fernandes

domingo, 16 de maio de 2010

A MORTE QUE MATA O SER

Uma nota de suicídio na porta do quarto de Chatov (nome meramente literário), dizia: «Entrem, estou enforcado». Mas ele já não «está», ele já não «é». A morte traz a ausência do Ser e com ela a não prestabilidade do corpo. Fernando Pessoa viu bem esta relação Ser, corpo e utilidade no poema «O menino da sua mãe»: «Está inteira / e boa a cigarreira. / Ele é que já não serve».
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A Primeira Vez.
*** A primeira vez que a palavra morte se verbalizou através da conjugação de um verbo, como uma acção contra o Ser, foi no jardim do Éden e foi o Criador da Vida que a proferiu (Gn 2,17), como um aviso conducente ao Bem e ao Mal e ao livre-arbítrio do Homem. Aceitamos que Deus falava de duas mortes, que se viriam a institucionalizar, digamos assim, a morte física e a espiritual. Depois Caim materializou a parte física da morte ao assassinar Abel. A Morte para matar o Ser estava instituída sobre a Terra. Caim teve, apesar do seu terrível feito, da sua arqui-construção da ideia e do facto «Morte», consciência disso, ao transpor para a universalidade dos seres humanos o incontornável verbo «morrer», ao percepcionar que qualquer um o poderia «matar». «E serei fugitivo e errante na terra, e será que todo aquele que me achar me matará»- disse, no livro do Génesis.4,14.
*** Quando se morre, já não se «está». O nosso «Chatov» disponha de Ser, quando escreveu a sua nota de suicídio «era» ou, para usar uma expressão de Heidegger, o filósofo do Ser, era «Ser-aí» (Dasein -o ser-aí ou o ser-no-mundo), ao perpetrar a sua própria morte deixou de «ser», deixou de «estar». Por essa razão, o suicídio como resultado a que qualquer desespero conduz, é ampliado para um delicado problema filosófico, mas sobretudo teológico nosso contemporâneo. Desde o século XX, designadamente, teólogos protestantes célebres têm-se debruçado sobre o suicídio como sendo este uma resposta materialista ao divino, Paul Tillich e Karl Barth. Também o olhar e pensar filosóficos, por exemplo, de Albert Camus, foram nesse sentido. Não é mero axioma o início do celebrado «Mito de Sísifo», de Camus, quando escreve que «só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio». Claro que o evidencia como resultado do seu pensamento, não existencialista que não foi, mas de filósofo e romancista perante o absurdo que ele considerava na existência humana. Por essa razão, prossegue ao qualificar a importância do problema, que é o suicídio, como uma resposta ao julgamento de se «a vida merece ou não ser vivida».
*** Se não merece, então está justificado o suicídio, a morte voluntária, como alguns sociólogos já lhe chamaram.
*** Aquele romancista-filósofo escreveu, ainda naquele ensaio, que nunca viu ninguém morrer pelo argumento ontológico, pelo princípio do Ser e pela sua finalidade, em contrapartida, disse que viu que morrem muitas pessoas por considerarem que a vida não merece ser vivida. Mas desde o Éden, desde os primeiros capítulos da humanidade iniciada em Adão e em Eva, que a morte e o morrer começaram por ser ontológicos e se passaram para o plano meramente físico, a essencialidade jamais deixou de estar no Ser. Os crentes, os Cristãos pelo menos, para não falar dos Judeus ou dos Islamitas, sabem que no Ser humano vem em primeiro lugar a essência e depois a existência, porque o homem é criação divina.
*** Morrer o Ser.
*** Matar-se é, em certo sentido, confessar, proposta camusiana que tende a contribuir subjectivamente para o existencialismo, mas só na medida em que o romancista referido diz que é «confessar que se foi ultrapassado pela vida». Esta é uma perspectiva de um agnóstico que estruturou o seu pensamento no problema da ausência de Deus, nunca afirmando a Sua não existência. Disse-o, com compreensão pelos crentes, desta forma: «ninguém pode desencorajar o apetite da divindade no coração do homem». Isto dito por um homem sem fé, é marcante. «A existência humana é um perfeito absurdo para quem não tem fé na imortalidade».
*** A auto-negação da vida, a implícita negação da imortalidade da alma e do espírito da criatura humana na acepção bíblica, é uma forma de atentar, lograda ou não, contra a centelha do divino no coração do homem.
*** A teologia evangélica contemporânea, pela voz dos seus teólogos mais proeminentes do século XX, asseverou, com toda a colaboração bíblica, que a resposta ao suicídio, não é que o homem deva viver, mas que possa viver.
*** O suicídio é excluído pela graça de Deus, pela cruz e pela ressurreição de Jesus Cristo, na qual o pecado de rebelião contra a graça de Deus é expiado e abolido- escreveu de modo definitivo o teólogo Bernard Ramm.
*** Deus disse sim ao Homem, na Cruz através de Jesus Cristo, o suicídio quando ocorre é o homem a dizer não a Deus. É uma revolta contra o Amor divino ao Ser. Porque o Ser foi gerado pelo sopro divino nas narinas de Adão.
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João Tomaz Parreira
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- Colaborador -

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Aquecimento Global Acaba com Lagartos"...

Para que servem as lagartixas é algo que teremos que começar a perguntar-nos pois dentro de pouco tempo já não existirão. É um sinal de alarme de que alguma coisa não está bem com os eco-sistemas.
Os cientistas descobriram que lagartos e lagartixas estão a desaparecer em todas as regiões do planeta, inclusive aquelas que não têm registado alterações de qualquer tipo e onde, em teoria, não deveriam existir motivos para que se verificasse um desaparecimento tão rápido e drástico destas espécies.
A revista Science publica o resultado de uma investigação levada a cabo por 26 cientistas de 12 países que constataram a situação pela qual estes répteis estão a passar. Dado que não são capazes por si mesmos de regular a sua temperatura corporal, como fazem os mamíferos, dependem inteiramente da temperatura ambiente para receber calor, pelo que se tornam extremamente sensíveis às variações desta, encontrando-se expostos às alterações que têm afectado o clima global da terra. [...]
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Ler todo o artigo AQUI, em Castelhano, no jornal El Mundo

14 Maio 1948 - Criação do Actual Estado de Israel - Discurso de Ben Gurion

Celebra-se hoje o 62º Aniversário da Independência do moderno estado de Israel. Um acontecimento que se enquadra num plano vasto, sob várias perspectivas, e a que os cristãos não podem ficar indiferentes.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

"Ser Cristão"

Ser cristão é dar o peixe, ensinar a pescar e lutar pela dignidade humana.
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Ser cristão é, quase sempre, muito mais do que os próprios cristãos pensam:
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Ser cristão não é apenas ir à igreja no domingo, mas encontrar a Deus todos os dias, em todos os lugares.
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Ser cristão não é apenas ter amigos cristãos, mas ser o único cristão em um grupo de amigos.
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Ser cristão é viver de acordo com a Palavra de Deus e não com a palavra dos homens, ainda que sejam os líderes da igreja.
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Ser cristão não é usar a igreja para nos servir, mas servir a comunidade por meio da igreja.[...]
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Ler todo o artigo AQUI na Revista Cristianismo Hoje

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dia Internacional do Enfermeiro - 12 de Maio

Hoje, quando me "Googlei " pela manhã, ia com uma expectativa: "O Google não se vai esquecer, pensava eu."
O Google, como bem sabemos, é porventura o maior e mais capaz motor de busca na Internet e lembra-se de coisas que, às vezes, como diz o ditado, "não lembra ao careca". A minha expectativa, hoje, era de que o Google me dissesse que, hoje, precisamente, se celebrava o Dia Internacional do Enfermeiro. Constatei afinal de que não há Googles perfeitos. Mas, apesar do Google não o assinalar, hoje, 12 de Maio, celebra-se mesmo o Dia internacional do Enfermeiro.
Falha grave, do Google, pensei eu ! Até porque a enfermagem é uma profissão suficientemente antiga e demasiadamente relevante para que possa ser esquecida por um Google qualquer.
Mas lá o Google esquecer-se dos enfermeiros no seu Dia Internacional, vá que não vá; mais grave era se eu me esquecesse que hoje se celebra o Dia Internacional do Enfermeiro, já que as duas principais mulheres da minha vida são Enfermeiras, e um exemplo de dedicação extrema à sua profissão. Felizes as pessoas e as instituições que dispõem de profissionais de saúde como a minha esposa Maria José e a minha filha Marta. Autênticos "anjos da guarda" para todos os que com elas se cruzam no exercício da sua missão, que vai muito para além do mero profissionalismo. E eu que o diga ! Beijos para elas neste seu dia e um grande bem haja a todos os enfermeiros, que cuidam de nós com profissionalismo, dedicação e, na generalidade dos casos, autêntico espírito de missão.
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Jacinto Lourenço

"Cinco Minutos para Sonhar"

"O futuro pertence aos que acreditam na beleza de seus sonhos."
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Eleanor Roosevelt
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Portanto, vós orareis assim: Pai Nosso que estais no céus, santificado seja o vosso nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu." Evangelho de Jesus Cristo - ( Mateus 6:9-10)
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Deus criou-nos para expressar a beleza do seu amor.
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Somos mais belos que árvores, flores, o mar e todos animais. Todas essas coisas, a princípio, podem ser deslumbrantes, mas se contempladas muitas e muitas vezes vão diminuir de beleza até trazer o tédio. As pessoas são diferentes; cada uma pensa, sente e age de forma ímpar. Somos seis biliões e meio de indivíduos nascidos para serem diferentes na forma, mas iguais na capacidade de amar. Foi Deus, o Criador, que nos fez assim.
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Outro dia, observei surpreso uma jovem que caminhava pela rua rindo-se sozinha. Ela não se apercebeu de mim, absorta, continuou seu caminho pensando e sorrindo. O que estaria ela pensando para sorrir tanto? Com certeza lembrando-se de alguém, ou quem sabe, fazendo planos, ou envolvida em alguma coisa boa que estaria prestes a acontecer.
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Em tempos de tantos pesadelos é raro ver alguém sorrindo pela rua. E, por falar nisso, como anda seu estoque de sorrisos? Você sabia que é mais fácil sorrir quando você recorda seus sonhos? Da mesma forma que você pode reaprender amar a si mesma(o) cuidando melhor da alimentação, da aparência,da forma física, existe algo ainda melhor: você deve exercitar seus sonhos. Criá-los, revisá-los, ressuscitá-los. Deus precisa de um sonho para fazer o milagre. Volte a sonhar e conte cada um deles para Deus.
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Não importa se tenha 12, 30 ou 90 anos, os sonhos não se limitam nem pelo tempo, nem pelo espaço, nem pela lei da gravidade. Quando sonhamos somos livres.
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Certo prisioneiro estava sobre uma cadeira, com um lençol atado ao pescoço. Ele tinha pesadelos horríveis, um demónio insistia em sua mente para que se matasse. Então, de repente, uma lembrança do seu tempo de criança vinha à sua mente. Ele se lembrava do pai segurando suas mãos caminhando na feira até a barraca do pastel. Ao voltar-se desta lembrança da companhia do pai, apercebia que estava à beira do suicídio e descia da cadeira.
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"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" Jesus Cristo, João 8:32.
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Quando o profeta Eliseu perguntou à viúva: Declara-me o que é o que tens em tua casa? Ela parou, pensou e respondeu que nada possuía. Esforçando-se um pouco mais, lembrou-se, que no meio do "nada" tinha alguma coisa: uma única botija de azeite.
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Para lembrar-se daquela botija, não gastou mais que alguns segundos. O que é uma botija de azeite? Pode ser alguma coisa que tenha e ainda não foi notada. Mas Deus sabe fazer o milagre da multiplicação com aquilo que você tem e julga de pouco valor. Deus tem um bom humor interessante. Ele sempre chama as coisas que ainda não são como se já fossem.
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Há um mal que tira o sorriso das pessoas: milhões delas estão habituadas a ver a vida como um quarto escuro sem nenhum raio de luz - 24 horas por dia. Mas o sol existe e está brilhando lá fora; basta um pequeno sonho para abrir a janela da alma e deixar penetrar a luz. Jesus disse seis vezes no Evangelho "Tende bom ânimo."
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Há um maravilhoso propósito de Deus para sua vida. Creia nisso. Você nasceu para expressar a alegria e o amor de Deus. Acredite nisso. Quanto maiores são as dificuldades, maior é a bênção do outro lado da ponte. Já ouvi um Pastor dizer, tempos atrás, que o muro, quando está a nossa frente, é uma barreira; ao transpô-lo, ele se torna em segurança nossa.
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Se você parar um pouco e usar cinco minutinhos para meditar nas coisas boas que ainda pode fazer, vai trazer uma revolução para sua vida. Quem consegue sonhar, também consegue sorrir. Sonhar é pensar em coisas novas que você ainda não tentou, ou bater de novo naquela porta que você já bateu centenas de vezes. Não sonhe com coisas pequenas; sonhe com uma oportunidade grande e desafiadora.
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Li um facto real no jornal há uns 20 anos. No Vale do Jequitinhonha, arrendam-se áreas de terrenos para cavar minas à procura de pedras preciosas. Uma dupla de mineiros passou muitos meses cavando, e cavando, mas só achava cascalho. Desanimados, desistiram de cavar e devolveram a mina. A terra foi arrendada para outros garimpeiros que após cavarem menos de meio metro, na mesma mina, encontraram um pedra de águas-marinas de cerca de duas toneladas.
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Os que desistem dos seus sonhos, primeiro perdem o próprio sorriso, depois perdem a bênção. Sei o que é isso, pois passei onze anos enviando, e enviando currículos, desempregado. Mas sempre esperando pelo dia em que uma porta se abriria. Justamente quando mais me entristeci por uma entrevista mal sucedida, veio uma nova oportunidade. Refiz mais uma vez o currículo; quando fui entregá-lo à gerente do RH, ela nem quis receber-me. Tudo parecia repetir-se pela milésima vez. Mas aquela vez foi a última. Depois de onze anos, a porta não bateu na minha face, ela se abriu e alargou-se.
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Os sonhos são como a estrutura de uma ponte.
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Do lado de cá, estão as dificuldades, as mazelas, os preconceitos, os desprezos, os zombadores, os linguarudos, os urubus... Mas do outro lado, o Senhor já providenciou as vitórias e está esperando a sua chegada. Mova-se! É sempre interessante esse facto: O profeta Samuel foi até à casa de Jessé - o belemita, para derramar azeite da unção sobre a cabeça do novo rei. Enquanto todo os irmãos estavam em casa, ociosos, o jovem Davi estava ocupado, cuidando das ovelhas da família.
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Você entra com o sonho e Deus com o milagre.
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Assim vai cumprir-se a mais bela promessa do Salmo 23: Deus proverá uma mesa e vai colocá-la(o) assentada(o) atrás dela. Diante de você, mas do lado de cá do rio, estarão os zombadores, os urubus, os preconceituosos, os apedrejadores, os linguarudos, que de longe, vão avistá-la(o), surpresos sem entender nada.
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Jesus é o seu raio de sol.
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Quando todas as portas se fecham, os amigos a(o) abandonam e você está no mais profundo dos poços, olhe para cima e procure por Jesus Cristo. A porta do céu nunca está fechada. Ele é o nome do socorro no dia da angústia. Foi Ele mesmo que disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
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Bastam cinco minutos. Se você ousar um sonho e pensar nele cada dia, Deus vai de abrir a porta. Se você entrar por esta porta, e continuar caminhando, Ele vai abrir portas maiores. Porque se você caminhar com Jesus, enquanto Ele não cumprir toda vontade de Deus na sua vida não descansará, pois Jesus ama você.
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Dedicatória:
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Dedico esta mensagem a você que está no fundo do poço. Olhe para cima e tenha um, dois dez sonhos. Depois conte cada um deles para nosso Paizinho Celestial. Eu já estive lá e sei que isso funciona. Abençoa com o teu bálsamo Senhor este leitor.
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Fonte: João Cruzué***via Olhar Cristão

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Incomodidade da Cruz de Jesus...

...dão que pensar as razões que O levaram à morte. Morreu como blasfemo, condenado pela classe sacerdotal, e como socialmente perigoso. Foram os interesses de Jerusalém e de Roma em coligação que o crucificaram.[...] a pergunta decisiva não é então se Jesus é de direita ou de esquerda, mas quantos católicos tentam ser cristãos.
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Prof. Anselmo Borges
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Ler todo o artigo AQUI no Diário de Notícias Online

segunda-feira, 10 de maio de 2010

"A Arte de Não Fazer Amigos"...

1. Fale sempre a verdade, isto é, o que você acha que é verdade, mesmo que vá doer nos outros.
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2. Seja sempre crítico, com olhos sempre atentos a tudo e a todos. Afinal, os defeitos devem ser revelados, para que as pessoas mudem.
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3. Deseje que os amigos sejam sempre pontuais como você, corretos como você, dedicados como você, interessados como você.
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4. Quando seu amigo errar, não o perdoe, porque ele não podia fazer o que fez.
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5. Convidado para um aniversário de um amigo, faça qualquer outra coisa e não vá, mesmo que não seja nada, para não ter que encontrar pessoas desagradáveis.
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6. Jamais dê um presente, sobretudo quando estiver bastante ocupado ou o dinheiro andar curto.
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7. Na hora do jantar num restaurante, faça questão de dividir rigidamente a conta, real por real, centavo por centavo. Afinal, precisamos ser sempre justos.
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8. Não responda às mensagens que os amigos lhe mandam.
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9. Não desvie sua rota para dar carona a um amigo. Não saia da sua rotina para aceitar um convite.
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10. Conte muitas histórias, todos os seus sonhos, mas nunca ouça os relatos dos outros, porque não são interessantes.
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11. Pense que os amigos devem estar sempre à sua disposição e viva como se a recíproca não fosse verdadeira.
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12. Jamais abra o seu coração com alguém.
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Fonte: Israel Belo de Azevedo, no Prazer da Palavra *** Via PavaBlog.

"Recuso-me a Ser Camaleão"

...Há algum tempo deixei de ter uma fé legalista. Não comungo mais da crença em um Deus que me aprova ou me reprova a partir do meu nível de santidade. Não creio na idéia de um Deus que me reprime por não cumprir as normas que a religião prega, muito menos acredito que alguma ação minha consiga aumentar o meu prestígio diante de Deus. Acredito sim, na necessidade de uma vida moral e ética íntegra, mas isso independe do meu referencial religioso. Minha relação com Deus me ajuda a vivenciar esses conceitos de forma melhor, todavia, vai muito além disso, até porque, não dependo necessariamente de Deus para ser justo ou íntegro, posso ser exemplo de dignidade sem ter ligação alguma com a Verdade. Há algum tempo deixei de ter uma fé medíocre. Não sirvo a Deus com medo de ir para o inferno, aliás, o único inferno que faz parte da minha existência é a estranha realidade das vontades que me dominam sem a minha aprovação. Ademais, fora de mim, existem outros infernos, mas em Cristo quero fazer parte da Igreja que irá se levantar contra cada um deles, pois, foi o próprio Jesus que sentenciou que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. Cabe então, à Igreja, identificar quais as portas do inferno que precisam ser vencidas. É preciso perceber que a violência, o analfabetismo, o preconceito, o aborto, o infanticídio, e tantas outras questões, precisam da iniciativa da Igreja para serem banidas do contexto da vida humana. Enfim, tinha muitas outras inquietações para colocar aqui, mas não quero mais remoer o passado, estou de olho no futuro, comungo com aqueles que ainda crêem em um mundo melhor, que têm esperança que novos céus e nova terra nos esperam, mas, todavia, crêem que isso é possível hoje. Por isso, estou decidido a vivenciar Jesus fora do ambiente religioso. Já ofereci muito tempo da minha vida para a religião, para seus dogmas e preceitos. Já perdi muito tempo da minha vida querendo agradar a gregos e troianos. Mas, agora, quero vida, sem frescuras, e quero experimentá-la no palco de uma existência real, não fantasiosa, e só pra lembrar, não vou me adaptar.
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Fonte: Ivan Cordeiro***Via Hermes Fernandes

sábado, 8 de maio de 2010

Ratzinger Sabe Que eu Sei, que ele Sabe...

A minha esposa desafiara-me, no dia anterior, para uma vespertina caminhada no apetecível passeio fluvial de Alhandra, encostadinho ao tejo. Não era uma novidade para mim, já a fizera em muitas ocasiões anteriores movido pelas mesmas razões: "desenferrujar" o físico e "limpar" a cabeça.
No regresso do percurso cruzamo-nos com um grupo de várias dezenas de pessoas que, pelo aspecto, se dirigiam a pé para Fátima. Chamam-lhe "peregrinos" !
Não quero deter-me sobre a semântica da palavra "peregrino", prefiro ocupar-me sobre o que vão estes magotes de gente fazer a Fátima.
O fenómeno de Fátima, como bem sabemos, resulta da fabricada suposição de que 3 crianças assistiram à aparição da virgem Maria. Do ponto de vista bíblico e do relacionamento de Deus com os homens, isto é um facto não só insustentável como aberrante. Nenhuma investigação do foro teológico e exegético pode colocar a Palavra de Deus a dar cobertura a semelhante acontecimento. E não é porque Maria não tenha tido um papel significante e significativo no plano de Deus e seja , enquanto mãe de Jesus e nossa irmã na fé, credora do mais profundo respeito, como sucede com outras personagens bíblicas, mas sem que isso implique a nossa adoração, que não é aliás exigida, pedida, ou sequer sugerida, em qualquer passagem das Escrituras. A adoração de Maria, ou da sua imagem esculpida em madeira ou noutro material, pelos católicos romanos, só pode ser configurada, à luz da Bíblia, no plano da idolatria pura e simples. E esta é referida e condenada em variadíssimas passagens bíblicas. O Papa Ratzinger, na qualidade de grande teólogo, como o apelidam os vaticanistas, saberá certamente daquilo que falo. Ele sabe, que eu sei, que ele sabe que Fátima é mais do que uma mentira: é um logro, um embuste religioso e sociológico !
Sabendo isto, Ratzinger devia naturalmente recusar-se ( se fora um cristão ) a vir a Fátima para alimentar a crendice popular. Ratzinger deveria imediatamente denunciar esta mariolatria doentia e pecaminosa. Acabar com este espectáculo e folclore degradantes. Pugnar pela pureza do evangelho de verdade e por anunciar que só existe um advogado para com Deus: Jesus Cristo!
Mas Ratzinger não só não o irá fazer como se prepara para contribuir, com a sua presença, para alimentar e sustentar o embuste. É bom que saiba que Deus não se deixa escarnecer.
Ocorre-me, entretanto, que os evangelhos, quando relatam o encontro de Pedro ( de quem o Papa se diz herdeiro ) com Cornélio, nos informam sobre a atitude do Apóstolo para com o centurião quando este se lhe arrojou aos pés para o adorar: mandou Pedro , de imediato, que ele se levantasse e informou-o de que também era homem, um homem como qualquer outro, como eu e como Ratzinger. Mas sendo conhecedor desta passagem bíblica, Ratzinger, mesmo assim, aceita tornar-se objecto de culto, disputado seguramente a Maria, por parte de milhares de pessoas que se afirmam peregrinos só porque caminham centenas de quilómetros a pé. Qualquer teólogo de 3ª categoria seria capaz de elucidar o Papa, que vem a Portugal, e os "peregrinos" , que já cá estão, sobre estas verdades.
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Jacinto Lourenço

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Humor de Sexta - "Peidofilia"...

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Via Jasiel Botelho

Humor de Sexta - Homem prevenido.....

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"O Lado Oculto do Nascimento das Estrelas" - ou os Insondáveis Mistérios da Criação de Deus.

( Foto jornal El Mundo )
Os primeiros resultados do Telescópio de infravermelhos da Agência Espacial Europeia (ESA) mostram detalhes desconhecidos da formação estelar. As novas imagens exibem milhares de galáxias longínquas em pleno processo de formação de estrelas e nebulosas ao longo de toda a Via Láctea. Uma das Imagens mostra, inclusivamente, uma estrela "impossível" em plena formação. As imagens da nebulosa de formação estelar RCW 120 revelaram uma estrela embrionária que, parece, virá a converter-se na maior e mais brilhante de toda a Galáxia nas próximas centenas de milhares de anos. Possui já uma massa de oito a dez vezes superior à massa do Sol e está rodeada de mais 2.000 massas solares de gás e pó, dos quais se alimenta, pelo que tem todas as condições para continuar a crescer. [...]
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Continuar a LER AQUI, em Castelhano, no jornal El Mundo

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Vaticano anda a Espiar as Estrelas... O que diria Galileu ?!

O astrónomo e jesuíta Jose Gabriel Funes, que dirige desde 2006 o Observatório Astronómico do Vaticano, instalado em Castel Gandolfo, a residência de Verão dos papas, explica sem rodeios que se tornou astrónomo "para se aproximar de Deus, que criou o Universo". A um só tempo homem de ciência e de religião, Jose Gabriel Funes, de nacionalidade argentina, diz conciliar sem problemas os dois mundos. "As nossas questões são as mesmas que se colocam aos nossos colegas laicos: compreender como funciona o universo, qual é a sua origem, saber se há planetas idênticos à Terra. Mas somos o observatório do papa, estamos aqui para servir o papa, a Igreja e os nossos colegas", afirmou o responsável do observatório do Vaticano à jornalista Catherine Jouault, da AFP. O padre Funes tornou-se, aliás, astrónomo em primeiro lugar e só depois abraçou a vida religiosa, tal como aconteceu com o seu colega Guy Consomagno, do mesmo observatório, que é especialista em meteoritos. "Sou antes de mais um cientistas", diz este último, notando, no entanto, que é a sua "fé em Deus" que lhe dá "coragem" para fazer a sua investigação. "É necessário ter fé para nós dizermos que há respostas e leis para descobrir e que o universo não é apenas um caos", sublinha Guy Consomagno. Um telescópio antigo está instalado no observatório, mas serve hoje para o papa, e apenas para espreitar os planetas próximos. O Observatório do Vaticano instalou um telescópio moderno no Arizona (EUA) e é aí que oito outros religiosos levam a cabo o trabalho científico actualmente. Em Castel Gandolfo respira-se a História.
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A Autenticidade do Ser

[ Título original do texto: O autêntico é livre de si mesmo ]
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Há um poder de libertação muito grande na autenticidade do ser. Uma das coisas que a religiosidade produz é a hipocrisia omissa. Diria que o religioso torna-se vítima da sua própria devoção. Na busca por mudança interior há a tentativa de transformar o exterior, e isso costumeiramente resulta na dissimulação e até simulação de carácter. O engajamento em trocar velhos hábitos tidos como impuros por atitudes condizentes com as regras de fé adoptadas é igualado ao arrependimento e entrega dos quais conclamam as boas notícias de Jesus Cristo, para os mais vis e repugnantes. Quando me esforço para mudar o jeito como falo, o tipo de roupa que visto, o tipo de amigos que tenho, a natureza dos lugares que frequento e como lido com as pessoas sem antes ter tido a essencial renovação do ser, estou apenas limpando o exterior do copo. Provavelmente, e muito provavelmente, a sua religião empurra-o para esse infrutífero caminho: adoptar novos preceitos de vida, nova indumentária, novos jargões e formulações prontas e a incapacidade de sustentar pensamento livre. Tudo isso sob a retórica de estar nascendo de novo. Ao passo que, com Jesus Cristo, a ordem das coisas é bastante diferente. Aliás, se há alguém que quebrou paradigmas sem conta foi Ele; Mas isso fica para outra explanação. Não me recordo de ler nos Evangelhos nenhuma narrativa que mostre Jesus aceitando pessoas sob a condição de mudança exterior. A mesma pode até vir a ocorrer, mas sempre em consequência de uma total reviravolta interior. O que carregamos no coração é que será reflectido na aparência. E não há falsidade que esconda isso por muito tempo, seja luz ou trevas o que existir lá dentro. Jesus não dizia, “venha para a minha igreja, mude de vida e receba meu perdão e aceitação”. O contrário, “receba meu perdão e minha aceitação, e isso mudará sua vida”. Um dos atributos dessa ordem é ser livre do status quo. Tornar-se autêntico mesmo que não signifique ainda pronto, totalmente santo e irrepreensível, é uma virtude pouco encontrada nos crentes. Como posso receber o perdão salvífico de Cristo sem exercer a disciplina da autenticidade? O autêntico vê pouca dificuldade na humildade. Assim, vê grande alegria no perdão reconciliável do Pai, em seu Filho. Sua honestidade para consigo mesmo o conduz a uma saudável transformação de dentro para fora. Eis, então o problema do religioso que aprendeu a mudar como vive sem antes receber a Vida dentro de si. Acometido da pressão de parecer santo e ungido para os outros, apodreceu seu interior pelo preço de ostentar parecer o que ainda não conseguiu ser. Portanto, vive preso a si mesmo.
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Por Thiago Mendanha *** Via Hermes Fernandes

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Fé e a Razão

É triste, mas a maioria dos cristãos ainda mantém o péssimo hábito de colocar uma separação entre a devoção piedosa a Deus e a ortodoxia do pensamento. Costumam dizer-nos que a fé e a razão são antagónicas e não podem dividir o mesmo espaço. Mas houve um tempo em que não era assim. A história do cristianismo está cheia de exemplos de cristãos fervorosos que eram intelectuais de primeira grandeza, ao mesmo tempo que nutriam grande devoção a Deus. Podemos citar Agostinho, Lutero, Calvino, Jonathan Edwards, e muitos outros. Penso que se desejamos ser luz do mundo e sal da terra em nosso tempo, então uma coisa não pode existir sem a outra. Uma fé de grande devoção e afectos apaixonados que não busca profundidade de pensamento pode tornar-se uma fé “água com açúcar”. Assim como um pensamento de amplitude exponencial, sem a chama do Espírito, é semelhante ao vapor que logo se desvanece. O emocionalismo e o intelectualismo são dois extremos que devemos evitar caso tenhamos em nossos corações o desejo de sermos adoradores que adoram em espírito e em verdade. O pastor e teólogo John Piper resume bem o que quero dizer. Ele diz: "A adoração precisa ter coração e cabeça. Ela tem de envolver as emoções e o pensamento. Verdade sem emoção produz ortodoxia morta e uma igreja cheia de admiradores artificiais. Por outro lado, emoção sem verdade produz agitação vazia e cultiva pessoas superficiais que rejeitam a disciplina do raciocínio exacto. A adoração verdadeira, porém, vem de pessoas com emoções profundas, grande amor e doutrina sadia. Afeições fortes por Deus, arraigadas na verdade, são ossos e medula da adoração bíblica".
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"Aquele que orou bem, estudou bem"
***
- Lutero-
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Daniel Grubba *** Via Soli Deo Glória

"Notas para uma Leitura de Paulo"

Se Jesus nos ensinou a sermos homens para nos tornarmos filhos de Deus, Paulo nos ensinou a fazer uma ampla releitura da cultura e da história de modo a salientar a abrangência, a singularidade e a relevância do evento messiânico. Do mesmo modo que Paulo achou necessário empreender uma reinterpretação radical do judaísmo a fim de destacar (sem esgotá-los) os significados da obra de Jesus, devemos com o mesmo propósito sujeitar a uma reinterpretação radical o cristianismo e portanto nossa própria cultura. Nesse sentido são inteiramente válidas as críticas “pós-modernas” à história do cristianismo e a uma leitura tradicional ou condicionada do texto bíblico, mesmo quando o alvo dessas críticas é o caráter historicamente condicionado do próprio Paulo.[...]
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Continuar a LER AQUI no Blogue Bacia das Almas

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Receita Para Não Sofrer"

QUEM É FELIZ SEMPRE, e nunca sofre, padece de uma grave enfermidade e precisa ser tratada a fim de aprender a sofrer. Sofrer pelas razões certas significa que estamos em contacto com a realidade, que o corpo e a alma sentem a tristeza das perdas e que existe em nós o poder do amor. Só não sofrem, quando para isso há razões, aqueles que perderam a capacidade de amar. Toda experiência de amor traz, encolhida no seu ventre, à espera, a possibilidade de sofrer. Assim, a receita para não sofrer é muito simples: basta matar o amor.”
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Rubem Alves em Um mundo num grão de areia
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

"O Apocalipse e o Nada"

“Deus me mostrou com a tragédia no Haiti que não sou nada. Nossa vida não é nada.”
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“A Bíblia diz que isto aconteceria no final dos tempos. Desastres vão ocorrer, pessoas vão morrer aos montes, o mundo se destruirá.”
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Ouvi essas frases repetidas vezes nos últimos dias. Infelizmente, elas não geram fé, e sim um desânimo niilista que domina sutilmente nossa cultura cristã. O niilismo, que é a negação da importância da vida, da moral e do bem, começou na filosofia quando a ideia de Deus como centro da vida foi sendo abandonada. Sem a transcendência de um Deus que nos cria, nos ensina e nos atribui valor, a vida humana se mediocriza, as individualidades se homogeneízam e tudo se nivela no nada. Sem o milagre do “imago Dei”, somos apenas animais racionais, condenados ao sofrimento perplexo. Incomodo-me quando escuto cristãos falando isto: “Não somos nada -- chegamos a essa conclusão depois da tragédia”. Como assim não somos nada? Aquelas centenas de milhares de pessoas enterradas lá não são nada? Zilda Arns não é nada? Aquela esposa encontrada viva depois de seis dias debaixo dos escombros pelo marido incansável não é nada? Sua vida não tem importância, assim como a minha? Se tenho tais pensamentos, eles vieram da minha cosmovisão humanista e aleijada -- e não da Bíblia. A Bíblia nos revela um Deus que sofre por uma vida humana, por mais insignificante que nos pareça. Somos aqueles a quem ele ama. Somos aqueles feitos por ele individualmente, cada um de nós predestinados para o bem, para a vida. Cada vida debaixo dos escombros tem um valor específico e transcendente e, por isso, será insubstituível. Deus conhecia a todos. E o que dizer do: “Haverá terremotos, o amor se esfriará, haverá guerras”? Sim, está mesmo escrito. A conclusão a que chegamos é que está errada: “Portanto, porque está escrito, eu me acostumo, me adormeço numa passividade fatalista, pensando que ter fé é apenas esperar conformado que as desgraças aconteçam”. Mais uma vez deixamos de conhecê-lo. Deus não tem dubiedade de intenção. Seu caráter é de luz, sem treva nenhuma. Quando ele nos alerta sobre o que há de vir, não o faz num ímpeto sádico de nos oprimir com a tragédia inexorável, mas como o pai que alerta seu filho do perigo, que o ensina a superar os problemas e as adversidades da vida, que prevê o mal para que se escolha o bem. A profecia nos instrui. O livro de Apocalipse começa com: “Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito” (Ap 1.3). Podemos aprender o que é fé com o jovem haitiano resgatado depois de dois dias pinçado num vergalhão embaixo das ruínas de um prédio de cinco andares: “Minha vida está nas mãos de Jesus. Estou feliz com ele”. O rapaz estava preparado, conhecia o caráter de Deus. Ele não se compraz no mal, mas é capaz de usá-lo para nos fazer o bem. Haverá guerras e desastres naturais e o pecado vai aumentar; portanto, tenho que agir. Tenho que salgar para que o amor não se esfrie. Estabelecendo-se o niilismo, a ajuda humanitária desaparece. Vou me preparar, farei cursos de primeiros socorros, criarei um fundo de ajuda emergencial, mobilizarei uma equipe especial para responder aos desastres. Reconstruirei casas, restabelecerei a esperança nos corações que sofreram tantas perdas, falarei do amor daquele que nos ama, e não nos considera um nada. Longe de me conduzir ao desânimo amargo do niilismo, uma leitura correta do Apocalipse me faz ter esperança de dias melhores. Porque eu estou aqui e, enquanto tiver vida, posso mudar as coisas ao meu redor.
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Por Bráulia Ribeiro Via Revista Ultimato