sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Lisboa antes do Terramoto de 1755

"Nele Vivemos, e nos Movemos, e Existimos" - da Bíblia



O ar do tempo acha que é completamente independente do cristianismo. O ar do tempo está errado. Mesmo que não acredite no mistério pascal (como eu o percebo), mesmo que não seja um cristão de fé, o cidadão ali da rua é um cristão cultural, educado numa cultura de direitos que só cresceu na civilização judaico-cristã. Tal como defende Nicholas Wolterstorff, os tais "direitos inalienáveis" (a base ética e constitucional das nossas vidinhas) têm uma raiz bíblica . Por outras palavras, o Direito Natural precisa de uma base religiosa, precisa de uma comunicação com a transcendência divina. Porquê? A resposta não é simples, mas aqui vai: sem uma noção de transcendência, sem algo que nos liberte da prisão do aqui-e-agora, o poder político fica com as portas abertas para limitar os direitos inalienáveis dos indivíduos. Não por acaso, os regimes totalitários do século XX anularam por completo qualquer noção de transcendência, destruíram qualquer noção ética com origem em algo exterior à lei positiva determinada pelo chefão. O fascismo e o comunismo foram tiranias da imanência.

Muitos autores contemporâneos, como Alain Dershowitz, defendem um conceito de Direito Natural secular, sem qualquer apelo a Deus. Mas isso é o mesmo que ser do Benfica e gostar do Pinto da Costa ao mesmo tempo . Um Direito Natural completamente secularizado é uma contradição em termos, porque não tem uma gota de transcendência. Quando dizemos que cada indivíduo tem direitos inalienáveis que nenhum poder terreno pode pôr em causa, quando dizemos que cada pessoa tem direitos inalienáveis que nenhum direito positivo pode rasgar, estamos - na verdade - a dar um salto de fé em direcção a uma concepção de amor ao próximo, um concepção de amor que transcende a imanência da lei, da cultura e do nosso próprio corpo (i.e., Deus).

Portanto, convém perceber que a ideia de direitos inalienáveis não foi inventada de raiz pelo pensamento iluminista do século XVIII ou pelo optimismo científico e individualista do século XIX. Esta ideia já fazia parte do património bíblico. Neste sentido, a tese de Wolterstorff não é descabida: sem esta raiz cristã, a nossa cultura de direitos não teria sido desenvolvida. Os críticos desta tese poderão invocar Kant para a defesa de um Direito Natural absolutamente secular, mas ficarão sempre expostos a um ataque óbvio: Kant cresceu numa cultura cristã e não noutra qualquer; Kant não apareceu no paganismo indiano ou chinês. Não por acaso, Nietzsche dizia que Kant era um cristão manhoso, um cristão que inventou uma teoria secular de direitos apenas para fugir da questão de Deus e da fé.

Moral da história? Durante muito tempo, pensei que Kant chegava para as despesas do Direito Natural. Mas não chega.



Por Henrique Raposo in Expresso Online

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Alves Redol nasceu em Vila Franca de Xira faz Hoje Cem Anos



O centenário do nascimento do escritor Alves Redol, um dos mais importantes nomes do Neorrealismo português, é hoje assinalado em Vila-Franca de Xira com uma sessão evocativa, pelas 18:30, no Museu do Neo-Realismo.

A efeméride tem vindo a ser celebrada ao longo do ano pelo museu com exposições, exibição de filmes e leituras encenadas, e irá prolongar-se até Janeiro de 2012 com a atribuição de um prémio com o nome do autor e com a realização de um congresso internacional em Lisboa.
Hoje, dia em que se completam cem anos do nascimento, o Ateneu Artístico Vilafranquense organiza uma arruada pela cidade até ao local onde de encontra a estátua de Alves Redol, com a actuação da Banda do Ateneu.
Nascido em Vila Franca de Xira a 29 de dezembro de 1911, António Alves Redol viria a falecer a 29 de Novembro de 1969, aos 58 anos, deixando uma vasta obra publicada, com contos, romances, teatro e histórias para a infância, num total de 34 títulos, entre eles "Gaibéus" (1939) e "Fanga" (1943).
O Museu do Neo-Realismo inaugurou em outubro a exposição "Alves Redol -- Centenário" e ainda as mostras "Alves Redol, a Fotografia e o Documento" e "Alves Redol em BD: projetos de banda desenhada em torno da narrativa redoliana".
As comemorações prosseguem em 2012 com a entrega do Prémio Literário Alves Redol -- Romance e Conto, numa data ainda a anunciar, e a realização, de 19 a 21 de Janeiro, do Congresso Internacional "Centenário de Alves Redol", organizado em conjunto com o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
No encontro vão participar, entre outros, Carlos Reis, que irá proferir a conferência de abertura, Ana Cristina Gil, Ana Isabel Ribeiro, Anabela de Oliveira Figueiredo e Ana Paula Ferreira.
Também o Museu do Douro assinala a data com uma exposição dedicada ao escritor, que viveu alguns anos na região do Douro, onde escreveu quatro livros dedicados às suas gentes: "Porto Manso" (1946) e a trilogia do "Ciclo Porto Wine" (1949-1953).
No início de Dezembro, o PCP realizou uma cerimónia evocativa de Alves Redol, recordando a actividade enquanto resistente antifascista e militante comunista a partir de 1940, tendo sido preso por duas vezes pela PIDE, a polícia política do Estado Novo.


As Metamorfoses de Lisboa

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Abade detido por Envolvimento em Escândalo de Corrupção. Também tu, Brutus...


As autoridades gregas prenderam hoje o abade de um mosteiro ortodoxo grego com mais de mil anos de história, acusando-o de ter tido um papel fundamental num alegado escândalo imobiliário que envolvia negócios com o estado grego.
Ler artigo AQUI no Diário de Notícias Online

Extremistas Judeus


Grupos de haredim defendem a exclusão de mulheres em autocarros e na via pública, demonstrando no fundo aquilo que realmente são: cretinos e intolerantes. Eles são uma minoria no país, mas o número suficiente para causar distúrbios sobretudo em Jerusalém.

Sempre desconfiei de gente demasiadamente religiosa, há algo de falso e sombrio naqueles cabeçinhas, e este pessoal para além de possuir estes atributos, é gente que não trabalha, não produz, não cumpre serviço militar.

Vivem às custas do estado hebraico, privilégios não lhes faltam e ainda por cima dão-se ao luxo de causar distúrbios. Israel não é o Irão, não gostam, boa viagem.


Fonte: Por Terras de Sefarad

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

De que Natal Falamos...?


 Não me parece que a principal motivação que leva as pessoas, hoje, a festejar o Natal, seja o nascimento do Salvador, tal como também não tenho já nenhum tipo de ilusão sobre o que representará o Natal para quem a ele se agarra e lhe cola o novo epíteto de "festa de família".  O conceito cristão de família, o conceito que Cristo revelou de família, é mais alargado, mais amplo, mais universal e está claríssimo no evangelho de Mateus 12:46-50:  E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.  E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te.  Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?  E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;  Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe. Mercantilismo, e não mais do que isso! "Alegria" vivida pontualmente, comprada e vendida em tão grande  sofreguidão que chega a intimidar-me.

Mas esta designada "festa de família" mercantil esquece, na voragem dos  dias a degradação e miséria humana que nos cerca, ou  lembra-a, igualmente, só por uns míseros dias, poucos, qual panaceia mitigadora de fracas consciências. Para Jesus, a família somos todos, todos os dias. Que sensatez, que nobreza ou consciência colectiva ou individual, alimenta, como escreveu Faranaz Keshavjee, esta bondade e generosidade que faz ostentação de abundância por um dia e "condena à miséria e solidão nos restantes 364 dias do ano ?" Em nome de que deus se pode agir assim? Que família é a nossa ? É por tudo isto que tenho cada vez mais dificuldade em me reconciliar com este "natal pequenino" de que todos falam por um dia ou dois e esquecem pelos restantes 364.

É por tudo isto  que tenho saudades do Natal da minha infância e pré-adolescência. Não recebia brinquedos caros. Mesmo não sendo a "mesa" o centro das atenções, como hoje acontece, também nos deleitávamos, por vezes mais com as "fragrâncias gastronómicas" provenientes da preparação natalícia, do que a quantidade que lhes estava na origem. A oferta até podia não ser muita e a escolha poderia ser ainda menor, contudo havia o estritamente necessário sobre a mesa e, aquilo que temos por necessário, retirando à palavra "necessário" qualquer jogo mental, criatividade "verbal" ou adjectivação subliminar que lhe queiram associar, e em que o espírito humano é normalmente pródigo, não contamina o corpo nem a alma de nenhum cristão, mesmo se ele não consegue chegar com mais do que isso junto da família alargada de Deus. Concordo, minha cara Faranaz Keshavjee, que "é porque Jesus nasceu que todos os dias são dias de fazer Natal, de nos excedermos em boas-obras", mesmo sem que, para concluir isso, seja necessário eu ser muçulmano, ou eventualmente você ser cristã. "Rei morto Rei posto!" Espera-nos agora, dentro de cinco dias, a festa onde todos "faremos de conta" , num ritual de entorpecimento individual e colectivo prolongado à saciedade, mesmo se à nossa volta a família de Deus agoniza.

Jacinto Lourenço 

sábado, 24 de dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Deus concedeu-nos o Dom de viver, compete-nos a nós Viver bem" - Voltaire



Passam hoje precisamente três anos que este blogue, uma página simples e necessariamente isenta de qualquer exercício de pretensiosimo, começou a ser editado. Nasceu no meio de um determinado contexto da minha vida pessoal. Foi uma coisa nova para mim, que sempre procurei proteger-me da exposição pública. Com o Ab-Integro assumia o risco dessa exposição, em várias vertentes, em particular a que incide sobre o meu pensamento e a forma como me posiciono no mundo e em relação a tudo o que me cerca. 

Poucos têm a coragem de assumir a ruptura de alguns mantos diáfonos que escondem fantasias que parecem querer camuflar. Ora, no que me diz respeito, nunca sustentei fantasias nem me escondi atrás de mantos de ilusão ou contrafacção da verdade. Tomo a vida por inteiro, como ela se apresenta e as minhas opções pessoais são disso consequência, para o bem, para o bom, mas também para as coisas menos positivas que me acontecem. Interrogo-me muitas vezes se poderia ter descrito  outra trajectória, sublimado os meus defeitos, melhorado as minhas virtudes. A resposta é sim e é não. Por um lado somos sempre resultado das nossas circunstâncias e das opções que tomamos face às mesmas, por outro lado há coisas que nunca conseguiremos mudar, que são intrínsecas a nós próprios, estão nos nossos genes e é isso que faz do ser humano a criação perfeita; somos, a um tempo, todos diferentes e todos iguais. Foi Voltaire que disse que "Deus concedeu-nos o dom de viver, compete-nos a nós viver bem" . O Ab-Integro é um pouco consequência desta perspectiva. Viver bem a vida de acordo com a visão daquele que no-la concedeu, sem peias, amarras ou receio de críticas daqueles que discordam de nós. Damo-nos, por inteiro, com toda a  frontalidade e lealdade à vida que recebemos dEle. Este blogue integra-se nesse propósito há três anos. Deus nos tem abençoado através dele e, se posso alimentar um desejo, é o de que continue por mais anos e que a sua influência,  positiva, se estenda a todos os que por aqui repousam o olhar. Bem hajam. Obrigado pela companhia nesta caminhada.

Jacinto Lourenço  

IL Divo - Natal Branco

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Finalmente uma Boa Notícia vinda de Bruxelas...



UE cria o maior programa de sempre de financiamento para a cultura



A União Europeia aponta a cultura como fulcral no desenvolvimento económico dos países
Creative Europe” (Europa Criativa) é o novo programa de financiamento apresentado pela União Europeia (UE) e que vê na cultura, neste momento de recessão económica generalizada, um importante motor para o desenvolvimento de cada país. Entre 2014 e 2020, a UE vai disponibilizar 1,8 mil milhões de euros.
Numa altura em que os agentes artísticos têm sofrido duros cortes nos seus orçamentos, cenário que não tem acontecido apenas em Portugal mas um pouco por toda a Europa, a UE deu a conhecer o maior apoio financeiro de sempre para a cultura, que abrangerá todos os países da UE, e todas as áreas culturais. Com este novo programa, serão milhares os profissionais do cinema, da televisão, da música ou do património cultural que beneficiarão deste impulso económico.
Segundo um comunicado da União Europeia, é fulcral que num momento de crise se aposte na cultura, que “desempenha um dos principais papéis na economia da Europa dos 27”. Neste sentido, a UE recorreu a vários estudos que mostram que a cultura é um dos poucos sectores em crescimento e com potencial para gerar emprego e retorno económico.
“Os estudos europeus revelam que as indústrias culturais e criativas são responsáveis por cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto da UE e 3,8% do emprego”, de acordo com o comunicado, onde é explicado que entre 2000 e 2007 o emprego neste sector registou um crescimento de 3,5% por ano, em comparação com 1% na economia da UE em geral.[...]

Ler artigo integral AQUI no jornal Público

Mas afinal o que Fala esta gente com Alá quando Ora ?




Mais de 2500 polícias vão proteger as igrejas cristãs no Paquistão no fim de semana de Natal para impedir ataques de radicais islamitas.

Asia Bibi, acusada de blasfémia, é cristã e está presa apenas por ter ousado beber água do mesmo poço do que outras mulheres muçulmanas
As cerca de 430 igrejas cristãs existentes no Paquistão vão estar sujeitas a especiais medidas de seguranças no próximo fim de semana, que coincide com o período do Natal, para evitar ataques contra esta minoria, visada com regularidade pelos radicais fundamentalistas muçulmanos. 
"Vamos colocar cerca de 2500 polícias, entre os quais atiradores de elite, para os proteger no Natal", anunciou um porta-voz da polícia de Lahore, onde se concentra a maioria dos cristãos e dos seus lugares de culto. 
Estes representam apenas 3% da população paquistanesa.  
"Foram consideradas prioritárias 38 igrejas, das quais 20 onde os estrangeiros costumam assistir à missa de Natal". 
Quase cinco mil pessoas foram mortas em ataques de grupos fundamentalistas desde Julho de 2007, um quarto das vítimas são cristãos. 
Os cristãos são particularmente discriminados no Paquistão, como o prova o caso de Asia Bibi, uma mãe de família condenada à morte e actualmente na prisão por, alegadamente, ter insultado Maomé. 
O estado de Asia Bibi inspira, aliás, grande preocupação a ONG que defendem os direitos dos cristãos paquistaneses. Asia Bibi, de 46 anos, "está física e mentalmente muito debilitada", referiu um elemento que a visitou na prisão onde se encontra, no Penjabe.  
"Parecia muito nervosa, chorava e ria. Não conseguia fixar o olhar", disse um membro da Fundação Masihi. A cristã paquistanesa aguarda a decisão sobre um recurso no tribunal superior de Lahore. 
Um ministro cristão e uma outra figura política que falaram a favor de Asia Bibi foram assassinados no início de 2011. 
A jornalista francesa Anne Isabelle Tollet conta em co-autoria com Bibi a história da cristã paquistanesa no livro "Blasfémia", o qual esteve a promover recentemente em Portugal.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Os Objectivos da nossa Fé num Mundo em Crise



Vivemos tempos de desafio para toda a gente mas em particular para os cristãos. O momento, para estes, não é de continuar a proclamar apenas um "evangelho de púlpito" ou mesmo propagandístico no sentido do proselitismo. As igrejas, os cristãos, os responsáveis não podem continuar de costas voltadas para as comunidades que os cercam ao mesmo tempo que vão brincando à "caridadezinha". Estar centrado sobre o seu próprio umbigo, numa mera atitude narcísica, é quase um "crime" face às necessidades e problemas sociais que  começam a levantar-se com grande violência mercê da própria crise mas também das  medidas governativas que se focam essencialmente sobre os mais castigados e frágeis.                               

Bem sei que podemos pegar em alguns versículos bíblicos e descontextualizá-los no sentido de justificar a falta de visão cristã para com os que nos cercam e que precisam de ajuda. Mas não é possível continuar a ilusão;  inaugurar gabinetes ditos de apoio social,  e meter lá pessoas a ouvir os pobres,  até pode encher o ego de muitos dirigentes e igrejas mas não passa de auto-justicação para o absentismo continuado, durante décadas, na opção por acções e atitudes credíveis e honestas. Para além do mais, os gabinetes, se dão algum conforto, é a quem lá está instalado comodamente no ar condicionado ou aquecimento; não resolvem problema nenhum.
                                                                                                                         
Durante muitos e muitos anos, os cristãos evangélicos estiveram apenas centrados em si próprios e a tentar obter alguma atenção da  sociedade envolvente no sentido de fazerem  passar a mensagem de que também são uma força viva dessa sociedade, mas na verdade isso não teve quaisquer resultados práticos  para além de acariciar o amor-próprio de alguns responsáveis que sobem aos palanques. Mais do que agitar bandeiras, importa agir. É quando agimos em Cristo e por Cristo que mostramos a dimensão e relevância  da nossa fé que se traduz no alcance e sublimação do sofrimento do nosso próximo, é isso que dá lastro às nossas acções, à nossa vida, à nossa missão. O mérito da igreja e dos cristãos está no serviço, não no ganhar  medalhas ou diplomas de reconhecimento, numa parte significativa das vezes completamente imerecido.  Um dos mais importantes papéis da igreja,  hoje, está em alcançar os que sofrem, não apenas na sua dimensão espiritual mas também, cada vez mais, na sua dimensão humana. Significativo não é dizer a um esfomeado que Cristo salva se, naquele momento, ele apenas está focado no facto de não ter nada para comer ou sequer onde dormir na noite fria que se aproxima.

Os cristãos, e em particular os evangélicos, deverão reconfigurar as suas preocupações e prioridades. Talvez menos exercício de auto-contemplação pela beleza das suas posições doutrinárias e mais olhar para os que sofrem. É inacreditável e inaceitável que, por exemplo, existam igrejas ditas cristãs evangélicas, que até há poucos anos nem sequer eram conhecidas, literalmente,  nas comunidades envolventes, pese embora décadas de presença, e mesmo assim continuem agora apenas preocupadas com o impacto sociológico  da sua imagem institucional. Não fazem falta igrejas destas, não passam de associações ou agrupamentos de cidadãos, pouco esclarecidos, aliás,  sobre os objectivos da fé que, dizem, os inspira, e menos ainda sobre as responsabilidades que um cristão, um homem ou mulher de Deus, carrega sobre os seus ombros. Associações destas já há muitas e não é por serem apenas religiosas ou com logotipo de igreja que devem ser preservadas. Confesso que ainda hoje me interrogo sobre as motivações de quem as defende e frequenta, ou melhor,  que tipo de "cristianismo" as move. O Amor de Deus   não busca apenas o que  é propriamente seu ou, como dizia Paulo:  Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.


Jacinto Lourenço

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Vida Aprende-se à Bruta, em Portugal....


Hoje o sol acordou, tardio e preguiçoso como em todos os invernos. Iluminou o dia e espantou o frio que as madrugadas acoitam. O rádio dava as notícias duma europa letárgica e de um país que não encontra o caminho. Pensei na minha infância a caminhar para a escola primária, com a mala às costas para aprender o futuro numa sala fria, hostil em todos os invernos, pensei na professora Helena, todos os dias má e selectiva nos alunos. Havia os de "primeira" e os de "segunda", mesmo se isso não tinha nada a ver com a classe frequentada. Os de "primeira", normalmente de famílias mais facilitadas de vida,  eram poupados à pancada e sempre elogiados; ocupavam as primeiras filas. Os outros, os de "segunda", nas últimas filas e sempre candidatos à ponteirada e reguada, sempre na posição da frente, mas apenas para  o castigo, houvesse ou não motivo. O recreio era a libertação, tal como as segundas-feiras, quando a camioneta das onze, que vinha de Montemor e trazia a dona Helena,   nos davam sempre três horas de folga. 

Hoje de manhã, quando Deus, nos visitou no sol,  lembrei-me que Ele nasceu para todos e aquece todos por igual,  mas lembrei-me também que a vida no meio dos homens é normalmente aprendida à bruta. A rudeza dos dias castiga sempre os mais frágeis, os que pouco ou nada têm. Os governos,  normalmente,  fazem o papel da dona Helena, são selectivos e açoitam quem tem pouco para lhes dar. Distribuem castigos e ponteiradas aos que ficam nas últimas filas. Em Portugal, as coisas dificilmente vão mudar para quem está nas últimas filas... Restam-nos os pequenos recreios da história, quando ela se lembra de nós.


Jacinto Lourenço  

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O que os Espanhóis pensam do Café que se bebe em Portugal...




De certeza que, se gosta de café e tem o hábito de viajar para fora de Portugal, já se apercebeu de que, lá fora, é muito difícil encontrar algo que se assemelhe à nossa bica.

Desde água deslavada em canecas XXL, a expressos mal tirados e a saber a queimado, encontra-se de tudo um pouco por esse mundo fora. E parece que, finalmente, este facto foi reconhecido pelos nossos vizinhos espanhóis.

O jornalista da publicação «El País», Paco Nadal, admitiu - num artigo intitulado «Porque é que o café sabe sempre bem em Portugal? (e aqui não)» - que um dos melhores cafés do mundo é o português.[...]

Fonte: Agência Financeira - Ler texto integral AQUI

Fora Daqui...


Quando eu já imaginava que  mais nada que os políticos em Portugal pudessem fazer teria capacidade para me surpreender eis que o primeiro ministro de Portugal decide contrariar essa minha quase certeza. Passos Coelho deixa no ar a insinuação, muito pouco subliminar, que os portugueses mais credenciados academicamente, em particular os professores,  deveriam ponderar a ideia de emigrar para outras latidudes longe do território português. Ora eu, que até já vivi uns anitos, nomeadamente alguns dos mais importantes da minha vida  sob o antigo regime ditatorial do estado novo, não me lembro de alguma vez ter ouvido, da parte de nenhum primeiro ministro em exercício no país, uma proposta tão rasteira e tão pouco patriótica como esta. Inédita, deplorável, vergonhosa e indigna é o mínimo que se pode dizer da atitude de Passos Coelho de quem se esperava uma palavra de incentivo aos portugueses, de esperança, um sinal de que Portugal estará eventualmente a tentar melhorar para poder vir a criar novos empregos por forma a que os actuais desempregados não sejam esmagadoramente obrigados a emigrar, como  acontece. Derrotista e alarmante esta atitude de um  governante a  querer dar um pontapé no traseiro aos portugueses que estão na difícil situação de não encontrar trabalho no seu país. Nem Salazar  ou Marcelo Caetano, chefes da ditadura de antes do 25 de Abril,  assumiram semelhante atitude, mesmo sabendo que, já nessa altura, como agora, os portugueses tinham que partir para granjear o seu pão longe da sua família, da sua terra, da sua pátria.

Uma vergonha, um político e governante a querer livrar-se dos problemas em lugar de os querer solucionar. Pelos vistos, para Passos Coelho, os portugueses representam um problema que ele quer ver bem longe, fora daqui, de preferência.

Jacinto Lourenço        

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ludwig van Beethoven - 241 anos


A data que consta sobre o nascimento de Ludwig van Beethoven, no território correspondente à actual  Renânia do Norte, na Alemanha,   é  17 de Dezembro mas, segundo algumas fontes históricas, Beethoven terá sido batizado nesse dia  e nascido efectivamente  um dia antes, a 16 de Dezembro. Para o caso, não faz nenhuma diferença, o que conta é a genialidade unanimemente reconhecida ao compositor, que infelizmente não tirou grande partido disso em vida, como quase todos os grandes artistas que tardiamente vêm reconhecido o seu virtuosismo e  a sua obra no domínio do belo e das artes em geral que suscitam as melhores e mais sentidas emoções no espírito dos homens.  241 anos passaram já sobre a data de nascimento de Beethoven.


Jacinto Lourenço


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Última Noite para observar a Chuva de Estrelas


Segundo o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), esta chuva de meteoros (estrelas cadentes) é observável de 7 a 17 de Dezembro, mas a melhor altura é mesmo a madrugada de quarta para quinta-feira. 

Estes meteoros são o "fenómeno luminoso resultante da entrada na atmosfera da Terra de um corpo sólido proveniente do espaço", mais concretamente de meteoróides (corpos mais pequenos do que os asteróides), de acordo com o Observatório. 

Todos os anos em meados de Dezembro, a Terra atravessa o caminho dos destroços do Faetonte, que os astrónomos ainda não chegaram a um consenso sobre se é um cometa extinto ou um asteróide. As Gemínidas são restos de destroços desse misterioso objecto celeste. O OAL informa que o número médio de meteoros por hora é de 120.[...]





Fonte: jornal Público

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Medo da Europa...





...Como lembrou o historiador Tony Judt, a experiência paradigmática dos europeus é o extermínio. Tentemos ser mais moderados e um pouco exactos: a guerra e o extermínio. Outros apontaram o "passado pirómano" da Europa. Na realidade, a primeira metade do século XX europeu revelou que quem os europeus mais têm a temer são eles mesmos, e em várias encarnações. A Europa foi o único continente a testemunhar a tentativa sistemática de um dos seus povos para exterminar, se necessário um a um, cada um dos elementos de um outro povo.[...]


Por José Tavares, A Invenção da Europa in Ter Opinião 2012

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Marias há Muitas...

É o mínimo que pode dizer-se deste erro da igreja católica Filipina. Resta saber se foi o hábito que fez o monge, ou melhor, o erro...


A Igreja Católica das Filipinas deu um endereço errado aos seus fiéis. A ideia era acompanhar a posse de um novo bispo. Mas o endereço ia parar a um site porno.


A igreja anunciou esta manhã que a nomeação do arcebispo Luis Antonio Tagle poderia ser acompanhada através da página tvmaria.com. Mas os fiéis que abriram o site foram surpreendidos com a imagem de um travesti deitado num sofá.


A Igreja inicialmente pensou que se tratava de um ataque de piratas informáticos. Mas afinal tinha sido mesmo um erro e pouco tempo depois publicou um novo endereço: tvmaria.net.




sábado, 10 de dezembro de 2011

A Falta de carácter de Sarkozy



Não sou nem político nem economista, sou cidadão de um país que integra a U.E. e, se já me preocupava, muitíssimo, o facto de vivermos num regime de ditadura promovida pelo  directório franco-alemão e desconfiar de antemão que o carácter das duas pessoas  que o integram deixa muito a desejar, mais preocupado fico com este tipo de cenas promovida por um presidente da república de um dos maiores países da UE. Sarkozy revela, como prova o vídeo, que é uma pessoa rancorosa e, para além do mais, mal educada e mal  comportada.

Não sei, e não vem para o caso agora, se os ingleses fizeram bem ou mal em ficar de fora do acordo a que chegaram a maioria dos países no seio da UE, mas sei que se ficaram de fora foi porque entenderam que essa seria a posição que melhor defenderia os seus interesses imediatos. Pelos vistos Sarkozy entende que democracia é todos fazerem o que o eixo franco-alemão quer que façam esteja isso certo ou não, seja isso útil para todos os países ou não. Ora, do meu ponto de vista, pode acusar-se os ingleses de muita coisa mas não de ignorarem o que é a democracia e como funciona e, bem assim, de não conhecerem as regras da boa educação, coisas estas que, pelos vistos, Sarkozy desconhece.

Jacinto Lourenço 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"O Sonho Europeu Acabou ?"




... Muitos italianos do norte não conseguem ver por que devem pagar para o sul mais pobre. Os flamengos ricos da Bélgica ressentem-se por ter que suportar os valões desempregados. Mesmo assim, no conjunto, tal como os cidadãos de estados democráticos toleram o governo que ganhou as últimas eleições, normalmente aceitam a solidariedade económica como parte da nacionalidade.

Como a UE não é nem um estado-nação nem uma democracia, não há um “povo europeu” que suporte a UE em tempos difíceis. Os ricos alemães e holandeses não querem pagar pela confusão económica em que os gregos, portugueses ou espanhóis se encontram agora.

Em vez de mostrar solidariedade, moralizam, como se todos os problemas na Europa mediterrânica fossem resultado de preguiça nativa ou da natureza corrupta dos seus cidadãos. Como resultado, os moralizadores arriscam demolir o edifício europeu comum e confrontar os perigos nacionalistas que a criação da UE quis prevenir.[...]





 Por Ian Buruma in  Público online

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

"Minha Esperança Portugal" - Hoje às 18h-30 na RTP 2

Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade

Depois do Fado, eis que se posiciona o Cante alentejano para ser reconhecido como património imaterial da humanidade. A mim parece-me bem. Mesmo sem nunca ter feito qualquer investigação sobre a matéria e não ter um conhecimento muito vasto sobre esta forma de expressão cultural tão característica do povo alentejano, é-me fácil, como a qualquer pessoa, reconhecer que o Cante alentejano afunda as suas raízes num vasto campo etiológico comum a outros povos mediterrânicos o que revela  bem a sua vetusta tradição e também inserção rigorosamente popular. Ao contrário do Fado ou da Canção de Coimbra, que são expressões musicais e culturais exclusivamente urbanas, bem delimitadas geografica e socialmente, embora com origens e ambiências diferentes entre si, o Cante alentejano é a expressão de um povo e da sua vivência global e as suas origens têm muito a falar sobre outros tempos e outras realidades sociais.

A candidatura do Cante, será apresentada em Março de 2012  e eu estarei a torcer para que tenha sucesso.


Jacinto Lourenço


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

5 de Dezembro de 1496



Neste dia, o rei D. Manuel assinou o decreto de expulsão dos judeus e mouros do território português, concedendo-lhes o prazo até 31 de Outubro de 1497, para deixar Portugal.

Sobretudo aos judeus, o rei permitiu duas escolhas, a conversão por meio do baptismo, ou o desterro.

Desde essa fatídica data, o nosso país nunca mais voltou a ser o mesmo.

 
 
Fonte: Por Terras de Sefarad

A Senhora Ministra...

( Elsa Fornero )

Estou habituado a que estas conferências de imprensa sejam simples, rápidas e secas como secos são normalmente os políticos que vêm aos meios de comunicação anunciar os cortes dramáticos e estúpidos nos salários e direitos dos trabalhadores e das classes médias em geral. Normalmente quando os anunciam não deixam transparecer emoção, preferem antes o registo deixado numa voz grave e solene envolta em palavras gélidas que não traduzem qualquer  margem para dúvidas quanto aos estragos previsíveis que causarão. Dizem-nos que os sacrifícios pedidos são sempre para o bem do país e do povo ( na boca de um político da nossa praça, "país" e "povo" são conceitos que  saem quase sempre transparentemente abstratos ) com a justificação de que vivemos acima das nossas possibilidades nos últimos anos. Tenho pena mas eu gostava de desmentir isso aqui,  publica e peremptoriamente: eu sempre vivi do meu salário e nunca  acima das minhas possibilidades nem à custa de ninguém e nunca beneficiei de qualquer "cunha" para evoluir profissionalmente. Já o mesmo não se pode dizer desta casta de políticos que agora vêm pressurosos retirar mais sempre aos mesmos e, na  maior parte dos casos nem sabem o que estão a pedir. Esses sim, vivem  acima das nossas possibilidades de lhes podermos proporcionar estilos de vida luxuosos e escandalosos que até são   inexistentes na maioria dos  países ricos. É por isso que eu não me deixo impressionar pelo seu ar grave e sério quando vão à televisão pedir esforços e sacrifícios aos portugueses. Conheço-os à distância e já percebi muito bem ao que vêm. Não é para menos: ando desde 1974 a ouvir as suas "canções de embalar" e posso dizer que a letra e música é sempre a mesma, e o problema é que cada vez que a ouço, se tenho azar de me deixar embalar, acordo sempre mais pobre.

Em Itália a ministra do trabalho foi à televisão explicar, em conferência de imprensa, os cortes que o actual governo teria que efectuar para tentar recolocar as contas do país em ordem. Também ali, perecebemos que quem vai pagar a crise não é quem a criou. A diferença para os nossos políticos, é que esta senhora não resistiu ao dramatismo do que anunciava e não conseguiu terminar o que tinha começado a dizer. Ela sentiu o peso do que estava para anunciar  e eu senti que aquela mulher não era apenas mais uma política fria e seca mas antes alguém que percebia a verdadeira dimensão do que estava a fazer. Não era obrigatório que chorasse, mas ela chorou e não me parece que tenha saido dali diminuida por esse facto. Penso que os italianos terão percebido, na comoção da ministra, o que os espera, mas terão entendido também que ainda há políticos que sentem na pele os problemas do povo e que não estão ali só para cumprir um programa imposto por Berlim.

O primeiro ministro italiano anunciou igualmente que prescindia do salário  correspondente ao cargo bem como ao de ministro das finanças que acumula. Esse facto, num país e numa economia como a italiana, não tem nenhuma expressão nem impacto mas transmite aos seus concidadãos a noção fundamental da pedagogia do exemplo do "capo" do governo. Enquanto isso, por cá, João Jardim passeia-se para Bruxelas em executiva, Mota Soares arruma a lambreta e passa para uma viatura topo de gama, políticos reformados recebem altas mais-valias por meia dúzia de anos ao serviço do estado e acham isso normal chamando-lhe até  "direitos adquiridos" ( que só eles têm, claro...) , alguns ministros e secretários de estado prescidem de bons subsídios de alojamento mas só quando a marosca da casa própria em Lisboa ou arredores salta para os jornais...

Eu fiquei a gostar da ministra italiana. As suas lágrimas não me pareceram de fingimento mas de solidariedade e isso deixou seguramente os italianos, senão mais alegres, pelo menos  mais consolados. Ninguém pede aos políticos portugueses que chorem cada vez que vêm à televisão exigir sacrifícios, mas pelo menos não nos ofendam com o vosso comportamento na forma como esbanjam o dinheiro que nos sacam. É que um dia o povo pode fartar-se de ser "saco de murros".


Jacinto Lourenço

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A Europa e o Buraco Negro...


Para a física moderna, em especial a cosmologia, a "singularidade" representa um dos mais intrigantes desafios aos limites do conhecimento humano do mundo material. Trata-se de um acontecimento do espaço-tempo em que a intensificação infinita da densidade, da temperatura e da pressão provoca como que uma suspensão das leis normais da matéria. O exemplo mais comum de singularidade é o dos buracos negros. O que ocorre dentro deles é, para nós, terra incógnita. Infelizmente, também na vida dos povos se registam singularidades. Raras, mas efectivas. Quem poderia prever que a progressiva e próspera Europa de Julho de 1914 iria desaguar no mar de barbárie e selvajaria da I Guerra Mundial, apenas um mês depois? Quem poderia imaginar que a queda da bolsa de Nova Iorque, em 1929, levaria, em virtude de uma série de opções políticas erradas, a 16 anos de pobreza e austeridade, ao triunfo de Hitler, ao segundo conflito mundial, e ao holocausto? Se a Zona Euro entrar em colapso viveremos a maior singularidade da história europeia, com repercussões mundiais. Não é difícil antecipar como começará (credit crunch, incumprimento de um ou vários países, uma combinação de ambos?), mas ninguém sabe como acabará. Uma vez aberta a caixa de Pandora, tudo é possível. O colapso do mercado interno, a rápida escassez de produtos básicos, querelas violentas sobre o futuro das dívidas, o penoso regresso a moedas nacionais, o império do proteccionismo, o eclipse da liberdade de circulação com o retorno das fronteiras, a inevitável derrota de Obama, fazendo a América cair nas mãos de alguém que pense ser a política um tipo de "reality show". Cara senhora Merkel: é para esse buraco negro que nos quer levar? Por favor, vá sozinha.


Por Viriato Soromenho Marques in Diário de Notícias online






quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Muda a Economia ou a Democracia ?



 
 "Se a Europa não muda, terá de haver uma revolução" - Mário Soares

"Ou muda a economia ou muda a democracia" - Freitas do Amaral



Curioso que a presente crise, que eu já não sei do que é pois começou como sub-prime e já vai no euro e mais além, tenha ,em declarações feitas no mesmo sentido, unido figuras políticas de esquerda e de direita. No caso,  Mário Soares e Freitas do Amaral. Bem sei que são figuras do passado algo distante e que já não têm quaisquer hipóteses de alterar, só com a sua opinião, o rumo das coisas na europa, mas também sei que quando pessoas de esquerda e de direita congregam opiniões relativamente a um tema  então será melhor estar atento às razões para tal. Os dois concordam que aquilo a que a europa está sujeita neste momento é a uma ditadura da Alemanha e complementarmente da França. Ambos acham que isto só já lá vai com uma ruptura, que não tem que ser necessariamente violenta, de paradigma. Os povos e dirigentes europeus que não se revêm já nesta europa  começam a agitar-se e a movimentar-se no mesmo sentido das declarações de Soares e Freitas. Ex-responsáveis do FMI vêm a terreiro dizer que o euro vai rebentar dentro de poucas semanas se não forem tomadas medidas sérias, urgentes  e concretas, e o leque das medidas que podem ser tomadas já está muito queimado pelo tempo que passou entretanto.

Há um novo imperialismo, não declarado nem assumido oficialmente, no ar. Alemanha e França são dois dos países com maior poder e dimensão em toda a europa, quer económico, quer geográfico. Ambos tiveram no passado recente sonhos imperiais que foram derrotados. Não sei se ainda aspiram a isso, mas aquilo que me parece é que, seja por inércia ou por existência de agendas não reveladas dos outros países europeus, Alemanha e França exercem actualmente um efectivo poder imperial que dita o que os outros países europeus têm e não têm que fazer. E isto não é aceitável nos tempos que vivemos. Não se pode permitir que países e nações soberanas sejam governados por ditames de um imperialismo económico que derruba governos e coloca outros, mais ao seu jeito, no seu lugar. Democracia rima com soberania.  

Eu estou até em posição de aceitar, em certa medida e grau, um federalismo europeu, mas quero ser eu a votar em quem comande essa federação europeia. Imposta anti-democraticamente não será aceite pela esmagadora maioria dos povos europeus, especialmente vindo de onde vem. 

Presumo que há já muito pouca gente que acredite nesta União Europeia, com esta configuração e naquilo em que se tem transformado, pelo menos eu não acredito. Mas é incontestável que a União Europeia foi a única "invenção" dos europeus que conseguiu manter este continente mais ou menos sem guerras ( descontada a da ex-jugoslávia )  nos últimos 50 anos. Basta olharmos para antes do tratado de Roma em 1957. Contudo Konrad Adenauer, Robert Schuman e Jean Monnet não validariam  certamente aquilo em que se transformou o seu sonho de  europa , que mais parece agora um pesadelo.

Não sei qual será o futuro, não sou adivinho nem acredito neles. Mas sei que esta europa não serve para os europeus, salvo se não se importarem de sustentar este neo-imperialismo que nos governa a partir de Berlim e que vai delegando pequenos poderes nos governos nacionais que cumprem sem questionar as suas ordens.

Lembrei-me de Mateus 24 e das palavras de Jesus: Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino.


Jacinto Lourenço




 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Na Suiça não Há Reformas de Luxo.

Na Suíça, ao contrário de Portugal, não há reformas de luxo. Para evitar a ruína da Segurança Social, o governo helvético fixou que o máximo que um suíço pode receber de reforma são 1700 euros. E assim, sobra dinheiro para distribuir pelas pensões mais baixas.





Fonte: RTP

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Gostos ( dizem ) não se Discutem


Não sou confessadamente um adepto de fado, mesmo que tolere alguma coisa de Amália ou Ana Moura. Considero este tipo de canção demasiado triste, taciturno ou mesmo algo deprimente em muitos casos. Mas não contrario o facto admitido agora pela Unesco de que este tipo de canção faz parte de uma certa identidade portuguesa, que ganhou projecção internacional e mundial, especialmente desde Amália Rodrigues. Surpreende-me igualmente que a melodia do fado "toque" de forma peculiar muita gente estrangeira que a ouve mesmo não percebendo a língua que dá corpo às letras cantadas nas melopeias fadistas.  Chego a pensar que estarei errado e eles certos. Paciência, resta-me refugiar-me no velho lugar-comum de que "gostos não se discutem"... e continuar a deliciar-me com a sonoridade da guitarra portuguesa tangida por um pequeno conjunto de  guitarristas de excelência ou mesmo com muita da poesia de poetas portugueses adaptada ao fado. Esse é o "meu património" concessionado ao fado. 

Mas não gostar, genericamente, de fado, não significa que não me congratule por verificar que uma organização como a Unesco reconhece o fado como Património Imaterial da humanidade. Antes assim. É pelo menos um património português, mesmo que não se enquadre no mosaico dos meus gostos musicais. Parabéns aos muitos portugueses que gostam de fado e também à equipa que preparou a candidatura ganhadora. Quando querem, os portugueses sabem fazer bem as coisas.


Jacinto Lourenço    

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Porque fez Deus primeiro o Homem...



- Rabino - perguntava um judeu, interessado nos profundos problemas da filosofia bíblica - Porque fez Deus primeiro o homem e depois a mulher ?
- Porque Deus não queria ter ninguém que lhe desse conselhos sobre como devia fazer o homem.



Fonte: "Anedotas de judeus que o meu pai me contou", Abrasha Rotenberg, Esfera dos Livros, pag. 47

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Há Justiça nesta Greve ?


Quero desde já fazer aqui uma declaração de intenções ( parece que  agora  está na moda fazê-lo...): não me reconheço nem me interpreto especialmente em nenhuma linha político-partidária do actual espectro  português, mas isso não significa que seja apolítico ou mesmo  não seja capaz de analisar a situação que está criada em Portugal, em particular para a classe média e para as classes mais desfavorecidas da população.

Hoje dei uma volta pelo FB e,  ao fazê-lo,  encontrei  expostas algumas ideias "peregrinas" de  amigos virtuais que se pronunciaram contra a Greve Geral: uns porque é uma "greve política", outros porque é uma greve "anti-democrática", etc, etc. Talvez fosse bom lembrar que muita da legislação que está hoje inscrita no código de trabalho, traduzida em  direitos  inalienáveis dos trabalhadores,  só existe porque tais direitos foram conseguidos após muita luta e algumas greves dos trabalhadores em geral e, o mais interessante, é que aqueles que se pronunciam contra esta Greve Geral são usufrutários desses direitos conseguidos por trabalhadores que anteriormente se expuseram,  por vezes com risco até da própria vida ou mesmo perdendo-a sob as balas disparadas por regimes totalitários como o que vigorou em Portugal até ao 25 de Abril.. Só para lembrar os mais esquecidos que pouquíssimos  anos antes de Abril de 1974, ainda vigorava no país o regime horário de trabalho de sol a sol,  sendo   a luta dos trabalhadores, especialmente os rurais, que conseguiu impor a jornada de trabalho de oito horas diárias. Ouve repressão dura, ouve tortura, houve mortes até. Admito que   muitos dos que se afirmam hoje contra esta greve tenham a memória curta ou não conheçam nada da história recente do seu país ou então que tenham vivido à sombra do conforto de benesses vedadas à população em geral e às classes trabalhadoras em particular...

A greve de hoje colhe o apoio de duas centrais sindicais que reunem à sua volta muitos sindicatos controlados por diferentes tendências políticas e nomeadamente  das cores partidárias que estão no governo e que são maioria na Assembleia da República. Não colhe, por isso,  o argumento de que esta greve é política. 

Das muitas greves que já se fizeram em Portugal, talvez nenhuma como esta seja tão justa e óbvia, particularmente quando se constata que todas as medidas governamentais têm como único objectivo empobrecer mais aqueles que ou já eram pobres ou  já viviam com um orçamento demasiado apertado para fazer face à sua vida.  Declaradamente o programa do governo só tem um ponto: empobrecimento. Não se vislumbra nenhuma ideia que devolva aos portugueses, pelo menos, alguma esperança de que no final deste ciclo infernal o país possa encontrar uma linha de rumo que o leve para o crescimento e desenvolvimento mais sustentados.

Nunca  como até agora se ouviu um coro de vozes, provenientes de todas as áreas políticas e sociais, nomeadamente da área das cores do governo e mesmo da igreja católica, chamar a atenção  para o facto de que este não é o caminho, ou melhor, este é o caminho do abismo.

Os portugueses estão a ser esmagados por políticas altamente injustas que só apontam numa direcção: a classe média e os mais pobres. É por isso que esta greve se afigura aos olhos de quem tem um mínimo de capacidade de observação como justíssima.

Sou cristão e, como cristão, procuro observar a vida e o que a rodeia com olhos de quem sabe observar e destrinçar o que é e o que não é justo. Como cristão foi assim que aprendi e é assim que me tenho conduzido. E, por isso,  também não me posso limitar  a ser um observador apático das condições de vida dos meus irmãos e dos meus concidadãos que sofrem os desmandos deste capitalismo selvagem que nos devora e que escolhe os "seus" governantes ditando-lhes as ordens que estes cumprem  escrupulosamente ignorando o mais importante: o seu povo, a sua nação, o seu país.


Jacinto Lourenço

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

As Originalidades Políticas da Madeira


Ouvi, e pensei que a minha sonolência matinal me estivesse a enganar quanto ao que acabava de ser noticiado na Antena 1. Lavei a cara com água fria e voltei a ouvir mais detalhadamente. Não, não estava a dormir nem tinha percebido mal. Já me encontrava  suficientemente desperto para entender claramente que, por proposta do PSD da Madeira, entretanto  aprovada com toda a oposição a votar contra, um deputado presente no plenário da Assembleia Regional pode, a partir de agora,  votar sózinho em nome de todos os outros deputados do respectivo grupo parlamentar que são assim dispensados da maçada de ali se deslocarem para fazer funcionar a democracia madeirense...

Para além das originalidades verificadas no "reino da Madeira" de que ultimamente temos tomado conhecimento, promovidas pelo sujeito que o "governa", temos agora mais esta, de se tornar o parlamento regional da Madeira num género de assembleia uninominal em que os votos dos eleitores passam a estar concentradas nas mãos e na  decisão de uma só pessoa por partido. Pode até ser um primeiro passo para depois se constatar que os partidos não  serão assim tão necessários... Pensei então que esta ideia, em Portugal,  pecava por  não ser inteiramente original.  Afinal, durante quase 50 anos,  uma pessoa também concentrava sobre si a totalidade do poder e decidia sobre a vontade de todos os portugueses e isso prolongou-se até à madrugada de 25 de Abril de 1974. Chamaram a esse regime "Estado Novo". Muitos outros, a maioria das pessoas, chamou-lhe Fascismo !  Estávamos convencidos que teria acabado no território nacional. Parece que não. Agora cobre-se com o manto diáfono da democracia.


Jacinto Lourenço

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Ignorância de Muitos Universitários


Não consigo ficar admirado face às respostas dos jovens universitários obtidas pelo repórter. As perguntas eram simples, de cultura geral, básicas até, em linha com um  nível culturalmente baixo. Segundo a reportagem que passou numa televisão e foi publicada por uma revista semanal, cinquenta por cento dos estudantes universitários entrevistados não sabem responder, entre outras  igualmente simples, às questões sobre quem terá pintado o tecto da Capela Sistina ou quem é o actual presidente da Comissão Europeia. No mínimo confrangedor , mas também  altamente revelador... vale a pena ver o vídeo.

Infelizmente, uma substancial  fatia dos  jovens de  hoje, para além de se focarem, exageradamente,  sobre a sua própria imagem e a promoção da mesma,  de saberem tudo sobre gadgets e sua utilização e colocarem à frente da sua preparação para a vida, o "curtir a vida", poucos mais interesses desenvolvem que sejam dignos de realce e úteis para si próprios e para a sociedade em que se inserem. Felizmente que ainda existe uma franja de outros jovens que estão num registo mais responsável e apostam no conhecimento e na cultura, não necessariamente a que só permite responder correctamente a "perguntas de algibeira"... É com esses que o futuro do país pode contar. Os outros, bem, os outros fazem parte daquela estatística que parece querer iludir-nos com a  falsa verdade de que temos actualmente em Portugal a geração de jovens mais qualificada de sempre. Pelos vistos pode não passar de  uma falácia. E é pena !


Jacinto Lourenço