sexta-feira, 30 de abril de 2010

Os Políticos que Temos...

Há dois dias atrás os meios de comunicação deram conta de dois factos que retratam de forma absoluta e redundante o conceito que os políticos têm das pessoas que estão sujeitas à sua governação ou que são seus apoiantes. Ao mesmo tempo, ficamos a perceber que é impossível confiar em políticos, até prova em contrário, qualquer que seja a sua orientação, ou o país onde se encontrem.
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Facto 1: O ainda primeiro-ministro Britânico, trabalhista ( socialista ), durante uma acção de campanha eleitoral, manteve um breve diálogo com uma eleitora que o confrontava, por sinal muito educadamente, sobre algumas questões que, enquanto cidadã inglesa, a preocupavam. Gordon Brown, atendeu a eleitora, também muito educadamente, diga-se, e respondeu às suas perguntas. Se ela ficou ou não satisfeita com as respostas, é tema a que não quero aqui atribuir nenhuma relevância. O que tem relevância, sim, é o facto do primeiro-ministro do reino de Inglaterra se ter esquecido , enquanto se dirigia à viatura que o transportava, que carregava ainda colado ao corpo o microfone que lhe tinha sido colocado pela cadeia de televisão que fazia a reportagem da campanha eleitoral e, ao esquecer-se desse facto, ter pronunciado, irritado, palavras de desagrado para com os membros do seu staff por terem permitido o diálogo com a eleitora. Pior ainda: o estalar da sua ténue e cínica capa de verniz levou-o a ofender , literalmente, a eleitora que o interpelou. Teve "azar", a cadeia de televisão gravou, colocou no ar e deu a ouvir à senhora em causa as palavras que o seu P.M. tinha dito após tê-la "despachado" ! É destas coisas que vivem actualmente as televisões, mas é nestas ocasiões que se vê também o calibre ético e moral de um político. Lá como cá, os eleitores, as pessoas, são apenas números e representam, exclusivamente, uma forma de chegar ao poder pelo poder a qualquer preço. Para esta estirpe de políticos e para esta forma de fazer política, as pessoas não passam de um incómodo e de um estorvo pontual a ultrapassar para que se atinja o objectivo último. Como é óbvio, os posteriores pedidos de desculpas do Sr. Brown só confirmam que, nestes casos, as regras não têm excepção.
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Facto 2 : Foi anunciado, em Conselho de Concertação Social, pela Sra. Ministra do Trabalho portuguesa, que já foi sindicalista, que já foi técnica na UE e que é agora ministra, que o Governo colocou em cima da mesa a proposta de reduzir em 25% do valor total que um desempregado poderá receber do Subsídio de Desemprego que for calculado sobre o seu último salário e visando, segundo ela, que qualquer desempregado nunca receba mais de S.D. do que receberia se estivesse a trabalhar. Para além de outras medidas, esta é a que se afigura com maior impacte sobre a vida de cerca de 500.000 pessoas. Quanto à questão de fundo, estamos de acordo: ninguém que esteja desempregado deve receber mensalmente mais do que recebia quando estava a trabalhar. Mas será que passou pela cabeça da Sra. Ministra, ou do Sr. Primeiro-ministro, ou de alguém do governo, de que isso, efectivamente, nunca acontece ? É melhor explicar: uma pessoa que esteja desempregada não recebe nem subsídio de férias nem subsídio de natal. Ou seja: logo, mesmo que receba mensalmente o mesmo, estando no desemprego, que receberia se estivesse a trabalhar, receberá sempre menos dois meses de salário. É só fazer as contas… Mas nisso parece que os ministros socialistas não são muito bons... A mensagem que o governo está a passar à sociedade, e em especial a quem tem emprego e trabalha e paga impostos, é que todos os desempregados são uns calaceiros, que não querem trabalhar e preferem viver à custa de quem trabalha e paga impostos. E nem sequer estou a dizer que nalguns casos isso não possa ser verdade, mas deve ser para esses poucos casos que terão que ser implementadas e reforçadas as medidas de fiscalização e penalização. O que acontece é que o governo quer agora arranjar bodes expiatórios para o seu desnorte e, qual abutre que só ataca as presas quando elas se encontram suficientemente fragilizadas, o governo, que olha em derredor e recusa meter-se com quem mais contribuiu, internamente, para gerar a actual crise autóctone, e que continua , apesar dela, a ganhar milhões e a fugir aos impostos, só tem olhos para quem, para além de não ganhar nada com as crises só perde, e decide, mais uma vez, atacar onde é mais fácil, depois de alinhar pela velha “cantiga” da “diabolização” dos desempregados, cantada há muito pelas confederações patronais, como se fosse por iniciativa própria que um trabalhador perde o emprego e depois decide ainda ir fazer “teatro” para a porta da empresa só para aparecer na televisão em horário nobre... Lamentável que se intoxique e manipule e tente ludibriar a opinião pública, apenas porque não se teve a capacidade e inteligência e coragem de governar e tomar as medidas concretas, quando e como devia, para minimizar o impacte da situação que agora nos coloca à beira de um ataque de nervos. Eticamente e moralmente reprovável, em toda a linha. A Sra. Ministra, que já foi sindicalista, como curiosamente o foi, igualmente, o actual “patrão” da CIP, tem obrigação de saber ( como sabe de certeza ) que não está a falar verdade e que, por isso, a proposta do governo assenta em bases de falsidade. Dizia ela, que a proposta em causa procurava a empregabilidade mais rápida de quem está desempregado. Mas como, se a economia portuguesa não gera emprego, antes pelo contrário !? Para além do mais, dizem os economistas, que uma economia que não cresça acima dos 2% não gera emprego… O que a CIP pretende, com as suas propostas, todos percebemos: mão de obra disponível, mais barata e mais precária. O que o governo pretende, parece óbvio também: fazer a vontade à CIP e colocar o Ónus nas costas dos desempregados, passando a mensagem de que só assim, ( nem que seja com medidas que subvertem a moral, a ética e a verdade ) se consegue obrigar essa “corja” a trabalhar. É o País que temos, os patrões que temos, e o governo e os políticos que decididamente escolhemos. Será que nos vai servir de exemplo!? Espero que sim ! ***

Jacinto Lourenço

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Astrónomos Americanos Descobrem Asteróide Coberto de Gelo

( Imagem jornal El Mundo - Asteróide Themis)

A água dos nossos oceanos poderá ser proveniente do impacto de numerosos asteróides. Esta é a conclusão que retiram dois grupos de cientistas, da Universidade Hopkins de Laurel e da Universidade Central da Florida, ambas dos Estados Unidos, nos seus estudos publicados na revista Nature .
Os investigadores descobriram que um dos maiores asteróides do anel principal do conjunto de fragmentos rochosos que se encontram entre as órbitras de Júpiter e Marte, está coberto de gelo e de material orgânico, principalmente Carbono. [...]
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Continuar a Ler AQUI, em Castelhano, no jornal El Mundo

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quando o Vale se Enche de Água.

"Fazei covas nos vales" II Reis 3:16

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Jorão, reinava em Samaria, Jeosafá, em Judá. Os dois, se uniram ao rei de Edom, para guerrearem contra Mesa, rei moabita. Os três Reis, marcharam por sete dias, sem encontrarem água. Sedentos, famintos e prestes a desistirem, ouviram falar do profeta Eliseu: "Esta com Ele a Palavra do Senhor". Esperançosos, recorreram ao homem de Deus: Prosseguir ou recuar? Venceriam ou seriam derrotados? Eliseu, solicitou a presença de um músico. Queria enlevar o espírito. Sentir-se inspirado: "E sucedeu que, tocando o músico, veio sobre ele a mão do Senhor. E disse: "Assim diz O Senhor, fazei neste vale, muitas covas" II Reis 3:16. Aleluia!! Que Palavra maravilhosa!! Entendi, o que Deus, ordenara aos Reis e como deveria aplicar esse ensinamento em minha vida. Um Profeta no Vale Um vale, é uma região de declínio entre lugares altos, como montes. Os Reis, estavam no vale. Em um seco vale. Todo e exército, enfraquecido, pela falta de água. Quantas vezes, não nos encontramos na mesma situação dos Reis? Dando voltas nos vales, pensando em desistir, por causa das adversidades? Há profeta no vale e é ele quem diz, inspirado pelo Senhor: "Fazei covas no vale". Como? Fazei Covas: Se os Reis, não recorressem à orientação divina, teriam perecido, antes mesmo de começarem a guerrear. Soldados, voltando para casa, sem sequer usar as armas que carregavam. Reis, tendo que suportar a afronta dos ímpios moabitas, entregando as suas riquezas, pela desistência. Com tudo para vencer, mas, derrotados. Nenhum trabalho para o inimigo. MAS, tudo foi transformado quando ouviram Deus através do profeta Eliseu. Acreditaram, obedeceram. Cavamos, covas no vale, quando agimos dessa forma. Buscamos Deus no vale. Entregamos-Lhe, a batalha. Confiamos. Obedecemos. Cavamos covas. Os Reis, e seu exército, precisavam cavar. Nós temos que cavar. A fé, é a motivação maior para cavar, sem desistir. Assim, Deus trará provisão. O vale, será transformado. Mas ele, não se transformará sozinho. Nós, o faremos. Como Daniel. Ele não foi livre da cova dos leões. Contudo, aquele lugar, que seria de morte, foi vencido. Deixando o Vale: "E sucedeu que, pela manhã, oferecendo-se a oferta de alimentos, eis que vinham as águas pelo caminho de Edom; e a terra se encheu de água" II Reis 3:20. Quando o vale, se enche de água, é hora de subir para as montanhas. Aleluia!! Deus é Fiel! Assim, exércitos e reis, partiram, em direção a moabe. As águas, receberam o reflexo vermelho do sol. Os moabitas, pensaram que era sangue. Acharam que os três Reis e todo o exército haviam morrido. Tinham se destruído pela espada, por não suportarem a sede e a fome. É esse, o desejo, do inimigo de nossa alma. Ele espera, que desistamos. Que lhe entreguemos as nossas riquezas. Mas, Deus, transforma dificuldades em vitórias. Ele confunde, os querem nos confundir. Ao ofertar a Deus, ás águas chegaram. Que, ao passar pelo vale. Possamos ouvir, a mesma música, que inspirou Eliseu. Possamos ver a beleza, na sequidão. Possamos cavar, movidos, pela fé. "A alegria do Senhor é a nossa força"(Ne 8:10). Quando temos fé, agradamos a Deus, é a Sua alegria. É a nossa força. Ao passar pelo vale, lembre-mo-nos: "Assim diz o Senhor: Fazei neste vale, muitas covas". Amém.
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Por: Wilma Rejane
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terça-feira, 27 de abril de 2010

Exploradores Anunciam Descoberta da Arca de Noé

( Imagem D.N. )
Exploradores evangélicos identificaram estrutura de madeira com 4800 anos, no monte Ararat É uma velha estrutura de madeira, com compartimentos interiores dotados de barras, como se fossem jaulas. A sua localização, no monte Ararat, na Turquia (o pico mais alto em toda a região), e a sua idade - 4800 anos, verificados pelo método do carbono 14, um dos mais rigorosos que se conhece -, batem certas com uma extraordinária conclusão: aqueles poderão ser os tão procurados (e até agora nunca encontrados) restos da famosa Arca de Noé. É pelo menos essa a convicção do grupo de exploradores chineses evangélicos que fez o achado. "Não temos cem por cento de certeza de que se trata da arca [de Noé], mas temos 99,9 por cento", declarou Yeun Wing Cheung, realizador de documentário em Hong Kong e um dos 15 elementos chineses e turcos do grupo Noah's Ark Ministries International, que empreendeu a missão. O achado foi feito a quatro mil metros de altitude no monte Ararat, na Turquia, que é o ponto mais elevado em toda em região e que, por isso mesmo tem sido apontado por investigadores bíblicos como o local mais provável onde a arca terá tocado a terra firme, após a descida das águas diluvianas. Os participantes na expedição excluíram a hipótese de a estrutura de madeira ser um indício de uma antiga ocupação humana, já que nunca até hoje se encontraram sinais de povoamento acima dos 3500 metros de altitude naquela zona. A construção tem um formato em arco e no seu interior os exploradores identificaram vários compartimentos, alguns com barras de madeira, que poderiam ter abrigado animais, segundo explicou Yeun Wing Cheung. A sua datação por carbono 14 estabeleceu que tem 4800 anos, o que é compatível com a época estimada pelos especialistas para a salvadora navegação da arca. A equipa vai fazer escavações no local, para investigar e fundamentar a sua hipótese, e as autoridades turcas locais já decidiram que vão solicitar à UNESCO a classificação do sítio como património mundial, para garantir a sua preservação durante as escavações, adiantou o realizador chinês e participante na missão.
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domingo, 25 de abril de 2010

Descoberta Arqueológica dá Razão às Escrituras

A arqueóloga Israelita, Eilat Mazar, comunicou uma descoberta emocionante, uma prova de que a recente descoberta de fortificações em Jerusalém datam de há 3.000 anos. Com base na idade dos cacos de cerâmica que ela encontrou no local, Mazar acredita que as fortificações foram construídas por Salomão, como descreve o Velho Testamento.Claro que se trata de uma notícia interessante para os Judeus e Cristãos, mas há muito mais envolvido do que se poderia esperar. Como informou a Associated Press (AP), "se a idade do muro está correcta, a descoberta seria uma indicação de que Jerusalém era a casa de um governo central forte, que tinha os recursos materiais e humanos necessários para construir fortificações maciças no século 10 A.C. "Isso é uma contradição directa das opiniões de alguns estudiosos que acreditam, como a AP relata, "que a monarquia de David [e de Salomão] era em grande parte mítica e que não havia nenhum governo forte naquela época. "Não admira que Mazar chame ao muro "a construção mais importante que temos dos dias do Primeiro Templo em Israel." E se ela está certa, temos um outro elo na longa cadeia de evidências que demonstra a veracidade histórica da Bíblia. Como eu disse anteriormente descobertas como estas são dignas de entusiasmo, apesar de necessitarmos de ter cuidado para não exagerarmos. Toda a descoberta arqueológica, histórica, científica que fazemos e que dá razão às Escrituras é uma boa notícia. Lembram-nos que a Bíblia é um registo de pessoas, lugares e eventos reais que, como Dorothy L. Sayers diz, Jesus Cristo “nasceu na história", não na mitologia. Numa altura em que a veracidade da Bíblia está sob o ataque de todos os lados, estes lembretes são sempre refrigerantes e encorajadores. No entanto, ao mesmo tempo, a principal fonte das nossas crenças deve continuar a ser a própria Bíblia. Eu fiz deste ponto questão de honra há vários anos atrás, quando os arqueólogos descobriram um ossuário, isto é, uma caixa de ossos rotulado "Tiago ... irmão de Jesus." Até hoje há controvérsia sobre a autenticidade do ossuário. Mas mesmo que a descoberta de um ossuário ou uma muralha da cidade corrobore o que diz a Bíblia, isso não torna os factos bíblicos mais factuais - simplesmente os confirmam. E como o historiador Paul Johnson (foto ao lado) diz, as evidências que confirmam a exactidão das Escrituras está a escalar - tanto que os cépticos, não os cristãos, devem temer o curso das descobertas científicas. Mas lembre-se sempre que a Bíblia é a sua própria testemunha credível, independentemente de fontes secundárias a confirmarem ou aparentemente a contradizerem. Se nos deixarmos absorver demasiadamente por cada descoberta que parece apoiar a Bíblia, corremos o risco de edificar a nossa fé sobre uma fundação nada sólida. E corremos o risco de ficarmos decepcionados e desiludidos se um determinado artefacto for de alguma forma desacreditado. É melhor edificar a nossa fé sobre a rocha sólida da Palavra de Deus - mesmo que as evidências continuem a escalar, desta vez de um monte de escombros antigos que apontam para a veracidade da Palavra de Deus. Há vários anos atrás, Paul Johnson fez um discurso notável no Seminário de Dallas denominado "Um Historiador olha para Jesus." É uma das melhores composições sobre a veracidade e exactidão das Escrituras que eu encontrei. ( Chuck Colson )
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Por: Simon James Wadsworth
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Fonte : UCB Portugal *** Via Convicções

sábado, 24 de abril de 2010

Hubble: 20 anos a Espreitar o Universo

( Imagem D.N. )
[ Título original do artigo: Hublle: 20 anos a olhar para fora deste mundo ]
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Telescópio ajudou a descobrir planetas extra-solares e serviu para estimar a idade do universo em 13 700 milhões de anos.

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A 24 de Abril de 1990 era lançado para a órbita terrestre aquele que seria o maior "olho" virado para o universo desconhecido. Vinte anos depois, o Hubble é o veterano dos telescópios espaciais e continua a dar voltas em torno da Terra. No seu percurso abriu caminho para o conhecimento acerca de planetas extra-solares e hoje consegue, até, saber a composição química das suas atmosferas, o que tem sido útil na sua procura por vida além-Terra. Aliás, o seu lema é mostrar "o fora do normal... e o fora deste mundo". O trabalho do Hubble nestas duas décadas é notável. Desde 1990, o telescópio realizou 600 mil gravações de cerca de 30 mil objectos, segundo dados da NASA - a agência espacial norte-americana. Todos os meses são transferidos para a Terra 80 gigabytes de informação, o equivalente a 80 grandes enciclopédias. O Hubble ajudou a explicar o nascimento de estrelas e planetas e a estimar a idade do Universo em 13 700 milhões de anos. Inclusive, a investigar a misteriosa matéria negra que fez com que a expansão do universo tenha sido mais acelerada. Tudo começou em 1946, quando o astrónomo Lyman Spitzer escreveu um documento intitulado "Vantagens astronómicas de um observatório extraterrestre". Nesse texto, Spitzer falou das duas vantagens de se ter um telescópio em órbita: a resolução angular deixaria de ser influenciada pela turbulência atmosférica que faz, por exemplo, com que as estrelas pisquem. Em segundo lugar, um telescópio colocado no espaço poderia observar a radiação infravermelha e ultravioleta. De facto, estas são as vantagens apontadas ao Hubble, que tem uma visão livre da profundidade do universo. Em 1962, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos recomendou a construção de um telescópio para ser colocado em órbita e, três anos depois, Spitzer foi nomeado responsável pelo comité, definindo os objectivos científicos do programa. O seu nome foi dado em homenagem a Edwin P. Hubble (1889-1953), astrónomo norte-americano que comprovou a existência de mais astros além dos existentes na Via Láctea. Pela primeira vez, com este telescópio, foi possível conhecer estrelas de outras galáxias, assim como observar ondas de grande alcance, como as infravermelhas, que são absorvidas pela nossa atmosfera. Mas o fim do Hubble está já anunciado: em 2014, irá ser colocado no espaço o substituto, o Telescópio Espacial James Webb (ver caixa). O custo da sua manutenção, até agora, foi de dez mil milhões de dólares (7500 milhões de euros), valor dividido pela NASA (85%) e pela Agência Espacial Europeia (restantes 15%).
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In Diário de Notícias de 24 de Abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

( 23 Abril 2010, Dia do Livro ). Livros são Guardadores de Memórias

Livro, amigo inestimável. Companheiro de horas boas e más, mestre silencioso, confidente, ajudador. Palco de alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, tragédias , epopeias. Receptáculo de lágrimas.
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Livro branco, livro negro, livros de todas as cores. Livros velhos, livros novos, raros, desprezíveis, enganadores. Necessários, dispensáveis; morais ou amorais, certeiros e laterais.
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Tabuinhas, barro, pergaminho, papiro, papel. Cheiro a mofo ou tinta fresca sobre papel novo. O livro, nosso conhecido, carregador de vidas, paixões e civilizações.
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Livros lavram o presente, semeiam o futuro.
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Livros são guardadores de memórias.
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Livros alertam, despertam,
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Livros Salvam ou condenam.
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Jacinto Lourenço

quinta-feira, 22 de abril de 2010

" A Igreja e a Crise de Identidade "

Passamos por muitas crises, porém quando temos uma crise de identidade, experimentamos um dos mais delicados momentos da nossa vida. Qualquer pessoa saudável emocional e existencialmente, passa por uma crise de identidade. Um momento no qual a maneira como nos percebemos e somos percebidos sofre profundas alterações. As forças comuns propiciadoras do equilíbrio são abaladas, o chão nos foge dos pés, uma certa angústia vinda de um sentimento de vazio se instala, as respostas, as certezas, são engolidas pelas dúvidas, um flerte com a frustração, a tristeza e a depressão se mistura a um namoro com a esperança, o odor de novos ares, a silhueta de novos horizontes. Os chineses têm razão quando no seu complicado alfabeto escrevem a palavra crise com dois ideogramas, um representando perigo e outro oportunidade. São exatamente estas as duas sementes contidas numa crise de identidade, o perigo de nos perdermos e cristalizarmos quem somos repetindo automaticamente erros, ou a oportunidade de nos reinventar, superar limitações, corrigir rumos, sair da periferia e vir para o centro capaz de equilibrar tudo em nós e nos religar a nossa vocação mais original.[...]
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Via Hermes Fernandes *** Continuar a ler AQUI

A Propósito do Dia Mundial da Terra

( Foto D.N. )

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A Propósito do dia Mundia da Terra, e quando todos estamos preocupados com a sustentabilidade da economia europeia e mundial, convém ler abaixo a opinião dos especialistas sobre a própria sustentabilidade do planeta e da vida tal qual os conhecemos. Os sinais que nos chegam todos os dias sobre a exaustão e degradação dos recursos naturais e ambientais são altamente preocupantes, e a reconhecida incapacidade do planeta para se reconverter a esse nível, face à atitude de "avestruz" dos governos mundiais e aos estragos irreversíveis que as políticas continuam a provocar no planeta, tornam tudo ainda mais preocupante. Todos somos responsáveis, quanto mais não seja, no momento do nosso voto poder decidir, ou não, eleger pessoas que tenham preocupações com o que é verdadeiramente importante: uma economia que seja orientada para a sustentação da vida e do planeta.
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Jacinto Lourenço
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A Quercus alertou hoje para o risco que o planeta corre de entrar em cataclismo e salientou que só em Portugal o consumo e a produção de resíduos estão 70 por cento acima da sua capacidade. A propósito do Dia da Terra, que se assinala na quinta feira, a Quercus lembra que existe um grande défice ecológico que põe a nu a insustentabilidade da humanidade. "Infelizmente, quatro décadas passadas desde o momento em que se designou internacionalmente um dia para celebrar o Planeta Terra, os dados indicam que o caminho percorrido não tem ido no bom sentido e a nossa capacidade de conhecer e respeitar os limites da sustentabilidade do Planeta não tem progredido", afirmam os ambientalistas em comunicado. No que respeita a Portugal, o panorama também é negativo: segundo dados de 2009, o país tem uma pegada ecológica de 4,4 hectares globais per capita quando tem apenas uma biocapacidade de 1,2 hectares globais per capita. Isto significa que a pegada ecológica nacional está mais de 70 por cento acima da capacidade produtiva e de processamento dos resíduos produzidos. De acordo com a Quercus, os dados mais recentes apontam para que a civilização humana esteja "prestes a causar um cataclismo de magnitude planetária, de que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas". "O actual sistema de produção e consumo intensivos pode ser comparado à imagem de um cometa em rota de colisão com o Planeta Terra. Para já estamos a sentir apenas a chegada de pequenos fragmentos que acompanham o cometa principal. Contudo, a aproximação é rápida, pelo que o tempo para reagir começa a escassear", afirma a associação. Actualmente a produção e consumo a nível global excede em 40 por cento a capacidade de carga do planeta, pelo que seriam necessários 1,4 planetas para suprir as necessidades. Mais de três quartos da população não consegue produzir dentro das suas fronteiras os recursos que consome, nem desfazer-se dos resíduos que produz. A pegada ecológica do cidadão europeu ocupa, em média, 4,6 hectares globais e a de um cidadão dos EUA 9,6 hectares globais, quando a disponibilidade global é de 1,8 hectares globais per capita, afirma a Quercus. "Este desrespeito pelos limites do planeta Terra acontece quando apenas mil milhões de pessoas têm uma vida abastada, mil a dois mil milhões vivem em economias de transição e cerca de três a quatro mil milhões sobrevivem com apenas alguns euros por dia", sublinha a associação. Por isso, os ambientalistas deixam um alerta: considerando que a população mundial em 2050 terá previsivelmente crescido dos actuais 6 mil milhões para 9 mil milhões, será necessário que os europeus reduzam a pegada ecológica para 25 por cento da actual e os EUA para 10 por cento.
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O Perigo da Ansiedade

[ Título original do artigo: Não quero andar ansioso por coisa alguma ]
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A partir de hoje, com a ajuda de Deus, vou me disciplinar no que diz respeito à ansiedade. Farei isso a partir do Sermão do Monte. Ali está o impulso original que devo abrigar, alimentar e expandir. Jesus desaconselha a ansiedade e mostra a sua inutilidade. Ele me diz para eu não me preocupar com as necessidades básicas de cada dia, tanto de hoje como de amanhã (Mt 6.25-34). O exercício diário que me imponho voluntariamente é repudiar tantas vezes quantas forem necessárias qualquer sentimento impregnado de aflição, angústia, ansiedade, desconfiança, inquietação, medo, preocupação, solicitude e tormento. Não será fácil por causa da minha natureza humana e por causa da cultura no meio da qual eu vivo. É possível também que eu já tenha adquirido o vício da ansiedade. Porém vou reagir, vou lutar, vou resistir, na esperança de que Deus me cure desse mal. Sei que existem dois tipos de ansiedade : a ansiedade real (ou racional) e a ansiedade irreal (ou irracional). Mas não pretendo justificar a ansiedade não imaginária e lutar apenas contra a ansiedade imaginária. Estou ciente de que a ansiedade pode provocar distúrbios de saúde, como úlcera péptica, colite, asma e até doenças do coração. Sei também que ela pode tornar a minha vida e a vida dos que me rodeiam numa grande chatura ou mesmo num inferno. É muito desagradável conviver com uma pessoa demasiadamente ansiosa. Estou consciente de que a ansiedade é um pecado contra Deus, porque põe em dúvida o seu cuidado, a sua soberania, o seu amor, a sua providência. Logo atrás da ansiedade, está a incredulidade. É pecado por mais uma razão: o tempo e a energia gastos exageradamente com os cuidados desta vida - o que comer, o que beber e o que vestir - deveriam ser dedicados à expansão do reino de Deus, como Jesus explica no Sermão do Monte (Mt 6.33). Para ser bem-sucedido na minha resolução de hoje, vou rever e memorizar textos que insistem no cuidado de Deus por mim: “Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5); “Entregue suas preocupações ao Senhor, e ele o susterá” (Sl 55.22); “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus” (Fp 4.6); “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1Pe 5.7). Mais uma providência pode me ajudar: não negar a minha ansiedade quando pessoas queridas disserem que sou ansioso nem quando a consciência e o Espírito me acusarem do pecado da ansiedade! Se eu agir assim, o Senhor certamente me curará, pois só ele pode fazer isso. De hoje em diante a guerra contra a ansiedade está declarada e já começou!
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

«...Em busca de um modelo cristão de intervenção social»

...Como poderá então a Igreja intervir na sociedade contemporânea?
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*** Tradicionalmente é pela via exclusiva do trabalho espiritual e pessoal, numa separação rígida entre Igreja (povo de Deus) e Sociedade (povo descrente). Esta separação denuncia quase sempre a falta de preparação dos cristãos para uma intervenção social minimamente eficaz. Este separatismo humano e social, pseudoespiritual e pseudosantificador, que os afasta de todas as manifestações sócio-culturais das sociedades em que estão inseridos, retira-lhes o discernimento da filosofia predominante e a autoridade, já que quem se põe à parte não pode ter depois uma voz audível. [...]
*** Artigo de Brissos Lino para ler AQUI no A Ovelha Perdida

Uma Questão Simples...

A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós, cristãos, somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que no minuto em que compreendemos estaremos obrigados a agir em conformidade. Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. ‘Meu Deus’, dirá você, ’se eu fizer isso minha vida estará arruinada. Como vou progredir na vida?’. Aqui jaz o verdadeiro lugar da erudição cristã. A erudição cristã é a prodigiosa invenção da igreja para defender-se da Bíblia; para assegurar que continuemos sendo bons cristãos sem que a Bíblia chegue perto demais. Ah, erudição sem preço! O que seria de nós sem você? Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo, De fato, já é coisa terrível estar sozinho com o Novo Testamento.”

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Soren Kierkegaard

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Fonte: Canto do Jo *** Via A Ovelha Perdida

terça-feira, 20 de abril de 2010

" Nós e os Outros"

Nos anos 20 do século passado, Louis Bolk avançou com a teoria da neotenia, posteriormente seguida e aprofundada por biólogos e filósofos. Constata, no essencial, que o Homem é um prematuro - para fazer o que faz, precisaria de permanecer no ventre materno mais um ano, mas isso não é possível; assim, nasce no termo de 9 meses, em vez de passados 20 -, tendo, portanto, de receber por cultura aquilo que a natureza lhe não deu. Frágil segundo a natureza e sem especialização, tem de criar uma espécie de segunda natureza ou habitat, precisamente a cultura. Como escreve o filósofo Robert Legros, "é na cultura ou no que a fenomenologia chama um mundo que a humanidade de Homo encontra a sua origem, e não na natureza. Quanto à origem da cultura, ela está por princípio votada a permanecer uma questão sem resposta". Enquanto os outros animais nascem feitos, o Homem, nascendo por fazer, em aberto, tem de fazer-se a si mesmo e caracteriza-se por essa tarefa de fazer-se com outros numa história aberta, em processo. Constata-se deste modo que nos fazemos uns aos outros genética e culturalmente. Os meninos--lobo mostram-nos que nos tornamos humanos com outros humanos. Eles tinham a base gené- tica de humanos, mas faltou-lhes o encontro com outros homens. O ser humano é, pois, sempre o resultado de uma herança genética e de uma cultura em história. Assim, no processo de nos fazermos, o outro aparece inevitavelmente. O outro não é adjacente, mas constitutivo. Só sou eu, porque há tu, em reciprocidade. O outro pertence-me, pois é pela sua mediação que venho a mim e me identifico: a minha identidade passa pelo outro, num encontro mutuamente constituinte. Repare-se, porém, como, analisando o étimo de encontro, aparece não só esta relação constituinte, mas também a indicação de embate e contraposição, assinalados no "contra" da palavra encontro, que aparece igualmente no espanhol "encuentro", no francês "rencontre", no italiano "rincontro", no alemão "Begegnung", com a presença de "gegen", que significa contra, precisamente. Então, o outro é vivido sempre como fascinante e ameaça. Os gregos, por exemplo, chamavam bárbaros aos que não sabiam falar grego, mas tinham fascínio por outros povos, concretamente pelos egípcios. O outro é outro como eu, outro eu, e, simultaneamente, um eu outro, outro que não eu. Daí, a ambiguidade do outro. O outro enquanto outro escapa-se-me, não é dominável. Nunca saberei como é viver-se como outro. Quando olhamos para outra pessoa, perguntamos: como é que ela se vive a si mesma, por dentro?, como é que ela me vê?, como é o mundo a partir daquele foco pessoal? Porque é simultaneamente, tanto do ponto de vista pessoal como grupal e societal, um outro eu e um eu outro - outros como nós e outros que não nós -, o outro atrai ao mesmo tempo que surge como perigo possível. Há, pois, uma visão dupla do outro, que tanto pode ser idealizado - no amor, é divinizado -, como diabolizado. Atente-se na ligação entre hospitalidade e hostilidade, que derivam do latim "hospite" e "hoste", respectivamente. Cá está: o outro é hóspede, por exemplo, no hotel e no hospital. Mas, no hotel, que em inglês se diz "hostel" e em espanhol "hostal", em conexão com hostil, pedem-nos, por cautela, a identificação. E a fronteira, porta de entrada e de saída, em ligação com fronte - a nossa fronte somos nós voltados para os outros e ao mesmo tempo ela é limite e demarcação de nós -, anuncia o outro - outro país - e é espaço de acolhimento e também da independência. No quadro desta ambiguidade, entende-se como, por medo, ignorância, desígnios de domínio, se pode proceder à construção ideológica e representação social do outro essencialmente e, no limite, exclusivamente, como ameaça, bode expiatório, encarnação e inimigo a menosprezar, marginalizar, humilhar e, no limite, abater, eliminar. Num mundo global, cada vez mais multicultural e de pluralismo religioso, é urgência maior repensar a identidade e avançar no diálogo intercultural e inter-religioso. ***
Fonte: Prof. Anselmo Borges in Diário de Notícias Online

segunda-feira, 19 de abril de 2010

«QUAIS...?»

A primeira pergunta referencial sobre os acontecimentos históricos da paixão, morte e sepultamento do Messias, veio de Quem menos se esperaria. Veio do próprio Jesus Cristo ressuscitado. Tal pergunta está no contexto da interactividade da narrativa lucana ( Luc 24,19) que nos apresenta uma das mais belas passagens pós-ressurreição do Amado. Essa passagem do Evangelho junta o sobrenatural de uma forma tão singela, tão esbatida num ambiente simples de um encontro de caminheiros no meio das sombras de um provável fim de tarde, tão cheia de nostalgia, tão apelativa da curiosidade do leitor. A aproximação daquele viajante, longe de distrair os discípulos solitários, mais ainda os comoveu. Começou por lhes tocar na corda da sensibilidade, lhes fazer recontar a história que as suas palavras trocavam entre si, uma história triste sobre o destino de alguém. Nada tinha de simbólico, nada possuía de quotidiano. Parecia ser, também, a história de um herói e sobre a mediocridade dos homens. À estranheza dos dois discípulos, Cleopas e outro inominado, que caminhavam imersos em tristeza psicológica e, de certo maneira, religiosa, correspondeu uma não menos estranha pergunta: -«És tu só peregrino em Jerusalém e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? -«Quais?», devolve Jesus Cristo a pergunta. E, antes da resposta dos chamados discípulos de Emaús e da explanação histórica e das Escrituras sobre os acontecimentos, por Quem os conhecia afinal pelo seu lado interior, pelo âmago profético e divino, vejamos o conteúdo que se nos oferece na indagação «Quais?» «Quais?» Jesus Cristo está diante da natureza humana. Está perante o que se poderia designar como o momento em que, para aqueles dois discípulos judeus já nada parecia fazer sentido. É dos piores, esse momento, determinado pelas dúvidas que se sucedem e não dão tréguas, pelos sentimentos que correm em tropel. O desânimo chega porque um sonho, uma expectativa, uma quase certeza se goraram, ou uma fé se perdeu. Esta indagação «Quais?», porém, não nos remete para o silêncio e a solidão das coisas sem resposta. Pelo contrário, descobre-nos a existência de pontos de vista díspares. E das dimensões opostas da visão sobre os acontecimentos. Os dois de Emaús tinham a notícia, haviam sido testemunhas presenciais, possuíam a sua resposta ao acontecimento passado havia poucos dias, o seu ponto de vista era o contingente. Remetia-os para a unhope ( “esperar na desesperança”) que acabaria por fazer escola na transição do século XIX para o XX com um ou outro escritor pessimista radical (1). As evidências pareciam confirmar-lhes a frustração: “ E nós esperávamos – esta afirmação carrega em si toda a carga de um drama de quem esperava mesmo qualquer coisa – que fosse ele o que remisse a Israel; mas, agora, com tudo isso, é já o terceiro dia desde quer essas coisas aconteceram” (op.cit. 24,21) Toda a problemática do homem moderno, na sua vida, na sua religiosidade, na sua espiritualidade, aí está reflectida na atitude dos discípulos de Emaús. Estavam a deixar-se esmagar pela impiedosa máquina do que parece ser, do que aparentemente a história parecia determinar. «Quais?» Confrontaram-se, contudo, com um viajante ocasional, no começo da narrativa de Lucas, que com o decorrer da viagem se foi tornando essencial, peregrino aparente que parecia desconhecer as contingências da história, não conhecer os eventos, mas que possuía a versão absoluta, meta-histórica, do conjunto de acontecimentos desses três dias últimos. A interpelação de Jesus aos companheiros de viagem não se situava na zona escura do desconhecimento, nem estava na área gramatical das figuras de estilo; assim como o pensamento grego pressupunha sempre uma conduta, a língua grega que Lucas utilizou também. O pronome «quais?» ( Poios, Poia, adj.pronominal interrogativo ), inquiria sobre o carácter das coisas que aconteceram, o modo de ser das mesmas, e não o aspecto quantitativo. A quantidade de diálogo estabelecido entre Jesus e os dois discípulos, esteve muito mais do lado destes. Responderam a esse inesperado companheiro com todo o rigor da história recente. Deixaram transparecer um vislumbre de esperança sustida e demarcada pelo machismo ( «É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam...dizendo que tinham visto uma visão de anjos» 24,22), quando ouviram que o sepulcro estava vazio. Mas ficaram por aí. Na exiguidade da história, no constrangimento que se produz quando se espera ter algo ou alguém para ver, e tal não acontece, no esperar nos outros que nos relatem o que viram ou não viram, residia agora o estado de animo dos dois de Emaús. Disseram, do fundo da alma entristecida, e não se sente nas suas palavras desconfiança, que alguns foram ao sepulcro e confirmaram a informação das mulheres, «porém, não O viram» ( 24,24). Uma simples e formal constatação de um facto. Também um conformismo. Vê-lO, naquela circunstância de sombras e desânimo, seria importante para eles. A dúvida, o sentimento de orfandade, contagiavam. O olhar e o tocar ainda se sobrepunham à Fé. Não terá sido para lhes resolver esse problema, tirando-os do conformismo e da dúvida, que o próprio Senhor ressuscitado se juntou a eles, no caminho para Emaús? Em que plano dos eventos aquele viajante misterioso colocou as Suas palavras perante ouvidos tão atentos? E corações tão prontos para deixarem de ser glaciais? «E Ele lhes disse:» As primeiras palavras foram de suave reprimenda ( Ó [original letra ómega] néscios..) e de pedagogia, para salientar a necessidade de estarem atentos ao plano profético dos eventos. «Tudo o que os profetas disseram», compunha o absoluto das «coisas» que tinham ocorrido. O próprio Cristo falando de Si retoma todo o conceito profundo «dessas coisas», que qualifica de padecimentos, e assim as liga ao Seu sacrifício vicário pelos homens, à Sua paixão, morte e sepultamento, culminadas – Aleluia!- pela Glória - a Glória de Ser o Que É e a Glória de Estar ressurrecto. Na narrativa que Lucas utiliza, o versículo 27 é um simples prólogo, diria muito ao modo grego, para resumir toda uma acção que toca no mais profundo lugar da alma dos dois de Emaús. A explicação que Cristo lhes foi a facultar pelo caminho, não era sobre os acontecimentos, isso seria história, tida como contingente, era sobre Si próprio, acerca do que sobre Ele se achava nas Escrituras – logo, era sobre o essencial, o absoluto eterno que É o Filho de Deus. Que palavras podem fazer arder o coração? Senão as palavras, as logias que Jesus foi tirando de dentro de si próprio para as colocar no coração dos homens? Mas se não bastassem as palavras, houve ainda assim o gesto, a atitude do partir do pão e de dar o mesmo aos anfitriões da casa onde se recolheu da noite. Jesus Cristo ressuscitado É isso: Luz para o entendimento, Pão para a fome espiritual, Palavra para conhecer os domínios de Deus. Jamais 2,5 quilómetros (60 estádios) foram tanta universidade bíblica, tanta sinagoga, tanto Templo de Jerusalém, para o ensino que Jesus Cristo foi transmitindo, tendo iniciado o mesmo por Moisés e feito o percurso bíblico por todos os profetas. Explicou-lhes o sentido profundo dessas coisas. Da Sua Vida, Morte e Ressurreição. Perante o efémero da história, que parecia dominar as circunstâncias, estava ali o Permanente.
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(1) Thomas Hardy, poema De Profundis
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João Tomaz Parreira

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Insistir na Pregação do Amor

[ Título original do texto: "O risco de se pregar o amor" ]
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Lembro de quantas vezes ouvi meu pai falar de amor. Essa era, sem dúvida, uma das tónicas do seu ministério, o que lhe rendeu o apelido de “apóstolo do amor”. Não foi ele quem se intitulou assim. Aliás, ele nunca ligou muito para títulos. Por isso, só pouco antes de morrer, na semana em que partiu, ele aceitou ser sagrado bispo. Mas ainda hoje há quem se refira a ele como “apóstolo do amor”. Mas ele sabia dos riscos que havia de se pregar o amor. Algumas pessoas mal intencionadas se aproveitavam para extrair dele algum benefício, e quando ele não podia atender a um pedido, logo o chamavam de incoerente, de não viver o que pregava, etc. A bem da verdade, algumas vezes ele caiu em verdadeiras armadilhas. Ele preferia acreditar nas pessoas, até que se provasse o contrário. Muitos dos seus gestos de amor eram feitos em surdina. Eu mesmo já testemunhei ocasiões em que ele ajudou alguém, e pediu que não divulgasse. Ele buscava seguir à risca a orientação dada por Jesus: o que fizer a mão direita, não o saiba a esquerda. Quando decidi fazer da mensagem do amor um dos principais ênfases do meu ministério, eu estava plenamente ciente do que isso me acarretaria. Eu seria julgado com mais severidade. Seria acusado de incoerência, quando tivesse que disciplinar alguém na igreja. Teria minha vida constantemente perscrutada por aqueles que almejassem “desmascarar-me”. Mas resolvi correr o risco. Confesso que às vezes o preço parece mais caro do que eu supunha ser. Mas, por outro lado, é gratificante. O resultado positivo não pode ser ofuscado por nenhuma contestação ou acusação. Que me acusem do que quiserem. Não me importo. Mas jamais se atrevam a atacar a mensagem, pois ela não é minha, é de Deus. Não vou deixar de pregar o amor, ainda que, quanto mais amar, eu seja menos amado. Não busco ser correspondido. O amor de Deus por mim supre minha carência por completo. O fato de Ele me amar é suficiente para que eu ame tanto a meus amigos, quanto a meus desafetos. Continuarei pedindo discrição daqueles a quem eu tiver oportunidade de ajudar. Minha recompensa vem do Senhor. Não vou perder tempo emprestando meus lábios às acusações, sejam elas infundadas ou não. Como também não quero perder tempo me explicando, me justificando, pois tenho quem me defenda e me justifique. Com a palavra... meu advogado... Jesus! Trata-se de um caminho sem volta. Seja qual for o preço a ser pago, não se pode retroceder. Que o mesmo Espírito que derramou profusamente o amor de Deus em nossos corações, nos dê condição de arcar com os eventuais custos disso. Pregar o amor é colocar-se no banco de réus. Viver o amor é dar às pessoas amadas o poder de nos decepcionar. Mas é o mesmo amor que nos agracia com o dom de perdoar.
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terça-feira, 13 de abril de 2010

Península Ibérica Aquece...

As Temperaturas médias aumentaram 0,5ºC por década desde 1975.
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O Ritmo de aquecimentoé cerca de 50% superior à média do Hemisfério Norte.
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A última década regista as mais baixas taxas de precipitação desde 1950.
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As temperaturas médias aumentaram, na Península Ibérica, à volta de 0,5ºC por década desde 1975, uma taxa similar à que regista a Europa mas que supera em cerca de 50% o ritmo de aquecimento do resto do Hemisfério Norte e quase três vezes a média global. [...]
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Continuar a ler AQUI, em Castelhano, no jornal El Mundo

Uma Maternidade de Estrelas...

( Foto jornal El Mundo )
A última imagem do Telescópio Espacial Europeu Herschel revela uma formação de grandes estrelas desconhecidas até agora, cada uma com uma massa até dez vezes superior à do sol.
São os astros que ditarão o lugar e o aparecimento da próxima geração de estrelas.
A nebulosa Roseta encontra-se a cerca de 5.000 anos-luz da terra e é uma nebulosa tão grande que contém pó e gás suficiente para criar o equivalente a 10.000 estrelas como o Sol. A imagem do Herschel mostra metade da nebulosa Roseta e a maior parte da nebulosa Escarapela. [...]
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Continuar a ler AQUI, em Castelhano, no jornal El Mundo

Descobrir o Azul do Céu

Interessante notar como a fragilidade dos ténues laços que nos prendem à vida só quando postos em causa nos levam a reflectir sobre aquilo que é realmente importante, sobre com que vale realmente a pena ocuparmos o nosso tempo e a nossa atenção, aquilo em que devemos focar o nosso dia a dia. Foi talvez por isso que Jesus disse : "Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? " . Vem isto a propósito de uma entrevista a um conhecido comentador de programas de futebol da nossa praça que, após ter sofrido uma grave enfermidade que o ameaçou de morte ou que, no mínimo, o poderia ter incapacitado definitivamente, e após ter tido uma extraordinária recuperação da sua saúde, confessou que, na actualidade, já não é só o azul do seu clube que lhe domina a vida, mas também o azul do céu. Só quando nos assusta o rompimento de liames essenciais ao suporte da vida, é que acordamos para essa tão grande realidade de quão preciosa ela é, e de como deve ser preservada, estimada e estimulada na descoberta das verdadeiras prioridades e na importância que devemos dar a cada uma dessas prioridades. Curiosamente, após a aflição ultrapassada, reparamos que há diferentes matizes que despertam a nossa atenção, quiçá mais importantes do que outros, como seja o azul do céu que nos dá a certeza de que é Deus que continua a comandar a nossa vida.
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Jacinto Lourenço

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Celibato e a Igreja Católica

[ Título original do texto : A lei do celibato obrigatório ]
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Dizia-me há dias um colega historiador que a lei do celibato obrigatório para os padres fez mais mal à Igreja e aos homens e mulheres do que bem. E eu estou com ele. Jesus foi celibatário como também São Paulo. Mas foram-no por opção livre, para entregar-se inteiramente a uma causa, a causa de Deus, que é a causa dos seres humanos na dignidade livre e na liberdade com dignidade. Mas nem Jesus nem Paulo exigiram o celibato a ninguém. Jesus disse expressamente que alguns eram celibatários livremente por causa do Reino de Deus. E São Paulo escreveu na Primeira Carta aos Coríntios que permanecer celibatário é um carisma, e, por isso, "para evitar o perigo de imoralidade, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher, o seu marido". Há a certeza de que pelo menos alguns apóstolos eram casados, incluindo São Pedro. Na Primeira Carta a Timóteo lê-se: "O bispo deve ser homem de uma só mulher." Foi lentamente que a lei do celibato se foi impondo na Igreja Católica, embora com excepções: pense-se, por exemplo, nas Igrejas orientais ou nos anglicanos unidos a Roma. Na base do celibato como lei, há razões de vária ordem: imitar os monges e o seu voto de castidade, manter os padres e os bispos livres para o ministério, não dispersar os bens eclesiásticos, evitar o nepotismo... A concepção sacrificial da Eucaristia foi determinante, pois o sacrifício implica o sacerdote e a pureza ritual. Assim, o bispo de Roma Sirício (384-399) escreveu: "Todos nós, padres e levitas, estamos obrigados por uma lei irrevogável a viver a castidade do corpo e da alma para agradarmos a Deus diariamente no sacrifício litúrgico." Neste movimento, a Igreja foi-se tornando cada vez mais rigorosa, tendo papel decisivo o Papa Gregório VII (1073-1085), com o seu modelo centralista: da reforma com o seu nome - reforma gregoriana - fez parte a obrigação de padres e bispos se separarem das respectivas mulheres e a admissão à ordenação sacerdotal apenas de candidatos celibatários. Foi o II Concílio de Latrão (1139) que decretou a lei do celibato, proibindo os fiéis de frequentarem missas celebradas por padres com mulher. A distância entre a lei e o seu cumprimento obrigou a constantes admoestações e penas para os prevaricadores, como se pode constatar no decreto do Concílio de Basileia (1431-1437) sobre o concubinato dos padres. Lutero ergueu-se contra a lei, respondendo-lhe o Concílio de Trento: "É anátema quem afirmar que os membros do clero, investidos em ordens sacras, poderão contrair matrimónio." Os escândalos sucederam-se, mesmo entre Papas: Pio IV, por exemplo, que reforçou a lei, teve três filhos. O famoso exegeta Herbert Haag fez notar que a contradição entre teoria e prática ficou eloquentemente demonstrada durante o Concílio de Constança: os seus participantes tiveram à disposição centenas de prostitutas registadas. Os escândalos de pedofilia por parte do clero fizeram com que o debate, proibido durante o Concílio Vaticano II e ainda, em parte, tabu, regressasse. Se não é correcto apresentar o celibato como a causa da pedofilia - pense-se em tantos casados pedófilos, concretamente no seio das famílias -, também é verdade que a lei do celibato enquanto tal não é a melhor ajuda para uma sexualidade sã. Muitos perguntam, com razão, se uma relação tensa com a sexualidade por parte da Igreja não terá aqui uma das suas principais explicações. Seja como for, o celibato obrigatório não vem de Jesus, é uma lei dos homens, e, como disseram os apóstolos: "Importa mais obedecer a Deus do que aos homens." E os bispos e o Papa são homens. É contraditório afirmar o celibato como um carisma e, depois, impô-lo como lei. Por isso, muitas vozes autorizadas na Igreja pedem uma reflexão séria sobre o tema. Há muito que o cardeal Carlo Martini faz apelos nesse sentido. Agora, junta-se-lhe o cardeal Ch. Schönborn, de Viena. O bispo auxiliar de Hamburgo, J.-J. Jaschke, sem pôr em causa o celibato livre, afirmou que "a Igreja Católica se enriqueceria com a experiência de padres casados".
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Fonte: prof. Anselmo Borges *** in Diário de Notícias Online

domingo, 11 de abril de 2010

"Sem Tempo para Mediocridades"

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabarolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando os seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projectos megalómanos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milénio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos factos a limpo'. Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, a minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.' O essencial faz a vida valer a pena.
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Por Rubem Alves *** Via Hermes Fernandes

sábado, 10 de abril de 2010

" O Segundo Fôlego "

No jargão dos maratonistas, segundo fôlego acontece depois de um certo tempo de corrida. Nas primeiras passadas, o organismo queima açucar, fonte de energia menos calórica e a gente se sente cansado. Depois, passa a queimar gordura, combustível de melhor qualidade. Nesse câmbio da glicose para a gordura, o corredor se sente bem disposto, com mais ânimo, renovado. Nos meus primeiros anos de vida eu consumi glicose, a energia fácil, que me dava furor empreendedor, mas que fatigou. Agora estou queimando os estoques de tecido adiposo; um jeito mais lento de gastar-me. Começo a experimentar outra qualidade de vida. Sinto-me revigorado; acho que entrei no estágio do segundo fôlego. Segundo fôlego, porque ando entusiasmado com a minha crescente identificação com a Missão Integral. Missão Integral para mim é compromisso de alcançar homens e mulheres em todas as suas necessidades, considerando as realidades onde estiverem. Encorajado por teólogos católicos e protestantes que souberam responder ao clamor dos pobres na América Latina, procuro traduzir a mensagem do Evangelho em praxis transformadora, em ação libertadora, em promotora de justiça. Estou envolvido com Missão Integral que não prioriza a salvação de almas, mas busca a salvação de vidas. Segundo fôlego, porque respiro uma nova liberdade. Puiram as rédeas que me impediam de desgustar cultura. Falsas percepções de pecado perderam força de me deixarem assustado com arte, literatura, música, teatro. Não me percebo indigno por gostar de amenidades que moralismos vitorianos proibem; já não preciso me esconder quando quero ir ao cinema. Quem nunca sofreu o torniquete do tradicionalismo legalista da religião, não imagina como é bom sentar em um teatro e assistir aos textos de Brecht, Shakespeare ou Andrew Lloyd Webber. Segundo fôlego, porque sou abençoado. Deus me agraciou com gente especial; gente que se importa. Estou rodeado de mulheres e homens que aprenderam a Lingua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para fazerem parceria com surdos; de casais que se colocaram em listas de candidatos para adoção; de voluntários que lutam pela recuperação de alcoólicos e drogaditos; de idosos que se doam a idosos em sanatórios; de profissionais que se dedicam em diversas iniciativas sociais. Segundo fôlego, porque mudei minha biblioteca. Entusiasmado, devoro pensadores judeus, católicos, ortodoxos, ateus, agnósticos. A grade de minhas leituras transborda o Index sutilmente imposto por austeros defensores da Reta Doutrina. Transitar entre tantos autores não só ajuda a cumprir a recomendação paulina de analisar tudo e reter o que for bom, como alarga a minha capacidade de ser criterioso com o que eu outrora aceitava ingenuamente. Segundo fôlego, porque a minha vida de oração ganhou cores diferentes. Deixei de sofrer ajoelhado para mendigar respostas às minhas petições. Minha espiritualidade era trabalhosa. Eu mastigava as palavras para demonstrar para Deus a minha penitência e assim alcançar o seu favor. Quantas vezes desesperei por não entender o porquê de não ser atendido nas súplicas mais urgentes. Nas horas críticas, era terrível ainda ter que lidar com culpa. O ídolo que por muitos anos chamei de Deus foi destronado. Já não preciso provar a minha fé com resultados. A Graça devolveu-me uma relação de paz com Deus. Finalmente entendi que “no silêncio e na quietude” encontrarei salvação. Aprendi o sentido do Salmo 46:10: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Segundo fôlego, porque me tornei um Caleb – o herói bíblico que se sentia um menino com 85 anos. Ele ansiava por conquistar um pedaço da Terra Prometida. Rejuvenecido, vou escrever, pregar, ensinar, discipular, com as forças que moveram aquele rapaz parecido comigo a dizer sim ao chamado de Deus.
*** Soli Deo Gloria
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Fonte : Pr. Ricardo Gondim

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Cruz, Escândalo para Judeus Loucura para Gregos

[ Título original do texto: A Cruz do Mundo ]
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...Com Constantino, a cruz tornou-se sinal de poder e vitória do Império. Utilizou-se a cruz de Cristo para humilhar e matar nas Cruzadas. Na época dos Descobrimentos, a cruz acompanhou a espada nas conquistas e destruição de civilizações inteiras. Lá estava presente nas condenações da Inquisição. O filósofo Hans Blumenberg sugeriu que o cristianismo morreu na Europa quando Giordano Bruno, em 1600, na iminência de ser queimado vivo, cuspiu na cruz que o frade lhe apresentou para beijar, mas também há quem observe - com mais razão, creio - que cuspiu para o frade, representante da Igreja inquisitorial, e não para a cruz. Durante séculos, bispos, cardeais, papas, escarneceram da cruz de Cristo, usando triunfalmente ao peito cruzes de ouro, com pérolas e diamantes. E o que é mais: pregou-se que Jesus foi crucificado, porque Deus precisava do seu sangue para aplacar a sua ira. Transformou-se assim o Deus-amor num Deus sanguinário, vingativo, cruel e sádico. Para manter a dignidade, perante esse Deus, só se pode ser ateu. Em face da cruz de Cristo, é-se confrontado com o calvário do mundo. Quem crê no destino fatal ou tem uma concepção dualista não se põe a questão com a acuidade dramática de quem acredita no Deus transcendente, criador e bom: porque é que Deus não impede o mal no seu horror? A História do mundo é verdadeiramente uma ecúmena de sofrimento: assassinatos, guerras, violência, fracassos no amor e na profissão, doenças, fome, humilhações, torturas, falta de sentido, traições..., no fim, a morte. Também a dor dos animais. Mas sobretudo o sofrimento das crianças e a condenação dos inocentes. Hegel referiu-se à História como um Schlachtbank: um açougue ou matadouro. A história da filosofia está atravessada por tentativas de teodiceia: na presença do mal, justificar Deus racionalmente. Mas Kant referiu-se ao fracasso de todas as tentativas de teodiceia. Onde estava Deus em Auschwitz, por exemplo, ou no Haiti, na Madeira...? O mal aparece como "rocha do ateísmo". Perante o mistério impenetrável de Deus e do mal, o crente cala. Como Job, na Bíblia, tem o direito de gritar, de protestar, de revoltar-se contra um Deus que lhe parece cruel: "Clamo por ti, e Tu não me respondes; insisto e não fazes caso. Tornas-te cruel comigo." Mas, depois, cala-se e entrega-se confiadamente. A última palavra ainda não foi dita e espera que pertença ao Deus da misericórdia. Aliás, na sua última obra, Was ich glaube (A Minha Fé), resultado de uma série de lições, aos 80 anos, na Universidade de Tubinga, a cada uma das quais assistiram mil pessoas, pergunta o teólogo Hans Küng: "O ateísmo explica melhor o mundo? A sua grandeza e a sua miséria? Como se também a razão descrente não encontrasse o seu limite no sofrimento inocente, incompreensível, sem sentido!" Também Jesus, no Gólgota, foi confrontado com o abandono dos homens e de Deus. E, naquele abismo, gritou aquela oração que atravessa os séculos: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" Aparentemente, foi o fim. Pouco depois, os discípulos reencontraram-se a partir de uma experiência avassaladora de fé: Jesus, o crucificado, não caiu no nada, mas vive em Deus para sempre. Sem esta fé, que testemunharam até ao martírio e que mudou a História, não haveria cristianismo.
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Fonte: Prof. Anselmo Borges *** Via Diário de Notícias Online

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Riqueza e Pobreza

“Há pouca coisa favorável para se dizer a respeito da pobreza, mas muitas vezes ela serve para incubar uma verdadeira amizade. Muita gente faz amizade connosco quando somos ricos, mas são muito poucos e preciosos os que se tornam nossos amigos quando somos pobres. Se a riqueza é um íman, a pobreza é uma espécie de repelente. Mesmo assim a pobreza costuma revelar a verdadeira generosidade nos outros.”
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Nelson Mandela em Longo Caminho para a Liberdade
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"A murmuração dos helenistas contra os hebreus"

O evangelista Lucas dedica nos seus Actos dos Apóstolos apenas um parágrafo àquele que foi um grande problema, não tanto pelo seu significado e duração, mas porque foi fundacional para a instituição do diaconato na Comunidade cristã de Jerusalém. «Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos houve murmuração dos helenistas contra os hebreus»- 6, 1
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No plano social, as viúvas dos cristãos originários das cidades gregas não eram tratadas com simpatia devida pelos cristãos aborígenes da Palestina, de Jerusalém, da Judeia e da Galileia. Uns e outros eram Judeus. Uns da Dispersão, outros autóctones. Lucas enfatiza com um simples lexema («esquecer»), a causa da problemática questão: essas viúvas estavam a ser desprezadas e esquecidas nas refeições diárias.Este esquecimento está marcado no texto de Lucas com um termo grego (paratheoreo) que induz acção interior e exterior, a negligência dos sentimentos reflectida no descuido do olhar, do olhar por alto, do desprezo. Aparentemente, parece-nos ser um problema meramente social, com traços de xenofobia, sabendo nós como sabemos que os judeus sempre enraizaram em si uma tendência para a exclusividade, quer religiosa, teológica e, por fim, social. A verdade é que a questão suscitada na Igreja de Jerusalém vai para outro plano. É civilizacional e do âmbito da cultura. Como divergências de conteúdo transcultural, digamos assim, podem influenciar a Igreja de Deus, temos aqui a prova histórica no relato lucano. Mas tais divergências não foram obra do acaso, nada do que concerne aos Planos divinos na história do homem é por acaso. Contribuíram para o crescimento e expansão da Igreja, foram com a perseguição que a seguir eclodiu a pedra de toque da crise, em sentido teológico e neo-ortodoxo de mudança. [...]
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Por João Tomaz Parreira *** Continuar a ler AQUI no Papéis na Gaveta

A "Igreja Pinóquio" ...

[ Título original do texto: Propaganda versus Evangelismo ]
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Somos especialistas em fazer propaganda enfatizando exactamente aquilo que não somos. Isto é quase sempre uma regra. No desespero de atingirmos um grupo grande de pessoas, atropelar a ética torna-se algo comum. É preciso perceber que a ética para a elaboração de propaganda de produtos não pode ser utilizada para a disseminação do evangelho. Isto dá-se porque o evangelho não deve ser comparado a um produto. A publicidade de um produto quase sempre busca encontrar um apelo emocional para que as pessoas o comprem. Mas emocionalismo não é o sentimento correcto daquele que conhece verdadeiramente o evangelho, pois é algo volúvel e que não durará muito tempo. Quem se entrega a apelos emocionais e compra algo, quase sempre irá trocar a sua aquisição por uma “melhor” num futuro próximo. Outro grande problema que enfrentamos ao falar em evangelismo, é tentarmos aplicar conceitos de marketing às igrejas. Conceptualmente, as igrejas costumam ser exactamente o contrário do que a sua divulgação afirma. Esta dualidade entre a publicidade e a realidade, provoca decepções tremendas. E também não deixa de ser uma mentira. Já vi muitas pessoas que ficaram impressionadas por práticas de rua, ou até mesmo por eventos ditos de “evangelismo”, que abusavam de expressões artísticas; ao chegar ao culto de domingo, tais pessoas sentem-se enganadas. Parecia que todo aquele bom ambiente anterior era apenas um isco para se apresentar mais “do mesmo de sempre”. E talvez o tipo mais comum de decepção provocada pela propaganda é quando uma pessoa se filia numa igreja na perspectiva de viver com pessoas melhores que ela mesma. Isto é algo que quase sempre acaba mal. Afinal, a igreja é a comunidade dos arrependidos; daqueles que buscam a vida em santidade, mas… o quanto somos melhores que os de fora? Na ânsia de estar andando com pessoas “sem problemas”, muitos acabam formando grupos organizados pelo pior tipo de afinidade: as suas dificuldades. E estes tem tudo o que é necessário para promover grandes tragédias. Mas se o nosso marketing abordasse a verdade, as pessoas saberiam que no nosso meio, trabalhamos como num hospital: muitos doentes, buscando constante recuperação. Conheço uma igreja que possui um banner com a foto de algumas pessoas escolhidas a dedo em sua fachada. Porém, com o tempo, algumas pessoas abandonaram a fé. Inclusive, duas pessoas se revelaram homossexuais e se afastaram completamente da comunidade. Este banner é considerado por muitos como uma propaganda que deu errado e que, com certa urgência, necessita ser substituído. Inclusive há quem defenda o uso de bancos de imagens (com imagens de pessoas desconhecidas) na confecção de uma nova fachada. Mas… há algo mais autêntico do que o velho banner? O velho representa a verdade. Diz que no nosso meio há pessoas com problemas. Que alguns talvez não chegarão até o fim, apesar das suas juras de amor a Cristo. E também revela que temos problemas como qualquer outra pessoa. Esta é a publicidade da verdade; que não mente para alcançar resultados. E com certeza, um evangelismo baseado em mentiras, não pode ser usado para representar aquele que é o Caminho, A Verdade e a Vida.
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segunda-feira, 5 de abril de 2010

" Religião e Saúde "

Kant alinhou as tarefas fundamentais da Filosofia: "O que posso saber?", "O que devo fazer?", "O que é que me é permitido esperar?" No fundo, elas reduzem-se a uma quarta pergunta, para a qual remetem: "O que é o Homem?" Segundo Kant, precisamente à terceira pergunta responde a religião, o que significa que, para ele, o que a determina é a esperança de salvação, felicidade, consolação, sentido último. Deus "deve" moralmente existir - é um postulado da razão prática -, para que se dê a harmonia entre o dever cumprido e a felicidade. Claro que é sempre possível perguntar se realmente a religião consola e como. Para viver a religião verdadeira, é preciso estar disposto a sacrificar-se pela dignidade, pela justiça, pela verdade: pense-se, por exemplo, na cruz de Cristo. E está sempre presente a ameaça de projecção e ilusão, como denunciaram os "mestres da suspeita". De qualquer forma, não há dúvida de que a religião tem a ver com felicidade e sentido último. Há hoje inclusivamente estudos que mostram uma relação globalmente positiva entre a religião e a saúde - note-se que, significativamente, o étimo latino de saúde e salvação é o mesmo: salus, salutis, em conexão com saudar e saudade: salutem dare. Ao contrário de R. Dawkins, que supõe que é largamente aceite pela comunidade científica que a religião prejudica os indivíduos, reduzindo o seu potencial de saúde e sobrevivência, Mario Beauregard, investigador de neurociências na Universidade de Montréal, escreve que se acumulam provas consideráveis que mostram que as experiências religiosas, espirituais e/ou místicas "estão associadas a melhor saúde física e mental". No quadro da "medicina psicossomática", é sabido hoje, por exemplo, que o stress ou a solidão podem contribuir para aumentar a tensão arterial. Foi assim que se começou a estudar também a fisiologia da meditação para compreender a influência do espírito sobre o corpo. Na sua obra The Spiritual Brain, Beauregard cita 158 estudos médicos sobre o efeito da religião na saúde, concluindo que 77% fazem menção de um efeito clínico positivo. Um estudo mostrou que os "adultos mais idosos que participam em actividades religiosas pessoais antes do aparecimento dos primeiros sinais de handicap nas actividades do quotidiano têm mais esperança de vida do que os que o não fazem". Há também dados que mostram o desejo dos doentes de que os médicos conheçam as suas crenças religiosas e que as tenham em conta. Falar sobre o assunto pode aumentar a compreensão médico-doente. Por outro lado, uma sondagem junto de 1100 médicos americanos mostrou que 55% estavam de acordo com a afirmação: "As minhas crenças religiosas influenciam a minha prática da medicina." No seu novo livro, How God Changes your Brain (Como muda Deus o teu cérebro), o neurologista Andrew Newberg mostra, através da ressonância magnética nuclear funcional, que a medi- tação e a oração intensas alteram a massa cinzenta, reforçando as zonas que concentram a mente e alimentam a compaixão; também acalmam o medo e a ira. "A religião e a ciência são as duas forças mais poderosas em toda a história humana. São as duas coisas que nos ajudam a organizar e a entender o nosso mundo. Porque não procurar uni-las?" Note-se, porém, que os efeitos não são sempre positivos. É fundamental a imagem que se tem da entidade superior, benevolente ou malévola. Beauregard refere um estudo que mostra que os idosos e doentes corriam maior risco de morrer, se tivessem "uma relação conflituosa com as suas crenças religiosas". Por outro lado, os ateus dirão que precisamente a imagiologia cerebral das pessoas mergulhadas na oração é a prova de que a fé é uma ilusão, pois apenas mostra o que se passa no cérebro. Responde Newberg: "Pode ser que seja só o cérebro a fazê-lo, mas também poderia ser o cérebro recebendo o fenómeno espiritual", acrescentando: "Eu não digo que a religião seja má ou não real. O que digo é que as pessoas são religiosas e procuramos saber como isso as afecta."
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Fonte: Prof. Anselmo Borges in Diário de Notícias Online