sexta-feira, 31 de julho de 2009

Stress Crónico : O Cérebro Responde e Procura a Rotina

( imagem jornal Público )
...Vamos colocá-lo a viver no segundo andar de um prédio. Pode ser? Pronto. Agora, imagine a sua rotina diária. Todos os dias, entra no elevador e carrega no botão 2 para chegar a casa. Porém, se mudar de edifício - suponha que está a visitar alguém -, vai escolher outro piso, adaptando-se a esta nova realidade. O problema é que, segundo o estudo agora publicado na revista Science por investigadores portugueses, quando está sujeito a uma situação de stress crónico o mais provável é que continue a carregar no botão 2, em qualquer elevador, de qualquer prédio. O seu cérebro mudou e agora responde com as acções de rotina. [...]
Ler todo o artigo Aqui no jornal Público de 31/07/2009

Casa Museu de Beethoven : IMPERDÍVEL

Ludwing van Beethoven, não precisa que se fale muito dele para que qualquer pessoa tenha alguma memória, por mais ínfima que seja, da musica pertencente a este grande compositor.
Através das páginas da "Notícias Sábado", ( a revista que acompanha o jornal Diário de Notícias ao Sábado ) descobrimos que qualquer um de nós se pode "deslocar" à sua Casa-Museu, em Bona, na Alemanha, exactamente situada na casa onde nasceu o compositor , e efectuar assim uma visita virtual ao maior acervo do mundo sobre a vida e obra de Beethoven.
Segundo a NS, e eu confirmo, é possível consultar cerca de cinco mil documentos originais, digitalizados, com as devidas explicações e informações sobre os mesmos ( não sei se todos, pois ainda não tive tempo disponível - nem sei se alguma vez virei a ter - para validar isso na visita virtual que fiz ) que nos abrem uma panorâmica sobre a vida e a obra do compositor.
Subir aos vários andares do museu e observar objectos utilizados por Beethoven, no seu quotidiano, é outra das virtualidades possíveis. Como bónus é-nos facultado ainda um "pulinho" ao interior da residência do compositor , em Viena, onde faleceu em 1827. Pena que só esteja acessível em duas línguas : Alemão e Inglês. Tente desenrascar-se, embora eu não ache que isso represente impedimento, para uma boa visita, a quem não domina nenhum destes dois idiomas. Mas não se deixe tentar pelo tradutor automático: aí é que não fica a perceber mesmo nada. Se não puder fazer uso do inglês ou do alemão, o melhor é ir clicando e descobrindo. É fácil e intuitiva esta visita virtual. Obrigado à NS pela dica. Fantástica, mesmo, esta visita virtual, cheia de recursos. Imperdível, se for o caso de não poder ir lá fisicamente, está claro !
Jacinto Lourenço

Espólio de Fernando Pessoa : Tesouro Nacional

O espólio documental do escritor Fernando pessoa, que inclui cartas, fotografias, livros e apontamentos, foi classificado, esta quinta-feira, como "tesouro nacional", em Conselho de Ministros..Essa classificação teve em conta 'o relevante interesse cultural, designadamente, histórico, linguístico, documental e social' e reflecte 'valores de memória, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade e exemplaridade', refere o Conselho de Ministros em comunicado. A aprovação do decreto conclui, assim, um processo de classificação do espólio de Fernando Pessoa iniciado pela Biblioteca Nacional em Outubro de 2008 e abrange não só o que é conhecido até ao momento mas tudo o que possa vir a ser descoberto, impossibilita a saída de Portugal de qualquer documento do poeta.
In revista Sábado de 30 de Julho de 2009

* * *
Pena que seja só o espólio e não o próprio, pelo menos dito assim pelo estado português. Ab-Integro

Profetas "menores"

Impressionismo - Manet

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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Impressionismo - Renoir

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Pensar

"...Pensar não é difícil. Pode ser perigoso, mas não é complicado; pode ser trabalhoso, mas não é proibido.[...]"

"Normalização"

Ser apenas ele mesmo, num mundo que faz o possível, noite e dia, para o tornar semelhante aos outros, significa a batalha mais difícil que qualquer ser humano tem para travar.
. E. E. Cummings

Via Pavablog * * * Adaptado ao português usado em Portugal por Ab-Integro

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Impressionismo - Manet

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31ª Conferência Desafio Jovem

Do nosso ponto de vista, o único evento cristão-evangélico verdadeiramente global em Portugal. Quer pela importância, pelo relevo do trabalho, pelo passado do Desafio Jovem ou pelo impacto que esta conferência costuma promover em quem frequenta as suas reuniões; normalmente congrega pessoas de todas as idades e gerações preocupados no usufruto de verdadeiro tempo e encontro com Deus em plena liberdade de espírito, mais do que qualquer outra coisa. É bom estar lá e viver a Conferência.
Ab-Integro

Um Deus Absolutamente Supremo !

"O Deus deste século vinte não se assemelha mais ao Soberano Supremo das Escrituras Sagradas do que a bruxuleante e fosca chama de uma vela se assemelha à glória do sol do meio-dia. O Deus de que se fala actualmente no púlpito comum, comentado na escola dominical em geral, mencionado na maior parte da literatura religiosa da actualidade e pregado em muitas das conferências bíblicas, assim chamadas, é uma ficção engendrada pelo homem, uma invenção do sentimentalismo piegas. Os idólatras do lado de fora da cristandade fazem "deuses" de madeira e de pedra, enquanto que os milhões de idólatras que existem dentro da cristandade fabricam um Deus extraído das suas mentes carnais. Na realidade, não passam de ateus, pois não existe alternativa possível senão a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus. Um Deus cuja vontade é impedida, cujos desígnios são frustrados, cujo propósito é derrotado, nada tem que se lhe permita chamar Deidade, e, longe de ser digno objecto de culto, só merece desprezo”.
Arthur Pink (1886-1952)

O Tipo Certo de Homens...

A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo. A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto. Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer acto religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação. Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projectos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projectos. Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentatório e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová. A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais frequentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado. Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos . O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles. Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser transmitido; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age entre os homens. E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo...
Fonte: Editora Fiel
* * *
Depois de ler este texto, fica-se com a ideia de que não temos mais nada para ler que nos possa dar melhor contributo ao entendimento da realidade da igreja actual, mas também o caminho que ela ( e cada um de nós ) deve tomar . Confesso que fiquei mais tranquilo, mais calmo e mais seguro quanto ao propósito de Deus para cada um dos seus filhos, em que me incluo. Ele fala-nos de tanta maneira... Que possamos ouvi-Lo com o nosso espírito e alma limpos e isentos de qualquer grão de preconceito de superioridade ou inferioridade espiritual. Todos estamos reflectidos neste espelho de sabedoria e inspiração.
Ab-Integro

terça-feira, 28 de julho de 2009

Humanos já Comiam Peixe há 40 mil Anos

Descobertas feitas na China mostram dieta abundante e rica em proteínas. A análise de um maxilar encontrado numa gruta de Tianyuan, perto de Pequim, na China, permitiu concluir que os humanos já incluíam peixe na sua dieta há 40 mil anos. A equipa internacional que fez esta descoberta era formada por cientistas da Alemanha, da China e dos EUA. A análise química do colagénio proteico, usando relações de isótopos de azoto e enxofre permite mostrar se o consumo de peixe era ocasional ou um alimento regular. No entanto, embora seja hoje uma parte fundamental na dieta dos humanos, desconhece-se até que ponto os primeiros homens conheciam este alimento. A investigação com isótopos de carbono e azoto das ossadas e restos associados permitiu neste caso estabelecer a relação mais antiga, até hoje, entre humanos e consumo de peixe. No caso deste indivíduo com 40 mil anos, havia uma dieta elevada em proteína animal e, em particular, peixe de água doce. As observações dos locais arqueológicos permitem dizer que esta utilização de recurso alimentar ocorreu antes da invenção de ferramentas que facilitavam a pesca. A conclusão dos cientistas é que esta dieta reflecte pressões populacionais naquela parte da Ásia. A população humana estaria em rápida expansão na época.
In Diário de Notícias Online de 15 de Julho de 2009

Marcas de Destruição na Terra Vistas do Espaço

( foto jornal Público )
Astronauta identifica marcas da destruição humana no planeta Terra
Um astronauta canadiano a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) identificou marcas da destruição humana no planeta Terra. Bob Thirsk falou ontem do degelo, fenómeno que evoluiu desde a última vez que tinha estado em órbita, há 12 anos.Thirsk está há dois meses na ISS e sempre que olha pela janela nunca deixa de ficar maravilhado. “É um véu muito fino de atmosfera que nos mantém vivos na Terra”, comentou o astronauta durante uma conferência de imprensa a partir do espaço.“Mas noto alguns efeitos da destruição humana na Terra. Pode ser apenas uma sensação, mas fico com a ideia de que os glaciares estão a derreter, o gelo nos picos das montanhas é hoje mais reduzido em relação ao que existia há 12 anos, a última vez que observei do espaço”. “Isso entristece-me um bocado”, admitiu.Thirsk deverá ficar na ISS durante seis meses.
In Jornal Público Online de 28 de Julho de 2009

ASSISTÊNCIA RELIGIOSA NOS HOSPITAIS

Ao longo de anos, muitos têm sido os casos de pastores e outros ministros que têm encontrado dificuldades no acesso aos hospitais quando pretendem visitar doentes das suas igrejas. Por vezes, o acesso é recusado, por vezes é apenas condicionado a um certo horário ou ao acompanhamento pelo capelão católico romano. É convicção da Aliança Evangélica Portuguesa que os casos que têm chegado ao nosso conhecimento não são mais do que "a ponta do iceberg" e a AEP deseja dar a conhecer a Sua Excelência a Ministra da Saúde a dimensão real do problema da discriminação de que quer os doentes quer os ministros de culto das confissões minoritárias vêm sendo objecto. Por favor, seja qual for a sua confissão religiosa, se se sentiu discriminado em virtude da sua opção religiosa em matéria de assistência religiosa num estabelecimento de saúde público ajude-nos a conhecer e a dar a conhecer a realidade da discriminação no nosso país. Relate-nos o seu caso com referência a locais, datas e tanto quanto possível identificando as pessoas envolvidas. Relatos anónimos não poderão ser validados. Pode enviar o relato para geral@portalevangelico.pt ou para Aliança Evangélica Portuguesa, R. Barjona de Freitas, 16-B (1500-204) Lisboa.Obrigado por colaborar com a Aliança Evangélica Portuguesa na luta contra a discriminação religiosa em Portugal.
In Portal Evangélico

Acordo sobre Assistência Religiosa

Fonte do gabinete do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, que tutela este dossier, confirmou à Agência Lusa o acordo, sublinhando que abrange não só a Igreja Católica como todas as outras confissões religiosas.[...]
Ler todo o artigo aqui no jornal Diário de Notícias Online de 27 de Julho de 2009

Impressionismo - Degas

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Aprender a Amar

Amor, Ódio, Desprezo
Meus ódios são passageiros, os amores, claudicantes, os desprezos, perenes. Nunca tive medo de odiar. Minhas fúrias são inofensivas; no máximo, palavrões secretos. Meu maior pavor é desprezar, porque tornei-me mestre em esquecer. Sou ás em mutilar-me com amnésia. Treinei para olvidar. Sou culpado de homicídios emocionais. Frio, posso esquartejar quem quiser. Calculista, assassino com desdém.Amo com dificuldade, mas esqueço sem esforço. Viro as costas e pronto, acabou. Apago o contorno dos olhos. Anulo os cheiros. Rasgo memórias. Lixo tatuagens. Jogo na lixeira da alma quem me feriu. Nunca tramo vingança; não há necessidade, sou hábil em diluir quem me feriu. Não, não estou me gabando. Sei que peco contra mim mesmo quando desprezo. Acabo com a possibilidade do perdão, tranco a porta da misericórdia e me distancio do bem. Tenho que me esforçar para não deixar que a mediocridade, que tanto detesto, me apequene. Preciso da nobreza dos mansos que suplantam as dores do passado - a minha lateja por décadas. Reconheço que me aleijo quando deleto alguém. Não gosto de ser indiferente. Desde cedo sofri. Padeci e criei casca. Para sobreviver, revesti-me com a sobrepeliz da insensibilidade. Por isso, apaixonei-me por Jesus de Nazaré. Ele venceu o ódio sem punhal. Desarmado, só com bondade, atropelou a maldade. Sem contar com nenhum exército, fez da ternura a força mais admirável do universo. Reconheço a minha carência. Tenho muito o que aprender. Ainda hei de acolher quem joga pedra, compreender quem é torto de inveja e caminhar duas milhas com quem conspira para destruir.

Soli Deo Gloria

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nobreza no Olhar

“Para um nobre coração os mais ricos presentes tornam-se pobres, quando aquele que oferece o presente já não mais demonstra afecto.”

William Shakespeare

Alguém, dentre todos, viu em mim alguma nobreza. Uma lisonja capaz de levar-me muito próximo ao desconforto. Percebo agora, é muito mais leve o peso da fama de um adorável trapalhão esculachado e rude em relação ao peso da fama de nobre. Há dor tremenda na oferta de um desprezador. O desprezo é o oposto do afecto. Não sei bem como, mas cheguei a esta etapa da vida e ela me deu novas directrizes. Meu actual script, paradoxalmente, é menos falante e mais observador. Meu papel actual inclui escutar e ler, em detrimento do falar. Até o escrever me angustia. Recebi a incumbência de ser mais conciliador e cordato. Duro é começar a ver mais, mesmo vendo menos, consequência da diminuição de palavras vertidas. Ao passar por uma rua pela primeira vez, não sabia o que eram aquelas portas e, tão pouco, conhecia o destino das transversais e vielas. Hoje, quando passo pelas mesmas ruas, surpreendo-me com a experiência, pois ela responde-me a essas perguntas, antes sem respostas. Sei agora quando escutar ou não e, sobretudo, quando lembrar ou não. Descobri o quão belo é esquecer um pecado ou uma afronta recebida, tempos atrás. Estou abraçando mais e melhor as pessoas. Meu aperto de mão se não tem o mesmo vigor, ganhou em sinceridade. Meus olhares são mais respeitosos e sensíveis. Ainda me irrito no retalho, mas estou bem mais longânimo no atacado. Talvez fique mais perto da perfeição quando galgar um grau acima. Por enquanto, não estou apto a receber o presente de quem não me tem nenhum afecto. Não que isso possa acontecer facilmente, se a vida me pregar uma peça dessas ou, de novo, vier uma traição qualquer, com a chegada de algo assim às minhas mãos, devolverei ao traidor ou desafecto. Então, olhando firme em meus olhos, pelo espelho, perguntarei a mim mesmo: Serei eu um nobre?
In Caverna do Lou

A Ética da Estética

Magritte é um grande génio, dos maiores de sempre. Os seus quadros interpelam-nos de uma forma inesperada
Qual o valor ético da arte?
A pergunta hoje surge aberrante. A arte é a arte, e está acima das questões humanas. Os autores sentem-se com a função eminente de criar coisas novas e por isso superiores aos demais. Num tempo que recusa o sublime e o transcendente, os valores estéticos ocupam o lugar do divino. Não parece fazer sentido sujeitar a arte a coisas como a ética. O papel dos trabalhos artísticos mudou muito através dos séculos. Na origem é provável que música e pintura das cavernas tivessem propósitos mágicos ou encantatórios. Com a chegada da civilização, mudou a função mas não o tema. A maioria dos artistas da Antiguidade trabalhava representando o divino, nos templos dos deuses e nos palácios do faraó ou imperador, deuses visíveis. A situação manteve- -se na Cristandade com a arte sacra dominante. Deste modo, se os artistas perderam os poderes espirituais da pré-história, recebiam dignidade ética directamente do Céu. Com a prosperidade da "revolução comercial", ganhou força uma nova forma de expressão ligada ao conforto dos ricos. Artes decorativas, retratos de família e música de câmara era algo que a Antiguidade vira apenas em surtos fugazes, nos períodos de florescência, mas que se popularizou na Europa da Baixa Idade Média. Este confronto entre as duas formas de arte, sacra e profana, foi-se travando ao longo dos séculos. Se em Giotto (1267-1337) e Dante (1265-1321) dominava a expressão do sublime, Petrarca (1304-1374) e Van Eyck (1395-1441) também tratavam temas familiares e comuns. No Renascimento, mitologia e Bíblia eram ainda a inspiração de Miguel Ângelo (1475-1564) e Rafael (1483-1520), mas a pintura mais famosa acabou por ser um simples retrato de uma burguesa, a jovem Lisa del Giocondo (1479-1542) pintada aos 20 anos por Leonardo (1452-1519) em 1503. A Idade Moderna, com as guerras de religião seguidas por revoluções, foi a pouco e pouco transformando a arte, de uma forma de oração ou adereço de conforto, em arma de intervenção. Murillo (1617-1682) e Bach (1685-1750) são devotos e Rembrandt (1606-1669) e Mozart (1756-1791) pretendem agradar aos patronos; mas David (1748-1825) e Beethoven (1770-1827) querem transformar a sociedade. Nessa altura, como disse Marx em 1845, não se tratava de interpretar o mundo, mas de o mudar (Theses on Feuerbach, 11). Curiosamente, nesse tempo em que a humanidade se assumia como divina, o Romantismo de homens como Byron (1788-1824), Manet (1832-1883) ou Chopin (1810-1849) combinava o dramatismo insurrecto com a mais prosaica emotividade burguesa. Foi o período em que a arte se pretendeu mais próxima da moral positiva, na construção da justiça social ou da relação amorosa. Mas esta aproximação entre ética e estética acabou na ruptura. A geração seguinte recusou a instrumentalização política ou doméstica da sua actividade e procurou afirmar algo totalmente novo na história do mundo: a arte pela arte. A estética era a ética. Depois de ferramenta de feitiçaria, expressão do divino, forma de bem-estar ou arma de revolução, a obra hoje julga-se a sua própria medida e finalidade. As pessoas são meros objectos da arte, não sujeitos ou observadores. Símbolo disso são os retratos de Edward James (1907-1984), poeta britânico e mecenas do surrealismo. Grato pelo apoio recebido, o pintor belga René Magritte (1898-1967) fez nada menos do que duas representações do seu patrono. Mas no primeiro, La reproduction interdite de 1937, o jovem aparece de costas diante de um espelho. Só que o espelho, segundo as regras excêntricas da escola, mostra-nos a imagem também de costas. Talvez arrependido da brincadeira genial, o artista voltou ao tema no mesmo ano, com Le principe du plaisir. Aí o amigo está de frente para nós. Mas a sua cabeça é substituída por uma explosão de luz. Magritte é um grande génio, dos maiores de sempre. Os seus quadros interpelam-nos de uma forma inesperada e desconcertante. Mas, apesar dos dois retratos, a imagem da sua Gioconda do surrealismo não conseguiu ficar para a posteridade.
João Cesar das Neves
In Diário de Notícias de 27 de Julho de 2009

Os Nossos Elfos

Havia uma crença comum na Idade Média que levava as pessoas a acreditar que os Elfos oprimiam o peito dos doentes e lhes inspiravam sonhos terríveis. Os imaginários Elfos eram pequenos seres endiabrados que roubavam crianças e herdades.O ser humano sempre procurou encontrar culpados para as suas dificuldades quotidianas. E com esta estratégia atinge dois objectivos. Por um lado alija a carga da possível responsabilidade ou culpa dos seus actos que, a montante do tempo, provocaram as presentes dificuldades. Já o apóstolo Paulo dizia, há dois mil anos, que “aquilo que o homem semear isso também ceifará”. Embora este princípio não seja rigorosamente constante e absoluto, a verdade é que boa parte dos problemas do presente é fruto de más escolhas, opções ou atitudes assumidas no passado. Acontece frequentemente em matérias como a saúde e os relacionamentos interpessoais, por exemplo. Por outro lado, ao apontar em todas as direcções, ou em última análise, para essa entidade abstracta, “a sociedade” em geral, vitimizo-me e concito a compreensão e compaixão gerais. Dá, pois, imenso jeito, ter a quem apontar o dedo, pois assim escapa-se ao peso da culpa e ainda se consegue o apoio daqueles com quem convivemos. Só que, apontar o dedo implica alguns riscos. Desde logo o risco de ser desmentido pelo acusado. Ninguém gosta de ser acusado e, quando é o caso, desenvolve de imediato uma dinâmica de autojustificação (o peso da culpa é insuportável) que se vira contra o acusador. Mas existe ainda o risco associado de, como diz o povo, zangadas as comadres, se venham a descobrir as verdades. Isto é, que o acusado, na ânsia de se justificar, revele os erros do acusador. E a telenovela prossegue… Além do mais há depois um jogo de espelhos de outros protagonistas secundários, ou observadores atentos, que estando fora da luta directa sabem interpretar os factos com distanciamento e isenção, sem ceder às habituais e compreensíveis perturbações emocionais do momento, no calor da refrega. Praticamente já entrámos em pré-campanha eleitoral. Para os partidos da oposição, os elfos são os governantes em geral. Para o governo os elfos são os sindicatos e os da oposição que já foram governo no passado. O eleitorado começa a entrar neste jogo de espelhos que reflectem a realidade, uns de modo mais fidedigno, outros de forma distorcida. Não nos esqueçamos, porém, que isto faz parte do preço da Democracia e da Liberdade.
Brissos Lino

domingo, 26 de julho de 2009

Qual o Nosso Modo de Orar ?

O modo de orar deriva da nossa visão de Deus.
Quem duvida, racionaliza;
.
quem teme, suplica;
.
quem confia, espera;
.
quem ama, entrega-se.
.
Frei Betto

A Nossa Vocação

Os discípulos falam das suas acções como manifestações da presença activa de Deus. Eles agem, não para provar o seu próprio poder, mas para mostrar o poder de Deus; agem, não para redimir as pessoas, mas para revelar a graça redentora de Deus; agem, não para criar um mundo novo, mas para abrir corações e ouvidos para aquele que está sentado no trono e diz: "Eis que faço novas todas as coisas" (Ap 21.5). Na nossa sociedade, que equipara o valor com a produtividade, a acção paciente é muito difícil. Estamos tão propensos a nos preocupar em fazer algo que tenha valor, em realizar mudanças, planear, organizar, estruturar e restaurar, que muitas vezes parece que esquecemos que não somos nós que redimimos, mas Deus. Estar "ocupado", estar "onde está a acção", estar "no auge das coisas", muitas vezes parece ter-se tornado a própria meta a ser atingida. Esquecemos que a nossa vocação não é demonstrar os nossos poderes, mas a misericórdia de Deus. A acção como forma de vida compassiva é prática difícil, justamente porque nós somos tão carentes de reconhecimento e de aceitação. Esta carência pode facilmente levar-nos a nos conformarmos com a expectativa de que iremos oferecer algo de "novo". Numa sociedade que está interessada em novos encontros, tão ávida por novos acontecimentos, e tão sedenta de novas experiências, é difícil alguém não ser seduzido para um activismo impaciente. Dificilmente nos damos conta desta sedução, especialmente porque aquilo que fazemos é tão obviamente "bom e religioso". Mas até mesmo o estabelecimento de um programa de ajuda, de alimentação dos que estão com fome e de assistência aos doentes pode ser mais uma expressão de nossas próprias necessidades do que um chamado de Deus. Mas não sejamos tão moralistas a respeito disso: nunca poderemos alegar motivos isentos de interesse próprio, e é melhor agir com aqueles e por aqueles que sofrem do que esperar até que tenhamos completamente sob controlo nossas próprias necessidades e os impulsos altruístas agindo plenamente em nós. Entretanto, é importante permanecermos críticos em relação às nossas tendências activistas. Quando as nossas próprias necessidades começam a dominar as nossas ações, o serviço a longo prazo torna-se difícil, e nós logo ficamos exaustos, esgotados e até mesmo exacerbados pelos nossos esforços. A fonte mais importante para combater a tentação constante de ceder ao activismo é a consciência de que em Cristo tudo foi consumado. Esta consciência deveria ser estendida, não como um discernimento intelectual, mas como um entendimento na fé. Enquanto continuamos a agir como se a salvação do mundo dependesse de nós, carecemos da fé que move montanhas. Em Cristo, o sofrimento e a dor humana já foram aceitos e suportados; nEle, a nossa humanidade enfraquecida foi reconciliada e admitida na intimidade do relacionamento entre o Pai e o Filho. Por isso, a nossa acção deve ser entendida como uma prática pela qual nós tornamos visível aquilo que já foi consumado. Esta acção baseia-se na fé de que nós pisamos terreno sólido mesmo quando estamos cercados pelo caos, pela confusão, pela violência e pelo ódio. Deus não é um Deus de ódio e de violência, mas um Deus de ternura e de compaixão. Talvez somente aqueles que muito sofreram entenderão o que significa que Cristo sofreu as nossas dores e consumou a nossa reconciliação na cruz. Henri Nouwen (1932 – 1996), escritor, preletor e mentor espiritual, foi professor nas Universidades de Harvard, Yale e Notre Dame, e passou a última década de sua vida pastoreando uma comunidade voltada para o cuidado de deficientes mentais, chamada Daybreak, em Toronto, Canadá.
Site da Ibab

sexta-feira, 24 de julho de 2009

"Festas da Gripe"... Pensa que já viu de Tudo ? Está enganado !!

( foto: jornal Público )
A ideia é simples, mas perigosa. Basta pegar numa pessoa infectada com o vírus H1N1 e juntá-la a um punhado de pessoas saudáveis. Agita-se a mistura e o resultado é a disseminação do vírus. As chamadas “festas da gripe”, cujos rumores de existência começaram na Internet, servem para que as pessoas contraiam o vírus agora, numa altura em que os hospitais ainda estão relativamente calmos e antes que o H1N1 dê origem a sucedâneos mais agressivos. Médicos e especialistas já vieram dizer que as “festas da gripe” são um disparate perigoso e a ministra da Saúde declarou hoje que estes encontros são “contra-indicados”.O fenómeno parece ter começado no Reino Unido, onde os casos de infecções com gripe A têm vindo a multiplicar-se nas últimas semanas, podendo atingir os 100 mil casos até ao final de Agosto. Apesar disso, algumas pessoas correm em direcção ao vírus, em vez de fugirem dele. De acordo com a BBC, há casos registados de cidadãos que, intencionalmente, frequentam a casa de familiares e amigos infectados. Há ainda notícia de que alguns jovens britânicos têm feito circular convites através de redes sociais, convidando amigos e conhecidos para comparecerem em festas onde estarão pessoas contaminadas com o vírus. [...]
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A Fidelidade de Deus

“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade”. Estes dois versículos de Lamentações reflectem o que lemos em toda a Bíblia: a fidelidade de Deus. Deus não precisa de nós, Ele continuaria sendo Deus sem a humanidade ou o restante da criação. Ainda assim, Ele nos criou e sustenta. Em toda a Bíblia, Deus garante que nunca desistirá de nós. Apenas isso já seria suficiente para não nos desviarmos do seu Caminho...Mas acontece constantemente que nos revoltamos contra Deus. Gostaríamos que o mundo funcionasse da nossa maneira, que as pessoas pensassem como nós, que nada de mal acontecesse a quem amamos – mas nada disso está nos planos de Deus. Revolta também é duvidar e desprezar a fidelidade de amor, compaixão, perdão e misericórdia de Deus. Não podemos sequer alegar que não temos sinais visíveis da fidelidade de Deus. Todo mundo se lembra do dilúvio, mas o seu final de aliança geralmente é esquecido: “Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco, então, me lembrarei da minha aliança, firmada entre mim e vós e todos os seres viventes de toda carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda carne”. E nós, cristãos, ainda temos a encarnação e a Paixão de Cristo para nos lembrarem da fidelidade de Deus. O profeta Isaías já anunciava que “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca. ”Mesmo com toda a nossa revolta, transgressões, desprezo e omissões, Deus não desistiu de nós. Nem sequer uma mínima parte da fidelidade de Deus se encontra espontaneamente nos seres humanos. Quem de nós já não teria desistido do seu próximo na primeira ofensa, na primeira omissão? Ou teria virado as costas ao próximo simplesmente por cansaço, irritabilidade ou stresse – a nossa desculpa mais comum actualmente? Quem de nós não teria desprezado a Deus porque não viu os seus sonhos se realizarem quando queria? Ainda assim, Deus não desistiu e não desistirá de nós porque Ele é fiel às suas promessas. Como disse Jesus no evangelho de João: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.

Um Bom Conselho

Via Pavablog

quinta-feira, 23 de julho de 2009

IMITACÃO

Foto In Pavablog

À Porta da Caverna

Outro dia, entrei na caverna e sentei sobre uma pedra. Fiquei ali um bom tempo lamentando minha sorte. Entendi minha missão e tratei de iniciar um projeto para cumpri-la. Construí um site, bolei uma cartilha para informar as pessoas e planejei um sistema de apoio. Tudo pronto, faltava angariar pessoas e orar para elas nos apoiarem, com orações e contribuições. Era o velho método aprendido nas organizações por onde passei a trabalho. Mas comigo não funcionou na proporção esperada, aliás, ficou muito aquém. Enquanto isso, voltei a trabalhar com os dependentes químicos, visitei o Inácio e ele tinha algumas centenas internados nas unidades da clínica dele. Claro que eu faria isso como sempre, dar uma oportunidade a esses indivíduos e às suas famílias, talvez trabalhar duro na prevenção, meio abandonada por aí. Mas, embora haja milhares por aí, eles não me procuraram, mesmo com intensa propaganda via Google. Enquanto isso a cesta de contas encheu na mesma proporção que nossos celeiros esvaziariam, continuamos a pé e precisamos encontrar uma casa digna para morar em outra cidade. E onde anda Deus? Para que me enviar se não pretendia me abençoar. Pena que em cavernas não há poços, só umas lagoas rasas, se não me atirava. De repente, ouvi uma voz poderosa me chamando na porta da caverna. Fui até lá e havia uma figura de homem, majestoso com roupas as quais eu nunca vira antes. Então ele estendeu a mão e um grande vento se fez, um barulho ensurdecedor, cheguei a ver um ciclone ao longe e ele fez sinal e tudo voltou ao normal. Estendeu a mão novamente e uma grande tempestade se deu, com raios e trovões ensurdecedores e ele fez sinal com sua mão e tudo voltou ao normal. Olhando para ele, senti uma leve brisa, silenciosa e admiravelmente leve, tanto que chegava a dar prazer. Então fixou seus olhos penetrantes nos meus e perguntou: Lou, onde estava eu? Por acaso no barulho do vento forte, capaz de gerar um ciclone? Estaria eu nos trovões e raios da tempestade? Não estou bem a sua frente onde a brisa e a tranqüilidade você pode sentir e deliciar-se? Esbocei um sim muito acanhado. Aí aquela figura monumental emendou mais uma pergunta: Por que me procuras no barulho se estou no silêncio? Então se foi. Você deve estar pensando agora: “É o cara pirou de vez. Também, com tantas dores, não era para estranhar.” E quem acreditará nessa história, sem testemunhas que só ele viu? Tudo bem, entendo. Então erguemos nossos copos com pinga, deixando cair uns pingos para o santo e sugamos tudo em um gole só.

In Caverna do Lou

A Escola, os Professores, os Alunos e os Pais - 40 Anos mais tarde...

Via Exegeses e Homilias

Ser Feliz

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
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Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
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Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história.
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É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma .
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É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
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Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
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É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'.
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É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
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Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo.
Fernando Pessoa

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Como Explicar o Amor de Deus

“O amor que Deus tem por nós, segundo o cristianismo, é ao contrário perfeitamente desinteressado, perfeitamente gratuito e livre: Deus nada tem a ganhar com ele, já que é infinito e perfeito, mas ao contrário se sacrifica por nós, se limita por nós, se crucifica por nós e sem outra razão a não ser um amor sem razão, sem outra razão a não ser o amor, sem outra razão a não ser ele mesmo renunciando a ser tudo. De facto, Deus não nos ama em função do que somos, que justificaria esse amor, porque seríamos amáveis, bons, justos (Deus também ama os pecadores, foi inclusive por eles que deu seu filho), mas porque ele é amor e o amor, em todo caso esse amor, não necessita de justificação.”

André Comte-Sponville em Pequeno Tratado das Grandes Virtudes

A Evolução Segundo Agostinho

«...O aniversário de Darwin é um convite a olhar o assunto em perspectiva. Afinal de contas, desde que ele formulou suas teses após a épica viagem a bordo do navio Beagle, muita coisa mudou – no entanto, o evolucionismo continua sendo a tese mais universalmente aceita para explicar o surgimento da vida no planeta. E o relato bíblico da Criação, que durante séculos a fio embasou qualquer estudo acerca do tema, tem sido constantemente posto em xeque não apenas pela modernidade, mas por muitos estudiosos cristãos, que enxergam ali muito mais um compêndio religioso do que uma narrativa confiável. Na história da Igreja, o assunto sempre suscitou controvérsia, e a mera aceitação da literalidade bíblica em relação às origens sempre foi questionada. O teólogo, professor e bispo Agostinho de Hipona (354-430), embora tenha interpretado a Escritura mil anos antes da Revolução Científica, não tinha problemas em relação às controvérsias sobre as origens. O mais marcante em sua trajetória é que ele não comprometeu a interpretação bíblica para acomodá-la às teorias vigentes em seu tempo. Para Agostinho, o mais importante era deixar a Bíblia falar por si mesma.» [...]
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Thy Word - Amy Grant & Michael Smith

Receita para o Mau Humor

«...Como podemos mandar o mau humor para longe? O especialista explica que a principal atitude é não deixar que pequenos pontos negativos acabem com o nosso dia. Para agir contra o mau humor, é preciso ver as coisas de uma forma diferente. Mudar o foco da atenção, do olhar, quando nos sentimos irritados, comenta o especialista. E também vale aprender a aceitar os factos depois das tentativas de mudança não renderem o resultado esperado. Na maioria das vezes, contudo, é possível evitar os desgostos. Se você sabe que todo dia vai ter pela frente um trânsito carregado, porquê ficar nervoso na primeira esquina? Use esse tempo para ouvir uma boa música, ouvir o noticiário ou comer um docinho.» [...]

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Maior Caçador de Galáxias Desperta

( Foto jornal El Mundo )
Reis de Espanha inauguram, na próxima sexta-feira, na ilha La Palma-Canárias, o maior telescópio do mundo.
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...Pese embora os reis só vão inaugurar a maior instalação científica do país (Espanha) na próxima sexta-feira, dia 24, as suas lentes viram a luz pela primeira vez faz dois anos, e desde março passado já foram realizadas importantes descobertas graças ao seu espelho que, com 10,4 metros de diâmetro, o torna o maior do mundo[...]
Continuar a Ler Aqui ( em castelhano ) no jornal El Mundo

Melancolia

Hoje estou melancólico. Não sou de sustentar máscaras. Não consigo fingir alegria quando estou triste ou tristeza quando estou alegre. Nunca serei um bom actor no palco da dissimulação, mesmo se com ela me pretendesse enganar apenas a mim próprio. Confesso que nunca entendi muito bem como é possível manipular sentimentos, nem mesmo os meus. Tenho dificuldade em caminhar quando me apetece estar parado; não consigo estar parado quando tudo me diz que devo caminhar. Não é rigidez dos anos nem o excesso de zelo na protecção dos meus diferentes momentos ou estados de alma. Sempre foi assim. Nunca me achei um super-homem, dotado de poderes de outro planeta, e também nunca me senti uma "gata-borralheira", triste e desamparado, que tem o mundo todo contra si e a quem só uma fada-madrinha possa deitar a mão. Prefiro o termo "resistente". É essa palavra que melhor me define, mesmo se as minhas trincheiras, aqui e ali, apresentam fragilidades, internas e externas, mais do que eu gostaria. É então que me lembro das palavras de Paulo:
«Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte.» 2 Coríntios 12:10
Não sou um extra-terrestre nem me revisto de uma couraça de indiferença face à vida que todos os dias me exige mudanças e adaptações. Mas há mudanças que nunca fui, nem serei capaz de fazer, e adaptações que não cabem na plasticidade da minha fé e do meu carácter. Cito de novo Paulo para que a minha melancolia não ocupe espaços a que não lhe reconheço direitos :
Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus. Gálatas 6:17
Prossigo para o Alvo ! Não quero errar. Por isso vou com Cristo. Tal como Ele, tenho momentos em que sinto o peso do passado e do presente a quererem abater-se sobre mim. Ao contrário dEle, não tenho respostas imediatas para um futuro que não domino. O futuro é um território de Deus, não meu. Limito-me a seguir nos seus passos e ouvir as suas propostas. Ele aconselha-me nas escolhas, quando eu o escuto. Recolhe-me quando caio vergado ao peso do que não suporto. Existem dias assim, em que o fardo se torna pesado de mais só para nós. É então que a melancolia nos vergasta a debilidade. Resistir, continua a ser o trajecto, quase sempre duro, que prossigo. Mas resistir também nos desgasta. Importante é saber que estamos na Luz e que somos Sal. Se perdermos isso, perdemos tudo.
Jacinto Lourenço

O Silêncio de Deus

"...Pensando sobre a minha comunicação com Deus, às vezes tenho a sensação de um silêncio quase total. Não satisfeita em me lembrar do louvor que me garante que “quando ele fica em silêncio é porque está trabalhando”, procurei pensar noutras respostas. Talvez o problema não seja um Deus comprometido demais com o trabalho -- talvez o problema seja apenas eu. Vivo numa geração viciada em informação e rapidez. Queremos saber de tudo: desde coisas relevantes, como quem ganhou a eleição nos Estados Unidos, às novas doenças e os conflitos em Israel, até coisas irrelevantes, como quem ganhou o último “Big brother” ou qual o par romântico da novela das oito. Falamos rápido, comemos rápido, andamos quase correndo e dirigimos agitados. Quando o sinal de trânsito fica verde, já começamos a buzinar para alertar o infeliz que está na frente que é hora de arrancar com o carro. Se o elevador demora um pouco, apertamos o botão várias vezes, como se isso fosse fazê-lo chegar logo. Quando lidamos com Deus, não agimos diferente. Queremos agilidade, queremos ser ouvidos e principalmente respondidos de forma rápida e positiva. Não temos tempo para jejuns, orações longas e leituras bíblicas e muito menos para esperar em Deus as respostas para os nossos dilemas. Tornamo-nos filhos mimados e impacientes e queremos tudo da nossa forma e jeito. Como se Deus precisasse se submeter à nossa vontade e ao ritmo alucinante deste mundo[...].
Priscila Papadopoulos Tenório

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Descobertas...

Descobri que tenho pés de barro. Há algum tempo, achava-me imbatível. Em minha suficiência, imaginei que sendo fiel a Deus, nenhum mal me alcançaria. Desafiei a vida. Realmente acreditei que as asas do Todo-Poderoso se abririam sobre mim e nada ou ninguém atravessaria aquela blindagem emplumada para me ferir. Em nome da fé, dei o melhor, certo que seria um sucesso. Frequentei todos os seminários para aprender “princípios universais para uma vida triunfante". Pensei que a existência se engrenava numa perfeita relação de causa e efeito. Descobri que não sou onipotente, apenas um peregrino inadequado e efêmero. Achei que conseguiria controlar as variáveis do dia-a-dia com eficiência. Considerei a pedagogia que aprendi no seminário a mais eficiente para educar filhos. Disciplinei com “vara” – me instruíram que a Bíblia mandava bater. Trabalhei de domingo a domingo; eu esperava receber o devido galardão dos meus esforços. Ensinei as pessoas a semearem; tratava os resultados dessa "lei" como líquidos e certos. Afirmei que a salvação da alma acontece quando se acredita em doutrinas aprovadas pelos legítimos cânones da tradição pietista-reformada-pentecostal. Descobri que não sei tudo. Tolamente, rebati “heresias” com argumentos incontestáveis. Promovi seminários para destruir raciocínios “apóstatas” (mal sabia que o bumerangue voltaria para me acertar o rosto). Quando me levantei para falar, estava tão convencido que era o dono da verdade que ensurdeci para as manifestações de bondade que me assediavam. Soberbo, gritei a pleno pulmão a minha certeza. De dedo em riste, fiz de minha interpretação a única verdade possível. Descobri que não sou cidadão do mundo. Respirei o ar asfixiado do bairrismo. Dourei o meu gueto. Restringi a leitura. Fui treinado a não gostar de quem não era “salvo” – só que muitas vezes os “salvos” que eu me forçava para gostar, não passavam de pessoas mesquinhas, traiçoeiras e banais. Por volta dos quarenta anos, conheci gente mais feliz, mais íntegra, mais honesta, que muitos “santos”. Passei a olhar a vida por prismas nunca considerados. Engatinhei na meia idade. Devido a tanta soberba, quebrei a cara, feri pessoas, paguei mico, chorei. Frustrei-me. Neurotizei amigos. Só agora reconheço que a vida não segue sobre trilhos. As lógicas religiosas não funcionam. Abaixei a crista. Entendo que não sou mais um adolescente. Mas não desespero. Há tempo, não sei quanto, mas pretendo eternizar o instante precioso. Quero sorver a vida sem as inclemências que amordaçaram meus sorrisos. Anseio por doçura. Tenho sede de bondade. Busco a grandeza de quem ainda sabe rir e chorar.
Soli Deo Gloria

O Cristão e a Caverna de Platão

O mito da caverna de Platão é um assunto muito difundido nas aulas de filosofia. O filósofo, nessa metáfora, mostra a situação da maioria das pessoas que vivem acorrentadas pelo pescoço e braços, enclausuradas numa caverna, sem condições de olhar para trás e para os lados. São pessoas que só olham para frente, para a saída, para a subida ascendente, onde a luz da grande fogueira reflete, na parede da caverna, sombras de homens transportando estatuetas de animais, sem poder ver as próprias estatuetas, nem os homens. Como nunca viam outras coisas, tinham as sombras como originais. Platão pergunta: o que aconteceria se fosse libertado algum dos prisioneiros e se dirigisse à saída da caverna? Em primeiro lugar, ele teria que adaptar os seus olhos à luz. Acostumado à claridade, perceberia que a grande fogueira é, na verdade, o sol. Veria os homens transportando as estatuetas. Prosseguindo, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, em toda vida, o que ele percebia de dentro da caverna era só a sombra das imagens das estatuetas. Conhecedor da realidade, volta à escuridão da caverna para anunciar a grande descoberta aos demais em que estão em prisão, o que tornaria um motivo de grande chacota. Se ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Platão tinha a maioria da humanidade como ignorante, que vivia na infeliz condição da ilusão projetada a poucos metros de seus narizes. Talvez, dizer que, no mundo de hoje, a maioria vive de ilusão terá a mesma repercussão que houve quando os presos ouviram que lá em cima a realidade era outra. Não irão acreditar porque estão dentro da escura caverna do pecado. São mentes embotadas que percebem somente uma pálida sombra das coisas. O deus deste século enrijece os corações e cega o entendimento das pessoas para não acreditarem no mensageiro, que viu, verificou e atestou a realidade das coisas. Vivem presos nas escuridões e, enclausurados como estão, só acreditam nas sombras (Jo 12.40). Os confinados nas cavernas escuras da vida estão cegos de olhos e entendimentos. A única luz em que acreditam é a de uma grande fogueira. Dificilmente acreditarão na realidade da luz do evangelho de Cristo, que é a luz verdadeira, o Sol da Justiça, a verdadeira imagem de Deus (2 Co 4.4). Preferem o caos espiritual dentro de cavernas a escalar a íngreme escada da realidade espiritual, contemplada por aqueles que tiveram as suas vistas acostumadas à luz e agora podem contemplar nitidamente a realidade do Sol da justiça (Ml 4.2). Jesus Cristo é a Luz que penetra as cavernas e abismos para resgatar o mais vil pecador (Lc 2.32). Não existem cavernas e prisões escuras que possam subjugar os seguidores de Jesus Cristo (Jo 8.12). A Bíblia rebate o cristianismo eremítico porque caverna não é lugar para quem serve a Deus (1 Rs 19.9,11). Quando a pessoa tem um encontro com Cristo, descobre que sua vida passada foi um longo tempo perdido, isto é, passou a vida acreditando em sombras, enquanto a realidade estava a poucos metros acima. Quem tem Jesus não vive preso e enganado por mitos de fogueira, sombras e superstições porque já contemplou a realidade. Ninguém deixa o original pelo fictício. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Co 5.17).
*Fonte: A-BD

O Dia em que Você Acorda

Um dia você acorda e sente que já não é mais o mesmo, que o cheiro da vida mudou, que as antigas motivações não lhe servem mais, como roupas antigas e apertadas, desbotadas pelo uso excessivo. Um dia você acorda e percebe que a luz está diferente, que os sons da vizinhança não lhe dizem mais respeito, que o som do seu coração está cansado das mesmas batidas na terra, seu coração está pedindo é para voar .Percebe que antigos sonhos estão voltando, mas não têm lugar naquele pouco espaço que lhes foi destinado, como uma revoada de passarinhos a fazer um barulho incrível no seu peito, batendo asas e soltando penas. Você acorda e se dá conta do que não fez, de onde não chegou, dos arranjos e das coisas e gentes que usou para seu gozo, e no entanto, não conseguiu ser íntegro consigo mesmo. Um dia acorda e percebe: decepcionado, quis crer em tantas crenças e doutrinas, se esforçou para agradar a gregos e troianos, disse "sim" quando queria dizer "não", e deixou de falar "não" tantas vezes que já não sabia mais qual era o seu querer, quais eram os seus sabores preferidos e a direção que escolheu caminhar. Da mesma forma, acorda e percebe que estava com saudade da sua música, seus livros, seus segredos e seu ócio. Acorda e olha para o teto, vê possibilidades acima do teto; sorri, simpatizando-se com a aranha tecendo teimosa a despeito das estocadas diárias da vassoura.Sem se render, ela recomeça toda noite, e agora você se dá conta que existe a coragem de recomeçar. Um dia você acorda e lembra que riu, comeu e sentou a mesa com gente que de fato nunca se importou, e você oferecendo seu melhor sorriso em troca de aceitação. Que bobagem. Lembra que não protestou diante de absurdos, recolhendo-se à boa educação de sempre.Lembra que deu o relógio para a pessoa errada, e deixou de abraçar por puro preconceito, e que não tentou mais uma vez. Um dia você acorda cansado de dizer que está cansado de viver, e decide que vai correr o risco de recapitular suas teologias e filosofias. Um dia. Um dia você acorda.
HBP - janeiro de 2000